Carro conectado  MUNDO ESTRANHO: O MODELO DE NEGÓCIO DO CARRO CONECTADO D2409TQ11

O carro conectado será uma plataforma para o estranho mundo digital (fonte: qichekeji.com)

Os carros conectados vêm aí, mas isso não é só um mimo ao consumidor de carros que gostaria de ter internet no painel do carro. Há dinheiro no painel dos carros, e isso está atraindo e incentivando a criação dos carros conectados por parte de grandes corporações que realmente desejam ter acesso a uma nova fonte de lucros. É evidente que os fabricantes de carros querem lucrar com esta oportunidade, mas o mundo digital é completamente estranho para eles. Que oportunidades existem nesse maravilhoso mundo estranho? Que armadilhas ali se escondem? Velhos modelos de negócio funcionam ali?

Esta parte de “Mundo estranho”, a segunda, pretende jogar alguma luz sobre este assunto, focando alguns casos já ocorridos.

Os desafios da indústria da música

Comecemos pela análise do modelo de negócio da música digital, pois é um modelo que teve um começo, tem um meio, mas seu fim continua em aberto.

No início, o computador era um mundo à parte, onde apenas programas e dados existiam. A pirataria que existia era apenas desse tipo de conteúdo. Entretanto, com o avanço da tecnologia, mais e mais coisas do mundo físico passaram a ter representação no mundo digital sob a forma de arquivos digitais, possibilitando que elas pudessem ser pirateadas.

Em 1997, um advogado especializado em tecnologia da informação mandou para a imprensa uma carta aberta alertando as gravadoras sobre o risco potencial de pirataria, pois as tecnologias para isso já existiam em abundância na rede. As gravadoras não deram ouvidos e continuaram com seu velho modelo de negócio. Então, em 1998, o Winamp torna-se um dos aplicativos mais baixados da internet porque executa arquivos MP3 com extrema facilidade de uso. Mas isso cria um problema: onde conseguir MP3? A resposta veio de um adolescente que criou no seu quarto um programa chamado Napster. O par Winamp/Napster colocou a arrogante indústria fonográfica de joelhos.

A indústria fonográfica conseguiu  fechar o Napster após dois anos de batalha judicial para manter seu modelo de negócio. Mas ela descobriu amargamente uma natureza da pirataria: rei morto, rei posto. E ela continuou processando e fechando serviços de troca de arquivos um após o outro, apenas para ver novos e mais numerosos surgirem: Kazaa, Audio Galaxy, Grokster, LimeWire… Agora estamos na fase onde reina o protocolo Torrent, altamente eficiente na disseminação de grandes arquivos, como vídeos, e onde o The Pirate Bay reinava absoluto até ser fechado.

Na época do LP (discos long-play), as pessoas estavam acostumadas a fazer cópias deles em fita cassete, inclusive para amigos, e a indústria nunca se manifestou contrária a prática. Se até mesmo os aparelhos de som da época tinham função nativa de cópia, por que o ato de compartilhar na internet seria ilegal? Para as gerações mais velhas como a minha, o ato de compartilhar música pela internet era apenas uma forma mais nova e poderosa de fazer algo que sempre foi feito às claras e ninguém chamava aquilo de pirataria, nem mesmo as gravadoras.

Ao chamar os compartilhadores de música de piratas, a indústria fonográfica só alimentou a raiva entre seus próprios consumidores, ferindo o fair use e alimentando ainda mais a pirataria então iniciante.

 

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Era mais fácil piratear com fita cassete (fonte: forum.hardware.fr)

As revoluções técnicas na internet transformaram o meio da música de maneira muito profunda. Antes, o consumidor não tinha opção. Se ele queria ouvir uma música em casa sem esperar pelo rádio, ele precisava comprar o disco na loja. Isso dava um poder desproporcional e desequilibrado a favor da indústria fonográfica. O MP3 e lançamento do Winamp libertaram a música da mídia física, permitindo a sua reprodução a partir de um simples arquivo de computador facilmente copiável, enquanto que o Napster foi o primeiro sistema que permitia encontrar em qualquer lugar do mundo um arquivo de computador contendo a música desejada. O poder de replicação e distribuição eficiente e em larga escala passou das mãos da indústria para os próprios consumidores.

Essa transferência de poder, que não pode mais ser revertida, é o fato que transformou o meio da música e deveria causar transformações no modelo de negócio das gravadoras, mas passados 15 anos do começo dessa guerra, à qual se juntou a indústria cinematográfica, pouco se fez nesse sentido. Infelizmente, todos perdem com isso.

Outra grande transformação está na percepção de valor da música. O modelo de negócio das gravadoras nos tempos do LP e do CD era de oferecer cada cópia com apenas uma ou duas músicas apreciáveis e o resto era apenas para ocupar espaço, mas cobrando um valor cheio por 15, 20 músicas. Se as pessoas comprassem CDs de 20 músicas a R$ 100 (valor referencial tomando que o preço médio de um CD Premium no Brasil era de R$ 40,00 em 1998, antes da revolução do Winamp e Napster) por apenas duas músicas que elas apreciavam, então a indústria fonográfica na verdade ganhava R$ 50 por cada música realmente interessante para o consumidor. Era caríssimo, mas as pessoas pagavam por falta de alternativa.

Como a indústria nunca se preocupou em explicar o custo da licença de uso, os consumidores pensavam que o custo referia-se à mídia. Quando a música se transformou em um simples arquivo de computador, facilmente reprodutível a um custo irrisório, os consumidores não viam valor comercial significativo no arquivo. Esta sensação foi reforçada por outras.

Quando substituímos o trabalho remunerado de uma pessoa pelo trabalho automático de uma máquina, este trabalho passa a ser gratuito. Não estou falando do custo de aquisição do equipamento nem o consumo de matéria-prima. Quanto se paga pelo trabalho de uma lâmpada que fica acesa? Quanto se paga pelo trabalho de um forno microondas para estourar um saco de pipocas? E quanto se paga para um aparelho reproduzir um arquivo digital de música?

Uma moderna fábrica de balas exige máquinas e equipamentos, feitos em aço inox e sempre com extrema limpeza, com funcionários especializados, consumindo muita matéria-prima e energia, e ela precisa sair da fábrica e ser transportada por um complexo sistema de logística até chegar ao consumidor. E ainda assim uma bala custa centavos. E qual o custo de reprodução de uma música em formato digital? O valor é irrisório até mesmo para padrões caseiros, de baixa produtividade. Que referência convincente ao consumidor existe para fundamentar que uma música digital deva custar R$ 5?

Vamos pensar num simples cartão microSD de 8 gigabytes (pequeno para os padrões atuais) sendo preenchido por 1.600 músicas de 5 minutos cada. Se o preço for de R$ 1 por música, estamos falando em R$ 1.600. Se for no modelo dos tempos áureos do CD, quando um de R$ 100 tinha duas músicas interessantes, o custo de R$ 50,00 por música interessante faz o preço do cartão cheio atingir R$ 80.000. Nitidamente, qualquer opção gera valores desproporcionais, mas são valores normais para a indústria fonográfica. O consumidor é sensível a isso e do seu ponto de vista, se a música não é gratuita, ela deveria custar poucos centavos ou fração de centavos.

Ele também está sensível ao fato de que agora ele pode remunerar diretamente o artista em vez de pagar a um intermediário de tamanho e poder corporativos.  Se é para ser ético, que se pague diretamente ao artista e não via um atravessador. A imposição de um intermediário poderoso e que provavelmente levará a maior parte do que foi arrecadado, deixando pouco para o artista, é um bom motivo para muita gente preferir a pirataria.

Fair use está ligado a tudo isso: percepção de valor, equilíbrio de forças, distribuição justa do valor pago por cada música, e assim por diante. Se existem limites para um lado, existem igualmente para o outro. Se o fair use for rompido por um lado, o equilíbrio será restabelecido com o outro lado buscando uma solução igualmente radical.

Então, ou a indústria se adapta a essa percepção de valor, buscando uma relação harmônica dentro da nova realidade, ou o consumidor continuará exercendo o seu poder através da pirataria. Esta percepção de quanto um modelo de negócio pode ser afetado pelas transformações técnicas é fator primordial para o futuro de qualquer empresa ou setor.

Qualquer tipo de serviço a ser oferecido no painel do carro precisa ser estudado nos termos que observamos, principalmente na questão de valor percebido.

O iTunes é um modelo revolucionário?

Ainda no caso da música, vimos o caso da aliança entre a Apple e as grandes gravadoras para a venda de música pela internet. De todas as lojas online, o iTunes foi certamente a iniciativa de maior sucesso. Entretanto, a relação nunca foi exatamente a melhor possível entre as partes. No modelo da Apple, cada música era vendida separadamente e ao preço de US$ 0,99 cada uma. Onde antes a indústria fonográfica ganhava US$ 5 por música de sucesso vendida (considerando um CD de US$ 10 com apenas duas músicas interessantes), agora eles faturariam centavos, pois a Apple levava uma fração significativa dos US$ 0,99 brutos.

Também o conjunto de consumidores alcançáveis pelo iTunes era muito limitado perto da universalidade do CD, uma vez que o uso de produtos da Apple seria um condicionante. Além disso, a indústria fonográfica nunca aceitou muito bem a precificação uniforme das músicas pelo valor mais baixo imposto pela Apple. Mesmo esse modelo sendo considerado de sucesso, não chegou a ser um pingo d’água perto do oceano que havia sido os universais e onipresentes LP e o CD para a indústria fonográfica. Foi um excelente negócio para a Apple mas nem tanto para as gravadoras, apesar de elas se agarrarem ao iTunes como uma tábua de salvação no mundo digital.

O tempo passou e o iTunes foi ultrapassado pelas rádios online e serviços legais de streaming, e de novo gravadoras e artistas ainda não entenderam o novo meio para ajustar um modelo de negócios em sintonia com os novos tempos. Resultado: incentivo à pirataria que eles mesmo combatem.

 

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A indústria da música se curvou à Apple. A indústria automobilística se dobrará aos gigantes do mundo digital? (fonte: www.thedrum.com)

Outro lado obscuro da relação da Apple com gravadoras é a questão da tecnologia fechada.  As gravadoras não acharam um jeito de manter a música digital sob controle cerrado como havia sido com o LP e o CD. Muitos tentaram oferecer soluções, como a Microsoft, mas nenhum projeto vingou.

Steve Jobs, com seu magnetismo pessoal, convenceu a indústria fonográfica de que possuía a solução, mas as gravadoras exigiram um sistema de gerenciamento de direitos autorais (DRM, Digital Rights Management). O primeiro iPod só permitia tocar músicas legalmente compradas. Foi um fracasso e durou pouco. Só quando Jobs e as gravadoras cederam e abriram a possibilidade de instalação de MP3 genéricos é que a venda do iPod decolou. Anos mais tarde a própria Apple tornou pública uma estatística que mostrava que mais de 99% dos iPod’s, iPhones e iPad’s tinham 5 músicas legalizadas instaladas ou menos. Pouco, para os padrões da indústria fonográfica, mas a melhor resposta no meio digital.

Mas o sistema de DRM era incômodo. Hackers conseguiam quebrá-lo com facilidade e custava caro para a Apple ficar reparando. Então Jobs escreveu uma carta aberta, direcionada às gravadoras, mostrando por que o DRM deveria ser eliminado. Hoje muitas músicas do iTunes são vendidas sem DRM. Entretanto, isso não representa o fim dos entraves na manipulação de músicas. Manipular arquivos de música num iPhone ou num iPad é cheio de bloqueios e condições, muito distante das facilidades em smartphones e tablets Android e Windows. E nisso voltamos ao que já foi dito na primeira parte: a pirataria é simples, direta e fácil de usar, e quanto mais barreiras e entraves se colocam no uso legalizado da música, maior o incentivo à pirataria.

No fundo, o iTunes não foi tão revolucionário quanto parece. Ele é, na verdade, uma adaptação do velho modelo das gravadoras para o mundo digital, e que genialmente coloca a Apple como intermediária entre os consumidores e as gravadoras, tirando lucro para a empresa de um setor que não é o dela. Por não ser tão revolucionário, tentando preservar antigos modelos de negócio, o iTunes envelheceu rapidamente. As vendas de música pelo iTunes estão em declínio enquanto serviços de streaming, mais sintonizados com a dinâmica do mundo digital, estão em ascensão.

A história do iTunes oferece detalhes importantes que a indústria automobilística precisa prestar atenção ao criar parcerias com empresas do setor digital. A questão da tecnologia fechada é também é importante para o setor automobilístico porque cria-se uma cadeia que pode futuramente gerar grandes prejuízos ao setor ou aos consumidores. As exigências das partes ocorrem em cadeia que termina sempre no consumidor, mas passando pelo setor automobilístico. Distorções por interesses de uma parte são carregadas para a parte seguinte e sobrepostas por novas distorções, e o consumidor pode adquirir um produto completamente canhestro. É um passo para as críticas dos consumidores, ao hacking e à pirataria que, com certeza, a indústria automobilística não deseja.
    
Entendendo a natureza do negócio da música

A pirataria é uma forma de entender a transformação do mercado da música. As pessoas pagam para uma diarista trabalhar um dia em suas casas, mas não pagam um centavo para cada saco de pipoca estourado no forno microondas. Cada vez mais as máquinas executam trabalho automático sem um custo por operação e as pessoas verão cada vez menos valor nas ações automáticas. O caso da música é semelhante.

Por séculos, os músicos viviam de cada apresentação que fizessem para um público limitado. Veio o rádio e um músico poderia alcançar milhões de ouvintes com uma única apresentação. Com o fonógrafo, um músico executava a música apenas uma vez e essa execução podia ser ouvida por milhares de pessoas em diferentes instantes. Junte o rádio e o fonógrafo e o potencial de escala se torna ilimitado. Isso virou um grande negócio quando se investiam em poucos artistas que eram promovidos como estrelas e as pessoas pagavam caro para ouvir uma gravação.

O tempo e a internet transformaram essa percepção. As pessoas perceberam que uma música gravada é apenas uma automação. Pode-se ouvir a mesma música milhares de vezes e nenhuma nota será tocada fora do mesmo tom. Não há esforço na execução da música gravada. Há pouco valor nisso. Porém, ver seu artista predileto ao vivo, cantando a plenos pulmões, é bastante diferente e as pessoas pagam com gosto para vê-lo.

A pirataria nivelou as discrepâncias. Ninguém quer ouvir aquelas músicas que só serviam para encher o caríssimo CD. As pessoas agora possuem poder de escolha e exigem apenas músicas de qualidade. As músicas que chamavam a atenção não têm grande valor na forma de gravação, enquanto as apresentações ao vivo são valorizadas. A pirataria destrói o faturamento milionário das grandes estrelas e das gravadoras ao mesmo tempo que promove centenas de artistas desconhecidos, trazendo maior equilíbrio e qualidade a esse meio. Nunca se ouviu tanta música e nunca houve tanto dinheiro correndo nesse meio, mas o modelo não é mais o de vender música padronizada em disco, mas sim de fazer shows. É ao seu próprio meio, um retorno ao antigo modelo do artista-trovador. Puro Yin e Yang.

Qualquer modelo de negócio que venha a se firmar sobre a música digital deve enfrentar a natureza do mundo digital de frente. O iTunes, por tanto tempo apontado como modelo de sucesso, vem perdendo vendas significativas, enquanto o streaming, não. Isto não significa que o streaming ganhou. Não há garantias de que novos modelos de negócio ainda mais em sintonia com o mundo digital possam surgir, mas por enquanto este é o melhor modelo.
       
A estranha relação da pirataria e serviços legalizados

É curioso notar que existe uma parcela de produtos e serviços que possuem modelos de negócio legalizados que tiram proveito da pirataria. A justificativa para se pegar um serviço de banda larga no passado era a possibilidade de baixar músicas pela internet, inviável de se fazer com o antigo modem discado. Progressivamente, os padrões de música foram melhorando gerando arquivos maiores e impulsionando o aumento das velocidades de conexão, quando então entrou em jogo a pirataria de filmes, com arquivos ainda mais pesados. Esta mudança também impulsionou primeiro o uso de gravadores de CD e depois de gravadores de DVD, reprodutores de CD e DVD para carros, bem como a venda de mídias graváveis e regraváveis. Se a maior parte do conteúdo que é manipulado por esses equipamentos tem sua origem na pirataria, então esses fabricantes vivem indiretamente da pirataria.

Agora temos o fenômeno das impressoras 3D, que precisam de arquivos ainda maiores. E que tipo de coisas as pessoas irão imprimir nessas impressoras? A criação de modelos 3D detalhados é processo complexo. Portanto, as pessoas irão comprar e usar impressoras 3D a partir de modelos baixados da internet, o que na grande maioria dos casos significa pirataria. Veremos bonecos de personagens dos quadrinhos e do cinema, peças para carros, artigos de arte e decoração, todos produtos com direitos de autor. Este será o impulso para a disseminação de serviços de banda larga em fibra ótica e mídias de armazenamento muito maiores, além das vendas das impressoras propriamente ditas.

Sem a pirataria não haveria o impulso de progresso desses produtos e serviços, e é de se esperar que haja um incentivo indireto e disfarçado à pirataria por meio dos fornecedores dessas soluções. Antes do sucesso de qualquer iniciativa de música ou de filmes pela internet, um grande fornecedor de serviços de banda larga fazia uma propaganda que dizia “…Baixe músicas e filmes com rapidez e facilidade…”. Se não haviam serviços oficiais na época (algo ainda hoje bastante deficiente), então essa empresa estava estimulando a venda do seu serviço mediante um incentivo disfarçado à pirataria.

Se tantos produtos e serviços geram tanto dinheiro, empregos e crescimento da economia  a partir da pirataria, então de uma maneira geral a pirataria não pode ser taxada de totalmente danosa como geralmente é feito. Sem ela, haveria poucos motivos para se ter uma conexão realmente veloz de internet, e logo os consumidores pressionariam pela redução de preços nos serviços existentes.
    
Uma idéia antiga, baseada neste conceito, é a da criação de uma “taxa da pirataria”. Cria-se uma taxa fixa nas tarifas de internet, por exemplo, algo como R$ 15 por mês. Criam-se programas oficiais de download que registram títulos e autores de obras que fossem baixados por toda rede, e libera-se a troca de arquivos. Quanto mais uma obra ou artista é copiado, maior a parcela do fundo da “taxa de pirataria” iria para ele. As pessoas continuariam a compartilhar livre e legalmente pela internet, e os artistas seriam devidamente remunerados.

Serviços de streaming, como Spotify e Netflix, vêm explorando esse modelo um tanto modificado, mas a indústria de entretenimento ainda não aceitou bem essa idéia, principalmente em função da baixa remuneração por cópia de obra. Porém quanto mais a indústria de entretenimento se opõe a serviços como Spotify e Netflix, mais ela deixa a pirataria seguir solta e que não remunera nada.

O lucro do grátis

Há na internet também o reverso da moeda. Trata-se do lucro pela gratuidade.  Há uma frase bastante popular na internet: “Quando você não paga pelo produto, você é o produto”. Isto é bem antigo, na verdade.

Quando Marconi patenteou o rádio, muitos setores econômicos acharam o invento interessante, mas disseram que não haveria futuro para ele, uma vez que não haveria como cobrar das pessoas para ouvirem o rádio. O próprio Marconi resolveu o problema criando a propaganda pelo rádio. O modelo depois foi adotado por sua “filha”, a TV.

No rádio e na TV, o anunciante paga pela audiência, e isso é um problema. Se o anúncio é de um produto de limpeza que facilita a vida doméstica, ele chama a atenção da dona de casa, mas não do marido e das crianças. Uma propaganda de carro pode sensibilizar o marido, mas não o resto da família, e assim vai. Mas cada anunciante paga por todos que assistiram ao anúncio. O retorno dessas propagandas é baixo, e por isso o valor pago por espectador precisa ser baixo. Ainda assim, apesar da propaganda sempre ser um ato invasivo, ela é democrática. Todos os que assistem aquele canal de TV naquela hora assistirão ao mesmo comercial. Dizemos então que este é um anúncio não direcionado.

Por outro lado, vemos que o rádio e a TV não são verdadeiramente gratuitos. Embutidos nos preços dos produtos que compramos e foram anunciados está parte do que foi pago para anunciar nas emissoras.

A coisa muda quando o meio é a internet. Monitorando os passos do internauta (a navegação na web, os e-mails que manda e para quem manda, a busca por lugares nos mapas etc.) revelam muito sobre os interesses individuais de cada um. Se um internauta começa a procurar muito por determinado modelo de carro, escreve aos amigos sobre ele, procura concessionárias da marca na região, então ele está muito sensível à compra desse carro. Se o fabricante ou uma rede de concessionárias pagar um anúncio ao site de monitoramento, o anúncio pode ser altamente direcionado e ter alta eficiência. O anunciante precisa gastar menos na internet para ter uma resposta mais efetiva e isso vale muito dinheiro. Porém, a propaganda direcionada parte da invasão da privacidade do usuário e do monitoramento constante dos seus atos online, o que vem sendo altamente combatido mundo afora.

O Google é o exemplo máximo desse modelo, mas para que o modelo funcione é preciso coletar informações sobre os usuários, e isso é feito pela oferta de serviços gratuitos de qualidade. Um bom exemplo de quanto isso vale é o Google Earth. Antes do lançamento do serviço, uma fotografia de satélite em alta resolução de uma área restrita era vendida por centenas de milhares de dólares pelas empresas especializadas, no entanto passaram a ser disponibilizadas gratuitamente na internet do dia para a noite, tudo porque a busca por lugares no Earth revela muito sobre quem está pesquisando. Os dados gerados pelas pesquisas no Google Earth são muito mais valiosas do que se poderia obter pela venda das fotografias. Os populares celulares Android, sem custo para os fabricantes de aparelhos, é outra fonte vital de informações para o Google. Mas não é só o Google que mantém monitoramento cerrado. Todas as grandes companhias de informática, como Facebook, Apple, e até a TomTom já foram apanhadas várias vezes monitorando silenciosamente e até comercializando informações de seus usuários.

Muitos leitores, além de entusiastas de automóveis, devem ser entusiastas de informática, e já devem ter ouvido falar em “big data”. “Big data” é a evolução de uma tecnologia de rastreamento que fez sucesso nos anos 1990, chamada “Data Mining”. Um exemplo clássico de data mining foi uma descoberta feita pelo Walmart. A rede de supermercados descobriu uma estranha relação entre fraldas para recém-nascidos e cerveja apenas processando os itens de cada venda nos seus caixas. Ao estudar o caso, descobriu que fraldas para recém-nascidos geralmente são compradas pelo pai da criança, enquanto a mãe permanece em casa em repouso. Bastou aproximar a gôndola de fraldas da sessão de cervejas para as vendas explodirem.

“Big data” tem um caráter semelhante, mas muito mais profundo e individualizado, porém tem de lidar com um volume ainda maior de dados, e é considerado o futuro do comércio. Porém, ele é a radicalização de saber coisas sobre cada pessoa além de qualquer limite razoável de respeito à privacidade dos consumidores para favorecer uma venda. Hoje é possível dizer, com absoluta certeza, que algumas empresas sabem mais sobre cada um de nós do que nós mesmos.

O modelo em rede
    
Robert Metcalf tem um currículo extenso, como criador do sistema Ethernet de redes locais e fundador da empresa de conectividade 3Com. Antes do boom da internet, ele fez uma afirmação profética: “O valor de uma rede é proporcional ao quadrado do número de nós existentes nela.” Hoje entende-se rede de uma forma muito mais ampla do que simplesmente computadores ou telefones interligados. Mais valiosas são as redes humanas que se criam a partir destas conexões.  Saber a rede de contatos que as pessoas possuem é dizer muito sobre elas e o potencial comercial deste conhecimento é enorme.

Quando olhamos para a história da internet vemos que o primeiro grande negócio em termos de redes foi a venda do ICQ para a America Online (AOL), mas então esse tipo de negócio não só continuou como prosperou, com várias aquisições bilionárias. A Microsoft comprou o Skype mesmo tendo o MSN; o Google comprou o Waze, o Facebook comprou o Instagram e pagou 17 bilhões de dólares pelo WhatsApp. Em todas estas negociações bilionárias um fato chama a atenção: quem comprou um serviço de rede social tinha larga capacidade técnica para criar um serviço concorrente. Então, qual era o ativo que estas redes possuíam de tão valiosas? Era sua rede estabelecida de contatos.

Uma rede de contatos se forma lentamente, e, de repente, alguns serviços ultrapassam o joelho da curva e tem crescimento explosivo de seus contatos. Mas para cada serviço que atinge este ponto, muitos outros morreram pelo caminho. Para as grandes empresas não há garantia que eles produzirão um concorrente e este terá sucesso imediato no mesmo nível do serviço original. Sai mais barato e oferece retorno imediato comprar uma rede estabelecida do que criar uma e esperar que ela dê certo.

O caso do Facebook comprando o Instagram e o WhatsApp revela outro detalhe importante sobre este negócio. O Facebook, uma rede social, comprou uma rede social com foco em fotografias e outra rede com foco em mensagens instantâneas pelo celular. Onde está o valor destes negócios? O valor está na diferença que a proposta da rede causa sobre a rede de contatos que é criada. A rede de contatos de uma pessoa no Facebook é diferente da rede dela no Instagram e é diferente da rede dela no WhatsApp.

Carros conectados certamente oferecerão oportunidades para novas redes de contatos por estarem dentro de um contexto próprio e, por isso, criando redes de contatos com características próprias, e a indústria automobilística deverá estar em sintonia com os fenômenos das redes sociais nos painéis dos carros para não perderem oportunidades.

O modelo de negócio da internet embarcada

O exemplo da guerra da música é importante para o setor automobilístico que agora está entrando com os dois pés nesse meio e pode aprender muitas lições. É preciso entender como as revoluções do meio digital tornam obsoletos velhos modelos e práticas de negócios, e de como modelos impensáveis há alguns anos têm maior potencial de sucesso dentro da rede. É preciso entender que os antigos modelos, estabelecidos unidirecionalmente do fabricante para o consumidor, mudou para um modelo de equilíbrio bidirecional de poder a partir da coesão dos consumidores conectados. E, a partir dessa conclusão, entender como o fair use pode fazer a diferença entre um relacionamento harmônico e uma batalha campal contra seus próprios consumidores.

 

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O carro conectado não pode ser fonte de distração para o motorista (fonte: www.afr.com)

Entretanto, observem com cuidado o que vem sendo proposto tanto pela Apple quanto pelo Google para os carros conectados. As telas parecem um retrocesso de 15 anos em termos de interface. Por que isso? As telas nos painéis são fatores altamente desejáveis e atraentes hoje em dia, mas já se sabe há muito tempo que motoristas não podem sofrer distrações enquanto dirigem, daí o retrocesso.

 

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A interface do carro digital não será a mesma do smartphone, assim como a do smartphone não é a do desktop. (fonte: www.pehub.com)

Mas a verdadeira questão é que ninguém sabe direito qual a melhor interface de um sistema conectado estando o motorista atento ao trânsito, e se não sabem bem qual a interface, não se sabe que tipo de aplicações serão importantes nos carros conectados além das já tradicionais, como som, atendimento de telefone, GPS conectado, condições do trânsito ao longo do trajeto e computador de bordo. E se não sabemos ainda que aplicativos serão importantes, não sabemos que informações terão relevância para o motorista. Sem isso será impossível saber exatamente como monetizar o painel dos carros como deseja a indústria automobilística.

 

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Interface do Android Auto (fonte: www.eglober.com)

 

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Interface do Carplay da Apple (fonte: www.anayemeny.net)

Mas mesmo que não saibamos isso, entretanto sabemos de pelo menos uma coisa. Automóveis só fazem sucesso porque o combustível é barato e abundante. Da mesma forma, carros conectados só farão sucesso se o fluxo de dados móveis for abundante e barato. Isso tem ido na contramão da política das operadoras de telefonia celular.

 

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Promessa passada de carro inteligente. O mesmo ocorrerá com o carro conectado? (fonte: adam.azet.sk)

Aqui no Brasil, por exemplo, há em algumas operadoras uma franquia diária de 10 Mbytes por R$ 0,50. É uma franquia muito cara e que a partir deste ano implicará no corte da conexão quando o limite da franquia for atingido. Mais dados, só com pagamento de nova franquia. Isso é muito caro para um carro conectado. O motorista também experimentará corte de conexão enquanto dirige e não poderá ficar se distraindo, comprando mais novas franquias.

Então, ou a política de conexão muda e se torna mais barata (o que depende das operadoras de telefonia celular), ou os carros conectados se tornarão um fiasco. Esta é uma guerra que a indústria automobilística terá de comprar para tornar os carros conectados uma realidade.

Já combinamos isso com os russos?

Diz a lenda que durante a preleção do jogo do Brasil com a União Soviética pela Copa do Mundo de 1958, o técnico Vicente Feola ia ditando a tática até chegar ao gol. Garrincha, não se mostrando muito interessado, a certa altura pergunta: “Tá legal, ‘seu’ Feola… mas o senhor já combinou isso tudo com os russos?”.  A frase espelha a genialidade de Garrincha expressa de forma simples e humilde. Não existe jogo de futebol previsível e nenhuma tática é garantidamente vencedora contra um time que reage.

É bem provável que a indústria automobilística e a do mundo digital estejam planejando marcar um gol de placa com os carros conectados, mas eles ainda não combinaram isso conosco — os consumidores.

 

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Muitas das promessas do carro conectado irão se concretizar? (fonte: www.econovation.co.kr)

No final das contas, o lucro destas grandes empresas de internet sai do bolso de milhões de consumidores por um caminho muitas vezes extenso e tortuoso, e a indústria automobilística quer levar a maior parte do bolo do lucro obtido através dos painéis dos automóveis. Abrir o painel dos carros para a integração com a internet é uma visão de que uma nova frente de lucros irá se abrir, porém isso pode ser um pensamento enganoso.

A indústria eletroeletrônica descobriu uma mina de ouro ao lançar os smartphones. O mesmo pareceu acontecer em princípio com os tablets. Porém, por uma série de motivos, os tablets tiveram uma fase que se pareceu mais com fogo de palha: ascensão rápida e agora rápida queda. A terceira tentativa, a das smartTVs, conectadas à internet, foram um enorme fracasso.

Como vimos, nem a indústria sabe direito que tipo de aplicativos serão importantes no painel do carro, já que ele não pode ser uma fonte de distração para o motorista, e pior ainda se a distração for uma propaganda. Hoje há uma ênfase pelo comando por voz, mas ele é limitado. Não é fácil fazer por voz o que se faz com dois cliques de mouse no espaço de uma tela. Portanto é muito difícil prever o que será seguro por um lado e ao mesmo tempo atraente para o motorista, por outro. Lançar estes sistemas às pressas, sem prestar atenção a estes detalhes, pode induzir acidentes por um lado ou a total insatisfação do motorista com o sistema, por outro. Sem um bom planejamento, essa tentativa pode ser fatal para o carro conectado.

A valiosa informação que o motorista gera no painel do carro pode ser lucrativa para Google, Apple, Microsoft ou Yahoo, porém será difícil de monetizar pelos fabricantes de carros. Mais fácil para os fabricantes seria a monetização pelo consumo pelo painel, mas como a disputa pelo bolso do motorista é acirrada em outras frentes, as iniciativas embarcadas irão competir com outras já estabelecidas.

Pode então ser que o painel dos automóveis não seja a cornucópia de lucros que os fabricantes imaginam.

Na próxima parte, alguns segredos de bastidores

AAD

Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

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  • Newton (ArkAngel )

    Nesta provável briga entre os fabricantes de carros e as operadoras de telefonia, vejo claramente a tendência ao equilíbrio se manifestando, ainda mais com os preços abusivos das telefônicas aqui no Brasil. Só pra comparar: https://www.meo.pt/pacotes/mais-pacotes/fibra/tv-net-voz?hp=2.1tps://www.meo.pt/pacotes/mais-pacotes/fibra/tv-net-voz?hp=2.1
    Uma pergunta: quando alugamos um DVD na locadora, como ficam os direitos autorais? Se pagamos o aluguel, adquirimos o direito de ver o filme, ou só compartilhamos tal direito?

    Abraços

    • Newton, li um artigo em 1999 um artigo assinado por ninguém menos que Larry Ellyson, CEO da Oracle uma matéria onde ele sintetizava muito sobre o futuro. Ele é um visionário, e ele disse uma frase que para mim sintetiza muito do dos modelos de negócio na internet: “Não se ganha dinheiro com plataforma, mas se ganha muito dinheiro com o que funciona sobre a plataforma”.
      Olhe tudo o que o Google nos oferece de graça. É tudo plataforma.
      Linux e outros importantes softwares livres são todos plataformas. A IBM foi uma das primeiras grandes empresas a investir no Linux enquanto ela se desfazia de seu próprio UNIX, o AIX. A IBM moderna vive dos softwares específicos que ela desenvolve para seus clientes, mas esses softwares exigem um sistema operacional. Vale muito mais a pena investir no desenvolvimento comunitário do Linux do que numa solução proprietária para ter uma plataforma robusta e flexível.

      Imagina o que é estar rodando um aplicativo no painel do carro e ele para de funcionar no meio da viagem porque acabou o pacote de dados. A brincadeira sai cara e o motorista não pode se distrair. Mas repara: conexão com a internet é plataforma.
      Veja os esforços do Google, do Facebook e até do dono do PayPal e da Tesla para oferecer internet de graça até nos pontos mais remotos do planeta.
      Por isso a indústria automobilística precisa comprar a briga com as operadoras para que os carros tenham fluxo de dados a baixo custo e sem cortes de fornecimento. A briga é boa.

      Sobre a locadora, é o mesmo caso do cinema.
      Quando vc vai no cinema, vc assiste a uma sessão com aquele filme. O cinema tem licença para exibições públicas do filme mediante um retorno financeiro para o estúdio, mas com o direito de exibição pública limitada (ao tamanho da sala). Então o que o cinema te cobra é um serviço, sem que você tenha direito sobre a obra exibida.
      Essa também é a linha para o streaming de música e vídeo, como o Spotify e o Netflix.

    • Domingos

      Use o bom senso: o DVD terá direito de ser visto enquanto durar o período do aluguel e por quantas vezes e pessoas você quiser, desde que não seja por comércio.
      Os DVDs para aluguel usam uma licença diferente aos que os compram, sendo bem mais cara e sendo temporária.
      A cada uso, um contrato…

  • Daniel Mietto

    Excelente texto! Parabéns ao autor

  • Fat Jack

    “…O carro conectado não pode ser fonte de distração para o motorista…”
    Alguma dúvida de que já é uma forte fonte de distração???
    O motorista brasileiro se distrai com qualquer coisa, é maníaco por fazer 326,5 ao mesmo tempo, basta verificar o “terror” que encontra nas ruas com boa parte dos motoristas tentando se comunicar via whatsapp enquanto dirige: conversões de “última hora”, conversões e trocas de faixa sob trânsito pesado sem sinalização, veículos atrapalhando o fluxo de veículos (por velocidade excessivamente baixa), entre outros…
    Interessante também é a grande preocupação com a “interatividade” com Media x, Eco y…, enquanto um simples, barato e importante indicador de temperatura do motor vem sendo suprimido do painel inclusive de veículos que estão longe da categoria “popular”.
    Porque?
    Porque alguns usuários concordam em ficar sem ele enquanto pagam R$2.000,00 por um sistema de Media, achando que fizeram um ótimo negócio…

  • Antonio

    Será que é por isso que tem tanta gente investindo no carro autônomo?
    Neste veículo o motorista ficaria liberado para ao menos em parte do tempo fuçar a internet, utilizando o painel do carro como um celular atual.
    Tudo isso vem da (má) ideia de agregar valor aos bens de consumo.
    Então, o celular deixou de ser um simples telefone, feito para a comunicação de voz e passa a ser uma central de entretenimeno. A seu espelho o carro deixa de ser um transportador, simples e barato para virar …o quê mesmo?
    E assim o que é mais valioso , que é o percurso, a viagem, o que está lá fora, vai perdendo importância. Há muito o que ver no mundo, ao vivo, sem necessidade de caixinhas mágicas.
    AAM

  • Wagner Bonfim

    Artigo muito bom, parabéns. Por incrível que pareça, acho que para pessoas como eu, o rádio, mesmo sendo o meio de comunicação de massa mais antigo de todos, é o maior concorrente destas tecnologias recentes.

    Basicamente só ouço uma rádio de notícias, bastante conhecida de todos. Ou seja, minha central de mídia fica subutilizada na maior parte do tempo. As funções de computador de bordo (locais), ou facilitadoras do estacionar, são funções intrínsecas ao veículo.

    Algo que me agradaria seria o controle do deslocamento do veículo disponível para visualização externa, via Web. Exemplo: gráficos de tempo médio, melhores horários para o deslocamento, gastos com o veículo como um todo e etc. Só que já tenho estas funções no Smartphone, com um pouco mais de trabalho, ou em uma solução de controle de frota.

  • Vejo os carros de hoje muito parecidos com os celulares…
    Todo mundo quer saber se tem GPS, câmera de ré, Bluetooth, foto, vídeo, acessa a internet, aplicativo x, y, z… E a função principal que é fazer e atender ligações com qualidade e no caso dos carros que é transportar com segurança, desempenho e boa dirigibilidade, fica em um segundo e às vezes em um terceiro plano…

    • Piantino

      E quem te falou que a função principal de um celular hoje é fazer e atender ligações? Hoje em dia essa é uma função secundária.

  • Danniel

    Sobre o Walmart, fraldas e cervejas, me lembrei de um caso que li sobre a Target, que conseguiu através do cruzamento de dados das compras das pessoas estabelecer não só se uma mulher estava grávida, como determinar em que fase de gestação ela estava.

    • Danniel, isso é data mining.

      O problema do data mining e do big data é que esses sistemas podem encontrar muitos fenômenos de alta correlação, mas na maioria das vezes a relação não apresenta relação de causa e efeito.
      Já ouviu falar em cientista de dados? É exatamente o profissional que está surgindo a partir desses mecanismos e que investiga se a relação de causa e efeito é real ou não.

  • Piero Lourenço

    Não conheço painel mais bonito e tecnológico que do Tesla…. já andei num pessoalmente… sensacional..

    • Domingos

      Se não fosse o televisor no meio do painel, seria mesmo bacana. Exageraram no tamanho daquilo!

    • Luiz_AG

      Se o futuro tiver uma cara, espero que seja a do Tesla.

      • Bob Sharp

        Luiz_AG
        O futuro, em automóvel, se chama carro elétrico com energia produzida a bordo pela pilha a hidrogênio. Acabou de sair no Japão o Toyota Mirai, autonomia de 500 quilômetros e reabastecimento em 5 minutos. Todo o resto, Tesla inclusive, é brincadeira de carro elétrico.

        • $2354837

          Entendi, mas falei com relação e estilo e desempenho. Carros do futuro não precisam ser sem graça.

        • Domingos

          Também aposto que NENHUM elétrico que dependa de bateria comum vai ter futuro. Mesmo com as reduções de impostos e toda a pressão social.

          Bateria é muito ruim e toda a evolução que acontece ou é muito cara ou muito pesada para uso em carro. Além disso sempre é um item de baixa durabilidade, seja num celular ou notebook, seja num carro.

          Aposto mais é que com a queda no preço do petróleo e com a farsa da escassez dessa matéria prima, a coisa continue como está por muito tempo.

          E que elétricos como o Mirai ou híbridos como o Volt sejam o futuro em partes – em algumas aplicações.

  • Lorenzo Frigerio

    A indústria não se manifestou contra as cópias feitas em fitas cassette porque a qualidade era ruim. No caso das cópias em WAV ou MP3, a qualidade é “perfeita”. É bom lembrar que a máfia das gravadoras matou o primeiro sistema de fita digital, o DAT (Digital Audio Tape), que permitiria uma cópia perfeita de um CD, lançado lá por 1987, e de que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar. Por ação das gravadoras, o custo do aparelho era acintoso, mesmo na Europa, e por isso o formato não decolou, exceto em ambiente profissional.

    • Lorenzo a história da pirataria em cassete (ou K7, como preferir), é longa.
      Eu tinha amigos que eram viciados em “som de qualidade”. Me lembro até hoje da vez que fui na casa de um amigo, e ele tinha montado um par de caixas com especificação das BOSE 901 numa sala especial para ouvir música. Ele colocou o disco do Rick Wackeman “Journey to the Centre of the Earth”.

      “QUE” abertura! As caixas BOSE usavam uma técnica de som refletido x som direto que ninguém mais usa, criando uma ambiência que te faz parecer beeeeem pequeno… Nunca mais esqueci daquilo

      Nessa época era comum os amigos montarem festinhas, cada um levava seus discos novos e mais alguns, e passávamos a tarde regada a refrigerante, pipoca e muita música. Era comum colocar um LP pra tocar do começo ao fim e alguns colegas tinham 3 ou 4 tapedecks copiando pra fitas de colegas.
      Mas não dava pra fazer a cópia da cópia porque ficava muito ruim.

      Eu lembro da batalha do DAT. O DAT pecou por inocência. Ele nada mais era que um VHS que gravava audio digital num padrão parecido com o de CD, e não tinha qualquer tipo trava para cópia. Aí daria para fazer a cópia da cópia da cópia… sem perda de qualidade.
      Eu estava na faculdade na época e lembro de ter comentado com um colega que mesmo o DAT morto, a indústria fonográfica não ficaria por por cima eternamente.

      DAT virou fita de uso profissional ou fita de backup pra computador.
      Mas duvido do sucesso do DAT. O CD era um formato muito mais cômodo de usar.

      • CorsarioViajante

        Aproveito para dizer, uma coisa que me incomodou um pouco foi a generalização de que todos os CDs tinham uma ou duas músicas boas e o resto ruim… Não necessariamente. Um certo modelo de negócios investia nisso, mas existia outro, mais “sério”, que permitia uma audição do começo ao fim, falo isso pois lembro de marcar encontro com os amigos para ouvir CDs da mesma forma que vc relatou.
        Um fator legal também é que antes, pelo custo, vc ouvia menos quantidade de música, mas ouvia aquela música mais vezes. Hoje é o oposto, todo mundo já ouviu tudo mas isso não significa nada.

        • Corsario, algumas coisas nesse mundo são muito estranhas. Um dos discos de maior sucesso dos anos 80, Thriller do Michael Jackson, foi considerado um fracasso pela gravadora.
          O disco era tão bom (para quem curte), que apenas 2 músicas do disco não fizeram sucesso. E porque foi um fracasso? Porque foi um tal de pagar jabá pra rádios do mundo todo, música após música.
          Em geral, as pessoas compravam um disco e a indústria pagava jabá para apenas 2 músicas, mas no Thriller, a gravadora pagou para mais de 15, e como o artista não era um zé quarqué, o jabá foi pesado para cada uma delas.

    • César

      Depoimento de minha mãe, operadora de rádio nas décadas de 70 e 80:
      “Utilizávamos DAT na rádio em que eu trabalhei, para gravação de comerciais. Realmente a qualidade era das melhores, aliás muito superior à do famoso “tape cartucho”. Era uma mão de obra só: havia uma mesa com três toca-fitas para cartucho; a cada intervalo musical, colocavam-se os três primeiros comerciais para rodar. À medida que um terminava, substituía-se por outro e assim por diante. O DAT tinha melhor qualidade, porém tinha a desvantagem de precisar rebobinar a fita, o que não ocorria com o cartucho. Para a programação musical, era utilizada uma profusão de toca-discos e apenas um CD player, dado o altíssimo custo na época. Naquela emissora, o primeiro CD player foi adquirido em fins de 1987. Os disquinhos eram de pouca variedade, custando por volta de 100 dólares cada um. Todos os equipamentos e mídias presentes num estúdio de rádio eram importados dos Estados Unidos ou do Japão. Não havia nada nacional e muito menos chinês. Num primeiro momento, impressionavam a ausência quase total de ruído de fundo dos CD’s, tão comum nos LP’s e nas fitas cassete, e, logicamente, o preço, proibitivo para praticamente qualquer pessoa ‘normal’ da época. Lembro que um CD player valia alguns milhares de dólares.

      Ao apagar das luzes da década de 80, surge o computador no ambiente da emissora de rádio, que trouxe consigo um software chamado DigiRádio e que utilizava um interessantíssimo formato de arquivo: o MP2. Marcou o início de uma nova era. Aliás, era esta que eliminou a maioria dos operadores de rádio.”

  • Fabricio d

    Não quero fazer propaganda mas o Pirate Bay ainda está vivo… http://thepiratebay.cr

    • CorsarioViajante

      E como! Meus colegas… 🙂

    • Roberto

      O The Pirate Bay está inativo. Esse link é fraude. Já já ele estará de volta. A polícia da Suécia realmente conseguiu retirar o site do ar, localizando e apreendendo servidores do site. Mas o TPB tem servidores com cópia de segurança espalhados por todo o mundo. No site oficial há uma contagem regressiva para ele retornar.

  • Acho que o bom senso vai prevalecer na cabeça dos legisladores e proibir essa aberração de internet no painel dos carros.
    Enquanto se guia, a atenção tem que ser total ao tráfego. Hoje com smartphones e vidros escurecidos as pessoas insistem em ver as fotos do feicebuque a todo momento, imagino o caos que cada abertura de sinal se tornará quando puserem a tela ao lado o velocímetro.
    São Paulo pára!

  • Fernando

    Os fabricantes estão apostando tanto em My Link, Connect, etc que se esquecem que o consumidor também tende a voltar ao equilibrio na questão PREÇO.
    Qualquer carro que tu vai comprar já está batendo a “bagatela” de R$ 40.000,00. É muito dinheiro para um meio de locomoção que não esta me dando mais satisfação.
    Estou percebendo isto agora que to a fim de trocar de carro. Por que eu investir R$ 40.000,00 no carro, uns R$ 2.500,00 no seguro e mais sei lá quanto em combustível e manutenção para chegar ao meio dia da minha cidade e não ter onde estacionar ou pagar R$ 5,00 por uma hora… o meu patrão reclama para pagar R$ 5,00 por hora para mim e eu pago em estacionamento.
    Essa equação já não esta vantajosa para mim… pelo menos é o que estou percebendo.
    O carro pode ter toda conectividade que tiver se não me der um pouco de satisfação eu não compro. Fico com o usado atual até ele aguentar firme e forte.

    • Marcio

      Mas você não precisa comprar um carro zero-km para estar “conectado”. Com um investimento de menos de 2 mil reais (por alto) você consegue um multimídia 2DIN com Android e WiFi (para você rotear a internet do seu celular) ou então algum com função de espelhar a tela do smartphone.

      E garanto que funciona muito melhor do que qualquer multimídia que vem como opcional nesses carros, em termos de conectividade, interface e funcionalidades. Me cocei muito para comprar um desses mas acabei levando um normal, mas muito por um ponto citado no texto: a tecnologia e a nossa ‘necessidade’ estão anos-luz à frente da qualidade da internet móvel no Brasil. Comprei um 2DIN sem internet mesmo. (R$ 600,00)

  • Roller Buggy .

    A principal função de um telefone, seja fixo ou celular deveria ser fazer e receber ligações com qualidade e isso é o que menos o celular faz aqui no Brasil (Ligações com qualidade). Assim como de um carro deveria ser transportar com segurança, desempenho e boa dirigibilidade, mas hoje isso fica em segundo plano…

    • Domingos

      Perfeito. Inclusive a qualidade ruim e falha das ligações que temos hoje via celular é a mesma que se tinha há 10 anos.

      Se é que não anda pior. Falar em algum lugar com barulho continua sendo quase impossível, sendo que quem teve celular CDMA ou analógico sabe que era melhor naquela época inicial do que hoje a qualidade – apesar da menor cobertura.

    • Piantino

      Esqueça, celulares hoje são computadores de mão! Fazer ligações como fazíamos há alguns anos atrás e como ainda fazemos hoje, está fadada ao fim. Num futuro muito próximo até mesmo as ligações serão via IP, ou seja, as operadoras de telefonia, serão meras distribuidoras de internet!

      • Domingos

        Elas já são, em especial com a rede em fibra que vem sendo adotada se não ao usuário final, ao menos entre elas.

        Mas isso é detalhe. Você ainda vai falar e ouvir como num telefone normal e ainda haverá problemas de qualidade se a rede ou os aparelhos não focarem em qualidade dessa parte no lugar de priorizar o uso de aplicativos/uso de internet pura e simples.

  • Domingos

    Para mim é primária. Função de acessar a internet é nos computadores.

    • Lucas dos Santos

      Se analisarmos friamente, chegaremos à conclusão de que telefones celulares já não existem mais. Foram substituídos por computadores portáteis que atendem pelo nome de smartphone – ou “espertofone”, como diz um colega meu.

      Aliás, os smartphones estão substituindo até mesmo os computadores de mesa em tarefas básicas. Hoje, dificilmente alguém utiliza um computador básico – normalmente mais antigo – apenas para acessar a internet, como era comum há tempos atrás. Agora as pessoas usam smartphones de última geração para isso – e, o que mais me impressiona, não sentem falta alguma do PC de mesa. E pensar que, há dois anos atrás, eu era totalmente cético quanto à “era pós-PC”…

      • CorsarioViajante

        Isso acontece com minha esposa, já faz tempo que ela só usa computador no trabalho, em casa só o celular.

      • Domingos

        Acho irritante usar mais do que 15 minutos, por melhor que seja o espertofone, a internet num deles.

        Sou dinossauro e digo mais: nada melhor que um desktop. Tenho um notebook 5 anos mais novo que meu desktop e o uso apenas quando não posso sentar em frente ao desktop.

        Como o Bob disse, editar um texto ou qualquer tarefa mais séria é um porre num dispositivo pequeno, que tem que segurar com uma mão e digitar com outra e que não tem teclado.

        Mas cai como uma luva para a geração do curtir e dos 140 caracteres, que é a mesma que tem algo a dizer sobre tudo e não fala nada com nada na verdade.

        • Lucas dos Santos

          Sem dúvidas o celular é inapropriado para “tarefas sérias”. Computador desktop e laptop, hoje em dia, porém, acabaram ficando com o papel de meras ferramentas de trabalho.

          Não imagino, por exemplo, os editores do Ae utilizando um celular – ou smartphone, como queiram – para redigir os textos publicados aqui. Totalmente inviável.

          Mas, quem acessa a internet apenas por lazer dificilmente faz algo diferente de assistir vídeos e ler algo. E, quando precisa digitar, são textos curtos, como comentários em sites e redes sociais.
          Mesmo eu dizendo isso, também não largo o meu desktop. Até tenho usado o meu celular para as tarefas mencionadas anteriormente, mas só quando estou longe do desktop.

          • Domingos

            Sim, para essas pessoas que usam a internet por lazer, esses aparelhos caem como uma luva.

            Mas levar eles a sério, por essa mesma razão, não dá. A produtividade e o conforto para qualquer coisa mais séria são muito ruins.

        • Piantino

          Domingos, acho que sua irritação é com a nova geração e com a tecnologia!
          Não sou da geração do curtir e dos 140 caracteres, tenho 35 anos e hoje, utilizo muito a internet no celular quando não estou no escritório. 80% do meu uso da internet é para fins profissionais, leio e escrevo emails, edito planilhas, em casa nem mesmo tenho mais um computador. Leio todas as reportagens do Ae em meu telefone e não vejo problemas nisso, a praticidade da mobilidade matou o desktop e está matando os notebooks.

    • Piantino

      Visão retrógada meu caro! Hoje os celulares são computadores de mão!

      • Bob Sharp

        Piantino
        Experimente escrever um texto num espertofone…

        • Piantino

          Bob, concordo!
          Mas dizer que a principal função de um smartphone hoje é fazer ligações é não querer enxergar a realidade! E dizer que a função de “acessar a internet” é para os computadores é sim uma visão retrógada!

        • Lucas dos Santos

          Realmente, Bob, escrever um texto no smartphone – que eu prefiro continuar chamando de “celular” – é complicado.

          Ganhei um de presente de Natal e não consegui me adaptar. Alguém precisa desenvolver um layout de teclado que seja mais adequado à digitação no celular. Teclado “QWERTY” foi projetado para ser utilizado com todos os dedos, em um teclado grande. A solução foi eu mudar para o chamado teclado “3 x 4”, que utiliza o teclado numérico para digitar, como nos modelos mais antigos. Mas, ainda assim “brigo” bastante com o corretor ortográfico, que tenta “adivinhar” o que quero escrever – e erra feio – e acaba com o sentido do meu texto.

          Vejo, porém, que num futuro próximo, esse problema será solucionado de outra maneira: comando de voz. Ao invés de digitar o texto, as pessoas passariam a “ditá-lo” para o celular. Temo, porém, que, a partir daí, algumas pessoas acabem esquecendo de vez como se escreve…

          • Domingos

            E também pense no incomodo que será ficar falando tudo que se quer digitar.

            Mesmo que seja perfeito, no final do dia ninguém vai ter mais voz para nada.

            Certas coisas já nasceram boas e ficar brincando com elas só atrapalha. O teclado era uma delas.

        • Roberto

          Caro Bob, escrever um texto extenso em um celular atualmente é fácil demais. Contarei rapidamente o meu exemplo. Eu tenho um celular intermediário que tem o melhor custo-benefício no Brasil atualmente: Motorola Moto G. Ele tem uma tela de 4,5 polegadas. Para alguns é até uma tela pequena. Eu acho a tela e o tamanho do aparelhos perfeitos. Tenho dois aplicativos que me auxiliam sobremaneira na digitação de textos, são eles: teclado Swiftkey e OfficeSuite. O que eu mais faço no celular é trabalhar com o Word. É muito fácil, prático, cômodo. Muito melhor que carregar um notebook ou mesmo um tablet. Além de ser fácil, é prático porque automaticamente eu posso salvar as alterações do meu texto na nuvem e assim não corro o risco de perder uma ideia. Até mesmo em casa, tendo desktop com um super teclado e um notebook com teclado também confortável, eu me flagro trabalhando (escrevendo) no celular.

      • Domingos

        Sim, é retrógrada. E sim, são computadores de mão.

        No entanto, computadores ruins, caros, com graves problemas de uso e de privacidade e que têm a função primária de fazer ligações comprometida (segurar um na orelha é pior que segurar um celular normal de 10 anos atrás).

        O acesso à internet via computadores é muito mais confortável e produtivo.

        O smartphone é um pouco de visão de adolescente viciado em gadgets, sendo que o mundo hoje é bem infantilizado.

        Inclusive não se usam teclados de verdade por redução de custos e pelo fator “nossa, que legal” das telas de toque.

        A Nokia possuía um celular com teclado retrátil e sistema operacional, tal qual um smartphone, desde o começo dos anos 2000.

        Era caro, ninguém queria. Hoje um iPhone de 6 mil Reais faz sucesso e, se tivesse um teclado de verdade, iriam recusar porque “não é moderno”.

  • Mineirim

    Dessas modernidades, a única que eu gostaria de ter no painel é o GPS. Quando preciso, apelo para o GPS do celular, ditando as direções, mas tenho que dar uma olhada na tela do aparelho.
    O Bluetooth acho legal para atender brevemente o celular. Para streaming de música, usei poucas vezes e não faz falta. Aliás, não gosto de ouvir rádio. Prefiro ouvir o motor.

  • Domingos

    Eu aposto que o Haddad aprovaria o uso e ainda reduziria ainda mais as velocidades máximas, para que o seu eleitor padrão pudesse compartilhar porcaria no faicebuque como você bem disse.
    Chega dessa outra histeria. Além do mais, é um mercado de mina de ouro: quando acaba o interesse, acaba o serviço. Basta ver que os tablets até hoje são relegados a segundo plano por vários aplicativos, sendo que muitos deles não rodam, porque o tablet armazena menos dados do usuário e não fica o tempo todo conectado.
    Os programas são absolutamente compatíveis entre si. Os desenvolvedores que decidem por não dar suporte ou não deixar que se instale o programa onde não há tanto interesse.
    Agora vamos comprar um carro que, de repente, se o interesse cair por causa de um menor uso que o previsto, vai perder funções que foram compradas quando ele era novo?
    Espero que a nova geração tome seu lugar, deixando a direção para quem sabe o que é dirigir. Assim podem usar seus brinquedos confortavelmente 24 horas por dia sem atrapalhar a cidade inteira.

  • Domingos

    O problema do carro autônomo é que vai ser a primeira perda de liberdade radical a termos no ocidente. Depois virão outras como censura de pensamento, que já está a caminho e até mesmo restrição da criação de filhos – todos devem ser filhos do Estado.
    Um carro que se dirige sozinho não parece errado por si só. E não é. O problema é a mentalidade por trás dele e os interesses GIGANTESCOS do governo e das indústrias por trás dele, sendo o controle da sua liberdade o maior instrumento.
    O carro é odiado pelas esquerdas e por qualquer ditadura severa (não era todo mundo que tinha carro na URSS, ao contrário da propaganda) porque é o meio com maior liberdade e menos controle – e ao mesmo tempo mais poder – que o civil tem.
    Nas cidades-babel como Londres, a própria polícia admite que considera um estorvo ter que fazer fiscalizações e controle de pessoas quando essas não usam o transporte público – e por isso mesmo se pudessem só permitiriam o uso deste meio.

    • Domingos, ainda chegarei lá nesta mesma série de artigos, mas liberdade de pensamento é algo assustador não só para os regimes de esquerda como os de direita também.
      Olhe as manchetes. Primeiro Ministro inglês quer banir o WhatsApp e outros aplicativos de comunicação pessoal porque usam criptografia forte. CIA, SNA e FBI americanos criticaram duramente a Apple e o Google porque suas novas versões de S.O.’s móveis foram feitos para trabalhar completamente sob criptografia forte.
      Mas o TOR é um sistema desenvolvido pela Marinha americana para oferecer liberdade aos cidadãos de regimes opressores. Ou seja, pimenta nos olhos dos outros é refresco, mas ninguém quer pimenta nos próprios olhos.
      Hackers sabem bem o que é isso há anos. Eles desenvolveram diferentes tecnologias hoje chamadas de “darknets” que permitem manter qualquer pessoa ou site indetectável na rede. Hoje existem projetos de darknets que permitem montar uma internet segura sobre a internet padrão. Isso inclui serviços de web, mensagens, etc..
      Existe uma plataforma chamada I2C que permite montar até um site público de pedofilia como um site normal, e os policiais não conseguem rastrear onde no mundo está o servidor.

      • Domingos

        Pois é, fiquei sabendo que inclusive houve pressão para que a Apple e o Google retirassem essa possibilidade do sistema operacional deles..

        O Reino Unido é um exemplo de grande irmão, sendo que não importa o governo que está lá, realmente existe um controle doentio do cidadão.

        Não sabia que o TOR era da marinha americana. No entanto, cabe ressaltar que a espionagem nesse caso pode vir de governos, de empresas e de empresas+governos.

        Uma batalha entre eles não significa que eles não colaborem entre si em outros casos. E não é porque a espionagem venha de uma entidade privada que é menos importante que uma vinda do governo.

        Todos sabemos como é forte o esquema de coleta de dados, perfil de uso, lista de contatos e hábitos de uso/locais visitados com dispositivos móveis.

        Enquanto isso não for resolvido, não acho bacana conectividade nos carros – além da questão da distração – e muito menos o carro autônomo.

        O problema é que hoje as pessoas babam numa novidade. Qualquer coisa é motivo para uma excitação e babação de ovo enormes, desconsiderando aspectos práticos como o mero prestar atenção ao dirigir ou a liberdade básica.

  • Domingos

    Prefiro pagar a minha internet e acho um sarro essas declarações cheias de ego e indiretinhas dos figurões da informática.
    Hoje a IBM se mandou de fazer o que ela era líder, que é hardware. E sua penetração fora do mercado empresarial e do B2B é zero.
    Poucos lembram que todo PC é um IBM PC. Embora esse tenha sido o objetivo da empresa, a declaração do CEO da Oracle é bastante irônica no sentido de que – 25 anos depois – plataforma dá MUITO dinheiro.
    Apple e Microsoft que o digam. Ambas estão melhor do que nunca.
    Prefiro pagar pelo meu acesso a internet e poder acessar um banco sem ser importunado 5 minutos depois com 5 propagandas relacionadas a algo que só eu e meu banco deveríamos saber.
    Se a IBM pode terceirizar software como commodity, se para ela isso é um bom negócio, com certeza não é para mim terceirizar meu acesso à internet e com certeza um acesso proprietário é a mesma coisa que um público.

    • Domingos, plataforma já deu muito dinheiro, não dá mais.
      Microsoft até hoje insiste na venda de Windows e Office. Fazia sentido no ano 2000, hoje não mais. Hoje a plataforma que as pessoas usam mais é Android e tem opções gratuitas ao Office para Android.
      Repara que no mundo atual, Microsoft perdeu significância, e quem tinha plataforma se livrou dela. A IBM tinha o AIX, a HP o HPUX, a Sun itnha o Solaris… O Google criou a plataforma do Android e abriu livremente e sem custo a plataforma.
      Se plataforma desse dinheiro, veríamos muitas outras empresas concorrendo, e não só Microsoft e Apple.
      A perda de significância da Apple está a caminho. Ela não é mais a empresa inovadora que foi no passado. Ela segue tendências, não as cria mais.
      O golpe de misericórdia da Apple virá, a menos que ela mude sua estratégia, será a internet das coisas. Tudo terá que “conversar” com tudo, o que mata a estratégia de fechamento de plataforma característico da Apple.

  • Domingos

    Corrigindo, com certeza um acesso proprietário NÃO é a mesma coisa que um acesso público.

  • Domingos

    E você acha, sinceramente, que eles se importam com a parte científica? O data mining é tão bom em 80, 90% dos casos que saber se tem relação de causa e efeito, se tem falácia de análise ou se tem alguma imprecisão ou afirmação não científica é de interesse próximo ao zero de quem quer fazer dinheiro.
    Big data é tão lucrativo que vendedor de telemarketing tem mais interesse e é mais incentivado a saber em que banco você tem conta, qual sua operadora atual de qualquer coisa e outras informações que a venda do produto principal é até secundária.
    Inclusive é criminoso o acesso à informação que existe por baixo dos panos. A receita federal já vazou dados de imposto de renda há muitos anos atrás e pelo seu CPF as empresas de telefonia e outras possuem e conseguem fazer dados cruzados de uma enormidade de coisas.
    Se a causa e efeito é real ou não é mera curiosidade científica. Existe uma pesquisa que o cruzamento de dados na Amazon, por exemplo, acertava em mais de 70% coisas tão variadas como gosto musical das pessoas.
    No meu carro não quero isso aí não.

    • Domingos, eu conheço bem os “jeitinhos” que dão em sistemas de informática, e o data mining não é diferente. Mas quando você começa a dizer que a lucratividade da sua empresa depende do desempenho do time do Araponga, time da 3ª divisão do Acre, porque existe um índice de correlação de 97% entre o desempenho de faturamento e o placar dos jogos do Araponga, aí a coisa fica complicada.

      • Domingos

        Sim, é sinal que o negócio principal da empresa não vai bem ou está sendo mal administrado e colocado em segundo plano.

        E que estão fazendo apostas arriscadas também, o que é a mesma coisa.

        Mas essa é a realidade de muitas empresas. Qual a vantagem entre uma companhia de celular ruim e cara e outra igual?

        Nisso arrumam uma forma de ganhar dinheiro e aumentar os lucros sem precisar concorrer com o produto ou serviço, fazendo uma forma de negócio dentro do negócio com o data mining e o big data.

        Da mesma forma que muita concessionária e loja de usados passou a vender financiamento na prática, sendo o produto principal (o carro) algo de segunda ou terceira preocupação para o negócio.

        Entre 2 mil lojinhas de usados com carros ruins, mais fácil pegar qualquer porcaria e focar no financiamento fácil e lucrativo do que fazer um melhor trabalho, pagar mais por um carro bom etc.

  • Domingos

    Interessantíssimo o relato. Mas lembre-se de que a digitalização e programas como o DigiRadio permitiram também muitas pequenas rádios de se organizarem.
    E existiam nichos de rádio onde manter um acervo em tape e puxar ele para a programação ao vivo era coisa de loucura mesmo com grandes rádios com condições financeiras boas.
    Aqui em São Paulo existe uma rádio de música eletrônica que até alguns saudosos anos disponibilizava quase todo seu acervo on-line.
    Eram coisa de 5 mil músicas, fora a programação. Muitas tinham várias versões diferentes (música eletrônica…) e como o propósito da rádio era trazer todos os gêneros e novidades desse tipo de música, por mês chegavam várias dezenas de novas músicas para o acervo.
    Quando o acesso foi fechado, já se estava em 7 mil músicas e sem ser atualizado há algum tempo. Estimo que entre coisas que nunca disponibilizaram, mas que a rádio tocava, e versões diferentes que não eram colocadas online, essa rádio devia ter um acervo de pelo menos 3 vezes isso.
    Detalhe: essa rádio tem programação de flash-back todos os dias e, nas madrugadas, se tocam músicas do acervo de qualquer ano, em qualquer ordem que o programador achar legal.
    Então diariamente, às vezes dentro de menos de uma hora, se vasculham desde os lançamentos e as músicas recentes até coisas enfiadas no meio de 21 mil músicas de qualquer idade.
    Impossível fazer isso com formato analógico diariamente e com qualidade.
    É um caso específico. Mas tem rádio hoje que terceiriza programação internacional (existem várias aqui em São Paulo), onde poucos dias depois um “radio show” é reproduzido aqui na íntegra semanalmente.
    Também seria muito difícil com formato analógico. Até rádios com acervos menores se beneficiam ao poder tocar sucessos antigos a qualquer momento, afinal não é necessário procurar um tape e trocá-lo na hora – para depois arquivá-lo novamente…

  • vstrabello .

    hehehe. E vão usar “pau de selfie” saindo da janela dos carros para tirar foto.

  • Tamanduah

    André,

    você tocou em um assunto interessante… A questão da conectividade não é assim como se vende, percebo que a adoção das centrais multimídias (CM), agora com hardware bem melhor, abriu os olhos dos desenvolvedores de smartphones e tablets; só isso. Tentar migrar um SO com os respectivos aplicativos (já existentes) para uma CM é muito fácil. Daí ser relativamente óbvio que tal “conectividade” seja nada mais nada menos do que já existe nos smartphones/tablets, apenas com “perfumarias” para dizer-se que é diferente (sic).

    Tenho uma moderna e ótima CM (retiro qualquer tipo que faça parte do projeto original do carro, pois são péssimas, todas!). Por possuir sistema Android, posso usá-la do jeito que me interessar. Mas o interessante é o mundo real… Basicamente ouço música (MP3) e GPS, quando muito, um aplicativo de música online (a CM permite modem 3G ou Wi-Fi, e funciona bem). O bluetooth é muito interessante e útil, sempre o deixei ligado.

    O navegador GPS tem habilitado o TMC (serviço de informação de trânsito online), então a conectividade, nesse caso, é útil. O aplicativo de música online é divertido, mas a prática mostra que o mesmo serve apenas para “dizer que tenho”. Idem para o famoso aplicativo de vídeos da Google.

    O que restaria ao usuário tal conectividade? Email? WhatsApp? Facebook? Twiter e Skype? Tolices, já que não dá para dirigir e “teclar”. Mas os aplicativos estão lá, todos previamente instalados! ASR (reconhecimento de voz) não resolveria… Uma espécie de Siri seria a aposta da Apple, mas aquilo é muito pobre, cansa e não tem utilidade real. Os POI’s (pontos de interesses do usuário) presentes nos bons navegadores GPS cumprem melhor do papel de informar postos de combustíveis, restaurantes, etc. do que uma Siri da vida; basta um clique na tela, muito mais rápido do que fazer a bichinha entender o que você quer.

    A plenitude dos serviços disponíveis nas CM só tem serventia nos congestionamentos intensos, no estacionamento e “para se dizer que tem”. Perfumarias como computador de bordo na tela da CM é outro exemplo para “dizer que tem”, ninguém ficaria usando ou monitorando as coisas por muito tempo, só raramente.

    Não se reinventa a roda; qualquer dispositivo de conexão será exatamente aquilo que uma CM já faz. Os desenvolvedores tentarão algo semelhante ao iTunes e à Siri, cada um dando o nome que quiser e dizer que é melhor do que a concorrência. Fornecerão aplicativos de redes sociais e pouco mais. Mas a grande “novidade” (que não é nova, pois já existe) é a conectividade entre dispositivos distintos, ou seja, dispositivo no carro, smartphones, tablets, etc. tudo ligado e “conversando” entre si. Que coisa!… Qual a utilidade disso? A proposta da Apple é divertidíssima: o usuário poderá todo o sistema do carro através de seu iPhone! kkkkk Pra que fazer isso?…

    A indústria automobilística não tem outra solução, terá que embarcar nesse mundo conectado, mas o usuário verá que mesmo sendo lindo e “legal” (eu tenho!), se cansará rapidamente e notará o preço (alto) que pagou para ter.

    Apesar de não parecer, defendo que os veículos tenham tais recursos, não são fundamentais, mas o proprietário ficará com a sensação de que seu carro é uma extensão do mundo diário em que vive, mesmo que não use tudo enquanto dirige. Não se pode negar as novas tecnologias e acreditar que um carro é um meio de transporte ou um dispositivo de promoção de adrenalina. O mundo é composto mais por sensações e percepções do que de realidade prática — o homem precisa sentir-se bem e ambientado. Confuso, mas real.

    • Tamanduah, é o que está no texto.
      É difícil pensar em novos aplicativos que sejam interessantes ao motorista, ainda mais sendo algo que ele não pode ficar olhando e mexendo em telinha colorida.

      Ninguém sabe ainda qual a interface certa, então fica difícil adivinhar o que será útil e interessante.
      Eu mesmo não consigo imaginar nada muito além do que já existe.

  • CorsarioViajante

    Esta série está brilhante, como de praxe.
    Faço uma sugestão, quando for uma série de textos, que se inclua, no começo ou no fim, um “índice” com os links para os vários capítulos, assim pode-se ler do começo ao fim, que tal?

  • Danniel

    André, só uma correção.. Os iPods sempre reproduziram qualquer arquivo MP3.. Até porque a iTunes Music Store só foi lançada em 2003, enquanto o iPod foi em 2001. Eu mesmo sempre tive uma grande quantidade de músicas na minha biblioteca, sem problemas. A restrição que existia e que limitava o alcance dos primeiros modelos era a compatibilidade exclusiva com Macintosh.

    Ao meu ver o sucesso inicial da iTunes Store foi, em parte a praticidade para comprar a música, mas mais por medo dos processos que as gravadoras moveram contra pirataria na década de 2000.

    • Danniel, logo que foi lançado, o iPod só tocava música comprada legalmente pelo iTunes, mas se mostrou rapidamente um fiasco de vendas. Acredito que foi uma mudança no iTunes que permitiu a instalação da coleção dos MP3 no aparelho, até porque me parece que os iPod’s não tocam MP3 nativamente, mas apenas AAC e o iTunes é quem converte.
      Depois veio a questão de liberar uma versão do iTunes para Windows, quando então o iPod decolou.

      Esta última decisão deveria ter ensinado a lição para a Apple parar de se enclausurar em protocolos que só servem para ela.
      Quando ela usa protocolos abertos, ela abre a possibilidade de aparelhos concorrentes usarem o hardware e o software dela. Isso pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.
      Hoje a Apple está bem com o iPhone, e esse sucesso é que tem impulsionado a venda do resto do ecossistema fechado dela. No dia que o iPhone tropeçar, isso pode custar bem caro para ela.

  • Newton ( ArkAngel )

    Hehe, seria legal se tanto os cinemas quanto as TVs por assinatura não tivessem comerciais.
    No futuro o dinheiro não mais existirá. Sua finalidade foi deturpada desde o início. Somente funcionaria bem numa sociedade utópica.

  • Newton ( ArkAngel )

    Hehe, vou abrir um cinema gratuito. ..e uma bomboniere no outro lado da rua.

  • Bob Sharp

    Corsário,
    Poderia ter realmente, mas é só procurar pelo autor que você encontrará todos os textos do André, o que é fácil por ele ter freqüência de publicação menor que os demais editores.

    • CorsarioViajante

      Boa dica Bob, mas se possível ajudaria bastante especialmente para divulgar para amigos, e é simples, só copiar e colar o link.

  • Lorenzo Frigerio

    André, esse e outros discos do Rick Wakeman saíram em SQ, um dos vários sistemas quadrifônicos dos anos 70. Esse efeito de “som refletido”, ou ambiência, era o objetivo do sistema. Esses sons eram codificados dentro do estéreo normal, e para lê-los era necessária uma cápsula de alta qualidade, com capacidade de leitura até uns 25 ou 30 KHz. Daí, os sinais eram decodificados e amplificados pelo amplificador quadrifônico para 4 caixas de som. O efeito era comparável ao do Dolby Stereo Surround dos anos 80, usado nos cinemas, e não tem nada a ver com caixas Bose.
    Já o DAT foi pensado para substituir o cassette. Não havia CD-R ou RW naquela época; os primeiros aparelhos capazes disso, no fim dos anos 80, custavam milhares de dólares.

  • Lorenzo Frigerio

    Quando pedimos CPF na nota, estamos involuntariamente colaborando com eles, especialmente quando fazemos um cadastro para ter desconto (“Cliente Mais”, por exemplo), que em geral é ridículo.
    Quando preenchemos com endereço, CPF, e-mail e telefone um cupom de concurso que jamais ganharemos, então, é como convidar um vampiro a entrar em nossa casa.

    • Domingos

      Exatamente. Isso sempre foi coleta de dados.

      Mas era mais inocente, mais limitado ao estabelecimento ou serviço que você estava utilizando.

      Em troca, embora pequeno, você ao menos ganhava algum desconto. Lá fora é comum darem muito desconto para quem se cadastra em supermercados, por exemplo.

      Hoje é doentio. Você vai ver um carro na concessionária, deixa seu e-mail ou telefone e… Quando volta pra casa tem 5 banners com telefones de concessionária vendendo o carro que você foi ver através das propagandas direcionadas.

      É um negócio bilionário e não adianta usar adblock ou o que for – você só não vai ver o que eles sabem.

  • Domingos

    Não vejo a Microsoft perdendo significância e nem perdendo dinheiro. Essa “previsão” que plataforma não dava dinheiro e que o futuro era sombrio à Microsoft existe desde os anos 90.

    Alguns “especialistas” previam o fim desse modelo para os anos 2000. Depois veio para o meio dos anos 2000, depois vieram os smartphones e falaram que antes da virada da década a venda de plataforma estaria morta.

    Já estamos em 2015 e a Microsoft anda muito bem das pernas, inclusive VOLTANDO a aumentar sua participação de mercado em computadores novos – ganhando dos altos preços da Apple e da histeria do Linux.

    Vale lembrar que sim, realmente se você for pegar a venda de Windows e Office em Retail (sem ser com equipamento novo, como você sabe), as coisas andam ruins. Mas ainda assim saíram uns bons números de venda nesses anos e todo mundo sabe que o que importa é a venda junto com um equipamento novo.

    Quem muda de sistema operacional em uma máquina de mais de 2 ou 3 anos? Nem empresa e nem usuário doméstico. Apenas entusiastas da informática ou pessoas que pirateiam fazem um investimento desses numa máquina já sem longo prazo de vida e com hardware ultrapassado.

    A significância da Microsoft foi perdida no B2B, nos grandes servidores – que, no entanto, já usavam UNIX há muito tempo como você mesmo disse.

    Para os grandes players, pouco importa o software utilizado. Nem interface gráfica eles precisam. O dinheiro não é feito aí.

    Para o usuário final a coisa é MUITO diferente. E, inclusive, a Microsoft tem aberto muito caminho com o Windows Phone – um mercado completamente novo para ela.

    O baixo custo de aquisição, a praticidade e a compatibilidade (Android é um problema com isso tendo 8 mil versões e dispositivos diferentes) fazem sucesso entre muitas pessoas.

    Da mesma forma, considero que a Apple vai continuar se dando bem mesmo não sendo mais inovadora ou vendendo plataforma.

    Isso são “pecados” inventados por analista de TI querendo views em grandes sites de notícia internacionais e querendo vender suas soluções.

    A Apple ganha clientes na qualidade, no acabamento, no suporte técnico e na fluidez e falta de incômodos do seu sistema.

    Se ela vende “plataforma”, se ela “inova” ou não, pouco importa ao cliente.

    Cada um vende o que interessa e o que quer.

    A Google vende serviço no lugar de vender plataforma. Bom para ela.

    Continuo preferindo ser “fora da moda” e pagar por plataforma, o que em pouco tempo me custa menos que ficar pagando acesso a internet + milhares de pequenos valores em aplicativos e ainda ter minha privacidade violada em detalhes.

    Claro que é um sucesso. A maioria das pessoas nunca soube usar um PC e não tem muita perspicácia para perceber que é melhor pagar 200 Reais na licença do Windows do que pagar 500 a 1000 Reais num aparelho superfaturado (que a Microsoft vende por 300…) e depois gastar 1 Real por dia em internet MAIS alguns Reais por aplicativo.

    Detalhe que é uma plataforma de celular, um produto quase descartável. Caiu no chão, gastou, em menos de um ano a pessoa já está pensando em trocar.

    Em quanto isso um PC dura pelo menos 3 anos.

    Então sim, para eles vender serviço é uma ótima idéia. Plataforma é para os gigantes, não é todo mundo que emplaca, mas para o usuário final é um negócio bem melhor.

    Infelizmente descobriram essa mina de ouro. No dia que a Microsoft me obrigar a usar esse modelo, como quase foi com o Windows 8, compro um Mac.

  • Bob Sharp

    Piantino
    Há pouco mais de dez anos não se imaginava usar o PC como telefone, entretanto veio o Voip e ai está, Skype, por exemplo. Claro que tudo converge, o espertofone hoje é um computador de alta capacidade e conta ainda com câmera fotográfica e filmadora HD. Mas para escrever texto corretamente, com acentuação onde exigida (Português) complica um pouco. Vejo pelos comentários, em que tenho de dar um “trato” neles antes de publicá-los (todos têm o direito de ler textos corretos aqui no Ae, ortográfica e gramaticalmente).

    • Roberto

      Tenho convicção que o problema de escrever errado não está no celular. Eu digito melhor e mais rápido no celular do que no teclado do notebook ou desktop. O aplicativo Swiftkey ajuda muito. Recomendo para o senhor, Bob, e para os demais leitores.

  • Michael Knight

    Quem mandou publicar a foto do painel do meu carro?

  • Domingos

    A Apple não é burra. Antes do iPod já existiam dezenas de ótimos players de música digital. Eu mesmo tive um Rio 500, que era super prático, compacto e excelente em qualidade,

    Só pecava pelo armazenamento ruim, na época.

    Se a Apple lançasse mais um mp3 player, padrão aberto e mais mantras e “pecados” do mundo IT, estaria hoje vendendo Mac e iBook e nada mais (grande parte do iPhone veio do iPod).

    Na época se precisava de mais armazenamento e foi isso que ela fez. E também ela se adiantou ao mercado, assim como fez os primeiros iPhones.

    Os primeiros iPhones não tinham muita utilidade, não haviam muitos aplicativos e era sim tudo fechado pela Apple. Mas serviram para conquistar mercado e colocar a marca em posição de referência, além de estar com tudo pronto para o momento que explodissem os apps e o acesso 3G.

    Os iPods fizeram a mesma coisa. Quando a indústria se adptou às vendas em formato digital e as pessoas se adaptaram a isso também, foi só liberar o acesso por MP3.

    Lembre-se que a maioria das pessoas vai comprar algumas músicas e piratear outras, então a questão do MP3 apenas viabilizou o produto a todos.

    O sucesso dele sem o iTunes seria próximo do zero. Outros aparelhos faziam o mesmo, tinham MP3 liberada e custavam metade do preço mesmo com boa qualidade.

    A Apple, empresa a qual provávelmente nunca comprarei nada, está de parabéns por como todo grande líder em ignorar os mantras e “pecados” do mercado e do consciente coletivo e fazer o que tem que fazer.

    Os padrões fechados dela, por exemplo, não só permitiram coisas como o iTunes de existirem como também faz uma integração perfeita entre seus produtos.

    Quem quer preços baratos ou possibilidades infinitas de uso, o que realmente requer um padrão aberto, compra outras plataformas e acabou.

    A Apple e qualquer grande empresa joga sempre contra a torcida, que na verdade não sabe bem o que quer – e mesmo o que fala.

    Fora que, se for considerar o pessoal da concorrência, a Apple só fará produtos genéricos que não a beneficiará em nada.

  • Domingos

    O que nos faz lembrar que, de repente, isso tudo pode acabar sendo uma moda tão grande quanto ter toca-fitas caro foi nos anos 80 e 90.

    As pessoas tinham poucas fitas e mesmo pirateado era algo pouco prático e era caro.

    É mesmo uma coisa que combina com “pra mostrar que tem”. Na prática um rádio bom com bluetooth e mp3 já faz o que você precisa custando menos e não sendo um computador a mais para você custear e administrar.

  • Lucas dos Santos

    Para textos longos seria inviável. Mas, ocasionalmente, para textos mais curtos, como comentários em sites, não vejo problemas.

    Como nem todo mundo utiliza o computador para trabalhar, um smartphone acaba suprindo bem as (poucas) necessidades de quem só acessa a internet por lazer.

    Também não dá para querer utilizar o smartphone como substituição para TUDO que um computador de mesa faz. Aí já seria utopia, ao menos nos tempos atuais.

  • Lucas dos Santos

    Pois é. Computador, hoje em dia, virou ferramenta de trabalho.
    Por dez anos participei ativamente de um fórum de informática – termo que vem caindo em desuso, sendo substituído por “TI” -, onde tirávamos as dúvidas dos usuários e ajudávamos a solucionar problemas. No começo, as dúvidas, em sua maioria, eram sobre sistemas operacionais, processadores de texto, internet, e-mail, música e tarefas domésticas em geral. Mas isso mudou com o tempo.
    Hoje em dia, a maioria das dúvidas é sobre planilhas, bancos de dados, servidores, programação, criação de sites, edição profissional de imagens, redes etc. Em sua maioria, tarefas “corporativas”. Um perfil totalmente diferente de outrora.
    E os usuários de e-mail, internet, mídia, hoje chamados de “consumidores de conteúdo”? Migraram para o smartphone/tablet!

    Minha mãe possui um netbook antigo que usa somente para acessar a internet. O pequeno laptop já não realiza mais as tarefas com a rapidez de antes. Tudo nele é lento. Quando ganhei o meu smartphone, fiquei surpreso ao notar que ele é mais rápido que o netbook da minha mãe! A princípio eu estava planejando substituir o velho netbook por um notebook novo, mas agora já não sei se, ao invés disso, não seria mais interessante eu dar um smartphone ou tablet a ela. Para o uso que ela faz, acho que seria bem adequado.

    • Domingos

      Para substituir um netbook, se ela nunca digita nada mais extenso, pode ser uma melhor escolha um tablet.

      E é mesmo impressionante, apesar dos problemas, a evolução que tivemos em especificações.

      Um celular qualquer hoje, do Windows Phone mais baratinho, tem mais potência e recursos que um computador completo de seus 10 anos atrás – em que já se conseguia fazer muita coisa.

  • CorsarioViajante

    Que incrível!

  • Bob Sharp

    Roberto
    Agradeço muito seu interesse. Baixei ontem mesmo o Swiftkey e experimentei. Dá para escrever, mas nem de longe a velocidade de digitação é igual. Claro, dá para escrever alguma coisa, postar algo no site estando fora do escritório, mas só. Meu smartphone é um Samsung GT-S5310B Android 4.1.2 e a tela é de 3 pol; certamente uma tela maior ajudaria. Para quem, como eu, é profissional da escrita, no mínimo um tablet se quiser trabalhar fora da redação. Quando viajo levo um netbook, da para trabalhar perfeitamente. Mais uma vez, obrigado.

    • Roberto

      Opa! De nada, caro Bob! Realmente a tela faz diferença, assim como o hardware do aparelho e seu sistema operacional. Quando eu me referi a carregar um tablet, pensei em um com tela de 10 polegadas. Mas há tablet a partir de 7 polegadas que é mais fácil de carregar e com certeza é bem melhor que um celular. Abraço!

  • F A

    Lendo o artigo, lembrei de quando tinha uns cinco anos e ficava pensando: por que gastam dinheiro fazendo novelas e programas de TV se eu não pago nada para eles, somente a energia elétrica. Aí, dentro de minha inocência, pensei: Acho que deve ter algum sistema que marca quantos minutos ficamos vendo cada canal e a companhia de eletricidade repassa o valor para os canais. (rs)

    Coisas de criança. Na mesma época eu achava que nós pagávamos o professor e não a escola, e esse por sua vez é que pagava para à escola um valor referente ao aluguel da sala onde ele nos dava
    aula. (rs)

    Afinal, eu não sabia das coisas, mas precisa de uma explicação lógica. Então eu fantasiava e eu mesmo me dava a solução.

    Na verdade, no caso da TV, eu era o produto.

    Hoje em dia tudo está conectado. No meu Windows é só ver que em “dispositivos”, aparece sem nem precisar instalar, a TV, o BD, o video game etc. Hoje tudo fica conectado. Mas na TV a única coisa que uso de apps são os de vídeo mesmo, como NetFlix,
    NetMovies, RedBull TV. Se bem que tem outros da Terra etc. Mas nunca usei nada além do que a TV se propõe originalmente que, é ver TV, ou seja, nunca usei outros tipos de aplicativo na TV como
    Facebook (até porque não tenho), Instagram, Skype etc. E sempre achei que a Samsung está pirando cada vez mais com as suas TVs ao
    lançar “função futebol”, controle por voz e gestos, câmera etc. E recentemente li que estão querendo colocar Android nas TVs, visto que todas usam algum tipo de software proprietário. Mas
    embora eu não use quase nada de apps da TV, eu não sabia que não tinham sido sucesso. Então os BD com função fizeram menos sucesso ainda.

    Quando as tablets eu sempre olhei com desconfiança, e sempre perguntei como alguém pode trabalhar numa coisa dessas, por isso

    a maioria das pessoas que eu conheço que tem usam para que seus filhos fiquem quietos jogando algo. E como celular cresceu em tamanho, era fadado ao fracasso mesmo. Lembro quando a Apple

    lançou o 1º (teve coragem de lançar sem câmera) e li um artigo em que o autor dizia que tablet já existia fazia tempo e nunca tinha
    feito sucesso, mas que acreditava que o iPad ia fazer sucesso somente pelo fato de ser Apple. (rs)

    Agora em automóveis, eu não consigo imaginar para que alguém vá querer ter algum tipo de Android. Se na TV não fez sucesso, sendo que se assiste TV em casa com calma, sentado/deitado, então não
    vejo como pode fazer sucesso em carros.

    Da mesma forma que foi mencionado no artigo, sem conexão barata o sistema está morto. Vejo artigos dizendo que um celular e um sistema de streaming substitui o rádio do carro, mas rádio/MP3 é

    de graça e não demanda conexão.

    Lembrei também de uma entrevista do Lobão mais de 10 anos atrás quando estava na moda perguntar aos cantores sobre pirataria e ele disse: Cantor não ganha dinheiro com CD, ganha com show. Quem
    ganha com CD é gravadora.

    E lembrei na época de uma entrevista com o Chitãozinho/Xororó que um dos dois disse que estava no meio do nada numa fazenda e

    mostrou para um cara o novo CD dele e o cara pediu. Ele disse que não podia dar, pois só tinha aquele e que seria lançado só na
    semana seguinte. Aí o tal cara foi até o centrinho e quando voltou disse que não queria mais, pois já havia comprado no camelô da região. Ou seja, até a gravadora estava no mercado da pirataria,
    ganhava dos dois lados. Até porque dizem quem comprava no camelô
    não era o mesmo público que comprava na loja, pois se não existe CD pirata, esse público não compraria na loja o CD original do mesmo jeito.

    Mas agora fico na dúvida. Se o cantor vai ter que ganhar fazendo show e não através da venda da música já que se popularizou o compartilhamento, como os estúdios vão ganhar com os filmes, visto que o custo é bem mais alto do que lançar uma música? Pode ser que ganhem no cinema, mas hoje já é possível assistir de maneira ilgal o filme enquanto o mesmo ainda está em exibição no cinema? Será que só vão ganhar quando venderem os direitos do mesmo para TV, onde nos vamos entrar como o produto?

    Mais complicado ainda fica o setor de games. Um game hoje bem feito é extremamente caro de ser desenvolvido. E game não faz show ao vivo como cantor e não pode ser exibido em cinema (onde também tem comercial) e TV. Como ficaria esse setor diante da pirataria?

  • Danniel

    André, o iPod sempre reproduziu MP3 nativamente. No início era sim possível copiar qualquer arquivo para ele, até porque a loja do itunes foi lançada quase dois anos depois do aparelho. Um amigo meu teve um da primeira geração que bastava ter os arquivos adicionados ao itunes para que fosse feita a cópia.

  • Domingos

    Você consegue ler um artigo inteiro do AE, tamanho grande, como esse sem se cansar?
    Desculpa mas lá pelo 5º parágrafo eu pararia de ler a não ser que fosse urgente.
    Em um tablet seria outra coisa, ainda assim se não fosse para escrever grandes coisas.
    Não sou bem contra tecnologia, já fui profissional de TI, mas sei muito bem o quanto esse mundo é tomado de volatilidades e modas passageiras.
    O netbook já foi considerado o futuro da mobilidade por breves momentos e o tablet passou por uma montanha russa: primeiro era ridicularizado, depois iria virar o substituto desde os notebooks até os desktops e agora voltaram a ser meros brinquedos pelo desinteresse dos produtores de apps – que preferem capitalizar sobre os telefones.
    Considerar que um smartphone matou os desktops é ou entrar na onda do mercado, escolhendo algo claramente pior para você, ou não enxergar o óbvio que é completamente incompatível o uso normal da informática em sua totalidade com o “fazer tudo pelo smartphone”.
    As empresas teriam abandonado os desktops há tempos se fosse o caso.
    Exemplo claro: quando a mesma pessoa me responde um e-mail por iPhone, a resposta tem 2 ou 3 linhas. Compatível com lidar com uma tela pequena e “teclado” ruim.
    Quando me responde por computador mesmo, as linhas sobem para umas 10 e a informação me passada é muito mais completa e precisa.
    É compatível também com os planos ridículos de internet móvel, em que você paga o mesmo no fim do mês que uma internet fixa mas tem acesso a somente uns 2 a 5% do que tem acesso na fixa em termos de transferência de dados.
    Não dá para ter uma informática levada a sério assim. Nem troca de informações, as quais nesse modelo todas são voltadas ao “curtir” e aos pequenos parágrafos e imagens.
    Mas como negócio é excelente.