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Um novo chassis para um F-1 antigo

Sempre que vejo fotos e vídeos de corridas de carros antigos, principalmente na Europa, onde há um grande número de Fórmula 1 de três ou quatro décadas atrás ainda acelerando forte, um arrepio passa pela minha espinha. E se o cara bater, como arrumar isso ?

Ingenuidade minha, confesso. Esqueci que há o Primeiro Mundo!

Não sei quantas empresas fazem um serviço do tipo da R&J Simpson, mas as fotos dessa matéria são todas da empresa de Bob Simpson, um inglês que foi mecânico de equipes de F-Ford, Fórmula 2, e Fórmula-1, por onde passou pela Tyrrell, Brabham e Ensign, depois dirigiu uma equipe de Fórmula 3, a Anson, até chegar a um ponto em que o filão das corridas de antigos e a necessária manutenção desses carros se fez importante, possibilitando abrir sua empresa.

 

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Com isso não há o que temer caso o felizardo proprietário de uma máquina histórica dessas tenha um encontro pouco saudável.

Como nas corridas os chassis de chapa são há muitos anos sempre em alumínio, sua experiência o levou a encontrar um outro mercado, os chassis dos Aston Martin DB4, DB5 e DB6 que eram feitos predominantemente em chapa de alumínio, mas que tinham também componentes de aço. Essa união de materiais causa uma corrosão galvânica em presença de umidade, e que atinge tanto o aço quanto o alumínio. Se houver sal, caso comum de muitos países, onde ele é espalhado nas ruas para derreter o gelo, essa reação é muito acelerada.

Dessa forma, muitos Astons mais antigos tiveram sérios problemas de corrosão de suas partes estruturais, e Bob Simpson resolveu fabricar chassis completos novos para esses modelos.

Isso sem dúvida valoriza tanto os carros restaurados, que podem ter tratamentos anti-corrosão mais modernos e que são infinitamente melhores do que os existentes quando os carros forma feitos na fábrica, quanto os que nunca foram restaurados e sempre mantidos de maneira dedicada  para  fazê-los durar muito.

Além disso, os carros em estados não muito bons podem também ser tratados de outra maneira, já que sabe-se que reformas extensas podem trazê-los de novo à antiga glória. Tudo de bom portanto com essas fantásticas criações da empresa de Bob Simpson.

 

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Um assoalho de Aston Martin em fabricação

É ótimo ter aprendido mais essa !

JJ

Fotos: R&J Simpson Engineering

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

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  • Aldo Júnior

    É bonito ver como em lugares que as pessoas tem formação, experiência e dedicação, as coisas são possíveis. Ter uma relíquia dessas e, melhor, poder utilizá-las para o que foram feitas, é algo impensável para nós. Por aqui fico com medo de sair com um Opala velho por saber que não existem mais peças de reposição de qualidade, principalmente de funilaria, e muito menos mão de obra. Ficamos tão bitolados em nossas limitações, que parece que estamos falando de outro mundo. Boa matéria. Abraços a todos;

    • Mr. Car

      Não só parece: estamos falando de outro mundo.

    • Ilbirs

      A Austrália tem mais peças de reposição para antigos do que aqui. Por lá, a Holden inclusive encampou as iniciativas de engenharia reversa para seus clássicos que o mercado paralelo estava fazendo, monitorando a qualidade das peças e passando a vender as aprovadas na rede de concessionárias da marca.

  • Mr. Car

    Juvenal, já que a matéria de lá versa sobre o mesmo assunto (antigo sem preocupações), e acho que ninguém aqui fica enciumado quando os leitores do Ae passeiam por outros sites sobre carros, sugiro que você de uma espiadinha na seção “Cool Stuff” do FlatOut, do dia 14/03/2015. Primeiro mundo!
    Abraço.

  • Fabio Vicente

    Um empreendedor de coragem com alma de artista. Acho que assim podemos definir Bob Simpson.
    O mais incrível é que ele além do excelente trabalho, indiretamente acaba contribuindo de outra forma: a de não deixar o conhecimento e experiência adquirido ao longo dos anos em que passou dedicado ao automobilismo represado com ele.
    O mundo precisa de mais pessoas assim! Resgatar o passado talvez seja a melhor forma de preservar a história.

  • Fabio Vicente

    Uma coisa que achei interessante foi o portfólio da empresa. Há vários modelos de diversas categorias. Vale a pena conferir:
    http://www.randjsimpson.com/#!portfolio/vstc1=page-3

  • Fernando

    Incrível ver este cuidado, Juvenal!

    Pessoas dedicadas assim merecem mesmo ter uma troca, de trabalho e uma forma de diversão em que o resultado desse trabalho seja algo em que o público dele sabe e muito bem dar valor.

    E pensar que enquanto isso, no balcão de peças em uma cidade brasileira qualquer, um dono ouve que uma peça para seu carro (que ainda é fabricado) está em falta e não tem previsão de chegar.

  • Ilbirs

    Outras possibilidades interessantes para uma empresa especializada em fazer estruturas automotivas de alumínio:

    1) Fazer peças de carroceria do Honda NSX em engenharia reversa;

    2) O mesmo para o Audi A8 da primeira geração,

    3) O mesmo para partes de carroceria de Land Rovers antigos;

    4) O mesmo para o capô do Citroën ID/DS;

    5) O mesmo para peças de cabine do caminhão International 9800i;

    6) Talvez até mesmo algumas peças de duralumínio para carros com carroceria de aço (ex.: para-choques do Lada Laika).

  • francisco greche junior

    Eu adoraria, de coração, poder trabalhar com isso, num país que tem condições para tanto.

    • Domingos

      Falam que mecânico é muito bem pago na Austrália!

  • agent008

    Que trabalho fantástico! Vida longa ao Simpson e seu empreendimento.

  • RoadV8Runner

    Enquanto isso, por aqui, nesta terrinha onde autoentusiasta sofre um bocado, é praticamente impossível encontrar peças para os carros mundanos que ainda circulam aos borbotões pela aí
    Fico maravilhado ao ver que mercados muito menores que o nosso produzem peças de reposição para antigos, principalmente se considerarmos que, proporcionalmente, o número de antigos que rodam na Europa é bem menor do que por estas bandas.

    • KzR

      Não é a toa que o MAO tem tamanha admiração por aquela empresa Argentina que está fabricando réplicas fieis de Bugatti antigo (e clássico), praticamente do zero.