Alfa Romeo Twin Spark 2.0 (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Alfa Romeo Twin Spark 2

Alfa Romeo Twin Spark 2.0 (foto do autor)

 Encostei a cabeça no travesseiro, fechei os olhos e senti a mão esquerda que doía um pouco. Um pequeno corte e algumas marcas vermelhas na pele eram testemunho de uma invasão em uma área de difícil acesso no compartimento do motor do meu Alfa 145. Bem que tentei usar uma luva, mas não resolveria o problema que eu estava investigando. Tinha uma fresta aberta no fechamento da caixa plástica, onde fica o elemento do filtro de ar. E precisava de sensibilidade para achar onde era, não estava funcionando com a luva vestida.

Eu deveria estar apresentando o carro de uma outra maneira para o leitor do Ae, relatando como começou o namoro com o carro, ainda nos anos 1990, sua história de projeto e a saga que seguiu até conseguir colocar as mãos, e o meu nome, nos documentos de um exemplar. Mas vou quebrar o protocolo e começar pelo agora, tema do texto de hoje, aos poucos iremos voltar no tempo e caprichosamente revisitar matéria a matéria, a deliciosa caminhada de mais um interessante automóvel regado a molho de tomate e aceto balsamico.

Um Alfa Romeo não nasce para ser prático, nasce para ser degustado, e para isso pede habilidade e drama, necessários para encarar a vida, tipicamente à moda, como fazem aqueles da turma do país de Leonardo da Vinci.

Deixando o drama de lado, é claro que a mão não doía tanto assim, só estava levemente ralada. Não era a primeira vez que alguma seqüela remanescia após uma aventura mecânica, e torço para que não seja a última. Fuçar no carro é um dos meus vícios e deve ter alguma contra-indicação. Até que surjam os sintomas, vamos tocando em frente.

 

Alfa 145 (Divulgação)  PARA GOSTAR DE TER Alfa 145 Divulga    o

Alfa 145 (Divulgação)

Tinha jantando com a família naquele sábado à noite, e como costumamos fazer, cada um conta um pouco do seu dia. Minha história não interessava tanto assim e não foi popular à mesa. Sabiam que eu tinha mexido no carro, mas não tinham notado nenhuma diferença e, mais, não compreendiam por que fui mexer no motor se o mesmo funcionava bem. Da minha parte, eu também não entendi por que minha esposa tinha saído para ir comprar uma bolsa nova, se tinha uma porção de bolsas novas na parte alta do guarda-roupa. Então ficamos quites.

Após o jantar atualizei minha leitura no Ae, em seguida bateu o sono e fui deitar lembrando da volta que havia dado naquela tarde de sábado com o 145, depois da pequena mexida que havia realizado no carro pela manhã. Eu achei o motor mais redondo, como se enchesse melhor os cilindros, e o ronco (que para mim ainda é um dos melhores sons provenientes de um quatro-cilindros) estava mais grave, mais presente.

O Twin Spark, neste caso um 2-litros, é no meu entender um dos mais fascinantes casos de sucesso entre casais italianos, bloco e cabeçote se entendem como poucos, certamente um dos melhores do universo em quatro cilindros.

 

Um quatro cilindros fantástico (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Um quatro cilindros fant  stico foto Autor

Um quatro-cilindros fantástico (foto do autor)

Mas o espaço no compartimento do motor do 145 não é exatamente uma suíte presidencial, e o casal se vê levemente apertado entre tantos convidados para a festa de núpcias. Vieram o compressor do ar-condicionado, a central de controle do ABS, radiador de água, trocador de calor óleo-água, coletor de admissão com sistema de variação de roteiro, acumulador de energia elétrica também conhecido por bateria, e a tal caixa que acomoda o elemento do filtro de ar. Enorme. Toda esta turma quer dividir a suíte com o casal principal dono da festa, bloco e cabeçote ficam ali no meio da confusão.

Tudo funciona como um relógio, só que o acesso a alguns dos convidados foi prejudicado. Para realizar manutenção no cofre do motor tem que ser paciente e saber degustar, com calma e paciência. Apressados ou brutamontes não terão sucesso na empreitada, neste caso Arnold Schwarzenegger não pode ser comparado com Roberto Benigni, ambos tiveram sua carreira de sucesso no cinema mas têm uma personalidade e um pegada muito diferente. No mundo da Alfa Romeo finesse é fundamental.

Muito pouco prático, mas aproveitando o espaço até o limite do espaço reservado para o conjunto motor, e quase encostado na parte interna do pára-lama esquerdo, encontra-se o filtro de ar do Alfa 145. Como 1/3 da tampa plástica fica sob a carroceria do veículo, escondida pela parte superior do pára-lama, e esta tampa é também a conexão com a mangueira de borracha que leva ao corpo da borboleta, o simples trocar de um elemento filtrante fica assim mais dramático, não muito claro, mas fica e tem que ser assim para manter o pedigree.

 

Motor e Filtro do Alfa 145 (Divulgação)  PARA GOSTAR DE TER Motor e Filtro do Alfa 145 Divulga    o

Motor e filtro de ar do Alfa 145 (Divulgação)

Alguém certa vez me aconselhou, vai ter um Alfa Romeo, é melhor conhecer uma boa oficina mecânica. Como bom entusiasta fiz desdém, os Alfa são bem projetados, pensei, e neste caso tem um parentesco Fiat importante, que leva a crer que soluções práticas comuns em veículos de massa estariam por lá. Bem, quase assim. O Twin Spark é Alfa, não Fiat. E os engenheiros da casa de Arese não queriam abrir mão do seu DNA, mesmo em um dos mais simples Alfas de todos os tempos como o 145.

Acredito que até um bom mecânico irá lutar um pouco para notar que a caixa que aloja o elemento do filtro de ar do Twin Spark requer um pouco de atenção. Não é só tirar dois clipes e abrir, tem a conexão com a mangueira da admissão, tem a parte escondida sob a carroceria e tem dois pontos de apoio fundamentais para manter a vedação, e adivinha onde estão estes dois pontos? Bem escondidos perto do pára-lama. Minha desconfiança do resultado final da última intervenção, em oficina especializada, levou a investigar como estava a montagem da tal tampa e desconfiei que havia sido deixada uma fresta na última montagem.

 

Desmontagem do Filtro do Alfa 145 (Divulgação)  PARA GOSTAR DE TER Desmontagem do Filtro do Alfa 145 Divulga    o

Desmontagem do flltro de ar do Alfa 145 (Divulgação)

Minha escolha poderia ter sido simplesmente ir reclamar com o mecânico, mas, para quê? Para ele desmontar e montar tudo de novo? Seria muito simples, resolvi aproveitar a motivação para investir alguns dólares em um novo elemento filtrante, daqueles que a gente pede para um colega trazer dos Estados Unidos, e que a embalagem promete um milhão de milhas sem trocar, apenas lavando de vem em nunca (lavagem a cada 80.000 km, segundo a mesma caixa).

Demorou um pouco para chegar, mas pela manhã fiz o “favor” de ir buscar meu amigo no aeroporto, e assim tive acesso imediato à encomenda. Algumas horas depois uma chave Philips começou a trabalhar.

 

Iniciando os Trabalhos (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Iniciando os Trabalhos foto Autor

Iniciando os trabalhos (foto do autor)

A desmontagem prosseguiu sem sobressaltos, e apreensivo como quando se veste um antigo terno, torci para o novo filtro encaixar sem ficar folgado ou justo demais. E ficou perfeito. Queria remontar tudo logo no lugar para poder rodar com o carro e testar outras promessas descritas na embalagem do produto.

Comecei a remontagem e não foi tão simples assim, busquei na memória uma palavra que representasse um xingamento em italiano e apelei. Por que não podia ser ingênuo e prático? Tinha que ser como o creme Zabaione, você lê a receita e pensa, mamata, simples demais, tenta fazer e não fica como aquele que você provou uma vez feito por quem sabia o que estava fazendo.

 

Filtro de Ar Convencional  PARA GOSTAR DE TER Filtro de Ar Convencional

O elemento do filtro de ar convencional (foto do autor)

Desculpem-me, parece que mais uma vez o drama quer vencer a narrativa. Foi difícil mas não tanto assim, descobri que a montagem requer o cuidado de encaixar os apoios escondidos, e que ficam muito escondidos, sem visão alguma e nem acesso com as mãos, mesmo quando se aceitam escoriações.

Alguns segundos de pressão sobre a tampa e um forte som de encaixe me tranquilizou, a tampa também monta sem este clique, mas deixa uma fresta do lado que se esconde no pára-lama, você acha que ficou bom e não tem como checar, por isso havia ficado aberta uma ligeira fresta deste a última visita à oficina.

 

Sujeira idicava a falta de vedação (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Sujeira idicava a falta de veda    o foto Autor

Sujeira indicava a falta de vedação (foto do autor)

Com a atenção a este ponto você terá uma maior longevidade do seu motor, menos impurezas irão acessar o delicado sistema de admissão do coletor do Twin Spark, além disso menos risco de entrar algo estranho dentro dos cilindros, riscando suas paredes. Poderia ser mais segura a montagem ou mais simples, já que o filtro de ar é um item de troca freqüente. Mas não é. Um Alfa Romeo não precisa ser simples, poderiam ter pensado nos riscos ou imaginado que não ficou fácil garantir que está correto, mas resolveram o desafio de como colocar tudo o que precisava dentro do espaço limitado. Pois um Alfa Romeo tem que ser assim, interessante e não simples. Inconfundível e não comum.

Caso o proprietário de veículos assim não seja cuidadoso, a manutenção corre o risco de não ficar perfeita, mas a história continua e depois de um tempo a fama de complicados ou de frágeis vai se formando. Tantos carros bacanas passam por esse mesmo drama.

Existem automóveis mais robustos, ou mais simples no quesito manutenção. Outros mais “conhecidos” pelos mecânicos por aí afora. E existem carros para quem não se preocupa com isso e encara o desafio de mantê-los em bom funcionamento, e fazem desta característica uma fonte de prazer. Carros para gostar de ter.

 

Boa parte da caixa do Filtro de Ar fica escondida (Divulgação)  PARA GOSTAR DE TER Boa parte da caixa do Filtro de Ar fica escondida Divulga    o

Boa parte da caixa do filtro de ar fica escondida (Divulgação)

Apenas chegava a hora do almoço e eu já estava satisfeito com o meu dia. Havia encontrado um amigo e também uma solução para um problema no carro, do que mais se precisa para viver? Ah, sim, ainda estava ansioso para sentir o resultado da empreitada. Antes disso, porém, uma nova satisfação surgiu enquanto dava a última volta no último (quatro no total) parafuso que cerrava o novo filtro de ar “esportivo” em seu confinamento. Pensei em voz alta, não vou precisar trocar o filtro tão cedo, este aqui dura muito mais tempo. Resolvi o problema original.  

 

Filtro de Ar Esportivo (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Filtro de Ar Esportivo foto Autor

Filtro de ar esportivo instalado no 145 (foto do autor)

Depois do almoço verifiquei novamente o aperto dos quatro parafusos, já acomodados com a vedação do novo filtro, conferi o óleo do motor e chequei o nível de água. Acho que esta parte não precisava, mas como falta d’agua é um assunto da moda, vale a pena sempre certificar. Tudo no nível certo, como previsto na checagem da semana anterior. E fui para a rua.

Impressionado positivamente pelas promessas do novo produto, achei que a aceleração mudou um pouco, com os giros do motor chegando de maneira mais fácil, e um pouco mais bacana o ronco do motor. Em baixa este foi o resultado, em alta, a partir de 4.000rpm o carro ficou bem melhor, rapidamente chegando no limite de regime, já era divertido, ficou arisco. O novo filtro oferece menos resistência ao fluxo de ar, o que faz mais diferença em giros elevados. Aprovado o resultado final pensei novamente em voz alta, “valeu a pena o trabalhão”.

Que drama, e que prazer.                                                                                                  

 

Alfa 145 (foto Autor)  PARA GOSTAR DE TER Alfa 145 foto Autor

Alfa 145 (foto do autor)

 

Aguarde mais sobre o Alfa 145 nas próximas matérias.

FM

Sobre o Autor

Felipe Madeira

Engenheiro, atuando na indústria desde o início dos anos 1990, focado no segmento de autopeças e fabricantes de veículos. Apesar de algumas preferências automobilísticas pouco ortodoxas, aprecia de tudo um pouco quando o assunto é carro. Interessado não só no mundo automobilístico nacional, mas também antenado no que acontece lá fora. Propõe em seus posts um papo aberto e sem preconceitos neste cotidiano, mas fascinante, mundo sobre rodas.

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  • Rafael Sumiya Tavares

    Felipe Madeira,
    Parabéns pelo texto! Alfa é assim, exatamente como você descreve, e sei bem, pois em casa já está no terceiro e cada vez uma mais complicado, o da vez é um 156 Sportwagon com o invocado Busso 2,5 litros… Em tempo, se você quiser o kit original de limpeza desse filtro eu tenho um sobrando, vendi meu querido Mitsubishi e junto foi o filtro que não tive oportunidade de lavar! Qualquer coisa estamos às ordens.
    Um abraço,
    Rafael Sumiya

    • Felipe Madeira

      Rafael, obrigado pelo seu comentário e cuide bem do 156, só a história e a tradição do bloco Busso de 6 cilindros já vale o tratamento de dinastia. Abraço.

  • MAO

    Show de post FM! Você é o cara!
    MAO

    • Felipe Madeira

      Valeu MAO! Abração.

  • francisco greche junior

    Vocês do Ae com estas histórias de Alfas, isso está me contagiando.

    • Felipe Madeira

      Francisco, deixe-se contaminar.

  • Christian Sant Ana Santos

    No apartamento onde acampo aqui em São José dos Campos, tem um 156 que me faz sonhar, mas o dono já disse que não vende.

    • Felipe Madeira

      Christian, um Alfa Romeo não se vende, não fica bem para o seu proprietário. Para passar o carro para a frente alguém tem que comprar o Alfa de você. Tente esta abordagem com o seu vizinho. No mínimo você irá ganhar respeito com ele.

  • joao vicente da costa

    Pelo jeito, não é apenas o Alfa que merece ser degustado: um texto como esse também! Só o Ae proporciona momentos assim, que só amantes do automóvel entenderiam: como a (não tão) simples montagem de um filtro de ar pode render deliciosos parágrafos e mais parágrafos que nos deixam, como um belo prato italiano, com vontade de “quero mais”!

    • Felipe Madeira

      João, Teremos mais. Abraço.

  • Mr. Car

    Alfa-Romeo eu tive. E gostei, he, he! Vá lá que não era italiana, era o brazuca Alfa Romeo 2300, meu primeiro carro de fato, modelo 1977 que comprei em 1992, mas estava impecável, e custou uma merreca, tipo uns R$ 3.000,00 em dinheiro de hoje, creio que por ainda não haver a maldita especulação que se vê atualmente com carros a caminho de poderem ser considerados antigos. Usei normalmente por mais cinco anos, sem nenhuma dor de cabeça, nunca deu um defeito. Carrão. Todos os amigos babavam e queriam andar nele. Depois, em 1994, herdei um Gol GL 1.8 1991 do meu pai, e acabei vendendo o Alfa para um destes amigos, em 1997.

    • CorsarioViajante

      O lado bom da tal “especulação” dos antigos é que isso salva eles. Antigamente cansava de ver SP2 ou KG detonados, modificados, destruídos. Hoje é bem raro!

  • $2354837

    Sempre desconfiei desses filtros da K&N. Talvez importe um para minha moto.. Por enquanto tá beleza, tenho estoque de uns 4 filtros, pois toda compra que faço aproveito o frete para trazer um. Será que esse filtro não tenha uma porosidade muito grande, não deixando as pequenas partículas de sílica passar pela filtragem?

    • Rafael Sumiya Tavares

      Luiz_AG, esse filtro utiliza um óleo impregnado na trama de algodão, não passa nada!!! É utilizado em carros de rali, daí se vê a utilidade, fora o fato de ter 1 milhão de milhas de garantia. Só não coloco no carro que comprei agora porque é zero quilômetro e os filtros estão incluídos nas revisões de preço fixo, mas deixe expirar a garantia…

      • Domingos

        Porém não lambuse de óleo porque dizem que queima MAP/MAF.

  • Raphael Duarte

    Muito bacana essa matéria. Embora seja um legítimo Alfa Romeo, possui um DNA da Fiat. Um leve esportivo de motor aspirado que é praticamente uma obra prima. É impressionante de como cada espaço do cofre foi devidamente utilizado. Não é para qualquer mecânico realizar manutenção em motores como esse. Eu sempre tive admiração pelos veículos da Alfa.

  • Marcos Alvarenga

    Esse carro me atenta sempre.

    Qualquer dia aparece um aqui na garagem de casa.

  • CorsarioViajante

    Hahaha eu já me satisfaço trocando o filtro por outro limpo, comprado na concessionária…

  • André Stutz Soares

    Belo post autoentusiasta! Todo Alfa é apaixonante… Abraço!

    • Felipe Madeira

      Obrigado André, abraço.

  • BlueGopher

    Acho que não existe nenhum alfista que não tenha sofrido (no momento) e rido (posteriormente) de alguma aventura como esta.

    Lembrei que certa vez, há muuitos anos atrás, tive a feliz idéia de desmontar o motor de partida do meu FNM 2150, que estava com algum mau contacto elétrico (nada de mais) num fim de semana na casa de campo entre Atibaia e Piracaia, em SP, sem ninguém por perto (eis o problema).
    Nunca pensei que o tal motor de partida fosse tão pesado e além disso exigisse uma pessoa por baixo do carro para posicionar o motor e outra por cima para colocar o primeiro parafuso de fixação.
    Ou alguém com 3 mãos embaixo do carro…
    Se não fosse uma corda e um providencial galho de uma grande figueira, a coisa teria ficado complicada.

  • marcus lahoz

    Felipe

    A posição do filtro, o filtro e o suporte do mesmo são exatamente iguais aos do marea. Já troquei algumas vezes e realmente é um inferno.

    Mas o melhor de carros italianos é isso, você faz, faz bem feito e isso cria uma paixão com o carro. Não é como aquele veículo que qualquer um sabe mexer que não se tem dificuldade alguma; sem graça e chato.

    Viva a bagunça Italiana!!!

    Também coloquei um filtro esportivo no meu carro, mas é fabricado no Brasil (Santa Catarina); e o resultado é este mesmo, mais arisco e um pouco mais solto de alta.

    Gosto também de colocar um condicionador de metais no óleo.

    • Thiago Teixeira

      Militec?

      • marcus lahoz

        Molykote a-2. Aqui na fábrica já comprovamos a vantagem em utilizar grafite no lubrificante (no caso graxa), assim uso no carro e vai muito bem.

        Já usei Militec, não vi vantagem, e também não vi desvantagem.

  • REAL POWER

    Sistema de admissão de um motor é algo muito importante. Quando bem projetado, o motor rende mais. O problema é quando as fabricas por questão de custo usam o mesmo elemento filtrante para motores de diferente cilindrada. Um exemplo é da Renault. Que usou a mesma caixa e mesmo elemento filtrante nos motores 1.6 16v e 2.0 16v. Filtro pequeno. Depois de alguns anos em produção passou a usar filtro grande nos motores 2.0 16v. O pior de tudo é que o filtro pequeno é bem mais caro para reposição. Vai entender, né. Isso me passa a impressão de pouco empenho e vontade de fazer bem feito. Apesar de ser mais em relação ao custo final do carro. Tem casos curiosos, como o Calibra 2.0 16v e o Polo Classic 1.8 8v, que possuem dentro da tubulação de admissão junto a caixa do filtro um redutor interno. A simples retirada do redutor já da nova vida ao motor em alta rotação. Tive um Polo e removi esse redutor e a diferença é impressionante. Os Alfa sempre são sinônimos de sistema de admissão bem elaborados, até na questão do barulho, que empolga quem dirige. Felipe Madeira, continue mexendo no seu Alfa e nos contando. Abraços.

  • Felipe Madeira

    Valeu pelo comentário Raphael!

  • FAF

    FM, belo texto… entretanto, também fico muito desconfiado destes filtros “menos restritivos” para utilizar no Brasil. Vejo pessoas utilizando-os até em SUV 4×4 que realmente sabem o que é off-road (não são os SUV’S que jamais engatam a dianteira) e fico com a dúvida em saber até que ponto pode prejudicar, no sentido de diminuir, a vida útil do motor. Para utilizar 100% em pavimentos até vai, mas em qualquer outra situação, até mesmo passar por uma simples estrada de chão, Eu não usaria… Você tem alguma opinião sobre isso? Abraço

    • Felipe Madeira

      FAF, no meu caso o plano é usar o carro apenas no asfalto. Usar este artifício em motores grandes, que trabalham em baixo regime e na terra, não parece a melhor aplicação.

    • Felipe Madeira

      FAF, meu plano é usar o carro somente no asfalto. Aplicar esta alternativa em motores grandes, que trabalham em regimes menores de rotação e em estrada de terra, parece ser menos interessante.

  • Antônio do Sul

    O 2300 era brasileiro de fabricação e de projeto. Foi o casamento de plataforma e parte mecânica dos JK/TIMB com desenho inspirado nos Alfa italianos da década de 70. Ficou ótimo, tanto que foi exportado até para a Alemanha.

  • thiago teixeira

    Coloquei um no meu carro. A principio a diferença que notei de potencia foi mais psicológica. O som aumentou um pouco. Disseram por ai que o ideal é tirar tubos e a caixa que leva o filtro. Coloca-lo diretamente no coletor. Isso eu não quis fazer não.

  • Jonas Torres

    Eu não confio nesse canto das sereias desses filtros, onde só tem ganha-ganha segundo a embalagem. Prefiro o original.

    Lembro que no Gol bolinha tinha uma versão de motor em que a caixa do filtro ficava esbirrada na para-lama. Vez ou outra vejo um que empenou o plástico e não veda mais, de tanto tempo que andou sem encaixar.

  • Mingo

    Tem certos carros em que o lema é: “O difícil é ser fácil”.
    Admiro muito eles, mas para mexer e ter na garagem, prefiro aqueles com filtro tipo “panela”, onde se gira uma porca borboleta e em no máximo 1 minuto o filtro de ar está trocado.
    Eu sempre achei que engenharia serve para descomplicar as coisas. O próprio Leonardo Da Vinci, que você cita, dizia que o maior grau de sofisticação é a simplicidade. Creio que ele jamais projetaria algo como esse filtro de ar da Alfa…

    • Lorenzo Frigerio

      O Mr. Car “curtiu” essa dos filtros “panela”… rs.
      O filtro do Alfa é típico de carros injetados, mas não há dificuldade alguma em trocá-lo.
      Quanto a Leonardo da Vinci, gosto sempre de lembrar do arquiteto mais influente do séc. XX, Ludwig Mies van der Rohe, que dizia: “less is more”. O fato é que, atrás da aparente simplicidade, residem muitas horas/homem de trabalho e pesquisa. É uma pena que a indústria automobilística muitas vezes jogue no lixo, em novas gerações de carros, certas configurações e sistemas que funcionavam muito bem, para introduzir piores. Isso é emblemático no que toca ao “acerto” dos carros… a VW é craque nisso, mas as outras fábricas não apresentam a mesma consistência.

    • TwinSpark

      A áurea dos Alfa é justamente essa, a complicação. Hoje ainda escuto gente falando que o melhor carro do mundo é Fusca por ser fácil de consertar.

      Também gosto de coisas que não dão problema, tanto que na garagem tenho um japonês e um italiano (Fiasa). O problema é que o daily é justamente o italiano…

      Ainda terei meu Alfa 156.

      • Domingos

        Inverteu as coisas hehehehe!
        Porém, quanto aos Fuscas, mais prova do quanto tem de mito por aí. Tem gente que gosta de fazer trambique, simples assim. Para esses, carros que aceitam arremedos (e não consertos/manutenção), são sempre os melhores.
        Comparado a um Gol quadrado a manutenção do Fusca é horrível. Porém, para quem é gatilheiro mesmo, não tem vergonha na cara em ser tão porco, o Fusca aceita mais uns consertos na base do arame realmente…
        Infelizmente muita gente é assim. Invertem o entusiasmo completamente: tudo é feito apenas para ir andando com menos que o mínimo…

  • Lorenzo Frigerio

    Também coloquei um K&N no meu Calibra, e o sistema de fixação é idêntico. Apenas o encaixe do filtro é um pouco diferente, pois ele é feito para mais de um carro e não tem essa projeção para baixo que estabiliza o cartucho na caixa. Em geral, quando troco o óleo, o posto de troca bate um ar comprimido nele, e se necessário limpam e aplicam óleo com os próprios produtos da K&N.
    Entretanto, a diferença no desempenho é ZERO.

    • brunollo

      Realmente, a diferença no desempenho é zero. Acreditoq ue am mior vantagem seja o uso de um elemento filtrante mais perene especialmente em modelos que já não têm tal elemento tão facil ou barato assim.

  • Matheus Ulisses P.

    Se um entusiasta de verdade já se empolga com qualquer carro, imagine quando é um Alfa Romeo…. Imagino o prazer que deve ter te proporcionado essa intervenção. Belo texto e parabéns pelo carro!

  • Michel Veras Santana

    “Um Alfa Romeo não nasce para ser prático, nasce para ser degustado, e para isso pede habilidade e drama, necessários para encarar a vida, tipicamente à moda, como fazem aqueles da turma do país de Leonardo da Vinci”

    Sinceramente a melhor frase que eu já li referente a um carro, sensacional!

  • Mr. Car

    Ou não. Por outro lado, alguém quer restaurar, mas não compra por estarem pedindo uma fortuna em um carro que vai exigir outra fortuna para ficar inteiro. Acho que o exemplo mais clássico são os Maverick. Qualquer bagaça mais para sucata que qualquer outra coisa, neguinho pede os olhos da cara. Aí, ele fica lá, parado, deteriorando, ou sendo usado até acabar.

    • RoadV8Runner

      É uma faca de dois legumes essa supervalorização dos antigos aqui nesta terrinha torta… Estou sentindo isso na pele ao garimpar peças para reformar meu SS 1980. Comprei o carro a preço que considero justo, mas as peças… Conversando com um restaurador, ele disse que os Opala e Caravan são o terceiro carro nacional mais caro para reformar hoje em dia. Em seguida vêm os Maverick e, no topo, os Dodge V-8 (que saem mais caro para restaurar por estas bandas do que um modelo americano!).

  • Um Alfa 145 prateado já é rara! Nesta cor e inteiro como esse parece ser e com este entusiasmo todo só para trocar o filtro de ar, dá para imaginar o que tu tens nas mãos… Não sei como é contigo, mas, quando descobrimos uma falha de algum serviço que pagamos para fazer e, ao fazê-lo nós mesmos constatamos que que rodamos sei lá quantos milhares de quilômetros com nosso entretenimento preferido (o carro!) com este erro, bate um misto de frustração e perda…. Frustração porque deixamos de acreditar no nosso mecânico no qual tínhamos plena confiança e perda porque podemos sentir que cooperamos por um uso deficitário do carro (no caso, ar contaminado direto para o sistema de válvulas, pistões e afins…Imagino a satisfação que sentiste ao escutar o “clic” do encaixe correto da tampa do filtro… Parece chilique de autoentusiasta, mas, se fosse eu, tinha ganho o dia! Parabéns pelo Alfa e belo post (além de instrutivo!)

    • Felipe Madeira

      Huttner, acontece exatamente como você relata em seu comentário, mas acho que faz parte de ser entusiasta lidar com esta mistura de emoções. Obrigado e até a próxima matéria.

  • Fabio Vicente

    Aqui no Brasil sinto falta dos chamados ateliês.
    Aquele conceito de oficina que cuida do carro fazendo a manutenção de forma minuciosa e cuidando do carro no estado da arte, não apenas trocando peças desgastadas ou defeituosas para fazer o carro funcionar. Oficinas que colocam mais ênfase na qualidade do serviço prestado do que a preocupação com o tempo e o espaço que um carro irá ocupar por lá. Os Alfas, BMWs, Mercedes e tantas outras marcas precisam de lugares assim para fazer a manutenção – ou de um proprietário com os seus conhecimentos… rs
    Praticamente ao lado da minha casa existe uma oficina que se aproxima um pouco deste tipo de trabalho. O pessoal trata muito bem os carros dos clientes, tanto que já vi de Fusca a Mercedes CLK por lá, passando por Chevelle SS, Camaro 1975 e Opel Senator coupe 1972, este por sinal pertencia ao proprietário.

    • Alexandre Garcia

      Fabio,

      Falta é gente que pense primeiro no que ama e depois no maldito dinheiro. Falta gente que respeite, estude e pratique boa técnica. Falta competência e sobra ego. Aí, meu caro, fica difícil. Falta muita humildade para aprender. Mas mudar isso é difícil demais. Por outro lado, não existe super-homem. Mecânica é uma profissão técnica como outra qualquer. Se um faz, o outro se quiser e aprender, faz também. DIY, faça você mesmo.

      • Domingos

        Tem gente assim nos grandes centros, existem algumas oficinas especializadas em franceses ou alemães em São Paulo – e também em Subaru e tantas outras – que executam um ótimo trabalho e possuem um bom amor pelo que fazem.
        Porém cobram pra caramba. Ao menos, merecem…

        • Alexandre Garcia

          Se não cobrarem bem, acabam soterrados por serviço. O custo reflete a disponibilidade também.

  • César

    É verdade, um Alfa Romeo (e também um Citroën, diga-se de passagem), são carros nascidos para serem degustados. Para proporcionarem ao seu feliz proprietário um pouco de adrenalina ao mexerem com peças caras, delicadas e de difícil encaixe. É a mais dura (ou atraente) realidade. Não têm o espaço abundante no cofre do motor de um modelo americano qualquer.
    Dentre os muitos modelos que já vi, me parece que o Citroën SM seja o estado-da-arte em complexidade mecânica. Não lembro de ter visto até hoje algo parecido…

  • Texto fantástico, Felipe!!
    Me identifiquei totalmente com o texto
    Minha 155 (desculpe, Bob, mas Alfa Romeo e Ferrari são femininas para mim) já me custou diversos arranhões, mas valeram a pena.
    No momento ela está assim, por conta de uma infiltração de água na caixa de fusíveis, vou remontar amanhã e espero que esteja tudo bem. Desejem-me sorte 😉

    • Bob Sharp

      Claro que lhe desculpo! Mas, que tal uma frase assim: O diretor chamou o sr. Mário e a sra. João à sua sala.. .Até lhe entendo, é um hábito tratar Alfa Romeo e Ferrari pelo feminino, mas automóvel não tem dois gêneros. E sorte na arrumação da caixa de fusíveis!

      • Valeu, Bob!!
        Faço o possível para usar o português correto tanto na fala quanto na escrita, até já parei de chamar os BMW e Mercedes no feminino, mas me permiti essa licença poética às minhas duas marcas do coração.
        E passando por Londrina você está convidado a dar uma volta na minha Guria.
        Abraços

      • brunollo

        Quem convive com uma Alfa por muito tempo sabe que são mulheres. Temperamentais na medida certa, e deliciosas na hora do “namoro”. Você, Bob, por anos convivendo com sisudos e tedescos VWs, deveria arrumar uma namorada italiana. Você iria se apaixonar pela macchina, e de quebra faria um ciuminho nas outras mulheres da sua vida… E nunca mais chamaria um Alfa pelo termo masculino… “Eu tenho um carro Alfa Romeo… ” e sim “Minha Alfa Romeo é uma macchina!” Mas ah! você já deve ter tido essa conversa muitas vezes…

    • Thiago Teixeira

      Boa sorte!!
      Eu baixo os mapas e esquemas do carro na internet. com muito custo os acho.

    • TwinSpark

      Acho legal tratar Alfa no feminino, mas prefiro “o 164”, “a 156 Sportwagon”, “o 4C”. Ferrari, sempre no feminino, mesmo sabendo que são cupês e conversíveis.

  • Domingos

    Sem querer ser o estraga-prazeres, apesar da legal aula sobre o filtro/cuidado na manutenção e do claro entusiasmo nessa tarefa e pelo carro, não consigo me atrair por nenhum Alfa Romeo com base Fiat.

    Não sei se é birra minha por “não ser um Alfa de verdade” ou se estou certo, só sei que não me faz a cabeça glorificar uma base mediana onde se colocou um motor melhor e se fez um acerto de suspensão melhor como se fosse o ápice do autoentusiasmo.

    Não é critica contra o autor da matéria, que gostei muito, e nem querendo falar mal do carro. Só apenas expressando que sempre que penso no quanto elevam os Alfas como máximo em amor automobilístico, me vem essa trava na cabeça. Não consigo admirá-los dessa forma e acho que tirando um 4C ou os Alfas antigos, nunca vou.

    • TwinSpark

      Os Fiat antigos eram mais entusiasmantes que os atuais. Tempra, Tipo, Palio 98 1.6 16V e até mesmo alguns membros da família Uno eram bons de dirigir.

      • Domingos

        Sim, eram, porém não acho que tenham essa honra de darem base aos Alfas…
        Os novos Fiats ainda por cima, como você notou, foram para uma linha mais tradicional de suspensões convencionais e um acerto mais mundano e macio e acabou deixando a Alfa por um bom tempo esquecida.
        Agora com a plataforma Giulietta as coisas melhoraram, no entanto é curioso como um Giulietta Quadrifoglio Verde é completamente esquecido perante um Focus RS ou um Megane RS.
        A Alfa precisa reencontrar a mão…

    • pkorn

      Acho, e de certa forma, concordo, que você quer dizer que um Audi A3 da mesma época (+ ou -) dá tanto prazer quando e é mais simples de conviver. Mas são duas formas de autoentusiasmo, uma é da robusta eficiência durável e a outra é a faísca (ou twin spark, no caso) de ter sempre algo a ajustar, sempre uma particularidade genial ou nem tanto que não faz o carro andar mais (por vezes faz ele quebrar mais…) mas que dá estímulo ao dono em abrir o capô e gastar um sábado ralando as mãos com prazer.
      Eu teria um Audi para usar, assim como você, creio. Mas se dá vontade de “fuçar”, ajeitar, lapidar, garimpar é legal ter um Alfa. Abraço
      Pkorn.

  • Lorenzo Frigerio

    Nunca vi ou analisei isso no meu carro, mas se isso restringisse o desempenho num motor “esportivo” como o C20XE, não estaria lá. Sem ver, pela sua descrição chuto que a restrição esteja ligada ao correto funcionamento do sensor MAF.
    Não sei se você sabe, mas os Dodjões mais ou menos a partir de 1979 não tinham mais aquele adaptador 90º para o filtro de óleo, e usavam o filtro do Escort 86. Eu diria que uma temeridade.

  • Lorenzo Frigerio

    Sim, e possui o DNA da GM também, que é a fabricante do bloco (Monzatec 2.0).

    • Domingos

      Lorenzo, o bloco dos Alfas não têm nada a ver com a GM não, a não ser os últimos V-6 que eram da Opel com os enfeites (como coletor de aço) do Alfa.
      Inclusive dependendo do motor não tem parentesco nem com a Fiat, apesar de parecer.

  • Leo-RJ

    Caro Mr. Car, como sabe, fomos dois que tivemos Alfa Romeo 2300. O meu era 1983, ainda da época em que esses carros eram vendidos a preço de mariola, e aquele pessoal das oficinas “das antigas”, perto do Sambódromo, consertava sem problemas. Acho que hoje todos partiram para o céu.

    Vendi o meu por uma oferta literalmente irrecusável, mas me arrependo até hoje…

    Ainda penso em fazer uma loucura e comprar um 164, mas é difícil encontrar um medianamente bom.

  • Alexandre Garcia

    FM,

    Sabe uma coisa simples que você poderia fazer nele que vale o trabalho?
    Troque os cabos de vela e use apenas os curtos, ligando cada bobina apenas nas velas do cilindro sobre o qual ela se localiza. fiz isso nos meus, assim em vez de ter uma faisca no ponto certo e outra em centelha perdida, você vai ter ambas saindo no ponto certo, se uma vela por algum motivo falhar, encharcar etc a possibilidade de falha é menor. Fiz isso nos meus Alfas e gostei do resultado. Outra coisa que compensa muito fazer e que por acaso fiz no meu 145 QV foi trocar a relação de quinta original de 37/35 pela dos Tipos e Tempras, 39/34. Bem mais legal de usar em estrada.

    AG

    • Felipe Madeira

      Valeu pelas dicas, AG. Super abraço!

    • Lorenzo Frigerio

      A centelha perdida não ajuda a terminar de queimar a mistura, diminuindo os poluentes?
      E como é que você pode ter duas centelhas ao mesmo tempo? Na verdade, será uma centelha só; você apenas estará desabilitando a perdida. Não conheço o sistema, estou me baseando no que entendi.
      Além do mais, velas não encharcam num carro injetado, a não ser que o dono seja um porco. A mistura é mais pobre, o sistema de ignição mais potente, a combustão é perfeita e as velas duram às vezes mais de 100 mil km.

      • Alexandre Garcia

        Sim, ajuda mas eu não quero saber de emissão, simples assim.
        Pelo comentário, acho que voce não conhece cabeçote de motor Fiat em Alfa, né? São 2 velas por cilindro, total 8 velas e 4 bobinas duplas, com 2 circuitos primários e 2 saídas distintas de alta.
        Se você tem 2 velas no mesmo cilindro, alimentadas por circuitos diferentes ainda que na mesma bobina dupla, você arruma os cabos que eram originalmente um no cilindro 1 e outro no 4, um no 2 e outro no 3, um no 3 e outro no 2, um no 4 e outro no 1, aí ao invés disso, na bobina do cilindro 1 ela descarrega uma perna no 1 direta e o cabo do 2° circuito você liga no 1 também ao invés de nº 4 e assim nos outros também.
        Motor com comando maior que o normal de um carro de rua, motor usado, vedador de válvula gasto, excesso de giro, pistão mais folgado etc sempre pode subir um óleo e atrapalhar. No mundo ideal não rola, no real acontece. Se as duas queimam juntas, menor a chance de problema.

        • Domingos

          E ganha potência assim? Porque acredito que não iriam fazer tudo isso apenas para ganhar em emissões na época. Era tudo bem menos restritivo que hoje…
          Os Fits i-DSi funcionavam parecido, não?

          • Alexandre Garcia

            Não ganha potência, original é para feder menos.
            O que eu fiz foi para NÃO perder apenas, deixar de desperdiçar potência de ignição para feder menos, só isso. E sempre, por mais insignificante que seja, tem duas frentes de chama, diminui a chance de detonar, mesmo que as velas não estejam nas pontas, uma delas é sempre no meio da câmara, como nos Fiats. Nos Allfas com motor Allfa mesmo, os 2,0 8v que saiam nos 33/75 e em alguns poucos 155 era assim.

        • brunollo

          E isso que o Alexandre escreveu só entende quem tem Alfa e já parou para tentar entender oTtwin Spark 🙂 … (adorei a banana pras emissões!)

    • Leo-RJ

      Caro AG,

      Sentimos falta dos seus textos! 🙂

      Abraços!

      Leo-RJ

      • Alexandre Garcia

        Leo,

        Por enquanto está impossivel eu voltar a escrever aqui regularmente, assim que puder volto, curto muito isso aqui.

  • francisco greche junior

    Obrigado por ser sincero em seu relato.

  • RoadV8Runner

    Texto altamente entusiástico, que só compreende em sua essência aquele que gosta realmente de carros.
    Quando converso com amigos sobre minhas incursões mecânicas a que me aventuro em meus carros, sempre ficam com aquela cara de incredulidade, pensando consigo “Por que raios o cara vai se aventurar dessa maneira e não entrega o carro a um bom mecânico?!!!” ou “Por que não ter um carro normal que não traga esses aborrecimentos?”. Mas aí é que está a graça, resolver problemas que seriam triviais em outros carros, mas que, por alguma razão, tornam-se uma aventura em certos modelos!

  • Lucas

    Todos os meu carros eu gosto de ter. Cuido, preservo, arrumo e mantenho eles na melhor forma possível. Não me preocupo nada com a revenda. Degusto o meu carro o tempo todo que ele fica comigo. A única coisa que me tira do sério, que me faz perder completamente a paixão pelo meu carro, me tira do sério, é quando não consigo resolver algum problema nele. Sabe aquela coisa que não tem jeito de ficar bom? Que você arruma uma vez e em pouco tempo estraga de novo? Odeio isso! Para mim não há problema algum em o carro dar algum defeito, contanto que após arrumado, fique arrumado.

    • TwinSpark

      Esses dias percebi que tem algo errado na embreagem do meu Fiasa. Quando acelero com ela pressionada escuto um ruído esquisito, quando o motor esquenta tudo volta ao normal, mas isso me tira do sério. Me incomoda também o fato de eu não ter encontrado peças Valeo e Sabó para colocar no sistema de arrefecimento. Ter carro antigo no interior dá nisso. Tive que colocar um radiador Visconde e consertar o mangote original, que tem 16 anos.

    • Rods

      Sei como se sente, sou do mesmo jeito, detesto quando algo não se resolve. Dependendo da gravidade tira todo o tesão da coisa. Por isso tenho tantos problemas com mecânicos e afins.

  • Rogério Ferreira

    Sabe, aquelas paixões inexplicáveis? Aquela bela mulher que vai fazer você sofrer, mas que sempre lhe trará momentos de prazer indescritíveis? Sim! Aquela maravilhosa e ao mesmo tempo carrasca, que vai te limpar a carteira, mas te faz viciar no deleite que só ela é capaz oferecer? Aquela perdição, destruidora de lares, leviana, gostosa, bandida…. É, não existe maneira melhor de ilustrar algumas paixões masculinas… Sim, apesar da nossa fama de durões, insensíveis, egoístas, quase ninguém é capaz de entender a essência masculina (nem nós mesmos): Sem essa de “animais que agem por instinto”, somos, por que somos muito apaixonados. Somos essencialmente, coração! A diferença é que nossas paixões quase sempre são associadas ao prazer… Somos movidos pelo prazer, e buscamos ele todo o momento, a todo instante, em todas as áreas da nossa vida, seja num relacionamento amoroso, seja num hobby, seja num automóvel. Mulheres não gostam de Alfa…(Seria a outra) preferem um jipinho ou jipão (seu robusto amante) para se sentirem protegidas. Alfa já é carro para macho alfa… É a bela italiana, que dá uma canseira danada para mantê-la, mas que se cuidada direitinho, estará lá, sempre pronta, para ter dar prazer, e de te surpreender cada vez mais.

  • Cadu Viterbo

    Quanta coincidência, fiz o mesmo do meu Jetta TSI este final de semana. Tenho o mesmo filtro na Z800 também. Nela, o ronco de aspiração ficou mais grave e rouco quando abro a borboleta mais que 50%. No jetta, não fez a menor diferença no ruído ou desempenho. Mas só de saber que não preciso comprar um filtro de 100 reais a cada troca, já conforta! Em duas trocar, pago o investimento do filtro esportivo.

    Meu drama não foi a caixa, e sim uma chave que caiu no cofre e na impossibilidade de pegá-la com a mão, acabei empurrando peito de aço abaixo! Tive que levantar o carro num elevador para retirar a proteção inferior. O cofre do TSI é bem apertado também. E quente, por conta da turbina!

    Mas aproveitei e comprei o kit de limpeza: spray de limpeza e o óleo para filtragem. Eu não arrisco rodar mais de 5 mil km com um filtro esportivo sem limpá-lo. A promessa de mais potência que a K&N garante (e que não me importa nada, acho a vantagem de não precisar trocar suficiente) não pode se dar sem um maior fluxo de ar, e nessa, prefiro acreditar que ele filtra menos e limpá-lo frequentemente!

    • Lorenzo Frigerio

      Sugiro que você compre um pick-up magnético dos bons: é uma das coisas mais úteis que alguém pode ter numa caixa de ferramentas.

      • Cadu

        Valeu pela dica!

  • Eduardo Silva

    Muito bom texto. Já que não vi nenhum comentário a respeito aqui vão os meus parabéns à referência do título a uma das coleções que formaram o meu caráter (a série Vaga-Lume foi outra). Muito bons os tempos em que ler gente que sabia escrever era diversão. Hoje mal se lê, o senso crítico, o humor e a interpretação foram às favas. Em geral, nem mesmo as ironias mais óbvias passam.

  • Me lembro de um anúncio de venda colado no vidro traseiro de um 155 em Montevidéu: “Procuro um novo dono que cuide de mim tão bem quanto este o fez nos últimos 8 anos”.

  • Mamma mia! Belíssimo texto! Drama e amor contados em palavras!

  • Josias

    Belo texto e logicamente belo carro, ter um Alfa é de outro mundo.

    • brunollo

      “UMA” Alfa Josias. Alfas são mulheres.

  • Domingos

    Existe uma polêmica sobre grafite no óleo de motor, que supostamente não traria muito benefício pelos outros aditivos já existentes no óleo.
    Chegou a notar ganho de desempenho? Porque baixou atrito, melhorou desempenho. Pode não ganhar quase nada em cavalos, mas se ganhar 0,5 a 1 segundo num 0-100 já é muita coisa!

    • marcus lahoz

      Domingos.

      Potência não se consegue tanto assim; é mais de pelinho em pelinho.

      Coloque desta forma:
      filtro esportivo: 1 cv
      Molykote: 0,5 cv
      Tomada de ar fria: 1 cv

      E por ai vai.

      Não faço isso tanto por potência, mas sim por otimizar o motor, mais solto, menos atrito, maior durabilidade.

      Sobre os testes que fiz, consegui uma melhor no consumo de 6,8 para 7,0 km/l no álcool. Quase nada, mas é como disse, de pelinho em pelinho.

      • Domingos

        Se melhorou consumo mesmo, alguma coisa melhorou. Porém será que simplesmente usando um óleo melhor não seria a mesma coisa?
        Por exemplo, partindo de um SL para um SM – mais caro por litro também…

        • marcus lahoz

          Domingos, altera sim, não pela classificação API e sim pela viscosidade. Quanto mais fino menor o atrito.

          Minha esposa tinha um fiesta 1.6, quando ele veio estava com óleo 20w50; fazia a média 7km/l com gasolina na cidade. Na primeira troca coloquei óleo 5w30, já passou a fazer 7,5km/l. Com o passar do tempo chegamos a 8,5km/l.

          Óleo influencia, e muito no desempenho do motor.

          • Domingos

            Sim, isso é verdade. Inclusive é notável para quem entende um pouco mais o quanto um motor feito para um óleo X fica mais preguiçoso e gastão quando se coloca um óleo Y mais grosso, especialmente se acima do recomendado.
            Mas tem um limite para usar óleo mais fino, pois fora da recomendação também pode te trazer problemas no futuro. Por isso acho legal experimentar um óleo de qualidade melhor, mas de mesma viscosidade, ao comparar com produtos como Molykote.

    • brunollo

      Para diminuir um segundo inteiro numa aceleração 0-100 precisa de um aumento considerável de cavalaria, não de uma beberagem supostamente milagrosa despejada no motor. Thanks, but no thanks.

  • Leonardo Mendes

    Sorte sua ter apenas essa área de difícil acesso… no meu a única área de fácil acesso é o capô, o resto é mais apertado que um quitinete no Copan.

    Mas a satisfação de intervir no próprio carro e o prazer inerente que isso traz é uma daquelas sensações que entram pra lista do “não tem preço.”
    Interessante como depois de certas intervenções nossos sentidos se aguçam durante a volta de testes pra ver se deu certo… do nada a audição se amplia, a visão se aguça, o tato se intensifica… coisas que só o carro pode proporcionar.

  • Lorenzo Frigerio

    Não estou certo se entendi. O Alfa tem duas velas por cilindro, mas uma queima a mistura e outra dá centelha perdida? Você está fazendo as duas dispararem ao mesmo tempo? Porque o lógico seria que ambas dessem queima e depois ambas dessem centelha perdida.

    Caramba, italiano tem um talento todo especial para complicar as coisas…

    • Alexandre Garcia

      Se fosse lógico não seria Alfa, simples assim! Só para emissões.

  • Lorenzo Frigerio

    Sim, o bloco desse Alfa ainda não é GM. Só os atuais “JTS” 1,9 e 2,2, que são Ecotec. O V-6 (já descontinuado), também, é um “High Feature” (ou “Alloytec”). Sempre com cabeçotes Alfa.

    • Domingos

      Os atuais sim… Porém todos estão sendo descontinuados em nome de novos motores Fiat/Alfa novamente.

  • pkorn

    Da mesma forma que alguns homens nascem para se apaixonar (e amar) mulheres complicadas, alguns Petrol Heads, como dizem os ingleses, nascem para amar os Alfa, essas complexas e maravilhosas fontes de satisfação, frustração e êxtase!

  • curioso

    Sobre os filtros a óleo sugiro ler esta página com gráficos comparativos entre os filtros a óleo e os originais de papel. http://www.nicoclub.com/archives/kn-vs-oem-filter.html

  • brunollo

    Alfas são como filhos: dão trabalho e dão orgulho.

  • Bob Sharp

    Como assim, Alfas “são mulheres”? O Josias está certo, automóvel em Português é masculino!

    • brunollo

      Respondi melhor para você, Bo,b mais embaixo, mas de onde eu venho Alfas são “macchinas”. No feminino! Abraços!

    • Domingos

      Mas Alfas e Ferraris são inseparavelmente italianas…

  • Luís Galileu Tonelli

    Percebe-se que todo o carro tem suas peculiaridades como os pontos fortes e fracos. Acabamos escolhendo aqueles que com seus pontos fortes nos fazem esquecer os fracos.

  • Domingos

    Sim. O que precisava era ter mais dessas, ou ao menos mais gente com amor pela profissão. Já ajudaria muito…

  • Newton ( ArkAngel )

    No Fit i-DSI é um pouco diferente. Existe um delay entre as faíscas das velas centrais e traseiras do mesmo cilindro, e esse delay varia de acordo com diferentes condições de funcionamento do motor. Tanto é que são 8 bobinas independentes.

    • Domingos

      Interessante. Então é bem diferente do esquema do Alfa. E acho que no caso dele não há vela exatamente central e sim uma de cada lado (frontal/traseira).

  • Domingos

    Muito boa a matéria, obrigado pelo link!
    Sei também que existem alguns modelos em que o filtro original é sabido de ser muito restritivo. Nesses, o cenário muda muito ao usar um alto fluxo. De resto, os originais costumam serem os melhores mesmo.
    Filtro de óleo é a mesma coisa.

  • Domingos

    Aparentemente ambos são realmente difíceis de manter por perto. Porém, em ambos os exemplos, quem gosta sabe a alegria que é – e que, às vezes, vale a pena…

  • Domingos

    Como você disse, foi feito para não ter sentido mesmo hehehehe.
    Interessante serem usadas exclusivamente para emissões. Fico pensando que, apesar da excentricidade, de repente o caso pode ser esse: conseguiram um motor com parâmetros de injeção mais agressivos, uma mistura mais rica e coisas como um catalizador menos restritivo sem reprovar nas exigências de emissões da época fazendo esse compromisso.
    O segundo esquema de ignição está lá sem ser distribuído nas extremidades, sem disparar ao mesmo tempo, exclusivamente para feder menos. Porém isso liberou de fazer um motor mais esportivo, inclusive em comportamento.
    Cerca de 150 cavalos num motor da época sem variação ou maiores complicações – e que não era fraco em baixa – tinham que vir de algum lugar…

  • Domingos

    Sim, por esse lado é mais encantador o Alfa. E eles tinham uma mecânica mais pura. Você resolveria o problema numa bobina e não num turbo ou num regulador de pressão como no A3.
    É mais legal. Porém o que acharia legal mesmo seria, já dadas as dificuldades, mergulhar numa base 100% Alfa. Aí, ao menos, me parece que o coração falaria mais alto e o A3 ficaria no seu cantinho…
    Me parece que, no caminho que a Alfa tomou, fica um pouco de atenção demais a ser dada para uma base Fiat…

  • Domingos

    Abraço!

  • Francisco Junior

    Permita-me um aparte…parei de usar o Militec, e lhe recomendo fazer o mesmo. Bons óleos atendem com folga as especificações dos motores. Esses condicionadores de metal, além de não proporcionarem nenhum ganho mensurável, ainda vão detonar o motor a longo prazo, pois possuem químicas extremamente agressivas para os metais. Se tens dúvida, procure por Militec em sites em inglês, você vai descobrir que ele só vende no Brasil, por que será?

  • Jhonne Oliveira

    Sei bem o que é isso, tenho um Brava HGT que compartilha algumas soluções mecânicas com o 145 inclusive o filtro. E parabéns pelo belo texto, diga-se de passagem!