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Vai ver que a quase eterna pintura da minha casa me deixou de mau humor. Foram 46 dias e moro num apartamento comum, não numa mansão. E também não mandei fazer uma réplica do teto da capela Sistina, não. Mas agora que terminou, o que já me incomodava um pouco agora parece que tomou importância na minha vida. Provavelmente porque o pintor já foi e agora não tenho em quem treinar meu chicote fictício… brincadeira, é claro, que como vocês sabem sou muito bem humorada. Tanto que aguentei 46 dias as tintas e os pincéis! Mas é fato que a questão do uso errado de lanternas e faróis nos veículos tem me feito pensar bastante – e meus caros leitores me incentivaram a escrever sobre isso.

Anos atrás, quando trabalhava na Gazeta Mercantil, o seu Franklin, um dos motoristas do jornal me levava para uma entrevista e comentou comigo que achava um absurdo ter de usar farol baixo na cidade em vez da lanterna, que para ele seria o suficiente. “Olha só, do jeito como a rua está iluminada, para quê?”. Respirei fundo e saquei da minha paciência que me permitiu dar aulas durante vários anos. “O senhor já viu avião no céu? Percebeu que ele tem faróis também?  Sabe por quê? Porque além de ver, os objetos que se movem precisam ser vistos.” Simples assim. Bem didática eu, não?

Pois é, esse é o princípio que norteia a questão das luzes, basicamente. Ver e ser visto. No caso de São Paulo, com a iluminação pública em pandarecos, chega a ser uma temeridade não usar os faróis baixos. Além de incorrer numa infração, pois o Código de Trânsito Brasileiro determina, no artigo 40, que “o condutor manterá acesos os faróis do veículo, utilizando luz baixa, durante a noite e durante o dia nos túneis providos de iluminação pública”. E tem punição prevista também, no artigo 250, que diz que não utilizar o farol baixo à noite é infração média, sujeita a multa e débito de 4 pontos na CNH. Para mim, o motorista que usa apenas a lanterna brinca com a sorte. Isso sem falar que pode cruzar com um motorista com carro com Insulfilm mega escuro que teria dificuldades em ver o farol, quanto mais a lanterna…

Já falei aqui sobre o risco que impõem a si mesmos e aos demais aqueles que andam com aquelas luzinhas azuis mortiças, tipo vela de macumba. Engraçado que muitas vezes são esses mesmos motoristas que enchem de luzes o painel e os inúmeros conta-giros que acrescentam ou então colocam diversas lâmpadas abaixo e dos lados das regulamentares, mas ainda assim também tipo vela de macumba. Por que então não colocar o número correto de watts no lugar correto? Nora, a pintura já acabou, sossega!

Tem aqueles que acham que poupam bateria ao acender menos luzes do que deveriam e andam como morcegões, livres, leves e soltos por aí, espalhando a raiva entre os motoristas responsáveis. Ops, eu e meus trocadilhos, morcego x raiva, entenderam? Voltando então aos carros, contamos para eles que a bateria se recarrega quando o carro anda? E que ela foi fabricada para agüentar não somente a carga das luzes mas de todos os outros acessórios do carro?

Tão irritante quanto farol alto na fuça da gente é farol na potência certa, mas desregulado. Fica tudo tilintando igual a árvore de Natal quando passa numa depressão/buraco. E dá-lhe ofusca, não ofusca, ofusca, não ofusca. E ainda é infração grave segundo o Artigo 223 do CTB.

Pessoalmente, não vivo mais sem o ajuste anti-ofuscamento do retrovisor do carro. Pena que não tem para os espelhos laterais – e toma luz de interrogatório de filme de polícia quando tem alguém atrás da gente.

No outro extremo dos chatos, tem aqueles que usam o conhecido farol de milha a torto e direito — mas a maioria não o faz quando poderia, que é apenas em conjunto com o farol alto e somente em vias sem iluminação. E devem ser desligados quando vem outro carro no sentido oposto. Já os de neblina só podem ser acionados com os faróis baixos ligados e em situações de pouca visibilidade. O alcance deles é limitado porque são feitos para iluminar perto e nas margens, mas tem gente que os levanta e passa a ofuscar todo mundo.

Voltando aos tempos em que dava aulas, vamos recapitular:

– Farol de neblina – É o farol utilizado para melhorar a iluminação da via em caso de neblina, nevasca, tempestade ou nuvem de poeira. Devem estar o mais próximo do solo (instalados junto ao pára-choque dianteiro), um farol em cada extremidade frontal do veículo. Serve para destacar os dispositivos refletivos instalados no solo da via e delinear o caminho do veículo. Antigamente era apelidado de “caça-buraco” pois o facho de luz em forma de leque ajuda a localizar os buracos antes de cair neles.

– Farol de longo alcance – conhecido também por farol de milha. É um farol adicional, de facho de luz concentrado e de alta intensidade, destinado a auxiliar a iluminação, à distância. Fica à frente do veículo.

– Lanternas/luzes de neblina – É uma lanterna utilizada para tornar o veículo mais facilmente visível, pela traseira, em caso de neblina densa.

Lanternas – Também conhecidas como luzes de posição. Na dianteira, a lanterna é uma luz de baixa potência e que pode ser a mesma lâmpada da seta. Atrás, é a mesma luz vermelha que se acende com o farol baixo. A lei prevê o uso das lanternas só em dois casos: durante o dia, em caso de chuva ou neblina – embora seja recomendável o farol baixo; e à noite, com o carro parado, no embarque e desembarque de passageiros ou em operações de carga e descarga. Fora isso, é farol baixo, mesmo.
E as luzes de xenônio? Quando são as originais, beleza. Iluminam perfeitamente, bem reguladas e dentro da lei. Mas quando são “genéricas”… ô inferno! Atualmente, a lei proíbe a instalação em veículos que não saem de fábrica com as luzes de xenônio — mesmo que seja oferecido como opcional em outra versão.

Naquele mundo da tecnologia de ponta, na dimensão paralela dos carros que gostaríamos de ter, a Mercedes-Benz desenvolveu um sistema de farol alto permanente sem ofuscamento, o Adaptive Highbeam Assist PLUS (assistência adaptativa de faróis altos), que permite manter os faróis principais acesos permanentemente sem ofuscar outros motoristas. O sistema é bem sofisticado e usa uma câmera para registrar carros vindos da direção oposta ou circulando à frente pois um algoritmo de reconhecimento de imagens detecta se há algum veículo vindo ou circulando à frente e aciona um mecanismo no módulo dos faróis. Ele mascara parte do cone de luz do farol principal evitando a projeção nos pontos onde há outros carros, evitando o ofuscamento. Assim, o motorista pode deixar o farol alto sempre ligado sem incomodar quem trafega na direção oposta – ou na mesma. Os modelos da classe E também tem regulagem automática da intensidade das lanternas traseiras seja noite ou dia. As lanternas, luzes de freios e indicadores de direção têm a luminosidade ajustada de acordo com a iluminação ambiente e as condições de tráfego e evita ofuscamento mesmo durante as frenagens.

O irônico é que este dispositivo bacana equipa carros alemães, país no qual estão os melhores motoristas do planeta, na minha opinião. Não podia ter em todos os carros no Brasil? Pois é, acho que o cheiro de tinta me faz delirar…

Mudando de assunto – Momento Luluzinha: com a saída do piloto brasileiro Felipe Nasr do posto de piloto de testes da Williams, Susie Wolff passa a ocupar o cargo e também o de primeira piloto reserva na equipe britânica para a temporada 2015. A conferir.

NG

A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade da sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.
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