MUNDO ESTRANHO – PRIMEIRA PARTE

Pirataria: fenômeno universal  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE AutoPirata

Pirataria: fenômeno universal (fonte: www.youtube.com)

Nas últimas semanas, dois fatos vêm gerando uma série de notícias que não ocupam as primeiras páginas dos jornais ou dos sites noticiosos, mas, como uma sombra, está transformando o mundo digital. Há prenúncios de uma guerra no ar. Não uma guerra ruidosa de bombas, tanques e canhões, mas uma guerra silenciosa de telas, chips e bytes e que ameaça tomar o mundo.

A polícia da Suécia apreendeu os servidores do maior site de pirataria da internet, o “The Pirate Bay”, derrubando o serviço que há mais de 10 anos vem dando dor de cabeça às gravadoras e aos estúdios de Hollywood. Depois de tanto tempo tentando derrubar o site, alegando prejuízos, gravadoras e estúdios de Hollywood amargaram uma estranha estatística: a derrubada do site não fez a mínima diferença na pirataria.

O outro fato que vem gerando notícias é o ataque de crackers (tipo de hacker que objetiva ações malignas) à Sony. Houve vazamento de filmes inéditos para as redes de pirataria, de documentos internos, expondo conversas e dados sigilosos da companhia. A Sony e a rede de cinemas foram postas de joelhos e, ao menos inicialmente, cederam às ameaças dos crakers terroristas e desencadeou uma sucessão ainda não terminada de eventos.

O FBI afirma que o ataque teve envolvimento da Coréia do Norte, e o presidente Obama ameaça uma retaliação. É a primeira vez que vemos um ataque de crackers se tornar um problema diplomático grave.

O caso levou toda indústria cinematográfica a exigir que pesadas leis de direitos autorais (SOPA, Stop Online Piracy Act, e PIPA, Protect IP Act), que já foram engavetadas, sejam postas em prática.

O fato é que, historicamente, todas as vezes que se desejou criticar a política de algum país, Hollywood sempre usou países fictícios em seus filmes (“Ao sol de Parador”, por exemplo), mas no filme que é o foco da suposta ação dos crackers (“A Entrevista”), usa-se nominalmente locais e pessoas reais diretamente, em especial desafetos da política americana.

Dado o passado sobre manipulação de fatos ser comum nos EUA (como das fictícias “armas de destruição em massa” alegadas como motivo para a ação militar contra o Iraque de Sadam Hussein), não se sabe realmente até que ponto o caso de “A Entrevista” não é um factóide fabricado para empurrar uma legislação draconiana já recusada pela população e ao mesmo tempo poder cutucar um antigo desafeto de Washington.

Porém, nem tudo será fácil. Além dessa posição se antepor aos interesses de outras grandes empresas como Google e Facebook, essas leis irão trazer para o campo de batalha grupos de hackers e crackers que até agora estavam de fora dessa briga. O caso promete ainda muitos desdobramentos.

Todos esses eventos estão ocorrendo muito rapidamente e irão modificar o padrão do mundo digital que conhecemos hoje para algo completamente novo. Mas, pela escalada dos fatos, esta é uma velha Fênix que terá de ser queimada na fogueira da guerra digital antes que uma nova renasça a partir das suas cinzas.  Muitos especialistas vêm profetizando essa guerra há anos.

Transformações tecnológicas sempre impactam em transformações sociais e econômicas. A carroça foi principal meio de transporte de carga por milhares de anos, mas o caminhão tomou seu lugar em questão de décadas. Hoje as pessoas nem se lembram das carroças. Não seria diferente com as transformações promovidas pela tecnologia digital.

Mas nunca as corporações foram tão poderosas e nunca transformações técnicas afetaram modelos de negócio e interesses econômicos numa escala tão profunda como agora. Quando se tem um modelo de negócios de sucesso por décadas, não é fácil admitir que a realidade mudou e tenta-se manter o status quo tanto quanto possível.

Ocorre que o meio digital é um universo de entes imateriais, e com propriedades muito diferentes daquelas do mundo físico em que habitamos. Preservar direitos de uns dentro do mundo digital exatamente como foi feito no mundo físico desde o princípio da História significa muitas vezes ferir direitos de outros. Muitos defendem novos direitos proporcionados pelo mundo digital, enquanto outros tentam a todo custo preservar antigos direitos, incompatíveis com a dinâmica do meio digital. O choque era inevitável.

Explanar por alto algumas destas contradições, transformações e de algumas propriedades estranhas desse meio, é o foco da atual série. O que pode ser dito nesta série pode ferir o modo de pensar de muitos, mas o texto tenta ser imparcial ao máximo.    Com o automóvel caminhando a passos largos para esse meio digital, certamente ele entrará para este turbilhão de eventos, e o painel do seu futuro carro poderá se tornar o palco de mais uma batalha dessa guerra silenciosa.

Uma situação simples, mas sutilmente estranha

Vamos imaginar que um consumidor tenha acabado de comprar o carro dos seus sonhos mediante um financiamento que pesa no orçamento doméstico, e este é o único carro da família. Porém, logo ao sair da concessionária, ocorre um acidente e o suporte de um retrovisor externo é quebrado.

O suporte do retrovisor não tem nada de especial. É apenas uma peça plástica, e o dono volta à concessionária para comprar outra peça. Mas, chegando lá, descobre que que ela custa R$ 500,00 mas não existe a peça em estoque, e normalmente demora meses para ser entregue.

 

Retrovisor quebrado: fato comum, implicações estranhas  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE mirror1

Retrovisor quebrado: fato comum, implicações estranhas (fonte: mchuge.net)

Já temos aqui uma coleção de situações desconfortáveis na relação entre o dono do carro e seus fornecedores.  O retrovisor é item de segurança obrigatório. A falta dele, além de prejudicar o uso do veículo, pode gerar multa e apreensão. O dono não pode circular com este carro até regularizar a situação dele. Porém, ele precisa do carro para as necessidades da família, e optar pela locação de outro veículo é simplesmente inadmissível apenas porque o fabricante não disponibiliza uma mera peça de plástico. Também é desconfortável que uma simples peça de plástico seja tão cara e tão difícil de adquirir.

Por outro lado, a situação é cômoda para o fabricante, distribuidores e concessionárias. Estoques de peças de baixa rotatividade significam que um capital foi imobilizado sem previsão de ser liberado e, para baixar custos evita-se essa situação não tendo estoque de peça alguma. Quando o consumidor precisa da peça, é sempre o lado mais fraco a ser penalizado na relação de consumo, só consegue a peça através do fabricante e dos distribuidores, e receberá sua encomenda apenas quando uma unidade sobrar do processo produtivo.

Aí este consumidor faz uma descoberta. Existe uma alternativa. Um amigo dele acabou de comprar dois equipamentos muito interessantes de última geração e está ansioso para experimentar a novidade. Um scanner e uma impressora 3D.

Ele consegue emprestada uma peça igual à quebrada, leva-a ao amigo, escaneia a peça para formar um modelo 3D no computador e manda imprimir a peça. Em questão de poucas horas, ele tem uma peça prontinha nas mãos para montar no seu lindo carro novo e pode voltar a usá-lo.

É muito provável que a cópia não seja feita com o plástico adequado, não tenha a mesma resistência mecânica e possa se deteriorar rapidamente com as intempéries, mas, e daí? Outra cópia pode ser feita à hora que precisar substituir a atual, e com o custo da peça original se faz 50 cópias pela impressora.

 

Ford-Engine-Block  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE Ford Engine Block

Confecção de peças complexas em casa com impressora 3D (fonte: www.tflcar.com)

A situação só descamba para a distorção.   O dono do carro pensa:

– Por que pagar R$ 500,00 numa peça original e esperar 3 ou 4 meses, se é possível fazer uma na hora ao custo de R$ 10,00?

A  sensação é a de ser ludibriado e leva ao próximo passo. Ele pega o arquivo digital da peça em 3D e disponibiliza para download pela internet para quem mais precisar dela.

Há alguns sentimentos que se somam aqui, já bastante pesquisados, que amplificam esse comportamento:

– Compartilhar faz parte do nosso instinto social. Assim como gostamos de confraternizar com amigos em uma festa regada a fartura de comida e bebida, as pessoas fazem o mesmo com arquivos digitais;
– Como não há uma subtração material, as pessoas sentem-se confortáveis por não verem nesses compartilhamentos um ato economicamente ruim e moralmente condenável;
– Nossa cultura e nossos hábitos estão permeados de heróis subversivos e é um dos alicerces da contracultura. Batman, Hulk, Zorro, todos personagens “bandidos” que são endeusados, inclusive pela própria indústria do cinema e com os quais nos identificamos e que acreditamos como perfeitamente justificáveis seus atos ilegais.
– Há um certo espírito de “Robin Hood” no ato de compartilhar, de tirar riqueza e poder dos ricos opressores e dar aos pobres oprimidos.

Com o tempo, este ato se repete com o dono do carro e com seus conhecidos, até o ponto que se torna natural por toda uma faixa da sociedade. Quem a pratica não vê nada de errado no ato em si.

É a escalada da pirataria, mesmo entre pessoas de bem.

Conforme a tecnologia de impressão 3D for se tornando mais e mais popular, mais os donos de carro a usarão para fabricar em casa as peças que necessitam. Se tornará até a primeira alternativa para muita gente. É claro que uma hora isso vai afetar o setor de autopeças, e em seguida virá o choramingo já visto em outros setores: “Isso é pirataria!!!…”, “Pirataria além de crime é imoral…”, “Quando você pratica a pirataria está participando de um crime…”, “A pirataria vai tirar o pão da mesa de muitos trabalhadores honestos…” …

 

A impressão 3D já evoluiu para a construção de peças metálicas (fonte:  www.extremetech.com)  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE trumpf laser welding

A impressão 3D já evoluiu para a construção de peças metálicas (fonte: www.extremetech.com)

As pessoas de bem não enxergam que estão praticando algo errado, mas ser chamado de ladrão é pesado, especialmente quando a alternativa proposta como moral e legal abusa no preço e na disponibilidade da peça. Isso reforça ainda mais os sentimentos que levam à pirataria, em especial o sentimento de “Robin Hood”.

Há vários estudos sobre o que é chamado de “pirataria”, e há diferentes tipos de práticas que acabam enquadradas sob essa classificação genérica. Alguns tipos realmente são nefastos, principalmente os que envolvem lucro e crime organizado, porém outros são fenômenos naturais do meio, que tendem a trazer o sistema sócio-econômico de volta a um equilíbrio. Entretanto todos são chamados genericamente de “pirataria” por aqueles que tem interesses feridos por essas práticas.

Outro aspecto importante é entender que muitas das práticas chamadas genericamente de “pirataria” são parte integrante da natureza descentralizada da rede. Computadores são feitos para comunicar e trocar dados e é isso que é essência da pirataria. Sendo parte natural do meio, a pirataria nunca será completamente eliminada, mas ela pode ser reduzida, controlada e pode ser até benéfica em muitos casos.

Quando alguém abre a página do AUTOentusiastas, o computador do leitor se comunicou com o servidor da página e faz uma cópia de arquivos pela rede para exibição, e quando alguém baixa uma música pirata da internet tecnicamente está fazendo a mesma coisa, mas a primeira ação não só é legal como é desejável, enquanto a segunda é regularmente chamada de pirataria. Isso torna muito tênue os limites entre o uso legal e ilegal de arquivos, dando espaço para diferentes interpretações.

Assim, a dita “pequena pirataria” (aquela praticada para consumo próprio) é então apenas a classificação moral que fazemos de algumas variações de práticas naturais dentro da rede.

Exemplo de quanto o julgamento é moral, um dos milagres de Jesus mais reverenciados pelos católicos é a multiplicação dos pães e peixes durante o sermão da montanha. A situação é a mesma da multiplicação das músicas e filmes pela internet, mas sob a ótica moralista atual, Jesus cometeu o crime de pirataria, violando o direito de padeiros e pescadores e causando-lhes enorme prejuízo. Tente dizer isso a um padre.

 

Jesus praticava pirataria?  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE meh

Jesus praticava pirataria? (fonte: mrq.soup.io)

Se é impossível acabar completamente com a pirataria na rede, por outro lado é possível reduzi-la por meios de práticas de relações mais equitativas e também aprendendo com ela e até tirando proveito dela.  Resolver o problema da pirataria significa, antes de mais nada, se despir do preconceito, entender o que a pirataria realmente representa para conviver com ela. Mas isso exige, sobretudo, desprendimento de antigos tabus e modelos preconcebidos, além de espírito aberto para entender esse estranho mundo novo.

O mero discurso moralista não acabará com ela, e atos deliberados para afrontá-la só servem para fortalecê-la ainda mais.

O “fair use”

A EFF (Electronic Frontier Foundation) é uma fundação especializada em direitos autorais em meio digital, e defende o “fair use” (“uso justo”) dos bens de origem intelectual. Ela aponta que muitas das práticas chamadas popularmente de “pirataria” ocorrem por desequilíbrios nas relações entre as partes.

Vejamos novamente a questão do retrovisor.  Antes das impressoras 3D, o dono do carro estava nas mãos do fabricante. Se estocar a peça representava imobilizar capital, uma idéia abominável a qualquer capitalista, então simplesmente são se fabrica a peça para este fim. É uma ação do fabricante em benefício próprio e em detrimento do consumidor. Se o consumidor desejar a peça, ele que espere a sobra do próximo lote. Se o consumidor não tem outra fonte para a peça, uma peça de R$ 50,00 pode ser vendida a R$ 500,00, e ainda assim apenas quando for conveniente para o fornecedor. É um fenômeno de monopólio que distorce o valor e as condições de venda da peça, em favor do fabricante em detrimento do consumidor. Quando é o consumidor, pequeno e fraco, reclamando do preço e do prazo de entrega da peça, é apenas um voz na multidão contra o grande e poderoso fabricante, e ninguém nota a distorção.

Porém, quando surge uma nova tecnologia que abre um caminho alternativo, barato e prático de ser usado para o usuário obter a peça,  como é a impressora 3D, e os consumidores passam a usá-la em larga escala, isso afeta as vendas do poderoso fabricante. Aí ele faz muito barulho contra a “pirataria”.

 

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Demonização da pirataria é um processo assimétrico (fonte: 1950s.weebly.com)

É fácil perceber no caso do retrovisor que não só a prática dos consumidores é ruim, mas a prática dos fornecedores também é. Já sabemos que o ato de copiar a peça do retrovisor foi um ato de pirataria, e também já sabemos que “pirataria” é uma designação moralista do lado que se sente lesado pelo ato do dono do carro.

Falando de uma forma genérica, “pirataria”, a partir da posição do fabricante e distribuidores, é o abuso de um poder do consumidor em detrimento de direitos que fabricantes e distribuidores possuem.

Mas o que aconteceria se usássemos os mesmos parâmetros de julgamento no sentido oposto, do consumidor para os fornecedores?

Quando fabricantes e distribuidores abusam de sua posição dominante para maximizar lucros pessoais, seus atos não implicam em uma falta consistente da peça e o abuso do preço para o consumidor, portanto uma ação lesiva a ele?
O julgamento moral não só pode ser invertido, como leva à conclusão que a prática de venda da peça do retrovisor por quem de direito é uma forma de “pirataria”, embora ninguém lhe dê esse nome.

Esta é uma conclusão estranha. Quem acusa o lado poderoso de pirataria? Mas a sensação em cada consumidor que já passou por esta situação é precisamente essa, e ela acaba sendo a mola impulsora para o seu próprio ato de pirataria.

Portanto, a “pirataria” do dono do carro nada mais é, na maioria das vezes, uma oposição à prática de “pirataria” do fabricante e seus distribuidores.

Se alguém lembra, falei que todo Universo conspira para alcançar um equilíbrio, criando a figura do Yin e Yang, e aqui é um bom exemplo disso. São oposições de força que buscam um equilíbrio dentro de um universo dinâmico. Quanto mais um lado radicalizar sua ação para um lado, uma reação tão extrema quanto irá surgir no sentido oposto.

Entretanto, apesar da pirataria cruzada entre as partes seja uma tomada de equilíbrio do ambiente, ela é uma radicalização de reações entre opostos. Esta radicalização é prejudicial a ambas as partes. O melhor para todos é buscar um equilíbrio mais próximo do centro. Há menos atritos e tensões menores entre as partes.

Então, a idéia do “fair use” é criar uma relação mais franca entre fornecedores e consumidores, de respeito mútuo aos direitos de todas as partes.

Se o fornecedor oferecer a peça a preço justo e prazo realista, haverá poucas razões para o consumidor apelar para a saída alternativa da pirataria. Porém este é um aspecto que muitos acham polêmico, porque não acreditam que a mudança de posição de um implicará na mudança de posição do outro.

Direito autoral e suas diferentes violações

Existem bens intelectuais na mesma medida que existem bens materiais. Quando nos referimos a livros, artigos, fotografias, filmes, softwares, estamos falando de bens puramente intelectuais, também chamados de obras de autor.  Bens intelectuais possuem uma propriedade importante: exigem enorme esforço para gerar a primeira cópia, porém as cópias seguintes são muito baratas de ser reproduzidas.

Vamos pensar em um filme. É preciso que os autores escrevam os scripts, é preciso construir os cenários, os atores precisam interpretar, os câmeras precisam filmar, depois as gravações precisam ser editadas, gerados os efeitos especiais, e tudo sob a coordenação de um diretor. Até gerar a primeira cópia definitiva do filme, muito dinheiro é gasto e muito esforço é despendido.

Entretanto, depois da cópia-mestre ser finalizada, gerar as cópias que irão para o cinema ou a produção dos DVD sai muito barato.

Quando alguém compra um DVD e paga R$ 40,00 nele, pensa que está pagando pelo material gasto no disco, na caixa e na capa. Errado. Isso pode custar menos de R$ 1,00 em processo de produção em larga escala. Fora os impostos, o que o consumidor está pagando na verdade é por uma coisa quase imperceptível.

Olhe a imagem a seguir, e repare na frase em destaque:

 

MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE Licenca

O maior custo de um DVD ou de um CD está na licença de uso (fonte: autor)

Quando alguém compra um DVD e paga R$ 40,00 nele, quase todo o custo, além de impostos, é para pagar por essa declaração quase imperceptível que está impressa na capa em letras miúdas.  Essa declaração é uma licença de uso, e nos termos desta licença de uso é expresso sob quais formas o consumidor pode ou não usar o conteúdo do DVD, segundo os desejos do fornecedor.

O direito de uso de uma obra intelectual é um bem imaterial que não pode ser extraviado ou roubado e é muito específico sobre a imaterialidade da obra, e gera direitos quase desconhecidos.

Quando o consumidor extrai o vídeo do DVD adquirido legalmente e o converte para assistir no seu smartphone, ele não comete crime algum. Como o direito de uso se refere a apreciar a obra, a mídia de suporte não é relevante e ele pode fazer a conversão de DVD para arquivo digital para assistir no smartphone. O mesmo vale em muitos países, há ao direito de fazer pelo menos 1 cópia de backup da obra.

Digamos que o DVD sofreu um acidente, foi danificado e o dono deseje outro. O dano do DVD não implica na perda de direito de assistir a obra. É direito do consumidor ir até a loja e comprar outro DVD apenas pelo custo da mídia, porque ele não tem que pagar novamente por um direito que ele já possui.

Digamos que o dono do DVD pense em comprar uma cópia em BluRay com mais qualidade. Direito de assistir a obra ele já tem e esse direito é completamente avulso de questões técnicas, como a resolução da tela e tipo de mídia de suporte, então ele tem o direito de pagar apenas pela nova mídia do Bluray, o que é muito mais barato que pagar o preço do disco completo.

Mas quem já ouviu falar nisso? Nas lojas, ou paga de novo o preço cheio ou fica sem, e se o consumidor exigir seus direitos vai passar por uma situação de constrangimento.

Porém, se o  dono do DVD já pagou pelo direito de assistir o filme, ir na internet e baixar o mesmo filme para assistir em casa também não constitui violação ao direito de autor, mesmo que a fonte seja pirata.

Essa desinformação é uma violação não só de direitos do consumidor, como fere o “fair use”.

Visto sob este ponto de vista, a prática comercial do DVD que oculta e nega direitos legais do consumidor é uma forma disfarçada de pirataria corporativa em larga escala. A resposta a isso é um incentivo à pirataria pelo lado do consumidor.

Alguém que tenha comprado uma música ou um filme tem direito de apreciar a obra individualmente onde e quando quiser e na mídia que desejar. Ele também tem o direito de fazer cópias de segurança. Bloqueios ao processo natural de cópia entre mídias diferentes é amplamente praticada pela indústria fonográfica e cinematográfica como forma de defesa contra a pirataria.

A indústria trata o consumidor como criminoso em potencial antes dele sequer ter comprado os direitos sobre a obra e o único recurso do consumidor para exercer estes direitos é apelar para a pirataria. Numa sociedade democrática, os direitos de poucos nunca devem prevalecer sobre os direitos da maioria. Portanto, tais mecanismos são questionáveis a partir de seus princípios.

 

Pirataria promove a facilidade de uso, enquanto material legalmente licenciado é difícil de ser usado  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE meh

Pirataria promove a facilidade de uso, enquanto material legalmente licenciado muitas vezes é difícil de ser usado

Essas proteções também tornam o uso do material licenciado mais complexo e chato, enquanto a pirataria proporciona um uso cômodo, sem interferências.  Assim, um mecanismo que deveria ser usado para evitar a pirataria acaba por incentivá-la.

Novamente vemos o quanto o termo “pirataria” é um termo moral e assimétrico. Ele sempre se refere a práticas inconvenientes que o consumidor pratica contra corporações, mas ninguém usa o termo quando corporações exercem práticas lesivas ao consumidor e até as disfarçam como algo legítimo. Uma prática não justifica a outra, mas uma leva à outra.

Estas são situações de distorção assimétrica a favor do fornecedor que mais à frente desemboca na pirataria e no “hacking” (outra alegada forma de pirataria segundo a indústria) de equipamentos pelos consumidores.

No exemplo do retrovisor, a questão da obra de autor sutilmente está envolta.  Quando o dono do carro escaneou e imprimiu uma nova peça, ele não roubou uma peça física do fornecedor, mas cometeu um ato onde o fabricante deixou de lucrar com a venda de uma peça original. Este tipo de ato é enxergado do ponto de vista legal como violação dos direitos de autor e portanto, pirataria. Legalmente é crime.

A peça original não é apenas um amontoado de plástico. Designers e engenheiros determinaram o desenho da peça para ela ser estética, funcional e resistente, atributos que são de origem intelectual, portanto a peça é um bem em parte material e em parte intelectual, e por esta segunda parte, protegido pelas leis de direitos autorais.

Direitos autorais são a arma da indústria para regular a fabricação de peças paralelas, por exemplo. Só fabricantes autorizados pelo autor (o fabricante original) podem utilizar o desenho para a fabricação de peças de reposição.

Embora o caso seja oficialmente considerado crime contra o direito do autor, há todo um conjunto paralelo de interpretações que não entende este ato como criminoso.

Quando o dono comprou o carro, este todo é fruto de um processo de criação intelectual e a passagem de propriedade do veículo para o dono não deixa de ser uma transferência tácita de direito de uso sobre a parcela intelectual do veículo. Então, assim como no caso da música ou do vídeo, reproduzir a peça para uso no próprio carro não constitui ofensa ao direito de autor do fabricante, uma vez que o dono do carro já foi licenciado no ato da compra do veículo.

Além disso há outro questionamento importante. O dono do carro procurou a concessionária e não havia sequer previsão de disponibilidade da peça, indicando que ela não é elegível de ter estoque regular. A falta de oferta da peça oferece duas interpretações.  Uma peça que não está disponível é uma peça que não será vendida, e se fabricantes e distribuidores não se esforçam para a reposição de estoques, a preocupação com o lucro sobre a peça passa a ser questionável. Pode-se também interpretar a situação que ao negar uma peça necessária ao uso do veículo, fabricantes e distribuidores estão violando os direitos de uso do dono do carro. A pirataria do dono do carro neste caso, mesmo que ilegal no texto da lei, torna-se juridicamente justificável. Ela não fere um direito de lucro de alguém que ostensivamente demonstra não ter vontade em lucrar com o produto e preserva o direito de uso do dono do carro mesmo sob a negativa dos fornecedores legais.

Por outro lado,  o caso se torna claramente um crime se o amigo do dono do carro aproveitar o modelo 3D e sair vendendo peças com objetivo de lucro.

Por situações estranhas como estas, no Brasil e em vários países (entre eles, a Suíça), apesar do que diz a lei escrita, existe a interpretação jurídica de que a prática de pirataria por parte do usuário para consumo próprio não constitui ofensa ao direito autoral, e portanto não constitui crime. Nestes países, o que categoriza a pirataria é ao ato de obter lucro a partir dela.

Essa briga é boa, e a melhor resposta para ela sempre passa pelo “fair use”. Se o fabricante oferecesse a peça com pronta disponibilidade e preço justo, o consumidor não precisaria apelar para a pirataria. E simples. Sempre haverá alguém apelando para a pirataria, mas a quantidade de pessoas praticando a pirataria é inversamente proporcional à adoção do “fair use”.

Todas as vezes que aparecerem notícias sobre a pirataria, tenha duas certezas. Sempre existe o reverso da moeda nesta questão, de uma pirataria que não é chamada por esse nome mas que é propositalmente colocada à sombra das discussões. E a melhor resposta para o problema sempre passa pelo “fair use”.

O problema é cada parte persistir em práticas que violem os direitos do outro lado e a manipulação assimétrica do termo “pirataria”.

Um pouco de História

Aquilo que hoje comumente chamamos de “pirataria” é uma prática que vem de tempos imemoriais, e nem sempre ela foi prejudicial. A diferença com os dias de hoje está no gigantesco poder de multiplicação e disseminação através da automação do computador e na imaterialidade dos arquivos digitais, permitindo a pirataria em larga escala.

Durante a Santa Inquisição, muitos livros eram proibidos e sua comercialização era tão reprimida e criminalizada quanto hoje é o tráfico de drogas. Mas a proibição não acabou com os livros como pretendia. Livros proibidos eram mais caros justamente por serem os mais perigosos. Bastava um exemplar chegar às mãos de um livreiro, e este se punha a fazer cópias, muitas vezes até traduzindo para outras línguas.

Este processo salvou muitas obras importantes da extinção, como Dom Quixote de La Mancha, onde todos os originais foram perdidos na Espanha, mas seu conteúdo foi preservado e disseminado pelos livreiros holandeses. Miguel de Cervantes jamais recebeu qualquer quantia por sua obra-prima reproduzida sem permissão na Holanda e dali para o mundo, mas sua obra tornou-se imortal graças à pirataria. O fenômeno da pirataria, do ponto de vista do curto prazo pode ter sido danosa ao autor, mas foi benéfica à História em longo prazo.

 

Dom Quixote  MUNDO ESTRANHO - PRIMEIRA PARTE Dom Quixote

Pirataria salvou para a posteridade muitas obras clássicas da literatura mundial (fonte: www.olibat.com.br)

A História está cheia de queima de livros por autoridades que querem suprimir idéias discordantes do modelo estabelecido, enquanto a pirataria ilegal preservou estas obras para as gerações seguintes. Nazistas, os comunistas de Mao Tse Tung, o faraó Akhenaton, o incêndio da biblioteca de Alexandria pelos cristão radicais… todos tentaram censurar idéias pela queima de livros, mas as obras que eles tentaram suprimir sobreviveram graças à pirataria e criaram o mundo em que vivemos.

A pirataria não é um fenômeno puramente negativo como tanto se apregoa hoje em dia. É antes um comportamento complexo e natural do sistema, e que pode ser visto como ruim sob um certo ponto de vista e benéfico sob outro.

Não são leis escritas e discursos unilaterais e maniqueístas que vão eliminá-la porque ela está no cerne da própria natureza humana. Combatê-la é torná-la mais forte, e por isso, não é a forma mais inteligente de lidar com ela.

Não se trata portanto de endeusá-la ou demonizá-la como tantos fazem. É um fenômeno social que precisa ser aceito e entendido como realmente é, ou todos sairemos perdendo com ela.

Na próxima parte, o desafio de novos modelos de negócios.

AAD

Sobre o Autor

André Dantas

Engenheiro Mecânico / Mecatrônico formado pela USP/São Carlos e técnico eletrotécnico pela Escola Técnica Federal de São Paulo. É um tipo de Professor Pardal e editor de tecnologia do AUTOentusiastas. Também acumula mais de 20 anos de experiência em projeto, montagem, ajuste e manutenção de máquinas e equipamentos pesados com sistemas de automação além uma empresa de Engenharia Pericial com foco no ramo automobilístico.

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  • Guilherme Rocha David

    Abriu meus olhos! Obrigado por mais uma nova maneira de pensar!

  • Acyr Junior

    André, absolutamente fantástico seu texto. Impressionante o quanto esse assunto dá margens a um grande número de interpretações. O exemplo do espelho de automóvel foi muito bem explorado, parabéns.

  • ccn1410

    No caso do retrovisor, seria prático barato e legal, se o fabricante do carro fizesse uso da impressora 3D, e ainda poderia utilizar matéria-prima de qualidade.
    Medicamento genérico é pirataria legal?
    Se meu pai tivesse criado o trigo e os animais, eu não teria o direito de copiá-los para distribuir as pessoas esfomeadas?

    • CCN1410, a ideia de uma impressora 3D nas concessionárias é um dos possíveis caminhos para o futuro. Ele oferece o produto em prazo justo, mas existe toda uma transformação de cultura dentro do setor para isso poder ocorrer.
      Tem que mudar muitos dos acordos convencionais com fornecedores, o setor de engenharia tem que preparar um modelo 3D que tenha as mesmas propriedades da peça original de fabricação convencional…

      Medicamento genérico não é pirataria porque a patente do medicamento expirou, e por leis internacionais, quando a patente expira, o produto cai em domínio público.

      Se seu pai tivesse criado o trigo e os animais, vc teria o direito de copiá-los e distribuí-los aos necessitados se fosse legalmente licenciado por ele.

    • Lorenzo Frigerio

      Acho que a produção “local” de peças seria uma coisa muito mais realista para livros. Com toda a tecnologia dos dias de hoje, não vejo grande dificuldade em desenvolver um equipamento gráfico que imprimisse livros individualmente nas principais grandes cidades, idênticos aos originais. Pelo ISBN, você poderia encomendar qualquer livro, de qualquer língua, na livraria mais próxima da sua casa, e recebê-lo em três dias, sem custo de frete, e acabando com o problema dos livros “esgotados”.

  • CorsarioViajante

    Ótimo, excelente artigo! Cobriu muito bem a questão, também penso assim.
    O exemplo do CD – DVD – BlueRay é perfeito. Se o problema é o direito autoral, quem já comprou a obra em um suporte poderia apenas comprar o novo suporte. Não é assim.
    No fundo, o maior problema é que algumas empresas grandes, como gravadoras, estúdios ou mesmo fabricantes de automóveis e eletrodomésticos, não conseguiram acompanhar o tempo. No caso da música, demorou muito para acordar e oferecer facilidade na compra de música digital de forma rápida e fácil. O exemplo do retrovisor é perfeito, as fabricantes estão cometendo o mesmo erro que as gravadoras cometeram ao acreditar que poderiam bloquear cópias de discos, prender ou processar pessoas físicas. Eu mesmo adoraria poder escapar dos altos preços e péssimo atendimento da VW ou da péssima qualidade das “genéricas”.
    Aliás, passei por isso recentemente com um jogo de corrida (Shift 2 da EA). Tinha ele pirata, mas me incomodava com o fato. Comprei numa loja virtual, paguei o frete, comprei uma cópia original, esperei chegar… E não consegui jogar: o serial fornecido no disco não era válido (!!!). Tentei entrar em contato com suporte mas o mesmo não existe. No ReclameAqui tem inúmeras reclamações de pessoas com o mesmo problema e o “suporte” manda você formatar o computador! Resumo: pedi meu dinheiro de volta e comprei outro jogo, de uma desenvolvedora mais séria.

    • Corsário viajante, garanto-lhe que o sentimento que você sentia sobre estar pirateando aquele jogo mudou após essa compra frustrada.
      É aquilo que eu disse, uma ação não justifica a outra, mas uma leva à outra.

      • CorsarioViajante

        É fogo. Acabei parando de jogar aquele jogo, embora gostasse dele, e comprei outro, similar. Este ano resolvi “sair da pirataria” em praticamente todos os programas que uso e, assim como existe amadorismo, existem muitas empresas como a Adobe que já oferecem ótimas alternativas para quem quer viver dentro da lei.

  • SergioCJr

    André,

    Belo texto, de ambos pontos de vista, inclusive jurídico. Abraços.

  • cesar

    ‘Jesus cometeu o crime de pirataria, violando o direito de padeiros e pescadores e causando-lhes enorme prejuízo.” Tecnicamente, não. Se acreditarmos que Jesus é filho de Deus e que foi Deus quem criou os peixes e os pães, então ele seria dono e portanto, não estaria praticando pirataria.

    • Carlos Mauricio Farjoun

      A ideia é mostrar o ato de Jesus pela ótica dos padeiros e pescadores, os “detentores monopolistas” do fornecimento de pães e peixes daquela época. E é justamente o que as grandes corporações atualmente fazem, mostram o lado da pirataria apenas por sua ótica.

      • cesar

        CMF, eu tinha entendido no momento que li o texto, quis apenas ser irreverente.
        Um abraço,

    • Eduardo Mrack

      Sob esta ótica então ele está praticando tirania, pois criou pães e peixes, fez com que faltasse pães e peixes a um determinado povo e depois elegeu seu filho para levar pães e peixes aos famintos que ele mesmo condicionou.

  • Antonio Amaral

    Muito boa matéria. O uso de estatísticas distorcidas sempre são utilizadas quando se refere a pirataria. Se são vendidos 1000 produtos piratas, o fabricante diz que teve um prejuízo no valor de venda de 1000 peças, na realizade é provável que o fabricante não tenha perdido nenhum centavo, já que quem comprou a bolsa pirata por R$100 jamais iria comprar a real de R$10.000, e o público alvo do produto, também jamais aceitaria comprar um não original.

    • Antonio, o uso do número de cópias piratas como índice de prejuízo é uma falácia matemática que só a indústria de entretenimento usa.
      É uma forma de “provar” que estão sofrendo prejuízo com a pirataria.
      Mas me diga quantas gravadoras você já ouviu dizer que faliram por causa da pirataria, após 15 anos de guerra?
      Esses números não fecham.

      • CorsarioViajante

        As gravadoras são de longe as maiores picaretas, a começar pelo fato de se esconderem atrás de supostos “direitos autorais”, como se fossem ótimas e idôneas pagadoras para artistas.

  • TwinSpark

    Excelente matéria. Confesso que vez e outra baixo músicas, filmes e séries, e não me sinto à vontade fazendo isso. Mas quando vejo que o conteúdo é bom (após baixá-lo), vou numa loja virtual e compro o original. Onde moro não há loja de CDs, Filmes e nem cinema.

  • Cristiano Reis

    As bandas de forró aqui no Ceará são um exemplo de que não adianta remar contra a maré, disponibilizam todos os shows para download, pois sua fonte de renda passou a ser os shows e patrocínios e não a venda de discos. Além disso, quando o conteúdo e bom e de preço justo, o consumidor não se incomoda de pagar pelo valor, basta ver o sucesso da Xbox Live, Steam e outras… Eu mesmo acabei de adquirir Skyrim por R$26,70 (Ótimo jogo por sinal). Claro que ainda existe muitos “destravados” mas vende bem.

  • Cristiano Reis

    Ótimo texto, praticamente um TCC.

  • Francisco Bruno de Figueredo F

    Excelente artigo. Tive problemas com os discos de freio de meu Tracker. A concessionária logo detectou que eles haviam empenado prematuramente, mas a fabricante levou mais de 45 dias para enviar os novos, pelo que conversei com uma corretora de seguros isso ocorre atualmente com todas as fabricantes, sem exceção. Um pouco fora do tópico mas queria comentar uma notícia que foi veiculada ontem em um jornal de TV. Agora a Receita Federal vai apertar ainda mais os viajantes para que não tragam mais tantas mercadorias do exterior, acho que isso seria fácil se eles diminuíssem os impostos, assim as pessoas não precisariam ser tratadas como criminosos nos aeroportos, comprariam aqui mesmo. Quando comentam que o brasileiro gosta demais de fazer compras no exterior, digo que qualquer pessoa faria a mesma coisa se em seu país se cobrasse de 3 a 5 vezes mais pelo mesmo produto que no exterior.

    • CorsarioViajante

      Bem observado. E o pior é que o governo adora jogar a bomba para os importadores, como se fossem os vilões (ou os únicos vilões) pelos preços altos. Eu mesmo importo legalmente muitas mercadorias para revenda e recolho em média mais de 110% de imposto para entrar no país, lembrando que este imposto incide sobre o valor da mercadoria + frete + seguro.

    • Lorenzo Frigerio

      Lembrando que, de uns dois anos para cá, trazer peça de carro na mala é proibido. É necessário fazer registro no SISCOMEX e providenciar “despacho normal”, com toda aquela burocracia, pagar os impostos e declarar tudo na entrada. Como será que a Indústria conseguiu uma coisa dessas?

      • Carlos Mauricio Farjoun

        Lorenzo, é verdade que peças essenciais ao funcionamento de veículos não podem ser consideradas como bagagem acompanhada (trazidas na mala), mas é possível sua importação simplificada via correios. Você pode viajar, comprar a peça, despachar pelos correios e receber na sua residência de forma perfeitamente legal.

  • Lucas dos Santos

    Esse é sempre um assunto interessante.

    No caso do retrovisor, eu não vejo como pirataria. Funcionaria mais como “uma cópia de backup” da peça, ao meu ver. Afinal, quem a procura, via de regra, já teve o retrovisor original. Na prática, o efeito para o fabricante seria o mesmo que se o proprietário nunca tivesse quebrado a peça, não precisando, dessa forma, jamais repô-la.

    Nunca tinha parado para pensar na questão da licença de uso DVD -> Blue Ray. Me ajudou a abrir os olhos para essa questão.

  • Bera Silva

    Excelente texto. Não sabia que as peças de reposição precisavam ser autorizadas para serem produzidas, será este UM DOS motivos de, no Brasil, haverem tão poucas peças em quantidade e qualidade?

    Parece que a biblioteca (complexo educacioal) de Alexandria já havia sofrido destruições anteriores aos cristãos (houve um grande incêndio sob Júlio César em 47 a.C.). No séc IV d.C., durante confrontos entre cristãos e pagãos, houve a destruição do templo de Serápis e uma biblioteca “filha”, onde era a Biblioteca de Alexandria; o complexo educaional já não existia. Obviamente isso não invalida o ótimo texto, nem altera o sentido do exposto.

    Após a queda do Império Romano e durantes as invasões bárbaras, que destruíam tudo pela frente, os monges preservaram o pouco do conhecimento que restou do Império. Escritos, matrizes de plantas e animais, máquinas e tecnologia. Estes conhecimentos eram compartilhados com todos os mosteiros e quando um mosteiro era destruído, o conhecimento que lá havia, fora salvo para outros mosteiros. Posteriormente, os textos antigos vindos através do mundo árabe também foram copiados e difundidos pelos monges.

    • Bera. perfeito. A história da biblioteca de Alexandria é bastante complexa, mesmo.

  • robson santos

    Muito bom esse texto, testamento na verdade!

    Sinto muito orgulho de poder acompanhar diariamente este site, aqui há muita coisa boa para se discutir e ainda apreciar alguns ótimos comentários, contribuindo para melhorar a percepção do assunto.

    Aliás, um ponto muito polêmico que acho tem a ver com a questão: por que se perde a garantia se eu fizer a revisão fora da concessionária ou oficina autorizada?

    Óbvio que parte da ganância pelo lucro, a oportunidade de estabelecer uma relação “forçada” de consumo, porque isto obriga ao dono retornar a uma ou outra se quisermos assegurar a garantia por 3, 6 anos, dependendo da fabricante, e se submeter ao lucro extorsivo delas numa simples troca de filtros e um óleo mais grosso (às vezes de segunda linha) porque nosso clima predominante é tropical… (e daí? )

    Mas o meu lado consumidor diz que eu deveria perfeitamente usufruir da garantia plena pagando a mesma coisa ou menos por produtos e serviços ainda melhores sem pisar nesses lugares ou, ainda, fazendo eu mesmo!

    Essa garantia de fábrica não poderia ser condicionada a esses serviços de revisão, para mim isso é venda casada…

    Acabaram criando um sistema de proteção, um mecanismo lesivo ao consumidor para lhe tirar qualquer direito quando, por exemplo, um vício do produto é comprovado! Vide o que aconteceu em 2009/2010 com os motores VW EA111 VHT, um verdadeiro escândalo nacional abafado…

    Os piratas são eles!

  • Lucas dos Santos

    Um outro exemplo de pirataria que beneficia até mesmo aquela que deveria ser a vítima é o sistema operacional Windows, da Microsoft.
    De acordo com o site NetMarketShare.com, o Windows possuía 91,45% do mercado em Dezembro, enquanto os demais sistemas operacionais dividia os 8,55% restantes. Nos meses – e anos – anteriores, o cenário não era diferente.

    Essas estatísticas são obtidas através da detecção do sistema operacional utilizado pelas pessoas que acessam a internet. Sabendo que esse sistema operacional tem um alto índice de pirataria, esse site acaba colocando os usuários de cópias legítimas e os de cópias ilegais no mesmo balaio, o que acaba inflando os números de participação no mercado.

    Isso é benéfico para a Microsoft, pois ela pode utilizar esse número para firmar contratos de exclusividade com fabricantes de computadores, que seriam vendidos com o Windows pré-instalados, assim como contratos com desenvolvedores de jogos, que desenvolveriam exclusivamente para Windows. Pequenos desenvolvedores de software, que normalmente os distribuem gratuitamente sob a licença Freeware, também tendem a desenvolver para Windows e não para outros sistemas operacionais, pois, dessa forma teria mais chances de ter o seu software utilizado. Com isso, o usuário final acaba optando pelo Windows, afinal, a maioria dos programas, jogos e hardwares são feitos para esse sistema operacional e poucos estão dispostos a utilizar um sistema teoricamente “incompatível” com suas necessidades.

    Agora, imagine que a Microsoft conseguisse tornar impossível a pirataria do Windows. Ou ainda, que os usuários que não pudessem ou não quisessem pagar o custo da licença do Windows, migrassem para uma distribuição Linux. Como ficariam os números do NetMarketShare.com? Provavelmente o Linux ganharia uma boa fatia de mercado, talvez não maior que a do Windows, mas expressiva o suficiente para dividir o mercado. Com isso, os desenvolvedores de software se sentiriam mais estimulados a desenvolver para ambos os sistemas operacionais e fabricantes de hardware procurariam dar suporte para Linux também, acabando com a principal vantagem do Windows. Com isso, o Windows já não seria mais tão “indispensável” como é hoje. As pessoas teriam opções e isso criaria uma concorrência. A Microsoft teria de encontrar outros meios de tornar o seu sistema operacional mais atrativo e talvez precisasse rever o preço de suas licenças, o que significaria renunciar parte do lucro.

    Diante disso, será que seria realmente interessante para a Microsoft acabar com a pirataria? Como disse certa vez alguém da empresa – não me recordo quem – em uma entrevista: “Prefiro que pirateiem o nosso produto do que o do concorrente!”. E tem gente que ainda acha que está prejudicando a Microsoft ao utilizar cópias piratas do Windows… É por isso que eu defendo que quem acha o Windows caro demais não deveria utilizá-lo – nem pirata! Que utilize outro sistema operacional com custo mais acessível. Ao ver o seu marketshare caindo, a Microsoft logo faria algo para reconquistar os seus usuários e aposto que baixar o preço das licenças seria o primeiro passo! O mesmo vale para jogos e outros softwares – bem como outras obras intelectuais.

    • Lucas, antes de entrar para o grupo do AUTOentusiastas, fui sócio de uma empresa de software corporativo, filiada à ABES por 12 anos, e eu participava de campanhas anti-pirataria.
      Conheço muitas das discussões sobre pirataria pelo lado dos bastidores de quem reclama da pirataria.
      Muito do conteúdo dessas discussões estão sintetizadas nesta série.

      Microsoft e sua relação com a pirataria é um case que daria um livro. Ela nunca seria o que é sem a pirataria, mas ela não pode admitir essa relação publicamente. Existem acionistas que tem direito de explicações e existe até a questão do discurso moralista dentro do próprio setor. A questão é complexa.

      Mas vamos pensar no caso de outro produto dela, o Office.
      O que aconteceria se o Office fosse absolutamente à prova de pirataria. As pessoas só poderiam mexer, e portanto aprender a mexer, em máquinas licenciadas, algo que seria difícil de conseguir. Mas se tem pouca gente com conhecimento de usar o Office, o que impulsionaria ao empresário a comprar o Office?
      Sem a oportunidade de acesso gratuito pelo usuário comum, o Office nunca seria o software padrão para o setor empresarial como é.

      Sobre sua descrição do pessoal da Microsoft dizendo “Prefiro que pirateiem o nosso produto do que o do concorrente!”, tenho uma história pessoal.
      Eu participava da campanha anti-pirataria da ABES, e naquela época era difícil vender uma licença de Windows para os clientes, e se eu forçasse a barra, perdia o cliente.
      Eu não conseguia acabar com a pirataria do Windows nos terminais, mas comecei a colocar Linux nos servidores. Pegava um computador muitas vezes até encostado, instalava Linux, e colocava funções de servidor de arquivos, impressão, internet discada automática, banco de dados… E com arquivos batch que faziam toda manutenção pra ligar e desligar a máquina de forma automática. Tive máquina que não precisou de manutenção por mais de 2 anos.
      Levei essa experiência para a ABES e bati de frente com o representante da Microsoft. Ele disse textualmente “Preferimos que você mantenha o Windows Server pirata no seu cliente que um Linux oficial lá”. Então respondi na hora que se esse era o parecer do representante da Microsoft dentro do grupo anti-pirataria da ABES, a empresa nunca teria moral para falar de pirataria dos seus produtos.

      Dentro da ABES, posso dizer até com orgulho que sempre fui o desafeto, a pedra no sapato de duas empresas: Microsoft e Apple.
      Quem idolatra a Apple e o Steve Jobs precisa conhecer quem são eles nos bastidores.

      E seguindo o que você diz, neste exato momento estou escrevendo esta resposta no meu velho PC com Linux Ubuntu. Só uso Windows por questões profissionais, e ainda assim de forma gratuita e legal. A própria Microsoft licencia o uso gratuito do Windows em máquinas virtuais, com download de máquinas prontas pelo site http://modern.ie.

      • Lucas dos Santos

        Quanto ao Office, eu costumo dizer que a maioria dos usuários (domésticos) não precisa dele! O nome já diz tudo Office = Escritório.

        Cheguei a essa conclusão quando me tornei beta-tester do Office 2007. Nesse período, nunca reportei nenhum bug e tinha dificuldade para preencher os “surveys” que a Microsoft me enviava, pois eu não explorava os recursos da suíte de programas. Descobri aí que o Office não fazia parte do meu dia-a-dia e certamente não o faria para outras pessoas com o mesmo perfil que o meu. Logo, muita gente o tem sem realmente precisar dele.

        Teve uma época que a Microsoft chegou a lançar o Office Starter, que era gratuito, suportado por anúncios. Não durou muito.

        Hoje, quando preciso editar um documento do Office, ou eu utilizo o Libre Office ou então o Office Online da Microsoft, que é parte integrante do One Drive.

        —–

        Eu usava programas piratas por um bom tempo até que eu me lancei o desafio de só utilizar software legalizado. A idéia era ver até onde eu poderia chegar com isso. Só que as minhas condições financeiras não me permitiriam simplesmente registrar tudo o que eu tinha. Então precisei procurar alternativas.

        Analisando friamente, descobri que havia softwares freeware similares ao piratas que eu tinha. Eles tinham menos recursos, mas descobri que os recursos adicionais não me faziam falta.

        Foi assim com o Photoshop, que eu utilizava apenas para redimensionar imagens e fazer pequenas edições – ou seja, eu não utilizava nem um terço do “poder” do Photoshop. Mudei para o Paint.NET e este me atende perfeitamente bem!

        A próxima “vítima” foi o Microsoft Office. Observei que eu o utilizava mais para visualizar documentos do que para editá-los. Então troquei o meu pacote Office pelos visualizadores gratuitos da própria Microsoft – Word Viewer, Excel Viewer e PowerPoint Viewer. Mas, às vezes, em casos isolados, surgia a necessidade de editar algum documento. Conheci então o OpenOffice/BrOffice e foi suficiente para mim!

        Vez ou outra eu usava o Camtasia Studio para capturar vídeos do meu desktop. Troquei-o pelo menos poderoso CamStudio, que era o que me bastava!

        Mas, esse esforço todo não valeria de nada se eu ainda mantivesse o meu Windows XP pirata. Então pesquisei o preço das licenças e decidi que não precisaria da versão Professional, pois a versão Home me atenderia perfeitamente. Mas, não valia a pena comprar a licença naquela época, pois o Windows Vista estava próximo de ser lançado. Então era melhor aguardar e já pegar um sistema mais novo.

        Quando consegui a grana necessária para comprar o Windows Vista Home Basic, me surgiu um imprevisto e precisei utilizar o dinheiro para outro fim, tendo que adiar a compra da licença do Windows. Mas, como eu precisava de um sistema mais moderno, tomei a decisão mais difícil: trocar o Windows XP por uma versão recente do Linux, enquanto juntava grana para comprar uma licença do Windows Vista. Comecei por um período de pesquisa, vendo quais programas eram similares ao que eu usava. Vi que com o OpenOffice eu não teria problemas. Ou demais softwares eu não usava com tanta frequência. Na época eu utilizava o Internet Explorer como navegador e então mudei para o Firefox, que tinha versão para Linux. Usei o Firefox por um tempo no Windows até me acostumar com ele.

        Então fui para o Linux. Escolhi o Mandriva, que era a distribuição com a qual eu já tinha alguma experiência anterior. Removi o Windows do sistema e instalei o Linux. Foi tudo bastante fácil e intuitivo. Ter me acostumado com o Firefox foi providencial. Às vezes eu até me esquecia que estava no Linux enquanto navegava. Lidar com o BrOffice não tinha segredos e, aos poucos, fui encontrando novos programas. Mas já naquela época só se falava do Ubuntu e eu tinha dificuldade para encontrar programas e suporte para o Mandriva. Mudei então para o Ubuntu e tudo ficou mais fácil.

        Mas não tão fácil assim. Eu ainda não conseguia encontrar programas similares aos que eu usava no Windows e tive de dar adeus aos jogos. Não queria usar o Wine, pois, para mim, era o mesmo que usar Windows. Minha placa de TV também não funcionava no Linux – ficava sem som – e ninguém conseguiu me ajudar a resolver o problema. Usei o Linux por um ano e meio e logo surgiu a oportunidade de voltar para o Windows.

        Veio o Windows 8 e logo surgiram os betas públicos. “Beta não é pirata”, pensei eu, e então estava oficializada a minha volta ao Windows. Como o Windows 8 não foi bem recebido pelos usuários, a Microsoft o lançou a preço promocional, custando muito pouco. Não tive dúvidas em comprar a licença.

        Apesar de considerar o Linux um ótimo sistema operacional, eu ainda dependo do Windows, por conta dos programas e jogos. Se os desenvolvedores começassem a desenvolver mais softwares interessantes para Linux – e se a comunidade Linux cobrasse mais isso ao invés de se conformar em usar o Wine – tenho certeza que atrairia mais usuários para o sistema do pinguim. Tem ainda o conservadorismo de certos usuários, que não aceitam de jeito nenhum softwares proprietários no Linux – isso atrapalha muito. Já vi gente reclamando até do Steam! Por falar nisso, o Steam é, para mim, uma luz no fim do túnel nessa questão. Espero que, futuramente, mais programas ganhem versões para Linux. Isso me faria voltar para ele sem pensar duas vezes!

      • CorsarioViajante

        Muito legal ver este outro lado. Aliás, não tem empresa mais fechada que a Apple, seja para programas, seja para componentes físicos.

        • Lorenzo Frigerio

          O problema da Apple é que ela é a “Rainha da Obsolescência Programada”. Deve ter muito dono de Mac Pro G5 quadriprocessado, excelentes máquinas, que teve de encostá-las no armário ou vendê-las como sucata, por causa das versões atuais do Mac OS X, que só rodam em arquitetura Intel. Uma verdadeira facada nas costas dos clientes fiéis.

      • Fernando

        Muito legal o relato.

        No caso do Windows em VMs, que me lembre o uso licenciado é carregado do host não? Windows no host = + 1 VM rodando o mesmo Windows legalmente. Com um Linux no host não perde o direito de uso da VM(legalmente)?

        Abraço

    • CorsarioViajante

      Tbm penso como você, se a pessoa acha o Windows caro, o melhor é recorrer ao Linux com seus prós e contras. Eu mesmo faz tempo que só compro o Windows original, o preço da licença não me parece abusivo, ainda mais levando em conta a vida útil de um computador, os constantes aprimoramentos e a diferença imensa e enorme de estabilidade.

      • Fernando

        E no caso de um computador novo com Windows, o preço da licença é ridiculamente menor do que a versão box(software separado), cerca de 1/3.

        Aí eu vejo que a diferença é bem considerável, mesmo levando em conta que a fabricante do computador fez uma compra em grandes lotes, para o consumidor isso acaba pesando muito para irem para a ilegalidade.

      • Lucas dos Santos

        Exatamente. Eu também passei a analisar melhor e concluí que o preço da licença do Windows é justo para o que o sistema oferece.

        O problema é que tem gente que utiliza uma linha de raciocínio equivocada: “O quê!!! Pagar mais de 500 reais por um cdzinho e um código? Isso é um absurdo!!” – como se o conteúdo do CD fosse irrelevante. Ou ainda: “Pelo preço de uma licença do Windows eu posso investir em hardware!” – como se o software também não fosse parte importante do computador.

        Curioso mesmo foi uma afirmação que li há algum tempo atrás: “Eu uso Windows pirata porque ele é um sistema operacional ruim, inseguro e cheio de bugs!“. O que me leva a perguntar: se não gosta do produto, está usando pra quê?! Eu, nessa situação, não usaria nem de graça!.

    • CCN-1410

      Ótimo raciocínio!
      É verdade. Eu nunca tinha pensado nisso.

  • Fabio Vicente

    Que matéria excelente André.
    Sua reflexão sobre aquilo que prefiro chamar de “uso compartilhado” – não pirataria – abrange praticamente todos os aspectos que beneficia e ao mesmo tempo prejudica ambos os lados: dos fornecedores de material e consumidores.
    Acho que boa parte do problema está nos intermediários. Esses dizem que fazem o papel de facilitador, ou seja, o papel de aproximar o cliente e o criador do material (seja uma obra artística ou um outro produto qualquer) e por fim muitas acabam por usar da ganância para obter vantagem. Um exemplo disso são as lojas licenciadas. Como pode por exemplo, um telefone de uma determinada marca custar mais barato em uma loja de eletrodomésticos do que na loja “oficial” da marca? E trazendo para a realidade entusiasta, lembro me que uma loja de carro multimarcas certa vez anunciou um Celta “pelado” R$ 250,00 mais barato do que em qualquer concessionária da Chevrolet – e tinha o carro a pronta entrega (uma amiga comprou o carro nessas condições).
    Outra questão, e esta voltada para o ambiente audiovisual: quando as marcas fazem anúncios em um filme, eles com certeza não reclamam de pirataria, até porque a marca acaba sendo exposta para um maior público. O problema talvez seja o risco de ver seu produto também copiado…

    • CorsarioViajante

      Em teoria, a loja oficial ofereceria, além do produto, a “experiência da marca”, tanto com a possibilidade de testar mostruário como de vendedores que realmente entendam do seu produto. Isso na teoria.
      No caso dos carros, raramente uma multimarca tem carro para test-drive, por exemplo, enquanto as concessionárias “Oficiais” quase sempre tem os modelos disponíveis para teste. Além disso, em teoria, saberiam sanar mais dúvidas e já ser o espaço para a pessoa conhecer a filosofia da marca. Porém raramente isso acontece.

  • Bob Sharp

    Robson Santos
    Não há nada errado em haver condições para que a garantia seja concedida, tampouco isso se caracteriza como venda casada. É pleno direito de qualquer fabricante, aqui e no mundo todo, e de qualquer produto manufaturado, exigir que este seja mantido conforme o plano de manutenção preconizado e que serviços só sejam executados pela assistência técnica autorizada, para fazer valer a garantia. Se há problemas como o que você mencionou, o de aplicar óleo de especificação errada, isso é outra questão. Quando ao que aconteceu com os motores 1-litro, não teve nada “escândalo nacional” nisso, todos os proprietários foram atendidos. Não era caso de convocação por não haver risco de segurança, portanto não se tratou de problema abafado.

  • francisco greche junior

    André Dantas eu te acho fantástico escrevendo e explicando nuances de um assunto, agora digo seja ele qual for.
    Repito o que já disse antes, o Ae para mim é o melhor lugar na internet pra ler ótimos assuntos, me pôr a pensar e conhecer mais sobre a vida, atual e passada. Futura agora. Abraço

  • Newton (ArkAngel)

    Isso é só o começo.
    Talvez não vivamos para ver, mas é irreversível a queda dos sistemas mundiais pré-estabelecidos, sejam eles bancários, políticos, comerciais, indústria farmacêutica, etc.. Não adianta lutar contra essa corrente, já começou há algum tempo e vai derrubar o status atual em todos os ramos.

    • Newton, ainda vou chegar no assunto mais adiante, mas vou te dizer algo.
      Tecnologia e computadores são libertários, subsersivos. Eles irão transformar a nossa sociedade em uma velocidade e numa intensidade nunca vistas antes.

      Já existem várias tecnologias e modelos de negócio que podem ser pensados como zumbis. Rádio, TV, telefone… Já existem tecnologias que os substituem com vantagens sobre os modelos convencionais. Só falta esses zumbis perceberem e se deitarem em suas covas.

      • Radialista

        Rádio é zumbi? Desde que surgiu a TV e a cada nova tecnologia dizem que o rádio vai acabar, mas continua sendo uma das mais utilizadas no mundo. 80% dos americanos ainda ligam o rádio pelo menos uma vez por dia.

    • Isaac

      Espero que não. Mudanças não são sempre positivas, muitas vezes não o são.

  • TAB

    ADD,
    Como sempre, seus textos possuem grande profundidade de conceitos, estudo sério e uma ótima didática!! Eles fornecem novas reflexões para questões do dia-a-dia. Abraços

  • Leo-RJ

    Caro André Dantas,
    Como atuante no mundo jurídico, só me resta parabenizá-lo pelo brilhante trabalho apresentado neste texto. Um verdadeiro primor, de conhecimento e clareza.

    Leo-RJ

  • P500

    Serei simples e objetivo. Quer vender seu produto original ? Venda pelo preço que cubra os custos, os impostos e seu lucro (na casa dos 20%).
    Se não fizer isso, nós como sociedade, somos um corpo vivo, nos adaptamos e optamos pelo mais barato. Existem coisas, que não compensam o gasto, nem muito menos o tempo (por ex o retrovisor citado). Sendo feio ou imoral, não importa, mais imoral, é cobrar 500 reais por uma peça, que na fábrica, custa entre 4 reais a 50 reais. Sim, trabalho com injetora de plástico, e sei os valores.

    • CorsarioViajante

      Desculpe, mas como o próprio post diz, o valor da coisa não é só da matéria-prima. No caso, além dos valores do plástico injetado, tem os valores de projetar, testar, distribuir, garantir, estocar e empatar capital esperando um comprador do tal retrovisor. A questão não é tão simples. Se for para ter 20% de lucro a maioria prefere botar o dinheiro no banco e não fabricar mais nada, quem já foi dono de qualquer negócio sabe que um retorno de 20% dificilmente vai valer a pena.

      • Fernando

        No caso das peças de reposição(originais) não há o fator desenvolvimento, pois o custo delas estava embutido no projeto do carro em si.

        Aí seria cobrar pelo projeto em dobro, no carro que usou a peça, e ainda em cada peça vendida.

        Acho o valor das peças elevado demais para o que são, por mais que se tenha gasto um valor alto no desenvolvimento, se fosse seguir dessa forma tudo seria muito mais caro do que é.

        • F A

          Mas e se consideraram no cálculo que parte do retorno do desenvolvimento vai chegar também através da venda de reposição?

          André, lembrei de quando você foi comprar um CD importado e o cara quis lhe extorquir. Aí como você já tinha o LP (direito de uso) há anos, você baixou da internet.

          • Fernando

            Não ligaria para isso ser algo muito bem diluído, mas no exemplo como o de uma mínima peça de plástico custar centenas de reais é algo que já vi nas concessionárias(um para-barro é uma peça que já vi nessa situação) e sinceramente não vejo como o desenvolvimento ter tanto peso na reposição, se o projeto foi inicialmente do veículo e quase integralmente da fabricante do carro.

            Pelo que já vi de alguns amigos que trabalharam em algumas fabricantes das peças que forneciam as peças originais, me lembro deles dizerem que mexiam com os processos e não com o projeto da peça em si, ou seja, a situação é mais de seguir o projeto.

          • F A, eu iria colocar essa história no conjunto de artigos, mas ficou grande demais e cortei porque se tornou repetitivo.

      • Guilherme Keimi Goto

        Corsário, entendemos toda essa parte do projeto e desenvolvimento, mas olha só isso: a peça cromada da imagem (na concessionário Ford de Florianópolis) custa R$900. Será que o fabricante da peça já não pagou todos os custos de projetar, testar, etc nos anos que o modelo estava em linha? Esse modelo do Focus foi um carro de grande volume de produção, mas que não saiu de linha há muitos anos, qual é a justificativa pra esse preço? Só posso concluir que é extorsivo o preço que cobram nessa peça.

    • Lucas dos Santos

      No caso de produtos como um espelho retrovisor, sempre há opções. Se o consumidor não estiver disposto a pagar pelo original, compra um modelo similar, de um fabricante independente – feito a partir do seu próprio projeto -, que pode não ter a mesma qualidade, mas cumpre com sua função básica. Se for o caso, eu deixo de comprar veículos daquele fabricante e o troco por outro que tenha uma maior disponibilidade de peças de reposição a um melhor preço. Questão de concorrência.

      Saindo desse exemplo e analisando a questão de um modo geral, pirataria só serve para “dar ibope” ao produto. Ninguém pirateia coisa ruim. Se eu tenho um produto que é maciçamente pirateado, é porque as pessoas gostam/precisam daquele produto. Se o meu produto é “objeto de desejo”, por que é que vou baixar o seu preço? Pelo contrário, vou é aumentá-lo, de modo que quem se disponha a pagar pelo original, acabe pagando também por quem comprou o pirata, cobrindo o meu prejuízo. A partir do momento que as pessoas não quiserem mais o meu produto, nem pirata e passarem a comprar do concorrente, eu baixo o preço, faço promoções, qualquer coisa para atrair o público de volta. Ou, se o meu produto deixar de ser pirateado e todos comprarem original, poderei baixar o preço, já que não terei mais prejuízos com pirataria para cobrir. É assim que funciona.

  • cleyton faria

    Essa situação de exploração, estou sentindo na própria pele. Dia 20/12 (indulto de Natal) quebraram o quebra-vento do caminhão do meu pai, um VW 10-160, e levaram o rádio. A concessionária pede absurdos R$ 800,00 por esse pedaço de vidro, e para piorar quem tem que proteger as pessoas de bem, não se importam com isso. Vi o vidro estourado às 8 da manhã e liguei para a policia, tive que esperar mais de uma hora pois não havia nenhuma viatura disponível, isso num sábado às 8 da manhã. O guarda pára a viatura no meio da rua e aquele mini-congestionamento formado e ele nem aí, mas quando um rapaz atropelou uma guarda durante uma blitz da lei seca saiu viatura até do bueiro, quem viu o furdunço que foi achou que tinha acontecido uma tragédia, tamanho o alvoroço deles. O SAMU levou a policial para a Santa Casa e como o raio-x estava quebrado, o SAMU seguiu para o hospital Pedro Sanches com cinco viaturas atrás, gastando dinheiro do povo e deixando de exercer suas funções. A guarda sofreu um pequeno corte na testa que levou apenas 3 pontos! Aqui em Poços de Caldas a rua Marechal Deodoro esta virando uma mini cracolândia à noite e furtos se tornaram constantes, mas a policia nada faz, o negócio deles é lei seca, para isso eles são bons, afinal o motorista mesmo que esteja bêbado não oferece riscos para eles e ainda tem o dinheiro das multas.

    Desculpem o desabafo, mas isso faz a gente perceber o quanto somos trouxas nesse país.

    • KzR

      Entendo e compartilho de sua opinião. É frustante e desagradável perceber que o cidadão comum, motorista, é visto como potencial criminoso (isso se aplica à outras áreas, como mostrou o texto) pelas autoridades dos que realmente representam perigo e prejuízo a sociedade, os malfeitores e sociopatas. Só que é muito complicado tentar reverter essa situação, já que parcela das autoridades representativas e dos criminosos de pior espécie estão mancomunados.

  • Fernando

    Excelente post, André!

    No caso das peças, o nível da coisa pode ser, ruim ou pior: 1- ter a peça a preços altos, 2- não ter a peça, 3- não ter a peça e ainda precisar esperar sabe-se lá quanto tempo para pagar caríssimo nela.

    O pior é que já existe medida do CDC para nos proteger e nem assim as fabricantes são pressionadas a terem as peças para os carros com até 10 anos como é previsto.

    Um exemplo de um carro que tenho, de marca X, que muita gente faz piada achando que as peças são caras; mas vou até lá, e quando não tem a peça na concessionária, tem no centro de distribuição e chegam em poucos dias (isso que muitas paguei valor menor do que de marcas mais tradicionais); é um exemplo de maior compromisso com o consumidor, mas alguns dos piadistas somente pensando no valor se esqueceram de que a peça poderia não estar no estoque, e passaram raiva…

    A questão do DVD é algo que no Brasil está ainda longe de ser colocado em prática no meio das produtoras de áudio e vídeo. Felizmente no lado do software sendo menos local e sim mais global, é amplamente atrelado ao que interessa é a licença de uso. Perder o CD do sistema operacional é normal(e muitos computadores já vem sem ele), e nem serial é mais necessário em muitos casos graças ao uso de ativação por meio de BIOS(UEFI), assim pode usar qualquer CD gravado que sendo a versão que comprou legalmente será coerentemente validada e tudo certo, nada mais justo.

  • Marcelo Henrique

    Este artigo me fez ver a coisa de um outro ponto de vista.
    Parabéns!

  • Marcos Alvarenga

    Estou com o Windows 7 que veio na minha máquina, e atualmente não sinto absolutamente nenhuma necessidade de trocá-lo por uma versão 8 pirateada.
    Realmente a grande maioria de atualizações e novas versões trazem aprimoramentos discretos ou muito específicos para serem apreciáveis. Além disso, softwares novos são sempre uma surpresa. No seu dilema com as versões, tenho certeza de que olhando respectivamente a versão XP é muito mais enxuta e amigável do que qualquer versão do Vista, com todo seu peso e obsessão por segurança. Foi a mesma coisa para quem trocou o Windows 98 pelo Millenium, infinitamente mais pesado e indigesto.

    • Lucas dos Santos

      Eu também, se já possuísse uma licença do Windows 7, não trocaria pelo Windows 8 – o faria apenas se eu tivesse o XP ou o Vista. Mas, como eu comecei “do zero”, não tinha por que não partir logo para o mais recente.

      Confesso que prefiro o Vista – ou posterior – em relação ao XP. É mais pesado – mas nada que um hardware de acordo não resolva – porém, com ele vieram vários recursos e inovações que o deixaram em sintonia com que havia no mercado na época. O Windows XP, após vários anos no mercado, chegou a um ponto em que era necessário instalar vários programas de terceiros para poder trabalhar com determinados hardwares e formatos de arquivo e isso me incomodava.

      Quanto ao Windows Millenium, eu não o achava pesado – até porque havia poucas mudanças em relação ao Windows 98. O problema do Windows Me é que ele era “apenas” mal feito e dava tela azul demais!

  • Marcos Alvarenga

    Retrato do que o partido no poder tenta fazer com a sociedade atual: Espalhar o caos, para que eles sejam vistos como o único caminho.

    Como médico, tenho assistido ao desaparelhamento de toda a já insuficiente infraestrutura de saúde, para que então o Partido peite as “elites”, trazendo milhões de médicos cubanos salvadores “passando por cima” dos gananciosos médicos brasileiros, como se fossem os salvadores.

    Espalham esses profissionais em lugares inabitáveis, e inabitáveis por pura ausência do estado e falta de interesse. Pessoas assim se submetem a trabalhar, ou melhor, fingir que trabalham em condições onde não é possível exercer a medicina.

    Assim perdem os médicos e a população, e quem ganha é só o Partido.

    Lamento que as pessoas que realmente deveriam ler isso não frequentam esse espaço…

    • ccn1410

      Tudo bem Marcos Alvarenga,
      Mas na cidade vizinha a minha, com aproximadamente 65.000 habitantes, nesses dias de festas ficou apenas um médico no pronto-socorro. E sabe quem ele era? Um cubano, porque os médicos brasileiros estavam todos na praia.
      Às vezes é melhor um caolho do que um cego dos dois olhos.
      Capisci?

      • LG

        Ah, tá!
        A maioria é assim mesmo, pensam desta maneira. Médico não precisa de férias, não precisa de momentos com a família. Só devem trabalhar e ponto. A questão é simples de resolver. Pague um salário/honorário digno que não faltarão médicos. Aqui na minha cidade aconteceu algo semelhante, porque os médicos estão sem receber desde outubro. Pense no seguinte: qual profissional qualificado aceita isso. Se você fizer um juiz, advogado, engenheiro, jornalista trabalhar por merreca ou ficar sem receber por 3 meses e trabalhar, lhe dou os parabéns. Por isso que vou propor um abaixo-assinado para um projeto de lei no congresso para os “mais juízes”, já que a nossa justiça está abarrotada de processos criminais do PT e não é célere nas suas decisões

        • CCN-1410

          Tá bom, então vamos aceitar que TODOS se ausentem ao mesmo tempo e as pessoas que se danem e morram. Tá bom assim para você?

          • LG

            Ué! Você falou que ficou um “médico” da Dilma trabalhando naquele sistema de terceirização cubana, onde o peão se ferra (médico) e o patrão (governo cubano e PT) lucram. Logo não se ausentaram todos…

          • GL

            Tá ótimo. Espero que sejas o primeiro. Próximo.

        • KzR

          Ainda pior, LG, é o disparate entre os próprios médicos. Há quem ganhe muito fazendo pouco, há quem ganhe pouco fazendo muito. E tem-se as questões dos riscos envolvidos em se trabalhar em ambientes isolados, mesmo que sejam $$$ atraentes. O Estado poderia criar as condições para que sempre houvesse médicos (e outros profissionais) disponíveis em qualquer momento. Dá mesma forma que juízes, advogados etc.

          OBS: Bela sugestão do mais juízes (rsrs).

    • KzR

      Essa abordagem do governo mascara a incompetência dele de criar condições para que mais médicos possam trabalhar em regiões mais distantes do país. Pelo que ouvi falar, há muito mais em jogo para os médicos que a questão do $$$$ propriamente dito. Os riscos legais de se trabalhar em postos onde os médicos estrangeiros estão ocupando são muito mais altos que qualquer valor monetário possa cobrir ou mitigar.

  • CorsarioViajante

    Que marca?

    • Fernando

      Um BMW E36, acho interessante ter um bom estoque para essa série (1990-1999) até hoje, até miudezas de acabamento que em outros carros mais novos na época tive de ir em ferro velhos.

      • CorsarioViajante

        Legal! muita gente tem medo, mas parece que a BMW é séria quanto à manutenção de seus carros mais antigos… Confere?

        • KzR

          Absoluta certeza, Corsário. Lembra-se do seguinte? “Um BMW mais velho, de 20 anos, deve ser capaz de trazer novos clientes à marca”. Acho que a dimensão em que se proferiu a frase foi bem maior que vender novos modelos.

  • CorsarioViajante

    Também acho as peças caras demais, só estou dizendo que não é tão simples.

    • Newton (ArkAngel )

      Existe uma certa máfia nos USA, citando como exemplo, que faz as peças destinadas ao uso aeronáutico custarem verdadeiras fortunas, por serem “FAA approved”. Uma simples borracha para ser colocada nos pés de um banquinho de um C-130 custa cerca de US$100 cada uma. A alegação é a seguinte : “se o banquinho escorregar e por causa disso você esbarrar no piloto, e o mesmo acionar o manche inadvertidamente causando a queda do avião, o fabricante do pé de borracha lhe indenizará ”
      Autopeças são a mesma coisa : você pode usar algo até melhor que a peça original, mas se não for a peça genuína pode dizer adeus à garantia.

  • CorsarioViajante

    Pois é, acho engraçado ver um monte de gente falando que Windows é “ruim, inseguro e cheio de bugs”, usando sistema pirata e um monte de componentes fajutos.

    • Eu já fui criticado várias vezes, incluindo aqui no Ae porque eu digo que uso Linux, Libre Office, Gimp e Inkscape. Em especial, me lembro de uma crítica que foi feita no caso do Gimp, onde o crítico falou que o Photoshop era muito superior. Isso foi numa época que esse software não tinha opção gratuita. Duvido que quem me criticou tivesse pago pelo Photoshop.

      Desde meus tempos de faculdade eu costumo dizer que o certo é jogar conforme as regras.
      A regra diz que Windows é pago, Office é pago, Photoshop é pago e Corel é pago? Quer ter todos eles? Então pague por eles.

      Eu não pago por nenhum deles, mas tenho alternativas dentro das regras.

  • CorsarioViajante

    Ótimo relato! Eu também passei por algo parecido, mas como já estava na hora de trocar de máquina, na nova a licença do 8.1 veio a preço convidativo.

  • Fernando, dá uma olhada no modern.ie. O pulo do gato é o seguinte. O Windows pode ser usado por um período de experiência de um mês, extensível a até 4 meses em condições normais. Porém as máquinas que a Microsoft libera no site já estão liberadas para 4 meses de experiência e estão prontas para uso. Não precisa instalar nada. Tem inclusive versões de máquinas virtuais para testes em Mac e Linux.
    Uso muito máquinas virtuais aqui. Quando preciso acessar um site que não sei se é seguro, ou se preciso acessar o site do banco, sempre entro através de uma máquina virtual nova.
    A máquina virtual nova também é uma boa medida para evitar rastreamento, porque está limpa de qualquer histórico.

    • Fernando

      Obrigado André!

      Vi a página, é algo que creio ser recente ou mais específico da área de desenvolvimento. Achei interessante ter template para Virtualbox e VMWare além do Hyper-V! hehe

      Quem possuir um host Windows ainda pode virtualizar a mesma versão nele com a mesma licença por tempo indeterminado.

      Faço o mesmo uso das VM e é muito interessante também a configuração de disco não persistente(no seu caso pode ser interessante para não criar uma nova a toda hora), em que após ser desligada retorna ao estado original como se restaurando um snapshot, é uma dica legal, depende do hypervisor.

      Um ponto interessante que nos últimos anos não vi dizerem muito mais era sobre desejarem colocar em prática os “abandonware”, pelo que vi no Brasil há lei que considera como 50 anos do uso dos direitos, mas mesmo dentro desse período, caso a empresa não demonstre mais interesse não seria um problema… mas isso pode ser visto com tantas interpretações que fica bastante complicado de ser posto em prática.

  • Corsário, você conhece a história do Jean-Michel Jarre?
    Ele foi praticamente um líder na luta anti-pirataria pelo lado dos artistas e foi voz ativa na Europa na época do Napster e depois dele.
    A partir do ano 2000, ele fez uma série de discos com música experimental que foram fracassos de vendas e ele entrou em atrito com sua antiga gravadora, a Disques Dreyfus.
    Quando ele rompeu o contrato, tentou recuperar toda sua discografia cujos direitos estavam na mão da gravadora e recebeu um belo “NÃO!”.
    Quem é o verdadeiro pirata nessa história? O fã do artista que baixa a música dele pela internet ou a gravadora?

    • CorsarioViajante

      Não conhecia a história deste sujeito. O pior é que normalmente as gravadoras não liberam para o artista e não relançam os discos. Um tempo atrás eu passei por isso tentando achar discografias completas de artistas que estavam “esquecidos” e totalmente fora de catálogo ou com grande parte da sua obra indisponivel. Se não fosse a suposta “pirataria” nunca teria ouvido grande parte das músicas que gosto pois não teria acesso à elas, mesmo disposto a pagar!

      • Já ouviu falar em Danae, Karl Jenkin, Tangerine Dream, Space Art? Como conhecer sem apelar pra pirataria? Comprando CD caro é que não dá para ficar experimentando. E para finalizar, que tal isso:

        http://youtu.be/S13TZe3hoqE

        • CorsarioViajante

          Exato, quem quer ouvir qualquer coisa “diferente” tem que apelar para a net pois nem trazem nem criam um sistema universal e eficiente de download pago de música.

  • Cleyton, não só entendo esse sentimento como ele está no cerne do texto.
    Quando alguém sofre uma injustiça e as autoridades pouco fazem para restabelecer a justiça, esse alguém fica com um sentimento ruim, querendo fazer justiça com as próprias mãos.
    É o que chamamos de espírito de Batman.
    Isso é complicado de fazer no mundo físico, mas é perfeitamente viável de fazer no mundo digital. Mas aqui a figura do Batman é mais fiel do que nunca. Quanto mais ousada a iniciativa, melhor o internauta precisa saber se disfarçar e apagar as próprias pegadas.

    O espírito de Batman motiva muitos jovens a se tornarem hackers.

    • KzR

      Perfeita descrição e análise. Quando uma pessoa ou grupo de pessoas realmente decide fazer justiça/ tomar atitude por conta própria, é taxado negativamente pela mídia e condenado pelas autoridades, mas é apoiado tacitamente por parte da sociedade.
      Ficou-me claro a expansão do número de hackers, ainda que hajam aqueles que só busquem gerar o caos.

  • Lucas, sinceramente, o Windows é caro para o que cobram dele.

    Repare que praticamente só a Microsoft hoje vive de software vendido “em caixinha”. Quase todos que faziam isso há 10, 15 anos, hoje vive dos serviços que o software proporciona.

    A Microsoft está caminhando para um lado que todos os demais sabem que é causa perdida.
    O Windows é um projeto que cresce exponencialmente em complexidade e não é em qualquer lugar que eles encontram programadores especializados para desenvolvimento e manutenção do sistema. É um modelo em crise.

    Para ela, o pior é que hoje a internet é muito mais acessada via dispositivos móveis que por PC’s, e o Android é uma plataforma muito mais popular na rede que o próprio Windows.
    O Windows perdeu significância no mercado.

    Uma hora a Microsoft vai ter de jogar a toalha e jogar o Windows em domínio público.
    Quanto mais ela teimar em manter o rumo atual, é ela quem vai perdendo significância.
    Veja que ela já não é mais a toda-poderosa como ela foi em 2002, logo após o lançamento do XP.

    Ela seguiu um antigo ditado de bastidores do setor de software: “Todo foguete continua subindo mesmo depois do motor apagar.”.

    Outra que está seguindo essa regra é a Apple.
    A empresa vive batendo recordes de valorização de ações, mas o motor da inovação da empresa já apagou. Sem inovação, uma hora essa trajetória arqueia pra baixo, como está fazendo a Microsoft agora.

  • SergioCjr.

    Fernando,

    Não há previsão no CDC que obrigue os fabricantes a terem estoque de peças pelo prazo de 10 anos.

    O art. 32 em seu parágrafo único determina que cessada a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida por período razoável de tempo, na forma da Lei.

    • Fernando

      Tem toda razão, obrigado! Agora fiquei na dúvida de onde eu havia visto essa disposição, sabe se há alguma medida mais recente sobre isso? Abraço

      • Durante a confecção do CDC, o projeto original previa o tempo de 10 anos, mas vários setores reclamaram porque seria algo inviável. Computadores, por exemplo. Muitas peças ficam obsoletas em 2 anos e param de ser fabricadas lá fora. Não tem como manter peças de reposição por 10 anos.
        Porém, isso abriu o espaço para um termo vago do qual a indústria se aproveita de forma assimétrica. Isso terá retorno.

        • KzR

          Isso ainda é mais maçante para quem deseja manter seu computador, apesar de não ter o mesmo rigor de manutenção de um automóvel. Pode-se passar anos a fios em seu uso, mas como qualquer eletrodoméstico, qualquer defeito em uma peça sequer pode comprometer seu uso por inteiro, tornando-o lixo para descarte rapidamente. Tenho um PC encostado por conta de HD não mais fabricado, e outro em via de imobilização por conta de placa de memória difícil de achar.

  • Victor

    Pois bem, esta questão se torna relevante, pois ao comprar um carro moderno, o mesmo traz milhares de linhas de código, controlando diversas funções. Em teoria, ao comprar o carro, todo o conteúdo físico e intelectual passa a ser seu por direito, certo? Errado, não temos acesso a praticamente nenhum dado do carro, nenhum mapa, esquema, manual de manutenção, firmware, nada. Porém nós pagamos, não foi?

    Supondo que alguém, independente da questão da segurança, queira por acaso “flashear” uma nova programação, terá que trilhar o caminho das pedras sozinho, tentando uma engenharia reversa. Hoje ainda existe a internet, fóruns, etc… que possuem muita informação e podem ajudar, mas ainda assim, a posição do fabricante é “se vira, maluco, não mete o bico onde não é chamado”

    E aí o carro vêm de fábrica bugado, com lag no acelerador, central de multimídia incompatível com o mundo, etc etc…, e tudo é considerado “característica do produto”

    Ao fazer uma cópia do retrovisor, lesando a propriedade intelectual do fabricante (aka lucro) ainda por cima você é o vilão. Complicado hein!…

    Apesar de um carro não vir com um contrato de termos e condições de uso como um software, nós simplesmente compramos um amontoado de peças físicas, pagamos os engenheiros e funcionários da fábrica e só.

  • Lucas dos Santos

    Coincidentemente, recebi hoje o link dessa notícia: http://www.tecmundo.com.br/video-game-e-jogos/70903-conheca-infanto-console-brasileiro-obra-pirataria-6-mil-jogos.htm

    Reproduzo aqui a manchete: “Conheça o Infanto, console brasileiro obra da pirataria com 6 mil jogos“.

    Esse é o tipo de “pirataria”, que não há como escapar – a de jogos antigos. Eu mesmo tenho vários aqui.

    Como não são mais produzidos, não há como adquirir um produto novo + licença. Logo, eu teria de recorrer ao mercado de usados. Além de ser vendido, geralmente, a preço de “peça de colecionador”, nada me garante que já não haja várias cópias daquela unidade instaladas em outros hardwares, utilizando o mesmo número de série, o que invalidaria a minha licença.

    Só não o faço quando o jogo possui algum tipo de validação. Instalar “cracks” para burlar esses sistemas não é comigo e, não raro, trazem “surpresas desagradáveis” de brinde.

  • André K

    Mais juízes… gostei! Mas, se vierem de Cuba… não vai adiantar…

  • Eduardo Mrack

    Que bela idéia essa da impressão de livros, hein! Seria uma solução magistral para o consumidor, mas pode ter certeza que muitas e muitas empresas de prensagem e distribuição de livros te derrubariam em instantes. Infelizmente o mundo ainda funciona de maneira invertida : muito bom para poucos, pouco bom para muitos.

  • Eduardo Mrack

    Direitos autorais, patentes, propriedade intelectual… coisas de um povo atrasado – nós. Coisas de um mundo antigo – o de hoje – onde a prioridade é o lucro fechado e não o bem-estar e desenvolvimento humano pleno. Se querem discordar de mim, o façam a vontade, mas tentem imaginar o nosso mundo com a matemática sendo propriedade intelectual onde todos deveriam pagar ao inventor dela pelo seu uso.

    Não quero desmerecer nenhum desenvolvedor, se ele conseguiu criar e fabricar algo útil que ninguém mais o fez, mérito dele, mas se eu possuo equipamento e conhecimento para replicar esta coisa, mérito meu.

    • Victor_maravs

      Uma coisa é fato: estudar e aprender consome muito tempo e energia. É difícil deixar o cérebro musculoso com as aulas do mestrado, e ninguém quer o resultado do seu conteúdo intelectual e criativo roubado ou copiado, principalmente quando ele é monetizado. Agora a ganância, o controle e o poder do conhecimento… esses são perigosos
      O compartilhamento do conhecimento é benéfico para a humanidade, mas nem tanto para o dinheiro

      • Eduardo Mrack

        Uma pena existir algo como o dinheiro não é mesmo ?

        • Narciso

          Se não houvesse dinheiro haveria outras formas de trocas. Pagavam-se os soldados romanos antes do Império com sal. Se não houvesse notas ou moedas seria assim que as coisas seriam vendidas.

    • KzR

      Haveria-se de buscar um equilíbrio, como prega o texto, também nesta questão de patentes.
      Pelo que vi em uma apresentação, pode-se quebrar uma patente caso quem patentou a ideia/dispositivo não tenha feito a publicação do mesmo.
      Não tenho certeza se a questão do mérito de replicar cabe-lhe os mesmo direitos de quem propôs e implementou. Todavia, ao menos deveria facilitar e baratear os custos associados a licenças.

    • Reagan

      E você, comuna, trabalha pelo bem estar e desenvolvimento da humanidade? Aposto que não abre mão do seu salário e que se deixar de recebê-lo será o primeiro a fazer greve e criticar seu empregador. Isso se você trabalhar.
      Essas “coisas de mundo antigo” é o que às pessoas e organizações o retorno pelo seu esforço e dinheiro despendido, É um conceito que vocês de esquerda não conseguem entender, pois não sabem o que é isso.

      • Eduardo Mrack

        O que é isso ??!! Tenho aversão pelo comunismo e esquerda bem como qualquer coisa relacionada ! Eu nem tenho um posicionamento político, aliás, penso que a política de hoje também é arcaica e ultrapassada. Você pôs a carroça na frente dos bois, acalme-se… Ademais, também não gosto da relação patrão/empregado tradicional, nem mesmo gosto de ter um salário pré-estabelecido, penso que o modo como os patrões definem o salário de um empregado é geralmente equivocado. Ainda, não sou subordinado a ninguém, trabalho como autônomo e freelancer. A princípio eu trabalho pelo meu bem-estar e pelo meu desenvolvimento, sem violar os direitos de ninguém e estou sempre disposto a passar o meu conhecimento aos que sabem menos do que eu, bem como espero conseguir mais conhecimento com os que sabem mais do que eu. Um abraço.

  • Fernando

    Pelo menos do modelo do meu, que foi o primeiro oficialmente em larga escala da marca após abertura das importações, ela respeita os carros que vendeu e ainda dá suporte. Tem quem ainda leve os carros para revisões na concessionária para ter uma idéia, creio que de poucas fabricantes alguém com um carro dos anos 90 ainda tem essa possibilidade, isso se não zombarem da idade do carro.

    Não sei como fica com uma E30 por exemplo ou outro que não tenha sido vendido por aqui, mas pelo menos de uma 850i eu soube de uma pessoa que comprou uma que estava sucateada mas com documentos em dia e foi lá fazer um orçamento, quer dizer que peças não são problema.

    É isso que me intriga em outras marcas, dizer não ter algo em estoque para ainda em produção, se alegarem isso creio ser demonstração de péssima logística, se não for má fé mesmo.

    • KzR

      Sendo aqui é surpreendente que uma fabricante (caminhando para ser ex-importadora) possa fornecer esse tipo de serviço para modelos das E36 em diante – lá fora, a BMW garante suporte a qualquer veículo seu. Ainda que as peças sejam geralmente mais caras que importadas diretamente, é bom contar com o apoio de concessionárias e distribuidoras de qualquer forma, ainda mais no tocante a peças.

      Se aqui o custo fosse menor, seria uma boa visitar as concessionárias de vez em quando. Pelo menos fico contente sobre a escolha da marca do modelo que pretendo comprar em breve (BMW E36).

    • KzR

      PS: Notável o caso do 850i e de quem leve carros dos anos 90 para revisão em concessionária. Vejo recomendações, ao menos, de se procurar a mesma quando se for fazer uma avaliação de seu usado (recém-comprado), sobre serviços a fazer, sobre lista de peças, estado de conservação e grau de originalidade.

  • KzR

    André, parabéns pelo maravilhoso texto. De vital importância para se entender essa complicada questão e de como a sociedade se porta diante dela. Trata-se de um importante mecanismo para equilibrar as balanças da luta de classes, ou das forças opostas. Saber lidar com ela será de fato fundamental para evitar abusos ou, pior, conflitos de proporções inimagináveis.

  • TPB Órfão

    Alguém sabe informar quando o TPB volta?