Side view  BMW i8, NO USO Side view

Está chovendo um pouco, asfalto molhado. É tarde e não tem ninguém nas estradas. Paro num semáforo. Hum, está bem vazio agora…

Puxo a alavanca do câmbio para a esquerda. Na tela, o D muda para S1 (modo esportivo). Empurro a borboleta no lado direito do volante. S1 muda para M1. Semáforo vermelho e. . .  agora. Verde! O acelerador no talo, durante uns décimos de um segundo eu sinto as quatro rodas procurando aderência no asfalto. Encontrou, agora, vamos!

RrRrRbopRrRrRrRbopRrRrRrRrRbopRrRrRrRrRrR . . . . .

O som dos três cilindros é meio diferente, e a aceleração é forte e gostosa. O câmbio é robotizado, e assim acelerando tudo que dá, no modo M não preciso tocar nada. Chegando na faixa vermelha do conta-giros, vem o som “bop”, que  é quando a ignição é cortada no motor pela troca de marcha. A troca é rápida e não dá para sentir nenhuma interrupção na força, pois o motor elétrico dá mais um pouco de torque nestes momentos. Se tivesse em asfalto seco e com pneus quentes, eu teria chegado a 100 km/h em 4,4 segundos.

Quando eu soube que a BMW vai fazer o i8, pensei que seria um carro elétrico como o i3, mas não é assim. O i8 é um carro híbrido, como um Toyota Prius, só que o i8 tem 366 cv  e 58,1 m·kgf de torque. A velocidade máxima é de 250 km/h.

Acho que fazer um híbrido é um pouco de moda, ou rotina, já que todo mundo faz híbridos agora, só que o i8 é bem longe de um carro convencional. É um carro bem esportivo, com um mini-motor de 1,5 litro, potência bastante alta e consumo baixo, estrutura da carroceria de compósito de fibra de carbono, portas-tesoura e 2+2 lugares. Tem mais algum carro assim no mercado? Acho que não.

 

Tunnel 2  BMW i8, NO USO Tunnel 2

Estilo muito agradável para uma “mostra de tecnologia ambulante”

Side view w doors open  BMW i8, NO USO Side view w doors open

 

Chegando em casa bem tarde e não querendo incomodar ninguém,  aperto o botão edrive e o carro fica todo silencioso — se tiver energia na bateria, claro. Em geral posso dizer que isso não é um problema, porque é muito fácil colocar um pouco de energia na bateria. No momento que se coloca o carro no modo esportivo e se usa o carro numa maneira “normal”, o motor de combustão também começa carregar a bateria. Pode-se perguntar se o consumo de gasolina fica muito alto fazendo isso.  É algo relativo, muito relativo no caso do i8.

Dirigindo a 110 km/h na rodovia com só motor elétrico ligado o consumo é zero,  claro. Quantos quilômetros de autonomia nesse modo? Uns 25 apenas. Para mim é muito pouco, e não sou só eu que pensa assim. Na China híbridos que têm um autonomia de pelo menos 50 quilômetros gozam de alguns incentivos ou privilégios. Como esse ciclo de teste na China é feito, não sei,  mas acho que o i8 não consegue chegar a 50 quilômetros. A autonomia pelo Novo Ciclo Europeu de Condução (NEDC) é de 37 quilômetros, segundo informação de BMW. A bateria no carro é bastante pequena,  capacidade de  apenas 7 kW·h, e disso só 5,2 kW·h pode ser usado na prática. Assim o uso apenas elétrico é muito limitado.

 

0 consumption  BMW i8, NO USO 0 consumption

Embaixo, à esquerda, consumo zero de gasolina

Mudando para o modo normal na mesma velocidade, 110 km/h, o computador de bordo diz que o consumo fica na região de 30 km por litro. Tem-se que cuidar muito do acelerador para se conseguir um consumo tão baixo, mas pelo menos 20 km/l é fácil e muito, muito bom, lembre-se que é um carro com 366 cv !

Mudando o modo mais uma vez nessa velocidade, para o Sport, o consumo aumenta para uns 12 km/l. Isso não é só porque  o motor gera energia elétrica para a  bateria. O câmbio vai de D6 para S5 e as rotações do motor sobem bastante. O barulho do motor fica mais alto também. O motor faz esse ronco meio raro para um motor de três cilindros. Parece um pouco como um V-6 grande em rotação não muito alta. Alguns anos atrás quando dirigi um Audi A2 1.4 TDI de três cilindros, o som do motor era bem parecido. Só que o motor do i8 é a gasolina 1,5-litro e turbo,  tem 150 cv mais do que o A2, e chega perto de 7.000 rpm!

 

0.33 consumption  BMW i8, NO USO 0

Usando os dois motores, consumo e autonomia, na parte mais baixa do painel

 

0.83 consumption  BMW i8, NO USO 0

Modo esportivo, consumo de gasolina bem mais alto, mas ainda menos de 10 litros a cada 100 km

Escutando o ronco do motor, mudando várias vezes entre Sport e Normal eu fico meio confuso. Parece-me estranho, uma válvula no escape pode fazer uma mudança assim? Ou. . .  estou escutando um barulho sintético, um ronco que não é verdade. Será que é algo que vem do sistema áudio do carro? Baixo o vidro da porta e o ronco por fora também fica mais alto. Ãh? Com muita curiosidade, faço uma pesquisa na internet. A-rá!, é verdade, o barulho do motor vem do áudio. Dentro do carro há quatro alto-falantes para isso e por fora háum alto-falante meio grande no lado esquerdo, onde poderia ter sido colocado um silenciador do escapamento, se o carro tivesse um sistema com dois tubos.

 

Interior driving  BMW i8, NO USO Interior driving

Luzes azuis podem ser mudadas para branco ou laranja

 

Gear lever flips over  BMW i8, NO USO Gear lever flips over

Alavanca de câmbio também é iluminada

 

Instrument sport  BMW i8, NO USO Instrument sport

Painel pode ser configurado em português

 

Instrument large  BMW i8, NO USO Instrument large

Tela mostrando tipo de fonte de energia em uso

 

Head up display  BMW i8, NO USO Head up display

Head-up display (mostrador projetado no pára-brisa) mostra velocidade

Fico todo confuso, o ronco no modo Sport é bacana, sem dúvida, cada pessoa que o escuta fica com um sorriso grande. Eu também. E esse som parece de verdade, só que. . .  não é.

Acho que vai ter muita polêmica entre autoentusiastas no mundo sobre isso, e deixo isso para lá, o ronco me faz sorrir e eu estou gostando muito trocando marchas usando as borboletas no volante. Acelerando ou desacelerando forte, o motor faz um “bop” na troca para cima e um aumento curto da rotação do motor no momento que se troca marcha para baixo, não tem como não gostar disso.

Eu quero escutar esse ronco do motor quando o carro estiver  parado no “neutro”. Só que no momento que se sai de S para D com  o carro  parado, o motor morre, vai para “N” também, claro.  Não tem como fazer uns roncos com o motor com o carro parado? Com motor parado no “N” eu aperto o acelerador só para ver se acontece algo. E, o motor liga, mas “livre” o motor não é, parece um pouco sufocado e acho que o gerador está carregando a bateria. É evidente que a BMW não quer que alguém fique “brincando” com o acelerador com o carro parado.

O câmbio é de seis marchas e a troca automática é muito bem feita, sempre rápida e macia ao mesmo tempo e em qualquer um situação a marcha certa esta ali. Ah, só uma coisa que eu não gosto, as borboletas solidárias ao volante. Entendo que isso poderia ser bom se tivesse um carro para track days,  quando se pode ficar com os mãos no volante sempre. Só que a direção não é tão direta/rápida e no uso normal eu fico várias vezes querendo trocar marcha sem saber onde está a borboleta certa.  Para cima ou baixo? Esquerda ou direita? Eu prefiro muito mais as borboletas que ficam fixas na coluna do que no volante, assim sempre se sabe onde ficam as borboletas, – pela esquerda e + pela direita.

 

Interior at distance  BMW i8, NO USO Interior at distance

Moderníssimo interior, em todos os sentidos

Eu disse que o carro não é muito bom para um circuito, como assim? Sim, a problema principal são os pneus. O standard é 195/50R20 e 215/45 R20. O carro de avaliação estava com os pneus opcionais 215/45R20 e 245/40 R20. Para o desempenho do carro isso simplesmente não é suficiente, e até nas estradas normais eu fico sem aderência, principalmente nas rodas dianteiras.

O carro deu algumas saídas de frente bastante graves em algumas curvas quando eu o dirigi com muita inspiração. O ESP ajuda um pouco, mas é bem evidente que falta aderência. Entendo porque, cada carro tem seus compromissos, e a BMW priorizou um consumo baixo.

Falando de pneus, na rodovia os pneus fazem bastante barulho e eu me surpreendi com isso. O i3 tem um barulho dos pneus que é bastante baixo e pensei que a separação entre o chassis de alumínio e carroceria de compósito de fibra de carbono fosse o motivo,  mas como o i8 faz um barulho mais alto deve haver outra razão. que acho não ser só dependente da largura dos pneus. Tudo bem, o barulho não é tão alto como num Porsche 911, é suportável, só que pensei que fosse menos. O ruído do vento é bem mais controlado.

 

body structure  BMW i8, NO USO body structure

Estrutura de assoalho, cabine e ambos os motores visíveis (BMW)

 

Quarter semi near  BMW i8, NO USO Quarter semi near

Quarter view front  BMW i8, NO USO Quarter view front

 

O conforto no carro é bom no geral, sem dúvida. As molas e amortecedores são firmes e num nível que para mim é perfeito, nunca firme ou mole demais. A direção também é boa e o carro simplesmente é muito gostoso de dirigir. No assunto do chassis só tem uma coisa para melhorar. Quando se vai de uma faixa para uma outra, cruzando as linhas pintados no asfalto, o carro serpenteia um pouco, quase parecendo uma moto com o pneu atrás bastante gasto e plano. Raro isso.

Os bancos são confortáveis e dão bom suporte para dirigir de modo esportivo. E os bancos +2 atrás? Ai, meu Deus. É só para crianças mesmo. Alguém com 1,65 m de altura fica com a cabeça no teto e o espaço para pés e pernas é nada mais do que diminutivo. Eu me sentei ai atrás e consegui ficar lá,  mas com cabeça, não, o corpo inteiro, todo torto. Para um adulto é só algo para viagem bem curtas, coisa de emergência. Mas, por outro lado, como sou pai com filhos, gosto muito de ter condições levá-los no carro que uso, e nisso o i8 funciona bastante bem.

 

Rear seat 1  BMW i8, NO USO Rear seat 1

Bem apertado atrás

 

Rear seat luggage  BMW i8, NO USO Rear seat luggage

Malas sob medida (Louis Vuitton)

 

Over engine luggage  BMW i8, NO USO Over engine luggage

Pequena mala sobre o motor a gasolina (Louis Vuitton)

 

Luggage space  BMW i8, NO USO Luggage space

Quatro tampas para ter acesso ao motor ciclo Otto, sobra pouco espaço útil

Usando o carro. tive a oportunidade de levar vários amigos, e entrar e sair do carro é um capitulo. . . diferente. Eu vi tantas maneiras diferentes de entrar e sair do carro que nunca imaginei possível, e entrar e sair do banco traseiro é muito complicado, e agora vou fugir um pouco do tema.

Na área de saúde há uma medida que eu acho bem interessante: quantos pontos se precisa para se levantar do chão? Ok, sente-se  no chão, com as pernas para frente. Bom, agora coloque um pé bem perto das suas nádegas, dobrando a perna, sem tocar nada com as mãos e tente se levantar com essa perna apenas. Isso é se levantar com um ponto. Você conseguiu? Parabéns! Então você é qualificado para entrar e sair do BMW i8.

 

Door sill  BMW i8, NO USO Door sill

Soleira larga e alta, fácil de sujar a roupa

Tudo bem, pode ser que você vá conseguir usar o carro se você precisa até três pontos para levantar do chão. E se for mais do que três? A vida com um i8 vai ser bastante complicada. No final do meu uso do i8 eu entrava  e saía dele como se o carro fosse meu. Minha dica  para entrar no carro é essa:

Para abrir a porta há um botão, elétrico, na parte traseira da porta. Apertando-o pode-se levantá-la. Depois vire as costas para o carro e caia dentro do carro com o traseiro primeiro. Agora suas panturrilhas vão tocar a borda do exterior do carro, que se estiver sujo e/ou sua roupa for clara vai sujar (se você ver  alguém com calça suja ou molhada aí atrás das panturrilhas, você sabe que ele tem um i8). Com as nádegas dentro do carro e os pés fora é só levantar as pernas e virar para dentro. Simples depois de uns dias com o carro. Sair do carro é parecido e se tem que usar pelo menos uma mão para se levantar do carro, também uma coisa que se aprende depois um tempinho. Até que no final do uso com o i8 eu já gostava dessa maneira diferente de entrar e sair.

 

Hans in the car  BMW i8, NO USO Hans in the car

Hans sempre feliz com carros modernos!

Dentro do carro,  o interior parece algo entre um BMW normal e o i3 com duas telas, e com um tempo de uso se aprende como usá-lo sem confusão. Se houver alguma dúvida sobre algo, o manual é acessível na tela grande na parte de cima do console. Uma coisa que acho meio estranho foi que a câmera de ré que funciona bem no escuro, inclusive. Pelo vidro traseiro tem-se uma visão que dá para usar um pouco. Mas teve um momento que eu fiquei em dúvida sobre o que tinha atrás do carro, e para ver melhor eu abri a porta um pouco, como se faz num Lamborghini quando se dá ré, e. . .  o i8 parou!  Não quer dar mais ré não? É assim com BMW. Porta aberta? A alavanca vai sozinha para “N” e o carro não anda.

Então, pode ser que eu tenho várias coisas para reclamar do carro, mas são coisinhas. Em geral eu gostei esse i8, até muito. Ele é divertido, diferente, econômico no uso (não para comprar, o preço na Europa é uns 150 000 euros, equivalente a cerca de 480 mil reais ), prático pelo tipo de carro. Tem tração nas quatro rodas, com o fio na tomada o carro sempre tem a temperatura que você quer na partida, parece um bom carro para os invernos no norte da Europa.

 

Red snake bridge 3  BMW i8, NO USO Red snake bridge 3

Andando na ponte Red Snake, em Gotemburgo.

Red snake bridge 1  BMW i8, NO USO Red snake bridge 1

Red snake bridge 2  BMW i8, NO USO Red snake bridge 2

Charging  BMW i8, NO USO Charging

Tomada de casa carregando as baterias

Depois de devolver o i8 sentimos muita falta dele, todos nós na família, as crianças também. O filhão, porque o carro é “bacana”, rápido e tem um ronco legal. Minha  filhinha, porque “As portas são divertidas e dá para chegar até a escola com o motor elétrico, e isso é bom para o meio ambiente”.

Bem, é verdade. Parabéns, BMW, com o i8 vocês encantaram a família inteira. E nas estradas faz tempo de eu não dirigia um carro que chamasse tanta atenção, muita gente olha, faz fotos e conversa no posto.

É difícil esquecer os dias com esse BMW i8.

 

Rear wing  BMW i8, NO USO Rear wing

Aerofólio curvo, segue coluna do teto

 

Rear wing 2  BMW i8, NO USO Rear wing 2

Visto da frente para a traseira, canto traseiro, com lateral rebaixada e aerofólio sobre ela

 

Rear w doors open  BMW i8, NO USO Rear w doors open

Não precisa explicar que é muito moderno

Quarter view w door open  BMW i8, NO USO Quarter view w door open

Quarter view one door open  BMW i8, NO USO Quarter view one door open

HJ

Fotos: Hans Jartoft e Björn Vesterdahl, exceto onde indicado

 

  • CorsarioViajante

    Um dos poucos carros atuais que realmente me empolga, do coração bater mais rápido querendo que a página carregue mais rápido.

  • Christian Bernert

    Incrível! Só mesmo o Ae para fazer um No Uso com um i8. Muito obrigado, Hans.
    Que carro deliciosamente esquisito. Tudo é tão diferente. Tem até que aprender de novo a como se faz para entrar e sair do carro.
    Quanto ao ronco do motor eu percebi que o prazer de ouvi-lo é comparável a ir a um show da sua banda favorita e perceber que era tudo ‘play back’. Ela continua sendo a sua banda favorita, mas fica a incômoda sensação de que você foi enganado.

  • Fabio Vicente

    Esse carro parece ter saído de algum filme de ficção cientifica. Acho ele muito interessante, e as soluções adotadas pela BMW em breve estará disponível em toda a linha. Ou seja, esse veículo faz o papel que antes pertencia à série 7, de estrear as tecnologias mais inovadoras.
    É um esportivo perfeito para uso diário, e para um casal com no máximo 1 filho pequeno.
    Entre este modelo e o Tesla Model S, qual você escolheria, Hans?

  • Fabio

    Mas o que é isso ? Estou de boca aberta com este carro .

  • Angelito

    “econômico no uso (não para comprar, o preço na Europa é uns 150 000 euros, equivalente a cerca de 480 mil reais )”. Mais barato que no Brasil!!

  • Fernando

    Ele tem diversas características que assim consegue empolgar como um esportivo mesmo.

    O interior vou confessar que embora não goste de modernismos demais parece uma evolução natural dos antigos esportivos e assim não tem exageros, até essa iluminação em azul nos contornos achei de bom gosto, parece ser suave e não incomodar, parecendo algo do futuro mesmo.

    Estou curioso quanto à iluminação das telas, pois na foto do HUD dá para ver que o painel está bem escuro, dá um conforto visual grande viajar assim à noite.

    Me agradou muito o uso do visual junto de funcionalidade deste aerofólio embutido, é muito bom ver um projeto balanceando bem tantas faces.

    Somente me incomoda saber que o barulho é artificial, é algo pessoal e que neste passo eu preferiria optar por desativar isso e viver com o que há de real em tudo que o carro faz e oferece, que não é pouca coisa.

  • joao

    Parabéns BMW pelo carro e ao autor pelo texto. No aguardo da bolsa carro elétrico…

  • Bob Sharp

    Hans
    Concordo com você, as borboletas de troca de marcha têm de ser fixas na coluna de direção. E que belo texto, hein!

    • Marcelo

      Lembrei daquele video seu procurando borboleta no Civic numa curva fechada da Capuava. Os Mitsubishi vem com borboletas fixas. Se eles tem frota de imprensa – agora com produção nacional do ASX – valeria um teste nele.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Os Bávaros são mesmo muito talentosos! Mas esse negócio de som “fake” corta um pouco o barato… E já que tem 366 cv podia ter borracha para domar cada um deles, não ia afetar tanto assim o consumo, não acham?

  • Ilbirs

    Sobre o i8, ele é surpreendentemente mais rápido do que a maior parte das pessoas aqui suporia, como se pode ver na última mega-arrancada da Motor Trend:

    Sim, ele chega junto de um M4, sendo que tem três cilindros a menos que este. O Hans reclamou da estabilidade do carro mesmo com o conjunto de pneus mais largo disponível na unidade que ele avaliou, o que me fará indagar sobre se o problema não estaria na disposição da bateria, que corta o carro ao meio e cria esse calombo gigantesco entre os bancos. Observe-se que o Tesla Model S usa bateria pranchada e sua estabilidade é sempre alvo de elogios, até porque estamos falando de um centro de gravidade bem baixinho. O mais estranho de tudo é que o i3 usa bateria pranchada, que poderia perfeitamente ter sido aproveitada no i8, aumentando assim o grau de compartilhamento, possibilitando centro de gravidade mais baixo, assoalho plano (agradável independentemente do tipo de carro que o tenha) e maior autonomia exclusivamente elétrica. Creio eu que se fosse desse jeito, a combinação de pneus mais estreitos (195/50 R 20 e 215/45 R 20) daria conta de sobra e evitaria essas saídas de frente relatadas no texto. E, pelo teor do relato, devem ser aquelas saídas de frente que você sente como se o carro fosse puxado abruptamente por uma mão invisível. Logo, continuo estranhando essa bateria cortando o carro longitudinalmente ao meio.

    Sobre esse serpenteamento quando o carro passa linhas pintadas no asfalto, vou perguntar se esses pneus de baixo atrito não seriam a causa do problema, pois é algo mais ou menos análogo a uma moto que perde tração quando muda de faixa e passa por cima do trecho pontilhado. Já sobre o lance de a porta deixar a transmissão em Neutro, seria caso de a BMW montar retrovisores pouca coisa maiores que os atuais e dar algum jeito nessa câmera de ré. Tenho a impressão que ela não está apontada em um ângulo que permita ver a parte mais extrema do para-choque, mas nisso o Hans é que pode falar melhor.

    Porém, o que achei ridículo é o tal lance de som artificial de motor vindo pelos alto-falantes. A BMW tem feito isso desde antes do i8 e acaba caindo naquelas coisas que só acrescentam uma complexidade desnecessária. Tenho a impressão de que esse alto-falante externo vai ser daquelas coisas que pifarão rapidinho e que não compensam o conserto por não interferirem no funcionamento normal e saudável do veículo. Já que o carro é híbrido, não é problema ele ter um som que seja mais baixo, uma vez que já se espera tal coisa dele.

  • Leister Carneiro

    Me lembra a bmw m1

  • Lucas

    Incrível mesmo. Me lembrou até uma certa propaganda: Tem coisas que só o AUTOentusiastas faz por você!

  • Thales Sobral

    Que texto bom de ler! Parabéns!

  • Juvenal Jorge

    Hans,
    muito boa sua avaliação no uso normal do i8. As fotos então, impressionantes, muito boas mesmo.
    Continue com seu ótimo trabalho, gostamos bastante.
    Um abraço

  • Poomah

    TOP texto, quentíssimo. Aproxima a gente de algo que à primeira vista parece circunscrito apenas aos engenheiros de foguetes. Achei graça do método de entrar/sair encontrado pelo Hans. É muito parecido com o que eu uso, quase pelas mesma razões.

  • Roberto

    Parabéns pelo texto! Ótimo mesmo! Espero poder ver um i8 aqui no Brasil já!

  • Lorenzo Frigerio
    • CorsarioViajante

      Ah não… Não dá para acreditar… É o fim.

  • Francisco Amaral Santos

    Gotemburgo, uma capital sueca

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Que filhos da p….. !!!! Querem é faturar mais! As marginais tinham de ter limite de 100 km/h.

    • João Carlos

      Bob, faça uma nota sobre isso, merece. Ninguém aguenta mais isso. Imagina reduzir mais 10 km/h em todas as vias como eles pretendem?! Até o mais cuidadoso motorista está levando multa de “excesso de velocidade”.

      • Domingos

        Ufa, esse cara tem que sair da prefeitura. O pavimento nunca esteve tão ruim, a cidade tão mal cuidada e as obras nunca foram tão toscas.
        Da última vez que usei transporte público, melhorou pouca coisa. Também, fazer mais faixa onde já existe faixa é só para contar nos 8 milhões de KM de faixas. Um trajeto longo melhorou uns 5 minutos apenas.
        Agora eu aprendi que não voto em qualquer babaca que já foi ou é marxista ou tem simpatia por isso. Cuidado porque tem muitos em PSDB e derivados.
        Nem que eu fosse pobre eu votava no PT e qualquer candidato de qualquer partido com essas inclinações ideológicas.
        É SEMPRE a mesma m*rda. A marginal era a única via com limite bom que sobrou em SP e já tinha o problema da faixa central com limite ridículo de 70 Km/h.
        Na minha região o que era 70 Km/h baixou para 60 na mão do Kassab, outro lixinho de inclinação pós-moderna escondido em partido de direita. Com o Haddad já foi para 50 e até 40 e com radar.
        Já nem obedeço mais, porém noto que os motoristas atuais (como caiu o nível dos motoristas de SP… retardadização) que dirigem olhando para o celular respeitam.
        O segredo é dirigir na velocidade natural e decorar todos os pontos de radar. Desisti de respeitar essa babaquice e ver ainda SP lotada de carro velho acabado que antes não passava na inspeção veicular.
        Acho que era melhor ter a frota com boa manutenção do que baixar a velocidade da cidade toda e ainda ter novamente os carros que cospem óleo/combustível pelo escapamento.
        Esquerda, Haddad, marxistas… Tudo gente sem coerência que só trabalha para se manter no poder e faz só besteira.

        • FocusMan

          Interessante!

          Salvador, minha cidade natal, atualmente é governada por um prefeito do DEM. A vida na cidade é outra! Asfalto de qualidade em toda a cidade, limpeza, melhor fluidez no trânsito com poucas e acertadas obras.

  • Joel Gayeski

    Eu gosto bastante do i8, esse jeito futurista e toda a tecnologia embarcada sem ser um carro chato.
    O texto sempre bem humorado, muito legal.

  • Hans

    Capital. . . um. . . “typing error”. Uma cidade legal, é mais perto da verdade 🙂

  • FocusMan

    Também acredito num “problema” de distribuição de massas.

  • KzR

    Um carro diferente para um híbrido. Baixo alcance em modo elétrico, mas muito bom no geral. Boa potência, baixo consumo, visual sem igual e maneiras diferentes de entrar e usá-lo diariamente.
    Uma pena o som ser artificial, mas se anima, então é válido. Se é tipo o som que escutamos em vídeo, não há o que se queixar. Ainda pode-se gabar que este é som de videogame mais realístico possível.