_1992-Renault-Twingo-Design-Sketch-1-lg-720x477  CURIOSIDADE: TWINGO + UP! = TWINGUP! 1992 Renault Twingo Design Sketch 1 lg

Desenhar um automóvel que caia no gosto popular é uma tarefa realmente difícil.  Os designers consciente ou inconscientemente desenham os novos veículos seguindo a tendência dos existentes no mercado e poucos foram os projetos realmente inovadores, saindo da mesmice. Em minha opinião, um  bom exemplo de criatividade foi o Renault Twingo.

A história do Twingo tem um pé na Polônia. Foi em 1981 que a fábrica polonesa de automóveis FSM-Bosmal projetou e patenteou o mini-monovolume Beskid 106, desenhado por K. Meissner na Academia de Belas Artes de Varsóvia. A FSM tinha uma ligação forte com a Fiat, que já produzia o seu modelo 126 na Polônia, em Tychy, sendo o Beskid 106 a alternativa para substitui-lo. Somente para firmar o conceito, veículo monovolume é caracterizado pela pouca separação visual entre o capô do motor, o porta-malas e a cabine em seu habitáculo.

 

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Protótipo do mini-monovolume Beskid 106

Embora tenham sido construídos sete protótipos funcionais, o Beskid 106 nunca entrou em produção. A FSM, mal das pernas, não viabilizou o projeto e nem mesmo conseguiu garantir a validade de sua patente.

E foi em 1993 que o francês Renault Twingo foi lançado na Europa incorporando sem arrependimentos as linhas básicas do pequeno Beskid 106. O nome Twingo foi composto pelos nomes twist, swing e tango que são ritmos musicais alegres como o seu conceito.

 

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O Renault Twingo com suas cores alegres e marcantes

 

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Foto de lançamento do Twingo na Europa, 1990

 

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Propaganda do lançamento do Twingo na Europa

Abrindo um parêntese, os estudiosos afirmam que o  DKW  F-89L Schnellaster (transportador rápido em alemão) foi a mãe de todos os monovolumes, sendo o Beskid 106 e o Renault Twingo apenas mais dois de seus filhos. Esse DKW foi lançado no final de 1949, enquanto o VW Transporter (Kombi) surgiu em março de 1950.

 

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O monovolume DKW F-89L Schnellaster em toda a sua harmonia

Independentemente da história, o monovolume Twingo  se destacou por suas características inovadoras, associando  conforto e espaço  interno em um veículo pequeno, de apenas 3.433 mm de comprimento. Leve, com 790 kg distribuídos em seus  2.347 mm  de distância entre eixos, foi um exemplo de aproveitamento de habitáculo.

Em seus detalhes construtivos estão os bancos em espuma de poliuretano moldados em estrutura tipo concha que, totalmente rebatíveis, se transformavam literalmente em uma cama.  O banco traseiro com regulagem longitudinal aumentava e diminuía o volume do porta-malas conforme necessidade, e na posição toda recuada proporcionava espaço de limusine para os dois ocupantes — o Twingo, como o primeiro Ka, era homologado para quatro passageiros — e ainda restavam 195 litros de capacidade do porta-malas.

Sua grande área envidraçada, sem pontos cegos. tinha o destaque do limpador de pára-brisa pantográfico e de única palheta, silencioso e eficiente, garantindo a visibilidade frontal com qualidade. O painel simples com conceito monobloco tinha, no centro, o mostrador dos instrumentos digital, com velocímetro, nível do tanque de combustível, hodômetro total e parcial e  relógio. As outras funções eram por uma fileira de lâmpadas de alerta na horizontal e ficavam diretamente à frente do motorista.  O interior do Twingo era bem colorido, destacando-se na multidão.

 

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Interior do Twingo com destaque para o mostrador digital em cima do painel

O seu motor de 1.239 cm³ (74 x 72 mm) com comando no bloco e válvulas acionadas por varetas e balancins não era condizente com a modernidade do Twingo, porém seus 55 cv davam conta do recado em termos de desempenho e economia de combustível. Acelerava de o a 100 km/h em 14,5 segundos, a velocidade máxima era de 150 km/h,  e o consumo, 11 km/l na cidade e 15 km/l na estrada.

Meu primeiro contato com o Renault Twingo foi em minha própria casa, quando minha esposa me falou ao pé do ouvido que achava o carrinho uma graça e gostaria de ter um. Mesmo contrário à idéia, as mulheres sempre vencem e acabamos dividindo nossa garagem com um francês, um Twingo 1994 verde “cheguei”, 0-km. Minha filha, com seus 20 anos, vibrava de alegria falando que o pequeno Renault parecia um bichinho de desenho animado. E eu invocado, falava para as duas que o Twingo iria desmanchar nas ruas da cidade de São Paulo, com a buraqueira, lombadas e valetas de montão, além das enchentes. Mas não é que o Twingo se comportou bem? Resistente e econômico, chamava a atenção por onde passava.

Para encurtar a história, acabamos preservando o Twingo que, com seus 20 anos de idade,  divide espaço em nossa  garagem na cidade de Tatuí (SP). Veja o leitor algumas imagens do nosso Twingo sem tomar banho… (risos)

 

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Com a imagem diária do Twingo, fiquei pensando com os meus botões a sua incrível  semelhança com o Volkswagen up!. Será que a VW incorporou as formas do pequeno Renault em seu recém-lançado monovolume? — eu me perguntava.

E veio a idéia de comparar, em termos práticos, o Twingo com o up!. Com a ajuda de um amigo também engenheiro, sobrepusemos no papel os dois veículos mostrando a incrível semelhança entre as duas formas. Mesmo com a pouca precisão do processo em escala feito em planilha Excel, os dois monovolumes se mostraram muito parecidos, evidenciando a mesma inclinação dos pára-brisas.  Até a posição dos emblemas no capô são semelhantes.

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comparação UP Twingo JPEG  CURIOSIDADE: TWINGO + UP! = TWINGUP! compara    o UP Twingo JPEG

VW up!, modelo alemão comparado com o Renault Twingo

Semelhanças à parte, o VW up! é um projeto muito interessante, que vai ao encontro das qualidades que eu admiro em um automóvel citadino: simplicidade, leveza, espaço interno, economia de combustível associada a um bom desempenho e um bom custo-benefício.

Creio que o sucesso do VW up! será crescente e inevitável, alicerçado em  suas formas simples e funcionais. 

CM

Fotos: www.carbodydesign.com, carplace@uol.com.br, wikipedia, arquivo pessoal do autor. 

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

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  • Daniel S. de Araujo

    Carlos Meccia, muito bacana o seu comparativo. Seria este um caso de “clonagem”? As medidas são muito semelhantes e coincidentes(?). Enfim…
    Lembro que quando lançaram o Twingo, era impossível (como ainda é) ficar indiferente. Era um caso de ame ou odeie.

    • Acyr Junior

      Daniel, lhe dou razão: quando lançaram o carrinho era ame ou odeie. Eu ridicularizava o desenho e o tamanho do “brinquedo” até o dia em que eu e mais 3 amigos (todos com altura prox. de 1,9m) fizemos uma pequena viagem ao interior com muito conforto. Confesso que nos dias seguintes eu olhava meio torto para meu opala diplomata. Até porque 6 cilindros e automático era como se fosse uma família pra sustentar e o Twingo nos levou à Sorocaba (e trouxe) com pouco mais de 1/4 de tanque.

  • Twingo sempre foi um carrinho encantador. A culpa de eu ter Renault é toda dele…rsrsrs

  • CorsarioViajante

    Também acho que up! muito parecido com o Twingo, se fosse um teste cego, sem emblemas, aposto que muita gente diria ser o “Novo Twingo”.

  • Fat Jack

    Não há forma de alguém se acostumar com este “painel”…, a meu ver tão revolucionário quanto incômodo.

  • Uber

    Acho que é só coincidência, pois carroceria monovolume costuma ser monótona, não mostra grandes diferenças de uma marca para outra além das óbvias.
    Nisso o up! me decepcionou, eu esperava que ele tivesse as qualidades do Ford Ka antigo e do Renault Twingo, uma pena que não tenha o aproveitamento de espaço deste.

  • REAL POWER

    Só quem já dirigiu um Twingo sabe como o carro é bom. Eu dirigi vários, tanto os primeiros, com o motor semelhante ao CHT como os 1.2 e 1.0 L com base o motor Clio 8v já mais moderno. Acho que o Twingo chegou muito cedo ao Brasil. As pessoas não deram conta do carro. O up! chegou muito mais tarde, e ainda não foi notado, seja pelo seu preço ou forma. Mas o Twingo sem dúvida é uma boa opção. De vez em quando falo para minha esposa que se eu encontrar um em bom estado interno e de lataria, a chance de comprar é muito alta. Pois na parte mecânica é fácil de manter visto os motores que ele usou aqui no Brasil. O resto da mecânica e como qualquer outro carro. Basta pesquisar por bons preços. Já vi inclusive Twingo com motor K4M 1.6 16v do Clio. Isso sim é um sonho.

  • BlueGopher

    Bem legal o comparativo Twingo/Up!
    Eles pareciam ter dimensões semelhantes, mas não pensei que fossem quase gêmeos idênticos.
    Talvez pela forma da carroceria (e pelo fato de que minha lembrança do Twingo é só de memória, infelizmente não tenho um na garagem…) o Twingo me parecia ser um pouco mais longo do que o Up!.

  • Marco Antonio

    Meccia,Parabéns pela matéria, admiro seu conhecimento técnico e sua didática em explicar com riqueza de detalhes e com muita objetividade.

    Abraço,

    Marco Antonio…

  • Leo

    Vale a pena mostrar o interior do up!, painel e console. Muito semelhante ao Twingo

  • CCN-1410

    “Sua grande área envidraçada, sem pontos cegos”.
    Isso praticamente já paga o carro.
    Foi muito bom abrir o site e ler este artigo, dá para notar muito bem como a simplicidade de traços se sobrepõe aos traços muito rebuscados. Viva o Twingo, viva o up! e também a ponta daquele “Kazinho” que aparece em algumas fotos.
    Quanto ao DKW F-89L Schnellaster, seu desenho ainda é muito bonito. Parabéns aos desenhistas.

  • CCN-1410

    Em tempo: Estou ansioso para ver o up! turbo. Só espero que a VW não estrague seu desenho com muitos enfeites bobos. Seria uma pena.

  • Meccia, meu caro.
    Sua teoria está correta, a julgar pela minha mulher. Ela também tem um Twingo (é o terceiro) e adora o carrinho. Depois de várias tentativas frustradas de trocar o Twingo por outro modelo, ela começa a se interessar pelo VW up!. Razão técnica: “é uma gracinha, parece o Twingo”. Mecanicamente, os Twingo mais novos são muito semelhantes ao Clio. Dei um Clio para minha mulher, que deu uma volta no quarteirão e me devolveu a chave. C’est la vie… Abração e parabéns pela matéria bem sacada

    • Josias, obrigado pelo elogio.
      Realmente o Twingo é um veiculo interessante e o VW up! conseguiu incorporar as suas formas.
      Abração

  • guest

    Pena que o novo Twingo abandonou suas origens e virou um clone do Smart…

  • Marco Antônio Lima

    Finalmente alguém faz um paralelo entre o Twingo e o up!… lançamento do VW só confirma que a Renault estava certa no conceito do carro (exceto que eu acho que deveria prever quatro portas), apenas o lançou no momento errado, muito cedo. Também me agrada..

  • Lucas dos Santos

    Interessante essa comparação. Lembro-me de que o Fox, na época do lançamento, também foi comparado ao Twingo por uma revista. Segundo a publicação, ambos eram muito parecidos quando vistos de lado.

  • joao vicente da costa

    Meccia, inevitável a partir das suas fotos não perguntar: Twingo e Ka. São veículos que, aparentemente, têm propostas semelhantes… Dá pra comparar um com outro no dia-a-dia?
    Abraço.

    • joao vicente da costa,
      O Ka que o leitor vê na foto é o primeiro lançado no Brasil em 1997 e está novinho. Cuido dele com muito carinho.

  • Portuga Goleta

    A única coisa a se criticar no up! é o valor, porque o carro é muito bom e acho ainda que compensa muito mais do que comprar um Gol ou Palio, mesmo que ambos se equivalessem em preço.

    • Antônio do Sul

      Assim como você, Adam, também sempre pensei no valor como único defeito do up!, mas, neste último domingo, as concessionárias aqui de Curitiba divulgaram no jornal uma oferta da versão take up!, com ar e direção, a razoáveis R$ 33.000,00…É o mercado fazendo os seus ajustes.

      • Portuga Goleta

        Já tinha visto isso mesmo, na verdade nos primeiros meses de vendas já tinha esses descontos.

  • Roberto

    Esse para-choque já era em amigón!!

  • Ggvale Vale

    E o caso do VW Chico de 1991 ? Ficou só no protótipo , vindo a Opel em 1994 com o Corsa idêntico ao VW e fez um tremendo sucesso com sabemos .

  • Mr. Car

    Sou muito fã do Twingo, aliás, dos citadinos em geral. Não faz muito tempo, encontrei um Initiale (o topo de linha) em uma concessionária Renault, sendo vendido. Completaço, impecável por dentro e por fora, e para completar meu encanto imediato por ele, interior monocromático bege clarinho, coisa que todos aqui já sabem, acho maravilhoso. Deu vontade, ah, se deu! Pena que eu não tinha onde guardar, além de estarem pedindo uma fortuna. Muito curiosa esta comparação com o up!, que por sinal, também acho um representante muito bacana desta proposta urbana. Além disto, vai ter a versão que eu sempre sonhei: 1-L turbo. Infelizmente, vão “turbinar” o preço também, he, he!

  • DVicter

    Gostaria de comprar um up! mas existem duas coisas que me afastam dele. Espaço no banco traseiro. Fiz o teste “sentado atras de mim” e fiquei apertado. E o preço. Não sei quanto custa na concessionária, mas no site o move up! (4 portas, ar, direção, vidro e trava) é mais caro que o Ka SE (com mais itens).

    Pena eu não ter gostado do Ka.

  • Thiago Teixeira

    Automóvel citadino!!
    Era essa a definição que eu procurava pro que procuro. Com algumas mudanças no meu dia-a-dia, precisava encontrar um carro mais ágil e simplista que meu Focus 2L – um sedã dos mais belos que acho, embora ano modelo 2009 – projeto mais antigo na Europa. Procurava um Ka entre 2002 e 2007, mas quando encontrava um em bom estado, ou não tinha o essencial ar-condicionado ou tinha mais de 180 mil km. Ou os dois. Parece regra km alta nos carros do Distrito Federal!!
    Por fim, encontrei um bastante preservado Corsa 2P 1999 simples, apenas ar-condicionado e 100 mil km. Leve e dinâmico, um carro que é só da cidade.
    – Prefiro o up! ao Ka pelo carro. O Ka ao up! pelo desenho. Na razão seria o up! minha escolha. Mas com menos de 1/3 do valor de um desses, fiquei com o Corsa.
    Por falar em up! e Ka, Bob, o Ae tem planos para no futuro fazer comparativos?
    Abcs

  • CCN-1410

    Fui expulso daqui que vocês não colocam mais meus comentários ou então os deixam para o final?

  • Christian Gerschkovitch

    Prezado Carlos Meccia – Sou presidente do Clube do Twingo em SP.
    Também tenho o meu 1995 desde zero-km . Achei muito legal a matéria sobre o comparativo . Meus parabéns
    Realizamos nossos encontros todo 3º domingo do mês . Entre em nosso site http://www.twingoclubesp.com e venha conversar conosco.

    • lightness RS

      Caramba cara, nem imaginava a existência de um Clube de Twingos, hoje não tenho mais o meu, mas já tive que gostei muito, carro q deixou saudades!! Boa sorte, e fico feliz com o trabalho de vocês em já procurar preservar o amor por nossos carrinhos! Pena morar no Rio Grande do Sul, senão aparecia num encontro para matar a saudade, grande abraço!

      • Fabiano

        lightness RS, participo do Clube do Twingo SP, mas também do Clube do Twingo (nacional geral), nesse último tem muitos integrantes do Rio Grande do Sul também e muitas dicas legais, inclusive sobre encontros no Sul. Aproveito para parabenizar pela ótima atitude e disposição do Christian e de todos os demais integrantes do Clube do Twingo SP, sempre dispostos a ajudar. Abraço a todos!

  • Arnaldo Keller

    Caro Meccia, certos carros deveriam ser que nem o Fusca; não deveriam mudar, ou só mudar um mínimo. E o primeiro Twingo é um desses. Continua moderno e sempre o será. Acho ele bárbaro, muito bem bolado.

  • Ilbirs

    Em 1980, a Ford havia apresentado algo parecido: o Ghia Pockar:

    http://oldconceptcars.com/wp-content/uploads/ford_pockar_concept_1.jpg

    http://oldconceptcars.com/wp-content/uploads/ford_pockar_concept_2.jpg

    http://www.velocityjournal.com/images/full/2002/s2002061601/fd1981pockar5202.jpg

    O motor era do Fiesta Mk1, mas montado em posição central-traseira (antecipando o que vimos inicialmente no Mitsubishi i e posteriormente no Tata Nano e na dupla smart forfour/Renault Twingo III). Em comparação ao doador da mecânica, o Pockar era 71 cm mais curto. Apesar de as rodas lembrarem as de um Granada contemporâneo, são de aro 12 e calçam pneus 155/70 (medida parecida com a da Asia Towner, que usava perfil 80).
    Além da proposta geral interessante, há o destaque de terem pensado no interior das portas como alojador de bagagens, no caso malas feitas sob medida. À época devem já ter notado que a maioria das pessoas considera uma boa capacidade de bagagem para qualquer carro se ele puder alojar quatro malas grandes e apenas acharam por bem transferi-las para portas que me parecem tão compridas quanto as de um Corcel II. Hoje em dia não daria para ter essa solução, salvo se inventassem barras que ocupassem só a parte superior da porta, mas é interessante considerar que já pensavam no uso das superfícies vazias entre os estampos interno e externo de uma peça. É algo que vemos na segunda geração do smart fortwo (e que gostaria de saber se também temos na terceira):

    http://image.motortrend.com/f/auto_shows/coverage/detroit/9516783/112_2007_detroit_auto_show_904z%2B2009_smart_fortwo%2Brear_hatch_view.jpg

    E, em tamanhos maiores, nas RamBoxes da picapona do grupo FCA:

    http://www.canadatruckaccessories.com/images/dodge_rambox_1.jpg

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Apesar de simpatizar com o Twingo, nunca o dirigi. Já o Up! me conquistou num test drive, entrou para minha lista de possíveis próximos carros.

  • André Luciano

    Minha impressão é q o primeiro Ford Ka (o original) teve no desenho uma “leve” inspiração nas linhas do VW Sedan (o Fusca): capô dianteiro curvo, para-lamas “salientes”, localização dos faróis à frente e atrás, abertura do porta-malas e vidro traseiro ovaladas, queda da traseira (vidro e tampa seguindo no mesmo grau de inclinação “em cunha” ao solo, sem corte como os demais hatches). Óbvio q o Ka tinha suas arestas, era mais recortado, enquanto o VW mais arredondado. Sem levar em conta as diferenças mecânicas (especialmente localização motor à frente / atrás, etc) eu vejo muitas semelhanças entre eles.

    • CorsarioViajante

      Nossa, é verdade! Caí da cadeira agora!

    • Claudio Abreu

      E eu dizia isso quando lançaram e só faltou me apedrejarem…. O Ka é um dos últimos desenhos geniais que tivemos – não digo layout revolucionário, pois não era nada mais que um hatch pequeno. Mas suas linhas são fortíssimas, com uma personalidade que não vemos mais nessa vincaiada-flood-chicote-do-beto-carrero de hoje.

  • Matheus Ulisses P.

    Carlos Meccia, seus textos sempre são impecáveis! Quando o Twingo foi lançado eu era um garotinho, desde aquele tempo eu ainda admiro o carrinho! Sei que são conceitos e propostas diferentes, mas entre o Twingo e o Ka original, sou muito mais o Ford! Realmente a VW deve ter se inspirado no pequeno Renault ao desenvolver o up!.

  • CharlesAle

    Infelizmente,a pressão dos executivos com o departamento de Design para que o produto seja um sucesso, faz com que se escasseie a criatividade.Então o que fazem é pegar carona em virtudes de modelo do passado,atual ou da concorrência. O UP nada mais é que uma releitura germânica das virtudes do Twingo! não dá para negar isso!!A única coisa que não deixa isso ser tão escancarado é a versão 4Portas. Mas não altera em nada o fato!!

  • Fernando

    Notei estas semelhanças, mas para certas necessidades de algumas características expliquem o porque de hoje sim um carro urbano ser aceito.

    Felizmente antes não havia o caos que há hoje(não na mesma dimensão) para estes carros terem um justificável volume em vendas. Os Gurgel BR-800 e Supermini sofreram com isso, os Twingo mais tarde já tiveram vendas razoáveis(contando a rejeição a algo importado que é natural por aqui, temores de manutenção inclusive), mas hoje seja Up ou até um Smart, em qualquer cidade média já se sente para que foram feitos, muita gente nos anos 90 não desejava isso. Mas o problema mesmo é que é muita gente amontoada…

    Mas acho que se for para lembrar em algo mesmo, o Lupo me vem à cabeça até antes que o Twingo, as dimensões dele são muito parecidas com as do Up, que acabou sendo um sucessor do Lupo na VW:

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f4/VW_Lupo_front_20080524.jpg

    • Lucas dos Santos

      Bem observado. Não dá para falar do up! sem lembrar do Lupo, que foi, basicamente, o carro que deu origem a ele.

  • Mr. Car

    Outra coisa que eu gostava no Twingo, era a oferta de cores, inclusive as mais fortes. Acho que caem muito bem em um carrinho que tem um grande público jovem.

  • Parabéns pela sua matéria, Meccia, inclusive é bom lembrar que o 1.2 faz parte da família Sierra/ Cléon que aqui no Brasil ficou conhecido como Renault/CHT nos Ford nacionais que você conhece muito bem. hehehehee

  • $2354837

    Diz a lenda que esse banco corrediço foi desenvolvido primeiramente para o VW BY, que nunca entrou em produção. Será que alguém ainda tem uma foto sobre esse misterioso compacto?

  • Bob Sharp

    Você, expulso? Está brincando, não é? Você é prata de casa!

    • Ilbirs

      Bob, está acontecendo com o CCN o mesmo que aconteceu comigo na postagem do Carlos Meccia sobre a criação do Gol: comentários vêm sendo postados e, por algum motivo, podem sequer ter chegado à moderação. E pode ser que isso esteja ocorrendo com outras pessoas por aqui.

  • braulio

    Uma outra coincidência interessante entre VW e Renault é a Space Fox ter quase as mesmas dimensões e proporções que a Scénic de primeira geração.
    Gosto do Twingo. Mesmo com o quadro de instrumentos no lugar errado. é um carrinho que parece ser muito prático. Só dirigi um (de um litro e oito válvulas) quando minha irmã procurava seu primeiro carro. Mas estava em petição de miséria: Rolamentos traseiros chiando, motor poçante (daqueles que deixam uma poça de óleo onde param…), freios ruins, amortecedores vencidos e faltando alinhamento. Com tudo isso, fiquei impressionado com o interior, sem furos e com um suave cheiro de baunilha, e a lataria, em condições muito boas, considerando, principalmente, que manutenção não era mesmo o forte do antigo proprietário.

  • André Luciano,
    O antigo Ka foi o veículo mais parecido com o Fusca que eu conheci

  • Marco Antonio,
    Obrigado e seja sempre bem vindo ao Ae

  • Junior

    Só não concordo que o up! tenha um bom custo beneficio. Se for a versão de entrada até pode ser, mas se você quiser um carro com ar, direção, som, tem que partir para versões acima dos 40k, ficando para trás de vários concorrentes.

  • Victor

    Bela matéria! Detalhe para a conveniência das rodas do twingo da mulher: de aço com pintura prata, perfeita para atacar as guias enquanto estaciona! 😀 hihih

  • Felipe Madeira

    Meccia, a cor chamativa do Twingo chama-se verde Koriander. Minha esposa teve um 1994 como o seu. Toca-fitas Grundig e ar-condicionado ocupando o espaço do porta-luvas. Deixou saudades. Abraços.

    • Felipe Madeira,
      O toca-fitas Grundig ainda funciona e escuto a Elis Regina às vezes! Abração

  • Roberto

    Estava sentindo falta do Meccia! (BS e PK esqueceram de citá-lo no podcast!) Ótimo post!

  • Rogério Ferreira

    O Twingo foi um automóvel à frente de seu tempo, por isso, incompreendido em terras tupiniquins: Moderno e sofisticado mas cobrava bem por isso. Acabou virando um carro de nicho, aquele veículo destinado a alguém que quer sair da “mesmice”. Uma pena, dada as qualidades técnicas do carro, que vão muito além de seu visual chamativo. Interessante se a Renault, nos oferecesse, mesmo como opção importada, a atual geração Twingo, com seu perculiar motor traseiro, e cobrasse um preço interessante, na faixa do Cinquencento. Seria uma bela opção para um Autoentusiata; O mercado brasileiro segue certas tendências periódicas e qualquer carro que representa o rompimento destas convenções demora a emplacar. Foi assim com Passat, chamado por muito tempo de anti VW. O Uno também foi um carro à frente do seu tempo e só emplacou depois do fenômeno Mille, cujo baixo preço, permitiu resgatar os orfãos do Fusca. Só então, cinco anos após o lançamento, o mercado percebeu o valor da “botinha ortopédica”, que mesmo com motor despotencializado, tinha desempenho, consumo, resistência, e baixa manutenção que não deixavam qualquer saudade do velho VW. O que acontece agora com o UP, talvez seja uma situação semelhante, rompimento de convenções, só que no sentido da simplicidade visual, pois a atual regra do mercado são vincos, faróis e lanternas espichadas e escultura fluída. Vai demorar, para o brasileiro entender o UP e descobrir suas qualidades. Mas se VW quiser dar um troco na Fiat, basta oferecer o UP, por um preço convidativo e com no mínimo ar-condicionado, justamente para resgatar os orfãos do Mille, que certamente não sentirão a menor saudade do velho Fiat, após a nova aquisição. Outro passo importante, será dado agora, com o GT (ou Get) Up, e seu motor turbo de 105 cv.

  • Fabiano Schimithe

    Já tinha feito esse comparativo no Autos Segredos, fui apedrejado por um fanboy da VW (rsrs)

  • Sandoval Quaresma

    Semelhantes, porém o up! não é espaçoso como o Twingo.
    No comecinho da década passada dirigia um desses na empresa que trabalhava. Acho que era do ano 98 ou 99, preto. Motor 1,2 OHC, 60 cv. Era ágil e esperto, acho que o mais ligeiro de todos que vieram para o Brasil.

  • Marcos Henz

    Essas semelhanças foram o que me motivou a “namorar” o up! desde o início das expectativas de lançar no Brasil
    Tenho um Twingo 2002 há 2 anos… É um carro muito espaçoso, econômico (19 na estrada sem passar de 100 km/h), manutenção do motor é mais simples que no 1,2, pois em 2001 e 2002 recebeu o motor 1-L 16v do Clio.

    Mas “me obriguei” a trocar de carro. Estou andando 120 km por dia para ir ao trabalho, o Twingo não agüentaria, pois não está mais novo de motor e conjunto de transmissão. Preciso de algo mais confiável.
    Por qual troquei? Obviamente um up!. Inicialmente eu pegaria o Ka, pelo custo menor, mas consegui garimpar uma unidade 2014 na VW e agarrei como pude. Consegui por 37.000 um Move up! 4-portas “completo” com pintura metálica, faróis de neblina, mas sem o som.

    Outro ponto negativo do Ka para mim é que só na versão SEL ele afirma ter alarme de fato.

    Nas minhas pesquisas de YouTube confirmei que é possível manter e provavelmente ultrapassar com folga meus atuais números de consumo.

    Com certeza não é um carro tão à frente do seu tempo como foi o Twingo no lançamento (o up! europeu seria!), mas me atende perfeitamente em questões de porte, tecnologia, consumo, performance e preço.

  • Marcos Henz

    Registrando pra quem ficou curioso…
    (que fique claro que eu sigo a maioria das “regras” para economizar combustível, seguindo CTB, andando no fluxo, economizando freio e tentando não ultrapassar sem necessidade)

    Estou com 7.000 km no up!, com média total de 21 km/l e velocidade média em torno de 50 km/h. Consumo seria ainda melhor se eu não fosse tanto para o interior (estrada de terra) no fim de semana, nem pegasse tanto trânsito em São Leopoldo no rush.

    De Gravataí a São Leopoldo (BR-290 e BR-116) estou fazendo no dia-a-dia 24/25 km/l. Um pouco mais até se eu insistir em ficar na pista da direita mesmo que ande atrás de um caminhão a 65 km/h.

    Andando atrasado, no fluxo da faixa da esquerda (~80 na BR-116 e ~110 na BR-290), fica em torno de 17,5 km/l, depende do humor. Mas isso é MUITO raro.