240z  EXTRA: "MR. K". PIONEIRO DA NISSAN E PAI DO CARRO Z, MORRE AOS 105 ANOS  240z

Yutaka Katayama, primeiro presidente da NIssan EUA, com o Datsun 240Z (Nissan)

Yutaka Katayama, o primeiro presidente da Nissan EUA, que conquistou a percepção do consumidor americano ao lançar o acessível carro esporte Datsun Z no início dos anos 1970, faleceu aos 105 anos.

Conhecido publicamente como “Mr. K,” Katayama deixou seu cargo nos EUA 40 anos atrás e se aposentou da Nissan, ambos em 1977. Mas sua presença constante como uma voz do passado, sênior, vigorosa e por vezes crítica, continuou a sustentar o interesse pela Nissan pelos carros Z nos EUA.

Na década de 1990, a subsidiária americana de vendas e marketing da Nissan — onde Katayama foi presidente de 1965 a 1975 — começou a apresentar um ator parecido que personificava “Mr. K” nos comerciais de TV.

Agências de notícias informaram neste sábado que Katayama morreu em conseqüência de problema cardíaco quinta-feira à noite num hospital em Tóquio.

Katayama  EXTRA: "MR. K". PIONEIRO DA NISSAN E PAI DO CARRO Z, MORRE AOS 105 ANOS  KatayamaKatayama é bastante associado ao primeiro Datsun 240Z, lançado em 1970 na esteira da popularidade do Ford Mustang e do Chevrolet Camaro. Ele permaneceu ativo até recentemente como celebridade que visitava os fã clubes Z e comparecia aos eventos históricos Datsun e Nissan.

 

Foi também nos anos pioneiros de Katayama que a competente rede de concessionários Nissan nos EUA começou a comercializar o icônico Datsun 510, um pequeno mais veloz sedã japonês que Katayama esperava que roubasse alguns compradores dos alemães BMW.

Em 1960, Katayama foi enviado contra sua vontade aos Estados Unidos para uma pesquisa de mercado inicial. Ele achou que seu ”exílio” forçado deveu-se por sua posição contrária aos sindicatos japoneses na Nissan. Uma vez instalado no sul da Califórnia, ele ficou conhecido como um executivo japonês de pouca paciência com a visão cautelosa e conservadora de seus tomadores de decisão no Japão.

Ruptura com o pensamento tradicional

Sua carreira serve com uma imagem vívida do que a indústria automobilística japonesa passou para se estabelecer na América.

Os fabricantes japoneses no final dos anos 1950 acreditavam piamente que entrar nos Estados Unidos não fazia sentido. Diretores conservadores na Nissan e outras fábricas estavam relutantes em oferecer produtos pequenos, tipicamente subpotenciados, ao modo de utilização rápida nas estradas dos EUA.

Katayama repetidas vezes bateu de frente com a direção da empresa no Japão, insistindo que havia oportunidades viáveis no mercado americano.

No final do anos 1960 Katayama resistiu ao plano de vender o novo carro esporte Z nos EUA com seu nome no Japão: “Fairlady”

A direção da Nissan nos anos 1970, por seu lado, se recusou a planejar os volumes de produção que Katayama insistia em sua organização nos EUA ser capaz de vender.

Coube também a Katayama costurar uma complicada rede Datsun na América. Como ocorria com outros fabricantes japoneses que ousaram entrar nos EUA nos anos 1960 e 1970, o plano de distribuição Datsun da Nissan era uma mistura estranha de comerciantes independentes e regiões de distribuição que não chegava a somar uma rede de varejo nos 50 estados — e que não parecia muito disposta a cooperar.

O concessionário Morrie Sage, de Los Angeles, que morreu em 2011, uma vez lembrou à Automotive News que Katayama o inspirou a deixar seu emprego de gerente numa concessionária Ford local para se tornar um concessionário Nissan. Sage disse que em 1969 Katayama se dirigiu a um salão repleto de potenciais concessionários Datsun dizendo-lhes que “todos neste salão serão milionários um dia.”

A Divisão Nissan conta agora aproximadamente 1.100 concessionárias nos EUA, que no ano passado venderam 1.269.565 carros e picapes.

Falando francamente nos últimos anos

Katayama continuou a falar o que sua mente pensava mesmo depois de ter 100 anos. Depois que presidente executivo da Nissan, Carlos Ghosn, ressuscitou o Z nos anos 2000, com o 350Z e o 370Z para aclamação mundial, Katayama disse que o 370Z era um carro “mais ou menos”.

Em 2009, ele disse à Automotive News que o 370Z era muito pesado e muito caro, comparado com o ágil e acessível conceito do 240Z.

Katayama também não escondeu sua desaprovação da decisão da Nissan, em 1983, de acabar com o nome Datsun em favor de Nissan como marca.

A Nissan está se preparando agora para relançar o Datsun como submarca em determinados mercados emergentes pelo mundo.

Vida & Tempos de Mr. K

A Nissan produziu uma série de três vídeos intitulada “Life & Times of Mr. Yutaka Katayama, na qual ele fala sobre seus 80 anos às voltas com automóveis.

Veja os vídeos. Legendas em inglês podem ser ativadas clicando no botão “cc” na parte inferior iniciada a exibição.

 

Ae/BS (Automotive News/Lindsay Chappell)

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  • Patrick

    Falecer após os 100 anos… Isso que é qualidade de vida.

    • Eurico Junior

      E isso está longe de ser uma raridade no evoluído Japão, o país que tem mais centenários no mundo.

    • José Manoel

      Falecer aos 105 anos, lúcido e orientado (infelizmente o Alzheimer tomou isto do meu pai, que já não nos reconhecia quando faleceu aos 92 anos), deixando um legado reconhecido mundialmente!
      Isto sim foi qualidade de vida! Quiçá chegarei a este feito!

    • mecanico anonimo

      E principalmente se manter na ativa até o fim… Como costumam dizer o japoneses, “me aposento quando eu morrer”.

  • Paulo Eduardo

    Muito legal a história. Pai do icônico 240Z (como a Nissan tem carros icônicos!). Curioso e engraçado ele achar o 370Z um carro “mais ou menos”.

  • Lorenzo Frigerio
    • João Carlos

      Tomara que o TJ mantenha a decisão.

      E assim forma um precedente, haja visto que juiz de primeiro grau não gosta de contrariar muito o que já vem sendo decidido no Tribunal, senão ele não sobe…

    • Lucas dos Santos

      Gente, o que é ISSO?! A imagem mostrada na matéria é tão absurda, que a ciclofaixa instalada em local inapropriado se torna o menor dos problemas!

      http://f.i.uol.com.br/folha/cotidiano/images/14328637.jpeg

      Que raios é essa FAIXA AZUL?! Transferiram a calçada para o leito da via?! Olha o quanto se perdeu de espaço ali!

      Olha essa “sinalização”, feita “do jeito que dá na telha”, sem seguir nenhum padrão – que não existe – sem critério nenhum! E aqueles anteparos ali? Se a reportagem não tivesse dito que aquelas três faixas brancas pintadas ao longo da ciclofaixa eram uma “faixa de pedestre”, eu jamais imaginaria a sua função!

      Será que não existe NINGUÉM capaz de fiscalizar essas burradas – para não utilizar um termo chulo – que estão fazendo nas vias?! Para que servem, então, as Resoluções do Contran, que regulamentam “tim-tim por tim-tim” como as coisas devem ser feitas?

      Imagina o que uma pessoa vinda de fora – e que tenha o mínimo de senso-crítico – não deve pensar ao ver uma aberração dessas!

    • RoadV8Runner

      Simplesmente bizarra essa solução para embarque/desembarque de alunos e a ciclovia. Até onde o bom senso recomenda, o desembarque deve ser feito sempre na calçada, justamente para evitar atropelamentos. Guardadas as devidas proporções, essa solução da faixa azul é o mesmo que desembarcar um passageiro no canteiro central de uma via e ter que tomar cuidado para chegar, finalmente, à calçada…

    • Mineirim

      Afinal, a faixa vermelha é ciclofaixa ou calçada?
      De qualquer forma, as crianças vão embarcar e desembarcar no meio da rua.
      Mais uma do Maldad…

  • Eduardo Sérgio

    No fim dos anos 70 em tive um Datsun 240Z, de brinquedo, tipo “bate-volta”, movido a pilha.
    Até a versão de brinquedo era uma verdadeira máquina.

    • $2354837

      Glasslite. Lembro dele.

  • Fabio Vicente

    Deixou um legado e tanto. E sua história automaticamente me lembrou de um outro líder sem paciência, autoritário, mas de visão singular: Steve Jobs. Pode parecer clichê, mas ambos compartilham características que os tornaram bem sucedidos em suas ações.

  • RoadV8Runner

    Não conhecia o Mr. K. Mas, só pelo fato de ter criado o Datsun 240Z, já seria digno de nota. Ultrapassar os 100 anos de idade e ainda manter a lucidez, sem dúvida é memorável!

  • $2354837

    105 anos? Cansou desse mundo. Viveu bastante. Está descansando onde estiver por ter feito bem o seu trabalho.