Classe de 2015 tem veteranos, calouros e as eternas diferenças (Foto Ferrari)   HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 150068 aus

Turma de 2015 tem veteranos, calouros e as eternas diferenças (Foto Ferrari)

Abertura da temporada de F-1 mostrou o atual campeão usufruindo todo o potencial do seu carro enquanto Nico Rosberg mal conseguiu acompanhar seu ritmo. Outrora dominante, Red Bull chora as pitangas e ameaça deixar o playground. Felipe Nasr se lançou como o melhor estreante da temporada.

 

Grid mais anêmico dos últimos tempos, os 13 pilotos que completaram pelo menos uma das 58 voltas do GP da Austrália, deram boas pinceladas do que se deve esperar na temporada deste ano no que diz respeito à capacidade de coordenar o pé direito com o cérebro e no que poderão extrair dos seus equipamentos.  Se alguns fatos foram consumados, surpresas também aconteceram: para a superioridade de Hamilton sobre Rosberg contrapõe-se a derrota de Verstappen para Sainz Jr.

 

Primeiro bloco tem duas alas

 

Lewis Hamilton segue sendo o primeiro da classe (Foto Mercedes Benz)  HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Lewis F12015GP01AUS JK1672242

Lewis Hamilton segue sendo o primeiro da classe (Foto Mercedes Benz)

Entre os pilotos de ponta sem dúvida que Lewis Hamilton (1º no grid com 1:26.327)  e Nico Rosberg  (2º; 1:26.921) vivem na área nobre de um condomínio fechado, mas o quarto do inglês tem janela bem maior e vista para a piscina; durante a prova, Hamilton confirmou a hegemonia ao marcar a melhor volta da corrida e liderar 56 de 58 voltas. No que toca ao equipamento, dispensa-se análises, teorias e palpites: os carros alemães são superiores, ponto.

 

WIlliams mantém equipe enxuta e investe no carro (Foto Williams)  HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Massa racenewsthumb

WIlliams mantém equipe enxuta e investe no carro (Foto Williams)

Já os colegas da Ferrari, Williams e Red Bull sentem isso como o peso do IPTU que assola os paulistanos, viventes em uma cidade de piso lunar. Felipe Massa (3º, 1:27.716) e Valteri Bottas (6º; 1:28.087), mostraram rendimento equilibrado, mas é sempre bom lembrar que o finlandês era dúvida e acabou nem entrando em campo, digo, na pista. A dor nas costas que vetou sua presença no grid pode reverter a situação na Malásia e Massa deixou escapar que os motores da Mercedes são superiores aos fornecidos à Williams. Quem sabe o coelhinho da Páscoa traga um ovo recheado com a solução desse problema. Ou então, Suzi Wolff faça uma promessa para Santo Antônio ou, vai que, Bottas escreva para aquele seu vizinho que anda num trenó puxado por renas e eles consigam dar um jeito no problema.

 

Sebastian Vettel lustra o ego dos italianos e ganha espaço na Scuderia (Foto Ferrari)   HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 150060 aus

Sebastian Vettel lustra o ego dos italianos e ganha espaço na Scuderia (Foto Ferrari)

Na Scuderia, Sebastian Vettel (4º; 1:27.757) já deixou Kimi Räikkönen para trás (5º; 1:27.790) na classificação e na corrida, quando manteve um ritmo muito mais regular que o companheiro de equipe e  melhorou gradativamente seus tempos à medida que seu tanque ia esvaziando. Essa tocada foi fundamental para construir a vantagem que lhe permitiu superar Massa e garantir o lugar no pódio na hora da parada obrigatória no boxe. Mais do que isso, Vettel se esforça para cicatrizar o ego ferido dos italianos e, em público, arranha palavras do idioma de Dante para se tornar o centro das atrações da Scuderia. Jogada de mestre. O erro em duplicata que atrapalhou as paradas do finlandês lembrou muito o filme que já vimos com Rubens Barrichello e Felipe Massa…

 

Christian Horner não anda muito satisfeito com os resultados de sua equipe (Foto Red Bull)  HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Horner P 20150315 00230 HiRes JPEG 24bit RGB

Christian Horner não anda muito satisfeito com os resultados de sua equipe (Foto Red Bull)

Era uma vez uma equipe que ganhava de tudo e de todos e tinha como único problema gerenciar a rivalidade entre seus pilotos e não se cansava de vencer corridas; essa equipe era feliz e não sabia. Este ano a Red Bull nem precisa comentar ou esclarecer ainda mais a superioridade de Daniel Ricciardo (7º; 1:28.329) sobre Daniil Kvyat (13º; 1:29.070). O australiano fez o que pôde e Kvyat desistiu, oficialmente, por problemas de transmissão. Já o chefe da equipe Christian Honner se debate, isto sim, com um motor que foi extensamente modificado por uma organização profundamente modificada. A própria Renault já anunciou que só espera colher frutos da reformulação organizacional de Viry-Châtillon (sede do seu departamento de F-1) a partir da metade do ano, mas explique isso para uma equipe que defende as cores de um produto que oferece adrenalina em latinhas? Famoso por sua diplomacia digna dos grotões das montanhas, Herr Doktor Helmut Marko já avisou que se as regras não mudarem sua turma sai do playground e volta para o apartamento.  Louco para ter moedas de negociação, Bernie Ecclestone reverberou a queixa em forma de apoio diplomático.

O que está em jogo aqui é mais do que a superioridade da Mercedes-Benz e a qualidade do espetáculo na pista. O que move montanhas neste vale de areia movediça é o controle da categoria e enfraquecer ainda mais a FIA, que quis porque quis mudar as regras do jogo e impôs a atual fórmula de motores híbridos, combustível racionado, câmbios padronizados e por aí afora. Se conseguir mudar as regras do jogo, mais uma vez a estrutura Ecclestone & Co.  vai minar a entidade que deveria se fazer notar por atitudes mais eficientes.

Como estamos falando de uma organização político-desportiva e um sistema empresarial de alcance global, este último tem tudo para ganhar a guerra em que se luta pela reformulação geral dos motores. Em meio a isso, são cada vez maiores os sinais de que a Renault poderá assumir o controle da Toro Rosso e voltar a ter sua própria equipe; vale digitar que há outras operações em condições de receber as atenções da Régie. Ao fomentar a cizânia entre seus clientes, Ecclestone ganha munição para morder e assoprar a seu bel-prazer, tão simples quanto isso.

 

A classe média ascendente

 

Felipe Nasr impressionou em Melbourne e fez a Sauber brilhar (Foto Sauber Motorsport)   HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Nasr d reinhard aus 15 1926

Felipe Nasr impressionou em Melbourne e fez a Sauber brilhar (Foto Sauber Motorsport)

Sempre lutando por uma bolsa isso ou aquilo, Sauber, Force India, Toro Rosso e Lotus — nesta ordem — digladiam-se pela honra de assustar os primos ricos. A resistência demonstrada pelo C34 nos testes pré-temporada deixou claro que, com uma pequena ajuda dos amigos italianos, a Sauber poderá viver em 2015 algo parecido com o que a Williams demonstrou em 2014. Guardadas as devidas proporções — afinal, Marcus Ericsson (16º; 1:31.376) ainda não consegue acompanhar o ritmo de Felipe Nasr (11º; 1:28.800) —, os suíços têm potencial para tanto, mesmo com o fogo inimigo das tamancadas do holandês Giedo van der Garde.

 

Nico Hulkenberg lidera o ataque da Force India (Foto Sahra Force India)  HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Hulk jm1515ma331

Nico Hulkenberg lidera o ataque da Force India (Foto Sahra Force India)

Apelar para os deuses do Ganges e manter o equilíbrio com a ajuda da ioga parecem funcionar para os bravos soldados de Vijay Mallia, o peculiar líder da Force India.  Como que impulsionados pelo bravo espírito irlandês que lançou as fundações da sede da equipe, seus técnicos e engenheiros deixariam contente Eddie Jordan, seu fundador e famoso por sua aversão a gastar dinheiro. Essa garra ganha importância nos tempos de vacas magras e não tão sagradas que assolam o time e ajudou a entregar a Nico Hulkenberg (14º; 1m29.208) e Sérgio Pérez (15º; 1:29.209), carros equilibrados e razoavelmente funcionais.

 

Carlos Sainz Jr (#55) começou a impor sua experiência frente a Max Verstappen (Foto Red Bull)   HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Sainz P 20150315 00237 HiRes JPEG 24bit RGB

Carlos Sainz Jr (nº 55) começou a impor sua experiência frente a Max Verstappen (Foto Red Bull)

A Toro Rosso garantiu a grande surpresa da abertura da temporada no que diz respeito à sua dupla de pilotos, os estreantes Carlos Sainz Jr (8º; 1m28.510) e Max Verstappen (12º; 1m28.868). Piloto mais jovem a alinhar em um GP, aos 17 anos Verstappen surgiu como a última bolacha do pacote e andou mais forte que Sainz nos primeiros treinos da pré-temporada. Pouco a pouco, porém, a situação se inverteu e o jovem ibérico parece usufruir cada vez mais da maturidade que algumas temporadas de automobilismo lhe garantem. Vindo do kart, Max inicia sua segunda temporada completa com automóveis. A maior liberdade para construir seu chassi e a propalada negociação para a Renault  assumir seu controle podem garantir à Toro Rosso sua melhor temporada até hoje.

 

Romain Grosjean andou bem nos treinos, mas abandonou na primeira volta (Foto Lotus F1 Team)   HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 grosjean 52 lOTUS

Romain Grosjean andou bem nos treinos, mas abandonou na primeira volta
(Foto Lotus F1 Team)

Depois de progredirem até a Q1 Romain Grosjean (9º; 1:228.560) e Pastor Maldonado (10º; 1:29.480), amargaram a participação mais efêmera entre todas as equipes que puseram seus carros a funcionar em Melbourne. Grosjean mal completou uma volta e Maldonado foi tocado por Nasr quando o brasileiro e Kimi Räikkönen se tocaram logo após a largada. Desta vez o venezuelano teve direito a cobrar o DPVAT, já que foi vítima no acidente, mas o fato é que isso não ajuda muito a melhorar sua imagem. Para a Lotus, um fim de semana frustrante que deixa em aberto a real competitividade da equipe.

 

Jenson Button vê o lado sombrio da vida de um campeão mundial (Foto McLaren)  HAMILTON NAVEGA, ROSBERG REMA E RED BUTTON PERDE O FÔLEGO... 20150317 Button McLaren

Jenson Button vê o lado sombrio da vida de um campeão mundial (Foto McLaren)

Já na McLaren a situação está bem mais clara, apesar da fumaça que envolve a durabilidade dos seus motores Honda. Foi, possivelmente, a primeira vez que a equipe ocupou a última fila do grid de largada ( Jenson Button foi 17º; 1:31.376, e Jan Magnussen o 18º; 1:32.037) de um GP; não fosse suficiente, Magnussen sequer alinhou… A situação não anda nada fácil para os lados de Ron Dennis e pitadas de fel gotejam das nuvens que envolvem o acidente de Fernando Alonso em Barcelona. A cada dia surgem informações contraditórias sobre o que já foi jurado como sacrossanto, metamorfose ambulante que  só crescer o mistério; Alonso pode voltar na corrida da Malásia, mas há controvérsias e a regra é clara: ele só corre se passar no exame médico.

Última, mas não esquecida — para usar uma expressão que aparece book on the table —, a Manor enviou sua equipe para a Austrália, dois arremedos de carro e, jura um colega alemão, um único bico dianteiro em condições de uso. Poucos acreditaram que o inglês Will Stevens e o espanhol  Roberto Merhi teriam condições de competir em Melbourne. Quando foi divulgado que a equipe não tinha o software necessário para fazer funcionar os motores Ferrari ficou difícil não lembrar da equipe Life. Em 1990, minutos antes de começar os treinos de pré-classificação para o GP da Bélgica, os mecânicos deixaram congelar as garrafas de ar comprimido e não conseguiram sequer ligar os motores do carro de Bruno Giacomelli…

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 300 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

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  • Fabio Vicente

    Ao menos na primeira metade da temporada, quem gosta de F-1 terá que se contentar com as frequentes dobradinhas de Hamilton/Nico, invertendo a ordem de chegada eventualmente. Ao que parece, a Mercedes resolveu o problema de confiabilidade do carro, o chassis evoluiu muito mais do que a concorrência, e parece que o problema crônico de freio não deverá incomodar mais.
    Talvez na segunda metade da temporada, a Ferrari venha fazer frente a esta equipe. Não acredito na Williams. Por mais que tenham um chassi excelente, a unidade de potência com certeza terá desvantagem em relação à rival alemã.
    A choradeira do Marko até tem embasamento, pois a FIA encheu o saco da Red Bull quando esta dominava a categoria.
    E Felipe Nasr está de parabéns. Foi um verdadeiro tapa com luva de pelica na cara dos críticos. Com todos os problemas legais na Sauber, chegou discretamente, trabalhou duro e foi recompensado com um ótimo 5º lugar. Torço para que ele continue com esta regularidade, e que a Sauber não tenha mais problemas ao longo da temporada.
    E a minha favorita? Sem comentários Honda…

    • Wagner Gonzalez

      Fabio, sua análise caminha paralela à minha, embora eu não descarte a Williams com tanta facilidade. Quanto à superioridade da Mercedes o Bernie Ecclestone teria declarado esta tarde (terça, 17/03) que a Mercedes acompanhou bem de perto a elaboração do regulamento da F-1 atual… Particularmente acredito que “Mr. E” – como ele é tratado ocasionalmente, está trabalhando para afastar Jean Todt do comando da FIA num futuro não muito distante. Leve em consideração o crescimento do WEC e a nova F-e nessa briga de pequenos cachorros grandes…

  • Eu disse aqui, algum tempo atrás, que ia torcer pelo carro azul… Por enquanto está dando certo!

    • Wagner Gonzalez

      Fez alguma aposta, Roller Buggy?…

      • Rrsrrsrsrsr!!! Não fiz aposta… Foi só sentimento nostálgico… Quando vi pela primeira vez o carro da Sauber, azul com o logo do Banco do Brasil, automaticamente associei ao Team Fittipaldi. E esse sentimento não tem como explicar, é como gostar Buggy, a gente sabe que não é o melhor, mas adora!

  • Lucas dos Santos

    Eu olho com muito cuidado para essa quinta colocação do Nasr.

    Não podemos nos esquecer que entre ele e o quarto colocado havia um “abismo” de 57 segundos! É muita coisa. Em condições normais “cabem” muitos carros nesse espaço. O mérito do Nasr, obviamente, está no fato dele ter conseguido tirar proveito de tudo o que aconteceu na corrida para conseguir esse resultado. Mas, para uma equipe do calibre da Sauber, é um resultado tão atípico quanto aquela segunda colocação do Sergio Perez na Malásia há alguns anos atrás.

    Vamos ver também como a Sauber vai se desenvolver no decorrer da temporada. Normalmente ela faz grandes avanços no começo da temporada e depois fica estagnada por falta de dinheiro. Mas creio que, se não houver nenhum Van Der Garde para interferir, esse ano pode ser diferente.

    Fica a incógnita quanto o desempenho das Lotus. Pelo que mostraram na classificação, tinham tudo para conseguir um bom resultado.

    Quanto à McLaren-Honda, esse mau desempenho era o que eu temia. Lembram das declarações de Jenson Button e Rubens Barrichello em 2009 acerca do desempenho da Brawn GP? Era basicamente o mesmo carro da equipe Honda de 2008 e disseram que a troca do motor Honda para o Mercedes foi o que tornou a equipe vencedora! E a McLaren fez justamente o caminho inverso! Vamos ver como eles conseguem se desenvolver daqui para frente. Parece que o Alonso, quando voltar, vai ter de continuar “tirando leite de pedra” em busca de resultados aceitáveis! Pelo menos ele já é bem “experiente” nessa tarefa.

    • Wagner Gonzalez

      Lucas,
      Certamente a ausência do Valteri Bottas tem parte nesse latifúndio de 57 segundos, há de esperar para tirar a dúvida.Me ocorre que pouco foi falado sobre a origem do problema de saúde do finlandês…Como dizia Jackie Stewart, três corridas darão a nitidez do que teremos nos dois campeonatos deste ano…

      Wagner

  • marcus lahoz

    Uma corrida para se esquecer. A F-1 esta acabando, até o VT ficou sem graça. Dá até raiva de assistir.

    Sorte que teve Nascar e a corrida foi boa demais.

    • André Castan

      Sem dúvida Marcus. É NASCAR na veia. A F1 tá vivendo só de nome, mas isso acaba rápido.

      • Wagner Gonzalez

        O batalhão dos big blocks cresce a ovais vistos!…

  • Domingos

    A corrida foi legal exclusivamente por coisas bacanas como a Ferrari em forma novamente com o Vettel – todo um outro espírito para a equipe – e o Nasr.

    Do resto, a F1 só mostra que os motores “ecológicos” e toda essa baboseira de tia compartilhando coisa em rede social para fazer bonito para os parentes tem “graça” por umas 2 semanas só.

    Com o grid menor, culpa dos motores e carros caríssimos que o híbrido criou, parece que estou ouvindo uma corrida de kart de aluguel (porque um 2-tempos faria mais barulho…).

    Emoção zero ao espectador e para os pilotos idem, já que os carros estão separados em grupos pequenos e distantes entre si. E, quando um se aproxima do outro, tem que ultrapassar em poucas voltas – caso contrário, se gasta mais combustível do que se pode.

    Vai ser bom pra expurgar todo esse lixo aí. Ano que vem aposto em novo regulamento, até mesmo para motores.

  • André Castan

    A F1 está na UTI respirando por aparelhos. O paciente precisa de um transplante de coração urgente. Tem pouco tempo de vida. Ou faz ou morre.
    Trazendo para linguagem dos carros, ou se coloca motor bom e barato ou é o fim da categoria. Motor bom é aquele que faz o público delirar, se emocionar. Tudo que essa porcaria de hoje não consegue fazer. Depois disso, alterar os carros para ter aderência mecânica e não aerodinâmica. Isso vai resolver o problema das ultrapassagens.

    • Wagner Gonzalez

      André, o equilíbrio que autoentusiastas como nós queremos é utópico, mas nem por isso vamos deixar de discutir e propor idéias. Adiante!
      Wagner

  • Domingos

    Concordo com quase tudo, mas existe uma certa lenda aí com a questão da Brawn.

    Ao que consta, o motor Mercedes era muito melhor em dirigibilidade que o Honda, porém foi feita uma adaptação às pressas para encaixar ele naquele carro. Não puderam mudar nem mesmo a transmissão, por falta de tempo e recursos – Brawn comprou a equipe já fechando as portas por um valor simbólico.

    Isso fez com que os pilotos achassem o carro muito melhor pelo motor, mas em alguns casos os engenheiros e o Brawn admitiram que a adaptação tornou o carro até 1 segundo mais lento (em alguns casos) que se fosse com o motor original da Honda – ou seja, não era tão ruim assim.

    Outra coisa é que a Honda fez para o carro de 2009 o primeiro e o melhor difusor duplo, sendo que naquela temporada apenas a Red Bull teve um carro sem essa configuração que fosse rápido o suficiente para as três primeiras posições.

    Ou seja, não era o motor o problema da equipe na época não. Hoje é diferente…

    • Wagner Gonzalez

      Estamos falando de projetos diferentes, sendo que o atual envolve muito mais “complicometros”. Tal qual na linha de grande produção, na F-1 as fábricas e construtores também erram…e acertam!

      • Domingos

        Sim, e justamente esses complicômetros que estão matando a categoria com altos custos e pouca gente que chega perto de acertar.

        A melhor coisa agora seria voltarem aos aspirados, com maior cilindrada e um sistema híbrido mais simples.

        Mais barulho, menos custo e muito menos complicação que leva à falência equipes menores e acaba com outras tantas grandes!

  • Lucas dos Santos

    Wagner,

    É interessante notar como categorias que eram “ilustres desconhecidas” ganharam notoriedade após o Jean Todt assumir a presidência da FIA. Especialmente as já citadas WEC e Fórmula E.

    Esta última, inclusive, parece ter caído no gosto do pessoal. Embora ainda haja quem olhe com desconfiança para essa “polêmica” categoria, tenho notado que as corridas têm recebido um público considerável. Destaque para a corrida de Buenos Aires, em que a torcida vibrava bastante.

    Provavelmente, isso afetou bastante a audiência da F1, e não é de surpreender que “Mr. E” queira o ex-dirigente da Ferrari longe da FIA tão logo quanto possível.

    Por falar em Fórmula E, na etapa de Miami, deste fim de semana, mais um novo vencedor (o quinto em cinco etapas): Nicolas Prost. Ruim para o brasileiro Lucas Di Grassi, que teve um mau resultado e perdeu a liderança do campeonato, com sete pontos de desvantagem.

    • Wagner Gonzalez

      O grande problema da F-1 é que a instituição tende a ignorar o apelo mundano da massa. Ocorre que a queda de audiência e a concorrência de outras formas de entretenimento estão minando essa muralha.

      Abraços, Wagner

    • Domingos

      Quando a FIA começa assim tem um nome: matar uma categoria mais legal para dar lugar a uma que tem mais potencial de ganhos.

      Já aconteceu com o WRC. Fórmula E me desculpe, mas corrida com carro tudo igual e curva 90º atrás de outra 90º eu prefiro ver uma corrida de kart entre iniciantes.

      • Lucas dos Santos

        Quanto à Fórmula E, tenho que concordar.

        Ao menos a questão dos carros todos iguais deve ser resolvida a partir da próxima temporada, quando as equipes terão de construir seus próprios carros, com suas próprias soluções.

        Já em relação às pistas, espero que o Sr. Alejandro Agag se convença logo de que não há problema algum em colocar esses carros em autódromos. A corrida-teste que teve em Donington Park foi bem interessante.

        O que salva a categoria são os pilotos, que, por já terem alguma experiência em outras categorias, fazem boas atuações nas corridas. Isso acaba gerando corrida interessantes, mesmo em pistas terríveis como essa de Miami.

        • Domingos

          A questão das pistas é que muitas curvas complicadas matam a autonomia já ruim dos carros elétricos.

          Não sei como vão adequar isso, já que atualmente eles já param para trocar de carro devido a isso.

          Quando arrumarem essa questão ao menos vai ser assistível.

          • Lucas dos Santos

            Pois é. Atualmente a categoria depende de pistas mais travadas, que demandem freadas fortes, para que os carros consigam recuperar energia suficiente durante as frenagens.

            Isso acaba gerando pistas como a de Beijing, que se resume a “reta, chicane, reta, curva de 90 graus, reta, chicane…” e a pista de Putrajaya, com quantidade de cotovelos e hairpins para fazer Hermann Tilke morrer de inveja! E a pista de Miami em que TODAS as curvas são de 90 graus, com a diferença de que algumas são para a esquerda e outras para a direita!

            Mas há pistas boas também. Punta del Este, por exemplo, você olha o mapa do circuito e não dá nada pela pista. Mas ao ver os carros correndo ali, ela se mostra uma pista bastante interessante, que instiga os pilotos a andarem cada vez mais rápido, no limite mesmo. E tem também a pista de Puerto Madero, em Buenos Aires, que agradou bastante por ter um traçado com características de autódromo.

            A próxima corrida usará metade do traçado de Long Beach, da Indy, que é também uma boa pista. Ao menos na Fórmula E não haverá aquelas barreiras de pneus típicas da Indy – que mais atrapalham do que ajudam – e creio que os carros e pilotos terão mais liberdade para explorar os limites, bem como uma maior margem para erros.

            Enfim, uma categoria que ainda está começando, onde tudo é experimento. Creio que, com o tempo, adequações deverão vir com base no que for aprendido no decorrer das temporadas.

  • Lucas dos Santos
  • Wagner Gonzalez

    Não foi a primeira vez…e nem será a última.
    Wagner