Coluna 0315      14.jan.2015    nasser@autoentusiastas.com.br      

 

O Naias (North American International Auto Show), ou simplesmente Salão de Detroit, faz abertura oficial da temporada da apresentação de lançamentos de automóveis e picapes do ano, e nesta edição, rica exposição de novos produtos, entre 40 e 50; carros-conceito; avanços tecnológicos em termos de tração elétrica e híbrida; e novidade tecnológica importante: durante a mostra, em 44 horas a empresa Local Motors construiu um automóvel em impressora 3D!

É o ano do sorriso. Os EUA recuperam-se da queda econômica de 2009, gasolina baixou de preço, desemprego míngua, vendas se expandem em continuidade, e o Salão mostra isto: está colorido, decorado, sóbrio, contido, sem a economia de indigente dos últimos cinco anos, e há característica curiosa: meia dúzia das atrações está pintada em azul forte metálico — tipo cor nacional da bonança. O atentado ao Charlie Hebdo na França mexeu nas gavetas estadunidenses e pegaram a ficha das providências tomadas pós-11 de setembro: a entrada exigia alguns filtros, e dentro policiais do departamento anti-bombas, sutis como um trem a pleno vapor, inspecionando, bem acompanhados por cães farejadores.

No tema principal, Ford criou nova divisão, a Performance, para veículos esportivos, estrelando o GT, performático, previsto para 2016, e adicionais modelos até 2020.

Fora do Cobo Hall, onde no térreo e porão são feitas as exposições, a cidade está no clima. Frio — segunda à noite 16 graus negativos —, mas durante o dia temperatura varia e atinge, até, simpático zero grau. E sem chuva ou neve é até agradável, e parece integrar o pacote em torno da mostra mais positiva desde a crise, incluindo o escape da cidade à decretação de auto-falência. A reação do mercado alterou sua face negativa e relembra seu auto slogan: a capital do automóvel. Tudo conspira para mostrar os EUA e sua indústria de automóveis em outros e rentáveis tempos. Em 2014 vendeu 16,5M — maior volume desde 2006 —, e neste exercício imagina-se crescimento de 3%, chegando a 17M.

O Naias é iniciativa dos revendedores de automóveis do entorno de Detroit, faz parte do calendário internacional e é edição anual. Neste, abre ao público de 17 a 25 de janeiro. Antes, dois dias para a imprensa — uns 5.000 jornalistas —, dois dias de visitas comerciais (ingresso a US$ 95), e um dia de caridade, quando visitantes pagam em torno de US$ 500 para ver a mostra com calma e pouca gente. A importância é doada entidades pias. Espera-se, nesta edição, vencer o topo de freqüência: 800 mil visitantes registrados em 2004.

Real

A decisão da Ford em criar empresa paralela, para fazer o GT, inequívoco esportivo, motor V?6 turbo entre eixos, linhas lembrando audácias estilísticas dos anos 70, sintetiza o mercado de automóveis hoje: é o tempo do supercarro, esportivos, sedãs performáticos. Em resumo, os fazedores de lucros.

Outro aspecto é a confiança do consumidor, inflando vendas e tocando o conjunto de engrenagens capitalistas.

Das novidades, meia dúzia de sete ou oito aparecerão no Brasil — especialmente as européias. Chrysler, Ford e GM, nos albores da indústria automobilística no Brasil fizeram perder a ligação com a cultura americana de automóveis — e perderam o bonde das vendas.

Na prática

Alfa Romeo – Terá novo caminho de vendas a partir de julho apresentando seu novo produto de médio porte e, a seguir, família cercando boa parte dos segmentos. Insiste em sua novidade maior, o Alfa 4C, agora em versão Spider. Apenas 400 unidades no ano, número garroteado pela capacidade do fornecedor da plataforma, monocoque mesclando compósito de fibra de carbono ultraleve e estrutura de alumínio.

Mantém o motor quatro-cilindros, 16 válvulas, injeção direta, turbo, intercooler. Seus 1,75 litro, 232 cv. Alfa esmerou-se em desenvolver o ronco do automóvel, com silenciosos Akrapovic. Baixo peso permite 0 a 100 km/h em 4,2 s;

Difícil aparecer no Brasil importado oficialmente.

Audi – O SAV Q7 (SAV de sport activity vehicle), maior na marca, ainda vende bem, mas a Audi exibiu o substituto, com mudanças estéticas e forte presença de infotenimento — informação com diversão — e conectividade. Virá ao país;

BMW – Novidades na Série 6, misturada estética de SAV e cupê. Virá;

Bentley – Produto marcante, o SAV mais potente do mundo, o Bentayga. E o novo Mulsanne Speed, com motor V-8 deslocando poderosos 6.750 cm³ e com dois turbos, capaz de acelerar da imobilidade aos 100 km/h em 4,8 s! Nos EUA, onde os impostos somam 6%, a US$ 335.600. Aqui? Uns R$ 2M e picos;

Buick – da GM é pouco lembrada no Brasil, e faz o nunca imaginado: apresenta ao mercado de origem seu crossover Envision, já lançado na China!

Cadillac – marca topo da GM incrementou seu automóvel de maior prestígio, o CTS-V, motor V-8, 6,2 litros, com compressor, emprestado ao Corvette, 640 cv de potência, em pacote incluindo freios Brembo. Sem chances de vir;

 

Foto Legenda 01coluna 0315 - Cadillac CTS-V  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 01coluna 0315 Cadillac CTS V

Cadillac CTS-V, motor Corvette

Chevrolet – marca de entrada, reapresentou o Volt plug-in. Cara de automóvel normal, híbrido com motor 1,5-L como gerador de energia. Desvia os problemas da autonomia limitada dizendo-o híbrido com autonomia estendida;

Ford – Atrações são pela esportividade — e preços altos do substituto do GT; dos Mustang Shelby GT 350 e 350R, este um carro de corridas para andar nas ruas; e do picape Raptor.Mantém a política de substituir motores V-8 aspirados por V-6 turboalimentados. No GT, central, o V-6 de 3,5 litros, com duplo turbo e dupla injeção produz 600 cv. Elevada potência específica permitiu gracinha no Naias: diziam-no em vez de EcoBoost, EcoBeast!

GT – Será produzido ao final de 2016 para marcar os 50 anos da acachapante vitória dos Ford GT40 sobre os Ferrari na 24 Horas do Mans. Motor central, plataforma em compósito de fibra de carbono, suspensão em alumínio. A divisão Performance planeja projetos até 2020. A Ford acha o segmento atraente e rentável.

 

Foto Legenda 02coluna 0315 - Ford GT  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 02coluna 0315 Ford GT

Ford GT, próximo ano

Hyundai – Exibiu o Sonata híbrido, sem passaporte para o Brasil, e conceito chamado Santa Cruz para abrir caminho: cruza de automóvel com picape, cinco lugares, cara de briga, elevado do solo, rodas largas, charmosas porcas centrais em cubo rápido. Pequena capacidade de carga, mas a caçamba se amplia. A idéia é o conceito de Macho Man urbano.

 

Santa Cruz Crossover Truck Concept  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 03 coluna 0315 Hyundai Santa Cruz

Hyundai Santa Cruz. Automóvel, grande porta-malas aberto

Mercedes – Debutou o GKE Coupé, concorrente do BMW Série 6 e, mais impactante, topo na marca, o Mercedes-Maybach 600. Maybach era a mais prestigiosa das alemãs, assumida pela Daimler, lançando modelos concorrendo com Rolls-Royce e Bentley. Não deu certo, e a Mercedes lançou mão da prata da casa e desenvolveu o novo produto a partir da versão presidencial do Classe S, feita à mão, e conceitos como o motor V-12 biturbo, 523 cv, o arranjo interno, o isolamento termoacústico, tendo-o como o mais silencioso carro do mundo, e mimos como o banco traseiro direito permitindo reclinar, empurrando o da frente até o painel. É Classe S crescido 21 cm entre bancos.

Foto Legenda 04 coluna 0315 - Mercedes-Maybach 600  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 04 coluna 0315 Mercedes Maybach 600

Mercedes-Maybach 600

Foto Legenda 05 coluna 0315 - Mercedes-Maybach  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 05 coluna 0315 Mercedes Maybach1

Conforto, muito, para duas pessoas no banco traseiro

MINIUsou icônico nome John Cooper Works para modelo exibido no Naias 2015. John Cooper, preparador, colocou o Mini nos ralis e corridas em circuito, conseguindo ótimos resultados de performance. Works indica serem os carros da equipe de fábrica. A aura indica motor 2-L, turbo, 228 cv. É o mais potente MINI da história. Virá ao Brasil;

 

Foto Legenda 06 coluna 0315 - Mini JCW  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 06 coluna 0315 Mini JCW

MINI JCW

Nissan – Pouco modesta, a Nissan exibiu o picape Titan, rotulando-se como criadora de novo segmento. Motores V-6 e V-8 Cummins diesel, para trabalho.

ToyotaComo as japonesas nos EUA, mira no picape líder Ford F-150 e tenta copiar com charme. A Toyota fez com a nova versão do Tacoma. Outro sem visto para o Brasil.

Volkswagen – Dá passos cuidadosos para impor-se no mercado americano, grande, mas com participação pequena. Uma das alavancas para isto é o Cross Coupé GTE Concept. O protótipo é elétrico, mas com todas as ferramentas ao uso de motores endotérmicos. É evolução do CrossBlue Coupé apresentado no Naias 2013 e na prática veja-o como o sucessor do Tiguan sobre a nova plataforma MQB, a mesma do Golf e do Jetta. Usa motor VR6, de “V” estreito, e outros dois elétricos. Quando em produção nos EUA ao fim de 2016 terá sete lugares.

 

Foto Legenda 07 coluna 0315 - Cross Coupé  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 07 coluna 0315 Cross Coup

Cross Coupé, substituto do Tiguan

Tecnologia – Com certeza a mais revolucionária presença no Salão de Detroit está no pequeno estande da Local Motors. É o Strati, automóvel projetado para ser construído em impressora 3D. A primeira fase, impressão, leva 212 camadas de plástico ABS reforçado com fibra de carbono. A intermediária apara e refina os detalhes da impressão completa, e o passo final é a montagem da arquitetura mecânica, equipamento elétrico e pneus. Não é apenas novo automóvel, pode ser a democratização de sua produção, ou o surgimento de mini-indústrias. É desenvolvido em processo simples para ser construído de maneira simplória. Local Motors indica o mesmo conceito pregado pelo Dr Gurgel com o Cena: disseminar pequenas montadoras pelo país.

 

Foto Legenda 08 coluna 0315 - Strati  Salão de Detroit esquenta o frio Foto Legenda 08 coluna 0315 Strati

O Strati, projetado para e feito por impressora

 

RN

A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Roberto Nasser
Coluna: De carro por aí

Um dos mais antigos jornalistas de veículos brasileiros, dono de uma perspicácia incomum para enveredar pelos bastidores da indústria automobilística, além de ser advogado. Uma de suas realizações mais importantes é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, verdadeiro centro de cultura automobilística.

Publicações Relacionadas

  • Marcos Namekata

    Imprimir uma carroceria inteira em 44 horas… me lembrou na hora do último post do André Dantas sobre pirataria e impressão de peças em impressoras 3D, que cada vez mais parece acessível a nós.

    • Marcos, também pensei nisso. Mas será mesmo assim. Cada dia leremos mais e mais sobre impressão em 3D.
      A impressão 3D também poderá permitir a construção de carros “open source”, onde se comprariam kits com motor, transmissão e outros componentes, e chassi e carroceria seriam feitos em impressão 3D em empresas prestadoras de serviço para peças grandes.
      Quer montar um Lotus Seven? Dá. Quer montar um Cobra? Também. Um Puma? Mesma coisa. E assim por diante.

      • CorsarioViajante

        Sorriso de orelha a orelha aqui!

    • $2354837

      É uma revolução muito maior do que pode parecer

  • Andre L

    Do Sr. Gurgel devemos lembrar sempre: mercantilista em essencial, queria benesses e mais benesses, incentivos fiscais e o diabo aquático para produzir seus veículos que ninguém queria comprar.
    Depois, dez aquele IPO as avessas, tungou a poupança popular, e entregou um carro de plástico, com meio motor, altamente poluente e inseguro, uma verdadeira bomba.
    A realidade é dura, mas é a realidade: os consumidores, os senhores do mercado, fizeram sua escolha e entregaram à Gurgel tudo o que ele merecia: desprezo e ostracismo.
    Sinto, mas, infelizmente, o Sr. Gurgel é um exemplo do que não fazer.

    • braulio

      Eu não posso criticar muito o Sr. Gurgel, afinal, não projetei nem construí nem parafuso até hoje, quanto mais carros inteiros! Mas é interessante notar que todas as pessoas são complexas, então ele pode ter sido um gênio com atitudes de canalha ou um canalha com ideias geniais, e uma coisa não exclui a outra…

    • Artur Afonso

      Cara, não fale sobre o que você não conhece. Aqui na internet você está protegido pelo anonimato, mas se um dia disser uma bobagem como esta perto de pessoas que respeitam a história de Gurgel você vai passar vergonha. Abraços!

  • Daniel

    Desculpe, com todo o respeito, se pouco conhece a história, sugiro informar-se sem preconceitos antes de protagonizar uma verborragia desse tipo. Talvez esta mentalidade terceiro-mundista do brasileiro seja uma das principais razões pelas quais estamos deixando de ser um pais (pouco) industrializado para voltarmos à condição de exportadores commodities. Triste.

  • Vinicius

    Discordo quanto à qualidade dos carros da Gurgel. Os carros eram condizentes com as condições de produção e a tecnologia de sua época. E eram carros bastante duráveis. Em cidades litorâneas, é comum ver vários X12 relativamente inteiros circulando – muita gente de lá comprava o carro por conta da carroceria de fibra, resistente à maresia, da mecânica simples, da suspensão robusta e do Seletraction (freios independentes nas rodas traseiras), que quebra um bom galho pra quem anda em terrenos arenosos.

    A grande inovação da Gurgel foi a linha de produção circular, que ocupava menos espaço e demandava menos investimento em maquinário.

    Quanto ao “IPO às avessas”, a idéia foi copiada de um certo Henry Ford.

  • V_T_G

    Meu caro,
    você é empresário? Que tipo de empreendimento?
    Quanto ao fato de ser poluente, você fala em termos comparativos com os automóveis da época? Outra coisa, o fato de “ninguém querer comprar” não atesta falta de qualidade mas assincronia com o mercado, não?

  • Ilbirs

    Consigo imaginar um mercado interessante de peças de reposição para carros descontinuados na base de encomendas. Pense aquelas peças mais chatas e difíceis de achar, como trincos de porta, detalhezinhos de acabamento e outras coisas, sendo facilmente impressas em pouco tempo.
    O Jay Leno já usa isso para sua coleção:

    Como se pode ver, dá para fazer os moldes de peças mais complicadas que houver sem maiores problemas, fora a vantagem de a impressão 3D permitir que se crie peças a partir de outras (como no caso de peças com formato espelhado, como maçanetas e estamparias, em que a digitalização da peça do outro lado e subsequente inversão da imagem permitem que se faça uma peça perfeita).
    Levemos em consideração também que já existe impressão 3D em metal, o que inclusive torna a coisa mais rápida por pular a etapa do molde em plástico:

    Logo, vamos considerar também a possibilidade de já sair direto uma peça mecânica prontinha para ser usada. Como há uma digitalização tridimensional, também há como se resolver na própria impressão problemas intrínsecos de uma peça (imagine, por exemplo, alguém imprimir uma coluna de direção do Nissan Tiida que não dê os problemas pelos quais tal peça ficou conhecida). Logo, você poderia na prática fazer uma peça impressa que fosse mais resistente e bem acabada que uma OEM historicamente problemática.
    Também já vi que existe impressão 3D de borracha, que também poderia ser aplicada a automóveis:

    Alguns aqui irão se lembrar de certos modelos com buchas problemáticas (Opala, Fox e outros) e já devem ter imaginado que uma impressão 3D desse material poderia corrigir problemas intrínsecos (ainda que no caso do Fox dê para usar a bucha do CrossFox). Também já devem ter imaginado a possibilidade de imprimir guarnições diversas, incluindo aí a possibilidade de corrigir eventuais problemas de infiltração de água e poeira antes mesmo de dar Ctrl+P.
    Imagine aí também os fornecedores de peças que conhecemos, e que possuem as matrizes das peças, passando os desenhos diretamente para uso em impressora 3D e também vislumbramos a possibilidade de ter uma peça de reposição na hora em que quisermos e independente ou não de viabilidade, pois seria só questão de encomendar ao fabricante, que poderia usar a máquina para essas pequenas tiragens sem maiores problemas. Consideremos aqui o fato de que nem todo mundo teria vontade de ter uma impressora 3D de metal ou plástico para a impressão de apenas uma peça e posteriormente ficar encostada em um canto. Porém, isso é algo que interessaria a um fabricante justamente por não mobilizar o maquinário destinado a peças de maior giro.

    Enfim, vejo um bom futuro nessa história toda e é capaz de vermos outros usos além desses que estamos imaginando. Vai saber se um pneu é imprimível, por exemplo. Isso por si só acabaria com os dramas gerados por medidas descontinuadas que porventura só existam em outras marcas e com qualidade inferior.

    • Leo-RJ

      Caro Ilbris,

      Penso exatamente como você. Construir peças de reposição difíceis de encontrar, por exemplo, o aerofólio do Monza SR, ou de um Subaru mais antiguinho. Um amigo penou para encontrar o aerofólio de um Monza 500 EF que ele estava reformando. Neste caso a impressão 3D seria a solução ideal.

      Leo-RJ

  • Lorenzo Frigerio

    Acho curioso a Bentley ter voltado, há alguns anos, a usar o jurássico motor Rolls-Royce, pois durante algum tempo adotou o W-12 da VW. Quem sabe ainda fosse mais barato de fabricar que o W-12, pois, sendo um Bentley, não depende de soluções de produção em massa para baratear a qualidade e durabilidade aplicada ao bloco e aos componentes.

    • Eduardo Palandi

      A Bentley sempre usou o seis-e-três-quartos nos modelos com desenho “clássico” (Arnage, Azure, Brooklands e Mulsanne). o W-12 e o V-8 de origem VAG ficam reservados para a linha Continental, de desenho “moderno”.

  • Fernando Bento Chaves Santana

    A Gurgel cometeu muito erros, verdade. Talvez o maior deles foi o de ingressar no segmento de produção em larga escala sem uma tecnologia adequada para tal. Mas com a linha BR e com o Delta ele estava preocupado em criar alternativas para fugir das carrocerias de aço estampado, um problema com o qual o engenheiro Gordon Murray (McLaren F1) está lidando há mais de 20 anos. E é interessante como seu conceito de produção iStream guarda interessantes semelhanças com o Delta: chassis tubular de aço ou alumínio revestido com painéis de plástico reforçado. Esta tecnologia de impressão 3D junto com montagem robotizada dos chassis tubulares são as peças que faltaram para substituir o montagem manual dos chassis e os painéis de plástico reforçado com fibra de vidro dos BR e Delta.