Woman driv huffingtonpost.com  Mudar de faixa, direito de todos? Veja bem... Woman driv huffingtonpost

Recentemente Bob Sharp escreveu uma matéria sobre as infrações que deveriam ser melhor fiscalizadas e vários leitores mencionaram a falta de uso da seta para mudar de faixa aliada à falta de atenção ao fazer isso. Pessoalmente, é uma das coisas que mais me irritam no trânsito, pois é tão fácil fazer as coisas corretamente que não vejo desculpa para o comportamento errado ou relapso. Acontece que sinalizar não é passe livre automático para fazer isso, como ele bem explicou. É um sinal de intenção de que se quer mudar de faixa. Daí o título de hoje “Direito de todos? Veja bem…”. Sim, pode-se mudar de faixa, mas sob certas condições — como, de resto, várias outras coisas no trânsito e na vida em geral. Pois é, continuo filosofando, pelo visto não parei na semana passada.

Quando aprendi a dirigir, meu pai e meu famoso tio César me ensinaram uma dica boba para saber para que lado tinha de virar a alavanca da seta. “Para o mesmo que você vai esterçar o volante”. Simples assim. A mão que vai virar a direção para a direita “levanta” a seta para que a luz indique que se vai virar para o lado direito. Claro que a maioria dos homens nem se faz essa pergunta pois não tem esse problema de direção, mas embora sempre ouça que dirijo como um homem (fico muito orgulhosa disso, tenham certeza) eu tinha lá minhas dificuldades com senso de direção quando aprendi a dirigir. Como a maioria das mulheres, aliás. Mas consegui superar isto e não faço como uma amiga minha, que chama a esquerda de “a outra direita”.

Mas voltemos à questão da seta. O problema é que muita gente faz disso uma única manobra. Saber que a mão para dar seta “acompanha” a direção do volante não quer dizer que se deva fazer tudo isso junto, o que parece ser o problema de muitos motoristas. Antes de mudar de faixa, deve-se olhar para ver se isso é possível, se a distância dos demais carros permite que a manobra seja feita com segurança e, claro, sinalizar.

No caso de São Paulo, por exemplo, mudar de faixa, poucas vezes é um direito de todos. Os motoqueiros têm certeza absoluta de que só eles podem fazer isso e impedem que os carros o façam, circulando apenas entre as faixas e mesmo quando vão seguir em frente ou mudar para a esquerda, não deixam que um carro vá para a direita. Claro que tem os infelizes dos motoristas que não sinalizam e/ou não verificam se realmente podem mudar de faixa e acabam fechando alguém, mas é impressionante como dá trabalho mudar de faixa em vias expressas quando se têm de disputar o famigerado corredor com motoqueiros. E notem que sou fã de moto e, diga-se de passagem, refiro-me especificamente aos motoqueiros, pois motociclista não faz isso. Qual a diferença entre os dois? Uns 400 centímetros cúbicos de cilindrada…

Posso dizer que sou uma verdadeira turista acidental, pois várias vezes fui parar onde não queria simplesmente porque não consegui ir para o lado a tempo e com segurança. Conheci cada lugar! Nem sempre recomendáveis, frise-se. Certa vez, trafegando pela 23 de Maio em direção ao Centro não consegui ir para a direita para sair na alça que dá acesso à Praça da Sé e fui obrigada a ir até o Anhangabaú e mais um pouco para voltar. E olha que já vinha há um par de quilômetros dando seta e tentando ir para a direita. Mas, nada. Em São Paulo temos uma rádio que só dá informação sobre o trânsito 24 horas por dia, a SulAmérica Trânsito, e certa vez ouvi uma mulher pedindo ao jornalista que solicitasse aos motoqueiros que lhe deixassem mudar de faixa. Tragicômico, mas várias vezes me vi na mesma situação, pedindo a papai do céu que me ajudasse. Por falar em rádio, incrível o que os motoristas paulistanos ouvem no carro — música faz tempo que não entra no cardápio quando se está dentro da cidade. E tem gente que ouve SulAmérica Trânsito mesmo quando está em casa e não atrás do volante. Sei lá, deve ser para se divertir com o sofrimento alheio…

Assim, mudar de faixa no Brasil é que nem andar de metrô no horário de pico. Já me impediram de descer na estação que eu queria e já me desceram na que não queria. Pois é, problemas de ser prejudicada verticalmente, vulgo, ser baixinha, e meio pequena. Se fosse jogador de rugby garanto que ninguém ia se meter comigo e teria conseguido abrir espaço no meio da multidão. Mesma coisa se dirigisse um Hummer. Mas no mundo real acabo indo aonde não quero e me socorrendo do Waze para ver onde cargas d’água tem um retorno. O que mais escuto no meu celular é “recalculando rota”.

E alguém pode me explicar por que tantas mulheres freiam ao mudar de faixa? E quando digo mudar de faixa é em qualquer direção, ou seja, mesmo quando entram numa via mais rápida do que aquela em que estavam. Um verdadeiro perigo. Claro que muitos homens também fazem isso, mas na minha observação pseudo-científica de quem dirige muito e gosta disso, é o que notei.

Uma coisa que vi na Áustria e na Alemanha e adorei é a sinalização “dupla” em vias de sentido único que impede que se mude de faixa em determinadas situações, mesmo quando todo o trânsito vai na mesma direção. Pela foto fica mais fácil de entender:

 

Autobhan Nora  Mudar de faixa, direito de todos? Veja bem... Autobhan Nora

Jeito simples e eficiente de organizar o trânsito (foto: autobahn-by-Dirk-Vordestrasse

Vejam que aqui quem entra na estrada em velocidade mais lenta não pode (OK, no Brasil só poderia dizer “não deve”) ir para a faixa à sua esquerda. Como tem uma saída logo adiante, nesse caso pode-se mudar de faixa para a direita, mas às vezes em trechos de estrada a faixa contínua vale para os dois lados por algum tempo. Uma forma simples e eficiente de organizar o trânsito e fazê-lo mais seguro, pois impede que quem vem mais devagar entre na frente de quem já ganhou velocidade. E é só uma demão de tinta.

Mudando de assunto:para saciar a curiosidade dos meus caros leitores. Sou bisneta de bascos franceses (de perto de Biarritz) e neta de espanhóis (bem… galegos de Vigo e de La Coruña) por parte de mãe, e neta de italianos (do Norte, de Gênova, porque calabreses ou sicilianos já seria demais) por parte de pai. Nasci e fui criada em Buenos Aires mas aí já era muito para uma pessoa só e tive de fazer um upgrade, segundo meu marido: me naturalizei e casei com um brasileiro. Claro que falo perfeitamente espanhol e português, mas me frustra não conseguir falar a língua do pê em português. Já em espanhol, sou superfluente, o que é totalmente inútil a não ser que esteja falando com uma criança argentina.

NG

Foto de abertura: huffingtonpost.com
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Paulo Roberto de Miguel

    Muito bem! Concordo com tudo. Agora, por que as mulheres (e muitos homens, como você bem citou) freiam para mudar de faixa permanece um mistério. Acho que vem da noção errada de que frear é o mais seguro a se fazer em qualquer situação, sem entender que a fluência é o aspecto mais seguro do trânsito (velocidade é um “perigo”, sabe?) Há diversos outros comportamentos que também escapam à minha compreensão. Por exemplo, por que abrir a curva (chegando a invadir) a outra faixa ao convergir para o lado contrário (tipo caminhão ou ônibus)? Por que se posicionar fechando uma saída à direita ou esquerda quando o semáforo está fechado? Como diria o neto do avô Rai: “Mistérios da meia-noite que voam longe…”

    • Lucas dos Santos

      Tentando responder aos seus questionamentos:

      Por que abrir a curva (chegando a invadir) a outra faixa ao convergir para o lado contrário (tipo caminhão ou ônibus)?

      Falta de agilidade no volante. Ao manusear errado a “roda de direção”, a pessoa não consegue esterçar o suficiente, fazendo com que o carro “espalhe” no final da conversão. Para evitar isso, preferem abrir a curva antes e, virando pouco o volante, conseguem converter na faixa desejada.

      Por que se posicionar fechando uma saída à direita ou esquerda quando o semáforo está fechado?

      Porque, na maioria das vezes, sequer percebem que há uma saída ali! Ou é pura falta de cordialidade mesmo. A pessoa não tem o costume de dar a vez para facilitar a vida do próximo.

      Fique bem claro: NÃO estou *justificando* essas atitudes, mas apenas tentando explicar o que leva à elas.

      • Lucas dos Santos

        Tinha esquecido de citar um outro “hábito” decorrente da falta de habilidade em curvas: quando o motorista reduz excessivamente a velocidade – até quase parar – antes de fazer uma conversão.

        Tudo porque a “criatura” não consegue virar o volante com agilidade suficiente para fazer a conversão em uma velocidade aceitável. Aí tem que reduzir a velocidade para “dar tempo” do volante chegar ao ângulo necessário de esterçamento! Parece um absurdo o que estou afirmando, mas é a realidade!

        Considerando que o trânsito está cheio de pessoas distraídas, não é difícil uma atitude dessas provocar um engavetamento!

      • Paulo Roberto de Miguel

        Entendi que não foram justificativas, Lucas. As minhas perguntas na verdade foram retóricas. Sim, os motivos de todas essas coisas horrorosas que vemos no trânsito todos os dias são apenas três: falta de atenção, falta de habilidade e falta de civilidade.

  • Mr. Car

    Além dos que sinalizam no momento de fazer a mudança e não com antecedência, para comunicar a intenção da manobra, outra coisa irritante é quem sinaliza e não muda. Muitas vezes você quebra seu ritmo, tira o pé para permitir a manobra do sujeito, e ele não faz.

    • Nora Gonzalez

      Mr Car, irritante, mesmo. Tem gente que anda quilômetros a fio com a seta ligada e parece nem ouvir o “plac, plac” nem ver a luz piscando no painel. Meu carro tem uma prática seta “curta”, de apenas uns três piscas, para mudanças de faixa, por exemplo. E aí desliga sozinha. Bem bolada, mesmo. Abraços.

    • Acyr Junior

      Tens razão meu caro, tem muito motorista que não dá seta: ligam o “fecunde-se” (ok, vc entendeu) e vem para cima como se não existisse trânsito fluindo …

  • Evandro

    Huum, você veio pra Ribeirão Preto, minha cara ?

    Eu brinco que aqui o pessoal acha que usar a luz de seta tem o mesmo efeito do cajado de Moisés, o trânsito vai se abrir exclusivamente para eles entrarem, igual aquela cena do filme “Todo Poderoso”.

    Isso explica o motivo da maioria não usar o dispositivo por estas bandas.

    Isso é um sintoma de outro mal que acomete o trânsito de vários lugares: não planejar e prever as ações futuras.
    Em trânsito carregado, como você citou no turismo acidental, a história é outra, mas o que vejo de gente que não tenta antecipar seus movimentos, como uma conversão (ficando assim na faixa errada e precisando cortar a frente de vários outros motoristas), é inacreditável.

    Não observam que semáforos estão fechados adiante, que existe um ônibus municipal parando em vários pontos (e frequentemente impossibilitado de fazê-lo pois vários “lindos” estacionaram no ponto), que há um carro sinalizando que vai entrar em algum lugar ou vai estacionar, que existem veículos num acesso de uma rodovia e que isso fará o veículo da pista da direita ir pra esquerda, e por aí vai.

    No geral, as pessoas acham que o trânsito está ali unica e exclusivamente para servi-los, e que não existem outros veículos e outros condutores por aí.
    Motoqueiro parece elevar isso com o número de Avogadro..

  • Avatar

    Nora,
    O problema é que aqui no Brasil as coisas erradas vão ficando, ficando, ficando, até que passam a ser “direito adquirido”. Motoqueiros acham que andar no corredor é “preferencial”, quando na verdade estão dividindo a mesma faixa com um veículo. Como ninguém com autoridade deteve essa prática (lembre-se, no Brasil, só velocidade é causadora de acidentes…), hoje em dia a maioria acha que tem preferência sobre os carros ao andar no corredor, o que NÃO é verdade. Esses motoqueiros esquecem ou não se dão conta por pura ignorância que os motoristas de automóveis ainda tomam algum cuidado para não invadir o corredor inadvertidamente somente porque poderão colocar em risco uma vida humana – mesmo que às vezes pensemos que aquela não vale muita coisa devido à quantidade de palavrões proferidos.

    Não sou contra aproveitar melhor o espaço e utilizar o corredor, mas da forma como vemos no nosso dia-a-dia, com veículos se deslocando a mais de 60 km/h, deveria ser fiscalizados sim. Os motociclistas, de forma geral, deveriam se utilizar do corredor somente quando o trânsito estivesse congestionado com carros parados ou andando vagarosamente. Eu mesmo possuo CNH para moto também e faria isso caso tivesse uma (utilizar o corredor com o trânsito LENTO ou PARADO). Por conta dessa atitude suicida de andar a 20 cm entre carros que estão se deslocando rapidamente é que não tenho nenhuma dó quando vejo um desses caído na avenida.

    O que falar então quando o corredor vai se estreitando e resolvem que podem entrar na sua frente tirando tinta do seu para-choque? Para mim, isso é a mesma coisa que andar pelo acostamento e na primeira interrupção querem voltar livremente à faixa de rolamento apertando quem vem normalmente. E quando andam pela contramão como se fosse a coisa mais normal do mundo (afinal de contas, isso não é infração, pois na cabeça deles deve haver um CTB exclusivo para motos onde tudo isso é permitido) e tem certeza que ao retornar à faixa de rolamento correta o motorista tem a obrigação de ceder o espaço?

    Outra “máxima” na qual esses loucos se apoiam é de que os menores sempre tem prioridade sobre os maiores. Caros leitores, experimentem atravessar o seu automóvel na frente de uma carreta para fazer uma conversão “atrasada” para ver onde vai parar essa conversa do pequeno ter “sempre” prioridade sobre o maior… Esse “sempre” fica bonito no papel, mas não vence as leis da física…

    Volto a repetir, os motoristas de automóveis ainda respeitam a vida, ao contrário do que a mídia e órgão públicos querem nos fazer pensar, pois caso contrário, muitos mais mortes de motoqueiros seriam vistas. Campanhas para lembrar os motoqueiros que essas práticas comuns no dia-a-dia são infrações perigosas eu nunca vi… Fica mais bonitinho as frases idiotas do tipo: “Na cidade somos todos pedestres”. Minha vontade foi de subir na calçada e utilizá-la como faixa de rolamento quando li essa frase de anúncios em uma placa de sinalização oficial em São Caetano do Sul, afinal de contas, estaria no meu direito de pedestre… Francamente…

    • Nora Gonzalez

      Avatar, pois é, o problema é que a mesma legislação que permitiu o trânsito de motos nas faixas entre os carros é aquela que obriga os carros a manterem “distância de segurança” (norma geral de circulação e conduta do artigo 29, inciso II do Código de Trânsito Brasileiro). Ao contrário das bicicletas, para as quais há exigência é de 1,5 metro, para as motos não há uma metragem exata, mas manter distância é, sim, obrigatório. Eu pergunto, como?

      • Acyr Junior

        Os “motoqueiros” acreditam piamente que existe a “interfaixa” e dela fazem uma autêntica faixa de Gaza. No mais, concordo com o Corsário: independe da cilindrada, tem muito babaca de moto grande aprontando no trânsito.

    • CorsarioViajante

      Eu gosto de dar um exemplo prático. PEgava longa horas de trânsito no Túnel Tribunal de Justiça, em SP. Como as motos passavam no corredor, cada pista encostava ao máximo na parede, deixando um enorme corredor no meio.
      E meu gol passaria com tranquilidade neste corredor…
      Se a moto pode passar no corredor porque cabe, porque meu carro não, se couber?
      Pois é, falta bom senso.

  • Paulo Roberto de Miguel

    Pois é. Eu acho que a noção de coletividade que tanto nos falta é tremendamente visível no trânsito. Cada um preocupado com o seu mundinho imediato. Dirigir bem não parece ser objetivo da maioria.

  • CorsarioViajante

    O problema são os exageros… Tem gente que acha que deu seta pode entrar, e gente que acha que pode entrar sem dar seta.
    QUanto aos motoqueiros, é fogo mesmo, mas discordo que a diferença seja “Uns 400 centímetros cúbicos de cilindrada…” Para mim a diferença está na cabeça, e vejo desmiolado com motona e gente que dirige bem com moto fraca. Inclusive vejo caras com aquelas motos gigantes querendo costurar pelo corredor e ainda achando ruim…

    • Robson Souza

      Falou tudo. Aquele cara que tá praticamente no meio do seu carro, deu seta e acha que pode só jogar o carro e tá tudo beleza. Quanto aos motoqueiros, concordo totalmente com você, a diferença está longe de ser uns 400 cc, vide os videos do youtube ai com a galera de Hornet 600 cc.
      Outra coisa relacionada a motoqueiros, no pico da tarde, pra quem conhece ou já trafegou na região, chega ao ponto da Marginal Pinheiros no sentido Interlagos ter a faixa da esquerda sempre fluindo mais, porque ninguém se arriscar ir pra lá e não conseguir voltar depois, porque os motoqueiros simplesmente não deixam.

      • Nora Gonzalez

        Robson, também sou vítima da marginal. Já fui parar na ponte Transamérica por não poder mudar de faixa sem derrubar uns 10 motoqueiros. Vontade não faltou, mas respirei fundo, exercitei meu autocontrole e andei mais uns 6 quilômetros. Abraços

    • Renato Mendes Afonso

      Exatamente o que eu ia comentar. Embora seja mais comum imprudências de motociclistas de cilindrada menor, cilindrada não está em nada relacionado a mentalidade do motociclista.

      E tem muito motociclista de moto grande, que só não faz tantas peripécias no trânsito apenas por limites físicos (a moto é mais pesada e maior, o que torna difícil ter a agilidade para essas manobras) e financeiros (onde só o tanque de combustível ultrapassa fácil o valor de 3 mil reais, imagina o orçamento em peças de uma queda + mão de obra…).

      Imprudentes há dos dois lados, a diferença é que na motocicleta é mais fácil de atuar dessa forma.

    • Michell Aristobolo de Mello

      Ia comentar justamente isso. Foi infeliz essa colocação da cilindrada.

      Já tive moto grande, mas desde a primeira pequena (atualmente estou com as pequenas mais uma vez), sempre respeitei os carros e as outras motos. Esse comportamento não tem relação alguma com o tamanho da moto e sim com o tamanho do senso comum do condutor.

    • Nora Gonzalez

      CorsarioViajante, Michell e demais. Calma, calma!. É claro que é exagero classificar tipo de motorista pelo veículo que conduz. Eu mesma sou boa de volante e já tive carros 1.0. Minha mãe teve uma Lambretta e depois uma Royal Enfield e meu pai uma Triumph. Mas embora pilotos de motos mais possantes possam fazer barbaridades nunca vi alguém com uma Ducati ou BMW pilotar de havaiana, sem luz traseira (uma verdadeira praga), na contramão ou na calçada ou com os retrovisores na vertical, coisas mais do que corriqueiras em motos de 125 cc e que colocam todos em risco, não somente eles. Nos acidentes é raríssimo (quase inexistente, mesmo) alguém com uma moto de, sei lá, 400 cc estar envolvido enquanto morre mais de um motoqueiro por dia em São Paulo com veículos de baíxíssima cilindrada – fora os acidentados. Claro que tem a questão da proporção, mas mesmo assim… Foi uma generalização retórica a minha. Abraços

    • Oli

      A maneira que a Nora escreveu foi horrível mesmo, mas mandando o politicamente correto passear e olhando apenas dados, tem um fundo de verdade. Motos maiores se envolvem em menos acidentes proporcionalmente. Mas não da pra generalizar. Sem falar que para quem quer apenas se deslocar na cidade, comprar uma moto 400 ou mais é algo completamente irracional.

  • Tarcisio Cerqueira

    Nora tu és uma pessoa de sorte! Podes ter várias nacionalidades! Mas a propósito, os italianos que conheço são todos do sul (Sicilianos e Napolitanos) e são muito gente boa… já tenho uma prima que mora em Milão e tanto ela quanto os conhecidos dela (italianos do norte) são mais “nariz em pé” hehehe… Mas varia muito de cada um… Quando fui na Itália os achei bem parecidos em termos de tratamento… Pelo menos de Milão até Roma (o mais ao sul que fui) não senti muitas diferenças… Uns gente boa, outros arrogantes, a maioria estovados (não no sentido pejorativo mas jeito mais bruto mesmo hehe)…

  • CCN-1410

    Em todas as cidades da região onde moro, os motoristas sempre trafegam à esquerda e ultrapassam pela direita, com poucas exceções.
    Melhor seria a implantação de mão inglesa, que também prolifera por aqui.

  • a. shiga

    Sobre frear logo após mudar de faixa: o que percebo na rua é que a maioria que faz isso é homem (como tem mais homens dirigindo que mulheres, talvez o % acabe sendo igual). E outra: esse povo que freia, sempre freia a uns 5 metros do carro da frente. Vontade de jogar o carro em cima deles…

  • c4vitesse

    Acho complicado separar motoqueiros e motociclistas pela cilindrada da moto. Na real, tem muito idiota de moto grande (é só entrar no Youtube e ver) e muita gente que anda tranquila (eu incluido) de moto pequena.

    O que difere é justamente o comportamento. Quando vejo um motorista dando seta para mudar de faixa eu sempre deixo se a minha redução de velocidade não me colocar em risco (as vezes tem motos atrás e você não confia).

    • Marcio

      c4vitesse, tem um artigo no motonline sobre isso. Aqui em SP está ficando comum: o cidadão está tranquilo no corredor, quando um motoca maluco começa a buzinar atrás e força passagem, principalmente quando o garupa é mulher (para se exibir). E aí acabamos ficando nessa dúvida: se não diminuímos para mudarem de faixa, somos os motoboys babacas, se diminuímos para isso, corremos o risco de tomarmos uma por trás. Para você ter idéia, tenho um colega que desistiu de andar de moto (XT660) porque ficou com medo de se matar! Ele disse que começou a entrar numa paranóia de acelerar no corredor, a ponto de esfregar o pneu na moto da frente, caso essa não desse passagem!!! De qualquer forma, acho que falta é bom senso e gentileza, pois estamos na terra em que gentileza gera esperteza (vou colar esse adesivo no meu carro). É a tentativa sem fim de não passar por otário. Se você se esforça no serviço, é otário porque o cara ao seu lado trabalha menos e ganha o mesmo. Se você espera na fila, é otário porque não conhece a mulher do caixa e não dá um jeitinho. Se você paga a sua TV a cabo, é otário porque não compra o receptor desbloqueado. Se você dá espaço para alguém dando seta, é otário porque essa pessoa deve estar só costurando o trânsito… E assim vai. E não adianta botar a culpa nos motocas, eu vivo os dois lados da moeda, e vejo que todas as categorias agem de forma egoísta, tanto motoristas de carro, de táxi, de caminhão, de ônibus, de moto, de skate, de rolimã, a pé, etc, etc, etc… Triste.

    • Leonardo Mendes

      Perfeita sua colocação.

  • Lucas dos Santos

    Nora,

    Seu artigo ficou excelente, a ponto de eu não ter muito a acrescentar.

    O que acham desse vídeo? http://g1.globo.com/carros/autoesporte/videos/t/guia-pratico/v/guia-pratico-aprenda-a-mudar-de-faixa-com-seguranca/3847951/

    • Nora Gonzalez

      Lucas dos Santos, bacana o vídeo. Para quem não é de São Paulo esta é a 23 de Maio, uma via que já foi das mais bonitas e bem planejadas da cidade mas virou um horror graças a um monte de intervenções de trânsito desastrosas.Mas queria ver se na hora da “negociação” ela tentasse ir para a faixa mais à esquerda de todas, que é onde as motos formam o principal corredor – sim, porque aqui todo o espaço entre as faixas de rolamento é tomado como corredor. Veja que o carro fica atravessado entre duas faixas. Em 30 segundos ela perderia o retrovisor, seu carro seria chutado, buzinariam interminavelmente, fariam gestos indescritíveis… em fim, por isso é que eu acabo conhecendo lugares de São Paulo que não pretendia. Abraços.

  • Leonardo Mendes

    Na minha cidade o procedimento é este:

    Acionar seta – acéfalo, independente do lado, vê a seta – acéfalo acelera o carro de modo a que você seja impossibilitado de mudar de faixa – acéfalo te sacaneia e ainda para o carro ao seu lado com cara de nádegas – tente tudo outra vez.

    Alternativa: meter o braço pra fora da janela e sinalizar furiosamente pra ver se o acéfalo entende.

  • Fat Jack

    Interessante também a dificuldade de alguns em “negociar” a troca de faixa, sendo bem comum ver motoristas que pretendem trocar de faixa (ou seja, quem está a direita pretende ir para esquerda e vice-versa), percorrem longos trechos se bloquendo mutuamente, mesmo sabendo da necessidade alheia, sendo que basta um dos permita a manobra do outro para que ambos consigam o que querem!
    Quanto aos que freiam em qualquer acesso, alguns deles sofrem da “síndrome do pé nervoso”, obrigatoriamente tem de estar freando ou acelerando, não permitindo que o carro “role” (engrenado, óbvio) além de ser cansativo trafegar atrás destes, certamente é o carro que deve levar a culpa por conta das médias de consumo medíocres…

  • Lorenzo Frigerio

    “E alguém pode me explicar por que tantas mulheres freiam ao mudar de faixa?”.
    Tem um outro hábito que combina com mulheres, mas obviamente não é monopólio delas… é bem coisa de pobre: você está vindo de atrás de alguém numa rua que termina numa estrada ou marginal. O cara começa a entrar na estrada, e enquanto você vem atrás, olha por sua vez à esquerda para ver se não vem nenhum carro. Enquanto está fazendo isso, naquela fração de segundo, o navalha na sua frente freia de repente, já praticamente dentro da estrada, e você quase chapa na traseira dele.

    • CorsarioViajante

      Além disso, também não entendem que tem que usar a pista de aceleração para… acelerar!! Então entram numa pista que está fluindo a 120 km/h, a 60 km/h, e já jogam para a pista do meio ou esquerda. Na Bandeirantes sentido interior, na entrada do rodoanel, é o que mais vejo!

  • Nora Gonzalez

    Tarcisio Cerqueira, italiano é sempre muito gente boa, mas os do Sul são geralmente mais cabeça-dura do que os do Norte. Já pensou eu com toda a carga genética de bascos, galegos, argentinos e, ainda por cima, sicilianos ou calabreses? Acho que meu marido conseguiria o divórcio por justa causa! Saluti, ci vediamo.

    • Lucas dos Santos

      Sempre acho muito curiosa essa comparação entre os “italianos do Norte” e os “italianos do Sul”.

      Então quer dizer que existe mesmo uma diferença de “personalidade” entre os italianos dessas regiões? Muito interessante.

  • Nora Gonzalez

    ccn1410, cuidado com o que você deseja, pois pode virar realidade (ou pesadelo). Já comentei aqui a confusão que é em algumas ilhas do Caribe onde a mão é inglesa, mas por motivos econômicos a maioria dos carros é americano, com direção à esquerda. Pode ser que alguma “otoridade” da sua cidade mude a mão, mas não o lado do volante nos carros. Lembre-se, em termos de trânsito no Brasil tudo sempre pode piorar. Abraços.

  • CCN-1410

    Nora,Quando li tua explicação sobre a seta, ri até não poder mais, porque aqui onde moro alguns motoristas mais antigos faziam ao contrário, ou seja, acionavam a seta para a esquerda mas entravam à direita e vice versa. Isso foi nas décadas de 80 e 90. Felizmente essas pessoas não dirigem mais, mas entre esses, tinha até motoristas de caminhão.

  • Eduardo Oliveira

    Nora, li esse artigo na hora do almoço, e saindo do trabalho me senti você tamanha a estupidez dos motoristas de São Gonçalo/Niterói
    Trabalho numa empresa a beira da RJ106, e tenho um popular 1.0 (Dos mais lentos diga-se de passagem).
    A rodovia tem limite de 60km/h, e a 1km da fabrica tem um retorno no centro da rodovia que sempre pego sentido Niterói.
    Saí da empresa, esperei no acostamento dando seta, quando finalmente consegui entrar, saí forte, chamei 1′, 2′, estava de terceira a uns 60km/h e não conseguia mudar de faixa porque um imbecil num gol resolveu emparelhar com meu carro e acelerar junto.
    Não entendo o nível de estupidez disso, se o cara tem pressa te passa, se não tem da passagem. Tive que freiar, jogar segunda com motor frio e me espremer entre o imbecil e o carro de trás pra não perder o retorno…

    Agora se for somar as outras coisas idiotas que vejo no caminho como: parada em fila dupla, motoristas que não arrancam no sinal verde, gente que acha que está dentro de uma maquina de costura, vou tacar um bomba nessa cidade.

  • Nora Gonzalez

    Lucas, existe sim essa diferença. Começando pelo língua, pois um calabrês não entende alguém do vêneto, até as diferenças fisicas. Se pensarmos que a Itália começou sua unificação de fato em 1870, quando Roma foi declarada capital…mas na verdade até hoje é uma colcha de retalhos de um monte de “paesi”.

  • Lucas dos Santos

    Some-se a isso o fato de que naquela época, quando a seta estava ligada, o painel dos veículos não informava se era a da esquerda ou a da direita que estava ativa.

    Eu era criança na época e lembro-me que eu ficava observando o painel dos carros e esse “detalhe” me incomodava bastante! Achava inadmissível aquela seta de duas pontas piscando no painel!

    Felizmente, os carros de hoje agora vêm com luzes-espia independentes para cada seta. Bem mais lógico assim.

  • Carlos A.

    Eu gosto de ouvir a SulAmérica Transito quando tenho tempo, e em casa pelo computador. Pior que moro no interior, mas com ela mantenho fresca a memória sobre a localização de avenidas e ruas por região de São Paulo, então tem alguma utilidade talvez um tanto curiosa. Ou útil mesmo, última vez que fui dirigindo até São Paulo, a radio informava um belo problema por uma das marginais antes de sair de casa ouvindo pela internet. Horas depois e já próximo a Jundiaí (onde o sinal passa a pegar no rádio do carro) descobri que o problema continuava, então foi só mudar a rota e pronto!

  • Tenho carro e moto, e algo que sempre me desagradou é essa dicotomia entre motoqueiro e motociclista.
    Penso que seja apenas um tipo de preconceito, ou, quem sabe, uma forma de alguns alimentarem seu ego…
    Motoqueiro ou motociclista é tudo a mesma coisa, da mesma forma como quem guia um carro é um motorista, seja ele bom ou ruim.

  • Janduir

    Bom no meu caso, quando alguém quer entrar, dá seta e prontamente já diminuo a velocidade. Quando quero mudar de faixa, dou seta quando alguém não diminui a velocidade, acabo entrando bem devagar… às vezes tomo umas buzinadas… O problema é quando o cara muda de faixa repentinamente, aí causa acidentes… Tenho duas cunhadas quem ensinei a dirigir (acredito ao menos) e sempre digo isso, vai mudar de faixa, além de dar seta, entre lentamente… o máximo que pode ocorrer é uma buzinada…

    • andre romao leao

      ***Procedimento para motorista trocar de faixa***

      O motorista de carro deve planejar a mudança antecipadamente prevendo dificuldade em trãnsito CARREGADO.
      1º deixar um bom espaço do carro da
      frente.
      2º sinalizar a intenção de mudar de faixa.
      3º ver se tem moto usando o
      espaço entre os carros.
      4º Se não tiver moto se aproximando ocupar o espaço usado pela moto (fechar a passagem colando no carro ao lado e mantendo
      distância do carro à frente) e aguardar uma chance para completar a troca de
      faixa, assim se o motorista de trás não colar em você os motos não serão represadas e terão passagem fácil para fazer o contorno,

      Dica: O maior problema das motos é a mudança de faixa repentina sem sinalização do carro, isso é extremamente perigoso para a moto que
      não tiver tempo para reduzir a velocidade.

      NÃO mudar de faixa nas curvas ou após a curva, pois tudo isso precisa de boa visão a distância para os carros e motos, na curva sempre
      está reduzida (antecipe a troca antes da curva ou tenha distância após a curva para fazer o procedimento).

  • Diego s

    Nora, muito obrigado pela sua pequena contribuição à minha
    curiosidade etnográfica.
    Na minha árvore genealógica tem italiano cabeça-dura (sim
    sicilianos), alemão e um dedinho do pé na Áustria. Também bascos espanhóis, portugueses, e um ramo perdido… russos!
    Engraçado que eu também chamava de cabeça-dura os italianos
    sulistas antes mesmo de ler seu texto. Por que será?
    Interessam-me mesmo os celtas. Não o carrinho da Chevrolet e
    sim os povos indo-europeus. Como remanescentes deles restam hoje os irlandeses, escoceses, galeses, maneses (estes três no Reino Unido) e bretões (na França).
    Porém me deparei com registros um tanto confusos de celtas
    também na Galícia espanhola. Aparentemente os galegos são rejeitados como celtas em alguns casos. Acredito que por não terem a língua em comum com os outros povos célticos que citei. Mas pesquisadores da própria universidade de Dublin confirmaram: as pessoas da Irlanda, Escócia etc, tem mais genes em comum
    com as pessoas do noroeste da península Ibérica (Galícia e norte de Portugal), do que com os próprios ingleses.
    Daí que descobri a terra dos mil rios, onde se fala algo que
    parece portunhol, um pedaço da Espanha chamado Galícia. Então quando no outro texto você mencionou neta de galegos eu não podia deixar passar.
    Desculpas minhas por não comentar seu texto antes, tenho
    acessado o AE esporadicamente.
    Ri muito por você não conseguir falar a língua do pê em
    português.
    Muito Obrigado!

  • Nora Gonzalez

    Diego s, bem vindo ao clube dos oriundi e descendentes de galegos. Um dia eu conto sobre quando fiz o caminho de Santiago e conheci melhor a linda Galícia. Vale muito a pena. Abraços