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Dois aviões…

Em agosto de 2013 a Renault chamou a imprensa para conhecer o Mégane R.S. (R.S. de Renault Sport),  versão de alto desempenho da linha Mégane na Europa que compreende o hatchback 4-portas, perua Grandtour, Coupé, Coupé cabriolet, GT e GT Line. Mas para essas primeiras impressões por algumas horas a filial brasileira escolheu a pista do aeródromo de Itirapina, no interior de São Paulo, a 220 quilômetros da capital. O motivo da apresentação foi mostrar a rápida versão que a Renault estava cogitando importar e oferecer a chance de acelerá-la para se sentir do que o motor turbo 2-litros era capaz. É evidente que, fora constatar os dotes de aceleração e velocidade, não dá para avaliar um carro numa pista de aeroporto, tampouco num micro-circuito delineado por cones num pátio de estacionamento de aviões. Por isso ficamos aguardando a oportunidade de ter um em mãos, o que finalmente aconteceu.

 

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Sensacional é o adjetivo que descreve bem esse Mégane.  Tem um temperamento dócil e ao mesmo tempo eletrizante quando solicitado.  O único problema é suspensão muito dura para o piso brasileiro, por exemplo o de São Paulo na maioria das ruas e avenidas. Para onde foi previsto rodar, Europa, sem problema, com o bônus de um comportamento em curva exemplar. Como é um Mégane Coupé desenvolvido para alto desempenho, transporta cinco pessoas, nada de 2+2, e tem porta-malas de 375 litros. O estepe é fino, temporário. Dado seu temperamento, é um carro muito rápido que se presta perfeitamente para o uso dia-a-dia. Filosoficamente é um Gol GTI, um Gol 1,6 de mais desempenho, só que numa grandeza de modificação maior.

 

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Pesa 1.387 kg e o motor 2-litros turbo de injeção no duto desenvolve 265 cv a 5.500 rpm, com torque de 36,7 m·kgf de 3.000 a 5.000 rpm. A taxa de compressão é contida, 8,6:1, o que permite funcionar com gasolina comum de 95 octanas RON. Pode eventualmente haver algum ganho com gasolina premium (98 RON) ou Podium (102 RON), mas não experimentei.

O câmbio manual de seis marchas, com ré sincronizada, é bom de comando, com seleção e engates fáceis. O alcance nas marcas, até 6.000 rpm (o corte sujo é a 6.500) é 1ª 55 km/h, 2ª 87, 3ª 121, 4ª 164, 5ª 206 e 6ª 253 km/h. Câmbio de desempenho, portanto, nada de 5+E, mas com 42,2 por 1.000 rpm a 120 km/h o motor está só a 2.850 rpm.

 

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A aceleração 0-100 km/h é em 6 segundos, realmente rápido, chega a parecer ser menos. Em qualquer marcha e em qualquer velocidade a aceleração impressiona. O mais notável é poder ser utilizado calmamente na cidade, tirá-lo da imobilidade não requer nenhuma habilidade especial. Apenas a embreagem é um pouco mais pesada do que num carro normal, mas não incomoda. O motor 2-litros contribui para isso, enquanto o turbo ainda não está soprando.

 

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Notável também o comportamento em curva. Além dos pneus de seção 235 mm (Yokohama Advan Sport 235/35ZR19), a suspensão dianteira é uma variação da McPherson, com mola e amortecedor desacoplados da manga de eixo e não constituindo o eixo de direção, para ganho em precisão de geometria.

 

Suspensão Megane

O eixo de direção (steer axis) é separado do conjunto mola-amortecedor. Note no contato com o solo o raio de rolagem ligeiramente negativo (desenho topspeed.com)

A assistência de direção é elétrica e a relação é baixa, 14:1, uma direção rápida, e são 2,66 voltas entre batentes. Não há reações indesejáveis nem com aplicação de potência, mostrando o bom projeto e acerto, mesmo com distribuição de peso 65-35% dianteira-traseira. Os freios são muito potentes, Brembo com pinças Brembo de quatro pistões na dianteira, discos ventilados e ranhurados de Ø 340 mm na dianteira e pinças flutuantes com discos ranhurados de Ø 290 mm na traseira. Há controle de estabilidade e tração, que pode ser desligado parcial ou totalmente.

 

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Como em outros Renault, a chave é tipo cartão, de presença, mas há um encaixe para ela no painel. A partida é por botão, requerendo pisar no pedal de freio.

Os bancos dianteiros Recaro têm suporte lateral irretocável e o conjunto de pedais são refletem a boa engenharia do carro todo, com ênfase na facilidade para o punta-tacco. O volante de Ø 370 mm é perfeito. Há luzes diurnas a LED e os faróis são bixenônio, um sossego ao se andar rápido à noite.

O consumo, segundo a fábrica, é 10,2 km/l cidade e 16,1 km/h, estrada. Pelo computador de bordo obtive 9,1 e 13,6 km/l, respectivamente, bem razoável. O tanque é de boa capacidade, 60 litros.

As dimensões são adequadas, 4.299 mm de comprimento com entreeixos de 2.645 mm, 1.835 mm de largura por 1.435 mm de altura; vão livre do solo, 120 mm, diâmetro mínimo de curva, 11,35 metros. Como cupê, o acesso ao banco traseiro é pelas compridas portas e os dois bancos podem ser facilmente avançados, o retorno ajudado à posição anterior pela memória mecânica. Embora as janelas traseiras e o vidro traseiro sejam pequenos, dando certa sensação claustrofóbica, o espaço atrás é bem. “Eu atrás de mim” sento-me bem. Há apoio de cabeça e cintos de três pontos retráteis para os três ocupantes desse banco.

 

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Espaço razoável “atrás de mim”

Crítica mesmo, só duas: s falta da faixa degradê no pára-brisa e, como nos outros Mégane, não haver o acionamento uma-varrida do limpador. Não custava nada tê-los.

É mesmo bom ter um cupê hatchback com habitabilidade para cinco pessoas sabendo-se poder contar com tanta aceleração e capaz de ir a mais de 250 km/h, mesmo que no Brasil não se possa legalmente chegar a tanto. Saber que se pode é sempre bom. E num carro extremamente dócil, que pode ser usado calmamente. Por isso fica a torcida para  que a Renault decida importá-lo, mesmo que não seja em grande volume, desse modo atendendo aos verdadeiramente autoentusiastas.

Seu preço na França é  € 32.000, cerca de R$ 102.000.  Aqui chegaria por cerca de R$ 200 mil.

Os Keller, Arnaldo e Paulo, andaram com o R.S. e gostaram. Veja o que eles acharam:

Ao acelerá-lo constatamos que os freios da Brembo não estão ali por estética, mas por necessidade. O torque em baixa é impressionante, então logo em baixa ele já despeja potência a valer. Fizeram um belo trabalho para que essa torrente de potência não se dissipasse em fritadas de pneus, já que a tração é dianteira. Também vem daí, da boa tração, sua tremenda arrancada de 0 a 100 km/h em 6 segundos. E ele segue acelerando, sempre acelerando forte, marcha atrás de marcha, quase a ponto de nos tirar o fôlego.— Arnaldo.

Andei com uma boa dose de entusiasmo no R.S. durante uns 30 minutos. Esse 2-litros turbo faz um ruído de aspiração que somado com a aceleração intensa chega a assustar! Acontece tudo tão rápido, mas ao mesmo tempo com suavidade. E a caixa vai simplesmente absorvendo as marchas sem o menor esforço. Assim também é com a direção, que tem uma precisão absurda além de muito rápida. E a suspensão, associada a um controle de estabilidade refinado quase nos faz esquecer que estamos em um tração-dianteira  e nos coloca em trilhos imaginários. E os potentes Brembos tem uma modulação incrível. O R.S. é voraz, um animal, eu diria até visceral, mas ao mesmo tempo refinado, que amedronta, mas transmite segurança. Que nos instiga a desafiá-lo até o seu limite, ou melhor, até o nosso limite. Sem dúvida tem um pedigree de pista que o coloca, talvez, na mesma categoria do BMW M3 GTS que testamos no Ae já há algum tempo. Claro que o M3 é mais monstruoso, mas em termos de entusiasmo o Mégarne RS está junto. Quando eu saí do Megane e peguei o volante de outro carro, um belo Citroën DS4, voltado para o conforto, percebi ainda mais o quanto o R.S. é um carro feito para o coração dos entusiastas. Simplesmente achei que não conseguiria ter mais prazer dirigindo carros comuns. Fiquei viciado. E para falar a verdade eu estava precisando de uma experiência assim para me revitalizar. — Paulo

No vídeo você vai notar um assovio quando sob aceleração forte. Começou quando estávamos chegando a Araçariguama (50 km de São Paulo), e logo deduzi que era ar escapando do turbo. Uma rápida olhada e a braçadeira da mangueira que chegava ao motor estava frouxa. Não tínhamos uma chave de venda à mão e deixei para “consertar” em casa, já que não havia perigo em andar com o carro assim. Na garagem, em dois minutos a braçadeira foi apertada. E se o R.S. já andava mesmo sem pressurizar o que deveria, imagine o leitor agora…

BS

Veja o vídeo:

 

 

Mais fotos, ficha técnica em seguida:

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FICHA TÉCNICA MÉGANE R.S.
 
MOTOR
Designação Renault F4R 874
Descrição 4-cil. em linha, bloco de ferro fundido, cabeçote de alumínio, transversal, 16V, duplo comando no cabeçote acionados por correia dentada, variador de fase na admissão, turbo Garrett de dupla voluta com interresfriador, pressão de 1,2 bar, acionamento de válvulas indireto por alavancas roletadas, compensador hidráulico de folga, volante de duas massas, gasolina 95~98 RON
Cilindrada 1.998 cm³
Diâmetro e curso 82,7 x 93 mm
Taxa de compressão 8,6:1
Potência máxima 265 cv a 5.500 rpm
Torque máximo 36,4 m·kgf de 3.000 a 5.000 rpm
Veloc. méd. pistão em pot. máx. 17,05 m/s
Comprimento da biela 144 mm
Relação r/l 0,32
Formação de mistura Injeção eletrônica seqüencial no duto
TRANSMISSÃO
Câmbio Transeixo manual de 6 marchas mais ré, tração dianteira
Relações da marchas 1ª 3,08:1; 2ª 1,95:1. 3ª 1,38:1; 4ª 1,03:1, 5ª 0,82:1; 6ª 0,67:1; ré 3,54:1
Relação de diferencial 4,19:1
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço inferior triangular, eixo de direção separado da coluna, mola helicoidal de 44 N/mm, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora de Ø 23 mm
Traseira Eixo de torção em “H”, mola helicoidal de 29,8 N/mm, amortecedor pressurizado e barra estabilizadora
DIREÇÃO Pinhão e cremalheira, assistência elétrica indexada à velocidade
Relação de direção 14:1
Voltas entre batentes 2,66
Diâmetro do volante 370 mm
Diâmetro mínimo de curva 11,35 m
FREIOS
Dianteiros A disco ventilado e ranhurado de Ø 340 mm
Traseiros A disco ranhurado de Ø 290 mm
Pinças Dianteiras, 4 pistões, traseira, 2 pistões
Controle ABS Teves e EBD
RODAS E PNEUS
Rodas Alumínio, 8,5J x 19, fixação por 5 parafusos, Ø do círculo de parafusos 114,3 mm, offset 65 mm
Pneus 235/35ZR19, estepe temporário 135/80R17M
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto aerodin. 0,34
Área frontal 2,20 m²
Área frontal corrigida 0,75 m²
CARROCERIA Monobloco em aço, cupê hatchback, duas portas, subchassi dianteiro, cinco lugares
CAPACIDADES
Porta-malas 375 litros
Tanque de combustível 60 litros
PESOS
Em ordem de marcha 1.387 kg
Distribuição dianteira/traseira 65-35%
Carga útil 448 kg
DIMENSÕES
Comprimento 4.299 mm
Largura sem espelhos 1.835 mm
Altura 1.435 mm
Distância entre eixos 2.645 mm
Bitola dianteira/traseira 1.595/1.550 mm
Distância mínima do solo 120 mm
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h 6 s
Aceleração 0-400 m 14 s
Aceleração 0-1.000 m 25,4 s
Velocidade máxima 254 km/h
CONSUMO DE COMBUSTÍVEL (computador de bordo)
Cidade 9,1 km/l   (11 l/100 km)
Estrada 13,6 km/l (7,3 l/100 km)
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 6ª 42,2 km/h
Rotação a 120 km/h, em 6ª 2.850 rpm
Rotação à vel. máxima, em 6ª 6.000 rpm

 

(Atualizado em 27/12/14 às 17h10)
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