SnowRoad-785560  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE SnowRoad 785560

O mais estranho desta história talvez seja escrever aqui em São Paulo, com 35 °C na cabeça, sobre uma situação que aconteceu a 55 °C atrás. Dias atrás, estava no Michigan, norte dos EUA e fronteira com o Canadá, com temperatura de freezer, com os termômetros marcando –20 °C. Sei lá a razão, mas toda vez que chego lá é o dia mais frio do inverno deles. Anos atrás, cheguei a pegar –40 °C em Ohio, recorde negativo de temperatura nas últimas décadas, como contei no meu livro “Sorvete de Graxa”.

Desta vez também fui para o Salão de Detroit, só que cheguei lá cinco dias antes, para umas pequenas férias na casa de meu primo que mora em Ann Arbor, também Michigan, a cerca de 100 quilômetros de Detroit.

Saí de São Paulo com mais de 30 °C e a gente já vai se adaptando. Nas mais de 10 horas de vôo, o ar-condicionado do avião promove uma pequena aclimatação, mantendo os 20 °C. Embarquei de camiseta e, dentro do avião, já sai uma camisa e uma blusa da bagagem de mão, que é quase esvaziada no desembarque em Detroit. Mais uma blusa, blusão forrado, luvas, aquele gorro de lã que te deixa com cara de “mano véio”…

Uma coisa é pensar em – 20 °C, outra é sentir esta temperatura tão negativa. Quando se faz a mala, a memória térmica de um brasileiro em pleno verão só chega aos 0 °C e já acha frio pacas.

Lá estou eu, do lado de fora do Aeroporto de Detroit, ainda na área coberta, e vendo a neve cair no amanhecer. E o trouxa que vos escreve já está tremendo. Levei pouca roupa, coisa light para o frio polar. Entrar no ônibus aquecido da locadora foi um pedaço do paraíso.

Demorei a pedir um carro emprestado de alguma fabricante e o jeito foi alugar alguma “coisa andante”. O golpe de sempre: você reserva um “carro econômico” (que só existe na Flórida, porque está cheia de brasileiro pão-duro como eu) e, como ele não existe no estoque da locadora no gelado Michigan, ganha-se um upgrade para um “compacto”.

Hora da verdade: a tia que me atende me olha nos olhos e pergunta:

— Com toda esta neve, você não prefere um carro mais pesado, 4×4, para rodar mais tranqüilo nessa neve toda?

Não é só marketing. Na neve, são dois mundos diferentes: um carro leve com tração dianteira é sempre um dançarino desajeitado perto de um utilitário, esporte ou não, pesadão e com tração nas quatro rodas. O peso maior ajuda aos pneus acharem o asfalto e a tração 4×4 te garantem dirigibilidade e tração muito superiores. Basta rodar alguns quilômetros na neve para concordar com os americanos que moram em locais com inverno rigoroso: um picapão ou suve se torna fator de segurança, principalmente quando o motorista não tem lá muita vocação para piloto de rali.

Fico mesmo com o “compacto”, depois de tranqüilizar a tia atendente, garantindo que tenho experiência com a neve, mesmo tendo nascido em terras bem mais tropicais. Escolho um Nissan Versa, um sedãzinho que me pareceu mais simpático no pátio da locadora, já com a carroceria que vai ser nova no Brasil, se tornando New Versa. Motorzinho 1,6 com duplo comando, ambos variáveis, produzindo 109 cv a 6.000 rpm. Claro que o câmbio é automático, de quatro marchas. E só 1.098 kg de peso para amassar neve.

 

detroit 2015 003  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE detroit 2015 003

O Versa, assim que cheguei do aeroporto, bem limpo antes da próxima nevasca

Um carrinho que começa nos US$ 12 mil nos EUA. O modelo da locadora me parece o básico, sem ser alguma “série especial” mais pelada que o habitual, o que geralmente acontece com as frotas de locadoras americanas.

No banco do Versa, um panfleto dizendo It’s Freezing (está congelando) já prepara o freguês psicologicamente para a temporada de neve e gelo que se está prestes a enfrentar. O texto explica que o carro foi lavado, higienizado etc, mas por fora não dá para ficar essa bola toda. Confirmação visual: tem uns 15 cm de neve sobre o Nissanzinho.

Ou seja, rodar na neve não é assim tão simples. Nada de chegar e colocar as nádegas flácidas no banco e sair. Hora de trabalhar, como vai acontecer todas as manhãs.

Como já conheço o roteiro, o primeiro passo é ligar o carro, deixar o aquecimento no máximo, direcionado para o pára-brisa, além de também acionar o desembaçador traseiro. Isto facilita tirar o gelo que já se formou nos vidros. embaixo da neve.

No assoalho traseiro está a vassourinha mágica: um pincelão-vassoura de um lado e uma pequena pá plástica do outro. Primeira dúvida: tira ou não tira as luvas de lã? Resolvi começar o serviço de luvas, varrendo bem os vidros e capô dianteiro. Se fica muita neve no capô, em movimento vai tudo para o pára-brisa. Teto e tampa traseira merecem um serviço meio porco, já que a neve vai sair depois dos 60 km/h.

Claro, embaixo da neve do pára-brisa existe gelo grudado no vidro. E a luva já molhou, a água começa a congelar e os dedos já ficam meio duros. Jogo a luva no painel, bem na saída de ar quente. Que ainda não está tão quente assim, pois o motor mal começou a aquecer.

Raspo o gelo do pára-brisa, pois ele forma calombos que chegam a travar os limpadores, ou até mesmo arrancar a palheta de sua haste. Entro no carro, que continua bem gelado e ponteiro de temperatura do motor nem mexeu, mesmo depois de uns 10 minutos funcionando.

Pego no volante. Não dá. O frio tão intenso queima as mãos da mesma forma que o volante de um carro deixado no sol em temperaturas acima de 30 °C. Com as pontas dos dedos nos raios do volante, saio em marcha-lenta. Surge o som de pneus cortando a neve, que é único: chóóóóóóóó´.

Lembra, ainda que vagamente, outro extremo: pneus cortando areia fina e muito quente, bem fofa, na beira mar.

Aquele som de pneus cortando neve ultrapassa os ouvidos e vai para sua alma brasileira: você está fora do seu país, vivendo mais uma vez uma situação quase impossível de não acontecer por aqui. Difícil não se sentir um privilegiado, um caipira tropical vivendo um rigoroso inverno cheio de paisagens brancas. Um saco para quem mora lá e tem de limpar o carro, a calçada, gastar uma nota para manter a casa aquecida… Mas um paraíso para um forasteiro de uma terra onde sol até exagera sua presença. Pelo menos para ficar alguns poucos dias.

Minha filosofia barata é interrompida pela cabine de saída da locadora: hora de mostrar o contrato de locação. Os vidros não abrem. A água nas canaletas congelou, travando os vidros. Tenho de abrir a porta para mostrar papéis. Hora de programar o meu GPS. Ele demorou mais de 5 minutos para achar satélites a mais 8.000 km de casa. E mesmo assim, começou a funcionar meio bobo, com falhas na navegação. A vida realmente voltou dentro do Versa uns 15 minutos depois, quando o motor finalmente atingiu os 80 °C, sua temperatura de funcionamento, e a cabine se aqueceu. O GPS finalmente achou a rota depois que seu circuito descongelou.

 

studded-tire  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE studded tire

No inverno é preciso colocar pneus especiais, inclusive com cravos metálicos

No painel do Nissanzinho, uma luz de alerta mostrava problemas com a pressão dos pneus. No meio da rodovia I-94, dou umas desviadas rápidas para sentir os pneus. Nenhuma “barrigada” de pneu dobrando no aro denuncia algo muito anormal. Vale uma ressalva: como a maioria dos carros atuais, o Versa tem direção com assistência elétrica, que é eficiente, leve etc. Mas, ela isola muito o volante das rodas, anestesia a sensação de saber exatamente onde os pneus estão pisando. Tiro um pouco o pé do acelerador, meio preocupado. Mas, são só uns 40 km e não estou com a menor vontade de parar num posto e sair do “quentinho”. Além disso, o carro está com pneus para neve, que tem um desenho meio estranho, com sulcos maiores e pontas metálicas para melhorar a tração na neve. Aliás, todo mundo deve ter dois jogos de rodas e pneus: um para verão e outro para o inverno. Se houver acidente e os pneus forem “normais” o seguro não paga.

Alguns quilômetros depois, a luz se apaga. Explicação: com a queda de temperatura, cai também a pressão dos pneus. Depois dos pneus aquecerem rodando, a pressão sobe um pouco e está tudo bem.

 

Snowplow2  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE Snowplow2

As estradas são limpas diariamente e se joga sal para derreter a neve e o gelo

A rodovia está bem limpa, com pouca neve no meio dos “trilhos”, as marcas deixadas pelos veículos passando e tudo está tranqüilo, mesmo para um motorista mal dormido e se readaptando a um inverno polar. Estradas e avenidas principais são sempre limpas por caminhões limpa-neve, que também espalham sal para derreter neve e gelo. E exatamente devido a este sal nas rodovias se vê tantos carros podres no Michigan. Veículos relativamente novos que já perderam grandes pedaços da carroceria, principalmente perto das rodas, onde o sal se acumula.

Apesar da estrada limpa, o perigo mora ao lado. O acostamento está cheio de neve e, se tiver que sair da pista, a manobra é complicada. Melhor praticamente parar na pista e sair bem devagar. Se você apenas diminuir a velocidade e entrar no acostamento seu destino é ir para lá no meio do pasto, se tiver sorte e não pegar um barranco. Da mesma forma, ruas e caminhos secundários estão cheios de neve (com gelo amassado embaixo) e se deve rodar devagar, tendo como diversão extra algumas derrapagens e dançadinhas.

Não é sem razão que finlandês e a turma que mora perto do Pólo Norte é sempre campeão de rali. Você nasce derrapando e começa a treinar com o primeiro triciclo que ganhou no aniversário de três aninhos.

Um brasileiro, que só treina este tipo de pilotagem na lama, tem uma “escolaridade” bem mais baixa na neve. E pelo jeito, não é culpa do PT.

Paisagens cobertas de neve são meio hipnotizantes para um brazuca recém-chegado ao freezer e num trecho da estrada lá estava o tio olhando campos nevados e “comendo mosca” ao volante, ainda que moscas e mosquitos desapareçam nesta temperatura. “Deu fezes” lá na frente — um cara se perdeu e foi parar no pasto — e todo mundo meteu a botina no freio. Reagi meio tarde, próximo do carro da frente, e entrou o ABS evitando o travamento de rodas. Não gosto de usar o ABS, mas não havia distância segura do carro à frente para refazer a frenagem e controlar o travamento “no pé”. Parei com o ABS, sem bater e serviu para alertar o óbvio: mesmo com pista “limpa” é muito comum alguém perder o rumo e sair rodando. Ou seja, respeitar regras básicas de segurança é ainda mais fundamental na neve: observar bem a pista e com antecedência, manter boa distância do carro da frente, estar sempre preparado para reagir rapidamente, e por aí vai. 

 

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As pontes congelam mais facilmente. Veja a diferença com a estrada

 

detroit 2015 058  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE detroit 2015 058

No estacionamento de Detroit, descubra quais carros já rodaram hoje

E não se esquecer que neve é moleza, o pós-graduação mesmo se trata de gelo na pista. A neve derrete, vira água por pouco tempo e congela. E aí o bicho pega. Placas na estrada alertam que as pontes congelam antes da estrada. A razão é simples: estradas esfriam (ou perdem calor) apenas na sua superfície superior. Já as pontes esfriam muito rapidamente, pois seu contato com o ar gelado é muito maior: por cima, por baixo, pelas laterais…

E no gelo, a aderência é zero, nenhuma. Já vi uma picape parar numa ponte congelada, ir escorregando até encostar no guard-rail e aí o motorista desceu. Desceu até sentar no chão numa cena de pastelão, simplesmente por não conseguir parar em pé no gelo.

Mas, eu estava atrás do cara, que simplesmente liberou a pista congelada escorregando para a lateral da ponte. Era minha vez. Fiquei quieto, deixei a pista liberar bem lá frente, depois da ponte, e aí acelerei. Pense em aquaplanagem. O carro vai ficar sem contato com a pista por uma boa distância e você não poderá fazer nada. Aí o jeito é acelerar, mirando onde você quer sair, e quando se está sobre o gelo não se faz nada. Mantém pouca aceleração, não freia, não vira o volante e espera. Só vai reagir depois do trecho congelado, quando as rodas encontrarem a pista novamente.

 

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A placa tem razão: a ponte congela (muito) antes da estrada

E aí vale o que diz sobre observar a pista lá na frente. Com o tempo, a gente começa a reconhecer um trecho congelado, pelo brilho estranho no asfalto ou cimento. Aí aponta o carro para onde quer sair, prende a respiração e deixa deslizar. Nas curvas é mais complicado, mas não deixa de ser divertido. Principalmente quando tudo dá certo.

Rodei mais de 500 km com o Versa e  foi tudo bem. A maior bobeada minha ocorreu com outro carro, um Ford Flex, uma wagon grandalhona que parece um MINI Countryman bombado, com 5,13 m de comprimento e 2.086 kg de peso. Emprestada pelo meu primo, desci de Ann Arbor para Toledo, no estado vizinho de Ohio, em companhia do Pancho, um mexicano que mora nos EUA, mas tem a justa fama de ser incompreensível: parece que ele não aprendeu inglês e esqueceu o espanhol.

 

Flex-front-quarter  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE Flex front quarter

Com um Ford Flex, pesadão e 4X4, a vida na neve fica mais tranquila

Com a Ford Flex pesadona e 4×4, descemos bem os 100 quilômetros num dia muito louco. Pela estrada alternavam trechos de sol muito claro e ardido com tempestades de neve cheias de vento. O vento, além de fazer a neve dançar em todas as direções pela estrada, ainda levanta o que está no acostamento. Parece que você está num liquidificador cheio de farofa. Mesmo assim, fomos bem, conversando bastante com o Pancho. Não sei bem o assunto, pois eu entendia cerca de 5% do que ele falava.

Na volta, a cerca de 20 quilômetros de Ann Arbor, na pista contrária um caminhão deu um “L” embaixo de uma ponte. Comentei que “ainda bem que foi do outro lado. Quando era importante, Pancho se fazia entender:

— Ferrou. Quando bate de um lado, bate do outro também.

E a profecia se cumpriu. Uns cinco quilômetros à frente nossa pista também parou. Pancho pergunta, “como estamos de combustível?”.

— Mal — respondo — um pouco menos de ¼ (e com um V-6 3,5 não muito econômico e o carro cheio de carga).

Bobeei feio. Não se anda com menos de meio tanque com um clima destes. O recomendável é sempre manter acima de ¾. Se a gasolina acaba, o motor pára e você fica sem aquecimento no carro, numa estrada gelada e cheia de vento. Segundo a meteorologia, a sensação térmica, com os –20 °C e o vento,  chegava aos –35 °C.

— Pancho, vamos cair fora daqui. Não tem umas estradinhas laterais que vão paralelas à rodovia?
— Sim, mas a saída é a uns 500 metros lá na frente.

Santo 4×4. Puxei a peruona para o acostamento e fui amassando neve até cair fora da estrada principal. Chegamos em Ann Arbor em 20 minutos, derrapando em estradinhas laterais bem cheias de neve, graças ao Pancho que indicava o caminho e me olhava com cara de “brasileño de mierda”.

Fomos direto para o posto abastecer.

 

detroit 2015 008  ENTRANDO NUM FRIA. OU DIRIGINDO NA NEVE detroit 2015 008

Nota do redator já descongelado: Fiz belas fotos de várias situações, mas o cartão de memória de uma das minhas máquinas simplesmente “deu pau” no meio do frio, apagando todas as fotos. Depois de deixar a máquina aquecer, o cartão voltou à vida, mas as fotos sumiram. Sobraram só algumas poucas que fiz com a outra máquina. Lamento mais que vocês.

JS

Fotos: autor

   

 

 

Sobre o Autor

Josias Silveira

Um dos mais respeitados jornalistas automobilísticos brasileiros, Engenheiro mecânico e jornalista, foi editor da revista Duas Rodas e publisher da revista Oficina Mecânica. Atualmente é um dos editores da revista TOP Carros além de colaborador da Folha de S. Paulo e de diversos outros meios. Também é autor do livro "Sorvete da Graxa".

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  • Fórmula Finesse

    Brilhante e divertido relato JS; e permeado de dicas que serão bem úteis!
    abraço
    FF

  • Ruarc

    Eu iria perguntar justamente das fotos. Um texto longo desse cheio de detalhe e eu louco para ver as imagens. Uma pena.

    • Pois é Ruarc, ainda não sei se foi a exposição ao frio ou se o memory card era China de segunda linha. As fotos de Detroit, do Versa na frente da casa e do quintal são minhas, feitas com a outra máquina, que era nova na minha mão e eu não quis arriscar. Fazer o quê?

  • Roberto Mazza

    Excelente relato, como de hábito. Algumas dúvidas que tenho são a respeito do uso de correntes, pelo que leio é prática comum em locais com gelo e neve na Argentina/Chile (eles chamam de cadenas). Essas correntes são um improviso sulamericano? Na América não se usa isso certo? Ou alguns usam? Será que podem danificar um pouco as rodas? Enfim, pelo que li elas são efetivas e necessárias em certas circunstâncias.

    • Roberto
      Em regiões mais urbanas nos EUA é muito difícil ver o uso de correntes. O que é praticamente obrigatório são os pneus especiais para inverno. Já na Argentina e América do Sul é bem mais comum. Hoje existem correntes mais leves e que se ajustam melhor aos pneus, mas não acho que faça muito bem para rodas e suspensão. Trepida demais.

      • Ilbirs

        Na Europa também se usa bastante, como se pode ver neste vídeo italiano:

        Neste vídeo de uma firma também italiana que oferece uma alternativa à corrente clássica:

        Também neste link português e neste inglês.

      • Lucas

        Correntes não é coisa para se usar no asfalto. Meu pai conta que antigamente usavam por aqui (PR) para dirigir na lama. Quando eu era criança cheguei a ver um ônibus escolar parado no fim do asfalto e o motorista colocando correntes.

        • Lucas
          Quando se tem muito gelo sobre o asfalto já vi muita gente usando correntes, principalmente na Argentina e alguns países europeus, como mostra o vídeo do IIbirs aqui postado. No Brasil é que só se usa na lama. Mas, o pneu especial para neve melhora e muito a tração.

    • lightness RS

      É, exatamente, correntes seriam o improviso nosso mesmo, já que lá eles dispõem dos pneus de inverno raramente usados aqui… Mas nao se engane, lá também se usa corrente, principalmente os veículos pesados ou que dirijam sobre neve intensa, já que no gelo corrente não serve para nada

  • pkorn

    Nessa estrada aparentemente molhada há uma perigosa camada de gelo que vai causando acidentes em série: https://www.youtube.com/watch?v=zFE5AGryL7A

    • É exatamente isso aí, Pkorn.
      Você está tranquilo e de repente um monte de gente começa a dançar na sua frente. Brigado pelo vídeo

    • André Andrews

      Infelizmente o pessoal do jornalismo adotou o “pista escorregadia” deles
      para quando a nossa está apenas molhada. Um dia pela manhã a Monalisa Perroni comentou que veio para a redação bemmmm devagarriiiiiiiiinho,
      pois as pistas estavam escorregadias….

  • Diogo

    Gosto muito desses relatos sobre experiências no exterior, que nunca passaremos aqui. Embora o inverno no Canadá e norte dos EUA seja quase sempre rigoroso, em 2013/2014 e 2014/2015 o frio tem estado muito pior que o normal. Viver sob a neve é um transtorno imenso, imaginemo-nos acordando de manhã para ir trabalhar, e todo dia durante o inverno tendo que desenterrar o carro da neve – ou mesmo tendo que cavar um túnel para atravessar da porta de casa até a garagem. É desgastante. Para quem gosta do assunto, vale a pena procurar imagens sobre as grandes nevascas ocorridas em Buffalo/NY (“Buffalo blizzard of 77” ou “Buffalo blizzard 2014”). É impressionante ver as casas e carros literalmente enterrados na neve.

  • Eurico Junior

    Josias, visitou o “junkyard” do Silas dessa vez? Eu estive no Chile recentemente e trouxe uns mimos para o meu Subaru Impreza: pastilhas de freio (de marcas “paralelas” reputadas, excelente qualidade) por R$ 60 o jogo e filtro de óleo (genuíno, japonês) por R$ 25 cada. Impossível não lembrar de você… abração!

  • Thiago Teixeira

    Josias, bom texto!
    Dúvidas:
    1 – Quanto dura um carro que anda no sal?
    2 – Quanto tempo um carro dura sem ralados/amassados/etc?
    3 – Essa de deixar o carro ir no gelo é arriscado. E se vem outro no sentido oposto, de frente?
    4 – Pneus bem finos são o ideal, não? Nos WRC, vejo essa configuração.
    5 – Além dos pneus, muda mais o que um carro de frio para um normal?
    6 – Seguro lá deve ser um absurdo!
    Esse Ford Flex me lembra carro de gangster moderno. Mas é muito bacana. Seria muito interessante no lugar do Edge. Embora me falte tempo$$ pra ter um, gostaria de vê-lo por ai.
    Abçs

  • Felipe Parnes

    Texto com experiências muito divertidas.
    Acabei de ler (devorar) o “Sorvete de Graxa” esse fim de semana e o recomendo veementemente.

  • César

    Josias e seus “causos”!

    Mais um excelente texto, bem escrito, que nos faz sentir dentro da história!

  • Brigado FF. Espero que seja útil algum dia…

  • Thiago. O que você me pede é mais um ou dois posts. Vou tentar ajudar:
    1) Depende do cuidado. Depois do inverno, o carro deve ser muito bem lavado com água quente etc. Mas, o sal continua na rua e mesmo uma chuva já o joga de volta para o carro.
    2) Idem resposta acima. Dependendo do dono e cuidados.
    3) Pode ser arriscado, mas outra opção é parar no acostamento e esperar alguém vir e bater no seu carro.
    4) Pneus finos ajudam a cortar a neve. No gelo, não muda muito.
    5) Muda tudo, desde o enorme tempo para aquecer o motor até a carga da bateria, que é muito prejudicada pelo frio.
    6) Seguro, como quase tudo, é mais barato que no Brasil. Numa locadora, se paga o mesmo valor na Flórida ou no Michigan.

  • Eurico.
    Não deu tempo de passar no Silas. Para o Subaru só trouxe um kit de embreagem (platô, disco e rolamento), que custou “absurdos” US$ 90.

    • Mingo

      Putz! Mais barato que o último kit da LuK que eu comprei para um motor CHT…
      É de dar raiva esse Brasil, Josias. Ainda bem que aqui pelo menos não faz esse frio lascado (ainda).

    • Eurico Junior

      Pois é, Josias… após comprar o carro, pesquisei sites de concessionárias Subaru na Gringolândia e também fiquei abismado com os preços “absurdos”. Mesmo com frete e eventual tributação de 60%, compensa demais. E TUDO à pronta-entrega! Taí uma foto da “muamba”… hahaha!

  • Mineirim

    Josias,
    Que experiência!
    Sua escrita narra mais do que mil fotos.
    Privilégio de ler!
    Abraço

  • G. Vilchez

    Josias, você já é praticamente um Timo Mäkinen de tanta experiência que já teve dirigindo na neve. Sempre me lembro daquela história contada na Oficina Mecânica com os Volvo na Finlândia. Antológica!

    • Vilchez.
      Aquela viagem à Finlândia foi muito marcante e util na minha vida. Eu já tinha dirigido na neve antes, mas os pilotos finlandeses me ensinaram muito. Nada como aprender com especialistas. De quebra, fiz uma excursão noturna com snowmobile, aquela motos para neve, pelo meio da floresta. Foi maravilhoso e altamente didático.

  • Marcos Alvarenga

    Guia indispensável pra quem vai dirigir em terras geladas. É a tradução do Josias do Nevês para o Português foi perfeita, e ficou bem acessível pra quem nunca concebeu guiar dentro do congelador.

  • RoadV8Runner

    Josias,
    Só mesmo você para transformar em diversão algo que me assusta só de ler! Texto divertidíssimo e muito gostoso de se ler, como sempre.

  • Lucas

    Os europeus não enfrentam condições semelhantes no inverno? No entanto, sempre li e ouvi dizer que os europeus preferem carros menores e que muitas vezes são só 4×2, apesar de mesmo muitos carros pequenos por lá também terem opção de 4×4. Por que será que lá eles não tem essa preferência tão maior pelos grandalhões, como nos EUA??

  • Matheus Ulisses P.

    Excelente texto!

  • Rogério Ferreira

    Caramba, acho que numa situação dessas muito provavelmente iria aprontar alguma besteira… Qualquer temperatura abaixo de 0 para mim é inconcebível, é há detalhes que só vive a experiência pode explicar, como foi muito bem explicado nesse brilhante texto, de descrições impecáveis. De onde que poderia imaginar, que água congelada poderia travar os vidros? É muito óbvio, mas se nunca se viveu no gelo, não se atenta a esse fato… E limpadores serem danificados por crostas congeladas. Um brazuca nunca imaginaria isso. Questão de coragem, é praticar patinação com o carro, ainda mais, sobre as pontes… Como não se meter numa enrascada, já que o controle é praticamente inexistente? É questão de sorte, coragem, ou quem sabe, loucura… Tirei o chapéu, parabéns, Sr.Josias. Texto excelente com boas doses de humor – muito hilário o mexicano com linguagem indefinida!. Dirigir no gelo, exige habilidades de super-motoristas, e uma dose de loucura! Agora te proponho um desafio… Já que tem experiência, que tal uma viagem por uma estrada congelada da Rússia? Brincandeira! Não faça isso! seria tentativa de suicídio!

    • Rogério
      Como vc deve ter percebido, eu adoro dirigir na neve, exatamente por ser uma situação completamente fora do nosso cotidiano brasileiro. Graças a Deus, tive várias oportunidades de fazer isso, inclusive um curso em lagos congelados da Finlândia, como lembrou o G Vilchez, em outro comentário. O gelo exige prática e costume. Praticar num lago congelado ajuda e muito. Acho isso uma aquaplanagem planejada. Você ter de saber onde vai perder a aderência e onde vai recuperar. E aí é só diversão. Obrigado pelos elogios. Abs

  • Raphael Duarte

    Pode até parecer uma loucura, mas eu gostaria muito de poder ficar um breve momento em um lugar com um frio intenso como esse. O calor que faz aqui no RJ de 40º C com sensação térmica de 50º C, está infernal. Um lugar bem frio, bem agasalhado e com um chocolate quente, é muito aconchegante.

  • Lucas
    Acho que é uma questão de costume. Quem mora em regiões muito frias enfrenta isso todo ano e aprende a se virar com o que tem nas mãos. Mas, um 4×4 facilita a vida pois se tem muito maior controle ao volante. E hoje a eletrônica (com ABS, controle de tração e estabilidade) também facilita bastante.

  • Rafael Sumiya Tavares

    Se o Versa com câmbio epicíclico tava levinho imagine eu no meu pequeno March com câmbio manual! Ao menos é vermelho pra me verem encalhado na neve se eu tivesse num lugar desses…

  • Rafael

    Olá Josias,

    Interessante o seu artigo… mas gostaria de comentar algumas coisas apos estar morando 9 anos nas terras geladas mais ao norte 🙂

    – Deixar neve sobre o carro pode levar a multa. Tem que remover toda a neve, inclusive to teto
    – 4×4 ajuda, mas um pneu de inverno ajuda muito mais
    – Nunca ligue o ar quente antes de tirar a neve do para brisa… se fizer isso a neve vai congelar e fazer os calombos que ele falou
    – Cravos não são usados e são proibidos em Ontario e um monte de províncias (pois destroem o asfalto)
    – Seguro paga sim com pneus normais, porém nos próximos anos o seu seguro vai subir… e muito com um acidente! Em Quebec pneus de inverno são mandatórios de Novembro a Março. Em Michigan, não são obrigatórios.
    – Tem que usar a transmissão para reduzir velocidade, melhor que o ABS. Vale para carro manual e automático.
    – É bom ter kit de emergência sim… Recentemente com a nevasca em Buffalo, um casal de canadenses ficou 24hs embaixo da neve, preso na estrada

    Mas realmente é uma experiência bem diferente dirigir na neve… e mesmo após 9 invernos aqui… ainda gosto!

    Sucesso,
    Rafael