MUNDO ESTRANHO – FILOSOFIAS DE PROJETO E SISTEMAS OPERACIONAIS

TERCEIRA PARTE DE UMA SÉRIE

As Ilhas da Fantasia, a Torre de Babel e o Paraíso dos Padrões Abertos

Imagine o que aconteceria se o fornecedor de eletricidade fornecesse tensão num padrão exclusivo dele, e as pessoas fossem obrigadas a comprar eletrodomésticos de um determinado fabricante porque só os produtos dele são compatíveis com o padrão de eletricidade que é fornecida.

E se cada emissora transmitisse seu sinal num padrão exclusivo que só um fabricante conseguisse transformar em imagens e sons? Dá para imaginar uma TV para cada canal na casa das pessoas?

E uma cidade que fizesse suas ruas compatíveis com apenas com os carros fabricados por apenas um fabricante? E se cidades diferentes criassem padrões diferentes para diferentes marcas de carros? Que possibilidade as pessoas teriam de viajar de uma cidade a outra com seu carro?

Felizmente, estas situações insólitas são improváveis na maior parte do mundo moderno.

Os padrões abertos estão por toda parte e são fundamentais para a criação do moderno mundo civilizado. O estabelecimento de padrões abertos é uma necessidade social e muitos são alvo de leis, de acordos internacionais e de grandes comissões de empresas concorrentes no setor.

Muito mais do que isso, padrões abertos são sinônimo de boa engenharia e de produtos intercambiáveis, que podem competir em igualdade de condições, permitindo ao consumidor adquirir os melhores e mais adequados produtos para sua necessidade pelos menores preços.

Entretanto, o mesmo não ocorre na totalidade do mundo digital.

É comum fabricantes de equipamentos e softwares criarem incompatibilidades em padrões abertos altamente normalizados (Bluetooth, NFC etc.) para manter seus consumidores presos às suas plataformas proprietárias. Existem fabricantes que utilizam essas técnicas em larga escala e criam verdadeiras “ilhas da fantasia” cheias de maravilhas, mas que tolhem o direito de escolha do usuário. Muitas pessoas não compreendem o quanto essa prática é ruim e se encantam com as “maravilhas” sem perceber a armadilha que ali se esconde.

Criar padrões proprietários de protocolos que condicionam o uso de equipamentos de um fabricante dentro de um ecossistema fechado é um processo tão perverso quanto o de uma cidade que cria padrões únicos de eletricidade, de sinal de TV e de pavimentação para condicionar todos os cidadãos ao monopólio de fabricantes exclusivos, e quem não aceitar, que se mude de cidade.

Este ato nefasto, feito para garantir o interesse de poucos, afasta a salutar concorrência e a constante inovação que beneficia a todos.

Quando um fabricante utiliza esta técnica predatória em larga escala e obtém sucesso junto aos consumidores, corre-se o risco de esta prática se disseminar pela concorrência, e isso não faz bem a ninguém. Protocolos proprietários e incompatíveis entre si surgem de todos os lados, criando verdadeiras Torres de Babel e isolando os consumidores em pequenas ilhas da fantasia em vez de libertá-los para um mundo muito mais amplo e rico.

Outro bom exemplo do quanto essa Torre de Babel digital não é apenas ruim, mas bastante perigosa, vem se mostrando no setor de tecnologia de pagamentos. Pelo mundo há inúmeros padrões de tarjas magnéticas e alguns de chips para cartões de crédito, e a eles foram adicionados o Google Wallet e o Apple Pay. Cada sistema destes envolve milhões de aparelhos leitores e protocolos de comunicação circulando por telefone e pela internet. Muitos aparelhos de diferentes fornecedores precisam ser poliglotas para falarem todas as opções diferentes de pagamentos. E o que ocorre quando um destes protocolos oferece uma brecha de segurança? O software destes aparelhos deveria ser atualizado, mas como ele está misturado a outros protocolos, a solução não é tão simples. Atualizar toda plataforma torna-se um pesadelo de logística. Enquanto isso, o sistema fica a descoberto, disponível para fraudes, e o que o fornecedor faz? Ele precisa passar a impressão a todos que o sistema é seguro para não gerar pânico e perder credibilidade. Mas quem fica a descoberto é o usuário do sistema de pagamentos.

 

Sistemas de pagamento: desafio para a segurança  MUNDO ESTRANHO - FILOSOFIAS DE PROJETO E SISTEMAS OPERACIONAIS creditcardtheft

Se houvesse uma padronização desses sistemas e protocolos a apenas uma ou duas opções de cada tipo, seria muito mais fácil reparar uma brecha de segurança e distribuí-la por todos os equipamentos de pagamentos. Os custos seriam mais baixos e a segurança seria maior.

A promessa de melhor funcionamento em função das incompatibilidades não é desculpa, pois é possível fazer bons equipamentos aderentes a padrões abertos. Incompatibilidades são distorções propositais, não uma necessidade. Padrões abertos sempre podem ser aprimorados ou substituídos por novos padrões abertos.

Jailbreaks e outras práticas de hacking de equipamentos travados de fábrica são formas reconhecidas como legais em boa parte do mundo para contornar as limitações impostas, mas devem ser evitadas. É como tentar endireitar uma árvore que nasceu torta e nunca será uma árvore reta. Melhor optar por equipamentos projetados para respeitar os direitos dos consumidores.

Quando um rapaz tira uma foto com seu smartphone, ele tem todo direito de distribuir a foto do jeito que ele bem entender. Um fabricante que impõe uma castração ao protocolo de Bluetooth que impeça que ele mande a foto para o smartphone da namorada, está cometendo um atentado contra o livre direito de expressão do rapaz. Impedi-lo de fazer isso por pretensões comerciais monopolistas é uma forma disfarçada de pirataria corporativa em larga escala.

Atentar contra padrões abertos é, acima de tudo, atentar contra os direitos dos próprios consumidores e contra o fair use.

Novamente vemos o quanto o termo “pirataria” é um termo moral e assimétrico. Ele sempre se refere a práticas inconvenientes que o consumidor pratica contra corporações, mas ninguém usa o termo quando corporações exercem práticas lesivas ao consumidor e até as disfarçam como algo legítimo. Uma prática não justifica a outra, mas uma leva à outra.

Estas são situações de distorção assimétrica a favor do fornecedor que mais à frente desemboca na pirataria e no “hacking” (outra alegada forma de pirataria, segundo a indústria) de equipamentos pelos consumidores.

Protocolos e padrões abertos sempre serão mais fortes que padrões fechados, mesmo que os padrões fechados sejam tecnicamente superiores. Exemplos não faltam:

– O padrão de fita de vídeo BetaMax da Sony era muito superior ao padrão VHS criado pela concorrência. Enquanto o BetaMax era exclusivo da Sony, o VHS era aberto a toda indústria, beneficiando não só os fabricantes de aparelhos domésticos, mas também os fabricantes de fitas e de gravadores industriais. Logo o preço e a diversidade das fitas VHS criaram um mercado que a Sony não conseguiu acompanhar com o BetaMax.

– O CD é um padrão aberto nascido das cinzas do padrão fechado do VideoLaser da Philips. A abertura do do CD tornou-o um padrão universal que continua vivo mesmo depois de 35 anos de lançamento no mercado.

– Em compensação, a maior loja de músicas digitais, o iTunes, nunca vendeu uma música sequer para um smartphone Android, que representa mais de 85% do mercado de smartphones. O iTunes nunca terá a universalidade do CD e é algo que a indústria fonográfica terá de pensar.

– A demora da indústria fonográfica em oferecer um bom padrão de música digital e uma boa prática comercial tornou o MP3 um padrão aberto que não pode ser controlado, altamente padronizado. Há opções tecnicamente superiores ao MP3, inclusive em padrões abertos, mas destroná-lo agora é muito difícil.

Sejam quais forem os fornecedores escolhidos para equipar os futuros painéis dos automóveis, é papel da indústria automobilística garantir os direitos dos consumidores através da exigência de padrões e protocolos abertos amplamente aceitos. Incompatibilidades propositais devem ser recusadas.

 

Carros conectados

A onda de mobilidade chegou ao automóvel, e com ela, várias transformações. Primeiro foram os aparelhos de GPS que migraram dos pára-brisas para a integração com o painel e funções de entretenimento do veículo. Agora é a revolução da internet móvel em smartphones e tablets que empurram as novidades para o painel. Há vários riscos nesse processo, pois as transformações são muito rápidas, e o processo pode sofrer muitos tropeços.

Uma discussão forte dentro da indústria automobilística atual é a questão do sistema operacional no painel.

Hoje há três grandes fornecedores de sistemas operacionais móveis: Google (Android), Apple (iOS) e Microsoft (Windows), e eles vêm oferecendo sistemas embarcados para a indústria automobilística, compatíveis com seus sistemas operacionais. É interessante notar que o sistema embarcado da Apple, o CarPlay, é baseado no sistema operacional QNX da BlackBerry e não no iOS.

Apesar de toda a ênfase na conectividade que os automóveis prometem para o futuro através desses três fornecedores, a indústria automobilística impôs uma condição. Ela sabe que Google e Apple lucram muito com seus sistemas operacionais móveis, e ela quer ser a principal beneficiária com tudo o que for gerado no painel dos automóveis. A questão é complexa na medida em que esse não é o foco de negócio dos fabricantes de carros e é muito difícil precificar os benefícios sobre as ações dos usuários.

O caso da Apple com a indústria fonográfica também é um bom exemplo de como o mesmo acordo pode ser muito bom para um e não tão bom para o outro. É algo a ser estudado.

A presença de três sistemas é um complicador. Os carros conectados deverão conversar de forma transparente com os smarphones dos donos, sejam eles quais forem. Assim, os carros precisarão rodar mais de um sistema para não obrigar o dono a trocar de smartphone em função do carro que está comprando. É um caso de Torre de Babel digital.

Isto obriga os três fornecedores a oferecer sistemas operacionais que rodam sobre o mesmo hardware padronizado no mesmo carro, enquanto o hardware pode variar e evoluir de tempos em tempos e de carro para carro.

Google e Microsoft produzem sistemas operacionais que se adaptam a centenas de configurações diferentes de hardwares, mas essa não é uma tradição da Apple, que sempre trabalhou com limitado número de conjuntos casados de hardware/software exclusivos. É natural que haja batalhas de bastidores entre eles e com os fornecedores de hardware, cada um tentando projetar as especificações do hardware em benefício do seu software.

Veremos outros detalhes deste assunto no próximo item.

Uma idéia radicalmente diferente e tecnicamente viável seria a indústria automobilística se juntar, criar a partir de algum sistema operacional de código-fonte aberto, como Linux ou QNX, um sistema de painel padronizado controlado por ela própria e os fabricantes de smartphones e outros dispositivos que se esforçassem para oferecer compatibilidade.

Infelizmente essa idéia sequer saiu do papel. Este tipo de atribuição não é foco da indústria automobilística e se torna mais fácil fazer acordos com fornecedores que já possuem soluções.

Outro problema a ser enfrentado: a rápida obsolescência eletrônica.

Um smartphone com três anos de uso já está bem usado e seu custo permite a troca em períodos ainda mais curtos. Porém um automóvel com três anos de uso ainda tem muitos anos à frente para simplesmente ver seu sistema de painel parar de receber atualizações, um passo grande rumo à obsolescência de uma peça central difícil de ser trocada por uma atualizada.

Portanto para o consumidor, antes um carro com predisposição a um sistema de infotenimento aftermarket que um original de fábrica que não possa ser trocado e que será rapidamente abandonado.

 

Olhando por baixo da superfície

Hoje há duas plataformas dominantes na computação móvel: iOS da Apple e o Android do Google. Na internet, fãs das duas plataformas se digladiam pelos seus sistemas preferidos, porém ambos os lados não olham o que realmente interessa e nem precebem as reais diferenças entre sistemas.

Usuários leigos são seduzidos por aquilo que vêem, mas realmente usam aquilo que não compreendem. Eles se apegam aos mimos da interface e não levam em consideração a importância do kernel (núcleo) do sistema. Em termos automobilísticos, é como comprar um raríssimo Ferrari GTO só para dar voltas no quarteirão e nunca abrir o capô para saber se lá tem um legítimo motor Ferrari ou se é um mero motor de Fusca.

 

Discussões superficiais  MUNDO ESTRANHO - FILOSOFIAS DE PROJETO E SISTEMAS OPERACIONAIS jcbebfp8nvawa6enxkjs

A Apple foi inovadora no mercado da mobilidade com o lançamento do iPhone, movido pelo sistema operacional iOS.

O iOS surgiu de um kernel de Free-BSD (um UNIX livre) por volta de 2002 que foi muito modificado para um protótipo de tablet (que mais tarde seria o iPad), e depois novamente modificado para fazer funcionar num smartphone. O sistema veio a público no começo de 2007 com o anúncio do iPhone.

A computação móvel de 2002 era muito diferente da atual. Processadores de arquitetura ARM, que equipavam a maioria dos dispositivos móveis, inclusive a quase totalidade dos celulares, eram processadores para baixo custo e baixo consumo de bateria às custas de baixo desempenho. Este era um fator que direcionou a criação do iOS, numa época quando ninguém tinha uma boa experiência de computação móvel avançada.

Uma importante escolha feita na arquitetura do iOS foi a questão da multi-tarefa (capacidade de rodar múltiplos programas em paralelo). O Free-BSD do qual o iOS partiu oferecia suporte a uma multi-tarefa completa, mas diante da necessidade de preservar a carga da bateria, o iOS foi modificado de forma que apenas o programa em primeiro plano (aquele que o usuário estiver usando) fosse processado. Qualquer outro programa em execução ficaria dormente. Se desligar a tela, o programa em primeiro plano também fica dormente. Apenas programas ligadas ao relógio, à multimídia e ao GPS possuíam funções especiais para algum processamento em paralelo dentro do iOS.

A Apple desenvolve o iOS em sincronismo com o hardware dos iPhones e iPads, e a versão binária do sistema operacional é exclusiva para cada modelo de hardware, mantendo o sistema rápido e estável mesmo com hardware inferior.

Já o Android nasceu da iniciativa de um desenvolvedor independente em 2005, tendo sido comprado pelo Google e anunciado publicamente em 2007. O Android se caracteriza pelo código-fonte aberta e uso sem custo de licenças, permitindo que qualquer desenvolvedor possa adaptá-lo para sua aplicação.

Outra característica do Android é seu kernel duplo. Ele possui um kernel Linux sob um kernel Java adaptado. Diferente do iOS, o Android foi pensado desde o começo como um sistema operacional facilmente customizável para qualquer aplicação. Embora seja reconhecido como sistema operacional de smartphones e tablets, ele pode ser encontrado em uma variedade imensa de dispositivos inteligentes, de smartTVs a câmeras digitais, geladeiras conectadas a até computadores pessoais. O número de dispositivos rodando alguma versão de Android hoje supera a soma de todos os dispositivos rodando iOS, MacOS e Windows.

Diferente do iOS, o Android possui capacidade multitarefa real, embora ela possa ser limitada na camada de interface com o usuário em algumas aplicações.

A partir desses dados, podemos fazer algumas comparações entre essas duas plataformas.

A Apple diz, com orgulho, que apenas desenvolvendo o conjunto casado entre hardware e software é que se consegue um resultado de excelência perceptível pelo usuário. Esta é uma verdade, porém é tão restrita que não pode ser assumida como algo sério para todo o mercado.

Quando falamos em termos de mercado, estamos falando de milhares de pessoas, cada uma com seus desejos. Algumas querem opções baratas, outras querem processadores poderosos, outros querem gráficos de altíssima resolução em alta velocidade, outros querem a opção de cartões de memória para ampliações, e assim por diante. A Apple fornece no máximo cinco opções de smartphones e menos ainda de tablets, o que frustra a expectativa de muitos consumidores. Há especialistas que afirmam que se o Google é o pai do Android, a Apple é a mãe por este detalhe.

O Android tem a especificação nativa de acomodar diferentes plataformas e pode facilmente ser adaptado a qualquer hardware, inclusive para modelos e configurações que não existiam quando a versão foi lançada. Esta flexibilidade é tudo o que o mercado pede, mas isso tem um custo. O código do Android é mais genérico do que o do iOS (que pode ser focado para um hardware específico) e a necessidade de drivers para cada solução de hardware torna o sistema mais pesado e instável.

Ainda assim, esta diferença explica de forma suficiente porque o iOS, que já deteve mais de 50% do mercado mundial de smartphones, hoje possui 11% deste mercado contra mais de 85% do Android. Se o modelo de excelência técnica da Apple fosse o melhor para o mercado, o Android não teria chances. O modelo fechado da Apple e a fixação na excelência pelo casamento entre hardware e software conduz a longo prazo a um modelo comercial de nicho dos dispositivos.

Ambas plataformas não são tão novas, e muitos dos conceitos de mobilidade avançaram ao longo deste tempo. Em breve, os anseios dos consumidores baterão de frente com as limitações e a idade conceitual destes sistemas. Porém estes sistemas já possuem grandes plataformas instaladas e não é fácil modernizar estes sistemas sem que toda plataforma fique obsoleta e precise ser abandonada em favor do novo sistema. Recentemente, o aplicativo WhatsApp passou a ser oferecido em versão web para todos os sistemas operacionais, exceto o iOS por causa de sua limitada capacidade multi-usuário, mostrando que esta pressão já começou.

Quando falamos de sistemas operacionais móveis no painel dos carros, estas diferenças certamente causarão atritos, pois ambos os sistemas terão de coexistir sob o mesmo hardware. Tanto isso é verdade que a própria Apple desenvolve o seu sistema embarcado CarPlay em QNX e não em iOS, dado que o sistema é focado em smartphones e tablets sobre uma plataforma proprietária de hardware.

Porém, este é um aspecto importante na hora de determinar o hardware que irá para o painel dos automóveis. Se o modelo contemplar uma flexibilização do hardware para atender diferentes públicos, irá beneficiar o Android em detrimento do sistema da Apple. Se houver uma restrição à flexibilização do hardware, a Apple sairá beneficiada, mas ao custo de não atender ao público e à maior estagnação tecnológica do hardware.

 

A variabilidade dos softwares e a fragmentação da plataforma

Quando compramos um novo computador é bastante comum que ele venha com o sistema operacional pré-instalado. Mas geralmente não é só ele. É muito comum que ele venha com softwares do próprio fabricante e com vários softwares para “experimentar”, como jogos e aplicativos dos mais inúteis aos usuários. O boot da máquina fica lento, e boa parte da memória fica ocupada com inutilidades. Se o usuário tenta remover esses softwares inúteis, descobre que nem sempre é tarefa fácil, e quando consegue, deixa muito lixo para trás, boa parte ainda ligada ao sistema operacional.

Os bloatwares, nome que se dá a esses softwares indesejáveis, além do peso que trazem ao sistema, costumam trazer instabilidades e brechas de segurança que o comprometem.

O bloatware não vem pré-instalado num equipamento por acaso.

O produtor do bloatware paga para o fabricante da máquina um pequeno valor a título de patrocínio. Muitos fabricantes de PC pagam o custo da licença de uso do Windows com o que recebem pela instalação de bloatwares. Para o fabricante da máquina, a presença do bloatware também dá um aspecto de máquina que não vem tão “pelada” para o consumidor.

Desktops e notebooks têm opção. Basta reformatar a máquina, baixar os drivers do site do fabricante e reinstalar o sistema operacional desde o princípio. É impressionante o quanto a máquina se torna rápida em relação à configuração original de fábrica.

Já dispositivos como smartphones e tablets costumam ter o sistema operacional instalado em uma memória fixa (firmware) e não é um processo tão simples substituir por uma configuração limpa. Há muitos detalhes que atrapalham essa migração, de customizações do fabricante compatíveis com a nova versão do sistema operacional à disponibilidade de especificações de chip para programação de drivers por terceiros, deixando ao usuário muitas vezes com a única opção em manter o sistema como está.

O sistema móvel que mais sofre com o bloatware é o Android. Não só o sistema é aberto para customizações, como elas são desejadas pelos fabricantes. Se todos os fabricantes mantivessem o Android puro não haveria diferenciação entre equipamentos de fabricantes concorrentes, levando o consumidor a buscar preço mais baixo, algo que eles não desejam. Mas a customização por fabricante e por modelo leva à enorme fragmentação da plataforma, tornando muito difícil a atualização do sistema.

Em oposição ao modelo do Android, a Apple mantém um leque muito restrito de hardwares e não aceita bloatwares de terceiros e nem das operadoras de telefonia. O sistema operacional é padrão para todos os equipamentos, o que permite a ela fazer atualizações regulares (geralmente anuais) mesmo de equipamentos antigos.

Embora este método seja desejável, é preciso perceber que esta é uma particularidade da linha Apple, possível em função da pequena variabilidade do hardware. Num mercado mais amplo e dinâmico como o do Android há uma constante entrada de novos hardwares, exigindo constante fluxo de drivers específicos e flexibilidade do sistema operacional para lidar com diferentes resoluções gráficas. Então, embora o sistema operacional básico padrão seja desenvolvido pelo Google, é tarefa dos fabricantes de chips e de celulares o desenvolvimento de drivers (pequenos softwares que fazem a interface do hardware específico com o sistema operacional) para seus aparelhos, o que nos trás de volta para o problema da fragmentação.

Destaque para a estratégia intermediária da Motorola. Em vez de customização extrema como faz a concorrência, ela optou por manter o Android praticamente padrão. Ela já oferece a atualização da última versão do Android aos smartphones com firmwares “stock” (sem customizações das operadoras) inclusive para modelos lançados há mais de 1 ano, o que significa algo em torno de 6 meses antes da concorrência. Samsung e outros fabricantes que usam Android vêm estudando esta estratégia e podem vir a oferecê-la no futuro.

Este é um aspecto importante a ser observado pela indústria automobilística nas suas escolhas sobre o carro conectado.

– Se ela optar por um hardware altamente padronizado, as atualizações se tornam mais fáceis e rápidas de serem distribuídas, porém haverá pouca inovação nos equipamentos;

– Se ela optar por maior liberdade na escolha das especificações de hardware, haverá mais inovação, mas as atualizações serão mais difíceis;

– Se ela optar por instalar bloatwares, que opções ela oferecerá aos consumidores para removê-los? Ou não haverá essa opção e os consumidores terão de tolerar o que for instalado?

– Se houver bloatware, as atualizações serão mais difíceis. Haverá investimento em atualizações do sistema do painel? Ou ela optará por manter o sistema o mais padrão possível?

– Como gerenciar a variabilidade de hardware para três sistemas diferentes (Android/iOS/Windows)?

 

A internet das coisas e a transparência de funcionalidade entre dispositivos

freescale_internet_of_things_overview.regmedia.co.uk  MUNDO ESTRANHO - FILOSOFIAS DE PROJETO E SISTEMAS OPERACIONAIS freescale internet of things overview

O sistema de conectividade nos automóveis não é mais visto hoje apenas como conectividade com o smartphone. O conceito atual é muito mais amplo e conhecido vulgarmente como “internet das coisas”.

O vídeo a seguir, feito pela Dow Corning para demonstrar o futuro do Gorilla Glass (vidro que reveste a maioria das telas dos smartphones) é o mais lúdico exemplo que tenho para mostrar o que se espera que seja a internet das coisas.

 

Na internet das coisas tudo conversa com tudo, e o automóvel é, junto com o smartphone, um dos equipamentos principais.

O motorista sai do local de trabalho e já é avisado que tem pouco leite na geladeira e que alguns ingredientes na dispensa estão próximos do prazo de validade. O sistema automaticamente pode encontrar um supermercado mais em conta no caminho de volta e programa o GPS do carro com a rota. Quando estiver chegando em casa, o portão automático pode abrir e a lâmpada da garagem acender automaticamente. E assim por diante.

A informação que a pessoa tinha no espelho do banheiro pode acompanhá-la no painel do carro, no tampo da mesa do escritório e assim por diante. Os dados passam a ser importantes, não o hardware e o software que roda em cada lugar.

Bonito de dizer, mas difícil de realizar. Tudo por causa de um palavrão: interoperabilidade.

Interoperabilidade não é só um palavrão pelo tamanho da palavra, mas também pela idéia “comunista” de igualdade de todos os dispositivos diante de um mesmo protocolo. Fabricantes adoram criar incompatibilidades em sistemas padronizados para escravizar o usuário dentro da sua plataforma, e a interoperabilidade é exatamente o oposto disso. Dentro da interoperabilidade transparente, as plataformas de hardware e software deixam de ser importantes e qualquer produto de qualquer fornecedor é tão bom quanto o dos demais. Este é um aspecto que não agrada os fabricantes de hardware e software.

Num mundo onde a promessa é que todos os dispositivos com parte elétrica conversem livremente, nenhum fornecedor conseguirá fabricar sistemas para todo tipo de equipamento, para todos os modelos e para todos os fabricantes. Para que este mundo se torne realmente interoperável é necessários que todos se atenham a padrões e protocolos abertos fortemente normalizados, de forma que todos os equipamentos “conversem na mesma língua”.

A web é assim, com interoperabilidade total. Não importa se você lê o AUTOentusiastas no seu desktop com Linux, no seu notebook com Windows, com seu tablet iPad ou com no seu smatrphone Android, você sempre usufruirá o conteúdo do site da mesma forma. O site e a plataforma da web não lhe prendem a uma solução específica de hardware e software, pois você sempre consegue obter o conteúdo. Você escolhe que tipo de equipamento, que sistema operacional e em que navegador quer ler nossos artigos aqui. A liberdade de escolha é sempre sua.

Se a web, que reúne uma quantidade infindável de padrões abertos, consegue ser interoperável, por que outras soluções não seriam?

Quando se pensa nessa questão e se vê uma empresa como a Apple pegando um padrão aberto e altamente padronizado como o NFC e fechando para atender apenas o seu sistema proprietário de pagamentos no seu mais novo smartphone, se vê que a distância até a interoperabilidade do vídeo é um sonho muito distante, apesar do problema não ser técnico para ser posto em prática. Ela não é a única a fazer isso, e a soma de todas as incompatibilidades propositais como essa nos colocam muito longe dessa promessa meramente por interesses de cada companhia.

No lugar de todas estas empresas se juntarem e criarem um ambiente de internet das coisas interoperável, o que se vê é cada um oferecendo sua própria solução porque ela é voltada para benefício próprio. O resultado será uma nova versão virtual da Torre de Babel, onde ninguém se entende completamente com o outro. Imagine ir comprar uma lâmpada para a garagem e ter de comprar não apenas a tensão e a potência dela, mas a compatibilidade com o sistema do carro, do smartphone, da smartTV… Isso beneficia o usuário? Nem um pouco, e é um passo para o fracasso da iniciativa.

Sabendo que cada comprador em potencial de seus carros poderá ter um smartphone diferente, é bom a indústria automobilística saber exatamente quais são as reais intenções de cada fornecedor e como isso se relaciona com os smartphones que os compradores em potencial possuirão no futuro para não ouvir reclamações de incompatibilidades depois.

O maior benefício dos usuários com carros conectados passa pela interoperabilidade. É onde estará a melhor experiência do consumidor/usuário/motorista. É por ela que a indústria automobilística deverá lutar junto aos fornecedores de sistema. Mas já vou avisando: esta não será uma tarefa fácil.

 

Hackers e vírus

 

10000-bounty-to-be-cashed-in-by-tesla-car-hacker.hotforsecurity.com  MUNDO ESTRANHO - FILOSOFIAS DE PROJETO E SISTEMAS OPERACIONAIS 10000 bounty to be cashed in by tesla car hacker

Hackers, na acepção da palavra, sempre existiram. A palavra inicialmente se referia a pessoas que geravam interesse especial por determinado assunto, dominando-o muito além das outras pessoas e sendo capazes de feitos notáveis. Leonardo da Vinci era um hacker por definição. Arquimedes também. Entretanto, o termo modernamente ficou ligado aos grandes entusiastas por computadores.

Hackers reais possuem uma paixão e um desejo insaciável por conhecimento. É algo que faz parte natural do hacker tanto quanto o ato de respirar. Bons hackers alcançam um domínio sobre determinado assunto muito além das demais pessoas. Há bons profissionais na área de informática, com muito conhecimento obtido pelo seu esforço pessoal, porém há um limite para o que ele consegue atingir. Este limite não se aplica ao hacker. Por isso costuma-se dizer que só um hacker é capaz de pegar outro hacker.

A internet e suas principais aplicações são todas fruto da imaginação e dedicação de hackers desconhecidos do grande público.

Os tempos românticos dos hackers se foi há muitos anos e há muito dinheiro a ser ganho na internet com informações roubadas e geração de caos para atiçar a ganância de crackers. E contra eles, há os hackers éticos. A especialização dos dois lados se elevou a tal nível que deixou o campo da brincadeira e virou profissão altamente qualificada, mas o espírito hacker continua sendo um fator essencial na formação desse profissional. Hoje fala-se em certos círculos que a internet se tornou um campo de batalha onde se desenrola uma enorme guerra cibernética.

Há anos Hollywood mostra filmes onde hackers causam o pânico geral, gerando o caos no sistema de sinais de trânsito da cidade. Em sistemas bem protegidos e administrados, isso é quase uma fantasia. Entretanto, com a internet das coisas, isso pode se tornar uma realidade.

O carro conectado terá que conversar amigavelmente com uma profusão enorme de dispositivos e isso pode ser uma porta aberta para os hackers.

Hoje os automóveis possuem redes intraveiculares (geralmente uma rede CAN, acessível pela porta OBD-II), mas são redes não conectadas abertamente e, portanto, impossíveis de serem acessadas de fora do carro. Porém, quando o veículo se conectar com a internet, sempre haverá uma forma de conectar a rede intraveicular com a internet, e, através dela, interferir com o funcionamento de um carro, mesmo do outro lado do mundo.

Um cracker pode usar o GPS de um carro para saber onde ele está em tempo real, e no momento preciso, pode incapacitar o funcionamento do motor ou travar o câmbio em ponto morto. Vinte carros atacados desta forma em pontos estratégicos de uma cidade como São Paulo, e o trânsito trava, levando a cidade ao caos absoluto.

Existe ainda a promessa, primeiro dos carros com tecnologia “by-wire”, onde o link mecânico entre volante e pedal do freio é substituído pela automação, e depois a dos carros conectados. Como esses carros com conectividade aberta para a internet se comportarão ao ataque de hackers e vírus? Haverá ameaça de segurança física às pessoas?

Os carros conectados terão de ser altamente seguros contra invasões, algo complexo de se fazer. As dificuldades começam pelo fato de os carros conectados não serem gerenciados por especialistas, e são praticamente abandonados à própria sorte nas mãos de usuários leigos. O problema se agrava com a dificuldade de manter os sistemas atualizados, conforme já vimos. Mas o terceiro fator, talvez o mais importante, esteja na experiência de escrever programas seguros só vir após anos de prática contra mentes mal intencionadas. A história da Microsoft é um bom exemplo dessa última dificuldade.

Quando ela lançou o Windows 95, o foco do sistema operacional era a facilidade de uso. Tudo era feito de forma automática, de forma que o usuário precisava de poucos conhecimentos para operar o computador. Veio o Windows 98, onde ela incrementou ainda mais essa idéia e ainda trouxe nativa a idéia de internet. Foi quando internet se popularizou. As facilidades de uso do Windows abriram um incontável número de brechas na segurança do sistema operacional. Quase todos os dias apareciam novos tipos de ataque e novos vírus, e a Microsoft virou até motivo de piada.

A situação só começou a mudar a partir do lançamento do Windows XP, que era um Windows reconstruído desde as funções mais básicas para ser seguro, mas a maturidade no desenvolvimento de sistemas seguros veio anos depois com o Windows Vista e o Windows 7. Foram 10 longos anos de aprendizado para a Microsoft fazer um sistema operacional seguro, e ainda assim o Windows não pode se dar ao luxo de ficar sem um antivírus se o usuário não for altamente qualificado.

A evolução técnica de desenvolvimento seguro da Microsoft só foi possível graças a uma mudança de postura da empresa. Antes, a Microsoft defendia que seus sistemas eram absolutamente seguros quando visivelmente não eram, atitude que tentava preservar a imagem da companhia e do produto. Com o lançamento do XP, a Microsoft passa a quase obrigar a instalação de um antivírus, e ao invés desta atitude ser interpretada como fragilidade, passou a ser entendida como uma preocupação da empresa com a segurança dos próprios usuários.

Em relação ao Windows, Android e iOS ainda tem alguns anos de maturação pela frente antes de serem realmente seguros, e os desenvolvedores da indústria automobilística ainda estão na infância perto da experiência de codificação segura desses sistemas operacionais.

Também há muita relutância em assumir que os sistemas embarcados são sensíveis a diferentes tipos de ataques e não há um esforço dos produtores para que softwares de proteção sejam instalados. O problema de virus no Android é grave, o Google se mostra neutro ao problema, mas ao menos o problema é bastante conhecido, há muita indicação para que os usuários instalem um antivírus.

Já o caso da Apple é mais complicado. Especialistas reconhecem que o iOS (assim como o MacOS) estão vários anos atrás da experiência da Microsoft, e a Apple cultiva a imagem de que seus produtos são “legais” (“cool”), e ficar alertando para o usuário se proteger porque o sistema é frágil, vai contra essa imagem. A Apple cultiva a imagem de empresa preocupada com a segurança dizendo que inspeciona rigorosamente todos os aplicativos que ela disponibiliza em sua loja de aplicativos (algo que o Google não faz), e a imensa maioria dos seus usuários acreditam piamente que estão absolutamente seguros por conta disso. Este erro pode ser fatal. Empresas de antivírus já demonstraram que vários aplicativos liberados pela Apple possuem funções inapropriadas que podem acessar dados impróprios dos usuários, gerar rastreamentos etc., e que só despertam meses após o aplicativo ser instalado. É uma forma fácil de contornar a vigilância da Apple, e o usuário se sentir seguro em usá-lo. Além disso, só para dar dois outros exemplos de como um iPhone ou um iPad podem ser atacados sem a instalação de aplicativo malicioso, o iOS é frágil a ataques vindos de sites maliciosos e a ataques vindos pelo cabo USB, incluindo a instalação de vírus. Pesquisas mostram que entre usuários que usam Windows e produtos Apple, mais de 90% deles possuem antivírus no Windows contra menos de 15% em produtos da Apple. Isto ocorre porque usuários Apple acreditam que a plataforma os protege.

Esse cenário é tudo o que os crackers desejam para disseminar golpes e o caos.

Aí voltamos à questão da atualização.

Se um automóvel possui um sistema abandonado pelo fabricante, qualquer vulnerabilidade que ele possa conter sempre oferecerá oportunidades aos crackers. Num veículo com 10 anos de uso isso talvez seja até desculpável (embora um veículo travado gerando caos no trânsito não faça diferença entre ser um novo e um com 10 anos de uso), mas não num veículo de três anos.

Temos o exemplo do Android, onde smartphones relativamente novos não são elegíveis de atualização por causa da grande diversidade de hardwares, custo e disponibilização de mão de obra para as customizações específicas de cada modelo, e mesmo no caso do iOS onde dispositivos antigos recebem atualização, o “antigo” quer dizer três anos, muito para um smartphone mas muito pouco para um automóvel.

Em função desses exemplos, passamos a imaginar se o mesmo não ocorrerá com os carros conectados, e abrindo brechas de segurança no trânsito.

Há uma escala de responsabilidade aqui. Um smartphone com vírus pode deixar seu dono sem capacidade de se comunicar, algo facilmente remediável, mas um automóvel com vírus pode comprometer a segurança das pessoas e a funcionalidade do trânsito.

Até quando a indústria automobilística estaria disposta a bancar as atualizações desses sistemas?

Até onde ela está preparada para estes desafios?

Na próxima parte, respeito e filosofia.

AAD

Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

Publicações Relacionadas

  • CorsarioViajante

    Esta série está incrível, realmente sensacional.
    Senti falta de falar um pouco mais sobre o windows phone, possui um com 8.1 e acho muito bom, gosto bem mais dele do que do Android, do qual minha esposa é fã.
    Passei por algo curioso recentemente, precisei trocar de celular e ele conseguir parear com o bluetooth do carro era algo fundamental. Antes, meu carro e meu celular eram da mesma época, mas agora o celular está cinco anos mais novo que o carro, então já complica um pouco.
    Ainda acho que uma das melhores soluções seria o painel do carro ter um monitor que simplesmente “repetisse” a tela do celular, assim como podemos usar um monitor conectado num notebook. Até porque me parece que a tendência seria usar o GPS sempre atualizado do celular, as músicas do celular, etc, e daí desobriga o carro a manter um sistema atualizado por décadas. Sistemas como a/c seriam operados de forma independente ou mesmo através de aplicativos pareados via BT… Sei lá.

    • Fabio Vicente

      A Microsoft inclusive largou na frente da Apple e do Google ao lançar o Blue & Me no ano de 2007, em parceria com a Fiat – isso quando o SO era o Windows Mobile. Não cheguei a conhecer o esquema de integração, mas lógico, era um sistema muito mais arcaico, porém visando várias das facilidades e integrações existentes hoje em dia.

      • CorsarioViajante

        Não sabia disso!

      • Fernando

        Aliás a Microsoft é forte nos sistemas embarcados em veículos, não sei quais fabricantes usam nem estatísticas, mas sei que fornecem para algumas e tem dos melhores sistemas para este fim.

      • Fabio, a Microsoft vem tentando isso há muito tempo.
        Veja os GPS xing ling. São todos equipados com Windows CE (pirata).
        As primeiras versões do WinCE remontam a 1996 e era um sistema feito para ser embarcado.

    • Corsário, não menciono o Windows por um motivo: iOS e Android dominam mais de 96% do marketshare da mobilidade. O Windows não tem impacto. Também me falta experiência no Windows para comentar.

      A questão da compatibilidade do Bluetooth é complicada.
      Eu usava um velho Motorola Atrix com Android 2.3.6. Quando fiz o teste de lançamento do Peugeot 208 houve problemas de compatibilidade com o Bluetooth e não consegui colocar a lista de músicas no painel. Pensei que poderia ser de compatibilidade em função da idade do aparelho.
      No final do ano passado peguei um GPS Tomtom para teste e de novo ele não se entendeu com o Atrix. Aproveitei para comprar um Motorola Moto X e aí consegui fazer o teste.
      Mas recentemente decidi colocar um aparelho com bluetooth no meu carro para melhorar o áudio do GPS e para poder receber ligações ao volante, algo que se tornou muito comum nos últimos meses. Então comprei um DVD player da Pioneer. Aparelho de modelo novo, atual. Mas qual a minha surpresa ao ver que ele tem compatibilidade apenas parcial com o Moto X, mas total com o Atrix!
      A coisa só não ficou pior porque o Moto X tem uma função nativa que chama uma aplicação de multimídia quando detecta que está se movendo em um carro, e o som vai para o bluetooth. Sem isso o investimento teria sido um fiasco..
      Enquanto isso, o Atrix é usado como GPS com Waze.
      Você não imagina como essas incompatibilidades me chateiam.

      • CorsarioViajante

        São chatas mesmo. Estava em dúvida de qual comprar e testei o Moto E de minha esposa, não funciona de jeito nenhum com o som do meu carro. Já o nokia foi fácil, funciona bem.
        Hehehe deixa eu puxar a sardinha pro WP, fiquei surpreso e gostei muito dele, não me entendo com o android de jeito nenhum.

        • Marcelo R.

          Sou obrigado a concordar contigo. Tenho um Lumia 730 e o WP me surpreendeu muito, fora o custo-benefício do aparelho que é sensacional.

          • CorsarioViajante

            Sim, eu tenho o 630, também fiquei surpreso.

        • Corsario, eu trabalho em sistemas Microsoft há quase 30 anos e nunca consegui me sentir totalmente à vontade. Fico menos confortável ainda quando o sistema “castra” alguma coisa que eu queira fazer.
          Nisso me senti muito mais à vontade no Linux.
          Todas as vezes que alguma coisa pega feio no Linux, uma pesquisada na internet e algumas linhas digitadas num terminal e caso resolvido.

          • ClaudeSpeedIII

            Qual distro você recomendaria, André?
            Comecei no Ubuntu mas quando trocaram o Gnome pela Unity eu não gostei e fui para o Debian, porém nessa release atual tenho sofrido bastante com o multiarch e dependências desencontradas… O que traz a tona a fragmentação citada no texto…

          • ClaudeSpeedIII, eu sou ponto fora da reta. Até com interface texto eu me viro. Uso o Ubuntu com Unity mesmo, mas existem variantes do Ubuntu. Ainda tem o Ubuntu com Gnome, tem o Kubuntu com KDE e acho que mais meia dúzia, e ainda tem as distros leves, como a Mint (que também tem opções de interface).
            O que eu recomendo a vc é baixe o Linux Live USB, que lá vc faz num lugar só o download de várias distros e instala num pendrive com boot e opção de máquina virtual pra rodar dentro do Windows.
            Experimente e descubra que Linux é melhor pra vc. São tantas opções que duvido que vc não ache uma que te agrade.

          • Lucas dos Santos

            Já pensou em “criar” o seu próprio Linux, do seu jeito?

            Eu ainda estou tentando fazer isso, mas o meu parco conhecimento acaba criando alguns obstáculos, porém ainda “sonho” em usar um Linux feito sob medida por mim e para mim.

            Se tiver interesse, dê uma olhada no projeto Linux from Scratch: http://www.linuxfromscratch.org/lfs/

            Eu comecei a testar em uma máquina virtual, mas não sei o que fiz de errado que não consegui ir em diante. Terei de começar tudo de novo, mas me falta “disposição” para isso, hehehe!

          • CorsarioViajante

            Hahaha é engraçado porque eu sempre tive muita curiosidade sobre linux mas nunca tive coragem de instalar e fuçar nele. Usava muito Mac no trabalho mas em casa sempre tive PC, nunca tive coragem de pagar o que cobram num MAc. Fora a carência de jogos.

        • Victor Gomes

          Também tenho um WP no Lumia 820 e estou adorando. Talvez a questão da falta de aplicativos melhore um pouco na próxima geração do software do Windows, que me parece, será o mesmo para smartphones e desktops.

          • CorsarioViajante

            Eu sou suspeito, todos meus (poucos) celulares foram Nokia, e agora, junto com a MS (e prestes a desaparecer, aliás) ficou muito bom.

          • Victor Gomes

            MS?

            Meu outro Nokia usava o Symbian, que quando fiz uma atualização não oficial pra última versão do software, deu uma boa melhorada na usabilidade do telefone.

  • Mingo

    Putz! Essas modernidades às vezes chegam a me assustar.
    E pensar que na minha época, minha maior preocupação com a parte “eletrônica” do carro era ter um platinado e um cachimbo guardado no porta-luvas…

  • Caio Azevedo

    Quanto mais o mundo for conectado, mais frágil ele fica.

    • Lucas dos Santos

      Como se dizia há um bom tempo atrás no mundo da informática: “Não quer correr o risco de pegar vírus? Então desconecte o seu computador da linha telefônica!”.

  • Fabio Vicente

    André, seu artigo poderia ser facilmente um TCC em qualquer instituição de ensino com graduação ou pós graduação em TI. Tudo o que foi escrito é plenamente defensável como tese sobre segurança da informação.
    Unir dois mundos tão diferentes – e ao mesmo tempo tão convergentes – como TI e indústria automotiva talvez seja o desafio mais complexo do mundo! Eu como profissional da área de tecnologia acho maravilhoso possuir um sistema seguro e estável integrado ao meu carro, onde eu pudesse gerenciar minhas informações pessoais, controlar a configuração do carro, utilizar ferramentas de localização e também ferramentas de colaboração / comunicação.
    Porém, meu lado entusiasta abomina totalmente essa ideia, e a principal preocupação você colocou no texto: imagine um carro travando em uma movimentada via em horário de pico. Ou pior, trafegando em um local com alta velocidade, o sistema apresente falhas e interfira no funcionamento do carro. Eu diria que em um cenário desses, comprar um carro usado por exemplo seria completamente inviável, visto que o risco do proprietário não atualizar o S.O. do carro ou ainda fazer mal uso do mesmo é alto. Quanto a internet das coisas, não quero nem sonhar que esteja próxima do universo automotivo, por questões de segurança.
    Outra coisa que venho percebendo é que no trânsito, é que graças ao uso do GPS, deixamos de nos preocupar em realmente conhecer um caminho com suas rotas alternativas e suas particularidades para deixar a navegação a cargo de um dispositivo eletrônico. Várias pessoas já me disseram que sem o GPS não conseguiriam sequer ir de casa para o trabalho!
    O perigo nisso tudo? Não raro, tenho visto motoristas tão concentrados no GPS que esquecem os outros carros presentes em uma via. Nem sei quantas fechadas tomei nos últimos tempos por conta disso. Imagine então se houver a disponibilidade de aplicativos como o Whatsapp, o Facebook e o Youtube no painel de um carro! Os motoristas responsáveis obviamente nem cogitarão acessar esses aplicativos com o carro em movimento, mas sabemos que nem todos possuem bom senso.
    Outra questão: os GPS não avisam ainda sobre as condições de uma via (daí minha preocupação com as “particularidades”). Motoristas estão sendo surpreendidos pelas péssimas condições de algumas ruas e avenidas, danificando seus carros. É algo a se pensar quando se habita em um país como o nosso.
    Não vou entrar na questão dos S.O’s disponíveis no mercado e seus respectivos modelos de funcionamento e segurança, mas uma coisa é certa: para um carro possuir um sistema embarcado, um padrão rigoroso deverá ser estabelecido por algum órgão ligado ao universo automotivo, com requisitos e regras bem definidas e que não permitam interferir no comportamento dinâmico e mecânico de um automóvel, sob o risco de termos verdadeiras armas em nossas ruas conduzidas por pessoas que não possuam condições para tal.
    E mais uma vez, parabéns pelo excelente texto.

  • Victor Gomes

    Mais um texto magnífico!

    Sobre a questão das incompatibilidades, creio que sua existência também esbarra na questão das patentes. Como bem sabemos, ela não está restrita aos produtos eletrônicos. Afinal, tem coisa mais chata ao consertar o carro do que precisar ter um monte de ferramenta diferente para cada cabeça de parafuso?

  • F A

    Mas a questão da incompatibilidade não teria também a “mão” da tal obsolência programada? Vejo muito isso em bicicletas e computadores. O padrão é x mm e, de repente, muda para y mm a mesma peça, sempre com alegações de que vai melhorar rigidez com menos peso e etc. Ou o tubo é 1″ e depois vira 1” 1/8 e assim vai. E em computadores também, o encaixe é 4 pinos e depois é 8, depois de 10 anos volta a ser 4, porém de uma nova forma, etc. As vezes a sensação é de estar em terra de ninguém.

    • F A, é o caso dos conectores.

      Na Europa era para sair uma legislação que obrigava todos os fabricantes de celular a usarem conectores mini-USB para poderem usar carregadores padrão. Estava previsto até que os carregadores deixariam de ser vendidos junto com os aparelhos para não gerar lixo elerônico desnecessário.
      Veio a Apple, esperneou, esperneou, e a coisa ficou na base do acordo de acavalheiros, porque o carregador da Apple era na forma de porta USB. Mas o conector do aparelho continuou proprietário. Muitas dockstations de terceiros eram compatíveis com esse conector, incluindo carros (http://autoentusiastas.com.br/2010/11/o-inferno-da-obsolescencia-eletronica/). Aí veio o iPhone 5 com novo padrão de conector proprietário. Ofereceram um adaptador, mas o encaixe nas dockstations deixou de ser perfeita e isso gerou muito lixo eletrônico.
      Na China, o uso do conector mini-USB como padrão de carregamento é lei, e lá e somente lá, o iPhone tem um conector mini-USB que só serve para carregamento do aparelho em paralelo com o conector proprietário.

  • F A

    Lembrando do que eu disse no outro posto sobre esse assunto. Será que o consumidor quer um carro conectado, se nem mesmo as TVs fizeram tanto sucesso?

    • F A, essa é uma boa questão. Tudo depende do que evoluir do carro conectado.
      Pense no que eu disse no outro post.
      O sistema não pode distrair o motorista enquanto ele guia. Mesmo em áudio, não se pode poluir o canal com propaganda.
      Que tipo de aplicação seria interessante para o motorista que usasse apenas áudio? GPS, multimídia (rádio e música) e alertas do veículo. O que mais faria sucesso sob essas condições? Difícil imaginar.

      Há utilidade para um carro conectado, observando o próprio funcionamento do carro.
      Exemplo: se num trecho começar a chover, os carros ligam o limpador de parabrisas. Se isso for comunicado para a operadora da rodovia, a velocidade da pista no trecho pode ser reduzida e os carros que irão chegar lá podem ser alertados das condições da pista.
      Se um carro aciona o ABS num determinado ponto, a operadora da rodovia fica em alerta. Se outro aciona o ABS no mesmo ponto logo em seguida, um alerta para o local é enviada para todos os carros que vem atrás.
      Isso tem muito mais utilidade que uma telinha colorida no painel.

      • Fernando

        É mais ou menos o que penso e disse no outro post.

        Estou satisfeito com o que o celular já me oferece, de lembretes e auxilio para dúvidas, se estou na rua consigo tirar uma dúvida no google, usar um mapa (GPS), enviar uma foto, receber, ver meu e-mail ou até acessar o meu trabalho remotamente.

        Isso já considero muita coisa para quem saber usar bem, e de certa forma me faz não querer mais que isso. No carro então, quero menos distração e mais o carro em si. Não me interesso em ver o celular no carro como acredito que com a tela embutida também eu não daria muita bola.

        É como acredito que continuarei me conhecendo e algo da tecnologia, mas para muitos (e vejo muitos que mal trabalham sem estar com o celular à sua frente – muita distração para mim) isso é rotineiro e certamente gostarão de ainda mais interação.

        Somente acho que isso deve ser muito bem dosado. Não quero que ninguém me peça para remover o Baidu do carro…

    • RoadV8Runner

      Eu NÃO quero, absolutamente!!! Internet vai ser a última coisa que vou me preocupar em um automóvel…

  • Lipe

    Às vezes eu me pergunto por que pessoas compram o smartphone da Apple (iPhone) e fazem o tal do “jailbreak”. De quebra, muitos desses ainda pagam caríssimo pelos iPhone de 128gb de memória interna ao invés de optar por um Android com capacidade para cartão de memória. Serão exclusivamente atraídos pelo poder sedutor da marca Apple?
    Eu comprei o iPhone 5 por motivos verdadeiros e não os escondo de ninguém: acabamento externo (não encontrei outro aparelho tão bem acabado e bonito) e facilidade de uso (pois não sou um fã de tecnologia. Assim como muitos compram qualquer carro que os leve de A até B, eu quero um smartphone fácil e intuitivo de usar, pouco me importando dados técnicos mais aprofundados e detesto a customização dos Samsung com Android).
    O que faz me arrepender é, estreme de dúvidas, ter de usar um cabinho pra conectar o celular no carro.
    Mas quem gosta de futricar muito no aparelho, certamente deve optar por Android. O iPhone me parece mais adequado pra quem não gosta tanto de mexer no telefone e quer um aparelho mais fácil e prático de usar, bem como pouco se importa com o hardware embutido no dispositivo, sendo relevante apenas que apresente desempenho adequado para os aplicativos básicos.
    A despeito de tudo isso, bem sabemos nós que boa parte dos alunos universitários hoje procuram comprar notebooks Apple exclusivamente para mostrar o logo iluminado da marca na sala de aula… É a tal da camarotização, ou verdadeira segregação social: uma espécie de necessidade de demonstrar o poderio econômico por meio dos bens que possui. Algo bastante explorado por marcas como a Apple

    • CorsarioViajante

      PAra mim isso também é fruto da necessidade de auto-afirmação em gente que confunde “ser” com “ter”.

    • F A

      Eu já tive um iPhone 3 e nuca mais. Para mim o pior era ter que usar o iTunes como intermediário e além disso na hora da sincronização não tem como adicionar arquivos sem apagar os antigos, a não que os antigos também estejam no seu computador. Ah, quase esqueci, e a bateria patética.

    • Lipe, fui desenvolvedor de software por muitos anos e conheci essas empresas pelos bastidores.

      Muito da “mágica” da Apple é uma forma dela matar 2 coelhos com uma cajadada só.
      Vá no Windows e veja quantas opções existem pra vc copiar arquivos de uma pasta para outra. Existem várias. Aí cada usuário assume a que é mais fácil pra ele. Quando um usuário precisa de ajuda de outro, o outro vai querer usar o método dele e confunde o primeiro.
      Na Apple existe apenas uma forma de fazer as coisas em lugar óbvio. Quem não entende nada de computador se entende fácil nos sistemas da Apple. Em compensação, os sistemas da Apple perdem muito em flexibilidade.
      Olha essa notícia:
      http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/apple-usa-windows-em-linha-de-montagem-do-mac-pro-12771433
      Se Mac OS fosse “pau pra toda obra”, pra que usar Windows num Mac da linha de produção da própria Apple?

      Quando a Apple reduz as opções de comando, ela reduz muito os códigos que interligam as funcionalidades dentro do sistema operacional. O sistema fica menor, mais rápido, mais estável e se reduz os bugs. Mas deixa o sistema mais engessado.

      Bom? Ruim? Depende. A que público os equipamentos da Apple se destinam? Se eles estiverem felizes com isso, ótimo.

      Mas essa não é a minha praia.

      • Lorenzo Frigerio

        O Mac tem a “vantagem” de poder rodar Windows, por causa da arquitetura Intel. Obviamente os PCs não rodam OS X porque não existem drivers para os seus dispositivos. Mas é perfeitamente possível rodar Windows num Mac por emulação, para aqueles programas mais específicos.
        A verdade é que a maioria das pessoas se beneficiaria de usar um Mac. O Windows é uma Torre de Babel, sem consistência e uniformidade, que acaba criando mais problemas que resolve.

  • Grato a todos pelos elogios.
    Escrever um artigo destes me dá certa ansiedade. Tenho receio de parecer um chato e não agradar.
    O assunto é bastante sério e específico. É chato para o pessoal de informática e mais chato ainda para os entusiastas de automóveis. Mas é um assunto importante para todos, e daí a necessidade de retratá-lo para discussão.
    Para minha felicidade, vejo que não errei na fórmula. Vocês tem me dado bom retorno para o assunto que, acredito, muita gente mesmo dentro da indústria automobilística ainda não tem uma visão ampla das implicações.

    • André K

      Muito pelo contrário! É tão difícil achar bons textos como os seus. Continue!

    • Fernando

      Chato?!

      Reveja o conceito de chato então hehehe

      São é incríveis, tanto para quem já conhece algo do assunto ou para quem não conhece. Em canais de tecnologia ou carros, onde mais se veria um texto desse padrão?

    • ochateador

      Eu trabalho com informática e posso dizer que o seu artigo coloca o dedo na ferida de muitos fanboys e de muitos adeptos das “maravilhosas” novas tecnologias.

      Essas novas tecnologias (como bem dito no texto) antes de serem implantadas de forma massiva tem de ser muito bem regulada e principalmente bem feita e aí é que vai dar problema, pois quem quer reduzir o lucro para beneficiar o concorrente?

      Mas como disse o Barata neste artigo em que ele escolhe um carro para a vida toda ( http://www.flatout.com.br/se-voce-fosse-ter-apenas-um-carro-vida-toda-qual-seria/ ) nem sempre uma nova tecnologia é melhor, pois em pouco tempo você tem de trocar por uma mais nova e “melhor”….

    • Thales Sobral

      André, continue assim, cada vez que vejo um texto seu tenho certeza que vem coisa boa. São os mais longos do Ae mas não consigo parar de ler até chegar no final. Parabéns.

  • anonymous

    Excelente texto! Mesmo!

  • Alex

    Bom texto. Só um adendo, MP3 nunca foi, nem é um padrão aberto. É um formato de propriedade do instituto Fraunhofer.

    • Alex, o MP3 é um padrão aberto no sentido que ele não tem segredo. Todos sabem como ele funciona, embora o Fraunhofer detenha os direitos sobre ele.
      Me parece que ele tende a se tornar um padrão totalmente aberto na
      medida em que as primeiras patentes sobre ele já estão caindo e ele está
      passando para domínio público.

      Muitas tecnologias que fazem os atuais celulares e smartphones funcionarem tanto na parte de telefonia como na parte de transceptores de rádio possuem donos através de patentes. Mas os donos abrem essas patentes para os concorrentes para tornar o ambiente tecnicamente operável. O Google comprou a Motorola por patentes como estas.

  • Lorenzo Frigerio

    Para resolver a “interoperabilidade”, foi criado o Java, que é uma verdadeira peneira de falhas de segurança. Já a Microsoft, pode-se dizer que as falhas de segurança são intencionais, para que ela fique liberando atualizações, prendendo o usuário ao “Windows Update”. O Windows nem precisa ser hackeado; o bloatware e os cavalos de tróia são instalados com assentimento do próprio usuário, empacotados com os softwares “oficiais” (vide o “Ask Toolbar”, que já vem com a caixa ticada na instalação das constantes atualizações de Java). E ao contrário do Mac OS X, o Windows não exige senha na instalação de softwares.
    No caso do iOS, pode ter certeza que, sendo um “fork” do freeBSD, tal qual o OS X, ele prevê processamento multitarefa. Mas como a Apple é a Rainha da Obsolescência Programada, ela está apenas esperando o momento dos lucros decrescentes para liberar uma nova versão do sistema e um novo iPhone, que os geeks e consumistas farão fila para comprar.
    Tecnologia inútil, para mim, não é tecnologia.
    Há muitos anos existem rádios que transmitem via internet; o que custa dotar os rádios dos carros da capacidade de sintonizar essas rádios via 3G e Wi-Fi? De que eu saiba, só um DVD “double din” da Positron tem isso. Isso poderia estar disseminado há muito tempo, a tecnologia é amplamente dominada… qual o problema? Por que só funções inúteis nessas “centrais multimídia”?

    • Fernando

      Na verdade o que falta para receber rádios “online” nos carros é o mesmo que para usarmos bem internet no celular: infra-estrutura adequada por parte das operadoras.

      Se até sinal de celular é algo que sofre muitas oscilações, imagine o quanto não se passaria raiva tentando ouvir rádio e ele ficar picotando.

      Em outros países já se tinham rádios de transmissões de tempo e outras finalidades desde os anos 90, em 2015 vejo gente com celular de vários chips pois um “pega” bem ou mal em alguns lugares onde costuma ir.

      Ou seja: se for comprar um rádio com tal função, já pegue um dual-chip hehehe

    • Lucas dos Santos

      Eu simplesmente ODEIO, com todas as minhas forças, esses “Programas Potencialmente Indesejados”, que aparecem durante a instalação dos softwares! OK, que a maioria dá para declinar durante a instalação, mas torna o processo muito mais burocrático. Aqui em casa, sempre alguém me pede auxílio para instalar um programa, pois nunca sabem o que devem desmarcar para não instalar “porcarias” no PC e têm medo de arriscar. Ou seja, um processo que deveria ser intuitivo, torna-se totalmente complexo para pessoas leigas!

      No caso do Java é pior ainda, pois é um componente essencial, que não dá para evitar.

      Sites de download também utilizam instaladores próprios, que despejam mais um monte de porcarias no computador do usuário. Aí, quando pensamos que baixar diretamente do site do desenvolvedor seria uma alternativa confiável, o próprio desenvolvedor coloca o link para download em letras miúdas e deixa em destaque botões falsos, que baixam mais softwares inúteis!

      Entendo que isso seria uma forma de custear o desenvolvimento de um programa distribuído gratuitamente, mas não concordo. Algo deveria ser feito para inibir essa “prática abusiva” desse pessoal.

    • Lorenzo, o Java sofre do efeito de falta de maturidade que comentei no texto. Só que isso causa um problema sério.
      Java é uma plataforma estabelecida e muito popular, especialmente entre corporações. Todos os conceitos de segurança originais do Java precisam ser revistos, ou seja, o Java precisa ser reescrito do zero, mas se fizerem isso, a nova geração do Java pode ficar completamente incompatível com os aplicativos que estão rodando.

      Microsoft tem sérios problemas com essa mesma questão dos sistemas legados.

      Linux está sempre atualizado, mas ele tem uma filosofia aberta e é por isso que não dá esse problema.
      O sistema é modular e em constante desenvolvimento, mas por outro lado, o padrão POSIX dos UNIX é mantido a ferro e fogo no Linux.
      Saiu uma nova versão do Linux? Se seu aplicativo perdeu compatibilidade binária com o novo Linux, não tem problema. Recompile que roda de primeira.

      • Lorenzo Frigerio

        Compilar qualquer coisa é para geeks somente. Fiz isso algumas vezes porque o Download Helper para OS X só aceitava o ffmpeg compilado, como conversor de vídeos em flash (no Windows não tinha esse problema, havia uma versão compilada disponível). Fiz porque sou curioso, e obviamente envolveu instalar as “developer tools” do OS X.
        Mas acho que seria ideal que o Java fosse “compilável” para cada computador, a fim de rodar “nativo”, acabando com a interpretação. Se é que não estou falando besteira.

  • Piantino

    Parabéns André, artigo sensacional!!

  • Lucas dos Santos

    André, esta série está excelente! Mas, como tenho mais experiência em computadores do que em carros, focarei este comentário na parte de informática – o que hoje todo mundo chama “TI”.

    Essa falta de padrões abertos foi o que me afastou do Linux. Era muito frustrante baixar um arquivo e descobrir que somente um programa para Windows seria capaz de abrí-lo corretamente. Apesar de saber que poderia recorrer ao Wine ou a uma máquina virtual com o Windows eu nunca o fiz, pois sempre achei “o fim da picada” ter DOIS sistemas operacionais na máquina para poder executar uma única tarefa. Acabei voltando para o Windows e, ao menos, não tenho mais esses problemas.

    Como eu disse em outra oportunidade, o que move um sistema operacional são os programas e aplicativos desenvolvidos para ele. Essa realidade é válida tanto para sistemas operacionais de computadores como de smartphones. Também acho que já disse aqui que considero o Windows Phone um sistema operacional belíssimo e muito bem feito, porém eu jamais compraria um celular com ele. Tudo porque a maior parte dos aplicativos que eu considero interessantes são ofertados para iOS e Android. Dessa forma, acabei optando por um Android mesmo.

    Lembro que, em pelo menos uma oportunidade, um software com padrões proprietários teve de aderir – ainda que não completamente – aos padrões universais para não perder (ainda mais) participação no mercado: o Internet Explorer. Até 2006, a maioria dos sites era desenvolvida com foco apenas no navegador da Microsoft. Eram poucos os desenvolvedores que testavam o site em outros navegadores – os chamados “IE only”. E ainda colocavam no rodapé do site: “Melhor visualizado com Internet Explorer”. Ou seja, se o internauta utilizasse outro navegador para visualizar o site, algo não iria funcionar como previsto. Lembro-me que nessa época eu usava o Internet Explorer 6 e me recusava a migrar para o Firefox – o que acabei fazendo somente mais tarde.

    Os tempos mudaram quando houve uma “conscientização” e uma profissionalização na criação de sites seguindo os padrões da W3C. E nessa o Internet Explorer levou a pior, pois os sites que seguiam os padrões abriam corretamente em todos os navegadores, menos no IE. Nessa época, os webdesigners vivam maldizendo esse navegador, devido ao trabalho extra de criar um site que funcionasse adequadamente nele. Resultado: a Microsoft teve que “se mexer” e tornar o seu navegador minimamente compatível com os padrões na versões posteriores.

    O que quero dizer com isso: que, às vezes, para que uma empresa se adeque aos padrões é necessário uma certa “pressão” vinda de algum lugar. Assim como os desenvolvedores de sites passaram a “enxergar” outros navegadores além do Internet Explorer, espero que, algum dia, os desenvolvedores de software também invistam mais em outros sistemas operacionais.

    Vou deixar para comentar outros pontos do texto em um comentário separado, para não ficar demasiadamente longo.

    • Fernando

      Lucas, também sou um “filho” da TI.

      Tenho mesmas posições sobre o Linux e WP.

      Aprendi muito, participei e usei muito o Linux, mas ao mesmo tempo que ganhava novas atribuições, a cada vez que mais aprendia a usá-lo, via que parecia cada vez saber menos. Tinham coisas que fazia nele uma volta imensa, e que no Windows levaria alguns cliques. Nada disso é ruim ou pior, tudo tem um motivo de ser assim conforme o interesse de quem o fez, mas para o meu uso e finalidades acabei aprendendo bastante mas não usando comercialmente tanto assim.

      O WP da mesma forma não era tão prático vendo essa questão de aplicativos, que de vez em quando até chegam a ele, mas com certa demora. Grande vantagem dele é que assim como o iOS e os Apple, o hardware é certificado para ele e a chance de problemas é menor.

      A situação dos sites “IE Only” era típica, vivo com muitos sites diferentes e problemas deles, e hoje vejo problema inverso, por incrível que pareça: há alguns sites sendo desenvolvidos com recomendação de serem abertos no Chrome ou Firefox, senão algumas funcionalidades podem não funcionar. Também pelo motivo das várias versões do IE serem também um tanto diferentes, inclusive alguns sites já dizem não funcionar mais no IE8(última versão que o XP permite instalar).

      De maneira geral isso tudo é uma percepção pelo que vivemos em épocas mais afastadas e é claro que devemos estar preparados para o futuro. Mas se não nos lembrarmos de alguns erros, eles podem ser repetidos.

      • Fernando, por isso mesmo que quando se desenvolve, busque as soluções mais abertas possível.
        Quando eu estava na minha empresa de software cansei de brigar com meus sócios por causa do desnvolvimento em Visual Basic. Nosso aplicativo tinha 1 milhão de linhas. Muito trabalho numa linguagem proprietária. Não deu outra. Bastou o desenvolvimento web e os desenvolvedores VB ficaram chupando o dedo. Tivemos que migrar tudo a toque de caixa para Java. Aí aproveitei para implantar outras duas mudanças importantes: forte aderência na programação orientada a objeto e programação em camadas, com separação entre interface, aplicação e banco de dados. Mudou tudo da água para o vinho.

    • CorsarioViajante

      Ótimo post. Sò faço um adendo sobre o WP, vale a pena ver que aplicativos deseja, pois quase todos os principais aplicativos para o usuário comum (como eu) já estão disponíveis e estáveis para ele, com exceção do Waze que é muito bugado por birra do google! rs

  • Carlos Miguez – BH

    Este artigo me lembrou de 02 (duas) coisas:
    1ª – os “pubs” británicos mantinham, até poucos anos atrás, cada qual com seu próprio sistema de medidas para venda de bebidas. Um copo de Whisky em um pub não tinha a mesma quantidade do vizinho; nem o mesmo preço. Mas agora isto é passado;
    2ª – outro artigo do AUTOentusiastas sobre a convergência tecnológica demostra cabalmente que as melhores soluções terão continuidade e aperfeiçoamento da filosofia que às norteou.

  • Fernando

    Parabéns AD, mais um excepcional post!

    Eu devo ser muito limitado na minha percepção, mas vivendo há um bom tempo com TI nunca compreendi a opção de alguns(aqui no Brasil eram só alguns, nos EUA tinha uma legião forte) para os Macintosh. Era algo meio inexplicável para mim(muito novo) e que só compreendi com os demais lançamentos da Apple.

    Coisa parecida com alguns produtos da Sony, como os MD ou câmeras ou demais produtos que usem o MemoryStick(um cartão bem caro para a capacidade), nunca tive coragem de encarar comprar um deles.

    Quem era chegado a hardware há uns 15 anos atrás viu uma derrapada parecida quando a Intel lançava o Pentium 4, que independente de alguns problemas com ele, também obrigava a comprar memórias de um padrão fechado e de uma empresa só que o havia criado, chamavam Rambus… depois de muita pressão e desvantagem financeira acabaram aderindo ao padrão da época e mais tarde ao que a AMD criara em conjunto com outras empresas, onde nascia o padrão de memórias DDR.

    Outra coisa que me lembrei foi do quanto as fabricantes dificultaram o overclock. Na época dos 486 se podia configurar em diferentes velocidades como se fosse exatamente um outro modelo mais caro, afinal o hardware dele era idêntico, somente era rotulado como sendo outro modelo. Mesmo após isso também, mas foi nos primeiros Pentium que inseriram a trava no “multiplicador” para dificultar que isso fosse feito.

    O exemplo das atualizações do iOS para mim são parecidas com o que acompanhei ocorrer com o MacOS: o casamento do software com hardware oferece vantagem em padronização, estabilidade e poucas variações que possam vir a apresentar problemas. Mas a atualização nunca é feita para o hardware mais antigo, e assim ele fica sempre bem mais “pesado”. É a obsolescência programada, fantasiada de vantagem.

    As ofertas e vantagens do “carro conectado” são coisas das quais muitos dependerão por N motivos, mas já que até um celular já cumpre com tudo que precisamos e ainda muitas outras funções, prefiro que ele no meu bolso faça isso, e nós dentro do carro vamos continuar usando como um carro mesmo, pelo menos é o que pretendo para os próximos anos…

    • Fernando, há 15 anos eu era Integrador Intel certificado. Lembro do enrosco da RAMBUS. Mas o fiasco do Pentium 4 não ficou só na memória. Ele era uma frigideira ambulante.

      Tive um P4 HT de 3 GHz com placa mãe Intel. Era um canhão na época. Mas depois de 2 ou 3 anos de uso, simplesmente cismou de não ligar mais. Pifou por estresse térmico.

      • Lucas dos Santos

        Vale lembrar também dos famigerados Pentium 4 Prescott, “carinhosamente” apelidados de “PresHOT”!

        Tive um Celeron D com essa arquitetura e sofri bastante com o aquecimento. Não cheguei a ter problemas mais sérios, mas no verão era torturante usar o PC enquanto o cooler box “berrava” na minha orelha! Quando eu queria assistir vídeos eu tinha que aumentar o volume para poder ouvir!

  • Lucas dos Santos

    Quanto à questão da segurança dos sistemas operacionais, é bastante complicado. Ninguém quer admitir que o seu sistema é potencialmente inseguro.

    Certa vez um colega me disse que não aguentava mais pegar vírus no Windows e iria partir para a “solução definitiva”: estava juntando dinheiro para comprar um Mac!

    Lembro-me que a Microsoft estava em dúvidas se deveria ou não incluir um antivírus no seu sistema operacional. A empresa acreditava que, se o fizesse, estaria admitindo que o seu sistema operacional era inseguro. Até que, depois de muita indecisão, ela lançou o seu próprio antivírus, o Microsoft Security Essentials. Somente a partir do Windows 8 é que o sistema passou a vir com o antivírus já embutido – que passou a se chamar Windows Defender.

    Eu costumo dizer que os sistemas de hoje são bastante seguros. O problema é que muitos usuários, ingenuamente, caem nos golpes de “engenharia social” e, dessa forma, “abrem as portas” do sistema com as próprias mãos! Mas aí entra a falta de conhecimento do usuário. Não adianta nada deixar para que ele decida se deseja permitir que determinado programa “faça alterações” no sistema, se o usuário não faz a menos idéia do que está acontecendo e clica em “Sim”! Nesse ponto, ainda falta o sistema operacional evoluir o suficiente a ponto de poder tomar essa decisão pelo usuário.

    • CorsarioViajante

      Bem, eu acho que existem brechas de segurança do “sistema”, ou seja, que ocorrem sem nenhum controle do usuário, e existe perfil de risco, gente que não toma nenhum cuidado nem tem bom senso e depois reclama.
      É como comparar uma doença que se transmite pelo ar, portanto sem controle, com uma pessoa que faça sexo sem camisinha de forma constante e sistemática.

      • Lucas dos Santos

        Exatamente. Obviamente que existem as brechas. Basta lembrar dos famosos vírus Sasser e Blaster, que infectavam as máquinas das pessoas só de conectá-las à internet!

        Mas, em geral, eu costumo ver que a maioria das “brechas” estão “entre o monitor e a cadeira” e ao alcance do mouse! Pessoas que recebem um e-mail se passando pelo banco e acreditam piamente, sendo levadas a clicarem no link fornecido ou executarem o arquivo em anexo. E aí, uma infecção perfeitamente evitável se o usuário tivesse bom-senso, acaba ocorrendo e causando todo tipo de transtornos.

  • RoadV8Runner

    Resumindo, essa onda de manter tudo conectado gera muito mais aborrecimento do que benefício. É assim que vejo essas coisas. Por exemplo, eu fico irritado cada vez que ligo a Internet em meu smatphone (ela fica desligada, só ligo quando preciso me conectar a algum site) e recebo zilhões de notificações de Facebook, Instagram, e-mail etc. etc. etc. Já desinstalei vários aplicativos justamente para me ver livre dessas aporrinhações. Quando eu quiser saber de alguma novidade, acesso o respectivo aplicativo e ponto final!
    No momento que o carro-internet se tornar realidade, vou ter o imenso prazer em manter o sistema devidamente desligado, sem uso jamais. Sequer vou querer saber que raio de software o sistema roda. Quando quiser me conectar à Internet, uso os dispositivos tradicionais. E longe do carro…

  • Lucas dos Santos

    Pois é. Hoje em dia, todos – ou quase todos – os desenvolvedores de sites seguem os padrões e há quem prefira recomendar utilizar outros navegadores que não o Internet Explorer a perder tempo fazendo ajustes por conta de um único navegador.

    Até o IE 8 ainda havia muita incompatibilidade com os sites. Somente do IE 9 em diante que a Microsoft começou a se focar em respeitar os padrões do W3C e nessas versões mais recentes não há tantos problemas.

  • Cesar Augusto

    Andre,
    Já que o assunto é compatibilidade, podíamos mandar este texto para os nossos gênios (governantes). Imagine um país que utiliza um combustível que ninguém mais utiliza (adição de 27% de álcool na gasolina). 2 Sistemas de fornecimento de energia elétrica ( se saio de Brasilia 220V e vou para Belo Horizonte 110V, tenho que trocar a metade dos aparelhos elétricos, em casa tenho que usar um transformador na impressora). Um país que possui dimensões continentais e anda ao contrário do resto do mundo tendo como seu principal modal de transporte, o rodoviário sendo que uma das causas é que as bitolas entre estados são diferentes.

    • Caio Azevedo

      Bitolas dos trilhos, certo?

    • CorsarioViajante

      Opa, esqueceu do incrível “novo padrão de tomada”, que conseguiu nos isolar do resto do mundo para padronizar o sistema mas… Tem dois tipos, o “pino grosso” e o “pino fino”. É o cúmulo da idiotice.
      Ah, vou além: não tem sequer um controle de emissão de identidades em nível federal, podendo uma pessoa ter várias identidades, uma por estado.

    • ClaudeSpeedIII

      E o Metrô de São Paulo então, que teve 3 linhas com intercompatibilidade total entre frotas por ser tudo 1.600 mm de bitola com terceiro trilho por contato inferior em 750 Vcc, para inventarem de fazer uma quarta linha (que é a linha 5) com bitola standard (1435 mm) e alimentação por catenaria em 1500 Vcc e a mesma sinalização das outras três linhas. Depois fizeram a linha 4 (que é a quinta linha) com a mesma bitola e alimentação, porém com tuneis de dimensões incompativeis a linha 5, e com uma sinalização radicalmente diferente (inclusive pela natureza driverless). E agora decidiram chutar o pau da barraca com a PPP da linha 6. O Metrô fez projetos para bitola standard, porém deixou a alimentação a cargo da operadora, que escolheu obviamente o mais barato: terceiro trilho.

      Sem nem contar na escolha por monotrilhos, e pior: pelas duas linhas de monotrilhos em construção na cidade serem sistemas diferentes e incompatíveis TAMBÉM.

      Um absurdo escolher por engessar um sistema que é feito para durar centenas de anos, em detrimento de alguns trocos nos caixas públicos.

      http://marcusquintella.com.br/sig/lib/uploaded/producao/ESTUDO_DE_BITOLAS.pdf
      Felizmente o Rio de Janeiro fez a escolha certa: Vão manter o padrão deles na nova linha a ser construida

  • Lucas

    A internet das coisas é uma coisa que me preocupa. Se hoje, mesmo isso ainda não sendo tão realidade assim, as pessoas são tão relapsas na utilização de seus dispositivos conectados à internet, se descuidando de senhas (já vi gente repetindo em voz alta, dentro do banco, a senha do banco que alguém lhe dizia pelo celular), clicando em links enviados por e-mail, acreditando em boatos propagados pela web, deixando aquele APzinho da rede wireless sem senha, ou mesmo a senha padrão de modem ADSL, já explorada para ataques de falsificação de DNS, só para dar alguns exemplos simples, imagine num mundo hiperconectado, em que, com o IPv6 em pleno uso, dispositivos triviais como a geladeira ou um ventilador ou mesmo o próprio carro, se autoconfiguram para acesso a internet sem praticamente qualquer intervenção do usuário (se redes públicas abertas se disseminarem, o dispositivo imediatamente acha uma conexão e, no máximo pede alguma identificação do usuário, que muitas vezes ele poderá nem saber do que se trata) e ainda fica com um IP válido para ficar acessível de qualquer lugar do mundo (não que eu acredite que NAT seja segurança, pois não é) se não houver um firewall minimamente configurado. As pessoas que só se ligam nas facilidades vendidas e relegam segurança e privacidade a um segundo plano sofrerão muito. Para quem não for especialista em informática (ou não tiver um por perto) será um caos.

    • CorsarioViajante

      Mas eu acho que conforme a internet for ocupando mais espaços, também serão desenvolvidos melhores e mais simples sistemas de proteção. Acho que são coisas que caminham juntas.

  • Fernando Carvalho

    Kra, dentre as soluções adotadas acheria interessante o seguinte:
    A) A indústria automobilística adotaria uma inteface única para acesso aos seus recursos. Ex.: acesso ao controle do som, status da pressão dos pneus…)
    B) arquitetura física modular. Ex: escolheríamos o S.O. que quiséssemos apenas “espetando” um chip no painel do veículo. Semelhante a um pen drive.

  • Fernando, padronizar sempre é uma boa solução. Mas será que a indústria e os consumidores querem isso? Já pensou se a Mercedes quer um sistema no painel de seu carro top que seja idêntico ao do Palio pé de boi da Fiat?
    Sobre a opção B), isso não é bem uma novidade. Lembra do velho Atari? Ele era tão simples que não tinha nem sistema operacional. O jogo no cartucho era o “sistema operacional” do console.

    • Fernando Carvalho

      Mas, André, o que propus foi justamente detalhes que podem resolver o embate da indústria. Não precisa ser novo. Veja o ex.:
      Sou a Mercedes, adotei o padrão da interface única e cobro a Apple ou Google para meus carros já saírem com o chip de uma ou das duas.
      Quem tiver melhor S.O. e alinhamento com a marca automotiva vai “entrar” no mundo de veiculos e pode fazer um mercado em cima disso.

      Caso contrario, construa seu carro… como a Google ta fazendo.

  • Lucas, isso também me preocupa. E o pior. Quanto mais as máquinas fazem coisas complicadas pelas pessoas, mais elas acreditam que “sabem muito” sobre as máquinas. Isso dá uma sensação errada de controle e segurança sobre o sistema.

  • Corsario, aí é que está seu engano.
    Veja como é fácil colocar um roteador wifi na sua internet banda larga. Depois vá fazer um curso avançado de administração de redes TCP/IP e de segurança da informação. Volte e olhe o que o roteador fpacil de configurar faz para a rede funcionar com facilidade.

    Eu tenho alergia aos chamados “Wizards”.
    Quem começou com essa coisa foram Apple e Microsoft (computador precisa ser algo tão simples que até uma criança pode operar). Isso é até certo ponto positivo, mas tem um lado negativo oculto.
    Esses Wizards são scripts de configuração que foram projetados a partir de estratégias que sempre vão gerar configurações que funcionem. Mas tudo que é genérico tem perda de eficiência. Nem sempre a configuração criada pelos Wizards é a mais rápida e/ou a mais segura.

    Quanto mais as coisas forem automáticas sob a desculpa do usuário leigo, mais ineficientes e inseguros serão os sistemas.

    • CorsarioViajante

      Mas é mais ou menos isso que falo. No caso da internet, antes configurar uma conexão já era complicado. Hoje é muito mais simples e, imagino, mais seguro. Os próprios sistemas operacionais pediam muito mais informações e configurações que hoje nem aparecem nas abas “avançadas”. Eu lembro que conseguia deletar sem nenhum problema arquivos do diretório windows porque achava “inúteis”… rs

      • Fernando

        Segurança nesse caso é algo difícil de comparar, mas se for ver pelo lado de que hoje ser simples e seguro, na verdade é algo que parece ser assim, sendo que na verdade é muito mais complexo.

        Como o AAD disse, um simples roteador wifi é algo banal hoje, e que muita gente sai comprando e configurando e funciona facilmente. Mas principalmente se tratando de rede, é justo aí que a suposta simplicidade pode ser perigosa, por envolver diversas configurações que são de imensa importância mas que não são tidas assim.

        Como trabalho na área e antes de fazer alguns cursos específicos aprendi muito sendo autodidata, confirmo que há muito mais fatores a se considerar em algo aparentemente simples, quando ver de fato de que forma aquilo funciona. Não só em segurança, mas muito em compatibilidade, e também de possível geração de conflitos/incompatibilidades.

        Uma série de pequenas configurações aparentemente inofensivas geralmente são justamente onde aparecem as maiores brechas e possíveis fontes de problemas, até porque isso acontece em larga escala. Poucos vão querer pagar o justo a alguém capacitado a configurar adequadamente, quando é algo simples e que o sobrinho de 15 anos vive fazendo(mesmo que não saiba o que está fazendo).

        • Lucas dos Santos

          Realmente, onde há os automatismos, que deveriam facilitar a vida das pessoas, é onde aparecem as principais brechas de segurança.

          Apenas um exemplo disso é suficiente: o recurso “Autorun” ou “Autoplay” do Windows, que possibilitava executar automaticamente o conteúdo de CDs, DVDs e pendrives assim que inseridos no computador. Resultado: começaram a criar vírus de pendrive, que infectavam as máquinas só de serem inseridos nelas. Tiveram que mudar o funcionamento do recurso nas versões mais novas do Windows e desativá-las nas versões mais antigas.

          Mas, ainda assim, prefiro um meio-termo nisso. Pode haver configurações automatizadas, mas precisa haver também uma interface onde o usuário possa alterá-las facilmente. Ultimamente, tenho notado que alguns programas, em suas versões mais novas, simplesmente tem suas configurações avançadas ocultadas ou até mesmo removidas, só podendo ser alteradas através de comandos especiais. É a famosa técnica de “proteger o usuário de si mesmo”, dificultando que ele faça alguma alteração que possa causar problemas.

  • Lucas

    Pode ser, mas sempre tudo muito bem cobrado.

  • Cesar Augusto

    Sim. Falei das diferenças das bitolas dos trilhos de um estado para outro.

  • Lorenzo, leia de novo esta série de artigos e reveja a história da Apple. Ela é um bom exemplo para muitos fenômenos do estranho mundo digital.
    Ela sempre falou da relação de excelência entre hardware e software, certo?
    A adesão da Apple à arquitetura PC (melhor do que flar em arquitetura Intel) é relativamente recente. E o que arquitetura a Apple usava antes do PC? Ela usava Power PC, que mais ninguém usava. Todo custo de desenvolvimento de hardware, drivers, etc. era da Apple e a Apple estufava o peito para falar mal da arquitetura PC. Só que comparando desempenho bruto, os últimos Mac’s com Power PC estavam pelo menos 5 anos atrasados sobre os PC’s. E porque os PC’s estavam tão avançados? Porque cada um investia numa parte. Intel e AMD em processadores e chipsets; AMD e NVidia em placas de vídeo (lembra das placas Trident? Também eles…), e assim por diante. Cada PC que não fosse de linha de produção tinha uma configuração praticamente única. Era uma Torre de Babel. Mas a solução individual atendia adequadamente cada usuário. A Apple não consegue bancar isso sozinha. Ou ela adere à plataforma PC ou ela fica para trás. E onde fica a conversa de excelência em hardware? Foi pro ralo…
    Veja que ela investe pesado numa customização extensa da arquitetura ARM para iPhones e iPads. Isso leva ela para o mercado de nicho, assim como era nos tempos dos Mac’s Power PC.

    • Lorenzo Frigerio

      Como você disse, “comparando desempenho bruto”. O que a Apple oferecia era algo invisível, a desenvoltura no uso, devido à interface mais bem projetada. A qualidade da máquina, em geral, também era e é melhor, devido aos parâmetros mínimos exigidos. A falta de economia de escala obviamente ajudou a encarecer o produto final.
      Eu, da minha parte, sempre preferi coisas bem integradas e projetadas. Por isso, minha preferência pelo Mac. Você está comprando uma solução completa, e isso é bom para o consumidor. Infelizmente, tudo isso tinha um preço (hoje menor).
      A verdade é que para tipo de uso, há uma solução diferente. Na certa é bem mais barato, no Brasil, o cara montar um ou 2 PCs com a melhor placa de vídeo que existe para fazer renderizações ou edições pesadas de vídeo, do que comprar um MacPro “cinzeiro”, em que todos os componentes vêm integrados de um único fornecedor (Apple) que também é o importador, o que encarece barbaridade o produto.

  • Transitando

    O “novo padrão de tomadas” segue a base que o mundo todo deveria ter adotado (IEC 60906-1), mas os “grandes mercados” foram frouxos em aplicar o novo padrão, e aí fica nesta “zona” de adaptadores (principalmente para quem viaja ou adquire equipamentos importados e etc) – leia mais em: http://www.iec.ch/worldplugs/why_so_many.htm

    Toda mudança causa dor, mas iria doer uma vez só, ao invés de ficar doendo aos poucos, a cada vez que depara-se com tomadas ou plugues diferentes. Para “doer menos”, no período de mudanças dever-se-ia permitir o uso de adaptadores padronizados (para não obrigar trocar-se todas as tomadas), porém impedir a fabricação e comercialização de novas tomadas e plugues no padrão antigo, ou seja, quebrou uma tomada, já compra-se do novo tipo, e da mesma forma aconteceria com o ciclo comum de troca dos aparelhos domésticos – seja por defeito ou por desejar ou mais moderno, etc.

    E isto não tem nada de novo, veja: http://pt.wikipedia.org/wiki/IEC_60906-1#Refer.C3.AAncias

    A norma internacional é um pouco “velha”, então demos uma “atualizada” com os dois tipo de pinos, pois as tecnologias de fabricação de hoje permitem que as tomadas suportem uma maior carga (nada impede da norma internacional seguir este novo padrão – aproveitando que ainda é bom momento já que poucos países aderiram).

    Não tem nada de errado com os dois diâmetros de pinagem. Perceba que nem todo ponto de instalação tem a mesma capacidade de fornecimento de potência elétrica, e isto é muito comum em uma instalação elétrica residencial (um cômodo ter várias de suas tomadas para baixa potência). O que o Brasil fez foi adotar um pino com diâmetro menor para até 10A, que serve bem as instalações de tomadas comuns (para aparelhos elétricos de baixo consumo), e outro com diâmetro maior, para aparelhos com maior consumo. Com isto, se a instalação residencial seguir as normas, evita-se tentar ligar um aparelho de alto consumo em tomada (circuito) que não esteja preparado para tal, ou seja, e como exemplo, se na área de serviço possui uma tomada com pinos grossos, poderá ligar a secadora de roupas sem “desarme de disjuntor” (ou até um princípio de incêndio na tomada antes mesmo do desarme) e possível mal funcionamento. Porém, aqui a coisa é feia, e mesmo com ótimos padrões, nem mesmo os “profissionais” respeitam a polarização na instalação das tomadas, quanto mais diâmetros adequados para o tipo de circuito de determinado cômodo, correta distribuição de carga e proteções, circuito de aterramento, etc…

    Ah, e mesmo o aparelho doméstico não tendo consumo de potência elétrica máximo à exigir um plugue para 20A (10A ~ 20A), o fabricante assim o faz “provavelmente” para que seja utilizado em circuito preparado para esta alta carga. Se ele consumir 8A de pico e vier com plugue de 10A, o usuário vai querer colocar em circuito de cômodo que possa já estar no limite; vários outros aparelhos que poderiam ser ligados “ao mesmo tempo” juntamente com o de alto consumo neste hipotético cômodo com tomadas para até 10A.

    Este padrão de pinagem com duplo diâmetro poderia ser adicionado à norma internacional, pois tem a sua utilidade, pela segurança extra. Mas podemos perceber que o Brasil errou ao não adotar pinagens diferentes para diferentes tipos de tensões elétricas (voltagens), pois este problema existe, e nem tanto pela compra de produtos de outros países, mas principalmente por produtos comercializados internamente, onde tem-se regiões com tensão em 110V e outras em 220V – apesar que, no caso de eletrônicos, isto é quase desnecessário pela maioria hoje ter grande amplitude de tensão de entrada (90V ~ 240V), com auto-ajuste.

    O “nosso” tipo: http://www.iec.ch/worldplugs/typeN.htm

    Mais em:
    http://www.iec.ch/worldplugs/list_bylocation.htm
    http://en.wikipedia.org/wiki/AC_power_plugs_and_sockets#Comparison_of_standard_types

    Leitura extra: http://gizmodo.com/5391271/giz-explains-why-every-country-has-a-different-fing-plug

    E ainda existe o problema com os soquetes de lâmpadas que não seguem um padrão em todo o mundo…

    E isto tudo é feito com estudo apropriado, tendo o cuidado em tópicos como: riscos de choques-elétricos, mal-contatos, formação de arcos-elétricos, etc.

    Ah, e por falar em padrões, tem o sistema métrico, o de “mão-de-direção”, enfim, falta padrão no mundo, ou melhor, falta o mundo adotar os padrões já definidos como adequados. Certas coisas precisam ter padrão (não irão “ferir a cultura e história”), ainda mais em um mundo que deseja ser “globalizado”.

  • Ozirlei

    Acho que o segredo estará em padronizar a interface do carro com o dispositivo. O OBD-2 é o melhor exemplo. Teria que ser algo como o OBD-2 e que usasse o espaço de 2DIN. Poderia dar uma sobrevida ao carro apenas trocando essa Central.

  • Transitando

    Este “povo” da indústria automobilística, se quisesse, poderia unir-se em um consórcio/fórum para desenvolver os padrões de comunicação e API. Dá para isolar o núcleo do mundo externo (internet), não é impossível – por exemplo, na aviação, mesmo o sistema de entretenimento fornecendo alguns dados de navegação – retorno de informação – para o passageiro (localidade e velocidade atuais), o passageiro não vai conseguir controlar ou provocar algum tipo de pane no sistema central do avião (quem sabe um piripaque e até controle isolado do sistema de entretenimento). E dá para proteger bem o software do acesso malicioso, físico e direto (via porta de dados), proteção maior do que o sistema de freios do automóvel possui, onde um “fulano” pode deixar os tubos flexíveis do fluído hidráulico um tanto “propensos à falha”, ou quem sabe pode ser o seu cachorro, ou um rato…

    Que “paguem” ao pessoal da comunidade de software para desenvolver o Kernel da coisa, pagando tanto pelo desenvolvimento contínuo, como pela manutenção contínua – a comunidade é rápida, é muita gente “trabalhando” (rapidamente uma brecha poderá ser consertada). Um único sistema cumula esforços para ser explorado, porém da mesma forma os esforços para ser sanificado também serão enormes, concentrados – vai ficando cada vez mais polido com o tempo (isso se tudo for bem feito, refeito, revisado, sem POG – Programação Orientada a Gambiarras).

    O problema é que agora eles enxergam um mercado nisto. Querem vender a informação que você produz por si para outros, isto mesmo, chegando ao nível da individualidade. Ah, e querem vender serviços, pois a nova onda é vender serviços, pois o fluxo constante de dinheiro facilita as estimativas financeiras – e de moedinha em moedinha o consumidor nem sente. Já não basta o “aluguel” que você paga para usar o automóvel que comprou, ainda querem ganhar mais – sim, aqueles valores exorbitantes das peças de reposição, (custam muitas vezes mais do que “valem” quando fazem parte do valor total veículo “0km”), mão-de-obra, e amarras dos contratos de garantia, que com “cláusulas leoninas” anulam a garantia de um item que não possui relação com outro somente por conta de um serviço “fora de sua rede”. Pois é, é um aluguel, e cada vez que o prazo de garantia cresce, maiores são as amarras – e menores os prazos entre manutenções “pagas”, com valores pequenos, ou melhor diluídos entre as constantes “intervenções”, assim o consumidor não sente o aluguel.

    Quem quiser que trabalhe com a API, com entrada e saída de informações controladas. O fabricante do automóvel deverá desenvolver a sua interface com o usuário para todo o hardware e função inerente e que acompanhe ao automóvel (desde o sistema de ar-condicionado até o rádio), e deixar a opção do usuário espelhar o sistema de seus smartphones, e aí cada qual que desenvolva algo “extra” para os automóveis respeitando a API e, inclusive, a linguagem visual da marca do automóvel (assim como quem desenvolve softwares também estão sendo cobrados a seguir certas diretrizes de código e de design). A comunicação dos “aplicativos” passará por camada extra, sendo esta camada o sistema operacional/framework direcionado para o uso veicular. Assim o fabricante do automóvel, ou melhor, o seu consórcio de software, conversa sobre as especificações com estes desenvolvedores de sistemas operacionais de smartphones que desejem desenvolver algo voltado para os automóveis (que farão papel de front-end), e os desenvolvedores de Apps conversam – e desenvolvem – com o pessoal dos sistemas operacionais de smartphones, seguindo suas especificações.

    Tudo bonito, tudo funciona, porém…

    Eles possuem a faca e o queijo na mão, nós não. Podem disfarçar a aquisição de informação pessoal cedendo algum benefício extra, na qual pequena minoria perceberia esta aquisição maliciosa, e ainda assim, destas que perceberiam, muitas diriam:
    – Quem não deve, não teme….

    É tudo fechado [o software], como sempre. Ninguém de fora pode auditar, e só da para descobrir alguma coisa quando eles são pegos de calças curtas pelo excesso de confiança, pensam somente no tipo de usuário comum (padrão), e esquecem que sempre poderá existir alguém com espírito hacker a investigar.

    Olhem aqui como a mesa pode virar e deixar o consumidor irritado no futuro:
    http://idgnow.com.br/ti-pessoal/2015/02/08/vencedor-do-hackathon-da-ford-na-campus-party-ganha-fama-e-um-novo-ka/

    Leram? É uma espécie de “ditadura eletrônica”. Mesmo que você ande na linha, dentro dos padrões estabelecidos, ainda poderá ser considerado como “alguém de atitudes não desejadas”, de alto risco, apesar de legais (dentro dos limites legais). Por um lado, parece justo o que anda devagar pagar menos por aparentar correr menor risco, e não vai pagar o mesmo valor só porque faz parte da faixa/grupo de pessoas com alto potencial para maluquices – apesar que, quantas vezes os “lentos” provocam “as fechadas” e os outros motoristas que se virem pisem com força no freio, seguindo eles “suavemente”, como se fossem motoristas atenciosos no trânsito, e assim, aos “novos olhos da vigilância”, ainda passarão por bons motoristas. E ainda ocorrerá o fenômeno da “lombada eletrônica” (motoristas que passam à metade do limite de velocidade ou menos), com cada vez mais as pessoas andando cada vez mais devagar porque pagarão menos na renovação do seguro – ou vocês acham que as seguradoras irão incentivar o público a andar mais rápido, pois chegou-se em limite insuportavelmente lento? Elas irão bater palmas, pois continuarão cobrando altos valores mesmo que os riscos e os prejuízos em acidentes sejam cada vez menores por conta da baixíssima velocidade – e a depender do “prejuízo financeiro” do acidente, as pessoas nem “acionam o seguro” e pagam do seu bolso, não é mesmo? Pois é…

  • Newton ( ArkAngel )

    Um ótimo exemplo de padronização com vantagens para todos apareceu mais ou menos no começo da década de 1980 nos EUA, trazidas pelos carros japoneses.
    Naquela época, os americanos notaram que começava a haver a tendência de que a maior fatia dos lucros em uma concessionária viesse justamente do setor de assistência técnica, ao invés do setor de vendas, porque os consumidores já não trocavam de carro tão frequentemente. A venda de um veículo novo representava a chance de futuros lucros, maiores e mais frequentes do que de uma venda. Então, o carro passava a ser considerado uma simples plataforma em cima da qual venderia-se de tudo, desde autopeças até acessórios, passando por uma infinidade de produtos. É sabido por quase todos que se comprássemos todas as peças de um carro individualmente, o valor gasto seria muito maior do que o carro já totalmente montado.
    Os japoneses perceberam isso também, só que levaram a idéia mais longe. Fabricavam e ainda fabricam veículos com qualidade excelente, que duram muitos anos, DESDE QUE faça-se a manutenção corretamente. Porém, a mão de obra da concessionária é cara, e um salário de um mecânico nos EUA também não é barato. O que fazer então?
    Começaram melhorando a acessibilidade do conjunto mecânico, e padronizando parafusos, sistemas de montagem, etc. Poucas chaves e ferramentas são necessárias para mexer em um carro japonês.
    Uma curiosidade : carros japoneses não possuem parafusos de 13mm., ou é 12 ou 14mm. Se houvessem parafusos de 13mm., fatalmente os mecânicos iriam usar chaves de 1/2 polegada, (12,7 mm.), já que a polegada era o padrão americano na época. O resultado seria parafusos estragados, o que denegriria a imagem do fabricante, que poderia criar fama de usar peças ruins.
    Tudo isto resultou em diminuição do custo da mão de obra, mantendo os clientes fidelizados às oficinas das concessionárias, e a grande maioria lucrou com isto, até mesmo os reparadores independentes, que lidavam com um veículo fácil de consertar e que periodicamente retornava à oficina, pois os proprietários dos mesmos ficavam muitos anos com o carro.

    • Newton, ainda me lembro de uma aula do curso técnico de eletrotécnica, onde o professor dizia que um bom projeto não contempla apenas o bom funcionamento do sistema, mas também a facilidade de manutenção. Um sistema onde a acessibilidade e a compreensão do funcionamento são difíceis para os técnicos de manutenção é tão ruim quanto um projeto com mau funcionamento. Isso tem mais de 30 anos.

      Aí vieram as novas gerações de carros.
      Tem carros que a minha mão nem entra dentro do cofre do motor…

  • Lucas dos Santos

    E nem precisa instalar. A maioria da distribuições – como o Ubuntu – podem ser executadas diretamente de um pendrive, sem prejuízo às configurações do computador.

    Usei muito isso e só instalei o Linux no HD quando eu estava totalmente adaptado ao sistema.

  • Lucas dos Santos

    Rodar o OSX em PCs, ao menos teoricamente, não é impossível. É o que chamam de “Hackintosh”.

    Não tenho muito conhecimento sobre essa técnica – apenas “ouvi falar” -, portanto não sei como ficam os drivers nessa história…

  • Transitando, vc tocou em alguns pontos da próxima parte.

    Veja que grandes empresas do ramo da informação (Google, Apple, Microsoft) vem investindo pesado no desenvolvimento de gadgets e softwares para monitoramento da saúde. Muitos estão aplaudindo.
    Mas e se o objetivo não for me oferecer uma melhor saúde, mas dados para os planos de saúde que podem negociar valores mais altos do plano caso eu tenha alguma doença pré-existente?

  • ClaudeSpeedIII

    Então, cara… É justamente o ponto ahsuahushausha
    Ultimamente eu tenho preferido soluções o quanto mais out-of-the-box imaginaveis, devido a “disposição” mesmo. O Debian sempre tendeu aos pacotes serem antigos em pró de manter tudo em um ecossistema fechado porém estavel e seguro, mas claro que vai ter aquela aplicação que PRECISA de intervenção, o que nunca foi problematico até implementaram o multiarch. Depois disso, rodar um binario pra i386 não é mais só uma questão de instalar o ia32-libs… Pra uso de desktop, broxou totalmente, pois vai mó cota pra instalar o Skype e a Steam, pra na verdade você quebrar o sistema migalha a migalha… Tenho esse computador (//DATACENTER) que roda Debian Wheezy e me serve de NAS com samba, além de rodar o CUPS, o Sane além de umas tralhas no Apache. Sempre ficou ali ligado no canto dele. Até que me roubam o notebook que era meu PC principal… 7 meses usando linux e apenas linux como desktop. O que foi bom pois melhorei bem minhas skills no GIMP e Blender (faço Jogos Digitais na PUC), mas também foi ruim pois tinha matérias que precisava dos programas da Autodesk, além da Unity, e nesses momentos você sente o drama de usar Linux e apenas Linux… Felizmente montei um desktop e aquela joça voltou a sua função de ficar esquecido no seu canto.