Revisto, melhorado, o Citroën C4 Lounge

 

Coluna 5014      10.dez.2014 rnasser@autoentusiastas.com.br      

 

Ano de crise no mercado, 2014 deixa marcas na Citroën. Primeira, a queda de vendas de 14%; após, uma freada de arrumação em busca do equilíbrio entre produção, vendas e lucros. Francesco Abbruzzesi, diretor geral da marca no Brasil, sintetiza a postura: “o que interessa é o lucro da fábrica e do revendedor”. Para fazê-lo, automóveis com prazer de conduzir, ênfase na luxuosa e futurista linha DS, interação com marcas de moda para desenvolver componentes ou versões, e sinergia com a rede de revendedores, freando arroubos criativos e onerosos.

No momento, o melhor retrato da Citroën nos próximos anos é o do agora apresentado C4 Lounge THP Flex. É sedã confortável em uso, espaçoso, aclamado e reconhecido pelo mercado, rolar muito agradável, vendendo médias 850 unidades/mês. Contando com opção do bom motor desenvolvido entre a PSA — holding de Peugeot e Citroën —, e BMW: 1,6 litro, 4 cilindros, 16 válvulas, injeção direta e turbocompressor. Fazia, então, 163 cv consumindo gasálcool, passou por evolução a flex. Citroën gastou muito com mudança de componentes, incluindo o cabeçote, ganhando tratamento e metais para resistir à devastadora acidez do álcool. Para melhor resultado econômico, baixou a taxa de compressão de 10,5 a 10,2:1, mesmo assim a potência se elevou a 173 cv com álcool, e 166 cv com gasálcool – 1 cv relativamente à versão anterior. Em torque, como antes, 24,5 m·kgf num platô indo das 1.400 a 4.000 rpm. Pico de potência continua a 6.000 rpm.

Em avaliações por 600 mil quilômetros percebeu a necessidade de incrementar a lubrificação dos mancais do turbo – o álcool na gasolina degrada o óleo lubrificante, comum a motor e turbo. Recalibrou o mapa de injeção, as reações ao acelerador para melhor adequá-lo ao país de orografia variada, asfalto áspero, e aplicou nova bomba de combustível pilotada, com pressão de 200 bar. A inovação, da Bosch, varia a pressão de acordo com a demanda do motorista. Resultado, menos consumo e emissões.

O conjunto testava nova caixa automática da nipônica Aisin, mais leve, com passagens mais rápidas para as 6 marchas. Pelos resultados a Citroën alongou a relação final em 11,4%, favorecendo a redução de consumo, sem reduzir capacidade dinâmica. Utilizando gasálcool ficou 7,5% mais econômica em relação à geração anterior. Dentro da postura mercadológica de ser carro para dar prazer de condução, aplicou o sistema ESC — um corretor eletrônico para derrapagens —, nas duas versões, a Tendance e a Exclusive.

Do resultado, além do pioneiro rótulo de primeiro dentre os sedãs médios com injeção direta, turbo, flex.

As mudanças, ou evolução do meio ciclo, dão-se pela surpresa contada pelo mercado. Antes projetada para representar 30% das vendas, o motor turbo fez dobrar o percentual. Agora, com 60% demandando tal motor, aviou-se a melhorar o conjunto. Acredita o executivo maior, vendas evoluirão das 850 unidades mensais para volume entre 1.000 e 1.200.

As duas versões têm preço em R$ 78.790 e R$ 85.490, respectivamente. Afim? Compre a Exclusive. Pacote completo inclui teto solar e câmera de ré.

Garantia de três anos. Custos de revisão pré-estabelecido.

 

Revisto, melhorado, o Citroën C4 Lounge citroen

Citroën C4 Lounge THP flex, revisto e melhorado

RODA-A-RODA

Descentralização – Bernd Osterloh, líder do conselho de trabalhadores da Volkswagen alemã, defende a descentralização do comando da marca, com maior poder aos gestores regionais. Argumenta pelo ânimo de superar a Toyota e tornar-se líder mundial, e prejuízos da marca nos EUA e Brasil.

Autonomia – Tomara dê certo. Sussurros na filial brasileira dizem com clareza, os problemas da marca, como queda de vendas e participação no mercado estão na fórmula alemã de controle. A parte comercial local, por exemplo, é montada com escolhas de gentes e planos realizada na matriz alemã.

Síntese – O líder dos metalúrgicos criou bandeira para sua proposta: “Centralize o necessário, descentralize o possível.

Especial – Peugeot faz série especial do 308 usando denominação de seu usual agrado, Quicksilver. Apenas 600 unidades. Caminho destas intervenções é agregar acessórios e vender o conjunto por preço atraente. No caso, R$ 63.190.

Do Peru – Para fomentar vendas, Ford assumiu a representação oficial da marca no vizinho país. Por identidade cultural condução faz-se pelo presidente da Ford Argentina Enrique Alemany, também condutor de negócio Ford no Chile. Alemany se reporta ao presidente da empresa no Brasil.

Conceito – Referência da política de Globalização Tecnológica assumida mundialmente pela Volkswagen e privilegiando o Brasil, Golf mexicano em 7ª série, recebeu o pico de cinco estrelas em proteção de adultos e crianças em testes de segurança pela agência Latin NCAP.

Aqui – Premiação entregue ao Dr. Egon Feichter, vice-presidente de Desenvolvimento do Produto da VW do Brasil. Ato indica, Golf 7 a ser feito no Brasil terá idênticas características.

Futuro – Apesar das perdas superando US$ 1B no mercado latino-americano, Ford diz terá oito novidades industriais em 2015. Seu presidente, inglês Steven Armstrong, prevê dificuldades no primeiro semestre, tentará recuperação no segundo, fechará o ano como 2014, em torno de 3,260 mil unidades vendidas.

E? – Versões atualizadas do picape Ranger — já mostrado pela Coluna — , EcoSport, Focus, mudança tópica em Fiesta, Edge, mostrado ao início do ano em Detroit e de apresentação delongada e, crê-se, o Mustang. E duas em caminhões pequenos.

Na mesma – Francesco Abbruzzesi, número 1 da Citroën, é prático prevendo apenas em 2016 vendas iguais às de 2013. Crescimento apenas em 2017. Três anos perdidos.

Situação – As abrasões entre a GM e o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos, SP, influenciando a produção, sempre foco de dúvidas quanto ao futuro, gerou conseqüências. Investimentos para novo sedã médio foram desviados para a Argentina. Brasil será importador.

Phoenix – Nome da lenda grega do renascimento tem a mesma lógica da denominação das operações da Polícia Federal. No caso é renascer da GM na Argentina, desde sua volta ao país vizinho.

Cruze 2 – Ação ultrapassa o dividir produção com o Brasil, como o faz agora, mas ter produto exclusivo e, mais, produzir atualizada família de motores: bloco em alumínio, 4 cilindros, 16 válvulas, injeção direta e turbo. 1,4 litro e 150 cv.

E? – Câmbio de 7 marchas, automático. Não será feito na Argentina e, no Brasil, teve criado espaço industrial na fábrica da marca em Joinville, SC, mas era projeto grande, para mercados regional e europeu. Este, maior cliente, em crise, fez o presidente da GM avocar e detê-lo.

DNA – Novo Cruze, como o atual, tem o DNA coreano de estilo, herdado à Daewoo, comprada pela GM para ter pé na Ásia. No mercado outubro de 2015.

Híbridos – Ford vendeu o milésimo Fusion Hybrid e por suas contas, do total detém 84%. Entrega 60 unidades/mês em principal por custar R$135 mil, 7 mil sobre versão a gasolina. Consumidor mudou. Antes pessoas jurídicas, hoje 80% são de particulares preocupados com ecologia e contas. Diz, diferença de custo se paga em dois anos de uso.

Bilhão – As 147 mil unidades vendidas do Nissan Leaf atingiram 1 bilhão de km rodados, de acordo com o Carwings, sistema registrando as unidades vendidas. Fossem a gasolina teriam despejado na atmosfera 180 mil toneladas de CO2.

Zero – Latin NCAP, instituto de avaliação de segurança, submeteu o uruguaio Lifan 320, já vendido no Brasil, a teste de impacto. Resultado devastador: nota zero. É um esquife sobre quatro rodas. Que fará o governo federal sobre isto? O Brasil não testa os carros antes de seu lançamento ao mercado. Lançou, está lançado, e se tiver problemas é com o INSS para pagar consertos pessoais, absenteísmo ao trabalho ou auxílio funeral, e o consumidor.

Foto Legenda 02 coluna 5014 - Lifan  Revisto, melhorado, o Citroën C4 Lounge Foto Legenda 02 coluna 5014 Lifan

Lifan 320, nota zro no teste de segurança

Pega – Encolhimento do mercado doméstico brasileiro em imaginados 8% em 2014 mostra perdas e ganhos. Fiat mantém a liderança, e briga maior é para fugir do 3º. lugar. Por enquanto GM vende 5 mil unidades a mais em relação à VW. Na prática 1% de diferença.

Valor – Se Volkswagen ficar com terceira posição, despropositada ante investimentos, lançamento do up!, atualização de motores, mudanças nas fábricas, resultado pode alterar seu processo comercial. Hoje tal área no Brasil é coordenada pela matriz, com pensar alemão, a latere do presidente local.

Fica – Bernd Osterloh, acima citado, defendeu em público renovação do contrato de Martin Winterkorn, o nº. 1 da empresa. Para ele o melhor dirigente da indústria automobilística não pode ir para casa aos 69 anos. O contrato vencerá em 2016. Propõe fique até 2019, fim do ciclo de investimentos no exterior, produtos e tecnologia.

Mercado – Em caminhões disputa maior está entre MAN, líder e liderando por 600 unidades, e Mercedes-Benz, querendo recuperar negócios. MAN caiu 12% em vendas e Mercedes a metade, sinal de crescimento. Diferença é 2%.

Receio – Queda de vendas, de perspectivas, negociação com colaboradores ociosos para não despedi-los, e demora do governo com as regras do Finame PSI 2015, do BNDES, maior ferramenta de vendas, atemorizam setor.

Freios – Para tentar reduzir acidentalidade com motos e ante iniciativa aplicada aos demais veículos, Conselho Nacional de Trânsito tornou obrigatório o uso de freios ABS, antitravamento, e CBS, aplicando frenagem nas duas rodas. Em 2016, 10%. Até 2019, toda a frota.

Bardahl – Marca, sobrenome de Ole, seu criador em 1939, comemora 60 anos no Brasil, representada pelos Nunes Galvão – Antônio e filhos Evânio e Mário. Pioneira no aditivar gasolina e óleo lubrificante, no automobilismo apoiou a pioneira Mil Milhas Brasileiras, e início da carreira de Émerson Fittipaldi.

Volta – Participação na Fórmula 1 e categorias de base na França fizeram a Renault Brasil voltar às corridas com Fluence no Campeonato Brasileiro de Marcas. Há 50 anos a marca era usina de tecnologia de preparação, colhedora de vitórias, forno dos pilotos criando a base de presença brasileira no exterior.

Evolução – O Brasileiro de Marcas, coisa promocional, para automóveis não gera desenvolvimento de motores 2.0, padronizados, fornecidos pelo mago argentino Oreste Berta. As fabricantes de automóveis no Brasil deram o empuxo do nosso automobilismo organizado. Está na hora de se unir pela volta à competitividade e ao uso das corridas como laboratório dinâmico.

Igual – Organização de Fórmula 1 mudou regra de admissão: só após 18 anos e duas temporadas em fórmula. Cuidados com imagem de utilidade institucional. Em esforço de sobrevivência, F-1 deve mostrar-se socialmente útil, e o fato de  jovem imberbe, sem carteira de motorista, competir na categoria mais elevada, em caso de acidente geraria questões agora evitadas.

Antigos – Seis de fevereiro, durante a imponente Retromobile, em Paris, leilão Artcurial. No programa, Ferrari 275 GTB/2, de 1966, presente do diretor Roger Vadim à atriz Jane Fonda. Catálogo em www.artcurial.com

 

Foto Legenda 03 coluna 5014 - 1966 Ferrari 275 GTB  Revisto, melhorado, o Citroën C4 Lounge Foto Legenda 03 coluna 5014 1966 Ferrari 275 GTB

Parece GT Malzoni anabolizado, mas é Ferrari 275 GTB/2 do mesmo 1966. Estimativa em US$ 3,640M a 4,300M

Mais – Estadunidense RM Auctions cruzou o oceano e fará leilão na mesma Paris aos 3 e 4 de fevereiro. Um de suas estrelas, Delahaye 135S de 1935, competidor na 24 Horas de Le Mans 1937, e ex-Jean Philip Peugeot, herdeiro da marca. Valor estimado entre 1,2M 1,4M euros.

Gente – Norbert Reithofer, alemão, CEO da BMW, promovido. OOOO Presidente do Conselho de Supervisão da empresa. OOOO Novo titular será Harald Krueger, 49, atual diretor de produção. OOOO

 

 Prêmios pelos bons resultados do Saveiro

O picape Saveiro da Volkswagen foi laureado com quatro prêmios no âmbito da imprensa especializada. Largo caminho iniciado em 1983, foi escolhido como Melhor Picape pelo prêmio Abiauto, único do setor pela associação formada por jornalistas especializados. No mesmo nível, foi eleita Picape do Ano pelo Top Car TV, grupo criado por editores programas de automóveis. Duas revistas também o escolheram como melhor no segmento, a cinquentenária Autoesporte — Picape do Ano 1965 — e Car and Driver, Melhor Picape no grupo 10 Best.

É reconhecimento aos bons resultados conseguidos pelo picape pequeno da marca. Apostando no segmento a Volkswagen tem feito desenvolvimento constante e o mais recente foi a criação da versão cabine dupla, diferenciada por conter espaço para cinco ocupantes. Outro ponto importante como ganho de melhoria no produto foi a mudança da motorização, agora o atualizado quatro-cilindros, 1.600 cm³, 16 válvulas, 120 cv da família EA 211. Na prática um crescimento modular do motor de três cilindros caracterizador do modelo up!.

Além do motor o Saveiro porta freios ABS para estradas de terra, bloqueio eletrônico do diferencial e o assistente para arrancar em subida.

 

Foto Legenda 04 coluna 5014 - Saveiro  Revisto, melhorado, o Citroën C4 Lounge Foto Legenda 04 coluna 5014 Saveiro

Saveiro, Picape do Ano

 

 RN

 A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Roberto Nasser
Coluna: De carro por aí

Um dos mais antigos jornalistas de veículos brasileiros, dono de uma perspicácia incomum para enveredar pelos bastidores da indústria automobilística, além de ser advogado. Uma de suas realizações mais importantes é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, verdadeiro centro de cultura automobilística.

Publicações Relacionadas

  • Davi Reis

    A atual situação da Volkswagen no Brasil já é uma novela, das bem complicadas. De um lado, temos uma boa linha de produtos, mas de outro, estratégias de venda bastante equivocadas e deslizes feios em propaganda e motorização. Ela tem ótimos novos motores mas ainda não os usa em todos os carros. Fez a necessária divisão de versões, mas errou nos equipamentos de algumas versões (como Fox e Gol Comfortline sem ar-condicionado de série). O novo presidente vai ter que trabalhar bastante em 2015.

  • CorsarioViajante

    Também acho, falou tudo. Só torço para que a solução não seja um retorno ao passado.

    • Davi Reis

      Corsário, acho que a solução vai ser uma coisa que sempre repito por aqui. No up! poderíamos ter ar-condicionado de série na versão High (o único item que falta pra deixar ele “completão”) e os mesmos controles eletrônicos do Fox, como opcionais. No red/white/black up!, os tais controles como item de série, batendo de frente com o KA SEL 1.0. Em toda a linha, poderíamos ter vidros elétricos nas 4 portas, e também um acabamento na parte metálica da porta pra agradar aqueles que reclamaram (a mim, não incomodou). No Gol, versão Trendline 1.0 fica como está, Track 1.0 e uma nova versão BlueMotion 1.0 com o EA-211, Comfortline ganhando ar-condicionado, alarme, retrovisor e vidros elétricos traseiros de série e também o EA-211 1.0, mas mantendo o EA-111 para versão 1.6. No Highline, tudo está certo com a lista de itens de série, mas colocaria o EA-211 1.6 e como opcional, teto solar e o controle de estabilidade e cia., como no Fox Highline (e também com controle de tração de série). Faria o mesmo com o Voyage, com exceção da versão Evidence, que já deveria ter de série não só o novo motor, mas todos os auxílios eletrônicos de Saveiro Cross/Fox Highline. Para chamar a atenção de volta para o Gol, lançaria uma versão GT 1.6 com câmbio de 6 marchas e também completa, com uma decoração de bom gosto. Na Saveiro, também deveria existir a versão Highline com cabine estendida e essa mesma versão também deveria ganhar o novo motor. E o mais importante, isso tudo, sem alteração de preço, ou no máximo, uma alteração de 1000 reais. No Fox, versão Comfortline com ar de série e motor EA-211 com câmbio de 5 marchas cairia bem. O Polo, um dos melhores carros que a Volkswagen já fez por aqui, infelizmente vai ter que morrer em qualquer cenário. Não existe mais espaço pra ele.

  • Totiy Coutinho

    O álcool na gasolina degrada o óleo lubrificante, comum a motor e turbo, Essa foi dose !

    • Rogério Ferreira

      Já tive carros com motores só a alcool, que rodaram mais de 300.000 Km. sem precisar de retífica. Essa, realmente, não deu para entender!

      • Totiy Coutinho

        No olho da mosca Rogério,até ao esgotar o oleo observamos que ele sai da mesma cor que entrou em motores a alcool .

    • Zé do Galo

      Dose é a linguagem arcaica que autor insiste em usar!!

      • Marcos

        Creio que seja o charme da coluna, quando você dá um sorriso, percebendo o jogo de palavras do autor.

  • Ilbirs

    Um dos problemas que vejo na VW é ela não saber ser uma empresa mundial, mas sim uma série de operações regionais que em alguns pontos se entrecruzam. Compare isso com o bem-sucedido plano One Ford, em que até mesmo um Ka Mk3 é veículo mundial e ninguém sente falta de algo regional. E isso porque a Ford já foi mais fracionada em seu departamento de projetos do que é a VW nos dias de hoje.
    Talvez o modelo que desse certo à VW fosse o que já se consagrou para GM e Ford: desenvolvimento descentralizado de plataformas mundiais. A VWB já desenvolveu bases localmente, mas estas nunca foram mundiais. Todo o resto do desenvolvimento ficou excessivamente concentrado na Alemanha, sendo que alguns talentos locais poderiam e deveriam ser estimulados, dependendo da competência atingida. Creio eu que se a NSF tivesse sido deixada para o Brasil desenvolver, seria para segmentos subcompacto e compacto o que é a MQB para os segmentos médio-pequeno e médio-grande. Digo isso baseado no bom trabalho feito no up! daqui, que é mais mundial que o europeu.

    Alguns lembrarão acertadamente que a GMB tem modelos regionais como Onix e Prisma, mas a Gamma II desses difere menos em comparação aos modelos mundiais sobre essa base do que ocorre na PQ24 do Gol, em que a seção traseira é completamente diferente para que consiga abrigar um eixo traseiro derivado do usado no Gol da geração passada. Claro que também na GMB há exemplos de variações mais extremas em bases mundiais, como o ocorrido entre a S10/Colorado mundial e a versão americana recém-lançada, mas ainda assim é em grau menor que aquele ocorrido na VW.
    Uma das vantagens desse modelo adotado por GM e Ford é um maior intercâmbio de informações e conhecimentos. Que se veja quão rapidamente a linha mundial da Ford se tornou mundial e o quanto que esses carros atendem bem a diversos requisitos dos mais diferentes mercados do mundo. No caso da Ford, há o fato de os centros desenvolvedores de plataformas mundiais serem basicamente Estados Unidos, Europa e Austrália (responsável pela base da nova Ranger), enquanto na GM há mais centros desenvolvedores de plataformas mundiais (Estados Unidos, Europa, Coreia do Sul, Brasil e Austrália). Como a VW tem menor capacidade projetiva instalada fora da Alemanha em comparação às marcas que citei, poderíamos considerar o desenvolvimento de plataformas mundiais basicamente restrito às operações com mais capacidade projetiva (entenda-se aí Alemanha e Brasil, o tal futuro centro americano e mais alguma coisa na República Tcheca, essa última advinda da Skoda). Já sobre os modelos a serem feitos sobre as referidas plataformas, aqui é a ocasião em que cabe uma maior autonomia das operações locais, que podem justamente fazer “chapéus” específicos para seus países, aqui aprendendo a lição ensinada pela MQB de se permitir uma grande variação externa com baixa variabilidade mecânica.

    Em relação ao Brasil, essa maior autonomia poderia começar a ser dada permitindo-se maiores mudanças no up! daqui, até como forma de lapidar o produto (já deixei aqui anteriormente algumas que seriam razoáveis). No caso dos Estados Unidos, isso poderia começar com a condução da versão de série do utilitário CrossBlue, uma vez que o mesmo é feito sob medida para concorrer com Honda Pilot, Toyota Highlander, Hyundai Grand Santa Fé e Chevrolet Traverse, importando muito mais para o contexto local do que para o mundial. O principal cuidado a ser tomado seria evitar redundâncias de produtos em diversos segmentos, de maneira que um projeto local possa ser adotado mundialmente caso o contexto permita.
    Olhando a linha da VW, podemos pensar no seguinte:

    Subcompactos: aqui, quanto mais “brasileiro” for o up!, melhor, pois o daqui tem mais trunfos que o europeu;

    Compactos: aqui é onde a coisa está mais embolada, pois existem Gol, Polo e Fox, sendo que atualmente está algo praticamente regionalizado, com Gol e Fox nas Américas e Polo no Velho Mundo. Talvez um carro que pudesse ser chamado de Gol no Brasil e Polo na Europa solucionasse um pouco essa questão, uma vez que a VW não é tão rígida assim em relação a que nome um determinado produto deve ter no planeta inteiro. Devido ao bom grau de aproveitamento de espaço interno para o tamanho ultrarreduzido, a base NSF poderia ter uma versão alargada e esticada para ser usada nesse segmento, possivelmente gerando um compacto que pudesse ser vendido ou não com a marca VW conforme o mercado. Poderia ser um novo Gol.

    Ficaria um Fox solto por aí e que por ora os rumores dão conta de que será um MQB;

    Médios-pequenos e compactos americanos: aqui não há muito mistério, pois Golf e Jetta cobrem bem esse buraco;

    Médios-grandes e médios americanos: aqui há o problema de dois carros chamados Passat com dimensões incrivelmente próximas, sendo que o europeu já é feito sobre a base MQB. Talvez fosse caso de unificá-los, a exemplo do que a Ford fez com Mondeo e Fusion, exibindo bons resultados;

    SUVs: aqui também não há muito mistério, pois Tiguan, Touareg e CrossBlue têm tudo para cobrir bem os usos de diversos países. Tiguan II e CrossBlue podem sossegadamente ser feitos sobre a MQB, o que permitiria à unidade americana cobrir bem dois segmentos com uma única base. Ficaria o Touareg solto, mas este vai sempre a reboque de Cayenne e Q7;

    Pick-ups: de pequenas só há a Saveiro e o contexto é mais brasileiro do que qualquer coisa. Porém, mundialmente há a Amarok, cuja base ainda pode render bastante, quem sabe recebendo novas cabine e caçamba em uma geração evolucionária. Talvez desse margem para fazer um SUV mais rústico sobre essa base, ainda que haja o problema de a Amarok só ter um medida de entre-eixos para o mundo (e uma estendida para usos bem restritos na Europa);

    Outros comerciais leves: aqui a coisa é mais complicada e com certeza já há gente na VWB se arrependendo profundamente de não terem feito a Kombi daqui evoluir conforme a equivalente no exterior evoluiu. Vamos ver em que vai dar a versão de série do e-Co-Motion, uma vez que suas dimensões externas são incrivelmente próximas às da Kombi descontinuada. Quem sabe também estejamos diante de uma T6 que permita comprimentos de chassi superiores aos atualmente permitidos pela T5, o que abrangeria um grande número de usos.
    Em relação a uma faixa acima da Kombi, não vejo tantos problemas assim, pois a próxima geração da Crafter, pelo que dão conta os rumores, será projetada de maneira independente pela VW em conjunto com a MAN, significando que esse veículo deixa de ser algo que usa carroceria e chassi de Sprinter com mecânicas de Wolfsburg para ser um projeto próprio. Considerando que Ford e FCA estão usando furgões de tipo europeu até mesmo em suas operações americanas, talvez houvesse espaço para que a operação na América do Norte fizesse também essa nova geração. O mesmo vale aqui para o Brasil, uma vez que temos Sprinter, Daily e Master vendendo bem.

  • Malaman

    O problema da VW é simplesmente erro de estratégia. Ela ainda vende seus carros supondo que tem o melhor produto do mercado, que somente seu nome e a fama de confiabilidade são suficientes para fazê-la vender mais. Só que isso não é mais verdade, e ela não se deu conta disso.

  • Lorenzo Frigerio

    O álcool era problemático nos carros carburados (a álcool) quando dava excesso, por não se misturar com o óleo e aumentar o atrito nos cilindros.

  • Bob Sharp

    Zé do Galo
    Linguagem arcaica não, erudita. Consigo ler perfeitamente as colunas dele. Você não? Ou preferia que ele escrevesse à Fernando Haddad, “nós pega o peixe”?

  • RR

    Zé do Galo
    Te cuida, petista, senão vai virar frango de macumba!

  • RR

    Totiy
    Oleo sujo mesmo, está saindo da nossa Petrobras …e aos borbotões
    He he

  • Luke

    O Gol parou no tempo, enquanto as rivais lançaram HB20, Onix, etc; o Fox é jurássico, lançado há 11 anos, com um estilo que remete à época em que as minivans ainda estavam na moda; o Polo é um ótimo carro que não pode custar mais barato por causa do Fox; não apresentou nenhuma alternativa à Kombi, embora tivesse tempo suficiente para fazê-lo, a Fiat fez e emplacou a nova Fiorino e por aí vai. Acorda, Volkswagen!