Coluna 0815     18.fev.2015       [email protected]      

 

Quem comprar o Mercedes Classe C nos próximos 18 meses receberá produto alemão, importado. A partir daí, nacional, feito em Iracemápolis, SP.

É adequação às regras oficiais para inviabilizar o mercado dos importados com elevada taxação alfandegária de 35% sobre os custos, e a outros 30 pontos percentuais sobre o IPI, turbinando recolhimento aos cofres públicos.

No interior paulista montará o SAV GLA e o Classe C. Razões simples. O mercado local devora veículos com jeito de valentia, como sugere a morfologia do recém-lançado GLA e, por outro lado, muito valoriza os sedãs de tamanho médio, como o Classe C, o mais vendido dentre os Mercedes importados.

Quinta geração do código W205, segue a vertente mundial: cresce em medidas — agora 4,68 m de comprimento, 1,81 m de largura e 1,46 m de altura. Bem proporcionado, oferece 480 litros de espaço para bagagens, boa distância entre os bancos e, uma das referências de seu bom rendimento mecânico, o coeficiente aerodinâmico de 0,24. Tudo conseqüência da inspiração no topo de linha Classe S, hoje na confortável posição de parâmetro e alvo dos concorrentes.

Linha tem três degraus básicos: C 180, 1,6 litro e 158 cv; C 200, 2 litros e 184 cv; e C 250, mesmos 2.000 cm³ porém gerando 211 cv. O salto de 26, 27 cv entre elas é bem perceptível. Decoração Avantgarde e Exclusive para o C 180; Avantgarde no C 200; e Sport para o C 250, com interior diferenças externas nos painéis frontal e posterior desenhadas pela AMG, empresa desenvolvedora de equipamentos pró performance, agora associada à Mercedes.

Na prática

Automóveis com linhagem tem características próprias. Guie um deficiente visual a um Mercedes, ao sentar no banco do motorista, pelo contato com o volante ovalado, saberá tratar-se de carro alemão – Audi e Mercedes, aprenderam isto com a Auto Union. Peça para fechar a porta, e pelo som traduzindo resistência, saberá ser Mercedes. Coisas da história. É a sensação de boa construção intrínseca à marca.

Usuários frontais são bem recebidos, bancos com regulagem elétrica — do motorista com memória de três posições, volante ajustável eletricamente em altura e distância. Alavanca de marchas sob o volante, abaixo dos comandos para interferir. Câmbio automático, 7 marchas, com as finais longas, aproveitando a amplitude dos 27,5 m·kgf de torque. A harmonia permite tanto esticar o vigoroso motor de quatro cilindros, 16 válvulas, injeção direta e turbocompressor, cobrando virilidade, quanto deixá-lo escolher a marcha de seu agrado em função da regulagem solicitada. Assim, cruza a 120 km/h, em 7ª. marcha, abaixo de 2.300 rpm. Na prática, em viagem São Paulo-Brasília marcou surpreendentes 14,4 km/litro. O tanque de 66 litros permite, no caso, enorme autonomia, uns 950 quilômetros.

Condução é muito agradável em reações e os parâmetros podem ser mudados entre economia máxima, conforto e esporte, regulando as reações de motor, faixa de mudança de marchas, resiliência dos amortecedores. Direção com assistência elétrica e nova suspensão frontal por braços superior e inferior, substituindo o sistema McPherson. Tem-se o carro em mãos para acelerar, frear e é muito bom em curvas. O acerto de direção e suspensão é primoroso.

O C 200, versão intermediária, é de boa posição, superior em potência e itens aos 180, perdendo para o 250. Base de preço para negociar, considere R$ 130 mil para o 180; R$ 140 mil para o 200; e R$ 180 mil pelo 250. O C 180 será o mais vendido.

Visão pessoal

Automóvel bem composto, sólido, confortável, surpreendentemente econômico. Fosse comprar optaria pela versão 200. A manobrabilidade é excepcional, assim como o baixo consumo.

Pode melhorar no nacional:

1. Câmera de ré, mandatória em veiculo deste porte — se tem em Kia Soul e Renault Fluence, não há justificativa para a ausência;
2. Altura livre do solo da suspensão frontal: em padrão de incivilização brasileira exige atenção redobrada para as deficiências do piso. Três centímetros a mais iriam muito bem;
3. Regulagens gerais via tela. Merece caminhos mais fáceis ante a idade dos usuários. Hoje tem lógica de adolescente.

 

Foto Legenda 01coluna 0815 - Mercedes classe c

Mercedes-Benz Classe C

Mais sobre o picape Fiat

Primeiro produto com a marca Fiat a deixar a nova fábrica multimarca erigida em Goiana, Pernambuco, será o picape ainda sem nome, mas conhecido como Stradão, referência a modelo menor e líder de mercado.

Informações dão conta da motorização inicial, 1,8 E.torQ, e aplicação de câmbio CVT — de polias variáveis – e uso como automático. Há possibilidade de versão diesel e caixa automática de nove marchas, aproveitados ao Jeep Renegade, primeiro produto das novas instalações industriais. O picape utiliza a mesma plataforma. No mesmo projeto, tração nas 4 rodas e reduzida, como uma das versões do Renegade.

Como reagirá em subidas um picape com tração dianteira? Perguntei ao Claudio Demaria, tipo engenheiro-chefe na Fiat. Segundo ele, os testes com o Renegade e o picape têm surpreendido. E no caso do picape, para auxiliar nas solicitações que podem motivar a patinagem das rodas, virá de fábrica com diferencial dotado de sistema bloqueante mecânico. Em testes, informou, saiu-se bem em subidas de 29 por cento de inclinação. Indaguei: tipo arrancar carregado em rua íngreme em Ouro Preto? — a agradável cidade histórica mineira é pródiga em ladeiras de primeira — marcha e não qualidade. Pior, explicou.

 

RODA-A-RODA

Mostra – Salão de Genebra, a partir de 5 de março, caracteriza-se por exibir caminhos e conquistas tecnológicas. Destas, pode se tornar referência a do QUANTiNO, veículo elétrico com inovadora tecnologia de baixa tensão.

Mudança – O sistema, antes apenas aplicável a veículos de baixa potência — e rendimento, como carrinhos de golfe, altera barreiras, permite o uso de quatro motores elétricos – 4 x 25 W – ou 136 cv, velocidade de 200 km/h e autonomia superior a 1.000 quilômetros. “Linhas esportivas, quatro lugares, rodas de 22”, com 3,91 m de comprimento — um Fiat Palio e dois dedos.

Caminho – Considere o QUANTiNO efeito demonstração da tecnologia. Ela terá aplicação em toda sorte de veículos elétricos.

Mais – Na mostra, em estande com 1.000 m², TAG Heuer, fabricante de relógios tecnologicamente refinados, comemorará os 30 anos de parceria com a equipe McLaren de Fórmula 1 com exposição de fotos. Destaque para Ayrton Senna, e ralis e a Fórmula E, para carros elétricos.

 

Foto Legenda 02 Coluna 0815 - -QUANTiNO

QUANTiNO, elétrico, 200 km/h, autonomia 1.000 km. Caminho?

Das pistas … – Pistas de corrida são laboratórios especiais, e o circuito francês de Sarthe, com a prova de resistência 24 Horas de Le Mans 2014, viu os fortes faróis dos Audi R8 LMR. Tinham o facho alto por tecnologia laser com diodos de alta intensidade, e capacidade de iluminação duas vezes superior ao LED. Estarão no novo R8, criando novo parâmetro na classe.

Mudança – Diz o acreditado jornal inglês Financial Times, Apple recruta especialistas em automóveis, tecnologia da mobilidade, eletricidade, conectividade, design e manufatura, para ultra-secreto laboratório de pesquisas, buscando produto e viabilidade para veículo possivelmente suburbano, elétrico — e autônomo.

II – Automóvel está se transformando em coisa eletrônica e com comandos externos ao motorista, tipo cruza com SmartPhone …

Fim – Substituição na fábrica da MINI em Oxford, Inglaterra: saem os dois-lugares Coupé e Roadster — o conversível —, entram novos MINI de 3 e 5 portas.

Jogo duro – Projeto especial da Ford, o Police Interceptor 2016 chega à maturidade, com 55% das vendas no segmento. Especializado, para resistir às extremas exigências da atividade policial. Versões sedã e utilitário, tração nas 4 rodas. Não usa chassi, mas monobloco com reforços estruturais periféricos.

Superioridade – No Brasil, nada disto. Aqui, no máximo SUVs de luxo ou automóveis, sem preparação, são aplicados em tal serviço. Aliás, o país, além de não ter marca e produto próprios, também se descuida das exigências para veículos com aplicações especiais, como táxis, ambulâncias, carros de polícia, de serviço público. Nossa riqueza permite comprar veículos inadequados, de elevada manutenção e vida menor ante os projetados para tais usos.

Bond – Jaguar e Land Rover mantém-se como ferramenta de marketing em Spectre, 24º filme da série James Bond. Um carro-conceito Jaguar, o C-X75 — construído junto com a Williams da Fórmula 1 — terá movimentado pega com outro inglês, um Aston Martin DB10 nas ruas de Roma. Estréia em novembro.

Ocasião – Com a queda de vendas ano passado e previsões desanimadas para este, fabricantes e importadores agem para fomentar vendas de veículos 0-km. BMW e seu braço financeiro sugerem os modelos da série 3 e de MINI com entrada de metade do valor e saldo em 24 e 18 meses sem juros explicitados.

Binóculo – Melhor proposta a clientes vendo tais alemães como inatingíveis, entrada entre 0 e 49%; 24 prestações contidas; final de 50% do valor do contrato. Concessionário garante a recompra e valor pode ser entrada na compra de modelo novo. Vale também para motos F 800GS e 1200 GS.

Idem – Volvo tomou o mesmo ônibus. Vende o hatch V40 com 50% de entrada; 23 prestações de R$ 1.927,00; saldo final.

Versão – Sem modelo novo para apresentar, Honda resgatou versão de topo EXR e incrementou a agora intermediária LXR. No primeiro, absorveu a grade frontal, faixa cromada na tomada de ar do pára-choque. LXR agregou eletrônicos controle de tração e estabilidade e auxiliar para partida em subidas.

Foco – LXR e EXR com motor flex 2-L, variador de válvulas, 150 cv gasálcool, cinco 5 cv a mais se álcool. Novo multimídia, monitor LCD 7”, e o sistema de avisar motorista sobre trânsito opera pelo rádio. Preços: EXR R$ 88.400; LXR R$ 78.400; LX 1.8 R$ 73.900; LX manual R$ 70.900.

Nacionalização – BMW marcou data para a virada industrial no país: outubro. Terá, então, montagem completa com alinhamento, armação da carroceria, solda e pintura. Até lá, quatro produtos em produção: BMWs 320 e X1, já em supérflua montagem; Série 1, com motor 3-cilindros, turbo, tradição dianteira, como o MINI Countryman.

Futuro – Projeção de vendas de automóveis 0-km e mudança do mercado turbinaram decisão da BorgWarner em criar novo centro de pesquisa e desenvolvimento na agradável Itatiba, SP. Projeta, em 2020 venderá turbo para 1 milhão de veículos/ano. Mais, se governo regrar melhor emissões e consumo.

Oferta – Rentcars.com agência de viagens online e locadora Localiza oferecem promoção: reservas confirmadas até 28.fev e uso até 30.nov, carros compactos pagarão aluguel de econômicos.

Acerto – Shaanxi Automotive Group fez joint venture — junção de duas companhias para formar terceira — com a Shacman na fábrica em implantação por esta em Tatuí, SP, projetando montar caminhões a partir de 2016.

Emoções – Mitsubishi criou facilidades para interessados disputar sua 16ª. temporada, onde atração serão protótipos baseados no crossover ASX. Não precisa comprar para alinhar, pois o plano Sit&Drive garante o veículo, preparação e assistência nas provas. Tipo pagou, correu.

Mais – Nas outras categorias, a novidade da venda dos picapes L200 Triton ER aos pilotos. Temporada começa dia 28, em Ribeirão Preto, SP. Curiosidade é categoria para TR4, recém-descontinuado pela marca. Informações? (19) 3818-8888 e [email protected]

Festa – Motos Traxx TSS 250 e Fly 250, a ser produzidas pela empresa em Manaus, foram incluídas por internautas chineses no grupo das Top 10. Traxx pertence à Jialing, maior fabricante daquele país.

Racional – Randon Consórcios administrará o este grupo de poupança comum da nascente DAF Caminhões. Idéia é fomentar vendas em época de juros altos.

 

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

 



  • Roberto

    Esse novo Classe C tá vendendo bem mesmo! Tenho visto com certa freqüência inclusive em bairros que eu não costumava ver Mercedes!

  • Boni

    950 quilômetros de autonomia? Incrível!
    Ótima matéria, Nasser. Obrigado!

  • BlueGopher

    Muito interessante o sistema “Electrochemical flow batteries” do Quantino.
    Deve ser um sistema barato, e pode criar o conceito de parar no posto para “encher os tanques” (seriam dois) da bateria.
    Rapidinho, tal como encher o tanque de gasolina.
    Soluções como esta, ou mesmo o interessante sistema da PSA, o “Hybrid Air System” mostram que a criatividade está solta por aí.

  • Lucas Vieira

    Acho que a tração dianteira não será problema para o Stradão, vide a van Ducato, bem pesada (3,5 t PBT) e com esse sistema de tração, que pelo menos nesse carro funciona muito bem.

  • Fernando Bento Chaves Santana

    Parece que o entreeixos longo favorece a aderência do eixo dianteiro em trajetos de inclinação elevada ou em situações trabalho com carga máxima. Esse seria um dos motivos para que o antigo Citroën DS, que como sabemos tinha tração dianteira, tivesse descomunais, porém elegantes, 3,12 m de passo.

  • Comentarista

    Só uma correção, a potência dos 4 motores elétricos somam 100 kW sendo 25 kW cada um.

    Se tivesse dinheiro para comprar um sedã importado certamente seria um C 200. Maravilhoso, clássico, perfeito!

  • Antonio Ancesa do Amaral

    Vivo a dizer que somos um povo rico, vejo que o megalomaníaco olhar está em expansão, “Nossa riqueza permite comprar veículos inadequados.” Exemplar texto, como sempre.

  • Lorenzo Frigerio

    Se o Stradão tiver base no Renegade, nada impede que eventualmente receba 4×4 com Tigershark 2.4 MultiAir e câmbio ZF 9-marchas. De uma maneira mais realista para o Brasil, o câmbio poderia ser manual mesmo, com o E.torQ reforçado para trabalho pesado, mas o 4×4 como opcional.