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(www.motormagazine.com.br)

Tenho um grande amigo, o Didú Russo, amigo do peito há 50 anos, que é mestre em vinhos. Ai dele se não tiver um bom vinho, mas bom mesmo, perfeito, a tomar diariamente, nem que seja uma só taça. Vinhos duvidosos, que me descem alegres goela abaixo, travam na dele. Não lhe descem. Conforme ele vai descobrindo traços de má qualidade da bebida, coisas ruins lhe vêm à mente e a garganta lhe trava. Como ele não é alcoólatra, tudo bem; prefere não beber.  

 

Morgan 3 Wheeler (horncastlenews.co.uk)  PERFEITOS horncastlenews

Morgan 3 Wheeler (horncastlenews.co.uk)

Felizmente, para o conhecedor de carros, entre os quais modestamente me incluo, não temos que tragar um carro de uma só vez. Não temos que apreciá-lo ou desapreciá-lo como um todo. Podemos ater nossa atenção às suas boas qualidades e apreciá-las, enquanto deixamos as más um pouco de lado, um pouco esquecidas, e podemos até perdoá-las, caso elas não sejam graves e caso as boas sejam bem boas. Se virmos que ele nasceu um bom projeto e que com poucas correções ficará ótimo, esse, no meu caso, será alvo de críticas mais enfáticas, obviamente construtivas, o que evidencia o meu desejo de colaborar na busca da perfeição. Falta pouco! Vamos lá!

 

Jeep AK  PERFEITOS Jeep AK

Jeep (offroadaction.ca)

Um carro perfeito não precisa ser um supercarro, não precisa ser superpotente, não precisa ser requintado etc. Basta que ele seja perfeito para o propósito. O Fusca é prova disso. Para o propósito, para a tecnologia da época, era perfeito. O Jeep também, perfeito, exato, mais polivalente impossível. O Lotus Seven, também perfeito. O Morgan 3 Wheeler, também, um precursor e inspirador do Seven.

É importante notar que nenhum dos citados teve o hoje indispensável ar-condicionado, e mesmo assim eram perfeitos.

Me permita o leitor que eu cite aqui uma listinha de mais alguns carros que considero perfeitos. Cada um com seu propósito, cada um em sua época.

 

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Citroën 2 CV(www.carstyling.ru)

Citroën 2 cv, 1948. Barato, econômico, manutenção baratíssima, excelente na lama e na neve. Macio de suspensão. A capota de lona abria de fio a pavio.

 

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Ferrari 250 Testarossa reconstrução (caranddriverbrasil.uol.com.br)

Ferrari 250 Testarossa Pontoon Fender, 1957, (apesar dessa frente ser linda e feita para melhorar a ventilação dos enormes freios dianteiros a tambor, ela provocava instabilidade na dianteira quando em alta velocidade, mas só em alta mesmo, acima de uns 250 km/h, por aí). Máquina linda e alucinadamente vigorosa. Meti 210 km/h em uma exata recriação e ela seguiu feito uma rocha. Foi com um desses original, mas com a frente ligeiramente modificada e com um pára-brisa mais alto, que Paul Frère e Olivier Gendebien venceram Le Mans em 1960.

 

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Rolls-Royce Silver Ghost (carstyling.ru)

Rolls-Royce Silver Ghost, 1906. Foi o melhor carro do mundo, na época. A mania era então achar que um carro para ser bom tinha que aceitar que lhe metêssemos a 3ª e última marcha e com ela fazer tudo, subir ladeira, rodar suave a 15 km/h etc. Mania. Cada época com sua mania. O Silver Ghost topava isso e muito mais, e em silêncio absoluto.

 

(www.liveinternet.ru)  PERFEITOS www

Bugatti tipo 35C (www.liveinternet.ru)

Bugatti tipo 35C, década de 1920, com compressor. Perfeição mecânica, perfeição estética, perfeição de comportamento. Visceral. Vencedor. O modelo mais vencedor de corridas de todos os tempos.

 

(gomotors.net)  PERFEITOS gomotors

Porsche 356 (gomotors.net)

Porsche 356, 1960. O primeiro esportivo pau pra toda obra. Robusto. Apesar de ter um comportamento sui-generis, bastava entendê-lo para que tudo corresse às mil maravilhas. Era o esportivo certo para no meio da noite partir com a acompanhante para uma estação de esqui, pegar neve brava e ventania no caminho sabendo que iam chegar sem sustos. Na época, nenhum outro esportivo lhe garantiria isso.

 

(.lov2xlr8.no)  PERFEITOS lov2xlr8

Chevrolet Belair 1958 (.lov2xlr8.no)

Chevrolet Belair 1957. Lindo. Não exageradamente chamativo, como costumavam ser os carros americanos da época. Com bom, potente e confiável motor e bom comportamento dinâmico. Facinho de guiar. As mulheres o dirigiam sem esforço.

 

(1ms.net)  PERFEITOS 1ms

Jaguar E-Type(1ms.net)

Jaguar E-Type conversível, 1961, 6 cilindros. Belo, leve, potente, confortável, comportamento irrepreensível na hora da lenha. Chique como ele só. Perfeito para um gentleman driver.

 

(en.wikipedia.org)  PERFEITOS en

Ford Modelo A 1927 (en.wikipedia.org)

Ford Modelo A, 1927. O Modelo T foi um grande carro, talvez mais importante que o A, porém o T era tinhoso para dirigir. Já o modelo A é uma doçura, moleza de guiar. Quem já guiou um Jeep Willys, daqueles com câmbio universal de 3 marchas, monta num Modelo A e não há o que aprender para que tudo siga às maravilhas. Talvez o Jeep militar tenha sido feito com essas características justamente para que não houvesse estranhamento, já que não havia americano que não tivesse guiado um Modelo A. Mesma razão para o Humvee, o Hummer militar, ter sido automático, o soldado americano atual mal sabe guiar carro com câmbio manual.

 

(www.imcdb.org)  PERFEITOS www

Maserati 300S, 1956(www.imcdb.org)

Maserati 300S, 1956. Leve, pequeno, veloz, ágil, belíssimo, comportamento doce.

 

(foro.fordecosportclub.com.ar)  PERFEITOS foro

Lotus 72 (foro.fordecosportclub.com.ar)

Lotus 72 F-1, 1972. Pelo que o Emerson Fittipaldi fala dele, pela sua cara de paixão, não há como não acreditar piamente que esse carro foi perfeito.

 

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Citroën DS (carstyling.ru)

Citroën DS, 1956. Uma corajosa revolução no design e na mecânica. Confortabilíssimo.

 

(gomotors.net 1)  PERFEITOS gomotors

Mercedes w196 (gomotors.net 1)

Mercedes W196 F-1, 1954 e 1955. Imbatível na época. Simplesmente imbatível. Não fosse o terrível acidente de um Mercedes 300 SLR na 24 Horas de Le Mans, de 1955 – no qual morreram mais de 80 pessoas, e com isso a fabricante achar que seria melhor abandonar as pistas — a subseqüente história da Fórmula 1 seria outra.

 

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Mercedes Silver Arrow W154 (www.performance-car-guide.co.uk)

Mercedes W154 Silver Arrow Grand Prix, década de 1930. Motor de 12 cilindros,  3 litros compressor, 650 cv. Também imbatível. No frigir dos ovos, os Auto Unions P-Wagen não foram páreo para ele. Os outros competidores, bom, os outros podem ser chamados de resto.

 

(commons.wikimedia.org)  PERFEITOS commons

Honda S600 (commons.wikimedia.org)

Honda S600, 1964. A 8.500 rpm gerava 57 cv. Pesava 715 kg. Diminuto. Emoção garantida. Deveriam recriá-lo com uns 50 cv a mais, mantendo o giro alto e cilindrada. Talvez com até um pouco mais de giro. Hoje está fácil.

 

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Lancia Lambda, 1922 (www.netcarshow.com)

Lancia Lambda, 1922. Primeiro carro a usar monobloco como estrutura. Leve, carroceria rígida, comportamento anos-luz adiante do que havia.

 

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Lancia B20 (wikiautos.ru)

Lancia B20, 1953. Imagine em 1953 um cupê de quatro bons lugares com motor V-6, transeixo na traseira, suspensão de Dion. Motor projeto do Vittorio Jano. Não é à toa que o Fangio usava um em suas viagens européias. Só depois, quando passou a correr pela Mercedes e ganhou um 300 SL Roadster, é que deixou seu B20.

 

Para não dizer que esqueci da foto do Lotus Seven (www.arden.de)  PERFEITOS www

Para não dizer que esqueci da foto do Lotus Seven (www.arden.de)

O caro leitor que, por favor, me ajude e elenque os que acha perfeitos. Na certa esqueci de alguns, na certa.

Ah! Mais um, a Chevrolet Veraneio do meu pai. Como era bom viajar naquela barca!

AK

 

 

 

 

 

 

Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

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  • Miquelle Francisconi Alves

    Irretocável sua lista AK, o meu “carro perfeito” foi meu primeiro carro, um Palio Fire 1,0 l. 2001, motor elástico de apenas 55 cv que entregava torque máximo de 8,5 kgfm a 2.500 rpm. Nunca esquecerei as “lenhas” com ele…

  • Lorenzo Frigerio

    Em termos de Brasil, o Passat TS é o verdadeiro “Das Auto”. Adoro o Landau, também, com sua solidez, silêncio e conforto de marcha impecáveis.

    E Arnaldo, a Bel Air aí em cima é a 57. A 58 não é tão legal, inclusive porque nesse ano saiu a Impala e a versão Bel Air passou a ser a mais despojada. Aliás, falando em carros dessa época, não dá para deixar de mencionar os Plymouth Fury 57 e 58 (“Christine”); esses carros já eram monobloco e usavam a suspensão dianteira por barras de torção igual à dos nossos Dodjões.

    • Arnaldo Keller

      Lorenzo, você tem razão. Fiquei na dúvida e fui só ppela memória, que falhou. Vou corrigir. Obrigado.

    • Lauro Dias

      Sim, o Bel Air 1957 foi sem dúvida o mais belo da linhagem!
      O Impala só teria beleza nas gerações de 1960 em diante…
      Quanto aos Plymouth Fury 1957 e 1958 (Christine), além da modernidade de construção que você citou, tem também as fantásticas câmaras de combustão hemisféricas (Hemi), tudod e bom! Como dizia a propaganda da Plymouth em 1957: “De repente é 1960!”

  • CorsarioViajante

    Pelo primeiro parágrafo já sabia que era texto do AK.
    Aliás, mais um belíssimo texto. Gostei muito da lista e mais ainda do seu conceito de perfeição.

  • Fabio Vicente

    Atualmente o carro que podemos chamar de perfeito é o Toyota GT86 – ou Subaru BRZ se preferem.
    Como não vi nenhum carro dos anos 90, vou colocar na lista os Volvos 440 e 460 (sou apaixonado por estes carros – pena não encontrar um em bom estado aqui no brasil) , o Lotus Carlton e o Audi A2 – este último inovador por ser todo em alumínio.
    Bonus: Jaguar Xk 120.

  • Pedro

    Somente uma correção, o Chevrolet Bel Air é modelo 1957 e não 1958 como informado no texto. Em 1958, com o lançamento do Impala, o Bel Air passou a ser o modelo intermediário da linha Chevrolet.

    • Ilbirs

      Aliás, um acréscimo a ser feito é que os Chevrolets de 1958 (por aí entenda-se os vários níveis de acabamento e carroceria) eram a antítese do conjunto equilibrado dos modelos de 1955 a 1958, sendo barcas sem tamanho e com desenho pesado:

      http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/96/1958_Chevrolet_Bel_Air.jpg

    • Arnaldo Keller

      Errei. Me desculpe. Vou corrigir. Obrigado.

  • Mr. Car

    E quais seriam seus carros perfeitos de hoje, Keller? Meu “Dacia” Logan entraria na lista, he, he? Para mim, dentro do propósito dele, e das minhas necessidades, acho que merece uma vaga nesta lista: é espaçoso pacas, bastante econômico, não é um trambolho de grande, sua mecânica é confiável, a manutenção barata, tem bom comportamento dinâmico (se dirigido como veículo familiar pelo menos, nunca tentei tocadas esportivas), desempenho que não é nenhuma referência mas também não compromete em ultrapassagens e retomadas (1.6 8v), é agradável de dirigir…claro, também tem seus pecados, mas releváveis diante das qualidades, creio eu. Em tempo: meu avô também teve uma Veraneio: como era bom viajar naquela barca! Infelizmente, nunca tive oportunidade de experimentar como motorista. Por todas as lembranças felizes que ela me traz, adoraria ter uma hoje em dia.

    • Jairo Evaristo

      Mr. Car, talvez a simplicidade seja a chave para nos afeiçoarmos a certos carros. Já dirigi Fusca (de 68 a Itamar), Corcel(II), Belina, Passat, Kombi, Chevette, Gol (85 a 2000) e outros mais que me cativaram. Quanto aos Dacia, possuí dois Sanderos, de 2008 a 2014 (Privilege e Stepway), que não me deram trabalho algum e ficarão na memória como dois valentes e práticos veículos. Lógico que há outros carros muito bacanas por aí, mas o dia-a-dia com eles (Sanderos) foram bem satisfatórios. Agora seguirei um novo caminho, de New Fiesta PowerShift, para agradar a patroa também (chegada em um automático). Espero que seja tranquilo como com os “Dacia” Renault.

    • CorsarioViajante

      Mr. Car, me metendo, penso muito nisso e cada vez mais acho que carro “perfeito” é aquele que cumpre o que promete. O que realmente me incomoda é vender gato por lebre!

  • CCN-1410

    Até hoje eu invejo os argentinos pelos carros que puderam ter e eu não.
    Sempre que vejo um 2 CV meu coração aperta e me bate uma tristeza danada.
    Quanto ao Ford modelo A eu já dirigi um por algum tempo. Era de 1931 e muito gostoso para passear pela city.
    Em minha lista de melhores eu sempre incluo o 2 CV, minha paixão, o Fusca e o A.

  • CCN-1410

    Em tempo: No lugar do Belair eu colocaria o Fairlane.

  • marcos

    Caraca, AK. Nunca concordei tanto com um post seu. Como estou só elogiando e não discordei de nada, capaz de vc até deixar passar e nem vai censurar, hein? Parabéns pela lista. Realmente irretocável de cima a baixo a menos, claro, a veraneio citada meio de esguelha no final do texto.

  • BlueGopher

    Puxa, lembrou até a Veraneio, meu primeiro carro, companheira de tantas aventuras!
    Como ela deixou saudades…

    Eu acrescentaria os MG, em especial os TC e TD, carros que despertaram nos americanos o gosto pelos roadsters, após a II Guerra.

    Aqui no Brasil acho que o Karmann Ghia é um dos carros que se encaixaria no bem no tema.

  • Marcos Alvarenga

    Nada a acrescentar.

    As motos merecem outro texto desses.

  • JT

    Quanto mais leio sobre carros em livros, sites e blogs – e quanto mais eu guio carros diferentes – mais tenho a impressão de que só consigo arranhar a superfície do assunto. É bem verdade que o mesmo se aplica para qualquer coisa nesta vida: sempre tem alguém que sabe mais do que você.
    Posto isso, faço minha sugestão para aumentar a lista de autos perfeitos, elegendo a Alfetta 158/159 para tanto. A Alfa Romeo foi a principal marca esportiva da primeira metade do século 20, e quando a Fórmula 1 começou em 1950, os carros do grid eram projetos de antes da Segunda Guerra, do tipo Grand Prix, sendo a Alfetta o melhor deles, nas mãos de pilotos igualmente notáveis, como Farina e Fangio.
    Como também não incluir a Alfa Romeo Giulietta de 1954 nesta lista? É um dos carros que ainda quero dirigir um dia, com alguma esperança de realizar este desejo – já que uma Alfetta é coisa para pilotos de testes da Ferrari em ações promocionais, hoje em dia.

  • Marcelo R.

    Ah, o Fusca, sem a menor sombra de dúvidas!

    Tudo bem que para andar no asfalto há vários outros carros com uma dinâmica melhor. Mas, quando o piso muda…

    Lembro de uma viagem que fizemos. O meu pai no 1300 L e um tio meu em um impecável Corcel II LDO! No asfalto, o Fusca comeu poeira. Mas, quando saimos dele, o Corcel (atolado na lama) teve que ser rebocado por quem???

  • Fórmula Finesse

    Linda lista; coisa de especialista mesmo – eu incluiria no máximo a série 3 da BMW, anos oitenta e noventa.
    Talvez a bela inteligência aerodinâmica do Calibra;
    O carro para quebrar pescoços (de quem guia e de quem olha) do Countach;
    A versatilidade esportiva da Lancia Delta;
    Linha S da Mercedes, a quintessência dos carros de luxo;
    Kombi como formadora de um país;
    Ah…teria muitos ainda, nenhuma lista será definitiva, apenas mais ou menos saborosa.

  • Antonio

    1-Ford Landau 1982.
    Simplesmente o melhor carro já fabricado no Brasil. Sólido, estável, confortável como só ele. Perfeito, de acordo com o critério do colunista.
    2- Cadillac de Ville 1959. Opulento e obeso e por isso mesmo perfeito. Carro para quem queria mostrar que chegou lá! Carro ideal para uma visita a Las Vegas.
    3- Land Rover Range Rover. Versatilidade elevada ao quadrado. Perfeito para quase tudo. Aliás, não consigo imaginar para o que ele não presta . . .
    Texto perfeito, AK! Sempre um prazer de ler!
    Abraços,
    AAM

  • adriano

    Arnaldo logo você esqueceu o Corvette!!!
    Vou dar um desconto pois sua lista á boa
    mas em nível “Brasil” fico com
    Fusca pela durabilidade,
    Opala versatilidade (principalmente os motores)
    Fat Uno, Corcel Belina e Pampa
    Um abraço.

  • Daniel Shimomoto

    Acrescentaria a lista os seguintes carros:

    1-) Gol “a ar” – uma revolução ainda na era boxer.
    2-) Gol G1, equipado com motor AP. Até hoje lembrado pelo desempenho
    3-) Ford F-1000. Sinônimo de caminhonete até hoje
    4-) Chevrolet Opala
    5-) VW Kombi – um veiculo de transporte que virou simbolo de uma cultura
    6-) Opel Kadett – Um carro mundial
    7-) Jeep – Dispensa apresetações
    😎 VW Fusca – Um mito da industria
    9-) Fiat Uno – Devido a sua importância
    10-) Toyota Corolla – devido a sua trajetoria

    • Arnaldo Keller

      A Kombi! Claro! Ela merece.

  • Carlos Barbosa

    Que tal trocar o Jeep por um Kubelwagen???

  • Carlos Barbosa

    Altas lenhas pode crê rsrsrsrs

  • Carlos

    Desculpe-me a intromissão, mas o Chevrolet Bel Air apresentado na matéria é o 1957. O 1958 é o ano de lançamento do Bel Air Impala, que possuía 3 lanternas traseiras de cada lado e apenas 2 portas! O Bel Air 1958 é esse da foto.
    Abraços.
    Carlos
    Porto Alegre/RS

  • Rogério Ferreira

    O Ford GT40, terror de da Ferrari no finalzinho da década de 60, merecia uma menção honrosa, Ao que sei, o que garantia excelente velocidade final, era uma aerodinâmica primorosa. Carrinho perfeito, que cumpriu muito bem sua missão, de deixar o “commendatore” muito nervoso. E o Civic Si de 1993, resgata um bocado da “alma” do S600. Também perfeito! Por que não colocar, pelo menos em termos de Brasil, nossa botinha ortopédica, que deu um salto evolutivo gigantesco em 1984. O Uno, em minha humilde opinião, cumpriu muito bem seu objetivo, tanto que é competente até para os dias atuais e só deixou de ser fabricado, por imposição de uma Lei, no mínimo, questionável. Cumpriu com perfeição o papel do Fusca, por ter a mesma robustez, mas ganhava de quase todos seus contemporâneos no espaço, inclusive dos mais caros. O consumo era muito bom, era barato e tinha uma aptidão enorme para as rodovias recém pavimentadas do Brasil daquela época. Só o câmbio ainda com sincronizadores porsche da primeiras versões, que era uma “coisa”. A ré, então, era uma questão de “negociação com forças ocultas”. Meu pai, teve oportunidade de usar um, da frota de seu serviço, em 1987, quando ainda era novidade, e me dizia estarrecido: – “esse troço, é 1.3, mais anda muito mais que meu corcel 1.6.

  • marcus lahoz

    Arnaldo. Hoje com 35 anos, minha concepção de automóvel começa nos anos 80. Dos que eu realmente gostei:

    – monza 89 2.0 – confortável e muito seguro
    – tempra 16v – muito moderno bom demais de estraa
    – pegueot 605 2.0 16v – espaço de sobra, bom motor baixo consumo
    – lancer gti 95 – muito esportivo e bom de dirigir, inquebrável
    – xsara picasso 2.0 – não existe carro melhor para a família

  • Rodolfo

    O Gol é um carro perfeito (motores 1.6 a 2.0)… é barato, potente e durável. Eu tenho um G1 1.8AP

  • AlexandreZamariolli

    Para quem curte os Morgan 3-Wheeler, ainda dá para comprar um zerinho! http://www.morgan3wheeler.co.uk/desktopindex.html

  • Maycon Correia

    1 Porsche 914. simplesmente surreal. Ande com ele e nunca mais se esqueça do que viveu.

    2 omega A. Com o preço de um cruze você andava com algo semelhante a um bmw série 5 ou um Mercedes benz classe e de sua época. Melhor carro importado produzido no Brasil.

    3 fusca. Feito para durar e surpreender seus donos. Não os vemos mais aos bandos na rua pois como disse um filho de militar alemão da segunda guerra desleixo de quem usa destrói até panzer!

    4 fiat 147. Racional em tudo, até no jeito de inovar na sua época.

    5 tucker torpedo. Se ele tivesse sobrevivido não conheceríamos nossos carros de hoje.

  • RR

    JT , Muito bem lembrados …
    Também gosto das Alfas.. meu predileto seria uma GTV 1750cc

  • R.

    Realmente o Logan tem grandes predicados… que são muito bem conhecidos por quem tem o carro.
    É aquele tipo de carro que quanto mais se usa , mais se gosta dele.

  • R.

    Mas esses modelos, que voce citou, são muito novos e focados no mercado nacional…
    Olhe mais “fora da caixa” e se deixe levar pela emoção …
    Que tal um Porsche 911 , com seus 50 anos de simplicidade e absoluto sucesso …

    • marcus lahoz

      Com certeza, mas não tenho como opinar sobre algo que nunca dirigi.

  • Firenze

    Os melhores carros do Brasil até hoje:
    De luxo: Ford Landau
    Esportivo: Dodge Charger R/T
    Picape: Ford série F
    Jipe: Willys
    SUV: Rural Willys
    Conversível: Puma GT
    Perua: Caravan 6 cilindros
    Van: VW Kombi
    Popular: Fusca 1500

    Mundiais:
    De Luxo: Cadillac Eldorado
    Picape: Ford ´serie F (americana)
    Jipe: Hummer
    SUV: Cadillac Escalade
    Conversível: Pontiac GTO ’67
    Perua: Oldsmobile Vista Cruiser
    Van: Chrysler Voyage
    Popular: Ford Pinto

    São esses, se tiver mais alguma categoria depois eu posto.

  • Mario

    O motor fundi rápido.

    • Lucas

      Hein? AP funde rápido? Qual? Onde? Quando?
      Ou você quis dizer que você fundiu rápido um motor AP?

    • Rodolfo

      O meu é 1.8AP – ano 1990 – gasolina – com 220.000 km rodados e nunca fez retífica… ele aguenta tranquilo chegar a 400.000 km.

      Funde de quem exagera (estica demais, tira racha ou turbina) ou não cuida (trocar óleo conforme o manual do proprietário e olhar água).

    • Rodolfo

      Já vi relatos de 1.8 AP chegar a 400.000 km sem retífica… o que faz durar é o dono saber dirigir e cuidar do motor.

  • Antonio Amaral

    Fiesta Zetec Rocam 1.0 2000
    Uno CS 1.3 1989
    Escort GL 1.6 1984
    Passat LS 1.5 1976

    Para mim, Todos perfeitos.

    • Lorenzo Frigerio

      No caso do Passat, teria que ser o 1977, com o novo trambulador e bancos altos. E ainda por cima, 3 portas (disponível desde 1976).

      • Angelo Dias

        Passat TS, ’77 com novo trambulador e bancos altos, até aqui concordo com você, mas tem que ser o 2 portas, mais estiloso!
        O 3 portas durou pouco, ninguém queria…

        • Lorenzo Frigerio

          Não há nenhuma diferença de estilo, e ele vendeu bem. Alguns torciam o nariz por causa do barulho da tampa atrás do banco, a qual inclusive dificultava a instalação de alto-falantes. Em plenos anos 80 ele ainda era fabricado, Existia inclusive uma versão 5 portas para exportação.

          • Angelo Dias

            Há diferença quando se abre a tampa do porta-malas, no 2-portas o estilo de um esportivo de luxo e moderno (para a época), o de 3 portas se transformava em um utilitário, perdendo a identidade de automóvel de luxo e esportividade da VW.
            Também fazia mais barulhos, havia infiltração de água e era péssimo para instalar som.
            A verdade é que o Passat foi fabricado de 1974 até 1988 no Brasil e em 14 anos o 3-portas só durou 5 anos e foi descontinuado. Também, no mercado de usados da época valia menos que o 2-portas.
            A versão 5-portas para exportação foi para desovar o encalhe, que no Brasil não deu certo.

  • Diego Clivatti

    Olha nunca dirigi um, mas um Mazda Miata não se encaixaria aí nesta lista não?

  • HorsePower

    Santana GLS, em 92 tínhamos um. Era só alegria aquele espação atrás, banco de veludo, toca-fitas, ar-condicionado e 4 portas (duas raridades na época). Família toda feliz dentro.

  • RoadV8Runner

    A essa lista, incluiria a Kombi e o Mini Morris original. Estou em dúvida quanto ao Ford Mustang, mas acredito que também caiba na lista, pelo menos os modelos iniciais, de preço justo e desempenho bem bacana para a época.
    Ainda na terra do Tio Sam, daria menção honrosa ao Plymouth Road Runner, modelo baratíssimo pelo desempenho ignorante que proporcionava ao feliz proprietário. Já li por aí que, se foi o Pontiac GTO que inaugurou o segmento dos muscle cars, coube ao Road Runner a popularização de tais modelos.

  • Fernando

    Essa perfeição cabendo bem ao gosto dos consumidores e ao seu uso, creio que dos carros que tive os preparados para dar conforto junto de resistência às nossas crateras foram os Escort Guarujá (e demais modelos) e meu Clio 1.6, ambos ótimos em ergonomia, visibilidade, motor suficiente e econômico, câmbio bem escalonado e tudo mais para uso em cidade sem precisar ser pelado demais, muito melhores que se optar por um “1 litro” 0-km em suas épocas.

    Já imaginando que nossas ruas fossem melhores e uso um pouco mais estradeiro, Escort XR3 e BMW E36 também são muito acertados e equilibrados. Em todos esses casos, até um pouco de emoção junto da racionalidade, sem dúvida bastante satisfação.

  • Christian Govastki

    AK, é inadmissível não ter colocado a foto da Veraneio.

    De preferência pós 79 com capô alto e grade dianteira plástica.

    Não há quem não tenha rodado numa Veraneio que não tenha se apaixonado por ela (talvez os que andaram no porta-malas fechado a detestem…)

    Para mim o carro moderno perfeito é o Focus Hatch Ghia Mk1 Zetec 2,0. Lindo, acabamento perfeito, handling ideal e tudo de bom.

    Não por acaso meus dois sonhos de consumo. A Veraneio resolvo ainda este ano, já o Focus fica para o ano que vem, embora o meu Focus Hatch Ghia Mk2,5 Duratec AT agrade bastante, mas não tem a personalidade do Mk1.

  • Christian Bernert

    Ora, o carro perfeito é sempre o: ….. MEU!
    Se não fosse eu teria comprado outro.
    E é exatamente por esta questão de ponto de vista que as conversas sobre carros são em geral tão acaloradas.

    • Lucas

      hahaha. Boa!!

      Para mim, o carro perfeito, no momento é…. o meu! =D

  • braulio

    Bom, minha lista incluiria alguns:
    McLaren F1: O carro que fez, de repente, os Mercedes e BMW parecerem mal projetados, os Ferrari e Porsche lentos, os Rolls-Royce baratos, os Citroën conservadores: Projetado desde o primeiro desenho para ser “o melhor carro do mundo”, era o mais rápido de seu tempo, mesmo assim era dócil, confortável e útil o suficiente para poder ser usado no dia-a-dia.
    VW Kombi: Uma transportadora de cargas e pessoas. Você pode pôr uma tonelada de ovos dentro dela, passar pelas piores estradas que imaginar que ela não fica no caminho e nem quebra os ovos. Manutenção simples, consumo comedido, e, na linha “à ar”, um casamento de aerodinâmica e potência perfeito para evitar as multas da maioria das estradas.
    GM Opala/Caravan: Um carro macio que não deixa de ser obediente, simples, sem que isso significasse desconfortável, versátil o bastante para ser a escolha de taxistas e playboys de sua época. Construiu uma fama para a GM do Brasil: Carros que gastam no posto, mas não na oficina, com torque abundante em qualquer rotação, divertidos e confiáveis. A GM tem passado mais de 20 anos tentando manter apenas a fama de “carros que gastam no posto”, mas até hoje tem fãs de Opala que louvam a empresa como um todo!
    Toyota Sprinter Tureno GT APEX – Você simplesmente não pode usar outro carro para entregar tofu num hotel sobre o Monte Akina!
    Suzuki Cappuccino: Delicioso desde o nome, um carro perfeito para jovens que querem um esportivo, mas não têm, nem dinheiro no banco nem espaço na garagem para um esportivo de renome. O Mazda AZ-1 também é perfeito para a proposta, sendo mais bonito por baixo e menos bonito por fora. Como o carro Key mais próximo está em outro hemisfério, o Cappuccino me parece mais perfeito.
    Cadillac 59 (convertible, coupé ou SW) E se você quiser um carro só para ocupar espaço na garagem, acumular ferrugem e admirar de vez em quando? Eu teria uma SW branca e só tiraria ela da garagem se estivesse tocando o tema de “Ghostbusters” no rádio!
    Cord L29, Tucker Torpedo ou Cadillac V-16: Perfeitos para mostrar uma época em que os EUA faziam carros tecnicamente superiores aos europeus.
    GM Corvette: Coloquemos desse modo: Pilotos de caça preferem os Mustang; Astronautas vão de Corvette!
    É… Acho que a lista acaba ficando infinita!

  • Kiko L

    Mestre Arnaldo!!! Deliciosa leitura, obrigado!!! Meus perfeitos: pé de boi: Fusca e Uno/Mille. Família: Subaru Outback (todas as gerações). Passeio: Landau. Trackday: Porsche 911Carrera GTS(997). Sunday Drive: Jaguar E type conversível. Agrícola: Massey Ferguson 265. É isso! Um abraço!!

  • Opaleiro Louco

    O Opala!

  • Curió

    Os textos do Arnaldo são sempre gostosos de ler! Desde o primeiro parágrafo, mesmo sem ver a autoria, já dá para identificar um deles. Eu vou seguir, então, a sugestão do penúltimo parágrafo e continuar a enumeração.

    Vou listar os carros, e a quem interessar a história, estará abaixo.

    – Fusca

    – Uno Mille

    – Peugeot 207

    – F1000

    – Hilux 3.0 diesel aspirada, cabine simples, primeira geração no Brasil e depois do facelift

    – Pickup Willys / F75

    – GT86

    – F40

    – Noble M600

    – Ferrari 375 America Pininfarina coupé “Agnelli”

    O primeiro que tenho a obrigação de listar é o Fusca, como muitos dos leitores fizeram. Ora, não há como não admirar esse carro. Foi o segundo que dirigi, ainda aos 11 anos, por escolha de meu tio, que com razão me disse que quem dirige um Fusca, dirige qualquer carro. O Fusca 1200, na subida precisa ser empurrado e na descida precisa ser puxado, brinca o meu avô, mas do 1500 em diante, é um carro que cumpre qualquer função designada a ele no asfalto das estradas brasileiras atuais com rigor. Obviamente que não corre, não é um grande estradeiro, mas cumpre, e na cidade não tem nenhuma espécie de problema. Mas é na terra que ele mostra realmente a que veio. O que presenciei, no banco do carona, do Fusca no barro, no meio das estradas dos cafezais dos mares de morros mineiros, cheias de mato seco orvalhado, na poeira, nos buracos, nas pedras, me mostrou mesmo que valente e competente como esse carro poucos são. Talvez nenhum. O Fusca enfrenta qualquer topada, e não falo de uso com correntes nos pneus, pois de que adianta passar numa estrada tranquilamente se ninguém que vem atrás pode passar depois? Falo dele original. Isso o torna para mim um carro perfeito, principalmente para o Brasil, que é tão variado.

    Andando em sua linha, creio que posso falar do Uno Mille, que é um carro que guarda muitas semelhanças com o “bisorrinho”. Gosto tanto do pé-de-boi italiano que quando visito meu avô na fazenda, entre a L200 Triton 3.2 Turbodiesel Automática e ele, que é modelo 2010, duas portas, sem nenhum opcional e flex, prefiro dirigir ele mesmo. Tudo bem que, para um entusiasta, comparar um carro manual e um automático já os coloca em patamares diferentes, e que, no contrário, tem certos lugares que a caminhonete vai que o carro não vai, mas para tudo o que não exige tração nas quatro rodas, ele é meu eleito. Tem uma enorme visibilidade, os bancos são espaçosos e confortáveis (tenho 1,76m), os engates são fáceis e precisos, faz um mol e meio de quilômetros por litro, é de manutenção barata, tem uma altura do chão que, apesar de atrapalhar na aerodinâmica e no centro de gravidade, o torna versátil o suficiente para ser bom na estrada de terra (onde mais gosto de o dirigir), curva razoavelmente bem por ser de suspensão firme, tem comandos leves e que respondem rápido, o punta-tacco sai por osmose e seus 66cv, com o pico de torque lá embaixo, o levam bem numa tocada tranquila e bem estável numa tocada rápida, desde que se coloque os giros lá em cima. É um maravilhoso carro simples, que, racionalidade a parte, já me acompanhou muito em minhas andanças curiosas e entusiastas pelas estradinhas da zona rural de MG e SP, já viu comigo o nascer do sol na fronteira (a fazenda fica bem na divisa dos dois estados), já carregou leite, vacinas, insumos, diesel, amigos mulambos, amigas bonitas e chegou até a ver coisas proibidas para mães. Já viu até o barranco, quando mais novo eu pensei ser um piloto de drift, pobre dele. Mas como o Brasil já é um país urbano, já pode ter mais conforto e ser menos simples.

    E é isso que me leva ao terceiro carro, que eu elegeria para meu carro de uso diário facilmente, depois de trocar a relação da segunda marcha. Trata-se de um pequeno e discreto Peugeot 207, 1.4 e “completo”, do meu outro avô. Alguns podem achar estranho, mas eu não conheço um carro tão perfeito para a cotidianidade como ele. É um carro muito confortável e de comandos muito agradáveis. Além disso, tem uma boa performance e é econômico. Vejam bem, não faz parte do vocabulário do meu avô a palavra “noção”. Às vezes ele anda tão lento que até uma Kombi de ré usando GNV passaria o carro, e às vezes encarna o Ayrton Senna. Apesar de ir de um lugar ao outro muito competentemente, vovô queima embreagem, erra marcha de vez em quando e por aí vai. Mesmo assim a média de consumo do carro é 13km/l no geral. Ele não reclama das estradas de terra que de vez em quando surgem, curva muito bem em velocidades de cruzeiro altas (às vezes acho que se estivéssemos num Gol G4, por exemplo, estaríamos num sério caso de amor com o barranco), é fácil de manobrar, tem um bom ar-condicionado, aparelho de som, faz o zero a cem em razoáveis 13,5 segundos, o motor é suave e cruza sem muito barulho e os bancos são confortáveis. Não preciso de nada além disso. Dizem que escapa de uma vez e sem avisar nas curvas, mas nunca cheguei a esse ponto, até porque não o dirigi muito. Eu só trocaria a relação da segunda marcha, que é longa demais para o escalonamento do resto do câmbio e para o motor.

    Bem, se o 207 é o carro do cotidiano, os dois próximos são o oposto para a maioria da população. Vou colocá-los no mesmo balaio. Na realidade, colocá-las. São a F1000 com o tradicional motor MWM e a Hilux 3.0 diesel aspirada da primeira geração que veio ao Brasil depois do facelift, fabricada na Argentina, cabine simples. Não há nada mais gostoso de dirigir do que uma caminhonete de bom tamanho, com motor diesel barulhento e torcudo, alavanca de curso comprido, direção do tamanho de uma roda de arado e visão do alto. Claro que, nisso tudo, a F1000 é mais característica que a Hilux, mas a Toyota empata pelo motor. Não posso deixar de citar também a Pickup Willys, que dirigi somente uma vez, mas na qual sentei muito no banco de carona. Entrar numa delas, para mim, é como entrar num pedaço da história do sertão caipira, do Brasil rural e da viola, é de uma emoção enorme.

    Ora, e os esportivos? Eu ainda não dirigi um. Espero não demorar a fazê-lo, pois a vontade é grande. Mas quem tem 18 anos ainda tem tempo. O Toyota GT86, por tudo o que li e ouvi (inclusive o som do motor), acho eu, poderia ser eleito o esportivo perfeito da atualidade. É realmente tudo o que há de melhor neles reunido num só carro sem frescuras, feito para quem não é só um playboy que ouve sertanejo universitário nas portas de balada. Comparável a ele, talvez só o Noble M600, mas que já é um supercarro. Tenho de citá-lo, entretanto, porque não é todo dia que aparece um esportivo de 1200kg, 650cv, V8 biturbo, tração traseira, câmbio manual de 6 marchas, sem ABS, air-bag nem nada, só com controle de tração completamente desligável e que curva melhor que um Nissan GTR. Temos de admirar um projeto assim, que lembra muito a F40. Que é a maior das lendas entre os esportivos, e também um sonho meu.

    Por último, mas não menos importante, um carro muito distante e único, que é, para mim, o mais belo carro já feito, a Ferrari 375 America Pininfarina coupé “Agnelli”, que merece a minha menção. O que seria da humanidade sem a beleza?

    • Rogério Ferreira

      Assino em baixo a sua lista, e especialmente, no caso do Mille e do 207…. Já atravessei metade do território brasileiro num 206 1,4 flex, um dos melhores que já tive. Só não arriscaria encarar uma trilha com ele. Nunca me deu um trabalho, e fico indgnado com a fama injusta do carro.