CAP4 7 P56 GVQ 0912558  SAUDADE DO PAULISTINHA CAP4 7 P56 GVQ 09125581

Paulistinha P-56 C, do Aeroclube de Bragança Paulista (foto airliners.net)

Já enquanto editava a matéria do Daniel S. de Araújo sobre o Paulistinha me bateu uma saudade danada do tempo em que comecei a aprender a pilotar avião pelo idos de 1961, com 18 anos.

O interesse pela aviação veio do singular fato de que a saída do aeroporto Santos-Dumont, no Rio de Janeiro, rumo sul, passava exatamente sobre nossa casa, na Gávea — hoje, após decolar, os aviões tomam proa da Ilha Rasa, mar a dentro, e depois viram à direita para seguir para o sul. Já no tempo do Electra II, e mais agora com os 737 e A319/320, era possível “pular” sobre o Pão de Açúcar, mas por segurança adotou-se a subida com bloqueio da Ilha Rasa.

Passava de tudo sobre a casa, de Fairchild PT-19 da FAB a Lockheed Constellation da Panair; Douglas DC-3 era o que mais havia. Havia vezes que passavam até baixo demais e à noite era comum ver a chama azul do escapamento dos motores radiais.

 

pt19_09  SAUDADE DO PAULISTINHA pt19 09

PT-19 estacionados no Aeroclube de Juiz de Fora depois de desativados da FAB (foto maxaereo.blospot.com)

Adolescentes, eu e meu irmão lidamos com aeromodelos U-control, o motor que me lembro era o japonês OS 29, o número indicando 0,29 polegadas cúbicas, que vem a dar 4,75 cm³. O combustível era álcool metílico misturado com óleo de rícino.

Nosso tio Paulo nos trouxe da França um motor desses, só que Diesel, sem a “vela” glow plug. O combustível era complicado, até éter levava na mistura, mas para nossa decepção o motor jamais funcionou, nem uma única combustão sequer para nos alegrar. Até que um dia enfiamos tanto combustível no motor que aprendemos o significado de calço hidráulico: o motor arrebentou por completo. Foi para a lata de lixo.

Assim foi que viemos apreciando avião e aviação. Assistíamos filmes de guerra aérea (havia muito naqueles anos 1950) e pudemos assistir o épico “Um fio de esperança” (The high and the mighty, de 1954), o primeiro filme aerocatástrofe do cinema. Era um vôo de Honolulu a São Francisco em que ocorre problema num dos motores do DC-4, disparo de hélice, uma das pás atinge a asa e fura um dos tanques. O drama então é se o avião consegue chegar à costa da Califórnia ou será preciso amerrissar por falta de combustível, a briga entre o comandante Robert Stack e o co-piloto John Wayne, o primeiro queria amerrissar e o segundo, não, a mudança de comportamento dos passageiros diante da possibilidade da morte. A canção-tema ganhou  o Oscar.

Serviço militar

Chega, então, o momento de prestar o serviço militar obrigatório. Um ano de caserna não era exatamente o que eu e o mano pensávamos. Fazer o CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) não tinha nada a ver com o nosso jeito. Em conversa, um amigo, vizinho de muro, disse que quem tirasse o brevê de piloto ficava dispensado de servir.

 

painelpa  SAUDADE DO PAULISTINHA painelpa

Painel do Paulistinha (foto e-voo.com)

Lá foram os irmãos ao Aeroclube do Brasil, no bairro de Manguinhos, na Av. Brasil, colher informações.  De fato, era isso mesmo. Eu ainda não tinha 18 anos, o mínimo para começar a ter aulas, e só meu irmão se registrou no curso de pilotagem; eu, só no ano seguinte. Com o brevê na mão — brevê de brevet, em francês patente, licença, “carteira” — ia-se ao Ministério da Aeronáutica e se requeria certificado de serviço militar prestado, que se recebia como soldado de 2ª classe, ficando quites com o serviço militar.

Assim, no início de 1961, 18 anos completados em novembro, comecei o curso. O meu instrutor era um gaúcho, filho de alemães chamado Salo Roth, tinha toda pinta de piloto da Luftwaffe. Que piloto! Voávamos em instrução tanto de CAP 4 quanto de P-56. Seu método de instrução era deixar o aluno fazer besteira, mas quando percebia desatenção era uma bronca para não esquecer.

 

Pouso paul  SAUDADE DO PAULISTINHA Pouso paul

Paulistinha na corrida do pouso (foto www.word.fotos)

Comecei a aprender decolagem e pouso num P-56. Na primeira decolagem, alinhado com o eixo da pista, potência: a reação ao torque do motor tirou o avião da reta, saímos do asfalto para a esquerda e fomos parar no acostamento. O Salo riu mas disse:  ‘Te falei que tinha da calçar pé direito, não falei? Faça isso da próxima vez!”. Na hora de dar potência para iniciar a rolagem para decolar,  leme à direita, que o avião reto no eixo. A segunda tentativa deu certo, leme direito na hora certa, decolagem sem problema.

Como o primeiro vôo solo seria num CAP 4, voamos bastante nele também. Nesse caso eu sentava no banco traseiro para já ir aprendendo a pilotar ali quando chegasse o momento “do pinto sair da casca do ovo”. Era assim por questão de balanceamento do avião, voar solo era no banco traseiro. No P-56 o solo era no banco dianteiro, bem melhor.

O Salo era de opinião, e tinha liberdade para tanto como instrutor credenciado, que antes do primeiro vôo solo o aluno deveria dominar todas as manobras do avião. Por isso eu já estava com 18 horas de instrução mas ainda não havia solado (havia quem solasse com 8 horas apenas).

Só que aí aconteceu o desastre: o presidente Jânio Quadros mandou fechar o Aeroclube do Brasil. Da noite para o dia. Tudo porque houve uma quase-colisão de um North American T-6 da FAB com o Vickers Viscount presidencial, na cercanias do aeroclube, e por essas coisas típicas de Brasil, o AeCB acabou pagando o  pato. Fechou de vez e eu no meio do curso.

O jeito foi “me mudar” (outros alunos e o Salo também) para o Aeroclube de Nova Iguaçu e continuar o curso lá. Praticamente todo dia pegava a Vespa e  “viajava” até Nova Iguaçu, bem longe da Gávea, num tempo que se tinha que passar pelo centro da cidade para depois seguir viagem pela Av. Brasil rumo à rodovia Presidente Dutra. Quando chovia ia de DKW, mas muitas vezes chegava lá e não tinha vôo, a pista era de grama e ficava encharcada.

Foi em Nova Iguaçu que um dia, após uma sessão de decolagem e pouso, o Salo me mandou para o avião na lateral da pista, próximo ao prédio do aeroclube, tirou o cinto, abriu a porta e disse: “Está contigo agora”. Chegara o momento especial na vida de qualquer aluno-piloto, o primeiro vôo solo.

De repente, aquele banco dianteiro do CAP 4 prefixo PP-ROL estava vazio! Dependia exclusivamente de mim levar o avião para o ar e trazê-lo de volta ao solo. O Salo tinha avisado que o avião ficaria diferente sem o peso dele, mas eu não aquilatara quanto. Ja na aceleração inicial, muito mais rápido. A roda traseira em poucas dezenas de metros deixou o solo e muito mais cedo que antes foi atingida velocidade aerodinâmica de vôo, puxando ligeiramente o manche e o ROL alçando vôo. Que sensação! O avião respondia mais rápido aos comandos e rapidamente chegou aos 1.000 pés (300 metros) de altitude.

Agora era o momento crucial, o pouso. Iniciado o planeio com motor em marcha-lenta, como custava mais a perder altura. Eu não queria perdera minha primeira aproximação solo da vida de maneira alguma. Como o CAP 4 não tinha flapes (tampouco o P-56), apliquei o que o Salo tão bem me ensinara (por isso é que ele só liberava para o primeiro solo depois de o aluno aprender tudo sobre o avião), fiz uma glissagem (do francês glissage, derrapagem), manobra que consiste em dar inclinação pelos ailerons e leme cruzados, em que o avião perde altura mais rapidamente numa atitude até um pouco estranha, mas segura. Sucesso, cruzei a cabeceira na altura correta e fiz um pouso perfeito. Eu havia solado! Voltei ao ponto onde o Salo havia desembarcado, ele continuava lá e disse: “Repita duas vezes!”. E lá confirmei o meu primeiro vôo solo.

 

Glissage  SAUDADE DO PAULISTINHA Glissage

Uma glissagem (desenho sabordevoar.blogspot.com)

E o banho de óleo queimado, como vai ser?, pensei logo. É uma tradição na aviação após o primeiro vôo solo tomar-se um “banho” de óleo velho. Mas achei que não muito a ver ficar todo melado de óleo e assim que estacionei o CAP 4, corri para a Vespa e me mandei…

O Salo depois voou na aviação executiva no Brasil e nos Estados Unidos, aposentou-se e mora em São José dos Campos. Nunca mais o vi, mas estamos sempre nos correspondendo por e-mail. Ficamos amigos, eu sempre entendi que as broncas em vôo faziam parte do aprendizado e isso serviu para me forjar. Depois da instrução era comum irmos à cantina do aeroclube tomar uma cerveja.

Tudo isso dá mesmo uma imensa saudade, mas é só parte das minhas andanças pelos ares.  Vou voltar a esse assunto proximamente, garanto, faço questão de compartilhá-la com o leitor porque tem muito a ver também com o dirigir automóvel. Inclusive, falar mais da teoria de vôo, comandos do avião e muitos outros detalhes que valem a pena conhecer.

E ao Daniel S. de Araújo, amigo que nunca vi mas nem por isso menos amigo, meu agradecimento por me levar a fazer “a busca no meu HD” e achar tanta coisa que havia ficado para trás.

BS

 

Sobre o Autor

Bob Sharp
Editor-Chefe

Um dos ícones do jornalismo especializado em veículos. Seu conhecimento sobre o mundo do automóvel é ímpar. História, técnica, fabricação, mercado, esporte; seja qual for o aspecto, sempre é proveitoso ler o que o Bob tem a dizer. Faz avaliações precisas e esclarecedoras de lançamentos, conta interessantes histórias vividas por ele, muitas delas nas pistas, já que foi um bem sucedido piloto profissional por 25 anos, e aborda questões quotidianas sobre o cidadão motorizado. É o editor-chefe e revisor das postagens de todos os editores.

Publicações Relacionadas

  • Guilherme Oliveira

    Bob:

    Manda algumas dicas dos filmes de aviação da década de 50/60/70. Me lembro de dois clássicos que passavam sempre na Sessão da Tarde lá no começo dos 80:

    Strategic Air Command – imagens de B36
    Gathering of Eagles – imagens de B707 e B52

    Obrigado

    Guilherme Oliveira

  • BlueGopher

    Gostoso relembrar estas experiências, agradecemos compartilhá-las com os leitores.
    É realmente memorável a canção tema do filme “The high and the mighty”, fui lembrá-la através do YouTube.

    Falando em filmes, lembro, quando criança, de ter assistido ao filme “Cortina de Ferro” (meu pai alugava os enormes rolos de filme e os assistíamos em casa, num projetor 16mm).
    Do filme em si pouco me recordo, exceto do bombardeiro onde se dá parte da ação, creio que um B-17 Flying Fortress.
    Nele, para atingir a torre de metralhadora da cauda, os tripulantes deslizavam por um túnel, deitados num carrinho.
    Esta imagem foi marcante.

    • Bob Sharp

      BlueGopher
      A vida nos bombardeiros – e nos submarinos – não é mesmo fácil. Sobre a canção do filme, pelo regulamento do Oscar só são elegíveis para concorrer as músicas com letra, o “The high and the mighty” não tinha. Não tiveram dúvida, trataram de escrever uma letra para ela e que nem é executada no filme. Sei disso porque consegui o DVD na Amazon há alguns anos e tem a parte do making of, muito interessante. Ainda sobre a bela música, estava no aeroporto em Santiago onde na área militar se realizava a Feria Internacional del Aire y del Espacio (Fidae), em 2002 (eu trabalhava na Embraer) e a música-ambiente, em volume que se podia conversar (igualzinho a aqui…) consistia de marchas militares (igualzinho a aqui II), mas de vez em quando tocavam “The high and the mighty” (inimaginável aqui), no ambiente certo. Lágrimas? Claro!

  • Marcos Alvarenga

    Obrigado por partilhar essas vivências com os leitores, Bob.

    Para mim que voei pela primeira vez aos 29 anos, quando tive condições com meus próprios recursos, e gosto até de sentir o cheiro de querosene nos aeroportos quando vou viajar, é um prato cheio.

  • Geovane

    Emocionante. Gostei muito do texto.

  • Fórmula Finesse

    Essas tertúlias pessoais são excelentes – O velho instrutor deve estar orgulhoso do seu antigo aluno, que se agigantou tanto (tornando se referência) no técnico e especializado mundo do automóvel!

  • Jr

    Bob, parabéns pelas lembranças, e por dividi-las conosco. Muito interessante como essa categoria de experiências fica gravada “a fogo” em nossa memória, para o resto da vida, e nos mínimos detalhes. Tenho-as, também, com o saudoso Expedito Marazzi, na década de 80 em sua Escola de Pilotagem e, logo depois, nas primeiras provas do Campeonato Paulista. Esquecemos o “frio na barriga”, o suor nervoso, a sensação de “o que que eu estou fazendo aqui !!!”, e fica somente a satisfação da conquista. Ao fim e ao cabo, acho que esses são os únicos “patrimônios” que vale a pena se levar dessa vida. Abraços;

    Aldo

    • Bob Sharp

      Aldo
      Você tem toda razão, essas coisas ficam gravadas indelevelmente na memória. Ocorre muito comigo.

  • RoadV8Runner

    Não sabia que a glissagem é uma manobra intencional, pois quando freqüentava o aeroclube de Campinas era comum ver os aviões monomotor se aproximarem para pouso e, em dado momento, voarem “enviesados”. Imaginava ser por conta de vento transversal. Que venham mais histórias do Banco do piloto!

    • Bob Sharp

      RoadV8Runner
      Gostei dessa de Do banco do piloto!

  • Carlos Miguez – BH

    Fantástico !!! Me identifiquei tanto que os olhos ficaram “molhados”.

  • Acyr Junior

    Bob, seus textos, principalmente quando retratam história pessoais, são absolutamente impecáveis. E antes que me esqueça, meus parabéns pelo aniversario semana passada. Não pude cumprimentá-lo à época em função de minha convalescência não me permitir sequer ficar conectado. Que sejam muitos os anos compartilhando essas experiências maravilhosas. Grande abraço, com atraso mas com o mesmo desejo de sucesso.

    • Bob Sharp

      Acyr
      Obrigado pelos cumprimentos do aniversário!

  • Daniel S. de Araujo

    Bob, me emocionei! Sem palavras! Você é o meu amigo que eu só cohnheço de foto mas é aquele amigo…daqueles que quando você vê algo legal, divertido ou peculiar lembra imediatamente dele! Mandei a foto dos meus mocassins argentinos outro dia, nos pedais da F-1000!!!

    Em breve vou te visitar!!!!

    Fiquei muito emocionado com seu texto!

    • Bob Sharp

      Daniel
      Obrigado pelas palavras gentis.

      • Daniel S. de Araujo

        A propósito, tenho na casa dos meus pais alguns motores relíquias dessa época (anos 50/60): Dois OS-Max .15, um OS Max .35 e um OS Max .15 (desmontado). Coisa do meu pai e do meu tio.

        Um desses OS-Max .15 foi um motor para rádio-controle primitivo, que meu avô trouxe do Japão (o motor e o rádio) e o controle de aceleração do motor se dá de uma maneira no mínimo estranha: estrangulando a saída de escapamento desse motor!

        Meu tio e meu avô gostavam muito de Enya de ciclo diesel. Meu tio dizia que funcionava muito melhor que o glow e tinha a vantagem de pegar sem eletricidade (eles usavam nos motores glow uma pilha de telefone, daquelas que parecem uma lata de cerveja de 600 mL, pasmem!), mas reconheciam, dar a partida nesses motores requeria prática.

  • Bob Sharp

    Guilherme
    Há mesmo filmes de aviação inesquecíveis. Assisti a esses dois, claro. Há um também excelente, “Memphis Belle – a Fortaleza Voadora”, sobre a 8ª Força Aérea com B17 na Europa, Segunda Guerra Mundial. E há o que reputo dos melhores, “Prova de Fogo” (The Tuskegee Airmen), história real, o esquadrão de pilotos americanos negros que lutaram nessa guerra com os P51 Mustang, Eles realizaram primeiro ataque de solo no Norte da África, depois foram para a Inglaterra para escoltar os B17 nos reides sobre a Alemanha. No começo foram discriminados pelas tripulações brancas dos bombardeiros, mas se revelaram excepcionais nesse trabalho e de discriminados passaram a requisitados. Sob escolta deles nenhum B17 foi abatido pelos caças alemães, até o fim da guerra. Veja mais nos sites http://migre.me/n1aKK e http://migre.me/n1aS1.

  • joão

    Obrigado por compartilhar suas experiências. Precisamos que escreva um livro. Os outros companheiros do site também.

    • Bob Sharp

      joão
      O livro virá, garanto!

      • joão

        Aguardando. Reserva um para mim, que a procura vai ser alta…

  • Marcos G. Silva

    Olá Bob.

    Sem dúvidas esse texto me fez recordar dos meus tempos como aluno no Aeroclube de São Leopoldo, RS, hoje em Eldorado do Sul. A forma como descreveu seu primeiro solo me fez lembrar do frio na barriga quando o instrutor abriu a porta da cabine no ponto de espera e informou que era a minha vez de solar. A sensação de encher a manete de potência e ver o Ne-56 rolando na pista e alçando vôo é realmente algo que fica na lembrança para sempre. Lembro me até hoje de ao finalizar o check de instrumentos fazer o limpeza de área “direita livre, frente livre, esquerda livre” e ao curvar no circuito ter o pôr do sol a minha direita. Que saudade! Sei que naquele momento Deus estava sentado de carona atrás me proporcionado aquele momento inesquecível. Que vôo, que sensação. Finalizado o circuito, girar base para final e aproximar somente com o barulho do vento e o motor em marcha-lenta com a pista na proa. Algo que somente quem já pilotou um Paulistinha sabe o que é. Pouso lambido e a sensação de orgulho e felicidade por ter alcançado o tão sonhado voo solo. Hoje tenho minha habilitação de vôo, mas nada se compara aqueles tempos de vôo no velho Paulistinha com o grande instrutor e amigo Olivier. Parabéns, Bob pelo belo texto e a oportunidade de voltar no tempo e relembrar daquele momento.
    Abraços!!

  • RoadV8Runner

    Assisti os dois filmes que o Bob recomendou e são, de fato, excepcionais, considero os melhores sobre o tema.

  • Roberto Mazza

    Sensacional!

  • Maycon Correia

    L1049 Constellation eu nunca vi voando, mas queria muito ter visto aqueles tip tanks e ouvir aqueles Wright rugindo e soltando as labaredas. Sou de 1984 e me lembro claramente de ir ao Aeroporto de Florianópolis que fica do outro lado da baía sul entre continente e Ilha de Santa Catarina, via-se daqui os 727 da Transbrasil descendo tão baixo que dava para ler os prefixos, e todos os outros, como Vasp e Varig. Aos domingos íamos ver os que chegavam.. Lembro dos 707 da Aerolíneas Argentinas e nacionais, lembro dos 737 de motores finos e todos cromados, depois vieram os Fokker 100 da TAM, foram sumindo os 727 um a um, os 707 já não vinham mais a não ser os sucatões. Enfim, foram mudando e sumindo assim como as companhias que eles levavam com as pinturas inigualáveis.. Hoje só passam A-319 tam e 737 da Gol com e sem winglets.. Totalmente sem graça.
    Não aprendi a voar de burro, pois não quis me alistar na Aeronáutica

  • Bruno Passos

    Olá Bob!
    Belas memórias!

    O voo solo é indescritível. Como você, também dei um jeito de correr do banho de óleo rs. Para os leigos, um avião como o Paulistinha ou outro monomotor pequeno é apenas um “teco-teco”. Para os que possuem asas na alma, qualquer máquina que tire o seu corpo do chão e lhe permita brincar na imensidão do céu é uma supermáquina.
    Gosto de carro, mas aviões… Aviões fazem o coração bater mais forte!

  • Luiz Leitão

    Que delícia essa sua narrativa sobre sua iniciação como piloto no velho e famoso Paulistinha (donde o apelido?)! Voar é bom demais, não? Se bem que hoje em dia, com Joysticks, tudo eletrônico demais, parece que a coisa perdeu um pouco o ar de magia. Ganhou-se muito em segurança, com certeza, mas dá saudade da enorme variedade de aviões mais antigos da Ponte Aérea: Electra II, Viscount, Samurai, Hirondelle, Dart-Herald, Convair 240, Avro, Fokker F-27 e F-50, ATR-42, BAC-111, o “Jatão da Sadia”. Meu pai tirou brevê assim como você, mas não escapou do banho de óleo, e ainda fez CPOR!! Ele também praticava aeromodelismo com U Control; frequentávamos a Casa Aerobrás, de Shoji Ueno, e me recordo dos motores e da mistura com óleo de rícino. Eram da marca “Enya”. Enya 35.

    Essa foto do Aeroclube de Juiz de Fora deve ser o local onde hoje é o aeroporto local, que exige uma aproximação ultra cuidadosa.

    Por coincidência, foi no Campo de Marte que combinamos de nos conhecermos pessoalmente, em 2004. De forma que podemos dizer que nossa amizade começou por causa de uma paixão comum, revelada numa carta ao Forum dos Leitores do Estadão (outra paixão comum). E lá fomos, eu e família, conhecer o “tal” Bob Sharp, missivista do meu jornal predileto, carioca da gema.

    Tudo muito emocionante, maravilhoso esse monte de interesses comuns.

    Mais sobre aviação, comandante Bob!

    Abraços.

    • Daniel S. de Araujo

      Luiz….achei muito bacana você mencionar o Sr. Shoji Ueno!

      Meu avô era amigo dele e eu tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente quando eu era criança. Na época ele já tinha mais de 80 anos e uma memória ímpar!

      • Luiz Leitão

        Daniel, eu também era criança e tinha uma simpatia especial pelos japoneses e seus descendentes. Devo tê-lo visto um par de vezes, e ele já era bem velhinho. Mas sempre tocando a loja especializada em aeromodelismo que, se é que não era a única, certamente era a melhor, a referência. O resultado daquilo que se faz com amor, gosto e dedicação.

  • Ravelli

    Boa noite Bob.

    Seus textos são sempre ótimos, e é muito bom ler um pouco sobre aviação também. Sou piloto também e sei MUITO bem a sensação do primeiro vôo solo, algo simplesmente indescritível para quem nunca passou por isso.

    Grande Abraço!!

  • Bob Sharp

    Luiz
    Como passa o tempo, 10 anos desde nos conhecemos no restaurante do Dante di Camillo no Campo de Marte! Paulistinha, só pode vir de Companhia Aeronáutica Paulista (CAP). Mexíamos com álcool metílico (metanol) direto, cadê o “risco de envenenamento”? Sabe o que não gosto no Flight Simulator e similares? A falta das forças sobre o corpo. Isso para mim é essencial. Fazer uma curva de grande inclinação e sentir o sangue fugir da cabeça faz parte do vôo. Num simulador nada disso se tem.
    Abraço!

  • francisco greche junior

    Bob obrigado por compartilhar tuas memórias e experiências, estarei esperando mais! Abraço

  • Alexandre Cruvinel

    “Foi em Nova Iguaçu que um dia, após uma sessão de decolagem e pouso, o Salo me mandou para o avião na lateral da pista, próximo ao prédio do aeroclube, tirou o cinto, abriu a porta e disse: “Está contigo agora”. Chegara o momento especial na vida de qualquer aluno-piloto, o primeiro vôo solo.”

    Putz, Bob ! Deu até um arrepio, foi igualzinho comigo, no mesmo SDNY, próximo à pista de táxi que vinha do pátio. O Instrutor Gils, um cara muito boa praça, depois de uns toques-e-arremetidas, me mandou ir solo. Um pouco de cagaço, naturamente, mas uma sensação legal demais !

  • Juvenal Jorge

    Bob,
    uma bela estória, como tantas outras de aprendizado sobre essa máquina maravilhosa que é o avião.
    Muito obrigado por registrar aqui.