O GALAXÃO

Landau 1979 4  O GALAXÃO Landau 1979 4

As décadas de 1950 e 1960 marcaram pela riqueza e pelo poder econômico dos Estados Unidos da América. Com crescente progresso a partir do fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, foram seus anos dourados em todos os setores incluindo a indústria, particularmente a automobilística. Os automóveis ganharam em tecnologia, luxo e conforto, com muitos cromados nos pára-choques, grades e frisos. A gasolina barata impulsionou o uso de motores enormes em veículos igualmente enormes e pesados sem qualquer arrependimento por parte das fábricas de automóveis.

A Ford também fazia carrões e em 1959 lançou  a versão mais luxuosa do Fairlane 500 denominada Galaxie, marcando o nome de um novo veículo que viria a seguir em 1960.

 

fairlane1959  O GALAXÃO fairlane1959

 

fairlane1959a  O GALAXÃO fairlane1959a

Ford Fairlane 1959

 

fairlane galaxie  O GALAXÃO fairlane galaxie

Logo Galaxie na lateral do rabo-de-peixe convivendo com o emblema Fairlane 500 no modelo mais luxuoso

Particularmente, o ano de 1963 marcou o mais bonito Galaxie em minha opinião, com aquelas lanternas traseiras circulares adornando a carroceria “clean” e os quatro faróis horizontais complementando a grade enorme cromada com o emblema Ford no centro. Em três versões,  Standard, 500 e 500 SL, incluía também um maravilhoso modelo conversível de fazer babar!

O GALAXÃO Copia de car parts1

galaxie 500 XL 4  O GALAXÃO galaxie 500 XL 4

Galaxie conversível 1963

A Ford sempre disponibilizou vários motores para uma mesma aplicação veicular, mostrando a força da dinheirama investida em desenvolvimento de novos produtos.

O grande destaque para o Galaxie 1963 foi o motor 427 (7 litros), um marco histórico na linha dos V-8 de grande cilindrada e potência que equipava o modelo 500 XL.  Com carburador Holley 4150 (4 corpos) gerava 415 cv a 5.600 rpm e com dois Holley 4160 quádruplos  atingia robustos 430 cv a 6.000 rpm.

Vale salientar estas potências e as demais dessa matéria eram brutas SAE e hoje todas as potências informadas pelos fabricantes são líquidas, o resulta em números de 25% a 30% menores.

O 427 ficou na história como um dos melhores, se não o melhor motor V-8 produzido pela Ford nos Estados Unidos.

 

motor 427  O GALAXÃO motor 427

Motor 427 mostrando os dois carburadores Holley quádruplos, verdadeiras jóias

 

O GALAXÃO Copia de detalhe emblema 427

Detalhe do emblema 427 na ponta do pára-lama dianteiro

No Brasil, o Ford Galaxie veio em 1967 baseado no modelo norte-americano de 1966.  Foi apresentado no V Salão do Automóvel, sendo muito bem recebido pelos endinheirados da época. Com um luxo exorbitante de hotel cinco-estrelas, o Galaxão deixou o público boquiaberto.

 

O GALAXÃO Copia de car parts2

Ford Galaxie apresentado no V Salão do Automóvel de São Paulo

Foi para as concessionárias em 16 de fevereiro de 1967 e ficou marcado como o sedã mais luxuoso, confortável e espaçoso do Brasil, virando o sonho de consumo de quem tinha alto poder aquisitivo na época.  Imponente com 5,33 m de comprimento e 3,03 m de distância entre eixos, daria literalmente para morar nele. Com três marchas e alavanca de câmbio na coluna, seus bancos inteiriços abrigavam o motorista e mais dois passageiros na frente e três passageiros atrás em espaço de primeira classe.

 

propaganda galaxie  O GALAXÃO propaganda galaxie

Uma das melhores propagandas feitas e que mostra a sofisticação inerente ao Ford Galaxie

O Galaxie pesadão, com 1.730 kg,  utilizava o motor 272 (4,5 litros) emprestado da picape F-100, suficiente para um desempenho apenas modesto: 0-100 km/h em 15 segundos e velocidade máxima de 150 km/h.

Em 1969 chega ao mercado o modelo LTD com câmbio automático e ar-condicionado de fábrica incrementando ainda mais o luxo do Galaxão. O motor 272 foi trocado pelo 292 (4,8 litros), melhorando a desempenho do veículo.

E foi então que a concorrência mostrou as suas garras, com a Chrysler lançando em 1969 o Dodge Dart sedâ.

O Dodge Dart era  menos luxuoso que o Galaxie, porém apresentava dois diferenciadores relevantes, o seu motor V-8 318 de 5,2 litros e 198 cv a 4.600 rpm e as suas linhas mais joviais com traços marcantes de esportividade.

Em 1971 chegou o Dart cupê e depois,  o Charger LS e o Charger RT que ainda hoje é considerado um ícone entre os “muscles cars”. Os motores destes desenvolviam, respectivamente, 205 e 215 cv.

Veja abaixo uma homenagem ao Dodge Dart com  fotos de estúdio no departamento de estilo da Chrysler do Brasil.

 

Slide1  O GALAXÃO Slide1

Slide3  O GALAXÃO Slide3

Os bonitos Dodge, novinhos, no departamento de estilo da Chrysler do Brasil

A Ford respondeu em 1971 com o lançamento do LTD Landau com madeira jacarandá no painel e portas, teto com revestimento externo em vinil corrugado e bancos com acabamento ainda mais sofisticado.

Em 1976 a primeira modificação marcante com os faróis duplos passando para a posição horizontal e as lanternas traseiras  modulares também na horizontal.

Em 1976 chegou também o motor V-8 302 (4,9 litros) com 199 cv,  este sim com desempenho fazendo frente aos Dodge. E em 1979/1980 chegou o motor 302 movido a álcool com desempenho ainda melhor do que a versão a gasolina.

Vou dividir com o leitor dois episódios que marcaram o Galaxie na minha  memória.

O primeiro é hilário. Um executivo da nossa engenharia tinha o Ford Galaxie como seu carro designado e sempre fazia o trajeto de sua casa ao Centro de Pesquisas (CPq) cruzando o bairro Nossa Senhora das Mercês com o famoso três tombos. Eram três subidas e três descidas consecutivas parecendo uma montanha-russa. Este senhor dirigia muito rápido e nas intersecções das descidas com as subidas, vira e mexe uma das calotas escapava e saia rodando no asfalto. Ele pacientemente parava o veículo, recolhia a calota voadora e chegando ao CPq a colocava na mesa do engenheiro responsável pelo desenvolvimento do projeto, com um bilhete malcriado pedindo a solução imediata para o problema. Na realidade a soltura das calotas permaneceu intermitente até que foi resolvida com uma fixação mais positiva na roda, em seu centro.

O segundo episódio que também incomodou bastante a nossa engenharia foi  formação de goma nos motores V-8 302 a álcool.  Deu um trabalho danado, sendo necessárias ações no sistema de arrefecimento do motor para diminuir o tempo de aquecimento dos cabeçotes. Outras ações referentes à melhoria da ventilação positiva do cárter também foram necessárias. A Ford participou ativamente no desenvolvimento de aditivos para o álcool e para o óleo lubrificante  para evitar a formação de goma nos motores de maneira geral.

Finalizando, segue uma homenagem singela e merecida ao Ford Galaxie todo formoso no CPq da Ford em São Bernardo do Campo.

 

Landau 1979  O GALAXÃO Landau 1979

Landau 1979 1  O GALAXÃO Landau 1979 1

Landau 1979 2  O GALAXÃO Landau 1979 2

 

Landau 1979 5  O GALAXÃO Landau 1979 5

Landau 1979 3  O GALAXÃO Landau 1979 3

Em dois de abril de 1983 o ultimo Galaxão deu adeus à linha de montagem após 78.000 unidades vendidas !

O Landau 1982 serviu de veículo presidencial até 1991 pois não existia nenhum veículo que tivesse as suas características de espaço, conforto e silêncio ao rodar.

Hoje o Galaxão presidencial se encontra no Museu do Automóvel em Brasilia, curadoria do jornalista e colunista do Ae, Roberto Nasser.

 

galaxie presidencial  O GALAXÃO galaxie presidencial1

CM

Credito das fotos: wikipedia,  www.fallingpixel.com, www.barrett-jackson.com, cars & parts mgazine, arquivo pessoal do autor

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

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  • Victor_maravs

    Carlos, o problema de formação de goma no álcool é devido a mistura da umidade do combustível com o lubrificante na fase fria? Já na fase quente, o calor elimina essa goma?

  • Daniel S. de Araujo

    CM, acho que a parte mais apaixonante desses carros é o lendário V-8. A Ford F-100 chegou a usar o Ford 292 ou ficou restrita ao 272?

    Outra pergunta, se souber: A diferença de peso do Ford V8 292 em relação ao GM 250S é muito grande?

    • Lorenzo Frigerio

      Acho que o 272 foi descontinuado para toda linha, com a chegada do 292.
      Quanto ao peso do 292, é grande, por ser um motor dos anos 50. O GM 250 surgiu no começo dos anos 60 e deve ter incorporado as técnicas construtivas do small block Chevy. Então, deve haver uma boa diferença.

      • Barroso

        Embora fosse dos anos 60, o GM 250 era baseado em motores mais antigos, e por isso ainda pesado. Pesava mais que o SBC, para se ter uma idéia.

    • A F100 chegou a usar o 292 nos anos 1970, mas o 302 V-8 eu acho que não, mas isso o Meccia sabe melhor.

  • Lorenzo Frigerio

    Gosto muito do Galaxie. Já tive um pé-de-boi 1971 e um LTD 81 a álcool.
    O motor do Galaxie, infelizmente, era pouco durável, com exceção do 272. O 292 tinha tendência a queimar óleo, e o 302 tinha problemas com as engrenagens da distribuição, e a tendência a perder compressão, que vazava para o cárter. O bloco, também, não era durável pois sofria de “core shift”. Alguns motores não tinham nem balanceador harmônico.
    Apesar de montado em chassi, com calços, o carro em si era extremamente sólido. Você passava em paralelepípedos e nem sentia.
    Para dirigir, os Landaus automáticos a partir do 1978 “segunda série” são os melhores, com pneus radiais, ótimos freios e o volante do Corcel II, de ótimos diâmetro e empunhadura.
    O Landau que aparece nas fotos é um carro alterado. Basicamente é um 78 “segunda série” (vê-se que o ar ainda é aquele embaixo do painel, e esse cinza só foi fabricado em 1978 e 1979), com frente e traseira do 81 em diante. Inclusive, a placa “KK” indica um carro de 1978.
    E falando em Galaxie, que fim levou o Portuga Tavares? Saiu do Ae?

    • $2354837

      Está aí o que eu falo. Um motor da JAC hoje é muito mais durável que um AP dos anos 80. Não se houve mais ouvir falar em retífica de motores. O durável motor de Fusca tinha empresa anunciando retífica em supermercado (Comollati). A indástria alcançou uma excelência em que qualquer um é capaz de fazer um motor minimamente durável por toda a vida do veículo. Sem falar na chapa hoje que simplesmente não enferruja (tenho um carro com chapa exposta a 2 anos por um arranhão e nem sinal de corrosão). Esses carros são muito legais, mas para dar um rolê no domingo.

  • Carlos, desculpe a ousadia, mas existem 3 informações equivocadas;
    1 – o LTD Landau não tem jacarandá no revestimento da porta, mas foi o primeiro ano a ter a versão Landau e o vigia traseiro menor.
    2 – o motor 302 foi introduzido em 76, junto com a alteração de carroceria.
    3 – a versão a alcool foi lançada em 79.
    abs!

    • Lorenzo Frigerio

      Versão a álcool, só a partir do modelo 1980 (aqueles “azul Clássico”).

    • Parra,
      Já estou corrigindo o erro de digitação. A data de implementação do 302 foi em 1976 realmente
      Obrigado e grande abraço

  • Mr. Car

    Como fã ardoroso de “barcas” americanas, obviamente a linha Galaxie me fascinou desde sempre, especialmente os LTD e Landau, mas sempre gostei ainda mais do Dodge Dart topo de linha, o Gran Sedan, e mais tarde, do Le Baron. E gosto deles ainda mais que do Dodge queridinho de todo mundo, o Charger R/T.

    • R.

      Você deve ter gostado desse Charger R/T vinho com interior todo vinho monocromático ..
      Achei lindo!

  • Mingo

    Podem me chamar de velho esclerosado, nostálgico e antiquado, mas isso que era carro…

  • Thiago

    Meu sonho de consumo autoentusiasta. Lembro-me da oportunidade que tive de dirigir um dos últimos fabricados, na cor azul, com câmbio automático e motor a álcool. Inigualável.

  • Bruno L. Albrecht

    Meu sonho de consumo…

  • Eduardo Zanetti

    Quando carros eram carros e ainda havia frenesi quando um destes passava. Hoje todos parecem coreanos.

  • Guilherme Gomes

    Incríveis as fotos do Landau!

  • Antônio do Sul

    Belo texto e belas fotos! Tanto os Galaxões como os Dodjões eram e ainda são belíssimos. Só uma dúvida: em 1969, o motor 292 veio só para a versão LTD ou foi utilizado também no 500? Quanto ao motor 302, sempre imaginei que tivesse vindo antes, ainda na linha 1976, quando houve a última reestilização.

    • Lorenzo Frigerio

      Todos os Galaxies a partir de 69 são 292. O 302 estreou no 76, quando acabaram os faróis de pé e o carro ficou com o estilo desse das fotos.

    • Antonio do Sul
      Algumas unidade do Galaxie 500 ainda foram montadas com o motor 272. Somente em 1970 o motor 292 já equipava todas as versões.
      Quanto ao motor 302 houve um erro de digitação que eu já estou corrigindo para 1976 como a data de implementação.
      Obrigado e grande abraço

      • Antônio do Sul

        Nós é que temos que agradecer o privilégio de conhecer a história da marca através dos relatos de alguém que fez parte dela. Um abraço!

  • J.Barbosa Neto

    Se não me falha memória, ocorreu um erro de digitação, o 302 chegou em 1976 e não 1979, como consta.

    • Robertom

      Exatamente, veio junto com o facelift dos faróis horizontais em 1976.

    • J.Barbosa Neto, realmente foi em em 1976 que chegou o motor 302 a gasolina e em 1980 a versão a álcool.
      Obrigado

    • J.Barbosa,
      Estou corrigindo a data da introdução do motor 302 para 1976 que é a data correta
      Obrigado

  • Rubem Luiz

    Uma característica muito útil nas péssimas estradas de chão do Brasil era o peso do Landau e a suspensão mole. A suspensão trabalhava arduamente, enquanto o transatlântico não se movia ao terraplanar costelas e buracos na estrada, conforto espetacular que não não soube que existiu desde 1983.

    (Com “um pouco” a mais de consumo de combustível para ter esse conforto, mesmo 80% a mais ou a menos de consumo não fazem tanta diferença quando se anda pouco, carros leves precisam correr pra não pular tanto nas costelas, o Galaxie podia ir seguro a 50 km/h e portanto não gastava tanto)
    A princípio era o mesmo amortecedor do Corcel e da F-100, mesma mola (Digo a princípio porque não sei como era de fábrica, as peças de reposição eram a mesma), não sei bem porque o Landau era tão mais macio, o Corcel realmente era bem mais leve (quase metade), mas a F-100 era tão pesada quanto o Landau, só que bem desconfortável nessas estradas, pulava demais.

    • Paulo Eduardo

      Rubem, tem certeza que eram as mesmas molas e amortecedores no Landau, Corcel (II ?) e F100? Carros de pesos e características tão diferentes usando os mesmos elementos básicos da suspensão?

      • Rubem Luiz

        Se minha memória não falha, o amortecedor dianteiro da F100 e F1000 diesel (pelo menos até 1989) era o mesmo (para substituição; não sei o original) que o traseiro do Corcel II e Belina II (pelo menos entre 75 e 80), e o mesmo que o dianteiro e traseiro do Landau (talvez varie conforme o ano, não me lembro de mexer em muitos Landau).

        A mola não era a mesma em todos, aí minha memória falha porque trabalhava em oficina diesel, lembro da confusão corriqueira nas molas da F1000 diesel e gasolina (talvez de ano, ninguém era louco de manter uma F100 a gasolina, todos trocavam motor, então nem sei se mexer em F100 ou F1000 a gasolina), uma dessas molas (seja da picape diesel ou da a gasolina) tinha na descrição que servia no Corcel, aí já não lembro se era traseira, dianteira, se era só na Belina 4×4, a mola sempre podia ser esquentada para prolongar a vida então não trocava muito, mas buchas, batentes e amortecedores trocava-se muito, pelo menos em algumas versões eram as mesmas peças (até a dianteira da F2000 e da antiga F350 tinham peças comuns à F100, eu não estranhava a baixa durabilidade com peças similares em veículos tão diferentes).

        Com a Pampa, Saveiro e cia. talvez reformularam algumas coisas, essas vi pouco, Corcel desmanchava nas estradas então se pulava logo dele para F1000, estava na cara que um “Corcel com porta-malas aberto” (a Pampa) não resistiria onde o Corcel não resiste. O ponto fora da curva era o Landau, 3 jogos de amortecedores por ano iam para o lixo mas pelo menos a lataria não se desmanchava, já que ele não chacoalhava muito.

        • Barroso

          As peças podiam até ser intercambiáveis entre os carros, mas duvido que fossem as mesmas.

  • CCN-1410

    Quando eu vi o primeiro Galaxie, foram vários ao mesmo tempo. Era do governador e de outros políticos do estado de Santa Catarina.
    Além desses, alguns Willys Itamaraty. Todos pretos, com motoristas particulares e bandeirinhas do estado e do país nas laterais dianteiras.
    Ainda lembro o comentário de meu pai que achou uma grande estupidez esses carros de luxo, já que nem estradas decentes tínhamos naquela época. Da capital até a cidade onde morávamos, no oeste do estado, era preciso quase dois dias de viagem para fazer o trajeto. Isso quando não chovia.
    Mas o Galaxie veio para ficar e em pouco tempo já era possível ver vários, mesmo nas pequenas cidades. Normalmente pertenciam a ricos empresários, juízes e é claro, políticos. Também lembro que era o sonho de todos possuir um, inclusive o meu.
    Conheci um alemão que era fanático pelo carro e dizia que o Galaxie era mais confortável e gostoso de dirigir que um Mercedes-Benz Classe S.
    Infelizmente os tempos são outros e hoje já deveríamos ter optado por carros pequenos como o Smart, e quem sabe pelos Kei japoneses.

    • Domingos

      O que alemão secretamente gosta de um navio não é brincadeira. Os carros líderes em tecnologia e em destaque deles são de receita similar, porém européia. Motores grandes, muito peso e espaço, carroceria enorme.
      O Galaxie me passou a fase do enjôo depois que ficou raro e hoje só tem quem realmente gosta – com raras exceções. Enchia o saquinho o monte de gente, maioria na verdade, que juntava os 2 mil para ficar falando que andava em “carro de dotô”, carro chique, carro grande e outras encheções de gentinha.
      Hoje eu valorizo o carro por ser uma barca dos anos 50 que ainda assim freava bem, fazia curvas razoavelmente bem para a época e tinha mesmo muito conforto e espaço – coisa que muita barca americana de muito tempo depois não era.

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    O Portuga havia se desligado do Ae mas voltou. Haverá matéria dele nos próximos dias.

    • Marcos Alvarenga

      Notícia boa.

      Agora só falta o Ogro voltar também. Sempre tem histórias boas para contar, e escreve muito bem. Padrão Ae!

    • R.

      Viva!
      Que boa notícia, Bob.

  • Rogério Ferreira

    Qual seria o consumo médio de álcool do Galaxie? Só por curiosidade, já que o público-alvo do carrão pouco se importava com isso. E tive o privilégio de andar num Dart V-8 quando tinha 13 anos, quem dirigia era a irmã de um colega meu, uma gata, que me deixou distraído, sem perceber todas as qualidades do automóvel (já raro, no ano de 1989). Além da bela jovem, o câmbio de três marchas com alavanca na coluna. e o empurrão após cada marcha engatada me chamaram a atenção. O meu colega, ainda bem infantil, me falava que a cada acelerada o motorzão parecia dizer… galão! e em marcha-lenta, murmurava… litro-litro-litro-litro…

    • Lorenzo Frigerio

      Na cidade, uns 3 km/l.

      • R.

        Que coisa!
        Bebia demais ….

    • Rogério,
      Como referência de consumo para o 302 álcool, pode considerar entre 3 e 4 km/l na cidade e entre 5 e 6 km/l na estrada

    • CCN-1410

      Essa do galão e do litro-litro-litro não está fora, hehehe…

    • Antônio do Sul

      E o banco dianteiro inteiriço, os três sentados na frente…Só faltou o amigo mala ter se sentado no meio…

  • Parabéns pela matéria, mas a Ford não pensou em substituto direto para ele, já que o Del Rey tinha suas limitações, Falcon australiano e Scorpio seriam opções interessantes, acho.

  • Marco Antonio

    Meccia,

    Parabéns pela matéria, e obrigado…

  • Leonardo Mendes

    Os Galaxies/Landau/LTD pré-reestilização de 76 tem uma coisa que se perdeu com o passar do tempo nos grandes sedãs da Ford: a cara de mau, o jeitão de mafioso com terno de risca de giz e metralhadora na caixa de violino.
    O último que me chamava muito a atenção nesse quesito era o Fusion nos primeiros modelos… característica essa que, infelizmente, escoou pelo ralo com esse modelo atual.

    Um amigo meu sempre diz que a Chrysler merecia um prêmio por ter vendido, essencialmente, o mesmo carro (Dart) sob várias denominações diferentes durante anos.

    • Leonardo,
      “Cara de mau, o jeitão de mafioso com terno risca de giz.”…sensacional a colocação !
      Abraço

    • Domingos

      A única coisa que o Fusion antigo merecia era uma traseira melhor e não com cara de qualquer coisa genérica – a reestilização ficou ainda pior.
      De resto, era mesmo nesse estilo.
      Lembro que o áudio dele era excelente também, um dos melhores em carros originais. A ponto que era um som bom de ouvir para dentro, sem precisar aumentar o volume para sentir os graves – coisa que os carros regrediram na última década e meia e que obriga a fazer pavoadas para ouvir um bom som. Só com volume alto, o que incomoda e cansa…

  • BlueGopher

    Apesar de ser um carro de representação, sempre achei o seu banco dianteiro bem mais confortável do que o traseiro. Lembro também que lá pelo final dos anos 70 o presidente da empresa onde eu trabalhava, e que só andava de Landau preto, ficou indignado quando soube que o preto havia sido substituído pelo prata, única opção de cor na época.
    E ele, amigo do presidente da Ford, tanto fez que conseguiu um Landau preto, pintado lá na própria fábrica.

  • marcus lahoz

    Carlos

    Muito boa a reportagem; meu pai teve um Galaxie Landau e dois Dodges. O Galaxie foi dos últimos, ele gostava demais, muito bom e confortável, fizemos uma viagem de Curitiba ao Rio de Janeiro com ele; conforto que não se encontra hoje em dia. Me recordo muito bem da chegada ao Rio à noite (trafegamos pela Rio–Santos). Bons tempos.

    A única questão era o consumo (na época pouco importava, mas depois ficou complicado), o Galaxie fazia 3 km/l na cidade e 4 km/l na estrada (meu pai nunca gostou de carros a álcool, assim o Galaxie era a gasolina).

    Apenas para efeito de comparação, segundo palavras do meu pai, os Dodge andavam muito mais e bebiam menos; mas tinha muito menos conforto e qualidade construtiva que o Galaxie.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Grande carro, em todos os sentidos! Tive um Galaxie 500 1976 e, em seguida, um LTD 1978, no início da década de noventa, ambos comprados por cerca de US$1.000 cada, em bom estado. Eu tinha pouco mais de 20 anos, e alguns me olhavam como se eu fosse um ET. Sabiam de nada inocentes! Conforto, espaço, classe, qualidade, pelo preço de uma moto 125 cm³ da época… Como rodava curtas distâncias, consumo não era problema, e para o dia a dia, usava uma moto. Vendi o LTD por falta de garagem quando me casei. Saudades…

  • Victor,
    O problema de formação de goma ocorria principalmente em trajetos curtos tipo anda e pára sem que o motor/cabeçotes atingissem a temperatura ideal de funcionamento .
    Obrigado

  • Christian Sant Ana Santos

    Me lembro como se fosse hoje, tinha dez anos em 1967 quando meu pai comprou uma rifa de um que apareceu em Três Corações, cor vinho. O Emílio ia ficar doido com essa noivinha sem cinto e sem apoio para cabeça…

    • Mingo

      Pode ter certeza que a noivinha deve estar aqui ainda, claro que já avó de 4 ou 5 netinhos. Naquela época ainda achávamos que pode-se morrer até escorregando no banheiro e as pessoas andavam de carro, fumavam e transavam sem essa paranóia toda que existe nos dias de hoje. Parece que hoje todos vão viver eternamente, basta ter um carro seguro, não fumar, não beber, não transar…
      Ainda bem que já sou velho (detesto esse termo idiota “melhor idade”, pois de melhor não tem nada), mas pelo menos vivi uma boa parte da vida sem essas preocupações.

  • Lorenzo,
    Somente como referencia a foto é de julho de 1979 e representa um protótipo de estilo
    Abração

  • AlexandreZamariolli

    Uma das coisas mais lindas que já vi na vida: um Landau modelo 1981, azul Clássico, zero-quilômetro, no showroom da concessionária Ford de Joinville, em meados de outubro de 1980.

  • Aeroman

    O Galaxie americano também saiu com o 427 “cammer” em algumas unidades. Tinha uma versão com um carburador quádruplo com 613 cv e outra com dois com impressionantes 657 cv.

  • Ilbirs

    Dirigi três Galaxies em minha vida, dos modelos mais antigos mesmo. Era um carro bom de dirigir, apesar de seu tamanho, sendo questão mesmo de ficar atento à proposta do mesmo. Algo que me chamou muito a atenção foi o fato de ele evoluir melhor com uma aceleração progressiva do que na base da pisada funda, talvez alguma característica mais marcante nos motores de bloco Y (272 e 292).
    Também gostei de ver que é dos raros sedãs em que você sabe onde termina a traseira (ao menos naqueles de vidro traseiro grande e traseira com barbatanas), bem como é dos poucos sedãs cuja marca registrada é a boa visibilidade. Voltar a dirigir um sedã com traseira alta depois de guiar um Galaxie dá uma sensação estranha, mesmo que seja um menor e mais fácil de negociar no trânsito.

    Vi também que usaram o peso excessivo do carro de maneira positiva, sendo dos raros veículos com eixo traseiro rígido motriz que não fica pulando adoidado quando dirigido em um piso tipicamente brasileiro, cheio de costelas-de-vaca e buracos alternados. Adorei a posição de guiar e se sentar nesse carro, esparramado e rente ao chão, com os pedais sendo alcançados apenas com pivotagens de pé em vez de mexer a perna inteira. Tanto é que depois disso comecei a guiar em posição o mais próximo possível disso em carros com pontos H mais elevados, jogando o banco mais para trás para deixar a perna mais esticada e, quando dotado de regulagem de altura, jogando para a regulagem mais baixa possível para mim.
    Também dá uma saudade dos bancos inteiriços, pois você fica com sua lateral direita bem desimpedida e podendo abrir mais as pernas sem ter um console interferindo.

    Claro que um land yacht é exceção das exceções no Brasil, a ponto de ter sido o único aqui produzido (Dodjões eram compactos para padrões americanos e os land yachts de Auburn Hills eram Dodge Monaco e Chrysler Imperial, tão grandes quanto um Galaxie), mas foram algo interessante. São difíceis de serem postos em prática em um Brasil cuja maior parte das cidades é feita segundo um modelo europeu medieval (ruas que são caminhos de rato e com leito carroçável significando literalmente isso), mas sempre têm alguns exemplos que podem ser postos em prática mesmo em modelos menores, como o cuidado elevado com ruídos, vibrações e suavidade de funcionamento.
    Aqui também é interessante notar o quanto que o Galaxie brasileiro acabou sendo motorizado conforme aquilo que havia aqui no Brasil, o que significou não ser fabricado por aqui o motor de seis cilindros que havia no americano básico, uma vez que a fábrica da Ford era pensada para unidades V-8, ficando aqui em uma situação parecida com a GMB, que nunca montou um V-8 smallblock no Opala pelo fato de sua fábrica de motores ser pensada para unidades em linha (com o acréscimo de serem modulares entre si).

  • R.

    Galaxie/ LTD/ Landau
    Os melhores Ford já fabricados no Brasil!

  • braulio

    Lembro que quando meus alunos falam em gastar $ 2K em um galaxy sempre penso que com esse dinheiro daria para reformar um Galaxie.
    A única coisa que não é tão boa quanto poderia nesse carro é seu porta-malas, muito baixo e com o estepe numa posição estranha. É enorme, claro, mas para um carro que vem da mesma fábrica do Corcel e Del Rey, dá a impressão que poderia ser melhor.

  • Matheus Ulisses P.

    Senhores, contemplem o mais nobre carro brasileiro! Soberbo.

  • Angelito

    “Vale salientar estas potências e as demais dessa matéria eram brutas SAE e hoje todas as potências informadas pelos fabricantes são líquidas, o resulta em números de 25% a 30% menores.”

    Ou seja, media-se a potência do motor, e não a do carro, correto?

    • Sobre a potência bruta é o mesmo esquema, acontece que com a bomba d’água, por exemplo, são exigidos 5 cv e a potência bruta era somando tudo e outras coisas, até vir a líquida só media a potência do motor.

    • Angelo Jr,
      A potência líquida é aquela do motor com todos os seus acessórios, órgãos auxiliares, filtro de ar, escapamento, silenciadores, catalisador, enfim, exatamente como ele vai instalado no carro, e sem ajustes de avanço de ignição para cada faixa de rotação.

  • RoadV8Runner

    Guardo na memória, até hoje, a impressionante maciez e silêncio ao rodar da linha Galaxie/LTD/Landau. Infelizmente, andei uma única vez num carro dessa linha, quando criança, quando tinha uns 8 anos.

  • Adriano Rech

    E dizer que nos em 1995 ou 1996, por aí, deixei de trocar um fuscão 72 por um Charger R/T vinho igualzinho a esse da foto acima.

    Não quis trocar por já terum Diplomata 91 4-cilindros a álcool e faltaria espaço na garagem Além disso o V-8 fumaceava um pouco e era vazamento de óleo por tudo quanto era lado do motor… de resto o carro estava em muito boas condições.

    É incrível como esses carros eram desvalorizados naquela época.

  • Mr MR8

    Sim, foi uma das mudanças feitas por Collor na presidência: mandou o Landau para a garagem e pegou um Lincoln Town Car 0-km, salvo engano, cedido pela Ford em comodato.

  • Lorenzo Frigerio

    O Dodge sofria muito com ferrugem e, sendo monobloco, isso afetava a rigidez. Os Dodges 4-portas dão a impressão de serem mais sólidos que os hardtop, provavelmente por causa da coluna central. A suspensão não é muito diferente da de uma Ranger, com feixe de molas atrás e barra de torção na frente.
    É bom lembrar que os GM americanos dos anos 60 e 70 tinham uma construção semelhante à do Landau, com chassi e suspensão de molas helicoidais, mas o Landau era mais sólido e silencioso. Muito bom, mesmo, e se você dirigir um Town Car desses últimos, verá que não é melhor que o velho Landau.

    • Antônio do Sul

      Não sei se é verdade, mas há quem diga que tanto o Lincoln Town Car quanto o Ford Crown Victoria, até os seus últimos dias, nada mais foram do que o chassi dos Galaxie/Landau vestindo carrocerias modernas. Eu acho bem plausível, já que todos eles tinham dimensões e características construtivas bem semelhantes.

  • Maycon Correia

    Em 2003 comprei meu Fuscão 1970 pouco mais caro que um Charger R/T amarelo 1975 para restaurar inteiro. Hoje o Fuscão vale 20 mil e o Dodjao vale por baixo 80 mil…

  • XRS250, o 302 nunca foi utilizado na F-100.

    • Obrigado, Meccia! eu sempre desconfiava disso, afinal é bom alguém que trabalhou na Ford, me falar sobre isso.

  • Domingos

    Com mais peso e a mesma carga de amortecedores e molas o carro fica mais macio mesmo, além de oscilar mais.
    Por isso talvez fossem as mesmas peças e por isso talvez durassem tão pouco.
    Antigamente se faziam algumas gambiarras de fábrica mesmo… Está cheio de relatos de antigomobilistas que contam a diferença absurda de qualidade entre o que deveria ser e o que era algumas peças usadas e fabricadas por aqui.

  • Domingos

    É verdade. Tirando alguns casos, essa história de problema com motor é dono que usa gasolina/álcool ruim ou usa óleo errado – muitas vezes acompanhado de intervalos de troca errados.
    Tem carro que hoje já completou 10 ou 15 anos, a maioria já passou dos 200 mil km e nada de retífica.
    Em motor se alcançou um ponto pacífico na indústria. Se toda parte do carro fosse assim… Geralmente se troca de carro hoje por outros probleminhas ou por vontade mesmo.
    Já com chapas, discordo um pouco. Alguns carros são perfeitos com a pintura em ordem, mas se perderem um pouco da mesma enferrujam em poucos meses.

    • Luiz_AG

      Não tenho notícias de carros hoje enferrujados. Não como nos anos 80, que era comum carro com 3 anos com ponto de ferrugem.

  • André

    Mais um belo texto do Carlos Meccia sobre carros da Ford! Como fã incondicional da linha Galaxie, esperava ansioso que publicasse algo a respeito!

    Uma coisa me deixou intrigado, entretanto: o Landau azul das fotos claramente é um estudo de estilo, pois reúne características de anos diversos: frente e traseira do modelo 81 (assim como a cor, que parece ser o azul gemini), o estofamento porém é do modelo 80… E o que me chamou mais atenção foram painel (e volante), que são do modelo 78, pois tem ar-condicionado “gela-saco”, e o Landau já vinha desde o modelo 79 com A/C integrado ao painel, de série… Como curiosidade, também tem uma alavanca de câmbio diferente da original, que nunca foi utilizada… coisas da Ford!

    Minha dúvida seria então: O Sr. lembra da data, ou saberia dizer de que ano são as fotos, Carlos Meccia? Fiquei bem curioso a respeito!

    Um grande abraço!

    André

    • André,
      As fotos são de julho de 1979
      Abraço

      • André

        Sr. Carlos Meccia,
        foi o que pensei mesmo! algo entre o fim de 78 e meio de 79! Interessante que já tinham definido o estilo da dianteira e traseira que só chegaria no modelo 81, mais de um ano depois!
        Abraço!

  • André

    Sr. Antônio, é verdade, mas não é o mesmo chassi dos nossos modelos… Foram fabricados até 2011 com o chassi do modelo utilizado a partir de 1979, já duas gerações a frente do nosso nacional! Claro, em termos de arquitetura, não tem muita diferença, mas não é igual ao nosso!
    André.

    • Antônio do Sul

      Obrigado, André. Então, trata-se de um novo projeto de chassi, ainda com concepção bem semalhante

  • Sor

    Foi mais um carro negligenciado pela Ford. Embora já fosse velho em seu final de vida, algumas poucas mudanças o deixaria em dia com a concorrência, como um painel novo e alguns equipamentos já comuns na época em carros mais modernos ou com acessórios, como bancos reclináveis com apoios de cabeça, vidros elétricos e desembaçador traseiro. O carro mais caro da época merecia no mínimo isso

  • Dieki

    seu diplomata era 4 cilindros em 91? Acho que os Diplomatas não sairam com 4 cilindros e o esse motor foi descontinuado em 1988.

    • pkorn

      Eu também achava que esses carros não existiam, até que vi um “Diplo” 89 4 cilindros. Já os comodoro e SL (mais simples para frotas) saíram com 4 cilindros até o fim da produção.

  • pkorn

    Meu pai teve três Landau, mas eu era muito criança, lembro perfeitamente de andar neles e amá-los, mas nunca pude dirigir um deles. Até hoje tenho essa vontade…