Crônica de uma facada não anunciada

 

A presidente articulou mais um aumento do custo da gasolina, desta vez não percebido pelo motorista, pois veio no vácuo do novo percentual de álcool.

 

Crônica de uma facada não anunciada Precos comb

O motorista foi surpreendido, depois das eleições de 2014, por dois aumentos no preço da gasolina: o primeiro anunciado pela própria Petrobrás e o segundo pelo retorno dos impostos (Cide). Outro aumento na semana passada, este no vácuo do novo percentual de 27% do álcool misturado à gasolina que aumenta o consumo de combustível e de quebra, a emissão de gases poluentes.

Promessa- No ano passado, em plena campanha eleitoral, d. Dilma prometeu aos usineiros aumentar o percentual de álcool na gasolina, de 25% para 27%, que representaria um acréscimo na demanda anual do álcool anidro em um bilhão de litros. A idéia era aumentar seu faturamento (e rentabilidade) para compensar os prejuízos causados pelos preços do álcool, atrelados aos da gasolina e congelados para conter a inflação. Várias usinas quebraram, outras estão em estado pré-falimentar. Bom para os usineiros, bom também para a Petrobrás: mais álcool, menos gasolina importada. Reduz também seus custos de produção, pois o aumento do álcool na mistura permite reduzir a qualidade (octanagem) da gasolina. O motorista não percebeu a “facada”, pois o preço na bomba não mudou, apenas se reduziu o conteúdo de energia em cada litro do combustível: o derivado de cana tem valor energético 30% menor que o do petróleo.

Lei – Havia, entretanto, um complicador técnico: nossa gasolina já continha 25% de álcool, embora os automóveis tenham sido testados para um percentual máximo de 22%. A Anfavea, associação das fábricas de automóveis, objetou contra mais este acréscimo alegando possíveis danos aos automóveis.

Dona Dilma, mais preocupada com seus votos do que com o bolso do motorista, enviou ao Congresso Nacional uma lei oficializando o percentual de 27%, aprovada com uma ressalva: comprovar sua viabilidade técnica. E se iniciaram, em outubro de 2014, dois tipos de testes: a Petrobrás realizaria os de dirigibilidade, para verificar eventuais problemas de funcionamento do motor. Concluídos antes do final do ano, sem registro de anormalidades. A Anfavea se encarregou da durabilidade, para se certificar de que não ocorreriam problemas de oxidação (ferrugem) no automóvel. Várias fábricas puseram seus carros para rodar com o novo combustível, mas durante apenas seis meses (outubro de 2014 a março de 2015), prazo considerado insuficiente por muitos engenheiros do setor, coerente apenas com a urgência manifestada pelos interessados na medida. Pressionada pelos usineiros superestocados, d. Dilma atropelou critérios técnicos e autorizou misturar os 27% antes mesmo do final dos testes das fábricas.

Danos – Na semana passada, a Anfavea encerrou seu programa de avaliação sem registro de oxidação nos automóveis. Mas verificou um aumento no consumo de combustível de até 2%. E, ao contrário do que afirmam os usineiros, um acréscimo no nível de emissões de gases poluentes.

Desde a semana passada, portanto, motoristas que abastecem com gasolina não foram informados, mas vão desembolsar mais pelo combustível. Supondo uma média de 15 mil km rodados por ano e com um consumo médio de 10 km/l, cada carro é abastecido anualmente com 1.500 litros. Com o litro a R$ 3,30, a despesa por ano é de R$ 5.000. Um acréscimo de 2% no consumo aumenta em cerca de R$ 100 a conta do combustível.

Quanto às emissões, é difícil estimar os danos aos pulmões provocados pelo aumento dos gases do escapamento.

BF

Boris Feldman, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos, autoriza o Ae a publicar sua coluna publicada aos sábados no jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte (MG).
Foto da abertura: g1.globo.com
A coluna “Opinião de Boris Feldman” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Boris Feldman
Coluna: Opinião de Boris Feldman

Boris Feldman é engenheiro elétrico formado pela UFMG, também formado em Comunicação, jornalista especializado em veículos e colecionador de automóveis antigos. Além da coluna Opinião de Boris Feldman no AUTOentusiastas, é colunista do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, e do jornal O Povo, de Fortaleza e tem o programa de rádio Auto Papo, na emissora Alpha FM, de São Paulo, e em mais 38 emissoras pelo país, com três edições diárias.

Publicações Relacionadas

  • Mr. Car

    Pelos comentários que tenho lido, Feldman, muita gente percebeu sim, a facada.

  • agent008

    (Mais) um absurdo deste desgoverno. Estou desanimando, qualquer dia vou embora mesmo, pois a vontade de persistir e ajudar a consertar a nhaca na qual nos encontramos está acabando.

  • Guilherme Spader

    Povo não sabe votar…..agora todo mundo se lasca junto…

    • ccn1410

      O maior problema do brasileiro nem é não saber votar. O pior mesmo é votar em quem?</strong

      • Domingos

        Votemos conservador. Os que ninguém dá bola ou importância. Um Levi Fidelix menos importado com quem come quem seria um bom começo – inclusive ele já previa o modelo fiscal errado do governo e que ia acabar no aumento generalizado que vemos agora.

        O problema é que somos viciados em votar liberal, tal como nos EUA. Na Europa conservador vai muito bem para prefeitura e governo local, mas mal existe também quando chega em grandes cargos.

        • Liberal

          Liberal? Onde você viu liberal? Lula é liberal? Dilma é liberal? Marina é liberal? FHC? Nenhum deles é liberal, todos são de esquerda, uns mais, outros menos.
          O Brasil ainda não conheceu um governante liberal.
          Aumentar impostos como tem feito o Levy não é ser liberal.
          O brasileiro precisa se informar melhor do que é o verdadeiro liberalismo.

      • Marques Goron

        Bem lembrado ccn1410. Não existe NENHUMA opção…
        Ou alguém aí acha que os outros candidatos a presidente valiam alguma coisa? Todos incompetentes, corruptos e políticos desde que nasceram.

  • Rodolfo

    Quem paga o contracheque dos políticos para aprovar este absurdo de batismo legalizado da gasolina são os usineiros. Aliás alguns políticos são usineiros.

    O mundo inteiro se movendo para poluir menos e o Brasil fazendo esta safadeza com a gasolina e com o povo… mais álcool na gasolina significa mais poluição.

    Outra coisa que digo aqui é que é uma hipocrisia dizer que álcool é ecológico… e o povo trouxa vai na valsa. Já imaginaram quantas florestas são derrubadas para se plantar cana de açúcar? Cadê o ecologicamente correto nisso? Já imaginaram se o Brasil fosse o maior exportador do mundo de álcool para veículos automotores?… Além de acabar com as florestas, os produtores rurais iriam para de produzir por exemplo arroz e feijão para produzir cana, então iria faltar feijão e arroz no mercado interno, então a gente teria que exportá-los!

    Dou Graças a Deus que no exterior o álcool não deu sucesso… lá não faz sucesso carro flex, porque lá eles se preocupam com o meio ambiente, a gasolina só tem em média 15% de álcool na Europa e olhe lá, pois eles sabem o aumento de álcool na gasolina polui mais e acaba com a vida útil dos componentes do motor. Não acredito neste teste da Anfavea… álcool é altamente corrosivo para o motor a gasolina… até um bebê sabe disso.

    • wanderson

      Seu ponto de vista está meio equivocado. Leia o livro: Biomassa – a eterna energia do futuro.

      • Rodolfo

        Cana de açúcar virou biomassa também?… se sim agora que a gente está ferrado…

        Aposto que você não mora em regiões que viraram um canavial a céu aberto… vá lá e veja o que é a cana que você defende, então depois me diga!

      • Rodolfo

        Me lembrei que usar o bagaço da cana como biomassa é coisa que usina de álcool e açúcar faz direto para produzir energia.

        Mas o grande problema disso é que se precisa plantar a cana de açúcar que eu odeio… pois acaba com as florestas e etc.

        Na minha opinião a energia do futuro é a solar… imagine se todas as casas tivesse energia solar… quem não iria gostar nada disso seriam as companhias de energia elétrica.

        Mas você pode me dizer que as baterias vão poluir o meio ambiente, mas o lixo nuclear vai para onde?

  • J Paulo

    Para mim o que o governo faz é oferecer gato por lebre. É igual esses casos de comprar um suco ou qualquer coisa que na embalagem consta 1L, mas vir 800 ml ou o peixe embalado que vem mais gelo do que carne.

    • Domingos

      Deveriam ao menos indicar na bomba a porcentagem de álcool, por lei, assim como fazem os produtos que acabam de mudar a quantidade vendida.

  • KzR

    Bom, é nítida a preocupação do governo: arrecadação e lobby do que uma frota saudável e mais eficiente. Já foi discutido, inclusive neste site, o que o excesso de álcool na composição da gasolina traz de malefícios. Preocupados mesmo ficam os donos de carros somente a gasolina, em especial os mais antigos. Como a maioria da frota é flex, os prejuízos daqueles “é irrelevante” para as autoridades.

  • Eduardo

    Então, quem tem veículo só a gasolina, poderá rodar sem a necessidade da gasolina Premium? Já está definido que não haverá problemas( a curto/médio prazo)?

  • Marcelo Takara

    Eu moro na periferia de uma região de SP e trabalho num lugar 20 km distante. Na volta do serviço para casa, havia notado um fato interessante desde o ano passado. Toda primeira semana do mês, o trânsito perto da minha casa se tornava congestionado e conforme o mês ia passando, o trânsito melhorava. Percebi que isso se devia ao fato dos pagamentos de salários da maioria serem na primeira semana, o que incentivava as pessoas a andarem mais de carro. Porém, isso era o ano passado. Porque desde o começo deste ano, tenho percebido que na média, tenho chegado mais cedo em casa em comparação ao ano passado e cada vez observo menos congestionamentos na primeira semana do mês. Antes, eu não chegava em menos de 1 hora. Hoje estou levando de 45 a 50 minutos. Os únicos congestionamentos grandes que peguei esse ano deviam se às chuvas e alagamentos de vias. Para bons entendedores, acho que já deu para perceber o que acontece. Acreditem, até o final do ano, a proporção de alcool na gasolina será a menor das preocupações para muita gente, que sequer terão como abastecer o carro. Isso se ainda tiverem um carro.

    • CCN-1410

      Também acho…
      Disse tudo!

    • Claudio Abreu

      Achei que só eu tinha notado isso. O trânsito em SP parece ter diminuido nos horários de rush, pelo menos nos trechos em que percorro habitualmente.

    • Belzontino

      Aqui em Belo Horizonte notei a mesma coisa.

  • Fernando

    É fato que muita gente não sabe exatamente os efeitos disso(os flex que o digam, muita gente ainda acha que somente podem usar um OU outro combustível, e não os dois juntos) e é uma minoria que percebeu mesmo que está pagando o mesmo e levando menos.

    E isso é mais uma das formas que esse (des)governo nos rouba…

  • Viajante das orbitais

    Pode escrever, logo logo vai estar em 30%.

  • Viajante das orbitais

    Essa Anfavea fez foi ajudá-los. Flex significa renovação de frota, por uma mais problemática, quebradeira e beberrona. Lucro, lucro e lucro.
    Lucro para eles que renovam a frota, lucro para os postos, para os usineiros, para o PT, para a Petralhabrás, e para as concessionárias que vão fazer mais consertos.

  • Bera Silva

    Talvez devessémos começar a chamar nosso combustível pelo nome que lhe é próprio: alcoolina ou gasool. Talvez com o tempo, incuta na cabeça das pessoas que, de fato, estamos pagando por uma coisa que NÃO É gasolina…

  • César

    Realizar testes deste tipo em carro “flex” é fácil, quero ver nos que não são…

  • Roberto

    Aproveitando o assunto, é verdade que ocorrerá a aditivação de toda a gasolina comum a partir da metade do ano? Se sim, ela será equivalente as gasolinas aditivadas presentes atualmente nos postos?

  • Rafael Ribeiro

    Nesta semana, ao abastecer meu Fusca 1.300-L com apenas R$20 de gasolina (ou o que quer que seja este líquido que entrou no tanque, sabe-se lá), o carro começou a engasgar assim que saiu do posto. Enquanto eu pagava, pude ver um Mercedes Classe A sendo acelerado ao fundo pelo motorista, rateando sem parar, mau presságio. Parei logo em seguida em outro posto e completei com Petrobras Podium, que não teve aumento na mistura. O frentista disse que, só nesta semana, outros três carros tinham feito o mesmo. Foi só rodar uns 200m e tudo voltou ao normal no velho Fusca. Como tenho um carro importado para o uso diário, à gasolina, só usarei Podium a partir de agora. Obrigado pela facada Dilma, desejo-lhe o mesmo…

  • marcus lahoz

    Absurdo. Este governo prejudica toda uma população em favor de algumas empresas.

  • VeeDub

    Eu não sabia que quando o teor de álcool aumentava, a octanagem da gasolina A era reduzida… eu achava que ao menos elevando se o teor de álcool a gasolina C tinha maior octanagem… e menos bateção no motor.

  • ccn1410

    Se tiveres como ir, vá. Piores dias virão!

  • Daniel S. de Araujo

    A gasolina sobe (a despeito da queda no preço do petróleo), sobe impostos, tudo para sustentar a megalomania e os desmandos deste país do PT e mesmo assim ainda tem gente que acredita em Pré-Sal, Petrobrás forte, o Petroleo é nosso.

  • Bob Sharp

    VeeDub
    Sim, independente da mistura a octanagem da gasolina vendida permanece a mesma. Lembre-se do que falei aqui algumas vezes, a Petrobrás lançou em 1996 uma gasolina comum de 95 RON sem álcool para carros importados. Como o governo não deixou (atendendo aos interesses dos usineiros, como sempre), essa mesma gasolina recebeu 22% de álcool e virou gasolina premium de 98 RON. Agora, seu carro apresenta detonação com 95 RON? Que carro é? Não deveria.

    • TDA

      Bob, não sou o VeeDub (óbvio), mas meu veículo apresenta detonação. É um 207 ano 2010 e só uso gasolina e na maioria das vezes aditivada. Nunca usei álcool nesse carro.

    • VeeDub

      Oi Bob!
      Meu particular Jetta 2.5 TC:10:1 sem problemas.
      Carro de trabalho Weekend E.torQ TC 11,2:1….. Bate que nem trilhadeira na gasolina no Centro-oeste quente. Outra coisa. Motor com injeção direta nos EUA com TC 11,5:1 em média, aqui motor flex injeção Indireta com TC 13:1…. Sendo a gasolina em ambos países IAD: 87
      Loucura, né?

      ——————————
      Em sáb, 28 de mar de 2015 17:51 ADT Disqus escreveu:

    • Douglas

      Bob,
      Parece que realmente baixaram a octanagem da gasolina A.
      Meu carro continua a detonar, se tivessem mantido a octanagem da A era para no mínimo diminuir a detonação com o aumento do álcool.

    • VeeDub

      Isso significa que quando se altera o teor de álcool na gasolina de 20% para 27% o IAD NÃO MUDA? Permanece em IAD=87 porque se reduz o IAD da gasolina A ?

      ——————————
      Em sáb, 28 de mar de 2015 17:51 ADT Disqus escreveu:

  • Ilbirs

    Passou da hora de se acrescentar butanol em vez de 27% de etanol na gasolina. Fizéssemos uma mistura com 18% de etanol, uma porcentagem razoável de butanol e uma porcentagem de gasolina que poderia ser até minoritária (uma vez que butanol pode ser queimado por qualquer motor a gasolina sem adaptações), teríamos um combustível que não geraria preocupações nos donos de carros monocombustível. Aliás, com menos etanol, ficariam até mais econômicos.

    • Antônio do Sul

      Qual é a diferença desse outro álcool, o butanol, em relação ao etanol?

  • RoadV8Runner

    Gostaria de saber se esses testes foram feitos com carros calibrados para rodar somente com nossa alcoolina padrão, de 22% de álcool. Meu Focus já reclamava dos 25% com o motor frio e em acelerações a baixa rotação (saída de dejetos viários em segunda marcha, por exemplo). Pois como eu suspeitava, agora ele falha nessas mesmas condições também com o motor em temperatura normal de trabalho… Fica aqui o meu sincero muito obrigado ao desgoverno federal e a máfia de usineiros por esse aumento para 27% de álcool na gasolina. O que já era ruim ficou ainda pior…

  • Belford

    Um absurdo!!!!!!! Junto com os flex que são carros meia bomba!!!!!!
    Uma coisa que ninguém comenta, principalmente quem teve carros iguais em versões mono e flex, que além de beberrões, não são carros lineares, mesmo com o mesmo tanque de combustível cada dia se comporta de maneira diferente, em análises com sonda banda larga e ou hallmeter apresenta misturas cada vez mais gordas e falta de ponto em algumas rotações, por isso um dia ele reponde bem, já em outros ele anda amarrado e gastando horrores!!!!!!! Tudo isso para compensar a nossa mijolina, senão toda nossa frota estaria agora na oficina ou parada nas ruas!!!!!!

  • Rodolfo

    Notei que o metrô de São Paulo ultimamente está cheio a qualquer horário. Combustível caro, então carro vira mordomia.

  • wanderson

    Alguém sabe aonde encontro o resultado do teste?

  • Eduardo Mrack

    Se vocês que têm carros injetados estão reclamando, não imaginam como é a vida de quem anda diariamente de carburado…

    • Domingos

      Bom, ao menos você pode regular uma vez só e ter certeza do funcionamento sem falta ou excesso. Quem tem injetado corre o risco de fugir da área de margem dos mapas ou da capacidade dos bicos e aí já era…

      • Rodolfo

        Somado a isso, o álcool é altamente corrosivo, por todo o lugar que ele passa come tudo com o tempo… desde bomba de gasolina à válvulas de admissão e até o silencioso (escapamento) do carro.

        Meu carro é carburado e ficarei muito triste em ver meu carburador sendo corroído… não acho gasolina Premium facilmente aqui em São Paulo-SP, agora imagine nos outros lugares.

        • Domingos

          Em muito lugar, quando se acha está velha também – o que é péssimo.

        • Astolfo

          Se tem alguém que não pode reclamar é você, petista. Tudo isso é culpa sua!

  • Ozirlei

    Um resumo de uma materia, leia com atenção ou leia o final, para não repassar boatos sem saber do que se trata (comum ao povo brasileiro, que não lê nada por inteiro, não entende de nada, e discute sobre tudo).

    “–[Quem faz o preço da gasolina?]–
    O precinho do cartel e o ‘preção’ do governo.
    O governo se assustou com a alta da gasolina e do álcool, botou a culpa
    em usineiros, distribuidores e donos de postos, ameaçou tabelar preços
    ou margens de lucro, alardeou que poderia fechar postos por cinco anos e
    terminou promovendo uma pequena redução de … impostos!
    Foi uma
    confissão. E assim toda essa confusão serviu ao menos para isso: mostrar
    que a maior parte do problema vem justamente do governo, do federal e
    dos estaduais.
    De janeiro do ano passado até aqui, o preço da
    gasolina vendida nas refinarias da Petrobrás mais do que dobrou. O ICMS,
    imposto estadual, não dobrou, mas chegou perto. Já PIS e Cofins,
    contribuições federais, subiram quase 200%. Enquanto isso, a margem dos
    revendedores (distribuidoras e postos) caiu ao longo de muitos meses,
    recuperou-se fortemente em julho e recuou um pouco em agosto, mas
    ficando mais ou menos igual à do início de 1999….. (pulando)
    ….O sistema foi estabelecido como uma preparação para a total abertura do
    mercado ? um ambiente em que qualquer empresa poderia importar
    combustível. Assim, não se podia impor à Petrobrás preços abaixo do
    mercado internacional, porque isso reduziria sua competitividade.

    Mas acontece a abertura foi sendo adiada, estando hoje prevista para o
    fim de 2001, ainda uma data duvidosa. De maneira que Petrobrás caiu no
    melhor dos mundos: preço internacional em mercado fechado e tabelado.

    Por que o governo teria deixado assim? Simples: por dinheiro. O governo
    federal faz caixa com a gasolina. Primeiro com uma coisa chamada
    Parcela de Preço Específica, que legalmente não é imposto mas vai para o
    caixa do Tesouro. Depois, o governo ganha também com os lucros da
    Petrobrás, já que é o acionista controlador da estatal.
    Os governos
    estaduais também foram com voracidade às bombas da gasolina. Como fica
    muito difícil cobrar ICMS de cada posto ? são 30 mil ? os governos
    resolveram cobrar na refinaria. A Petrobrás embute o ICMS no preço e
    depois repassa aos Estados.
    O ICMS incide sobre a diferença entre o
    preço na refinaria e o preço final na bomba. Ora, este mercado é livre,
    cada posto cobra quanto quer e quanto pode. Como, então, os Estados vão
    calcular o ICMS se não sabem quanto será o preço final?
    Presume-se. Isso mesmo, a base de cálculo é a margem de lucro presumido.
    …. (pulando)
    …O susto, afinal, ocorreu quando coincidiram reajustes de tarifas, de
    combustíveis e o baita frio que derrubou colheitas e elevou preços de
    alimentos.
    Tudo considerado, o melhor que se pode esperar é uma
    estabilização de preços. É evidente que num país como o Brasil, com 30
    mil postos, não há tabelamento possível. Se o governo quiser obrigar os
    postos a trabalhar com prejuízo ou mesmo com margens muito estreitas – e
    aí a bagunça será geral, com mercado negro e tudo o mais.
    Como tem
    gente no governo que sabe disso, o preço só cai se os impostos forem
    reduzidos. Também não vai acontecer porque, afinal, o ajuste fiscal
    continua sendo necessário.
    Portanto, vai ficar assim: o preço pára
    de subir no curto prazo. Depois, quando as coisas se acalmarem, quando
    passarem as eleições e a inflação voltando a zero, pode apostar que eles
    ficarão de novo tentados a novos aumentos. Na refinaria, é claro,
    explicando-se que na bomba etc. etc”

    Materia publicada no Estado de São Paulo, 21/08/2000 –
    http://www.sardenberg.com.br/index.php/component/k2/item/10265-quem-faz-o-pre%C3%A7o-da-gasolina-
    Resumo da opera:
    1- Algumas oligarquias no brasil demoram a ser quebradas. A dos usineiros é uma delas.
    2- Algumas familias tambem, ainda mandam no Brasil. Essas tem grande influencia na politica e na midia. O povo é massa de manobra deles e cai, e sai as ruas fazendo protestinhos.
    3- Pra quem leu a materia, as contribuições federais subiram 200% de 99 para 2000. E as do estado, quase isso. Como o governo do FHC era bom, né…
    E se pensar em inflação… custava 1,6 a gasolina em 2000?
    Estamos em 2015… em 15 anos subiu cerca de 100%… é pouco comparado a todo resto.
    Isso é só um chamaris pro brasileiro não perceber… pela influencia politica (e não é o PT!) estão quebrando o brasileiro em outras areas a gasolina, o preço da passagem do onibus… é o menor dos nossos problemas.

    • Domingos

      Bom, tá perigosamente “isentona” essa interpretação que você deu ao final.

      Vale lembrar sempre que o petismo tem muita verborragia e, por isso, é bom sempre lembrar o básico:

      O PREÇO AUMENTOU PORQUE SURGIU UM BURACO QUASE FALÊNCIA DE 88 BILHÕES PARA PAGAR.

      Se não tirássemos do bolso, a empresa quebrava amanhã só pela despencada de ações após o escândalo.

      Não sei se quis dizer que o aumento da gasolina também se deu a aumento de taxas no governo FHC ou se está querendo dizer que a MAIOR defasagem entre custo de produção e preço entre TODOS os países produtores de petróleo – com o valor absoluto se igualando à europa, que só produz nos países nórdicos – é “pouca coisa”.

      1,6 em 2000, num período de pouca produção nacional e barril valorizado no mercado internacional parecia justo. Quase 4 Reais num país que “exporta” petróleo e com o preço internacional despencando a ponto de quase quebrar muitos países que só vendem petróleo como vida é bem absurdo sim…

      E a passagem do ônibus aumentou sim aqui em São Paulo por ordem do “prefeitão” Fernando Haddad pela SEGUNDA vez MESMO após os protestos – todos de gente filiada ao PT, mas que fugiu ao controle após voltar-se contra ele e o governo federal.

      A influência política e as oligarquias são o PT sim. O problema é o PT sim. E as esquerdas. E os irmãos liberais da esquerda, como o PSDB – que é comparativamente algo bem melhor sim.

      O caminho é PSDB -> Direita não-liberal -> Conservador que não dá a mínima para o discurso de fabricação de ódio e de problemas dos liberais.

      E até onde eu saiba o Governo Federal atual não fez NADA para retomar essa abertura de mercado que o FHC ao menos tentou.

      Pelo CONTRÁRIO, o governo atual autorizou que apenas duas redes controlem o mercado de distribuidores nacional: a própria Petrobras e a Shell – essa comprou tudo e todo mundo e com aprovação dos nossos ministérios e órgãos reguladores.

      • TDA

        Discordo totalmente! O caminho não é de forma alguma o PSDB ou o PT ou qualquer partido dessa sopa de letrinhas. A população brasileira enquanto ficar bestificada assistindo BBB, novela das 9, campeonato brasileiro e desfile de carnaval e fazendo protesto inútil no domingão de manhã e depois ir para a praia tomar cerveja, não irá mudar nada. O problema não é só partido e nem somente só o(a) presidente(a). O problema é toda a população que não OBRIGA os corruptos a fazerem o que deve ser feito.

        • Domingos

          Sim, porém perceba que falei que é um caminho. Hoje não tem nem na população (como número de eleitores) e mal como opção de candidato alguma verdadeira alternativa.

          O que tem é pior do que o que está aí, sendo mais radicalmente à esquerda ou então gente sem sentido nenhum.

          Um ou outro que poderia ser ótimo recebe talvez 0,5% dos votos. Enquanto isso o PT vai fazendo o caminho da esquerda de ser cada vez mais esquerda e cada vez estragar mais o país em nome do partido – como sempre é.

          Por isso um caminho VIÁVEL hoje é colocar o PSDB para parar esse processo e se aproveitar que ele é muito mais benigno para fazer uma consciência de criar e votar em pessoas menos preocupadas com a “sopa de letrinhas” – o que é essencial, concordo.

          Seria um milagre interessante poder pular essa etapa, já que o PSDB também sabemos como é.

          • Rodolfo

            Domingos,

            E a privataria tucana?

          • Daniel S. de Araujo

            Dinheiro de pinga perto do Mensalão, do Petrolão e do dinheiro do BNDES para a Africa.

            Sem defender os tucanos, O sujeito que escreveu a privataria tucana é um petista engajado e portanto deve ser honesto sincero e verdadeiro quanto uma nota de R$3,00

          • Domingos

            Já pegaram ele por coisas como colaboração para testemunhas (vulgo suborno para falar o que quer) e outros crimes.

    • Marcelo Takara

      Resumindo o seu resumo da ópera, o que você realmente quis dizer foi: não é culpa do PT ; é culpa do FHC, da mídia golpista e dos 2 milhões de coxinhas que fizeram os “protestinhos” pelo país.

  • Domingos

    Obrigar todo mundo com carro velho a usar Podium ou converter para álcool é de um elitismo perverso e de uma “consideração” com os mais pobres que revela bem o discurso da esquerda no que ele é na verdade (o objetivo é SEMPRE o partido e romper a ordem).

  • Domingos

    Vai ser a “ilegalização” do carro a gasolina no Brasil. Espero que tenham que tirar etanol não sei de onde e acabem quebrando por não ter quem compre nossos derivados de petróleo.

  • Domingos

    Ou seja, o PT acabou sendo o mais elitista dos elitistas. Solução à la Maluf “muito boa” essa…

    Assim que “resolveram” o problema dos aeroportos nas vésperas da copa também.

  • Domingos

    Biomassa e álcool de cana está bem longe de ser verdade. E aposto que usineiro não vai gostar muito, porque seria possível tirar etanol até de lixo.

  • Rodolfo

    Outra coisa que me lembrei… tenho um Gol ano 1990, a gasolina, e na Inspeção Ambiental de São Paulo-SP de 2010 a 2013, os carros movidos a álcool tinham tolerâncias maiores de poluição de CO e HC.

    E não dizem que carro a álcool polui menos?

    • Domingos

      Só após a tal compensação pelo que a planta do etanol, a cana de açúcar no caso, tira de poluentes durante sua vida.

  • Rodolfo

    Em correção apenas o índice de HC dp álcool é maior que a gasolina na Inspeção Ambiental, sendo que o CO é o mesmo para ambos.

    Fonte:

    http://www3.prefeitura.sp.gov.br/cadlem/secretarias/negocios_juridicos/cadlem/integra.asp?alt=10012009P%20000042009SVMA

  • Bob Sharp

    Domingos
    O que a cana-de-açúcar faz ao crescer é seqüestrar o dióxido de carbono (CO2), que não é poluente, ao contrário do que muitos pensam.

    • Domingos

      Sim, Bob. Porém para termos oficiais, essa é a vantagem ecológica do álcool.

  • Bob Sharp

    TDA
    Das duas, uma, ou você está abastecendo gasolina adulterada com solvente, que não tem a iso-octana e por isso a octanagem é baixa, ou há algo errado com o gerenciamento do motor, por exemplo o avanço inicial de ignição e/ou a curva de avanço e o sensor de detonação. Com a gasolina comum ou aditivada de 95 octanas RON um carro como o seu não pode jamais apresentar detonação.

    • Daniel S. de Araujo

      Bob, apenas corroborando a informação, é interessante pois o 207 (o da minha mulher é 2010 1,4L) detona mesmo em marcha lenta, bastante perceptível em manobras. E o que é mais curioso é que a taxa de compressão é de 10,5:1! E já troquei de posto de gasolina, coloquei gasolina aditivada e o único remédio para anular essa detonação é batizar a gasolina, adicionando a`lguns litros de álcool no tanque.

      • TDA

        Colocar um pouco de álcool junto à gasolalcool foi o que o meu mecânico recomendou quando falei sobre a detonação. Nunca fiz isso pois já tem porcaria demais na gasolina e vai baixar ainda mais o consumo que não é dos melhores. Realmente só acontece em baixa rotação e carga, acima de 1.800 giros ele para com a zuadinha… estranho.

        PS. Minha solução meia boca para o problema é vidros fechados, arcondicionado e som ligados rsrsrsrs

  • Rodolfo

    Mas as florestas que foram derrubadas e as plantações de verduras e grãos e etc também tiram esse CO2… e a cana-de-açúcar tira as florestas.

    • Domingos

      Sim, isso é convenientemente esquecido das contas… Esse é nosso mundo.

    • Cadu Viterbo

      Você tem razão. A agricultura da cana é extensiva e monocultura. Mas há problemas ambientais no uso de combustíveis fósseis. A exploração de petróleo não é isenta e ecológica e sua queima, no balanço de carbono, mais danosa, pelos motivos citados!

      • Rodolfo

        Sim, Cadu, mas é hipocrisia dizer que álcool é ecológico, pois ele é uma praga que acaba com as outras plantações e com as florestas para darem lugar a cana.

        Se temos que diminuir o uso de combustíveis fósseis a solução seria os carros elétricos. Mas vão me dizer que a bateria é prejudicial ao meio ambiente. E a cana de açúcar não está sendo? Ela altera até o clima… não é a toa que está faltando água aqui em São Paulo.

        A solução também seria o governo investir melhor em transporte público, pois o metrô e os trens estão num ritmo de crescimento insatisfatório com relação ao da população. No ônibus, metrô ou trem a gente parece dentro de uma lata de sardinha.

        Pois se um dia o transporte público for no nível de Londres, Nova York etc, aí sim muita gente vai deixar o carro na garagem e então o meio ambiente vai agradecer.

  • Rodolfo

    É isso aí… políticos são tudo farinha do mesmo saco!!!
    Com uma esquerda desta quem precisa de direita?

  • Bob Sharp

    Rodolfo
    Pronto, detectado alguém com saudade do Plano de Expansão da Telesp, dois anos de espera, filas madrugada a dentro para se inscrever, declarar linha telefônica na Declaração de Bens e Direitos do Imposto de Renda…Haja!

    • Rodolfo

      Estão o preço dos pedágios é justo??? A energia elétrica? O Gás encanado?

      Imagine se privatizarem a Petrobras?… a gente vai pagar preço nos padrões da Noruega… pois a telefonia do Brasil é uma das mais caras do mundo e não tem qualidade como a da Europa.

      Daqui a pouco vão até privatizar a Sabesp… depois não quero ver ninguém chorar do preço da conta de água.

      • Domingos

        Conforme o Daniel disse, o preço da energia tem mais a ver com o governo que a questão da privatização.

        Aliás, antes da privatização faltava luz na minha região uma ou duas vezes por mês. Quando muito, passava uns 2 meses sem faltar.

        O problema é que o governo simplesmente evitou o racionamento e a falta de oferta, que ele bate no peito pra falar, com um aumento VERGONHOSO da conta de luz.

        A minha quase dobrou!

        Os preços nossos de energia não eram caros, se pagava um pouco menos até do que se paga na Europa – que tem MUITA competição de fornecedores e distribuidores.

        Agora estamos entre os mais caros do mundo por culpa do governo, que inclusive provocou esse aumento por ter forçado no ano passado uma redução na conta de luz que não era possível num momento de necessidade de expansão da oferta e consumo batendo recordes.

        Só concordo com você e o Daniel também sobre as estradas. Os preços são realmente extorsivos nas principais rodovias e nunca param de subir.

        Mas isso é culpa de um modelo mal feito de privatização e acontece em lugares como a França de forma idêntica.

        O governo atual também andou privatizando muita estrada no mesmo molde sem ninguém reclamar de privataria.

        Sobre os preços das telecomunicações: o Brasil é uma salada. Em São Paulo o custo de uma banda larga é MENOR que na Europa em geral e com maior velocidade.

        Já em cidade pequena eu sei que cobram o dobro por menos da metade da velocidade e isso quando tem um serviço decente.

        O nosso problema é custo de celular. Esse é alto mesmo. Mas é porque o brasileiro é viciado nisso.

        Na Itália também não saem do celular e o custo do minuto é parecido com o nosso.

        Contribui para esse setor privado ineficiente/caro por aqui a velha tática do monopólio (entramos nos anos 2000 com 3 ou 4 operadoras grandes de internet em São Paulo e saímos com apenas duas), que o governo autorizou porque quer…

      • Astolfo

        Quer reclamar do preço da energia elétrica? Reclame com sua “valente” Dilma, que desregulou o mercado, quebrou as empresas e, para variar, mandou a conta para nós.
        Quer reclamar do preço do gás? Reclame para o seu salvador Lula, que abriu as pernas para o Evo Morales, deixou que ele simplesmente rasgasse os contratos que tinha com o Brasil e estipulasse o preço que quis no gás. E ainda por cima que roubasse as instalações que a Petrobrás tinha na Bolívia.

    • Daniel S. de Araujo

      Bob, outro dia eliminei do Imposto de Renda do meu pai o seguinte bem:

      “Direitos sobre linha telefonica xxx-xxxx adquirido em 15/5/1979……”

    • Domingos

      Ia falar exatamente a mesma coisa, Bob.

      Não tenho a menor saudade das empresas privatizadas. Pobre simplesmente não tinha como ter linha telefônica e mesmo para quem era classe média era um PARTO ter uma.

      Lembro bem que ter mais de uma linha telefônica era considerado um luxo.

      Ademais as empresas privatizadas geraram divisas, não foram simplesmente doadas. Essas divisas fizeram muito bem ao Brasil da década de 90, tendo inclusive permitido nos tirar de grande parte do sufoco com o FMI.

      Só tem uma coisa que não gostei, que foi a forma como as estradas de São Paulo foram privatizadas.

      O resto, foi tarde. É invenção máxima da esquerda que a privatização foi crime ou errada, sendo que NEM NA NORUEGA existe tanta estatal como existia no Brasil.

      E, para variar, o governo atual não fez NADA para reverter o quadro. Ele não é burro…

      Aliás, o PT privatizou muita estrada e aeroporto na pressa por causa da copa.

  • Bob Sharp

    Daniel
    Obviamente trata-se de erro no mapa de avanço, jamais poderia ocorrer detonação nessa condição, baixas rotação e carga.

    • Daniel S. de Araujo

      Pois é. Eu deduzo isso também porque o ruido de detonação é muito proeminente quando se manobra o carro, em marcha-lenta. Quando quente, é colocar primeira marcha, dar uma leve acelerada e soltar o pé da embreagem que o tec-tec-tec já começa. E infelizmente não é exceção, é regra. E para eliminar, só deixando a gasolina com o equivalente a uns 40% de álcool.

      Minha ex-Saveiro flexivel 2003 padecia desse mal mas numa condição muito atípica, em dia quente, motor em baixa rotação com alta carga e borboleta toda aberta.

      • André Campos

        No 207 é estranho acontecer a detonação. O complicado mesmo é o VW VHT 1.0 com taxa de 13:1, detona muito… tanto que agora é o TEC com taxa menor… Tenho um VHT 1.6 que detona também em algumas situações.

        • Domingos

          Taxa 13, taxa 14, tudo isso aí foi invencionice para aumentar a potência com álcool. Nem com injeção direta se atinge esses números num motor de rua a gasolina.

      • Domingos

        Carro mapeado na pressa, acredito… O 1.4 gasolina era a mesma taxa, não? E ninguém reclamava…

        Alguns flex são exagerados também. Coisas como 14:1 de taxa é coisa que se usava na Fórmula 1!

  • Daniel S. de Araujo

    Rodolfo,
    O modelo de concessão das estradas paulistas é um absurdo, concordo. Mas culpar as privatizações pelo preço da energia e do gás…desculpa mas as noticias precisam ser lidas até o fim.

    A energia subiu porque o Governo simplesmente rasgou contratos e inibiu qualquer investimento nesse setor, afinal, quem em sã consciencia investiria em energia num país onde a presidenta se acha mais esperta que todo mundo e rasga contratos???

    E quanto ao gás, reclama com Evo Morales! Apoiado por Lula e Dilma!

  • Astoufo

    “Reduz também seus custos de produção, pois o aumento do álcool na mistura permite reduzir a qualidade (octanagem) da gasolina.”

    Pelo que entendo o aumento do % de álcool diminuirá o poder calorífico da gasolina, não a octagem, uma vez que o álcool foi inicialmente adicionado à gasolina exatamente para aumentar sua octanagem. A diminuição do poder calorífico é que leva ao aumento do consumo, que acredito ser a crítica do autor.

  • Marcio Ferrari

    Acho que a adição de álcool na gasolina deveria ser considerada ilegal pois trata-se de venda casada. Quero comprar gasolina e sou obrigado a comprar álcool junto. Benefícios? Só para a política maluca da Dilma e para os usineiros.

  • Bob Sharp

    Astoufo
    É complicado de entender mesmo. Com mais álcool a gasolina básica pode ter diminuída a octanagem, porque o álcool a mais a eleva, resultando que a octanagem na bomba permanece igual. Mas o calorífico diminui realmente, o que faz o consumo aumentar.

  • Bob Sharp

    VeeDub
    Não é loucura como parece. No Brasil a tendência é otimizar o motor para álcool com funcionamento precário com gasolina, quase como se fosse uma emergência. Quando com gasolina, a curva de avanço desses motores de alta compressão fica abaixo da ideal, embora a vaporização do álcool ajude a baixar a temperatura da câmara e evite que o motor funcionando com gasolina fique ruim demais.

    • VeeDub

      Obrigado, Bob… É a maldição do flex! Funciona na gasolina quase como em emergência com taxas elevadas. Acho que por isso motores novos como os EA211 da VW com TC: 11,5:1 contra os 13,0:1 dos antigos EA111. Nipônicos são conservadores no que se refere a TC. Mas creio que o problema da bateção de pino seja também calibração da ECU/processadores mais velozes em alguns motores. Exemplo do E.torQ com 11,2:1 e do Toyota 1,5 do Etios com 12,0:1…. O primeiro, mesmo com taxa menor, bate muito, enquanto o segundo, mesmo com taxa maior não bate nada… Bem lembrado a mais veloz vaporização do etanol presente na gasolina, resfriando mais a câmara de combustão, logo permitindo uma taxa um pouco maior em relação a gasolinas E5/E10 presente no resto do mundo.

      ——————————
      Em seg, 30 de mar de 2015 21:36 ADT Disqus escreveu:

  • Cadu Viterbo

    Como se a gasolina fosse um composto puro e fixo!
    Você já compra vários produtos atrelados a gasolina. Além de variar as octanas e sua composição, ainda tem aditivos, dispersantes e detergentes!
    E ainda é necessário um antidetonante. Se não for álcool, seria outro, amigo!

    • Domingos

      Bom, acho que ninguém reclamaria se fosse 10, 15 ou até 20% do álcool fazendo essa função. Pessoalmente acho 15% o ideal, pois o consumo pouco se altera e temos as vantagens do álcool como anti-detonante e detergente.

      O problema é que fomos para os 22, depois os 25 e agora 27%. No meu antigo carro só a gasolina eu já estava perdendo mais de 1 KM/L só com a mudança para 25%. Eu não quero nem pensar nessa de 27, provável que o carro ficasse manco ainda por cima.

  • Cadu Viterbo

    Falamos em octanagem da mistura! E como ela continua a mesma, para equilibrar a conta, a gasolina tende a ser minimamente pior

  • Bob Sharp

    Domingos
    Não foi invencionice, mas tirar partido do alto poder antidetonante do álcool e com isso ganhar potência e reduzir consumo. Já se fez o mesmo no passado com motores a gasolina, caso do Renault 1093 e do Dodge Charger R/T, previstos para funcionar exclusivamente com gasolina de maior octanagem, a gasolina azul da época. Lembre-se que o Omega 2-L a álcool, com taxa de 12,5:1, foi durante muito tempo o 4-cilindros 2-L de duas válvulas por cilindro mais potente do mundo, 130 cv a 5.400 rpm e 18, 6 m·kgf a 4.000 rpm.

    • Domingos

      Bob, com certeza para o álcool foi muito vantajoso. Temos aí o melhor exemplo na linha GM, onde motores bem cansados obtiveram ótimo desempenho e consumo razoável com essa estratégia – caso dos 1.0 e 2.0 em especial.

      Mas é simplesmente muita taxa para o funcionamento a gasolina. Só com muita administração da injeção, que trabalhará fora do ótimo em ignição e quantidade de combustível para evitar detonação.

      Lembremos que fora dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro o álcool quase sempre é uma incógnita, poucas vezes compensando seu preço por ser muito próximo ao da gasolina.

      Aí imagine um carro que é bom de usar apenas em SP e RJ, tendo problemas de consumo/desempenho e detonação em todo o resto do país…

  • Ezequiel Favero Pires

    Já está na hora de termos gasolina pura…

    • Domingos

      Também daria uma coibida nos fabricantes que usam taxa alta demais nos flex, pois na gasolina pura iria se revelar o problema.

      Assim não teríamos problemas ao rodar pelo Mercosul e teríamos melhores consumo e durabilidade.

  • Bob Sharp

    Ezequiel
    Mais do que na hora! Essa gasolina com álcool, mesmo a 22%, é uma vergonha para o Brasil, quanto mais a 27%. Lá fora devem rir de nós. Lembre-se, já falei aqui em diversas oportunidades, em 1996 a Petrobrás lançou uma gasolina sem álcool de 95 octanas RON, exatamente igual à Super da Europa. Reuniu até a imprensa para dar a notícia (eu estava lá), mas o governo sustou a patriótica iniciativa, tinha que ter 25% de álcool e, ponto final. Seria, primariamente, a gasolina para os carros importados que aqui chegavam em grande volume, como o Fiat Tipo.

    • Ezequiel Favero Pires

      Pois é Bob, li há poucos dias atrás pela internet sobre esta iniciativa de gasolina pura e naquela oportunidade parece que a bancada ruralista no congresso esbravejou contra porque seus interesses seriam afetados, afinal de contas, quem tivesse carro nacional com taxa bem baixinha iria usar esta gasolina com certeza!. Meu Civic 93 hoje agradeceria!

      Por falar nisso, essa nossa vontade precisa virar uma iniciativa concreta com forte apoio político. Agora, você conhece pessoalmente algum deputado ou senador que teria coragem de encabeçar esta idéia no congresso?

      Certamente haveria enorme pressão dos usineiros, então será que seria viável tecnicamente haver três ou quatro gasolinas? E0, E10, E20 e E30 ou E0, E15 e E30?

  • Bob Sharp

    Ezequiel
    Acho que poderíamos ter E0 e E25, ambas de 95 e 98 RON, não precisa mais que isso. E !00 para quem quiser.

    • CorsarioViajante

      Tbm acho que seria o ideal…

      • Mauro

        Mas com o conhecimento que o brasileiro médio tem, alguém acha que fora meia dúzia de entusiastas e pessoas que entendem um pouco mais de mecânica, quem vai se importar? Posso até ver a dona do Tucson quando perguntada qual gasolina vai querer: “ué, põe gasolina ora! Fora que precisaria mais um tanque separado, não sendo um posto novo em construção o investimento seria muito alto.

    • Ezequiel Favero Pires

      Aí é que está Bob: se naquela época que, digamos, era “o” momento por causa das importações recém abertas, houve muita resistência e derrubaram a iniciativa, hoje aconteceria a mesma coisa se a proposta fosse a mesma, pois a ganância nunca diminui, só aumenta. Por isso pensei que “três” gasolinas diferentes “contentariam” a fome por dinheiro de quem quer que tenha interesse no álcool, pois assim a demanda por álcool até aumentaria, se por exemplo, existisse E15 e E30 ao invés de só E25 ou E27. Tecnicamente você tem razão, não precisaria mais que E25…

  • Domingos

    Aí vai ser o fim da picada, pois ficaríamos com o álcool caro e a gasolina ainda mais cara.

    Vai cair o governo se isso acontecer.

  • Norton Jr.

    Registro aqui minha indignação com o governo ao encher a barriga dos produtores de cana de açucar através de imposição do consumo de alcool guela à baixo dos proprietarios de veiculos, amputando meu direito de escolha por combustivel apropriado. Na verdade eu vejo essa manobra como uma prática aos moldes do nazismo.

    Imaginem os motoristas que possuem seus veiculos a gasolina carburados ou injetados que servem muito bem a familia no lazer, trabalho e situação emergencial. Pense agora nos milhares de motociclistas que dependem de suas motos pra trabalho, lazer ou estilo de vida. Total desrespeito com quem faz esse país crescer.

    Eu hoje me encontro neste cenário. Possuo dois veiclulos à gasolina que gosto muito e me servem muito bem. Pretendo vender um deles para comprar nossa motocicleta para passeio e viagens. E ainda pretendo comprar meu sonhado Honda Civic antigo, pois sou fã da marca, e minha Mercedez C180 geração anterior (que motor e economia). Tanto os veiculos quanto a futura moto sao a gasolina.

    Ano passado eu fiz uma viagem da Capital do Rio até Interior de Minas. Me pergunta quantos postos tinham com gasolina Premium ou Podium na beira das rodovias que trafeguei? NENHUM posto. No interior de MG? Nenhum posto. E olha que a cidade é super desenvolvida e polo industrial da Vale (Industria de Minerio). HOJE NAO POSSO VIAJAR DE CARRO PRA LONGE COM A FAMILIA. Nao ponho 27% de alcool anidro no meu tanque!!! Aqui na cidade do Rio, pago de R$4,00 a R$4,49 na Ipiranga Premium e de R$4,34 a R$4,69 na BR Podium. Absurdo.

    Eu nao vejo um politico desgraçado de Brasilia se manifestar contra uma medida tao absurda. Acredito que para 90% do motoristas essa manobra do governo é natural. Converso com amigos e muitos nem ligam. Ontem vi um motorista abastecer um Fusion Titanium turbo com gasoina aditivada tendo uma bomba de Premium vazia bem ao lado. A grande maioria da população nao entende que proprietarios de carros e motos a gasolina terão que desenbolçar de R$2000´00 a RR$8000´00 para retificar seus motores daqui há uns 80000 km ou menos utilizando essa gasolina vagabunda. Culpa do Governo.