DEZ MELHORES VÍDEOS DE CARRO

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Não sou uma pessoa ligada em tecnologia, e definitivamente não faço parte da tribo que se convencionou chamar de early-adapters, pessoas que usam avidamente toda novidade tecnológica. Mas se existe algo que realmente gosto neste campo, é a televisão via internet. Já a algum tempo abandonei quase que completamente a televisão aberta, e mantenho o serviço a cabo apenas por causa de alguns canais de notícia e filmes, que vejo cada vez menos. Praticamente todo meu tempo em frente a TV hoje é gasto com conteúdo específico, do meu gosto, e que pode ser pausado e adiantado a qualquer momento. Eu adoro TV via internet.

A TV via rede é maravilhosa. Permitiu o aparecimento, em canais como o YouTube, de uma série de programas específicos, sobre carros, que seriam impossíveis de conceber sem ela. Que diferença da minha infância, onde assistia qualquer coisa que estivesse passando em dois canais disponíveis, numa TV em preto e branco. A TV aberta, por ter que agradar a todo tipo de público, era inerentemente chata na maioria do tempo. A internet fez um público antes pequeno, específico, se tornar relevante.

E foi pensando nisso, e num pedido do Paulo Keller para criar uma playlist no YouTube, que nasceu esta lista, dos 10 melhores vídeos que já vi na internet. Nada de gatos fofinhos ou piadas; o assunto aqui é, como diz Jay Leno, “coisas que rodam, fazem barulhos e explodem”. Infelizmente, se você não entende inglês vai ter dificuldade de acompanhar a maioria deles, mas mesmo assim vai gostar.

Os vídeos podem ser vistos no canal do Ae no YouTube, que pode ser acessado no clicando nestes letras de cor diferente aqui. Procure pela playlist “As favoritas do MAO”. Aproveite para se inscrever no nosso canal!

Sem nenhuma ordem particular, são eles:

C’était un rendez-vous

 

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Quem não viu ainda este sensacional e eletrizante filminho de aproximadamente 9 minutos do cineasta Claude Lelouch, deve fazê-lo imediatamente. Mas coloque fones de ouvido e faça-o com calma. É uma pequena obra-prima. Jeremy Clarkson disse que “Faz Bullit parecer desenho animado”.

O enredo é simples: um cara correndo desesperadamente por uma Paris de 1976 ainda acordando, de madrugada, para chegar a tempo num encontro (rendez-vous) com sua amada, marcado na frente da Catedral do Sacré-Coeur, em Montmartre. O carro? Não aparece no filme, mas soa como um Ferrari 275 GTB.

No caminho, sinais vermelhos são avançados a alta velocidade, pombas voam assustadas, calçadas são invadidas, e ruas de mão única vazias são atacadas em sentido contrário. O cara realmente está andando forte e infringindo leis adoidado, mas como o tráfego é pífio, sem muito risco.

 

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O filme sempre causou sensação, mas hoje me parece mais legal ainda, porque mostra um mundo que não existe mais. Andar por uma Paris (ou São Paulo, ou qualquer outra metrópole) de madrugada, usando tudo que se pode em um visceral Ferrari antigo, é algo que hoje provavelmente terminaria em cadeia, ou no mínimo uma revolta da sociedade pelo crime de alta velocidade cometido.

Mas se fazia isso, antigamente. Hoje, cada vez mais reprimidos por um mundo cheio de câmeras e máquinas que permitem nos localizar facilmente em qualquer lugar, somos cada vez menos livres. Sim, porque um mundo onde todo mundo segue todas as regras, sempre, é um mundo de máquinas, não um mundo humano. Somos inerentemente falhos, imprecisos, errados. Sim, precisamos de leis para impedir o caos, e punições para quem não as cumpre; mas nesse caso viver monitorado o tempo todo é abandonar a liberdade pessoal em prol da segurança, um absurdo. Vamos viver para sempre, mas uma vida que não vale a pena viver, se o pensamento atual for extrapolado. Decidir não cumprir uma lei quando tal coisa é possível sem possibilidade de prejudicar o próximo, é o que nos difere de máquinas. E é a própria definição de liberdade.

 

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O que este filme mostra é isso, liberdade. Um cara, um Ferrari, a mulher amada esperando em algum lugar. Uma Paris bela, completamente vazia, sonolenta, maravilhosa, convidativa. Fale a verdade, você a atravessaria a 50 km/h? Pois é.

P.S.: Sim, sei como o filme foi filmado, poupem os comentários. Para mim, é um Ferrari 275 GTB, é a intenção do roteiro, e só isso interessa. Ficar preocupado com a maneira como foi filmado ao invés do resultado só serve para diminuir a mágica do negócio. Sim, a mítica em torno do filme e como ele foi feito mereceria outro post até, mas não é o motivo principal dele estar aqui.

Roadkill – Subaru Challenge

 

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David Freiburger, o arquiteto do sensacional redesenho da revista Hot Rod no começo deste século, juntou-se com seu companheiro de revista Mike Finnegan para criar um programa mensal no canal da Motor Trend, no site YouTube.

O programa é incrivelmente legal, ainda que talvez apenas para os que têm a doença do autoentusiasmo em estágio avançado. A dupla basicamente revive carros que estavam parados há muito tempo e faz uma viagem longa qualquer, ou uma aventura qualquer com ele. Faz coisas mortas reviverem, basicamente.

 

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Os carros “ressuscitados” são basicamente carros americanos antigos, porque afinal de contas o programa é cria da revista Hot Rod. Vão desde velhas picapes enterradas em ferros-velhos há décadas, até os famosos projetos da Hot Rod (leia-se David Freiburger) como o “Crusher Camaro”, que ficaram anos esquecidos, guardados. Os carros criados pelo programa, e suas aventuras, rapidamente se tornam lendários entre a crescente multidão de fãs. “General Mayhem”, “Blasphemi”, “Rotsun”, “Pigpen”, todo carro que é tema de programa ganha um nome, um hábito que, de novo, só os mais doentes exercitam.

O programa é genial, meu favorito hoje. A dupla é engraçada e conhece muito de carro, em suas entranhas e cantos mais escondidos. Eles mesmo fazem tudo nos carros, sem nenhuma equipe fajuta de mecânicos. Tem algo de anti-consumista, e ao mesmo tempo extremamente americano, perdulário, na maneira em que colocam peças novas em velharias. É refrescante porque se vê que dão valor ao que interessa, os carros e as experiências com eles, sem colocá-los em pedestais. Um grande contraste com a idolatria a seus símbolos de status demonstrado por aquelas pessoas que choram com batidinhas nas portas de seus reluzentes possantes.

 

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O meu episódio preferido é este, onde a Subaru desafia alguns dos carros do programa para um combate divertido. A parte onde o General Mayhem (um lixo de Charger 1968 montado com motor V-8 de 440 pol³ retirado de um motorhome) anda numa pista de rali é sensacional… Ambos saem do carro rindo como crianças, e o entusiasmo e alegria é simplesmente incrível.

Este programa é autoentusiasmo em sua forma mais crua e pura. Recomendo ver não só este episódio, mas todos.

Epic Drives – Classic Cobra Strikes Monterey

 

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Arthur St Antoine é um velho conhecido da revista Car and Driver dos anos 90, que aqui neste programa faz viagens interessantes com carros interessantes. Esta, com uma réplica moderna de Shelby Cobra, é a minha preferida. Paisagens maravilhosas com um carro aberto, sem teto, uma aventura que só entusiastas de verdade enfrentariam. Imperdível!

Petrolicious – Load the Land Rover and go

 

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O site Petrolicious produz os vídeos mais originais e diferentes da internet, influenciando muita gente e criando cópias das mais variadas. Os protagonistas são sempre os donos dos carros, que contam sua experiência e sua história, tornando profundamente humana uma história sobre máquinas. Os vídeos com o carro andando sempre são acompanhados de música calma, e a produção é impecável.

Um dos meus preferidos é o emocionante relato de um fotógrafo sobre o seu velho Land Rover, que ainda por cima me parece oportuníssimo rever nesse momento em que a empresa anuncia o fim da produção do velho Landie. Um vídeo carinhoso, gostoso, e que mostra como existem muitas facetas para o autoentusiasmo.

Petrolicious – Morning Ritual

 

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Este vídeo do site Petrolicious me marcou profundamente. Basta dizer que depois dele coloquei um par de luvas no porta-luvas de meu carro, e que de vez em quando acordo cedo apenas para dirigir. A importância de um ritual, de se preparar para fazer algo diferente e especial, com uma certa pompa e circunstância, mesmo se seu carro for um Fusca e não um Ferrari 250 Lusso, não pode ser subestimada. Se  você quer algo especial em sua vida, faça algo se tornar especial.

Jay Leno’s Garage – Bugatti Pur Sang

 

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Jay Leno pode ter se tornado famoso e rico por apresentar o “Tonight show” da rede americana NBC, mas sua verdadeira vocação é exposta neste programa/site que mantém há alguns anos, o Jay Leno’s Garage.

Leno tem a mais fantástica garagem conhecida, a “Big Dog Garage”, localizada num galpão industrial em Burbank, na Califórnia. Além de manter mais de 200 carros clássicos e incontáveis motocicletas em funcionamento, tem um batalhão de empregados em tempo integral, que além de reformar qualquer coisa, são capazes de modificar e até criar qualquer coisa que passe pela cabeça de Leno.

 

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Leno mostra tudo isso, e muito mais, em seu programa de internet. Carros clássicos raríssimos de todos os tipos são dirigidos por ele nas ruas, e explicados em minúcias, num papo leve e descontraído que faz o tempo passar rapidamente.

Este episódio, que selecionei como exemplo, mostra Leno avaliando um dos Bugatti tipo 35 criados pela Pur Sang na Argentina, uma recriação perfeita em todos os detalhes, para todos os efeitos um Bugatti 1927 zero-km.

Porsche  911 Turbo (2001) – A company of dreamers

 

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Propaganda criada pela Porsche por ocasião do lançamento do 911 Turbo de 2001. Sim, uma propaganda, algo que costuma ser ou chata, ou engraçadinha, apenas. Mas não esta.

É uma peça filosófica, profunda, lírica, poética. Que mostra em poucos minutos tudo que há de sensacional no automóvel, o que há de especial no carro esporte, e por que a Porsche é tão admirada e diferente. Uma concisa ode à marca alemã mais cara ao entusiasta. E uma homenagem sincera aos sonhadores de todos os tipos.

Climb Dance – Peugeot 405 T16 em Pikes Peak

 

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A subida de montanha de Pikes Peak, no Colorado, é realizada todo ano desde 1916, e portanto uma das mais antigas entre as que ainda permanecem vivas. Trata-se da mais incrível competição automobilística que existe.

Por que? Bem, são 20 km de subida, e 156 curvas. Nesses parcos 20 km, se sobe quase um quilômetro e meio para cima (1.440 m), e a vasta maioria das curvas são à beira de um penhasco aterrorizante. Quando não há penhasco, há floresta de pinheiros. O pico é tão alto que tem neve quase permanente, e por isso a corrida também é conhecida como “A corrida para as nuvens” (Race to the clouds).

 

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Em 2011 os últimos trechos de terra foram asfaltados, fazendo agora a corrida toda ser em pista pavimentada, mas durante boa parte de sua história, terra era a norma. Realmente, não é algo para os fracos.

E nada melhor para mostrar isso, em minha humilde opinião, que este filme premiado feito pela Peugeot em 1990 para festejar suas vitórias na prova. Assistam, e vão entender.

Toni Bianco, o criador de carros nacionais

 

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Obviamente inspirado no Petrolicious, esse pequeno vídeo/entrevista de Toni Bianco, hoje um velhinho simpático aposentado, mas outrora criador de vários automóveis, é de qualquer forma, emocionante. É também importante, porque resgata um pouco a história deste verdadeiro herói esquecido do automobilismo brasileiro.

The Ferrari 288 GTO – Group B Spec!!

 

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O Ferrari 288 GTO é um carro feito como homologação especial para o grupo B da FIA, que acabou nunca sendo usado em ralis. Como todo Ferrari especial criado em pequena quantidade, já nasceu raro, caríssimo, e com uma certeza de que, tal qual ouro puro, seu valor nunca diminuiria. Na verdade, só aumentou, com carros hoje em dia trocando de mãos por algo acima de 5 milhões de reais.

É também algo de beleza extraordinária. A vasta maioria deles vive guardada em garagens climatizadas, sem nunca ser usado, apenas admirados como obras de arte.

Mas o 288 GTO é um carro, e um dos mais viscerais e nervosos já criados em Maranello, e que conta com 400 cv e aquela maravilhosa alavanca de câmbio manual que costumava ser parte de todo Ferrari. Longa, fina, e cromada, com uma bola preta na ponta e a plaquinha-guia cromada na base, é um dos mecanismos mais maravilhosos já criado pela humanidade. Sua função é dar prazer ao ser operada, e sua função secundária, selecionar marchas. É quase um crime não usar um carro desses.

 

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E é por isso que este vídeo é sensacional. Nunca tinha visto um 288 GTO usado dessa forma. Que coisa maravilhosa de se ver… E ouvir, que som!

Junto com esta matéria estou inaugurando uma playlist no nosso canal do YouTube, Favoritos do MAO, com esses vídeos e outro que eu for descobrindo ao longo do tempo. A playlist pode ser acessada diretamente através desse link: Favoritos do MAO. Apenas o vídeo C’était un rendez-vous está fora da lista pis está hospedado no Vimeo: aqui.

Aproveite e também se inscreva-se no canal do Ae no YouTube.

MAO

Nota: atualização com a playlist do MAO no canal do Ae no YouTube em 24/01/14 às 9:30.

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