B17 CB  UM CASO DE SENTIMENTO ELEVADO B17 CB1

(warhistoryonline.com)

Considero  esta é uma das mais tocantes histórias sobre sentimento humano que já li e quero compartilhá-la com o leitor.

O fato ocorreu no dia 20 de dezembro de 1943, após o B-17 comandado por pelo 2º tenente Charles Brown ter concluído com êxito missão de bombardeio sobre Bremen, Alemanha, na Segunda Guerra Mundial. O bombardeiro, que tinha pintado na fuselagem “Ye Olde Pub”, “O velho bar” em inglês arcaico, foi seriamente avariado pelos caças alemães assim que soltou as bombas. O piloto da Luftwaffe e ás Franz Stigler recebeu ordem da abater o bombardeiro avariado, mas em vez disso, por razões humanitárias, resolveu deixar a tripulação voltar a um campo de pouso seguro.

A missão do “Ye Olde Pub” era a primeira da tripulação e o objetivo era bombardear a sede da fábrica de aviões Focke-Wulf.

O B-17 iniciou a corrida de bombardeio de 10 minutos a 27.300 pés (8.300 m) a uma temperatura do ar externo de – 60 °C. Antes de soltar as bombas, o fogo antiaéreo certeiro destruiu o nariz de acrílico e acabou com o motor nº 2, o segundo da esquerda para a direita, e avariou bastante o n° 4, o da extrema direita, que precisou ser desligado para evitar o disparo de hélice. Os danos tiraram velocidade do bombardeiro e Brown não conseguiu manter a formação e ficou totalmente vulnerável a ataque inimigo.

O B-17 de Brown foi atacado por mais de 12 caças inimigos, entre Bf-109 e Fw 190 por mais de 10 minutos. Mais danos, e o motor nº 3 estava só com meia potência, o que deixava o avião com no máximo 40% de toda sua potência disponível. Os sistemas de oxigênio, hidráulico e elétrico também foram afetados e o bombardeiro perdeu metade do leme e o profundor esquerdo. Os únicos armamentos defensivos eram as duas torres dorsais e uma das três metralhadoras de tiro para frente, das 11 normalmente disponíveis. A maior parte da tripulação estava ferida, o artilheiro de cauda havia morrido e Brown estava ferido no ombro direito.

Com a falta de oxigênio, Brown perdeu os sentidos e quando os recuperou o avião estava a 5.000 pés (1.500 m) e mergulhando. Ele readquiriu controle e tirou o B-17 do mergulho a apenas 1.000 ou 2.000 pés (300 ou 600 m) e então iniciou o longo voo de regresso à base com o bombardeiro em condições críticas.

O B-17 avariado foi avistado pelos alemães que estavam no solo, incluindo Franz Stigler, cujo Messerschmitt Bf 109 G-6 estava sendo reabastecido e remuniciado num campo de pouso. Ele logo decolou e logo alcançou o avião de Brown. Ele pôde ver pela fuselagem destruída a tripulação ferida e incapacitada. Para surpresa do piloto americano, Stigler não atirou no bombardeiro avariado.

Anos mais tarde Stigler disse ter se lembrado naquele momento das palavras de um de seus comandantes, Gustav Rödel, quando estava no 27º Grupo de Caça no Norte da África: “Você são antes de tudo, primeiro e último, pilotos de caça. Se eu souber que algum de vocês atirou em alguém descendo de paraquedas, eu mesmo vou dar um tiro em vocês”. Para Stigler, revelaria mais tarde, era como se a tripulação estivesse em paraquedas. “Ao vê-los eu não poderia atirar.”

Por duas vezes Stigler tentou convencer Brown a aterrissar num campo de pouso alemão ou desviar para a neutra Suécia, perto, onde ele e sua tripulação poderiam receber cuidados médicos, e ele ficaria fora de ação no resto da guerra. Mas nem ele nem a tripulação entendiam o que Stigler queria que fizessem por gestos e pela boca, e resolveram continuar voando. O que o alemão queria, soube-se depois, era que Brown rumasse para a Suécia. Stigler então ficou perto do B-17, em formação pelo lado esquerdo, de modo que o fogo antiaéreo reconhecesse um avião alemão e não atirasse nele ou na formação. E assim ele escoltou o B-17 avariado até chegar ao mar, quando foi embora com uma saudação.

Brown conseguiu voar as 250 milhas (400 km) sobre o Mar do Norte e pousar no aeródromo Seething da RAF, base do 448º Grupo de Bombardeiros. Após a reunião pós-voo ele contou aos seus oficiais o fato de um avião alemão tê-lo deixado seguir. Recebeu ordem de jamais repetir essa história ao resto da unidade para evitar a formação de sentimento positivo a respeito de pilotos inimigos. Brown comentaria depois que “alguém decidiu que não se pode ser humano e estar numa cabine de avião alemão”.

Charlie Brown voou B-17s até o final da Guerra na Europa, em maio de 1945.

Por seu lado, Stigler nada falou a respeito do incidente com seus oficiais comandantes, pois sabia que um piloto alemão que poupasse o inimigo tinha o risco de ser executado.

Após a guerra

Terminado o conflito na Europa, Brown voltou para casa em Weston, no estado de West Virginia e entrou na faculdade, voltando ao serviço na Força Aérea em 1949, servindo até 1965. Depois, como oficial do Serviço de Estrangeiro do Departamento de Estado, fez várias viagens ao Laos e Vietnã. Em 1972 se reformou e foi viver em Miami, dedicando-se a invenções.

Quanto a Franz Stigler, foi para o Canadá em 1953 e se tornou homem de negócios de sucesso.

Em 1986, o então reformado Coronel Brown foi convidado a dar uma palestra num encontro de pilotos de combate chamado “Gathering of the Eagles” (Reunião das Águias, nome de filme de 1963 sobre a Guerra Fria que no Brasil se chamou “Águias em Alerta”). Alguém lhe perguntou se ele tinha algum fato memorável nas suas missões na Segunda Guerra Mundial, Brown parou um instante para pensar e dali contou a história da escolta e a saudação de um piloto desconhecido. Depois disso ele resolveu que tinha de achar o tal piloto.

Após quatro anos de procura nos registros das forças aéreas americana e alemã, onde esperava encontrar o que queria, o nome do piloto alemão, Brown nada conseguiu. Ele então escreveu uma carta a uma associação de pilotos de combate. Alguns meses depois ele recebeu uma carta de Stigler, que continuava a viver no Canadá. “Fui eu”, disse. Quando se falaram ao telefone, Stigler descreveu seu caça, a escolta e a saudação, confirmando tudo. Brown tinha de ter certeza que aquele era o piloto envolvido no caso.

Entre 1990 e 2008, Charlie Brown e Franz Stigler se tornaram grandes amigos e assim continuaram até a morte de ambos, separada por poucos meses, em 2008.

Quem eram

 

CBrown  UM CASO DE SENTIMENTO ELEVADO CBrown1

Charlie Brown

O 2º tenente Charlie Brown (“um garoto de fazenda de Weston, West Virginia”, como ele se descrevia”) era um piloto de B-17F do 379º Grupo de Bombardeiros da Força Aérea do Exército do Estados Unidos (USAAF) baseada na unidade da RAF em Kimbolton, Inglaterra.

 

Franz  UM CASO DE SENTIMENTO ELEVADO Franz

Franz Stigler

Franz Stigler (ex-piloto de linha aérea da Baviera) era um piloto de caça veterano da Luftwaffe (Força Aérea Alemã) lotado no 27º Grupo de Caça (Jagdeschwader 27), tem a seu crédito 22 vitórias e seria elegível para a cobiçada condecoração Knight’s Cross (Cruz de Cavaleiro) caso tivesse abatido mais um avião inimigo.

BS
Foto destacada: www.fold3.com; Franz Stigler, dailymail.co.uk; Charlie Brown, lesegundaguerra.com

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Daniel S. de Araujo

    Emocionante. Dentro dos horrores da guerra, ainda é possivel ver fatos como este.

  • Paulo Roberto de Miguel

    Estava conversando com minha filha e lembrei que, quando criança, era fascinado por filmes da II Guerra Mundial, principalmente por histórias iguais a essa, envolvendo honra, bravura, humanidade e compaixão. Coincidência ambos terem falecido com diferença de poucos meses? Acho que não…

  • ccn1410

    Coisa de Homem e não de capacho!

  • Carlos Miguez – BH

    O título desta história poderia ter sido: “CARATER” !!!

  • Christian Bernert

    Já li alguns relatos de guerra que nos fazem pensar sobre os sentimentos de humanidade que insistem em aflorar em meio à bestialidade dos conflitos. Fico realmente tocado por mais esta história.

    É impossível não transportar isto para a questão tantas vezes abordada aqui no AE. A (des)humanidade crescente do nosso trânsito. Eu vejo que as máquinas nos tornam impessoais. Nos escondemos atrás de um aparelho, de um sistema. Quanto menos enxergamos o ser humano, mais violentos e egoístas nos tornamos.

    Esta é na minha opinião a principal razão para banir os ‘sacos de lixo’. Se cada motorista pudesse ver no veículo ao lado um ser humano ao invés de uma máquina, sem dúvida teríamos menos conflitos no trânsito. Precisamos banir os sacos de lixo, mas precisamos ir muito além. Mesmo sendo o idioma incompreensível, o contato olho no olho foi capaz de unir aqueles dois pilotos apesar de estarem em lados opostos do conflito. Isto é amor ao próximo. Lição que Jesus do Natal que se aproxima, tanto se esforçou para nos ensinar.

    • Lorenzo Frigerio

      No artigo de ontem, fiz um paralelo entre os sacos de lixo e os muros altos das casas. Estes são erigidos não para evitar que pedestres olhem para dentro, mas para que os próprios moradores se eximam de olhar para fora.

      • CCN-1410

        É por isso que minha casa, na parte da frente, não tem cerca nem muro.

    • CCN-1410

      Belas palavras Christian.

  • Eurico Junior

    Já conhecia essa bela história, topei com ela na Wikipedia… que lição de solidariedade!

  • palmeirense

    Bela história Bob, prova de respeito, nosso trânsito poderia seguir esse exemplo!!!

  • Fórmula Finesse

    Resquícios de cavalheirismo dos aviadores de caça da Primeira Grande Guerra – claro, existe dois lados (ou até mais) da moeda: O Bombardeio poupado, pode ter voltado depois para causar danos mortais a civis alemães, pois era “moda” o bombardeamento maciço (forma covarde de guerrear) sobre “alvos militares”, que muitas vezes – maioria no final da guerra – contemplava pessoas e construções inofensivas. Era o esforço de uma guerra desesperada, a busca pela quebra do espírito do povo inimigo…Importante ressaltar que Eixo e Aliados se utilizaram bastante desse expediente! De todo modo, eram soldados contra soldados lá no céu, reconheceram- se como iguais, e a tradição das armas é algo sempre muito caro para os militares. Pena que foi um ato isolado dentro de uma guerra que desafiou a imaginação em termos de escala mortífera; estou concluído de ler a obra de Martin Gilbert sobre o conflito, quase mil páginas de um diário sangrento, heroico, e – queira Deus – que nunca será repetido!

    • alvarenga/rn

      A verdade mesmo é que não existem inocentes, em última instância a sociedade é responsável pelos seus governantes, sejam ditadores ou não. Quanto a uma WWIII, quem viver verá. Infelizmente.

  • Marco de Yparraguirre

    Já conhecia a historia que é uma aula de ética,e de respeito ao ser humano,totalmente esquecida nos dias de hoje.

  • Jorge

    História incrível! Impressionante.

  • BlueGopher

    Admirável.
    Atos assim são frutos não só de educação e postura correta, mas brotam na alma da pessoa, um algum lugar mais profundo e infelizmente ainda inacessível para grande parte dos seres humanos.

    • CCN-1410

      Eu penso que isso vem da educação que recebemos em casa.

      • $2354837

        Se fosse assim todos os órfãos seriam psicopatas.

        • CCN-1410

          Ou dos orfanatos, LOL.

  • Lucas Romeiro

    Belíssima história Bob, acabei de ler e conta-lá ao meu pai. Serve para desmistificar a terrível imagem que temos dos pilotos alemães como sanguinários e impiedosos.

    • Lorenzo Frigerio

      A Aeronáutica de todos os países sempre se comportou com mais nobreza. Existe até um filme com o Malcolm McDowell passado na 1ª. Guerra, em que ele era líder de um batalhão aéreo; o nome me foge. Mostra bem a vida desses pilotos.

      • CCN-1410

        Da mesma forma que existiram muitas barbaridades.
        Certa vez um pastor luterano que esteve na segunda guerra me falou, que quando ele e seu batalhão foram presos na Polônia, os soldados americanos não só eram gentis, como muitos até fizeram amizade com seus inimigos alemães. O maior medos desses soldados alemães, era que os russos iriam tomar posse do lugar e ficariam responsáveis pelos soldados perdedores.
        Com muita habilidade e amizade, conseguiu com esses soldados americanos, ser transferido para a França, onde pode ficar livre.
        Disse ele, ainda, que os russos eram terríveis com os prisioneiros de guerra e que todos tinham receio de cair em suas mãos.

      • Leonardo Mendes

        Aces High é o nome do filme.

        No IMdB é listado como Ases do Espaço.

  • Claudio Abreu

    Emocionante, Bob. Esse é o verdadeira old-school de que mais precisamos hoje em dia, humanidade, coragem, bondade em última instância. Eu, na pouca idade que tenho, já me vejo perdendo as esperanças na humanidade, que dirá você, Bob, que já viu um mundo bem melhor e positivo. Continue assim, quem sabe essa garotada aprende. Abraço

  • robson santos

    “…e seria elegível para a cobiçada condecoração Knight’s Cross (Cruz de Cavaleiro) caso tivesse abatido mais um avião inimigo.”

    Não há palavras…

    Embora eu não conheça a história desse piloto alemão durante os combates, o que ele fez na guerra etc.. esta é sem dúvida, simplesmente, fantástica, digna de condecoração humanitária, essa sim !

  • Márcio Santos

    Não conhecia esse episódio Bob, apesar de eu ser uma pessoa que adora conhecer histórias das Primeira e Segunda Guerras Mundiais.
    Fico pensando se hoje em dia esse discurso do politicamente correto deixa brechas para manifestações assim, pois vejo que como pessoas estamos retrocedendo apesar desse esforço de provarem que avançamos.
    Um forte abraço
    Márcio Santos.

    • CCN-1410

      Vi fotos da Guerra do Golfo, onde se vê soldados que socorrem e acariciam cães, gatos e gente.
      Ainda existe nobreza nas pessoas. Talvez não em muitas, mas existe.

  • Roberto Valle
    • CCN-1410

      Roberto Valle,
      Valeu! Tão bonito como a história do B-17.
      Recomendo a todos que abram e leiam.

  • Luiz Leitão

    Bela história, Bob. Mostra que nem sempre devemos seguir cegamente ordens superiores, mas que também é preciso coragem para contrariá-las, mesmo que a lógica e o sentimento humanitário e solidário estejam do nosso lado.Esses Messerschmitt Me 109, os Focke-Wulf e também os famosos Stuka eram fogo!

  • Lorenzo Frigerio

    É curioso, ontem mesmo vi no site da CNN uma reportagem sobre os B-17 em que aparece esse avião tremendamente avariado.
    Um dos mais famosos fatos do gênero foi a trégua de Natal de 1916, em que os combatentes da 1a. Guerra saíram das trincheiras e se cumprimentaram. Foi um momento que podia ter se alastrado aos níveis mais altos de comando e acabado com a guerra, mas os políticos e dirigentes não deixaram que isso acontecesse. O episódio aparece no vídeo da música de Paul McCartney, “The Pipes of Peace”.

  • klaus

    Alguém aí se lembrou de perguntar quantos outros civis indefesos esse e outros estadunidenses e seus comparsas ele matou nesse dia e nos outros que ele voltou ao combate. Os “santos salvadores do mundo livre” não tem nada de santos, só foram vencedores. Os “bandidos” alemães não eram tão bandidos, apenas perderam a guerra.

    • Adriano Rech

      Bah, taça Idiota do Ano para ti, mané.

    • CCN-1410

      Lembra-te de que quem começou a guerra foi a Alemanha e que seus soldados também eliminaram muitas pessoas indefesas. Seja no campo de batalha, seja em bombardeios semelhantes a esse do B-17, ciganos, judeus, Testemunhas de Jeová, padres, pastores e até deficientes físicos e mentais alemães, ou seja, pessoas do próprio povo.
      Então um ato como esse do Stigler é nobre e deve ser lembrado para a posteridade.

  • Luciano Gonzalez

    Bob, aplausos de pé pela matéria!

  • Felipe Parnes

    Linda história e um incrível relato de humanidade.
    História que daria um bom filme sobre a guerra.
    Também um ótimo exemplo sobre a integridade moral de um homem um homem que não vai contra seus princípios, respeitando a si próprio e tomando uma importante decisão, não é a toa que se tornou um empresário de sucesso anos mais tarde.

  • Bob Sharp

    klaus
    Comentário completamente imbecil e fora de contexto, esse seu. No mínimo você é mais um revoltadinho contra os EUA. Nem tente replicar, pois eventual novo comentário seu será sumariamente excluído.

    • Lorenzo Frigerio

      O fato é o seguinte, Bob: os tripulantes do B-17 eram combatentes inimigos que voltariam ao front num outro avião para bombardear novamente o país de Stigler. Se ele o tivesse derrubado, também teria agido corretamente. Não teria quebrado nenhuma regra de combate ou cometido qualquer crime de guerra. O fato dele ter agido com nobreza foi uma decisão individual, provavelmente porque naquele momento constatou que as defesas do B-17 estavam desabilitadas e por razões de foro íntimo julgou que abater o avião seria covardia.
      Quem tem que ser julgado por essa guerra são os líderes.
      Existem boas razões para se responsabilizar os alemães pelas duas guerras. Mas não tinha cordeiro algum ali.

    • João Gabriel

      Muito bem Bob! Comentário tendencioso fora de contexto sem respaldo histórico da verdade dos fatos. Mais um apedeuta formado nos livros de história distorcidos escritos pela historiadora e filosofa meia boca que odeia a classe média Marilena Chauí.

    • João Gabriel

      Comentário tendencioso fora de contexto sem respaldo histórico da verdade dos fatos. Mais um apedeuta formado nos livros de história distorcidos escritos pela historiadora e filósofa meia-boca que odeia a classe média: Marilena Chauí.

      • Newton (ArkAngel )

        Eu diria que você não entendeu nada. Analfabetismo funcional.

  • RoadV8Runner

    Fatos como esse é que tornam menos terrível o fato de ter ocorrido uma guerra de proporções assombrosas, como foi a II Guerra Mundial. Em meio a tanta carnificina, muitas almas se salvaram, preservando outras tantas. Fico me perguntando como deve ter sido para o tenente Brown voltar a bombardear alvos na Alemanha depois desse episódio. Com certeza, não tinha a mesma visão de antes.

  • Bob Sharp

    Fórmula Finesse
    Tudo o que você falou desta guerra é mais do que conhecido e fugiu totalmente do tema da história. Confesso-lhe que pensei em recusar seu comentário, só não o tendo feito em atenção ao nosso longo e saudável relacionamento virtual todos esses longos anos.

    • CCN-1410

      Sinceramente Bob, eu não vi nada de errado com o comentário do Fórmula Finesse.
      Se ele fugiu um pouco do assunto, não tem nada demais. Todos aqui fogem de vez em quando.

    • Fórmula Finesse

      Bom Bob; eu creio que o meu comentário foi totalmente pertinente, ressaltado inclusive como foi ato isolado no meio de todo aquele horror (guerra) que…não pode ser esquecido! Não pense que estou defendendo um ou outro lado do conflito, estou apenas salientando (também) que bombardeamento contra civis é covardia, não importa o lado, e aposto que nenhum soldado/aviador de verdade se orgulhava disso!

  • CorsarioViajante

    Se não me engano tem um filme sobre este emocionante episódio. E você tem razão, se este momento se alastrasse a história seria outra.

  • CorsarioViajante

    Penso como você. No fundo, o que é incrível é que mesmo sendo capazes de matar pessoas inocentes ou desconhecidas “em missão” possamos poupá-las ao vê-las indefesas, mesmo sendo soldados.

    • Fórmula Finesse

      A humanidade sempre encontra um meio de se manifestar Corsário; mesmo nas piores condições – só que precisamos sempre ver todo o contexto da coisa.

  • francisco greche junior

    Eu não sabia dessa passagem. Sou fã de aeronaves, adoro de verdade as histórias da Segunda Guerra Mundial, adorei conhecer essa.
    Obrigado Ae, Bob.

  • m.n.a.

    …interessante a definição dos “caças humanos”, que não atirariam em pára-quedistas, ou num avião indefeso……diferentes dos “caças animais”, que preferencialmente matam suas presas mais debilitadas, feridas, que não conseguem escapar….afinal é a questão do instinto selvagem de sobrevivência versus o “lado racional” do homem…..

  • Eduardo Sérgio

    O filme “O Pianista” também retrata uma situação semelhante ocorrida na Segunda Guerra Mundial entre um pianista judeu e um oficial alemão das Forças Armadas.

    • Adriano Rech

      ótimo filme diga-se.

      se bem que naquele momento os oficiais alemães já sabiam da eminente derrota.

      mas realmente o oficial teve piedade do pianista.

  • Moises.SP

    Eleitor do PT fazendo o que lhe compete, CAGADA.

  • João Gabriel

    História fantástica! Já a conhecia,mas é sempre bom ler novamente,ainda mais bem escrita e rica em detalhes. Parabéns Bob!

  • Bob Sharp

    Lorenzo
    Minha interpretação é um pouco diferente, embora mantendo sua explicação de foro íntimo. Pilotos têm paixão ímpar pelas máquinas voadoras. Ao ver o B-17 naquele estado (os desenhos aplicados à matéria são bem fiéis) o primeiro sentimento de dó foi pelo avião em frangalhos, depois veio o do pela tripulação. Um pouco disso se pôde sentir no filme “Carros”, quando o McQueen entrou na garagem do Doc Hudson e viu as fotos do Hornet destruído ou quando McQueen viu o estado em que ficou o Weathers, pelo telão do autódromo, destruído após a capotagem e resolve empurrá-lo – escoltá-lo, como Stigler? – para cruzar a linha de chegada. Percebi uma sublime integração homem-máquina nessa história do Charlie Brown. Se o Stigler tivesse interceptado um B-17 voando normalmente não teria hesitado em atirar. Pelo meu lado, sempre detestei ver carro que bateu forte. Me dá pena dele.

    • CCN-1410

      Eu acho que nesse caso foi mesmo o fator humano para humano.

      • Mingo

        O fato é que o piloto do B-17 voltou logo depois às missões de bombardeio e com toda certeza deve ter matado centenas de pessoas na Alemanha até 1945…
        Vários lincharam o Klaus e sua opinião, esses que não aceitam a opinião contrária de alguém é que são lixo. Aprendam a respeitar o próximo antes de apedrejá-lo, e pensem se gostariam de ter seus filhos, mulheres e parentes em Bremen depois de um ataque norte-americano…
        Guerras são a maior prova da bestialidade do ser humano e nunca serão referência de caráter para ninguém. A outras maneiras bem melhores para mostrar isso.

  • Ozzy Renato P. Almeida Neto

    Obrigado por compartilhar!

  • Luiz

    Bob, uma linda história que demonstra que o verdadeiro sentimento de humanidade estâ acima de qualquer ordem e que o ser humano pode sim ser bom. Imediatamente imaginei a analogia de o bombardeiro americano como sendo nós, o povo brasileiro, todo estropiado e arregaçado, já nas últimas depois de tanta corrupção e demais petralhadas, e o caça alemão como sendo o governo que nos gere, pelo menos nos dando um tempo na safadeza, roubalheira, impunidade e tantas outras pilantragens que cometem diariamente. Um tempo para que pelo menos pudéssemos respirar um pouco, antes de enterrarem nosso país de uma vez e nos transformar em uma Cuba da vida, aonde o povo é totalmente miserável.

  • Belford

    Parabéns Bob!!!!!! Aqui vai outra:( quem puder traduzir e colocar aqui no AE)Obrigado!

  • Roberto Valle

    Senta a Pua – Rui Moreira Lima

    “UMA PLACA DE BRONZE SOBRE A CRUZ… (Depois do armistício, o
    comandante Nero Moura designou o Capitão Horácio Monteiro Machado e o
    Tenente Neiva de Figueiredo, para localizarem nossos mortos no vale do
    Pó. Em uma sepultura rasa encontrava-se o corpo do Santos. Foi enterrado
    carinhosamente pelos alemães. Na cruz estava a sua identificação – o
    famoso dog tag – com seu nome, posto, número e tipo sanguíneo. Tiveram
    ainda os alemães, o cuidado de colocar uma Placa de bronze sobre a cruz,
    com os seguintes Dizeres:
    A tradução:
    HOMENAGEM AO AVIADOR MORTO EM COMBATE
    EM 13.04.1945
    FREDERICO GUSTAVO DOS SANTOS
    BRASIL

    Quem escreveu palavras tão belas não poderia ser um nazista, mas um
    verdadeiro soldado alemão. Um homem. Em meu nome e de todos nós do 1º
    Grupo de Caça, nosso muito obrigado ao autor de gesto tão digno.

    Aliás, o homem é universal, nem mesmo o horror de um conflito
    como a 2ª Guerra Mundial pode transformá-lo totalmente em fera.
    Entretanto, é necessário ser um homem, esse animal que anda ereto, não
    emite sons, fala e raciocina quando pensa, para adotar a atitude daquele
    alemão que homenageou o Santos. Naquele momento estava exaltando a
    espécie humana, demonstrando o respeito pelo semelhante, o respeito
    pelos direitos humanos, coisa já posta de lado pelos nazistas, desde a
    ascensão de Hitler, em 1933.”

  • Adriano Rech

    Linda história, já li muitas como essa no blog Sala de Guerra.
    Vale a pena a leitura para quem gosta do assunto guerras mundiais.

    Há uma história de dois soldados, um americano e outro japonês que lutaram ferozmente na mesma ilha e que anos mais tarde seus filhos se casaram, o filho do americano se casou com a filha do japonês.

    Todo ano os dois visitam a ilha onde se enfrentaram num dos piores campos de batalha da Segunda Guerra.

    Uma história fantástica.

    Bom, o problema é colocarem o soldado alemão no mesmo balaio da SS e Gestapo… esses sim, os verdadeiros capachos do nazismo.

  • Leonardo Mendes

    Acabou de entrar pro meu rol de histórias favoritas da Segunda Guerra, junto com Os Quatro Capelães e Os Três Pracinhas de Montese.

  • Absalão Bussamra

    Graças ao Tio Sam, os franceses não falam alemão hoje. E ainda há judeus no mundo. Pense nisso, Herr Klaus… auf wiedersehen!

  • AstraPower

    Acho que ele só comentou no lugar errado! Calma!

  • Fórmula Finesse

    Recomendo estudar história…

  • Fat Jack

    Sensacional…, muita lucidez num momento tão difícil como uma guerra…
    algo como “não atirarás em alguém desarmado”
    Pelo tema vale uma observação patriótica: é triste ver o orgulho que certas nações tem pelas suas forças armadas enquanto no Brasil há quase que uma repulsa por elas. E pensar na reverência que algumas localidades européias fazem (até hoje, cantam-se seus hinos uma vez por ano) à FAB e à FEB enquanto aqui pouco se conta nos livros de história a respeito da importância de ambas.
    País sem memória: país sem futuro…

  • Franklin Corcino

    Fantástica história, algo memorável, pois antes de tudo…. Prevaleceu o sentimento humano, e fazer o que ele considerava correto naquele momento. Mesmo que isto lhe custasse a vida.

    História onde Homens são e se respeitam como Homens.

    Algo raro e memorável mesmo no nosso âmbito profissional, que não é nem perto do que é uma guerra, e as pessoas se mutilam.

    Obrigado por compartilhar.

  • Realmente um caso muito tocante, caro Bob Sharp,
    E que em lembrou dos primeiros Azes da Primeira Guerra Mundial que costumavam ir no enterro dos “inimigos” que eles tinham abatido.
    Valeu caro amigo!

    • Alexander,
      permita-me explicar aos leitores que se trata de uma história que muitos j;a leram aqui no AE, “Um caso de sentimento elevado”, fato passado na II Guerra Mundial, no qual um piloto de caça alemão poupou a vida da tripulação americana de um bombardeiro B-17 severamente avariado. Vale pena ler ou reler, http://www.autoentusiastas.com.br/2014/12/20869/

    • Alexander,
      quando li essa história me emocionei muito. São gestos como esse que nos fazem acreditar na humanidade.