HERCULES C-130 DECOLA E POUSA EM PORTA-AVIÕES, SEM CATAPULTA E SEM GANCHO

Como sempre nesses tempos de internet, um grande amigo, o engenheiro Antônio Ferreira de Souza Filho, que trabalhou por décadas na Volkswagen e hoje está aposentado, mandou-me este vídeo, que imediatamente pensei em compartilhar com o leitor.

Em 1963, um avião KC-130F fez história ao pousar e decolar do porta-aviões USS Forrestal (CVA-59). A tripulação realizou 29 toques e arremetidas, 21 pousos com parada total sem cabo de retenção, e 21 decolagens sem auxílio de catapulta com peso máximo de 85.000 libras até 121.000 libras (38.555 kg até 54.884 kg). As únicas modificações efetuadas pela Lockheed no avião original foram instalar uma abertura da roda do nariz menor (acredito que para reduzir o arrasto aerodinâmico), um sistema antitravamento de rodas melhorado e a remoção das extensões sob as asas que fazem parte do sistema de reabastecimento em vôo desse modelo específico do Hercules . Não havia mais o gancho na cauda, e não haveria catapulta. Pintado no lado da fuselagem, “Look, Ma, no hook” (Olha, mãe, não tem gancho). O avião se tornou o maior e mais pesado até hoje a pousar num porta-aviões, recorde não batido até hoje.

Este avião tem peso máximo de decolagem normal de 155.000 libras e pode chegar a 175.000 libras (70.306 kg a 79.378 kg). Leia mais sobre o KC-130.

BS

Foto do Hercules C-130F em vôo: Wikipedia

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Danilo Grespan

    Que coragem do piloto para decolar esse trambolho em tão pouco espaço!

    • Sérgio Luiz Santanna

      Eles são feitos para isso. Basicamente são os “ônibus amazonenses”, fora as paradas na base da Antártida em pista de gelo. E a Embraer pretende substituí-lo com o KC-390…

      • anonimous

        Não sei porque vejo tantas criticas ao KC 390, sendo que ainda nem está no mercado para essas se concretizem. Tá, o C 130 é um ótimo avião, mas não é por causa disso que nunca deverá ser substituído.
        Imaginem se Ford tivesse esses tipos de criticas ao substituir o modelo T pelo modelo A.

        Parece que o espirito do vira-latas sempre nos persegue. Se o KC 390 fosse um projeto da Boeing ou da LM tava todo mundo batendo palma.

  • cassio tomas aldecoa

    Uma beleza, uma aeronave fantástica.

  • Guilherme Keimi Goto

    Editores, o link “Leia mais sobre o KC-130” parece estar quebrado.

  • Matheus Ulisses P.

    Obrigado por compartilhar esse fabuloso vídeo conosco!

  • Daniel S. de Araujo

    Uma das coisas que eu acho mais fantásticas do Hercules é que ele é a prova viva que um bom projeto não tem idade nem modismos. Fez o primeiro vôo em 1954 e está em produção até hoje!

  • Sérgio Luiz Santanna

    Será que o da Embraer, o KC-390, pode fazer isso?

    • Lucas Vieira

      Pouco provável, elém dos tempos serem outros, o Hercules tem uma performance de pouso e decolagem superior ao Embraer (gasta menos pista)…

  • Mr. Car

    Rapaz, muito boa trilha sonora, mas acho que no caso, ainda preferiria o vídeo acompanhado pelo som desse bichão, he, he!

  • Gomba

    Impressionante é a distância da ponta da asa até a ilha de controle / pessoal do navio. Acho que se o piloto esbarrasse para o lado no ‘volante’ que controla o trem de pouso as conseqüências seriam bem desastrosas.

    Esse avião ainda existe, preservado em um museu de aviação na Flórida. Fim de carreira mais do que merecido.

  • Lucas Vieira

    Quem quiser maiores detalhes sobre essa operação, vai um link interessante

    http://culturaaeronautica.blogspot.com.br/2011/03/1963-um-hercules-c-130-pousa-e-decola.html

    Na verdade todo blog vale muito a pena ser lido!

    Abraço

  • João Fortes

    Lindo! A música não poderia ser outra!

  • Aldo Jr.

    Bob, vídeo fantástico. Deixo como sugestão um post exclusivo sobre esse aparelho, verdadeiro ícone da aviação militar. Abs;

  • anonimous

    Dificilmente. Ele é maior que o C 130. Além disso, aviões a pistão geralmente tem vantagem em pista curto sobre os jatos.

    • Marcus Vinicius

      O C-130 (e derivados) são turbo-hélices, e não pistão.

    • Lucas Vieira

      O Hercules nunca teve motores a pistão, usava turbinas a gás para acionar as hélices. Motor “GM”.

      • Daniel S. de Araujo

        Turbina Allison 501D-13 ou a versão militar T-56, de fluxo axial.

  • BlueGopher

    Muito legal.
    Antigamente o pessoal dizia que se o piloto de um Douglas DC-3 (ou o de um Hércules C-130) quisesse, poderia pousar o avião num lenço estendido na grama…

    Dei uma pesquisada, a velocidade de estol do C-130 normal é de cerca de 185 km/h, e do DC-3, 108 km/h!
    Este último então daria um show pousando num porta-aviões.

    • Lorenzo Frigerio

      Só precisa ver esse decola.

      • Nicola Versi

        Lógico que decola, o próprio vídeo aí da Marinha americana provou isso, está registrado!

      • BlueGopher

        Como o USS Forrestal atinge 61 km/h, é só o DC-3 atingir 47 km/h sobre o deck do navio que ele decola.
        Mais fácil que uma pipa! 🙂

  • Marco Antonio

    FANTÁSTICO!!!

  • Eduardo Palandi

    Impressionante…

  • Thiago Teixeira

    Ja que o assunto é avião procure no youtube “ATR hard landing”. Veja que landing.

    • Claudio Abreu

      Superdica. Eu que tinha medo de avião, por incrível que pareça perdi (quase) completamente ao ver esses vídeos – a gente passa a acreditar, de fato, que para um avião cair tem que dar muitos problemas junto mesmo. Abraço

  • Benjamin Rangel

    Como sempre o Bob trazendo assuntos espetaculares, que agradam a todos. Abraço, Campeão.

  • Claudio Abreu

    Parabéns pelo post, Bob, emocionante.

  • Lucas Vieira

    Verdade, é como substituir uma Kombi por uma Sprinter, a ultima é superior em tudo, mas bota num trabalho “pauleira” e aguarde o resultado….

    • Sérgio Luiz Santanna

      Tive que conferir a ficha técnica da Sprinter, já que a maioria das vans vendidas no mercado são de tração dianteira…

  • Renato Mendes Afonso

    Impressionante, jamais imaginaria se possível. E eu nem sou um entusiasta por aviões…

  • lightness RS

    Só me faz pensar que esses caras tinham vento na cabeça (rsrsrs). Um grande feito, sem dúvida, mais incrível ainda pela idade, mas que imagem, um erro ali e não tinha escapatória para os pilotos….

  • Luis Nunez

    Mais impressionante que as decolagens,são os pousos, utilizando um trecho mínimo da pista. Na última ele chega a empinar na hora que pára totalmente.

  • Reginaldo Ferreira Campos

    Imagine a potência desses motores Alisson para realizar uma tarefa dessas. Eo quanto esse avião estaria aliviado para tal. De qualquer forma, é impressionante. Tanto quanto o vôo da “pluma de cem toneladas”, o Boeing 787 Dreamliner.

  • Gaboola

    A Lockheed “encheu a mão” na safra de aeronaves primas-irmãs Hercules, Electra II e Orion.Tanto q.,quando a Marinha americana decidiu q. ainda não podia desmobilizar os Orion, Lockheed selecionou e ‘reciclou’ varias células do Electra II já bem voadas, para manter a frota.
    …que saudade dos Electra!

    • Lorenzo Frigerio

      Deviam ser da Varig… um amigo meu resmunga até hoje.

    • Daniel S. de Araujo

      O Orion é uma aeronave e tanto!!!! Ainda não teve um substituto à altura.

      Na Argentina, devido a falta de Orions de segunda mão nos anos 80, a FAA adquiriu uns Electras e os batizou de “Electron” em operações de patrulha marítima. O Brasil quis fazer a mesma coisa na década de 90 com as aeronaves da Varig mas, por razões desconhecidas, acabou permitindo que aeronaves em excelente estado de manutenção e conservação (e algumas até relativamente novas – com menos de 40 mil ciclos para uma aeronave de 35 anos de uso) fossem embora para o Zaire

  • Juliano Nunes

    Um balé com, lutador de sumô. Os avós de Chuck Norris deviam estar pilotando..

  • pkorn

    Lembrei do Ataque a Tóquio com aviões B-25 partindo de porta-aviões: http://en.wikipedia.org/wiki/Doolittle_Raid

  • Barbaridade Bob! Que destreza… Será que no comando teríamos um legitimo “Clipper Skipper” com um Marlboro ou um legítimo cubano aceso á boca enquanto sorri indisfarçavelmente com a aeronave “dançando” já parada sobre os trens de pouso?

  • André K

    Também lembrei disso, entretanto foram só decolagens e, ao que consta, apenas uma para cada piloto. Os treinos foram em terra firme.

    • Bob Sharp

      André K
      Pouso estava fora de cogitação porque nenhum B-25 teria autonomia para ir e voltar. O plano era pousar na China.

  • João Gabriel

    É um feito impressionante mas dentro das especificações ao qual o C-130 Hercules foi projetado,cujo um dos principais requisitos eram a capacidade de pousar e decolar carregado em curtas distâncias. Porém creio que o que inviabilizou a operação de Hercules embarcado foram o tamanho do avião que não podia ser acondicionado nos elevadores e nos hangares a bordo e também pelo fato da decolagem e pouso ter que ser feita com o convôo “limpo” o que em operações normais não é possível. Mas numa situação extrema poderia ser empregado utilizando o sistema LAPES- Low Altitude Parachuting Extraction System,Sistema de Extração por Paraquedas a Baixa Altura,que consistia no avião em rasante tendo a carga sendo extraída por um pequeno paraquedas,ideal pra um caso de lançar por exemplo uma turbina sobressalente.

    • Jorge Alberto

      É isso ai…

  • Lucas Vieira

    Daniel,
    até 1995 a Allison Engine Company era uma subsidiária da GM, foi vendida para a Rolls-Royce e pertence a mesma até hoje. Rolls-Royce que não é o fabricante de veículos, e sim a de motores aeronáuticos. As divisões foram desmembradas na década de 70, com os problemas iniciais do turbofan RB.211, que praticamente quebrou a companhia.

  • Lucas Vieira

    Daniel,
    nem tão bons assim estavam os Electras, as panes eram constantes, pelo menos é o que diz o Lito, um mecânico que trabalhava neles na época e, inclusive, foi para a África com alguns deles.
    Se não conhece, vale a pena ler a história toda!

    http://www.avioesemusicas.com/as-aventuras-com-o-electra-na-africa-causos-parte-1.html

    Abraço

    • Domingos Fonseca

      Fui inspetor de manutenção dos Electras por muitos anos; eles eram ótimos, tanto que reinaram absolutos na Ponte Aérea por muitos anos.

  • Jorge Alberto

    Se vocês acham que o C-130 “pousa curto”…. Ficariam assustados com o que um “Buffalo C-115” da FAB fazia….

    Pousava TRANQUILAMENTE em um campo de futebol e levantava vôo dele (carregado)… o reverso de seus motores era tão potente, que ele dava “marcha à ré”!!!

    Os aviões “Amazonas” são mais modernos, mas não fazem o que um Buffalo fazia…

    Diga-se de passagem, que a Força Aérea Canadense solicitou estudos para que a Bombardier voltasse a fabricá-lo….

  • Sérgio Luiz Santanna

    Desculpe se dei a entender como crítica.
    Se a aeronáutica aprovar, e aquela meia dúzia de países árabes e sul-americanos que são fregueses da Embraer fizerem reservas, o objetivo da empresa será concretizado.
    Entenda o KC-390 como um Land Rover moderno desenhado para o “terceiro mundo”, onde os fracos não têm vez…