Volante desal,

Volante minimamente desalinhado, mas incomoda (foto zap.com.br)

Não há quem não se incomode com determinadas coisas nos automóveis, coisinhas chatas, defeitos até, que embora não sejam lá tão graves, chateiam. Tenho as minhas, claro, como o leitor deve ter as suas.

Por exemplo, como é desagradável dirigir um carro sem que o volante esteja perfeitamente centrado, não? As rodas podem até estar alinhadas,  a direção não puxar para nenhum lado, mas ver aquele volante “torto”, como incomoda! E a trepidação por roda desbalanceada, como é chato, por menor que seja.

Hoje até que é raro, mas não faz muito tempo freios a discos costumavam chiar com pouca pressão no pedal. Mas enquanto havia muita reclamação (vivenciei isso como sócio-gerente de concessionária VW,  responsável pela assistência técnica), eu sempre gostei daquele leve chiado ao frear de leve. Coincidência ou não, era para mim sinônimo de freio bom, com boa “mordida” de pastilhas (cada louco com sua mania…).

Esse ruído nada mais era que ressonância da vibração por todo o sistema (disco, pastilha, pinça), igual à que se obtém passando o dedo molhado na borda de um copo de cristal a uma certa rotação e pressão. O chiado de freio era maior quando a umidade relativa do ar estava mais baixa.

Outro defeito chato era nas primeiras injeções, década de 1990 em diante, o sistema entender que abaixo de 800 rpm não era para o motor funcionar mais. Resultado: quando se procurava arrancar suavemente às vezes o motor morria. Bastou a indústria reprogramar o mapa de injeção para a rotação de corte inferior ser a 600 ou mesmo 500 rpm para o problema foi resolvido.

Outra coisa que incomoda é falta de batente definido no pedal do acelerador. Chegar ao fim de curso e se sentir ou escutar o “téc” é uma das coisas no automóvel. Pelo que me lembro, a Volkswagen é pródiga nisso.

 

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Acelerador de VW Golf, exemplo de batente de fim de curso do acelerador (foto: autor)

Por falar em acelerador, punta-tacco que exige ginástica para ser feito é um martírio. É uma falha do up!, por exemplo. Estou com cross up! de teste e volta e meia no trânsito me vejo sem conseguir fazê-lo com facilidade. Outro, dos primeiros em que notei a dificuldade, foi o Vectra II, de 1996. No caso do up! é estranho, porque em todos os VW, à exceção do Fusca, o punta-tacco é instintivo. Aliás, pedaleira pior que a do Fusca estou para conhecer: deixar de acelerar para frear é uma manobra e tanto…

 

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Pedais de Fusca (foto: interlagos64.blogspot.com)

Em compensação, o trambulador do Fusca foi referência por muitos anos e com toda certeza era um dos pontos altos do carro quando surgiu, na comparação com os de sua época, mesmo que a primeira não fosse sincronizada, o destacava de todos os outros carros. A precisão da seleção e engate das marchas devia-se principalmente aos coxins do transeixo com elasticidade praticamente zero (o motor em si não tinha coxins, ficava aparafusado, “pendurado” no transeixo).

E os volantes de direção? Demorou para se chegar aos atuais,  com os encaixes de polegares na raiz dos raios com o aro. Lembram-se do volante de um só raio do Citroën DS 19 ou dos volantes de “V” invertido, que eu chamava de volante do estilista e não do motorista na revistas (Oficina Mecânica, Quatro Rodas e Autoesporte) em que trabalhei? Um dos primeiros que me lembro a ter lugar para os polegares foi o 4-raios do Porsche 911. O famoso “4-botões” do Passat TS (igual ao do Golf) era muito bom.

A direção assistida trouxe dois grandes benefícios ao automobilistas. Um, permitiu baixar a relação de direção, tornando-a mais rápida, facilitando em muito o dirigir. Outro,  reduzir o diâmetro dos volantes. Era comum volantes de 400 a 420 mm de diâmetro, bastante incômodos. Lembro-me dos primeiros Omegas nacionais e seus volantes de 400 mm e de como melhorou quando o passaram para 380 mm pouco depois. Atualmente, quando dirijo um carro antigo (raro) o que mais estranho é o tamanho do volante.

Outro ponto ao qual dou máxima atenção são os espelhos retrovisores. Pela minha idade (72) dirigi muito só com o espelho interno, um horror comparado com os dois externos de hoje. Depois, ainda nos anos 1960, os carros começaram vir com externo esquerdo e da metade da década seguinte veio o espelho direito, este convexo, do contrário de nada serviria devido à distância entre olhos e ele. Lembro-me que a primeira leva de Nissan Maxima que chegou ao Brasil, no começo dos anos 1990, o espelho direito era plano, obviamente um  erro de quem especificou o veículo para o Brasil.

O citado Vectra II, que na Alemanha tinha espelho esquerdo asférico (nome correto do biconvexo), aqui certamente Custo, o Fantasminha fez estrago: era apenas convexo numa carcaça (de excelente aerodinâmica) desenhada para espelho asférico. Resultado: péssima retrovisão lateral. Mais tarde a GM aumentou o tamanho da carcaça, melhorando um pouco. Mas nada de asférico…

Ainda no tema espelhos externos, como é chato espelhos que trepidam, não? Um caso típico era os espelhos da S10. Desde o lançamento em 1995 e por mais 12 anos ficou assim, não sei se já resolveram. A última vez em que dirigi uma foi num teste ainda para o Best Cars, de 2007, e continuavam a trepidar.

 

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S!0. trepidação de espelho crônica (foto Best Cars)

Esses são apenas algumas das coisas que incomodam num automóvel. O leitor com toda certeza deve ter os seus defeitos e características que não lhe agradam.

BS

 

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