Woman driv huffingtonpost.com  Curva perigosa ou gestão perigosa? Woman driv huffingtonpost

Tem coisas que só são aceitas no Brasil e acabamos não percebendo que, na verdade, elas não fazem o menor sentido. Certa vez meu pai estava dirigindo numa estrada levando um amigo dele suíço-alemão como carona quando se deparou com uma placa que dizia “Cuidado, curva perigosa”. Ele, na sua lógica germânica e com forte “zodaca” perguntou: “se sabem que é perigosa, por que não consertam?”. Pois é, é difícil responder a essa questão. Preferia ter de explicar como se resolve uma equação de segundo grau do que isso. E olha que tenho até hoje dificuldades em resolver equações de segundo grau – mas pelo menos, elas têm lógica. Como explicar o inexplicável?

As placas de sinalização no Brasil são um capítulo à parte em qualquer crônica e certamente merecem um lugar especial entre os motivos de neuroses e outras doenças mentais. Aqui mesmo no Ae temos exemplos a toda hora. Numa mesma placa proibido estacionar e zona azul, dê a preferência quando a pista que dá acesso é segregada da outra, e por aí vai. Fora as que não existem. Cansei de seguir placas que indicam um lugar como aeroporto numa determinada direção e depois, do nada, elas desaparecem. A lógica indica que se não há mudança, não há necessidade de nova indicação. Mas o que fazer numa bifurcação? Minha mãe mandou escolher esta daqui? E lá vou eu, tipo Buzz Lightyear — ao infinito e além. Claro que não necessariamente para onde queria ir…

Por isso não acho que o correto seja fazer manifestação para pedir placas em lugares como as tais “curvas perigosas”. Com freqüência as interdições de estradas e ruas se limitam a isso. E as autoridades às vezes colocam lombadas ou radares antes da tal curva perigosa, para obrigar a diminuição da velocidade. Não, deveria se pedir que as tais curvas perigosas fossem corrigidas, não apenas sinalizadas ou que lombadas sejam acrescentadas. É como colocar faixas de “local sujeito a alagamento” e não fazer as obras necessárias para que não haja alagamentos. Pelo mesmo princípio, não precisaríamos de policiais nem radares ou faróis que multam. Afinal, a sinalização do semáforo (verde, vermelho ou amarelo) já é um indicativo de pare ou siga. Se só sinalizar é suficiente, por que fiscalizar (ou corrigir) isso?

O Brasil tem fama (fora daqui é claro) de dizer que tudo aqui é o maior do que outras paragens. O Maracanã era o maior estádio do mundo, a floresta amazônica é a maior do mundo e por aí vai. Mas em termos de trânsito perigoso não fomos nós quem nos demos o título de estrada mais perigosa do mundo. O jornal italiano Corriere della Sera publicou em junho do ano passado um vídeo da BR-376, a rodovia que liga os Estados de Santa Catarina e Paraná, classificando-a como a mais perigosa da América do Sul – especialmente entre os quilômetros 661 e 682, onde em 2013 foram registrados 337 acidentes com caminhões. Resposta das autoridades? Negaram, claro, e disseram que isso foi registrado antes da colocação de radares naquele trecho. Então tá, em vez de corrigir a estrada colocamos radares para obrigar a diminuição da velocidade e fazemos de conta que o problema foi resolvido.

 

Foto video  Curva perigosa ou gestão perigosa? Foto video

Colocar radares é mais fácil do que corrigir a pista (fonte: videosdodia)

Como algumas pessoas que me conhecem já sabem, de vez em quando sou acometida por pensamentos maldosos no trânsito. O mais recorrente é meu desejo visceral de que os responsáveis pelo trânsito dirijam o próprio carro, sem GPS ou Waze e, claro, sem motorista, para que sofram na pele o que nos fazem passar. Recentemente ao me deparar com mais uma barbaridade dessas, incrementei minha maldade: faria tipo uma caça ao tesouro e eles teriam de chegar a determinado ponto e aí pegar o endereço para o seguinte. Tenho certeza que muitos deles ficariam perambulando pelas nossas cidades como os personagens de The Walking Dead, naquele limbo viário em que eles nos metem todos os dias.

Mudando de assunto: recentemente contei aqui os ensinamentos que recebi do meu tio sobre como atravessar em segurança um cruzamento ferroviário. Por incrível que pareça, recentemente uma motorista nos Estados Unidos não apenas parou o carro no meio dos trilhos como ainda desceu para olhar o prejuízo que a cancela provocou ao ser fechada sobre seu veículo. O trem a atropelou e morreram tanto ela quanto várias pessoas dentro da composição. Tudo errado. Se a cancela bateu na traseira do carro, ela atravessou no último segundo, quando deveria ter parado antes da via. E ainda permaneceu com o carro sobre os trilhos. De tão absurdo, só tenho uma coisa a dizer. Como não me ocorreu por óbvio que alguém pudesse fazer isso, acrescento outro conselho: nunca pare o carro nem desça dele nos trilhos do trem.

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Junior

    O problema e o jeitinho brasileiro. Em vez de corrigir a curva, toma-se uma ação paliativa colocando-se um radar, aí vai ficando assim. Depois com a arrecadação com as multas, ai e que não vão querer corrigir mesmo. Tudo errado.

  • Lucas Sant’Ana

    No Lisarb a solução pra tudo é ou proibir ou obrigar, nunca resolvem o problema de fato, na curva bastava fazê-la com inclinação pra dentro da curva como aprendemos nas aulas de física na escola.

  • Christian Bernert

    Nora, você realmente pegou o ponto. O problema no nosso Brasil é a cultura do mal-feito.
    Um dos fornecedores da minha empresa é uma empresa americana. O gerente comercial que nos atende é responsável por toda a América do Sul, Central e México. Ele me contou certa vez que foi visitar um distribuidor deles na Alemanha e ficou impressionado com a limpeza e organização do estoque. Elogiou e ouviu como resposta: “e existe outra maneira de fazer isto?”
    A racionalidade dos europeus é infelizmente utópica em nossas terras.
    Eu conheço aquele trecho da BR-376 como a palma da minha mão. A curva do km 667 já era conhecida por seus desastres no tempo em que a pista não era duplicada na década de 1970. Naquele tempo tinha o apelido de ‘curva da bica’ pois havia nas proximidades uma bica d’água.
    Posso afirmar que a causa de tantos acidentes não é a falta de radares ou de sinalização. É verdade que a geometria da pista poderia ser um pouco melhor, mas não há muito o que se fazer. O trecho é mesmo íngreme como tantos outros trechos serranos Brasil afora. Difícil mesmo melhorar a pista.
    O problema real é: Falta de manutenção adequada dos caminhões. Falta de preparo dos motoristas. Motoristas drogados (‘rebites’, cocaína e outras porcarias). Em alguns casos excesso de carga.
    Se as reais causas dos acidentes não forem corrigidas de nada vai adiantar reduzir a velocidade máxima e encher de radares. Pode baixar para 20 km/h. Vai continuar tudo igual.
    Até quando vamos esperar para ter uma inspeção veicular decente, séria e periódica na frota de carga?

    • Fat Jack

      A vistoria é fácil (afinal representa reforço de caixa), já séria vai ser difícil, como tudo que se refere ao “governamental” as vistorias neste país também são uma piada, sempre há a “segunda via” (quando não uma terceira), basta $50 ora um “quebra”, cansei de ver em SP cacarecos móveis etiquetados pela Controlar.
      Outro exemplo de como as coisas não são sérias, tenho um tio que conseguiu revalidar sua habilitação, detalhe: ele tem Parkinson e Alzheimer (sim as 2!).
      Já imaginou alguém nessas condições ao volante?

  • Eduardo Silva

    No seu “mudando de assunto” lembrei da frase em uma comédia que assisti recentemente num teatro, mais ou menos assim:

    – O homem é capaz de construir uma nave para pousar em um cometa lá nos quintos, consegue trocar o coração de um sujeito e mantê-lo vivo, atravessa o mundo com máquinas mais pesadas que o ar e voam… Mas precisa de uma plaquinha dizendo para verificar se o elevador se encontra parado neste andar.

  • CorsarioViajante

    Tbm já reparei e me revolto cotidianamente com as absurdas placas de “trecho sujeito a alagamento”… Mas as pessoas acham normal e ainda ficam felizes porque o governo está “ajudando por avisar”… Realmente é triste.

  • Rodolfo

    E além de corrigir curvas perigosas o governo deveria duplicar aquelas que são simples, pois muitas pessoas morrem em ultrapassagens frustradas.

    • César

      O problema é quando a duplicação apenas gera uma nova pista, mas sem retificação do traçado, que continua perigoso…

  • Roberto Neves

    Sempre penso o mesmo ao ver uma placa de “curva perigosa”: por que demônios não corrigiram o traçado dessa curva, que deve ter sido feita no tempo do Pedro I? (Geralmente penso isso trafegando de Petrópolis para o Rio de Janeiro, onde, aliás, estão sendo realizadas obras, criando novas curvas perigosas)

  • Otavio Marcondes

    Essa descida da BR-376 é famosa pelos acidentes. O que mais me marcou foi aquele que o trânsito estava parado e o caminhoneiro pulou do seu veículo deixando o mesmo passar por cima de que estava parado. Foi uma coisa muito feia.
    Aqui em Santa Catarina já passei por apuros confiando na sinalização, tanto horizontal quanto vertical. Faixas erradas, placas indicando curvas sem ser acentuadas (quando na verdade são praticamente cotovelos). Tem que se ter muito feeling para não errar e acidentar-se.

  • Fat Jack

    A questão das placas de trânsito em terra pátria chega a ser tragicômico, basta se afastar um pouco dos grandes centros para ver placas há décadas indicando:
    “Asfalto irregular”; “Trecho sem acostamento” e etc…
    Aqui conseguem desvirtuar até os uso das placas eletrônicas (neste caso das marginais em SP), fora erros como no dia desta imagem (o certo seria final 3 e 4, ou 5 e 6), que ao invés de informar sobre as condições de trânsito, sobre qual das pistas (local ou expressa) tem melhor tráfego, sobre acidentes a frente, condições da pista (escorregadia em caso de chuva e etc…) ficam todo dia, o dia todo sugerindo a utilização da bicicleta ao invés do carro.
    Isso quando não conseguem simplesmente dar a informação de forma que o usuário seja sugestionado a compreender justamente o oposto… parece impossível?
    Vou exemplificar (baseado em fatos reais no Rodoanel – SP):
    “_Trânsito lento do km 14 ao km 22”
    Compreensão (que eu tenho como normal):
    Após o km 22, o tráfego volta ao normal.
    Correto? Adivinhem: Não!
    Havia um acidente no km 22, km no qual o transito havia sido bloqueado, para posterior limpeza, e quando possível liberação…

  • Bruno Rezende

    Mais piadas sobre as estradas brasileiras: ontem, voltando de Angra dos Reis para SP, via BR 101, após Paraty. Uma reta em descida, com faixa pontilhada nos dois lados. Inicio a ultrapassagem a um ônibus e, próximo de concluí-la, deparo-me com um radar de 40 km/h ao final da reta!! Duas opções: 1- abortar a ultrapassagem, e perigosamente voltar para trás do ônibus; 2 – concluir a ultrapassagem e perigosamente iniciar a frenagem de +- 100 km/h para 40 km/h na frente do ônibus que vem descendo com tudo a +- 90 km/h? Isso mesmo, os caras colocam um radar de 40 ao final de uma reta em que a ultrapassagem é permitida na velocidade máxima do trecho! Se meu tempo não estivesse curto, eu faria questão de parar e fotografar mais essa bizarrice dos porcarias que são responsáveis por nosso trânsito.

  • Lemming®

    Parar nos trilhos do trem é coisa para “Além da Imaginação”!!

    • Piantino

      Também acho, mas aqui no Brasil nem tanto, já que é tão raro que em alguma ferrovia haja circulação de trens, que até entendo.

    • RoadV8Runner

      Ou para o antigo programa “Acredite… se quiser”, apresentado pelo Jack Palance.

  • David

    Tem outra placa bastante difícil de explicar (para não dizer absurda) e que acaba me deixando até com vergonha: “Cuidado! Trecho com alto índice de acidentes”.

    • Piantino

      Essa pra mim é a mais absurda de todas… É insano!!!

  • André Stutz Soares

    Lembro das placas “CUIDADO: BURACO NA PISTA”… mais insano, impossível!

  • RCReis

    Para mim, a pior dessas placas é aquela que diz “Trecho com defeitos nos próximos x km”.

  • Jesiel

    Quem clicou na foto achando que era vídeo? rsrsrs

  • Gabriel Felipe Moretti

    Esse trecho da BR-376 que você cita conheço bem, pelo menos 5 vezes ao ano passo por aí, isso que enho minha carteira a apenas 11 anos, e muitos mais anos de carona com meu pai.
    O auge deste trecho é sobre a curva da Santa, que é pouco depois do rio da Santa que possui uma ponte curta, esta curva possui sobrelevação invertida, é uma curva para a direita no sentido SC, e a parte alta da curva está na parte interna, fazendo com que os carros tenham tendência de sair de frente como aconteceu comigo uma vez, vinha em velocidade normal, cerca de 70 km/h, (fica dentro do limite aceitável para o trecho inclusive com chuva) porém havia chovido forte e bem no meio da curva havia um fio d’água correndo do centro interno da curva para for, nisto o Celta com pneus novos saiu de frente, por sorte não havia ninguém do meu lado e consegui controlar apenas invadindo meia pistas do lado direito, estava na esquerda e o trecho conta com três pistas.
    O mais engraçado antes deste trecho são as placas amarelas com um caminhão desenhado tombando com a seguinte frase: Cuidado Risco de tombamento.
    Fora as placas a cada 0,5km indicando a presença de praça de pedágio…

  • César

    Já vi uma placa assim: “ACREDITE NA SINALIZAÇÃO”…

    P.S.: seria “zodaca” = sotaque? rs

    • Nora Gonzalez

      Sim, César. É assim que o amigo alemão do meu pai dizia “sotaque”. Os gêneros feminino e masculino são bem confusos para eles (assim como para nós quando aprendemos alemão) e o “s” no início das palavras soa como “z”. Ficava bem engraçado.

      • César

        Nora, obrigado pela resposta!

        Essa questão da confusão do gênero é mesmo engraçada.

        Lembro de um comercial da VW que tirou sarro disso: 2 engenheiros, cheios de “zodaca”, falando que eram bastante “rigorrosas”…

    • Victor

      Caramba! se não fosse o César ia passar batido essa expressão. E meu sobrenome é Heck! kkkkk

    • RoadV8Runner

      Já vi várias dessas placas… Só mesmo no Brasil para vermos algo assim!

  • Nora Gonzalez

    Eduardo Silva, sem falar que a frase “verifique se o mesmo se encontra…” contém um tremendo erro de português. Quem é “o mesmo”? dá um medo dele…Diz a gramática que “mesmo” não deve ser usado como pronome pessoal. Ou seja, deveria ser “verifique se ele se encontra…”.

  • Nora Gonzalez

    Fat Jack, as placas eletrônicas da Castello Branco pedem que as pessoas utilizem “moedas de R$ 0,05 e R$ 0,10 centavos”. Ora, o que vem depois da vígula na casa centesimal depois de R$ só pode ser centavos, para que escrever por extenso?. E nunca ouvi falar em bilhetes de 5 ou 10 centavos. Na verdade, toda a redação está errada. E faz meses que estão assim.

    • Eduardo Mrack

      Fico ainda abismado com o termo “Mts” em placas. Mts ? Sim, “ponte a 100 Mts” “lombada a 50 Mts”. Ou usa-se a letra m (metros no Sistema Internacional), ou escreve-se metros, não vejo como fazer confusão quanto a isto, mas sim, em terras brasileiras o fazem. O como e o porquê estão além da minha compreensão…

  • Transitando

    E o que fizestes? Não fora dito por ti.

    Em nenhum automóvel ter tomado a sua antiga posição atrás do ônibus, e em não ter nenhum automóvel em ultrapassagem no mesmo momento atrás de si, é manobra segura retornar à posição anterior.
    Sabe-se lá se o ônibus teria poder de frenagem suficiente para a redução no espaço que sobrara até o início do novo limite de velocidade (o espaço para frenagem é sempre maior que o de um automóvel, e ainda teria somado o tempo de “percepção do que fazer” e “reação ao problema” do motorista em questão), ou até mesmo se ele tencionaria em realizar tal redução (isto aumentara ainda mais o tempo de percepção e reação – atitude inesperada frente em não “perceber o motivo” de sua atitude). Imagine se sobra pouco espaço, porque tivestes que ultrapassar e retornar à direita com pouca distância à frente do ônibus – é o que imagino, pois pelo fato de ter visto a placa, a distância não era tão grande.

    Em não poder desistir da ultrapassagem (geralmente por algum dos pontos que mencionei acima), o melhor mesmo é (seria) ultrapassar e abrir boa margem de segurança à frente (para assim melhor o ultrapassado perceber o acender das luzes de freio e também iniciar a frenagem com relativa distância segura), e reduzir a velocidade de maneira suave, mesmo que custe passar do ponto pretendido para estar em velocidade adequada – e se possível, observar pelo retrovisor se o que fora ultrapassado não está a “aproximar-se perigosamente”, como que em ritmo não contido pelo poder de frenagem (não está em semelhante ritmo de desaceleração).
    É como ultrapassar alguém e encontrar um buraco enorme na pista, sem possibilidade de desvio: se um veículo com poder de frenagem muito inferior estiver imediatamente atrás, será melhor “tropeçar no buraco”, do que tentar reduzir drasticamente a velocidade e dar chance para acontecer algum “esbarrão”, e até mesmo “rodopios” à invadir outras faixas…

    • Bruno Rezende

      Transitando,
      O ônibus viu o radar ao mesmo tempo que eu, e começou a frear, então eu comecei a frear ainda na pista oposta. Aos pouquinhos fui retornando para a minha pista, pisando de leve no freio. Isso só foi possível porque não havia outros veículos na estrada. Acabei passando no radar a 50 km/h indicados no velocímetro, dentro da margem de fiscalização. Mas estava pronto a passar acima da velocidade em nome da segurança. Se fosse multado, será que reverteriam a infração em eventual recurso meu? Duvido.
      Uma atrocidade. Na próxima vez que passar por ali, irei fotografar.
      Mais na frente, tem um outro radar no meio da curva, que obriga à forte desaceleração em curva, o que é incorreto, sendo que não há motivo aparente para justificar a existência do radar. Nessa condição, se o carro estiver rápido, ou em caso de chuva, ou em caso de óleo na pista, o resultado será uma escapada para a pista oposta, já que a curva é para a direita.
      Ou seja, em nome da “segurança” que os radares querem amparar, o motorista pode varar a pista e entrar embaixo de um ônibus ou um caminhão no sentido oposto, ou bater de frente com um carro ou moto, ou atropelar transeuntes no acostamento…
      São uns palhaços vagabundos que mandam instalar essas coisas nesses locais.

  • Roberto Neves

    Bruno, essa é brutal! Tentativa de assinassinato perpretada pelo poder público, nem mais nem menos!

  • lannister

    O que me tira do sério são os tachões, ou gelo baiano, ou qualquer olho de gato refletivo que represente obstáculo agudo, sem que haja como evitá-lo.

    • Thales Sobral

      Esses são proibidos pela Resolução CONTRAN 336/09.
      Informe ao DNIT e solicite a retirada.

      • lannister

        obrigado

  • Nora Gonzalez

    Jesiel Ambrosio da Cunha, faltou incluir o link… ai vai: https://www.youtube.com/watch?v=kCnhBJUaXcM

  • Lucas dos Santos

    Nora,

    Além de colocar placas e radares, há ainda uma terceira “opção” para não corrigir a via: ÁREAS DE ESCAPE! Sim, exatamente como nos autódromos:

    http://g1.globo.com/pr/parana/paranatv-2edicao/videos/t/curitiba/v/area-de-escape-ajuda-evitar-acidentes-em-rodovias/3683775/

    É uma opção interessante. Só tem um problema: ela funciona apenas para curvas à esquerda. Para curvas à direita – em que um veículo descontrolado atravessaria a pista contrária – ainda não encontraram uma solução!

    • Wagner Gonzalez

      Áreas de escape, colocadas à direita da rodovia, em declives, é uma prática correta e adotada em vários países que praticam o trânsito civlizado.

      • Lucas dos Santos

        Sem dúvidas. É como eu disse: uma opção interessante e, como mostra o vídeo, bastante eficaz.

    • Quando viajo por estradas de pista simples, meu maior medo é um caminhão sem freio ou com motorista dormindo, em curvas à minha esquerda…

  • FCardoso

    Duas soluções de longo prazo:

    1. Responsabilizar criminalmente as pessoas diretamente envolvidas no projeto da rodovia. A incompetência dessa gente custa horrores de vidas, e fica por isso mesmo. Quando eles se virem a perigo de ir em cana por homicídio, vão começar a tomar cuidado com o que fazem;

    2. Criar cursos de graduação em engenharia de tráfego e fazer com que sejam pré-requisito para quem for assumir cargos relacionados a isso na administração pública, como secretário de trânsito, por exemplo.

    Quanto às estradas da região sul, alguém aqui já andou pela BR-282 nas proximidades de São Miguel do Oeste/SC? Fiquei chocado com a quantidade de cruzinhas espetadas nas laterais ao longo da rodovia!

    • Poomah

      Fazendo assim, somente acuaria ainda mais o gestor da responsabilidade de assinar a obra, tomando ainda mais tempo para realizá-la. No país do acórdão e do acordão, ao se fazer um projeto, é necessário fazer consultas públicas. Até aí tudo bem, mas há pressões exercidas politicamente que influenciam no resultado final e quando se vê, uma pista “classe zero” passa a ter uma infinidade de pequenos acessos e retornos não previstos em sua concepção original. Há também o nosso processo licitatório, em que a palavra preço tem maior peso do que técnica, daí que alguns absurdos como trechos projetados a 60 anos atrás ou mais – para o material rodante da época – serem mantidos em traçados “híbridos”, com velocidades diretrizes e geometrias “atuais”. Gostamos de qualidade, só não gostamos de pagar por ela. A “Serra do Cafezal” é caso emblemático. Foram 12 propostas diferentes até se chegar ao “traçado otimizado 13” finalmente posto em prática e ainda assim passível de críticas. Certamente dentre estas propostas estava uma “padrão autobahnen” que a engenharia – sempre perfeccionista e caprichosa – sugeriu. Mas a que passou provavelmente não levou em consideração o gasto superior que ela e seus moderníssimos dispositivos previam, pela própria natureza do contrato de concessão. Fora tudo isso ainda há todo o aparato de fiscalização setorizada. Acho que construir rodovias no Brasil já é bastante complicado. Sua sugestão – que creio, é válida, mas necessita de outro contexto – somente tornaria o mister ainda mais difícil.

      • FCardoso

        Putz, eu não havia pensado em nada disso quando fiz meu comentário! Agora, me deu uma sensação de não haver luz no fim do túnel. Ainda mais, levando em consideração o que você disse sobre o governo dar mais importância ao custo da obra do que à excelência técnica: se as estradas ruins daqui geralmente já custam mais do que estradas boas em outros países, o que aconteceria caso se construíssem estradas realmente boas no Brasil (licitações a preços exorbitantes?; obras embargadas?)?

        Ainda assim, comparando as rodovias recentemente construídas ou ampliadas no RS (onde moro), vejo uma diferença gritante entre entre as estradas federais (geralmente bem construídas, com algumas falhas que ameaçam mais a fluidez do tráfego do que a segurança) e as estaduais e municipais (em alguns casos, totalmente mal construídas e cheias de armadilhas), o que me faz pensar que há condições de se fazer boas estradas no Brasil (e se faz), mas também há gente construindo estradas realmente muito ruins (que matam montes de pessoas a troco de nada), e saindo impunes.

        • Poomah

          Salve amigo. A iniciativa privada salvará o país e os governos sabem disso. Sinto que você precisa de algum alento e aqui vai ele: detemos sim excelência de engenharia e em muitos casos a vanguarda, como o uso de alguns compostos polimerizados, entre outras disciplinas. Aos poucos, estamos avançando a um ponto onde o que definirá a relevância ou a obsolescência de uma rota, será a qualidade de rodagem e a segurança que ela permite. As diferenças que você percebe, ainda estão lastreadas no tamanho do orçamento, e aos aportes que a união disponibiliza, bem como a capacidades locais de atraírem investimentos e estabelecerem parcerias. Tudo isso somado à idade dos caminhos – muitos deles ainda, feitos há decadas, com geometria defasada e tecnologias igualmente precárias – e simplesmente “recauchutados” para nos servir. Há sim os absurdos como o que você apontou. Há verdadeiras afrontas às leis da física, mas que não afrontam as nossas leis. Infelizmente. Mas precisamos compreender que o Brasil tem muitos “passivos” neste sentido, pois toda a regulação e o próprio processo tecnológico (e mesmo a forma de se pensar o rodoviarismo), são relativamente recentes. Este é um debate que possui muitos prismas e não pode ficar restrito apenas a alguns aspectos. Mas na qualidade de automobilista e praticamente seu irmão por indução, me senti na obrigação de dividir algumas conjecturas. O lado positivo é que cada vez mais, há mais pessoas como você, e os demais aqui, que estão atentas. E isso literalmente pavimentará um ganho, ao passo em que elevará os níveis de serviço. Fique com meu abraço e minha admiração registrada aos belos pagos do RS que possui algumas das mais estonteantes rodovias do Brasil (tanto na beleza, quanto no nível de habilidade que exigem).

    • REAL POWER

      Mais parece um cemitério a beira da pista. A BR 282 corta de ponta a ponta SC, é a principal via entre oeste e leste, mas sempre foi deixada de lado pelos governos. Esta em obras, mas as obras são lentas demais e se degradam antes mesmo de serem inauguradas. Coisa de Brasil.

    • Lorenzo Frigerio

      Aposto que os engenheiros em geral fazem seu trabalho. Quem tem que ser criminalizado são os políticos que alteram as especificações, para sobrar um pouco para o “PF”.

  • Tem uma mania bem legal aqui no RS… é algo do tipo “pista com defeito nos próximos X Km. Responsabilidade do Usuário”

  • RoadV8Runner

    O Brasil é o país da falta de lógica em tudo, não apenas no trânsito… Placas avisando sobre problemas que podem (e deveriam!!!) ser resolvidos, é simplesmente surreal.

  • Matheus C Damião

    As estradas brasileiras são muito ruins mesmo….mas, sinceramente, não sei o que é pior, as estradas ou os motoristas…fui PRF durante 9 anos e vi cada coisa…. como um Brasília capotar em cima da pista numa reta…pode fazer a obra de engenharia que for…sempre vai ter um idiota que acha que é “bração”, que bebe e dirige, que não da manutenção no veículo, etc.
    No trecho em que trabalhava, havia uma serra com muitos acidentes….mas construído em nível correto! e tinha sinalização correta…mas brasileiro não costuma ler placa, nem é da sua cultura respeitar as leis…os acidentes no local só chegaram quase a zero quando colocaram uma lombada eletrônica no início e outra no meio da sequência de curvas.

    • Fat Jack

      Sem dúvida, há sim muitos brasileiros cuja habilitação jamais poderia ser concedida, e esta mesma habilitação deveria ensinar e cobrar do candidato 100x mais. Porém as estradas por serem em sua grande maioria muito ruins e terem (as que tiveram, pois numas o “caminho da boiada” recebeu asfalto e olha lá…) sido desenvolvidas com engenharia de mais de 50 anos podem sim fazer vítimas mesmo motoristas experientes e competentes e os responsáveis se eximem das responsabilidades simplesmente colocando uma placa.

    • Lorenzo Frigerio

      Já vi esses absurdos nos EUA também. Uma mega-estrada, com asfalto-tapete, pouco trânsito, só carros novos, tempo bom, e uns desastres inacreditáveis.

    • Roberto

      Isto é verdade. No último final de semana fiz uma viagem para o interior, onde haviam várias escolas e vilas a beira de uma estrada não duplicada, e era difícil o pessoal reduzir a velocidade perto destes lugares (apesar de sinalizados). Porém, sem querer tirar a parcela de culpa dos maus motoristas, se investe muito pouco em educação para o trânsito, que deveria ser um dos destinos do dinheiro obtido com as multas (dificilmente ouço falar em palestras em escolas a respeito). Além disso, há muitas estradas mal sinalizadas. Por exemplo, canso de ver placas temporárias de redução de velocidade “esquecidas” por muito tempo depois que as obras nas rodovias acabaram.

  • Lorenzo Frigerio

    A Raposo Tavares é uma dessas estradas “híbridas”. Tinha pista simples, e a velocidade máxima era condizente. Foi duplicada e transformada em via expressa, mas as lombadas da velha estrada ainda estão lá. O trânsito frequentemente pára; você vem à velocidade que considera natural para a estrada e depois da lombada está tudo parado, por “excesso de carros”, ou porque os basbaques diminuíram a velocidade para olhar um carro da PRE parado no acostamento checando um problema menor. A possibilidade de colisão traseira na Raposo é alta; agora atolaram aquilo de radares de 80 km/h, prejudicando a fluidez.

  • Eduardo Mrack

    Haha, propaganda política subliminar 😛

  • C Barreto

    Cara Nora Gonzales

    O nível das nossas autoridades e por consequência disto, o das nossas estradas é muito fraco, mas o que dizer do nível dos motoristas.
    Não sou acostumado a ir para Curitiba dirigindo, mas quando vou sinto mais 100 fios brancos nascerem na minha cabeça quando vejo uma carreta gigantesca a 140 km/h num trecho de 90 o que explica tantos tombamentos.

    O que dizer então de uma cena inesquecível vista no ano passado na BR101 cerca de 100 km ao sul de Salvador onde duas cegonheiras vazias disputavam um racha emparelhadas (pista simples e uma na contramão) jogando todos os veículos que vinha no sentido contrário no acostamento. Detalhe, não era uma ultrapassagem mal sucedida, pois a coisa se repetia a todo momento.

    Infelizmente creio que rodovias mais perigosas desencorajem alguns a acelerar mais do que deveriam e isto poupa vidas, pois se todas fossem tapetes com muitas pistas o índice de acidentes aumentaria muito, vide o que acontece no trecho São Paulo – Jundiaí onde a chance de se acidentar é maior na Bandeirantes com cinco faixas e mais moderna do que na Anhanguera com duas faixas e de concepção antiga.

  • $2354837

    Nora, sobre o acidente do trem só tenho uma coisa a dizer:

    Darwin Wins!