VELOZ (MUITO), MAS NADA DE FURIOSO

VELOZ (MUITO), MAS NADA DE FURIOSO Lobao apagada

Como o MAO, sou grande admirador do jornalista inglês Leonard John Kensell Setright, ou L.J.K. Setright, como ele assinava suas incríveis matérias e análises de automóveis. Conheci seus textos na Car and Driver americana nos anos 1970 e 1980. Ele foi controlador de tráfego aéreo na Royal Air Force, advogado, autor de livros e jornalista automobilístico. Como eu, apreciava um bom cigarro, no caso o russo Sobranie Black. Viveu de 10 de agosto de 1931 a 7 de setembro de 2005, bons 74 anos.

Era inglês filho de pais australianos, talvez a razão de minha afinidade com ele, ambos temos a constelação do Cruzeiro do Sul no nosso céu.

Não, não é o da foto, de quem falarei daqui a pouco. A foto de L.J.K. Setright é esta:

 

LJK  VELOZ (MUITO), MAS NADA DE FURIOSO LJK

L.J.K. Setright (foto autouniversum.wordpress.com)

Dez anos atrás, quando eu escrevia para o Best Cars a coluna semanal “Do banco do motorista”, uma delas foi “Dirigir com suavidade, uma arte”, em que começo falando de algo que havia lido do L.J.K. Setright ligado ao tema e em seguida estendendo o assunto. Vale a pena ler, http://migre.me/nve5W .

Agora volto ao mesmo assunto daquela coluna no Best Cars, desta vez uma experiência que vivenciei na última quinta-feira com a pessoa da foto de abertura como tema central. Ele é Cláudio Lobão, engenheiro da PSA Peugeot Citroën na fábrica de Porto Real (RJ), vizinha a Resende.

 

Setright  VELOZ (MUITO), MAS NADA DE FURIOSO Setright

Foi a apresentação prévia de novo produto Peugeot (que só poderei revelar bem no final do ano, conforme acordado com a fabricante) que me levou a Engenheiro Passos (RJ), praticamente divisa com São Paulo, para, com outros sete jornalistas, dirigir quatro desses carros para as primeiras impressões.

Aconteceu que o programa que consistiu em rodar por várias estradas no entorno de Engenheiro Passos — algumas magníficas, que eu não conhecia — atrasou um pouco e eu tinha hora marcada para voltar a São Paulo e poder chegar a tempo para um evento às 20 horas.

Em vez de voltar dirigindo um dos novos carros, em comboio, ao hotel-base em Engenheiro Passos, o que levaria muito tempo, a Peugeot me colocou num 408 Griffe THP, com o Cláudio Lobão dirigindo. Um tipo enorme, 1,90 m, muito simpático.

Esse 408 fora usado naquele dia como carro-câmera, o fotógrafo Pedro Bicudo procurando os melhores ângulos até se valendo do teto solar aberto para o registro fotográfico de todo o evento, e além de mim e do Cláudio estavam o Rodrigo, motorista do carro-câmera, e a assessora de imprensa da Peugeot, a Giselli Cardoso.

Saímos logo depois do almoço em Maria da Fé (MG) rumo a Engenheiro Passos, a 138 quilômetros. Eram duas da tarde e pelo Google Maps o tempo de viagem previsto era de 2 horas e 7 minutos, uma vez serem estradas de mão dupla e sinuosas. Fiquei preocupado, pois havia planejado iniciar a viagem de volta a São Paulo no máximo às 4, de modo a chegar ao evento às 8, esperando o trânsito normalmente congestionado na chegada a São Paulo nesse horário, agravado pelas fortes chuvas naquele dia.

O Lobão entendeu a minha pressa e eu fiquei preocupado em estar no banco direito nesse retorno a Engenheiro Passos, pois não gosto realmente de ser conduzido rapidamente por quem não sei como dirige. Mas no primeiro quilômetro — sem exagero — qualquer preocupação ou temor desapareceu.

Eu só havia conhecido, de fato, o Lobão de manhã cedo, na palestra sobre o novo Peugeot (pode ser que o tenha visto em outros eventos, mas não me lembrava dele). Ele, inclusive, trabalha com Transmissão na PSA, e lhe pedi que me explicasse a questão da árvore intermediária do câmbio Aisin AT6 3ª-geração do C4 Lounge flex, no que fui prontamente atendido com o envio de um desenho didático de como é a disposição dela no câmbio, que publicarei ainda hoje, mais tarde. Leitores como o Lorenzo Frigério ficaram curiosos, com razão, e logo terão a explicação.

O Lobão acelerou para valer, com uma suavidade digna de nota. Nenhum tranco longitudinal ou transversal. Freava para as curvas no último instante freando do jeito certo, pressionando o pedal de freio em vez de apertá-lo, da mesma maneira que se deve fazer com o gatilho de uma arma de fogo. Ao voltar a acelerar, o fazia como se faz com o manete do acelerador dos aviões, num crescendo e não de repente. A entrada nas curvas era a síntese da concordância de uma curva — uma reta de raio infinitamente longo — para outra. Na saída, mesma coisa. Absolutamente show! O 408 mostrava o comportamento impecável já comentado aqui, neutro e com rolagem desprezível. Os pneus cantavam apenas levemente.

Usava o Aisin AT6 2ª-geração misturando Automático com Manual. Mais do que ninguém ele sabia o que estava fazendo, pois é ele quem calibra os câmbios automáticos na PSA. Nas aproximações sob frenagem, deixava o câmbio decidir a redução ou a comandava manualmente, nas saídas subia uma marcha e deixava o resto por conta do câmbio. Um verdadeiro balé da mão direita!

E tudo isso conversando normalmente, a paisagem passando em câmera-lenta (Jackie Stewart disse isso, que quando se está bem num carro de corrida o mundo passa em câmera-lenta, não importa o ritmo em que se esteja). Comentei sobre a rapidez das trocas de marcha no Aisin do C4 Lounge e ele explicou (enquanto andava no limite) que no 2ª-geração o processo levava em conta a posição do acelerador e que no de 3ª era baseado em tempo, daí a diferença.

Na descida da serra antes de Engenheiro Passos não percebi menor desaceleração das freadas apesar do mesmo ritmo, sinal de que não havia fading. Seria excelência da engenharia francesa? Eu havia experimentado o mesmo no lançamento do Renault Mégane, em março de 2006, ao descer a Serra da Graciosa em ritmo de corrida, nada de fading.

Chegamos ao hotel às 4 e 20, completamente relaxados (a foto do Lobão foi feita logo após chegarmos), voltei a São Paulo 20 minutos depois e cheguei a tempo para o compromisso.

Obrigado, Lobão, por me proporcionar momentos maravilhosos vendo-o dirigir. Parabéns pela pilotagem magnífica. E parabéns também, Peugeot, pelo 408 com esse incrível motor THP.

 

408 cop  VELOZ (MUITO), MAS NADA DE FURIOSO 408 cop1

BS

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Acyr Junior

    Interessante seu post hoje, Bob. Realmente, para um autoentusiasta, sentar-se em um local que não seja do motorista, por si só, não é nada prazeroso. Quando não conhecemos o motorista então (ou pior: conhecemos e não confiamos), torna o trajeto mais tenso que o necessário.
    Penso que o grande problema está no fato que a imensa maioria dos motoristas dirigem achando que estão pilotando, freando fora do ponto de forma errada e balançando mais que o devido, acelerando como se tivesse em um dragster e mudando de faixa como numa largada de Fórmula. Já a outra parcela de motoristas, mínima diga-se, conduz o carro com suavidade tal que sequer percebemos a velocidade. Lamentavelmente a proporção de motoristas sensatos e “pilotos” está invertida.

  • Thiago Teixeira

    Era a hora de filmar..

  • Mr. Car

    Também sempre fui adepto da direção suave. Menos stress para os passageiros, e menos stress para os componentes mecânicos, este segundo item, puxando um outro bem recompensador: menos dinheiro saindo do seu bolso. E como bem dito, direção suave não significa direção lenta, daquele tipo que tranca o trânsito. Me lembro até hoje de quando, ainda menor de idade, um tio-avô me levou, junto com um primo, para dar uma volta dirigindo sua C-14 por estradinhas vicinais perto da fazenda do meu avô. Depois, aquela disputa natural entre os meninos, querendo saber do tio Zezé, quem dirigia melhor. A resposta foi: “os dois dirigem bem, mas você (eu) dirige com muita suavidade. Economiza gasolina, e o carro vai durar para sempre”. Fiquei cheio de orgulho, he, he, he!

  • Vinícius

    Curiosidade, Bob… rs. Entenderei se não responder, mas s surpresa em questão é o 2008?

    • Marco Aurelio

      Permita-me a intromissão, Vinicius. Provavelmente sim, pois trabalho numa estatal em Eng° Passos e o 2008 já é visto nas redondezas (inclusive no Hotel Villa Forte, da foto) com “disfarce” apenas sobre o logo do fabricante. Abs

      Marco

      • Vinícius

        Que nada, Marco! rs, Mas se o Bob não respondeu, já sabemos a resposta! heheheheh

    • Imagino que seja, visto que o 2008, segundo a própria Peugeot, deve ser comercializado a partir de 2015.

      Enquanto isso, a Peugeot testa o 208 GT à exaustão, e nada de lançar…

  • Daniel S. de Araujo

    Bob, sabe uma coisa que eu reparei? É que muita gente que APARENTEMENTE dirige sem tranco “deixa a máscara cair” quando pega um veiculo de câmbio manual e motor dianteiro com tração traseira!

    Algum tempo uma prima quis experimentar a minha ex-Ford Ranger e eu cedi. 100 metros depois tomei a picape de volta. Era simplesmente insuportável o tamanho de trancos e socos no cardã, além das trocas de marcha com a suavidade de quem arranca mandioca da terra. Isso sem falar que usava os freios como quem freia um Gol ou qualquer outro carro de menos de 1 tonelada.

    Embora não gostasse muito do meu primeiro carro (GM Marajó) foi graças a ela e seu câmbio Clark, cardã, cruzeta e diferencial traseiro que eu aprendi os conceitos de aceleração interina, trocar de marcha suavemente, dando o tempo para os garfos e sincronizadores trabalharem, além de soltar a embreagem na hora certa, na velocidade certa, tudo para não dar tranco. E, posteriormente, com caminhão de fazenda e caminhonete (meu veiculo atual), a noção de acelerar intensamente, frear na hora correta, sem trancos ou desacelerações bruscas, até porque por melhor que seja a caminhonete, ela não freia igual um carro de passeio. Mesmo com todas as parafernálias eletrônicas (ABS)

  • Felipe

    Bob considero ótima a sua experiência, nada melhor que o criador da máquina para saber onde estão os seus limites. Faltou perguntar para o engenheiro o por que os câmbios AL4 da Peugeot ficaram tão mal falados no mercado em relação à qualidade dos seus componentes.

    • Leonardo Mendes

      Vou resumir a minha experiência de 5 anos de 307 AL4.

      Meu próximo carro será manual.

      Ponto.

  • Francisco Bandeira

    Nenhum videozinho para compartilhar com a gente este momento?

  • Bob Sharp

    Francisco,
    Infelizmente não.

  • marcus lahoz

    Olha, eu sou fã de carro francês, ainda mais sendo da PSA. E concordo 100%, dirigir com suavidade é uma arte.

  • marcus lahoz

    Dono de dois AL4 posso te falar. Falta de manutenção. Como eu mesmo faço a dois meus carros nunca tive problemas, basta trocar o óleo e não usar como um troglodita, câmbio para mais de 200m km fácil.

    • Mr. Car

      Falta de manutenção e uso inadequado. Esta duplinha destrói a reputação de muita coisa boa por aí.

      • Marcelo

        Essa caixa não é prevista manutenção alguma. Quando ela dá de ter problema, é já com 40 mil km. Mesmo que tivesse que ser trocado o fluido, ainda não seria o momento. Infelizmente eu tive problema antes dos 40 mil km no meu antigo 206.

    • Ilbirs

      As reclamações que ouço a respeito da AL4 não são tanto por manutenção, uma vez que é a caixa básica da Aisin com quatro marchas com acerto da PSA. O que ouço bastante é do problema de ela ser meio abobada quando deixada em modo manual, apelar demais para o kickdown e jogar o consumo dos veículos com ela equipada para a estratosfera. Aqui vou considerar que ela tenha o problema básico de transmissões automáticas com menos de cinco marchas (excesso de patinagem do conversor de torque por não haver marcha propriamente dita para apelar para uma determinada situação), mas potencializado para um grau além daquele suportável.
      Porém, destaco alguns bons pontos dessa caixa, como o freio-motor bom para algo que troca sozinho de marcha. Em descidas você não se sente em um carrinho de rolimã nem contendo uma manada de búfalos africanos para que fiquem no máximo até uma determinada velocidade, mas sim nota um padrão mais civilizado, especialmente se estiver usando a caixa no modo manual.

      • Marcelo

        Essa caixa é feita pela própria PSA e a Siemens. Quando dá de dar problema, é com baixa quilometragem, portanto abaixo do período de troca de óleo da caixa, que por sinal não existe previsão para ela. Eu tive problema antes de 40 mil km no meu 206.

      • Eurico Junior

        Na realidade, o câmbio AL4 foi desenvolvido conjuntamente pela PSA e a Renault. É fabricado na França pela Société de Transmissions Automatiques (STA), em Ruitz. Reza a lenda que trata-se de um projeto engavetado da alemã ZF.

      • Janduir

        Essa AL4 não tem nada a ver com a Aisin…

  • thelucs

    Bob, 408 THP ou C4 Lounge THP Flex?
    abraço!

    • Bob Sharp

      thelucs
      408 THP. Detesto carro flex.

      • thelucs

        Entendo e apoio! Mas se comparássemos com o C4 Lounge THP, sem ser flex, ainda assim você iria de 408?

      • Welyton F. Cividini

        Bob, desculpe a curiosidade, qual a desvantagem do carro flex?

        • Bob Sharp

          Welyton
          Acho uma idiotice, algo totalmente desnecessário, coisa de brasileiro metido a esperto e que só aumentou o custo dos carros. Você conhece alguém que tem carro a diesel que fica preocupado por só poder usar um combustível?

  • Bob Sharp

    Felipe
    AL4 é passado e quem vive do passado é a Pássaro Marrom, que se diz pioneira do Vale do Paraíba. Jamais perguntaria isso.

    • CCN-1410

      Eu não tinha entendido essa do Pássaro Marrom porque não sou de são Paulo, aí fui pesquisar e notei que a empresa escreve seu nome como Pássaro Marron.
      Que coisa…

    • Marques Goron R. Silva

      AL4 pode ser “passado” para a Peugeot, mas é um “presente” bem indigesto para quem comprou. Pior para a Peugeot, que no “futuro” perderá seus clientes, apesar de aparentemente não se importar com isso, visto seus números pífios no mercado brasileiro…

  • Bob Sharp

    thelucs
    Nesse caso me seria indiferente, ambos são muito bons e iguais de comportamento. Seria como na década de 1950 ter de escolher entre Ford e Mercury.

    • thelucs

      interessante, Bob! pensava que o C4 fosse mais equilibrado (portanto ligeiramente melhor), apesar de o 408 ser também um excelente carro.
      Muito obrigado pelas respostas!
      abraço!

  • Totiy Coutinho

    Entendo a preocupação do Bob, antes da Autolatina eu fazia manutenção na frota Ford e alguns dos carros emprestados à imprensa especializada voltavam completamente destruídos, com embreagem patinando, discos de freio azuis, comandos de seta quebrados, coxins de motor e câmbio fadigados de tanto tomarem trancos em arrancada e mudanças de marchas bruscas, eram nossa rotina diária. Não é à toa que depois que virou importadora, o grupo em que eu trabalhava não empresta carros para a imprensa até hoje,alguns jornalistas especializados eram conhecidos como cupins de ferro, rs. . .

  • Lucas

    Três textos bem interessantes sobre o tema “motorista suave”:
    http://autoentusiastas.com.br/2011/08/o-bom-motorista-e-o-motorista-macio/
    http://autoentusiastas.com.br/2010/04/e-o-motorista-mostrou-como-se-faz/
    http://autoentusiastas.com.br/2010/04/o-motorista-e-quase-tudo-num-carro/
    Textos que não poderiam estar em outro lugar que não o onde estão!

    Recentemente levei um “puxão de orelha” da minha namorada que reclamou que pela primeira vez havia sentido medo ao andar ao meu lado. Justamente o dia que eu estava com a Fielder do meu pai e dirigi realmente dando mais solavancos e fazendo mudanças de faixas mais bruscas que o habitual para o meu estilo.
    Numa outra ocasião estávamos com os pais dela nos dirigindo a um casamento numa cidade vizinha. Como estávamos um pouco atrasados, imprimi um ritmo um pouco mais rápido do habitual de quando eles estão comigo. Tudo bem, tudo tranquilo, nós quatro conversando numa boa, até que falei que estávamos andando a mais de 140 km/h. Pra quê! Foi só falar isso que começou aquela “cantoria de sogra”… heheheh

  • Lorenzo Frigerio

    Eu acho que “marrom” sempre se escreveu em português com “m”, até antes de 1943. Usa-se “n” no francês. Acho que escreveram o nome errado de propósito, para chamar a atenção.
    Imagino que o “passado” referido pelo Bob é o próprio Vale do Paraíba, dos tempos da riqueza do café da República Velha.
    Monteiro Lobato escreveu sobre essa região há muito tempo (“Urupês” e “Cidades Mortas”), e já era assim mesmo antes do “Crack” de 1929.

    • ccn1410

      Pode ser…

  • Danilo Antonio Frasson

    Faz tempo que não ando ao lado de um ótimo motorista, quanto mais conhecedor profundo da máquina. Seria um grande prazer ser passageiro dessa viagem.

  • Lorenzo Frigerio

    Imaginem o que é ter que choferar um Bob Sharp com pressa por uma estrada, sabendo que ele está analisando cada micromovimento que você está fazendo. Tudo bem que um carro desses quase faz o trabalho do motorista, mas o Bob sabe levar isso em conta…
    Bob, você poderia explicar por favor o que significa “o processo (…) no de 3a. geração ser baseado em tempo”?

    • Bob Sharp

      Lorenzo
      Foi um papo em meio ao maior cacete, mas é fácil depreender que em vez de mapear as trocas em função da carga, adotou-se uma mapa calcado em tempo segundo as variações da operação do motor. É mais ou menos por aí..

  • Angelito

    Por um instante achei que era uma imagem do Ronaldo Fenômeno no futuro!

  • José Ferreira Júnior

    Bob, como sempre, belo texto. Só queria, se possível, que você ou outro entusiasta pudesse esclarecer melhor o modo correto de frenagem que você citou, pressionando o pedal ao invés de apertá-lo.

    Um grande abraço.

  • Renato Mendes Afonso

    Sabe que por vezes penso, em um futuro um pouco mais distante, comprar um Chevette ou Marajó justamente para ter essa experiência que você passou?

    Por mais que o carro daqui de casa tenha lá seus 15 anos, sinto que ainda me falta domínio de certas coisas nas quais eu não preciso lidar tanto e/ou não posso praticar no carro que tem em casa devido a limitações físicas (layout de drivetrain por exemplo).

    Algumas coisas como aceleração interina, usar os freios sem trancos e cambiar da mesma forma são habilidades que venho sempre praticando, mas me sinto incompleto por não ter guiado e nem saber domar um carro carburado de tração traseira e, não dominar o punta-tacco (essa ultima habilidade, ajeitando os pedais já é possível).

    • Daniel S. de Araujo

      Renato, experiência realmente impar mesmo é dirigir um carburado a álcool. Pegar as manhas de dar a partida a frio (Chevette é ruim de pegar com o motor frio sem gasolina no tanque auxiliar…nem com reza brava e exposto ao sol e no verão), controlar o afogador (afogador não é acelerador de mão. É um enriquecedor de mistura), manter a dirigibilidade e extrair um pouco de potencia com o carro frio…esse priviélgio o Chevette Marajó me deu!

  • Eurico Junior

    Bob, é impresssionante como o saudoso L.J.K. Setright é reverenciado por quem gosta e entende de carro. Sou assinante da revista Car inglesa, TODO MÊS ele é citado em alguma matéria ou na seção de cartas. De resto, meus parabéns ao Lobão e a Peugeot!

    • Bob Sharp

      Eurico
      Que coisa impressionante, não? Ele era mesmo especial.

      • Eurico Junior

        A revista Car inglesa tem altíssimo nível, mas não renovarei a minha assinatura. De cada 5 edições, 2 “somem” no meio do caminho. Prorrogam a assinatura ou mandam nova cópia, mas é sempre uma “briga” por e-mail. Sem mencionar que o custo está proibitivo, devido à libra valorizada e altas tarifas postais. Em compensação, a Car and Driver americana custa módicos 39 dólares por ano (postagem inclusa) e chega com uma pontualidade… britânica!

        • Bob Sharp

          Eurico
          A Car não edição online? Seria uma solução para esse problema.

          • Eurico Junior

            Creio que tenha edição online, mas confesso que sou ferrenho adepto das publicações impressas, pela comodidade ímpar de desfrutá-las na cama, na piscina e no “trono”… perdoe a franqueza, Bob!

          • Bob Sharp

            Eurico
            Perdôo e entendo, mas já pensou num tablet? Para esse tipo de portabilidade é perfeito.

          • Eurico Junior

            Sim, até porque resolve o problema crônico do acúmulo de revistas. Está na minha lista de compras numa próxima viagem ao exterior, pois os preços praticados no Brasil são extorsivos. E os “baratinhos” têm qualidade sofrível…

  • Leo-RJ

    Caro Bob,

    Textos assim em enchem de alegria, pois me fazem perceber que, apesar do que vemos nas ruas e estradas, ainda existe vida inteligente atrás do volante.

    At.

    Leo-RJ

  • Bob Sharp

    José
    Parece complicado ou utópico, mas não é. Na verdade o acionar freio tem duas etapas, mas com um pouco de prática acaba sendo um só. Primeiro você “encosta” o pedal, até sentir uma pequena resistência. A partir daí é a pressão que seu conjunto perna-pé exercerem sobre o pedal que vai determinar a força de frenagem. Só pressão, nada mais. Por isso falei no gatilho de uma arma de fogo: você não sai o puxando, mas primeiro encosta o mecanismo, suprimindo toda a folga, e depois pressiona o gatilho, para que seu acionamento não provoque desvio da pontaria. Mentalize o pedal de freio ou o gatilho da arma sendo esmagado pelo seu pé (é a pressão da água que literalmente esmaga um submarino quanto este ultrapassa a profundidade-limite). Esse mesmo conceito de pressão (ou esmagamento) no pedal de freio é de grande valia nos freios sem ABS por permitir modular bem a frenagem para evitar o travamento de roda.

    • José Ferreira Júnior

      Que didática! Entendi perfeitamente, e já faço desta forma mesmo sem saber. Fui dono de um Fiat Palio em que o freio parecia um botão Liga/Desliga. Aprendi a modulá-lo e o costume ficou.

      Também prezo pela condução suave desde sempre. Tenho orgulho quando um passageiro meu diz que se sente seguro comigo ao volante.

      • Lucas dos Santos

        Faço minhas as suas palavras. Eu também já fazia dessa forma sem saber e pela mesma razão.

        O primeiro carro que eu dirigi foi um Gol G4, que também tinha o freio demasiadamente sensível. Depois de várias frenagens bruscas não-intencionais, passei pisar com cuidado até “eliminar” a folga e então modular, exatamente como o Bob descreveu. Dessa forma, dava até mesmo para “sentir” as pastilhas de freio entrando em contato com o disco!

        Bom saber que eu estou “no caminho certo”, hehehe.

    • francisco greche junior

      Eu também queria saber mais detalhes, obrigado pela resposta Bob e obrigado pela pergunta José Ferreira.

    • Danchio

      Meu pai é exatamente ao contrário, cada vez que ele vai frear todo mundo se assusta com o tranco… rsrsr

  • Bob Sharp

    Angelo_Jir
    Dois…

  • Bob Sharp

    Leo,
    É verdade, perfeito o seu comentário.

  • Bob Sharp

    Lucas
    Antes você tivesse ficado quieto… (rsrsrs)

  • José Ferreira Júnior

    Gostaria de registrar o prazer que sempre é visitar o AUTOentusiastas. Textos sempre de alto nível, não importando se de caráter técnico (que ganham uma linguagem adequada aos que não são tão entendidos), noticioso ou como este, que narra uma viagem de carona com um exímio motorista, sempre me deparo com textos de leitura prazerosa, bem fora do padrão dos outros sites automotivos.
    Também é de se destacar a qualidade dos comentários e a polidez e o respeito entre os que interagem neste espaço.
    Parabéns aos editores e leitores, longa vida ao Ae!

    • francisco greche junior

      Poxa estou contigo. Por isso que venho aqui dia após dia, ano após ano.

  • Lucas dos Santos

    Essa suavidade foi a primeira coisa que o meu instrutor me cobrou quando eu estava aprendendo a dirigir ônibus.

    No início eu simplesmente afundava o pé no acelerador, fazia o giro subir rápido e ia trocando marchas conforme o necessário, só aliviando quando eu atingia a velocidade máxima da via. Logo na primeira aula, após observar a minha maneira de dirigir, o instrutor deixou para fazer as observações no final. Finda a aula, o instrutor assume o comando do veículo e então fala sobre o meu modo de dirigir.

    Ele disse que eu estava sendo muito agressivo na hora de acelerar e pediu para que eu prestasse atenção em como ele fazia. Fiquei impressionado! Enquanto eu fazia um barulho desnecessário com o motor, por manter o giro alto na maior parte do tempo, o instrutor, quando dirigia, ia elevando o giro progressivamente, mantendo um inacreditável silêncio a bordo. Resumindo: ao acelerar, eu produzia mais barulho do que movimento!

    Nas aulas seguintes eu fui melhorando e não fazia mais tanto barulho com o motor, mas precisarei de um pouco mais de prática para conseguir dirigir com tamanha suavidade.

  • Sonho meu ser suave assim, apesar de tentar dirigir assim a vida inteira, o acelerador eletrônico do Palio me faz passar cada vergonha…

  • Comentarista

    Meu deus, que texto é esse! Em nenhuma revista paga ja encontrei um texto tão bem escrito. Me senti no lugar do BS enquanto lia! Muito bem escrito e contado.

    Todos os relatos e testes do 408 thp falam bem desse carro. Da até vontade de ter um! Rsrs

    Minha mãe certa vez comprou um escore 1.8 94, aqueles de carburador eletronico. O carro com ela dava tranco, barulho no cambio quando a troca, etc. Sobre o barulho no cambio a ford até disponibilizou uma proteção pois ele realmente fazia barulho. Mas o mec da css foi em casa buscá-lo e eu fui com ele . O carro não dava tranco algum, que bela condução ! Aí que vi o quanto minha mãe dirigia mal kkkkkk ainda bem que ela não lê esse site!

  • Sergio S.

    Muito bom, Bob!

    Já conhecia o citado texto, inclusive compartilhei-o com alguns jovens motoristas da minha família e conhecidos.
    Eu gosto de dirigir rápido e de forma suave. A suavidade na direção veio do aprendizado que tive com um grande mestre, meu pai, caminhoneiro das antigas e muito exigente em tudo, principalmente quanto à suavidade nas trocas de marchas e evitar os buracos e imperfeições da estrada.
    Comecei a dirigir o Fusca dele com 11 anos de idade e quando eu tinha uns 13-14 ele já largava a direção do caminhão para mim na estrada – outros tempos…
    Eu acabei desenvolvendo uma forma de dirigir que combina rapidez, aproveitando bem os espaços disponíveis, suavidade e, com a previsão de manobras e utilização do câmbio, mínimo uso do freio.
    Eu costumo andar o mais rápido possível, porém sem precisar depender da utilização dos freios para isso. No trânsito, normalmente eu uso os freios somente quando alguém faz uma manobra inesperada ou quando é preciso parar mesmo. Sob certas circunstâncias, visando não prejudicar o fluxo, eu até acelero e freio mais do que gostaria, mas geralmente consigo andar no fluxo sem deixar espaços exagerados e ainda utilizando muito pouco e suavemente os freios.

  • Eduardo Zanetti

    Tio Bob, qual a diferença entre pressionar e apertar? Está só na progressão?

  • Danilo Grespan

    Indo além desse excelente texto e da análise de boa condução, acrescento que esse motor, atrelado ao câmbio Aisin de 6 marchas, foi um acerto imenso da Peugeot. Tenho um 308 Roland Garros, desse novo, com esse conjunto, e é algo sensacional de dirigir. Apesar de automático, o motor THP nos dá a ótima sensação de ganho rápido de velocidade, torque em baixa rotação, enquanto o câmbio faz trocas suaves, mesmo em reduções, e de forma bastante inteligente, sem o lag excessivo de alguns automáticos (inclusive o CVT). Eu tinha um 408 2.0 AT4 até então, e foi, nos últimos dois anos, um carro muito bom também, onde a transmissão realmente deu alguns trancos, e deixava o carro mais ruidoso em altas velocidades, mas mesmo assim, recomendo: vendi o meu em 20 minutos para um amigo que já o havia dirigido.

  • Mibson Fuly

    Também nunca senti fading dos freios no nosso Peugeot 206 1.6 16v 2008, ao contrário do Gol 1.6 8v que tivemos aqui em casa. Na mesma serra o Gol demandava muito mais cuidado na velocidade e antecipação que o 206.

  • Bob Sharp

    Sergio S.
    Faço tudo como você, exceto usar pouco freio. Gosto de frear, de modular frenagem, sentir a desaceleração. Acho que já contei aqui, meu prazer era descer a serras das Araras, rumo ao Rio, em ritmo de classificação (quando era possível, hoje não dá mais) e levar os discos a “acenderem”, ficarem rubros.

    • Sergio S.

      Sim, as vezes eu também dou uma de piloto, mas tenho essa mania de economizar os freios. É por isso que eu subo serra muito mais rápido, e até em ritmo de aventura, do que desço…he he

      GRANDE ABRAÇO.

  • marcelo

    Caraca! O mundo muda mesmo! Deu até vontade de provar um Peugeot destes….Quem sabe a turma vai experimentando e daqui a um tempo se não aparecerem as costumeiras reclamações obre os franceses não mudamos de ideia? Bom texto Bob. E uma tocada forte, sem ser furiosa, é a arte de dominar a técnica. Só o tempo …..

    • Fórmula Finesse

      O 408 turbo é um belo carro; forte mais suave – é fácil andar quente com ele, todo o resto além –, o motor se comporta com muita civilidade, como é de se esperar de sedãs dessa classe.

  • Nora Gonzalez

    Lindo texto, Bob! Adoro meu 408 e o câmbio é realmente tudo de bom. Já andei com você de carro e não queria estar no lugar do Lobão. Baita responsa!

    • Bob Sharp

      Nora
      Precisava ver o comportamento do carro naquela condição durante quase duas horas, perfeito.

  • Sergio D.

    Bob, obrigado pelo excelente texto, pelos comentários do nosso 408 e do nosso colega Lobão. Legal compartilhar a sua experiência nesse dia, que também tive o prazer de participar, e valorizar nosso colega Lobão, que além dos 1,90 m e de sua simpatia, é um profissional super-competente e comprometido como poucos na nossa indústria.

    • Bob Sharp

      Sergio D.
      Foi um prazer ser conduzido pelo Lobão e, concordo, ele é uma capacidade.

  • Francisco Passarini Junior

    Parabéns pelo texto Bob, que delícia ler este texto, ainda tenho um enorme desejo de passear de carro com você ao volante, espero que este desejo um dia se realize, forte abraço.

    • Bob Sharp

      Francisco
      Passear ou fazer uma lenha? (rsrsrs)

      • Francisco Passarini Junior

        Das duas formas Bob, tenho curiosidade de vê-lo dirigindo tanto pela cidade de São Paulo, quanto da forma “soviética”, kkk.

  • Bob Sharp

    Eduardo
    Apertar representa simplesmente movimentar o pedal; pressionar, após encontrar resistência dosar a força aplicada. A diferença é tênue.

    • KzR

      Em outras palavras, seria frear estritamente o necessário?

  • Janduir

    Acho que nas ultimas AL4, mexeram na refrigeração do óleo, por isso tem dado menos zica. Mas até onde sei, eles continuam a dizer que o óleo é vitalício….

  • KzR

    Só faltou o vídeo para enaltecer a alegria dos leitores perante o texto.
    No mínimo inspirador eu diria. Não para andar rápido, mas para melhorar a técnica de manter a suavidade mesmo no limite. Adoto esta filosofia.

  • Fórmula Finesse

    Ótimos motoristas…eficientes, suaves, responsáveis e cientes do equipamento que tripulam são raros – devem sempre merecer destaque!
    Parabéns a ele e ao Bob!

  • Daniel

    Tive uma Grand Tour com AL4. Foram 98.000 km de muita lenha. Usei sem dó, Corriqueiramente em modo manual e deixando a caixa realizar as trocas no limite. Deu problema após exatamente essa quilometragem. Foi realizada a troca de óleo (não prevista pelo manual) e troca de eletroválvulas. Custou-me 1.300 reais e funcionou mais bons 30.000 km de pancada até que eu vendi o carro. Em suma, gastei 1.300 reais em 130 mil km! Agora eu pergunto… Se eu tivesse trocado embreagem nesse período, quanto eu teria gasto?

  • Rodolfo

    Uma vez peguei um ônibus urbano na Zona Oeste de São Paulo-SP, e o motorista corria, mas eu não sentia nada… quando cheguei no meu destino elogiei o motorista dizendo:

    “você é o primeiro motorista que eu pego que não sinto correr… parabéns!!! pena que existam muitos poucos como você”.

  • Lobão

    Bob
    Muito obrigado pela matéria, espero termos outras oportunidades!

    • Bob Sharp

      Lobão
      Eu tinha que contar isso para os leitores. Certamente haverá outras dessas!
      Abraço!

  • César

    Bob, para variar, ótimo texto! É muito bom poder “testemunhar” a atuação de autoridades em suas áreas de atuação.

    Leio seus textos desde o “Best Cars”, quando ainda nem era habilitado, e posso dizer que eles ajudaram (e continuam ajudando) muito na minha formação como motorista.

    Que tal uma “Academia Autoentusiastas”, para aprimoramento de motoristas?

    Abraço!

    César

  • agent008

    Bob, parabéns por reconhecer um bom motorista, esta semana foi uma agradável surpresa com este artigo, mais a aula de punta-tacco no seu comentário no artigo do AK de 16/12. Isto é incentivo para gente como eu que quer sempre melhorar sua guiada. Estou pensando em adquirir um 508 THP seminovo e me preocupa uma questão que tem incomodado donos de carros com motor de injeção direta mundo afora: acúmulo de carbonização nas válvulas, por estas não serem lavadas pelo combustível pois este é injetado direto na câmara de combustão. Há muita desinformação, gente dizendo que o uso de gasolina de maior octanagem evita o problema, mas sou cético, teoricamente o tipo de gasolina usado não irá interferir nesta questão pois a gasolina nem mesmo chega às válvulas de admissão? Aparentemente a carbonização se origina da ventilação positiva do cárter, que envia gases originários da combustão que hajam escapado entre os anéis de pistão, e eventualmente uma pequena quantia de óleo, ao coletor de admissão para serem queimados nos cilindros e assim não poluírem a atmosfera… Tenho encontrado em fóruns, brasileiros e estrangeiros, casos de Peugeots e Minis com problema de carbonização, todos com o motor THP/Prince, mas de uma geração anterior à da linha que veio ao Brasil (chamam THP150, creio que a nossa geração é THP165). Em alguma revista especializada aqui no Brasil, um 3008 foi desmontado e também estava muito carbonizado. Você teria como consultar a PSA para saber se os THP trazidos ao Brasil já contam com medidas para corrigir a formação de depósitos de carvão? Tenho receio de comprar um e ter que conviver com constantes descarbonizações, coisa que, se lá no exterior já custa na faixa de US$ 800, imagina por aqui… Obrigado