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Jean-Pierre Beltoise – 1937-2015 (Foto jean-pierre-beltoise.com)

Começa 2015 com punições no Dakar e morte de Jean-Pierre Beltoise. O piloto francês sucumbiu a dois AVCs quando passava férias no Senegal. Williams segue contratando e fabricantes de motores descobrem saída para desenvolver motores na F-1.

 

Buscando limites em Mônaco, com o Matra V-12 (Foto jean-pierre-beltoise.com)  Morre Jean-Pierre Beltoise 20150401 J P Beltorise Matra MonacoGP

Buscando limites em Mônaco, com o Matra V-12 (Foto jean-pierre-beltoise.com)

O francês Jean-Pierre Maurice George Beltoise, que iniciou sua carreira como motociclista e passou para o automobilismo na onda criada com o projeto da F-France dos anos 1960, faleceu ontem no Senegal, onde passava férias em sua casa de praia situada em Saly Portudal, ao sul de Dakar. Segundo o jornal L’ Equipe, Beltoise sofreu dois AVCs e não resistiu; ele tinha 77 anos de idade. Detentor de vários títulos no motociclismo francês no início dos anos 1960, J-P Beltoise, como seu nome era comumente grafado, quase abandonou o esporte a motor após um acidente nas 12 Horas de Rheims de 1964. Uma recuperação que durou mais de dez meses o deixou o braço esquerdo com movimentos limitados e os ossos reposicionados em uma forma que permitia a ele movimentar o volante de um automóvel.

 

Ao cockpit do Matra MS-80. Note a diferença dos braços do piloto (Foto jean-pierre-beltoise.com)  Morre Jean-Pierre Beltoise 20150104 Beltoise

Ao cockpit do Matra MS-80. Note a diferença dos braços do piloto (Foto jean-pierre-beltoise.com)



Esse não foi o único acidente marcante em sua carreira: nos 1.000 Km de Buenos de 1971 seu Matra Simca MS660 sofreu uma pane seca e, na esperança de continuar na prova, ele empurrava seu carro rumo aos boxes. O italiano Ignazio Giunti (que pilotava uma Ferrari 312 oficial) não enxergou o francês ao tentar ultrapassar a Ferrari 512 conduzida por Mike Parkes, o choque inevitável causou a explosão do tanque de combustível do carro do italiano, que ficou preso nas ferragens, envolto pelas chamas. Um longo e desgastante processo causou a suspensão da carteira de piloto do francês por meia temporada.

 

GP de Mônaco de 1972: vitória em 86 largadas (Foto jean-pierre-beltoise.com)  Morre Jean-Pierre Beltoise 19750500 Jean Pierre Beltoise MonacoGP

GP de Mônaco de 1972: única vitória em 86 largadas (Foto jean-pierre-beltoise.com)

De volta às pistas Beltoise assinou contrato para defender a equipe BRM e venceu o GP de Mônaco de 1972, disputado sob chuva e que teve Emerson Fittipaldi ocupando a pole position. Apôs abandonar o automobilismo internacional ele se dedicou a competir em varias categorias na França, conquistando dois títulos na categoria Turismo (com BMW) e, mais tarde, competindo no Trophée Andros, certame disputado no inverno europeu e em pistas de neve. Na F-1 disputou 86 GPs pelas equipes Matra (tanto pelo time da fábrica quanto pelo de Ken Tyrrell) e BRM e foi piloto de testes da equipe Ligier; seu melhor resultado no Campeonato Mundial foi em 1969 (Matra Ford), quando somou 21 pontos e ficou em quinto lugar. O francês era casado com Jacqueline, irmã de François Cevért, e deixa dois filhos Anthony e Julien.

 

Jean-Pierre e Jacqueline Beltoise (Foto jean-pierre-Beltoise.com)  Morre Jean-Pierre Beltoise 1960 Circa JP e Jacqueline Beltoise

Jean-Pierre e Jacqueline Beltoise (Foto jean-pierre-beltoise.com)

F-1

A Williams anunciou ontem a contratação de Dave Robson, até então engenheiro de Jenson Button na equipe McLaren. Robson será o responsável pelo carro de Felipe Massa e substitui Andrew Murdoch, que assumiu um cargo superior. Outra mudança na equipe do brasileiro é a promoção de Carl Gaden, que passa de chefe de mecânicos para engenheiro sênior de sistemas. Seu lugar será ocupado por Mark Pattison, até então mecânico número um de Felipe Massa.

Paul Hembery, diretor de competições da empresa fornecedora de pneus para a F-1, anunciou que o desenvolvimento dos carros e das unidades de potência durante a temporada de 2014 poderão levar os tempos por volta a cair entre um e dois segundos no campeonato deste ano.

Tal qual ocorre em supermercados e grandes magazines brasileiros, em que mal se celebra uma data e já começam as promoções para uma novo feriado, na F-1 já se fala em contratações para a temporada de…2016. Declarações de Toto Wolff, o bam-bam-bam da Mercedes-Benz na divisão de competição, revelam que os nomes de Fernando Alonso e Valteri Bottas são os favoritos para ocupar o lugar de Lewis Hamilton caso o inglês não entre em acordo para renovar o contrato com a equipe alemã, acordo que termina no final de 2015.

 Dakar 

Principal competição fora de estrada do mundo, o Rally Dakar 2015 completa hoje a terceira etapa da edição 2015, percurso que inicia em San Juan e termina em Chilecito, ainda no território argentino. Até o final da prova, dia 17, em Buenos Aires, a prova passará pelo Chile e Bolívia.

A primeira etapa, disputada domingo entre Buenos Aires e Villa Carlos Paz, foi vencida pelo catariano Nasser Al-Attiya, mas uma penalização de 2 minutos colocou o Orlando Terranova em primeiro lugar. O catariano venceu ontem e assumiu a liderança entre os automóveis. Os dois defendem a equipe Mini. Guiga Spinelli e Youssef Haddad (Mitsubishi ASX) Maykel Justo (navegador do Nissan do português Ricardo Leal dos Santos) e Jean Azevedo (com uma Honda) são os representantes brasileiros na competição. Após duas etapas a classificação extra-oficial entre os automóveis é a seguinte: 1) Al-Attiya/Baumel, Mini, 5h4’50”; 2) De Villiers/von Zitzewitz, Toyota 5h13’20”; 3) Ten Brinke/Colsoul, Toyota, 5h14’54”; 4) Holowczyc/Panseri, Mini, 5h16’2”; 5) Vasilyev/Zhiltsov, Mini, 5h20’59 – 16) Spinelli/Haddad, Mitsubishi, 5h39’6”.

Entre as motos, Jean Azevedo ocupa a 28ª posição (8h03’24”) e a liderança é do espanhol Barreda Bord (7h06’44”).

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 300 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

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  • marcus lahoz

    Wagner

    Qual a brecha do regulamento que eles estão usando para mexer no motor?

  • Fabio Vicente

    Que Beltoise descanse em paz. Foi um piloto respeitável.
    Wagner um fato curioso é que Susie Wolf, esposa de Toto, irá testar a Williams. Sinceramente, não tem como ela não “comentar” com o marido as informações que obtiver por lá.

  • Wagner Gonzalez

    O regulamento lançado no ano passado permite a alteração de alguns itens, todos classificados por pontos. As mudanças não podem ultrapassar um determinado total. No ano passado publiquei os detalhes em uma coluna. Vou pesquisar a data e lhe informo. O que parece é que essa classificação deixou margem a interpretações espertinhas…

  • José Henrique V. Guimarães

    No ano de 2014, após a homologação das unidades de potência o desenvolvimento esteve congelado. Durante o período entre temporadas (2014 – 2015), podem ser alterados até 48% dos componentes. Só que no regulamento não há a especificação de data para até quando pode-se fazer estas alterações. Quem escreveu e quem revisou o regulamento deram bobeira de não citar especificamente até que dia estas alterações deveriam ser apresentadas e daí para frente haveria o congelamento do desenvolvimento novamente (acharam que estava implícito a coincidência de data com a homologação dos novos fornecedores). E é uma das coisas que vai dar pano para manga com a Honda. Para novos fornecedores, existe sim uma data específica (28 de fevereiro) para se homologar as unidades e dai pra frente passa a valer sim o congelamento do desenvolvimento. Só que todas as outras estarão se aproveitando da brecha e desenvolvendo estes 48% das peças. E diz Charlie Whiting que é um tratamento igualitário, pois as fornecedoras já estabelecidas tiveram um ano de motores congelados, assim como terão os novos fornecedores (Honda).

  • Lucas dos Santos

    Wagner,

    Uma coisa não ficou clara para mim: se o Dave Robson, que até então era engenheiro do Button, foi para a Williams, quem será o novo engenheiro do inglês da McLaren?