OS MEUS CHEVETTES

OS MEUS CHEVETTES 2bp blogspot com Chevrolet Chevette 2

Não era o da foto, mas era igualzinho (2bp.blogspot.com)

Meu primeiro carro foi um Chevette. Dizem que temos alguma ligação eterna com nosso primeiro carro, já que foi ele que lhe permitiu liberdade real pela primeira vez. Se hoje ter e usar um carro ainda é algo incrível, imagine há três décadas, quando as pequenas ditaduras que hoje massacram o automóvel e seu uso eram virtualmente inexistentes.

Meu modelo L era ano 1978, e eu só sabia que era um “luxo” por causa do documento, já que de luxo ele só tinha duas coisas, carpete no assoalho e calotas nas rodas. Sim, calotas de metal, muito bacanas hoje, mas que eram um horror em meio a jovens saindo da adolescência, sem a informação fácil da inexistente internet, e sem saber que calotas são algo extremamente cool  nos muscle cars mais desejados . Lá nos EUA, são conhecidas como dog dish (pratinho de cachorro).

 

11476-MLB20044114988_022014-O  OS MEUS CHEVETTES 11476 MLB20044114988 022014 O1

A calota que era ridícula há 30 anos, hoje é cool (preciolandia.com.br)

Nesse tempo, conseguir ver alguma revista com muscle cars era um evento importante e memorável. Era coisa só possível em algumas livrarias e bancas com material importado, coisa quase só para ricos naquela época. Meu pai me comprou a primeira  revista importada, Motor Trend, apenas em 1982, imaginem.

Meu carro foi comprado bem castigado, opaco de pintura, numa cor terrível, o vermelho vinho, com motor batendo forte, pneus horríveis e pago em prestações de carnê das lojas Jumbo-Eletro. Foi direto para a retífica de motores no mesmo dia em que o feliz vendedor se livrou dele e do carnê.

Voltou alguns dias depois, já com um motor sem barulhos estranhos, mas amarrado como um tigre de circo, para que eu começasse meu trabalho habitual de “Juvenalização”, um processo onde as prioridades de consertos e desencardimento vão se definindo na minha cabeça, de acordo com o que mais me incomodava, e que ainda ocorre hoje, com qualquer carro que eu compre. Se a coisa olha torto para mim, é a primeira a ser atacada, como por exemplo, a sujeira dentro do cofre do motor.

De cara, os pneus, todos ruins, inclusive estepe. Como a verba era paterna, e ela não abundava, dois novos na dianteira, de uma marca que não me recordo, só para eu poder frear com menos riscos e, se batesse, que fosse mais devagar. Sei que eram bem borrachudos, e tinham um desenho de lateral e banda que faziam eles ficarem bem bacanas, com bastante borracha e altura correta da dianteira, também algo que as atuais modas eliminaram, com a mania de pneus rolo-de-fita-isolante-acabando.

Na traseira, ficaram duas coisas de borracha, bem lisas e feias, mais cinzas do que pretas, ressecadas a ponto de ter trincas, mas que me permitiram aprender um pouco uma coisa chamada contra-esterço com minhas mãos.

 

Simples de tudo (showroomimagensdopassado.com)  OS MEUS CHEVETTES showroomimagensdopassado com br Chevrolet Chevette

Simples de tudo, tenho saudades  (showroomimagensdopassado.com)

Claro que Juha Kankunnen passava longe de minha habilidade, na verdade ele me passaria por fora em qualquer curva, mesmo com um carro igual, mas eu encarnava seu espírito em qualquer dobrada de esquina que via pela frente, embalado pelo motor de 1,4 litro e 69 cv, que deve ser o mais rouco de toda a história mundial do automóvel, apesar de possuir projeto com o tão desejado crossflow, fluxo cruzado, com entrada de mistura de um lado do cabeçote e saída do outro.

Dessa forma, os pneus traseiros foram rapidamente desprovidos do pouco de borracha que lhes restava, e mais parecendo mortos-vivos, fizeram sua última viagem até uma loja de pneus, acompanhados de um cheque no meu bolso, assinado pelo meu sempre auxiliador pai. Provavelmente metade do que sobrava de borracha do traseiro direito havia ficado numa esquina do bairro paulistano do Ipiranga, em que uma curva à esquerda começava em descida e terminava em subida, num asfalto perfeito, e pertinho de casa. Apelidei a curva de  “Espírito de Kankkunen”, e está lá ainda, embora remendada, como quase toda a cidade mal tratada por políticos e povo ignorantes. Quem quiser e puder verificar, Rua do Manifesto com Rua Cisplatina.

Também de meu pai, e num ato de ótima escolha, um volante de três raios super-básico e com um botão de buzina decorado com uma bandeira quadriculada, comprado após ser ele dominado pelo cansaço do botão de buzina original enorme e em formato de tijolo caindo em seu colo várias vezes durante um dia de trabalho.

O carro mudou muito, como considero que mude sempre, quando se remove um volante ridículo e se substitui por um de belo desenho e pega, em qualquer carro. Hoje, e sem poder confirmar pois não tenho fotos desse carro, tenho quase certeza que se tratava do volante do Chevette GP.

 

estadao com br  OS MEUS CHEVETTES estadao com br

Saiu esse volante…. (estadao.com.br)

 

quatro rodas  OS MEUS CHEVETTES quatro rodas

… e entrou esse (Quatro Rodas)

Quando o carro chegou em casa, no porta-malas havia um sem fim de entulhos largados por aquele tipo de pessoa que faz do carro uma extensão de sua casa. Havia jornais, pedaços de pano, caixas de papelão vazias, fotos bem comportadas de uma mulher que não era a esposa do vendedor, e um paquímetro de aço inoxidável que usei muito durante anos, até que foi devidamente tungado por algum fariseu.

Não, o ex-dono não quis de volta, ele disse que nem se lembrava dele e que não fazia falta. As fotos, dentro de um envelope, meu pai fez questão de devolver, para evitar qualquer problema futuro.

A pintura foi um caso à parte. Na época em que a cera Grand Prix ainda era novidade, era absolutamente normal para uma pessoa de 17 anos lavar e encerar seu carro, já que eram bem poucos os que tinham uma pintura de qualidade que permanecesse bonita por mais de um mês numa cidade poluída como São Paulo.

Foi-se uma manhã inteira de sábado com a lavagem, polimento e enceramento, a ponto de um carro eminentemente feio, ser alvo ao final do trabalho, de duas pessoas que passaram dirigindo em frente à minha casa e voltaram para perguntar se o carro estava a venda. Orgulho pouco é bobagem.

Hoje, quase todas as pessoas masculinas de 17 anos gastam seu tempo com as “redes sociais”, naqueles aparelhinhos portáteis que as fazem tropeçar quando andam,  e nem devem saber abrir uma lata de cera. Tristeza.

Além dessa melhorias básicas, os bancos receberam capas novas, de desenho não original, mas plenamente aceitáveis, de fabricação de uma pequena empresa do Norival, amigo de meu pai que as fabricava. Foi um upgrade incrível, o carro parecia ter o interior todo novo, com bancos e volante muito bacanas.

Com ele comecei a aprender a dirigir de verdade, o que sem dúvida trouxe um gosto profundo pela atividade, que tenho até hoje.

Guardadas as devidas proporções e adaptado à cultura sul-americana de miséria, ter um Chevette velhinho na juventude era similar a ter um hot rod nos Estados Unidos pós-guerra, ou um esportivo britânico ou italiano barato e usado na Europa mais ou menos na mesma época, de 1946 a 1960.

Claro que não estamos falando de um carro esportivo aqui, mas o conceito básico de arquitetura de motor dianteiro longitudinal, câmbio debaixo da alavanca de mudanças e tração traseira é o mesmo. Se a construção não era artesanal como dos americanos, tinha um pouco de tecnologia das grandes fábricas de produção em massa, e se também faltava a carroceria aberta de um roadster, o conforto de um teto e vidros compensava no frio e evitava sol na cabeça, coisa que sempre me incomodou.

E meu vinhozinho se foi em um sábado, vendido a um conhecido de meu pai, que ficou muito feliz e usou o carro muitos anos, e eu fui trocando de marca e de carros, até que  voltei a um Chevette  apenas em 1995, um carro comprado de colega de trabalho, absolutamente novo, uns 7.000 km rodados apenas. Era um modelo L 1,6 litro a álcool, mas, exceto pelo motor, com toda a economia do modelo Junior, a tentativa da General Motors em competir no mercado popular, os carros de 1 litro.

O resultado foi um desastre, o pior de todos os 1 litro do mercado, absolutamente fraco e inviável. Desistiram rápido, e voltaram ao motor 1,6 de antes, mas sem acrescentar nada ao empobrecido carro. Não havia nenhum porta-objetos além do porta-luvas. O pára-sol só descia e subia, não pivotando para encobrir o sol entrando pelo vidro da porta. Os vidros eram transparentes, nem mesmo o pára-brisa era verde. Pneus mais baratos do mercado pré-China, Firestone S-211, que me recordavam o 78 com pneus carecas em toda mínima garoa. Na verdade era pior que os pneus carecas do 78. Buzina de um tom, quase inaudível. Volante de aro fininho e raios em “V” invertido, o mais inconveniente tipo de volante já criado para o interior de um carro. Feio e sem apoio para os dedos polegares em raios na posição certa, o “quinze para as três” pelos ponteiros do relógio.

O console que faltava foi encontrado em loja de acessórios e imediatamente instalado. A sombreira foi jogada no lixo e substituída por uma outra, de Corsa, que precisou de dois furos extras na travessa frontal do teto para ser fixada. Eu mesmo furei, de dentro para fora, e sem atingir o painel externo do teto. Se alguém fosse fazer coisa errada, que fosse eu mesmo, já que nas duas ou três lojas de acessórios em que perguntei, ninguém teve coragem. Deu certo.

O pára-brisa foi trocado por um verde com faixa degradê, barato demais, e bem instalado, sem massa em excesso e sem nenhuma entrada de água.  Os pneus deram lugar aos recém lançados Goodyear Aquatred, um dos melhores que já usei, mas que inexplicavelmente desapareceram do mercado. Quando um pneu qualquer daquela medida custava 80 ou 90 dinheiros, o Aquatred em lançamento era 60. Um achado !

A buzina foi trocada por uma dupla, grave e agudo, e a segurança de um bom avisador acústico melhorou muito o uso do carro no trânsito caótico de São Paulo. O volante foi ao lixo também, e entrou um de Vectra / Kadett, de três raios e macio.

 

Também não é foto de meu carro, mas idêntico (bomnegocio.com.br)  OS MEUS CHEVETTES bomnegocio com

Também não é foto de meu carro, mas idêntico (bomnegocio.com.br)

Para melhorar um pouco mais, um rádio Blaupunkt com toca-fitas e quatro alto-falantes, dois deles nas portas, em posição ruim, já que a porta do Chevette nunca teve lugar certo para eles. Ficaram bem para trás, mas dava para ouvir as minhas fitas cassete do Rush, e um pouco de noticiário de vez em quando, para não ser um jovem alienado.

Talvez a maior honra desse pratinha tenha sido no dia de meu casamento. Como a cerimônia e festa foram em um sítio, a noiva e o noivo se arrumaram e desarrumaram lá mesmo, e depois de tudo consumado, fomos embora no pequeno Chevrolet, sem nada de vestidos de caudas gigantes, ternos de pinguim nem de carros pretos. Um conforto.

Esse carro ficou alguns anos comigo, perfeito sempre, e foi vendido em situação engraçada. Um colega de trabalho que se sentava ao meu lado, prestando atenção nos papos sobre carros e nas minha opiniões, comprou o carro imediatamente, sem ver de perto. Mal abri a boca dizendo que ia vender, ele disse: “ Eu compro !”. Já me vira de passagem na rua em frente ao trabalho algumas vezes, e o carro, novinho, chamava a atenção dele todas as vezes.

Não precisei baixar preço nem procurar comprador. Transferência bancária no posto dentro da empresa, fomos ao cartório na hora do almoço e pronto. Vendido e entregue em um dia. Coisas que só os amigos e os pais são capazes de fazer por nós.

Assim, sou órfão de Chevettes desde esse dia, sem nunca ter deixado de admirá-los.

JJ

 

Sobre o Autor

Juvenal Jorge
Editor Associado

Juvenal Jorge, ou JJ, como é chamado, é integrante do AE desde sua criação em 2008 e em 2016 passou a ser Editor Associado. É engenheiro automobilístico formado pela FEI, com mestrado em engenharia automobilística pela USP e pós-graduação em administração de negócios pela ESAN. Atuou como engenheiro e coordenador de projetos em várias empresas multinacionais. No AE é muito conhecido pelas matérias sobre aviões, que também são sua paixão, além de testes de veículos e edição de notícias diárias.

Publicações Relacionadas

  • Mr. Car

    Se escrito por mim, o título seria: “Os Chevettes do meu pai”. Mas também me marcaram. Depois de três Fuscas, um TL, e três Variant, meu pai finalmente comprou um Chevette, um carro de “luxo”, he, he!. “Luxo”, claro, quando comparado aos VW, e isso significava: bancos e suspensão estilo GM (mais macios e confortáveis), um motor bem mais silencioso (pelo menos não ficava dentro da cabine, como no TL e nas Variant), carpete no piso, tecido aveludado nos bancos, pintura metálica, e o toca fitas TKR que meu pai colocou. Adorei o Chevas 1978. Meu pai adorou a estabilidade, em comparação com seus carros anteriores. Outra coisa que não esqueço é aquela delícia de câmbio, onde se podia trocar marchas com o dedo mindinho, sem fazer força. Depois deste 78, ainda vieram um 1980, e um hatch 1982. Deixaram saudades, e tenho imensa simpatia pelo carrinho até hoje.

    • Juvenal jorge

      Mr. Car,
      é isso mesmo, o Chevette é um carro simpático de verdade, por isso temos simpatia por ele.

  • Fernando

    Excelentes relatos como sempre, Juvenal!

    Também tive meu primeiro carro um Chevette. Foi o primeiro carro em que andei na vida (saindo do hospital), o primeiro que dirigi e que acabei por ter, e por isso não poderia vender, e o tenho até hoje.

    Como dito no texto, não consigo entender os jovens de hoje e nem a moda que seguem. O culto ao carro sobrevive em alguns, mesmo entre os que aparentam se interessar pelo menos parece ser mais como um objeto qualquer(e pior, que carrega status) do que pela relação com a máquina, me surpreendo quando vejo algum rapaz que gosta de cuidar à moda antiga.

    Quando um amigo me disse que encerou o carro e prolongando o assunto perguntei quanto tempo levou e me respondeu que foi rápido porque é cera em spray, assumo não duvidar de mais nada.

    • $2354837

      Em tempos de esfera de reboque para ferrar os outros, não dá vontade de sair de casa, quanto mais encerar o carro.

    • Juvenal jorge

      Fernando,

      bela história essa! Sair da maternidade de Chevette e ter Chevette ainda hoje. Muito bacana.
      Cera em spray é ruim demais de usar. Fiz isso algumas vezes e achei uma caca. Talvez seja falta de habilidade.

  • Muito bom Juvenal, trouxe-me lembranças do nosso Chevette SL 78, carro bonito, com interior monocromático marrom e escape esportivo: a 80 km/h parecia que estava voando, rsrs.

    Reinaldo
    http://reiv8.blogspot.com

    • Juvenal jorge

      Reinaldo Silveira,
      obrigado por nos ler.

  • Eduardo Copelo

    o primeiro carro… é algo inesquecível mesmo! Lembro do meu falecido Logus, comprado a prazo com o dinheiro do vale refeição, pelado de tudo, parachoque meio caído, mas que era um poço de alegria! Quantas tardes de sábado perdi lavando e encerando o bom e velho “Balança”(nome carinhoso dado por um amigo, já que o bicho não pegava alinhamento por nada e tremia feito um louco ao passar de 80 km/h – provavelmente batido de frente em algum momento, mas quem pensa nisso?), fazendo pequenas manutenções… o carro foi tudo, companheiro nas horas ruins, motel ambulante nos momentos de loucura, amigão de viagens(muitas viagens!!!), até resolver virar acrobata e dar uma pirueta de cima de um viaduto. Tive outros carros depois, mas só porque ele se foi, pois senão provavelmente ele ainda estaria na minha garagem. Coisa de gente meio doida mesmo…

    • Juvenal jorge

      Eduardo Copelo,
      eu acredito fortemente que todo motorista deveria aprender a dirigir e ter por um bom tempo um carro com muitos problemas, para entender como a coisa toda funciona.
      Carta nova e carro zero para mim, não combinam.

  • Daniel Shimomoto

    JJ,

    Meu primeiro carro não foi bem um Chevette e sim uma perua Marajó. A contragosto (eu queria mesmo era um Gol S 1986 azul marinho que meu pai tinha na empresa, 4 marchas e motor AP600 cujo virabrequim havia sido trocado pelo do 1,8L), acabei herdando a Marajó SL 1986 que meu pai havia comprado para minha mãe, zero km, 10 anos antes e com apenas 60 mil km.

    Infelizmente a Marajó era a álcool e não tinha um funcionamento 100% a contento, com alguns problemas de cabeçote e carburação mas foi na Marajó que eu aprendi a dirigir suavemente, sem dar tranco, sem arrebentar cruzetas e trancos no diferencial, lição esta que foi de enorme valia anos depois que comecei a dirigir caminhonete!

    • Juvenal jorge

      Daniel Shimomoto,
      Marajó é bem legal, pena eu não ter tido uma.
      E aprender a dirigir carros com diferencial no eixo rígido dá mesmo uma sensibilidade diferente para o resto da vida.

  • Marcelo R.

    Essa aqui, Juvenal?

    https://www.google.com.br/maps/place/R.+Cisplatina+-+Ipiranga,+São+Paulo+-+SP,+04211-040/@-23.5877657,-46.6005363,3a,75y,76.22h,80.2t/data=!3m4!1e1!3m2!1sgAU41P4VJlCAFDkOyDHO9g!2e0!4m2!3m1!1s0x94ce5bf1d9b94f87:0x6e65e8c1e557e0e?hl=pt-BR

    Eu voto lá perto, no Alexandre de Gusmão.

    Sensacional a história, JJ! Eu ri muito com essa parte:

    “Hoje, quase todas as pessoas masculinas de 17 anos gastam seu tempo com as “redes sociais”, naqueles aparelhinhos portáteis que as fazem tropeçar quando andam, e nem devem saber abrir uma lata de cera. Tristeza.”

    Um abraço!

    • Juvenal jorge

      Marcelo R.,
      Essa mesmo, a esquina dos cantos cortados.
      Obrigado pelo elogio!

  • Ilbirs

    A quem quiser saber qual a tal curva na esquina da Manifesto com a Cisplatina, segue o link. Hoje em dia você contorna uma academia e quem olhar para o cruzamento notará que todas os quarteirões têm quinas cortadas, o que permite fazer uma tomada mais fechada que a habitual:

    http://maps.google.com.br/maps?q=Rua+do+Manifesto&ie=UTF8&ll=-23.587744,-46.60042&spn=0.018878,0.03783&oe=utf-8&client=firefox-a&channel=rcs&hnear=R.+Manifesto,+S%C3%A3o+Paulo&t=h&z=16&layer=c&cbll=-23.587741,-46.600258&panoid=DAbZRnI4D7-6UrnCj0bj0Q&cbp=12,232.04,,0,12.82

    Ao menos na foto do Street View, vê-se um remendo no centro do quarteirão, que pode estar desnivelado se formos pensar na maneira como se conserta vias em São Paulo. Se for mesmo essa a tal curva a que se refere o Juvenal, na saída dela também há outro remendo, o que me faz crer que carros com eixo rígido traseiro que tracione, como o caso do Chevette, deem seus pulinhos que impedem que se ande na mesma velocidade mais constante com que se andaria em carros com suspensão independente nas quatro rodas ou eixo de torção.
    Agora, iremos perguntar se o “espírito de Kankkunen” irá pegar para designar essa curva tal qual “suspiro de virgem” pegou para denominar esta alça de acesso na 23 de Maio:

    http://maps.google.com.br/maps?q=Rua+do+Manifesto&ie=UTF8&ll=-23.555903,-46.637306&spn=0.018962,0.03783&oe=utf-8&client=firefox-a&channel=rcs&hnear=R.+Manifesto,+S%C3%A3o+Paulo&t=h&z=16&layer=c&cbll=-23.555703,-46.637222&panoid=pvjN9AhZlHp1wSqV9VNnzQ&cbp=12,43.15,,0,2.22

    • Passo ai duas vezes na semana de moto, sempre me divirto ai 😀

      • Juvenal jorge

        Robson,
        Pronto, agora você já sabe que uma simples esquina tem espírito!

    • Juvenal jorge

      Ilbirs,
      é essa mesmo, mas hoje está muito defeituosa. Era bem mais lisa antigamente.

  • Giovanni Leonardo Ferreira

    Meu pai teve tantos chevettes que nem me lembro quantos foram. E apesar de muita vontade nunca tive um. Não sei você, mas eu abria as latas de cera na borda interna dos paralamas. kkkkkk

    • Juvenal jorge

      Giovanni Leonardo Ferreira,
      Essa eu nunca tinha ouvido falar!

  • Muito bom, JJ:

    “Foi-se uma manhã inteira de sábado com a lavagem, polimento e enceramento”.

    Até hoje, felizmente, faço isso. Mesmo trabalhando com mecânica automotiva, acho que poucas coisas dão tanta alegria a um entusiasta do que passar o sábado (às vezes inteiro, não só a parte da manhã) dando um trato no carro. Imagino que só quem tem (ou teve) esse hábito sabe a satisfação que dá!

    • Juvenal jorge

      Rodrigo MG,
      Sim, é bom cuidar de nossos carros, e também dos parentes e amigos, um bom modo de se socializar de verdade, fora das redes eletrônicas. Mas o tempo é curto, infelizmente.

  • Fabio

    Excelente gosto musical!! hehehe

  • EduRSR

    Puxa, adorei seu post… tenho 43 anos de idade e me trouxe muitas recordações boas!!!
    Tive um Voyage a álcool, que depois q comprei, encerei, troquei as rodas, o volante, o escapamento, encurtei a alavanca de câmbio e levei ao mecânico para fazer um leve veneno no carburador…
    Puxa, como eu adorava aquele carro… ficou lindo!
    Hoje em dia, não dá para mudar nada… nem volante, nem veneno, e nem nada… nem para encerar o carro eu tenho saco…
    Eu me lembro que era comum eu pegar ele para dar uma volta (dar um pau nele…) e descobrir novos locais e novas estradas… passar uma manhã dirigindo de bobeira… bater uns peguinhas pelo caminho.
    Agora, sai de carro por ai… só trânsito, violência…e mais trânsito (sou do RJ).
    Bons tempos…

    • Juvenal jorge

      EduRSR,
      obrigado, fico feliz que tenha gostado. Hoje é mesmo difícil ter tempo e paciência de encerar carro. O que eu fazia a cada dois meses, hoje é uma vez a cada dois anos. Se bem que as pinturas melhoraram demais, e os carros ficam bonitos por muito mais tempo.

  • Christian Bernert

    Cara, gostei do seu post Juvenal!
    Não foi meu primeiro carro, mas também gosto do Chevette.
    As melhores coisas do Chevette eram o câmbio (impossível arranhar em qualquer troca) e a tração traseira. Na verdade dava para trocar as marchas quase sempre ‘no tempo’ sem usar a embreagem, tal era a eficiência dos sincronizadores que não deixavam a marcha entrar na hora errada. Já a tração traseira era garantia de divertimento. O motor era fraquinho de tudo, mas com pneus ruins dava para ‘fazer de conta’ que tinha potência sobrando.
    Agora que você lembrou dos famosos pneus Aquatred, eu tenho que concordar totalmente. Eram ótimos. Eu tive um Corsa Wagon 1.6 que veio de fábrica com uns ridículos 165/70R13. A estabilidade era uma porcaria. Então eu troquei pelos Aquatred 175/70R13. Consertou o carro. O Corsinha ganhou vida e virou campeão de curva.
    Mas eu sei porque tiraram de linha. É que o Aquatred tinha sulcos tão profundos e próximos uns dos outros que eu costumava dizer que ele tinha Cerdas e não Sulcos. Isto fazia que em muitos carros surgisse um desgaste desigual que gerava ruídos de rodagem parecidos com rolamento roncando. Não comprometia nada, mas era desconfortável e gerava muitas reclamações. Por isso a Goodyear os tirou de linha.
    O caso das ‘Cerdas’ era tão real que o Aquatred melhorava com o uso. Nos primeiros 10.000 km parecia que você estava andando em cima de uma escova. Dali para frente, com o desgaste avançando ele ia ficando cada vez mais firme. Era muito bom mesmo.

    • Juvenal jorge

      Christian Bernert,
      boa explicação do Aquatred. Na verdade eu não me lembro tão bem quanto você, mas é um pneu que deixou saudades. Grato por seu tempo em comentar.

  • Jr

    Juvenal, parabéns pelas recordações. Tive alguns modelos desses, sendo o último um DL ano 93, tirado “0-km”, também último faturado pelo Concessionário da minha região. Ao contrário do seu veio completo, (tão completo quanto um carro desses podia ser), com vidros verdes, pára-brisa degradê, console, ar quente, apliques plásticos para todo lado etc. Adorava o carro, principalmente pela tração traseira mas, admito, foi um modelo que me deu algumas dores de cabeça mecânicas (o que foi meio surpreendente, pois não era um modelo especialmente problemático), motivo pelo qual acabei me desfazendo. Sei que o atual proprietário também prossegue sua “sina” mecânica, mas não vende. Muito confortável, muito gostoso de dirigir, (apesar de um motor apenas suficiente), me pego às vezes pensando se não deveria ter trocado o conjunto mecânico pelo da S10 e ficado com ele. Apesar de que ai seria mais uma “tralha” na garagem, a ser movimentada apenas nos finais de semana. Abraços;

    Aldo

    • Juvenal jorge

      Aldo,
      fico feliz que tenha despertado boas lembranças, obrigado por ler.

  • Rogério Ferreira

    Grande Juvenal e seus Chevettes… E sabe qual foi o meu primeiro carro? Isso mesmo! Acredito que Chevette foi o primeiro carro de muitos que hoje estão na meia idade. O meu era um SL 1985, 1.6 álcool, 73 cv. As coisas eram mais complicadas para mim, e carrinho foi fruto de 10 meses de salário quase integral poupado, só gastava o do “busão”. Nunca tive nenhum “paitrocínio” se bem que o velho tinha plenas condições de me dar uma força. Segundo ele, era para eu dar o devido valor. Certíssimo! e pobre das minhas filhas, pois com elas, adotarei a mesma filosofia. Mas voltando ao Chevette, comprei-o com 19 anos, no ano de 1995, ao custo de R$ 2800 reais, me sobrando 200 para um toca fitas, (aparelho de CD, ainda era muito caro). Carrinho bom de cidade, para sair aos finais de semana, pelas ruas de Brasília, numa época em que o trânsito da capital era de calmo à razoável, nem de perto lembrava aquilo que encontramos hoje. Sim, o Chevetinho, para era uma beleza, na cidade mas uma tristeza na estrada… Levava surra até de Uno Mille de 49 cv! Uma vez fui tentar acompanhar meu pai, no seu Prêmio CSL… e olha que o velho é bem “roda presa”… Quem disse? Por mais que eu tentasse, tentasse extrair o máximo… o Fiat sumia da minha visão, e meu pai tinha que “maneirar” ainda mais, para que eu pudesse alcançá-lo. Ainda me zombou. Outra vez encarei uma viagem de 300 Km com quatro pessoas, levei quatro horas e meia para chegar, pois não tinha jeito, qualquer velocidade acima de 90 km/h, saia da zona de conforto dele… Exigia quase todos os pangarés, do motor já cansado, e carroceria sacolejava perigosamente, tal qual um Fusca na mesma situação. Ultrapassagem em pista simples? Era questão de fé e coragem! Não agüentei não. depois de um ano troquei o Chevettoso, num Escort GL 87… Quanta diferença!

    • Juvenal jorge

      Rogério Ferreira,
      um ótimo carro para começar a aprender a dirigir no mundo real.
      Obrigado pelo comentário.

  • Marcos Alvarenga

    Senhor Juha Kankunen, hoje você está impossível!
    Delicia ler esse texto. Parabéns de verdade.

    Quanto à sua descrição do toque do volante, nunca tinha pensado nisso mas quando um carro se vai é a sensação que mais permanece comigo é a sensação do toque e pega do volante e do pomo da alavanca. Me lembrei com saudades do Marea 2.4, e seu volante de couro com as costuras aparentes do lado de dentro e espessura ideal para pega.

    • Juvenal jorge

      Marcos Alvarenga,
      obrigado pelos elogios.

    • BrunoL

      Também tive um Marea 2,4l e lembro desse detalhe do volante, cuja costura “assava” o dedão depois de muito tempo dirigindo. O acabamento do pomo do câmbio, da mesma forma, também descascava e tinha a costura meio grosseira.

      O Marea anterior que tivemos, um 2,0l SX, com volante e pomo de câmbio sem couro (plástico até que agradável) me eram mais confortáveis, por incrível que pareça.

      Para ser sincero, tenho mais saudade do 2,0l que do 2,4l…

  • Lipe

    Eu não tive Chevette, mas até que queria um como primeiro carro aos 17 anos (quando ganhei meu primeiro automóvel do meu pai).
    Só que a minha mãe não deixou eu comprar um Chevette. Aí pensei num Passat e meu pai foi quem não concordou. Mas tudo tem explicação.
    Meu pai teve 4 Chevette, um de cada reestilização. Por isso o enjoo da minha mãe com o carro. No intervalo do segundo para o terceiro GM, ele teve um Passat e não gostou. Por isso se colocou contra o VW.
    São dois carros dos quais gosto bastante. Lembro muito bem quando era criança e temos umas fotos em casa.
    Um dia meu tio, que tinha um Monza “tubarão” (não me recordo o ano) branco, 2 portas, motor 1.8 a álcool, fez questão de tirar uma foto do Chevette prata 1.6/S do meu pai, seu Monza e um Omega 6-cilindros de cor vinho do nosso vizinho da frente, todos em fila na rua de casa (isso foi antes de lançarem o Corsa, deve ter sido em 93).
    Época de ouro da GM. Depois com o Vectra então, era um carro tão admirado quanto é um Golf TSI hoje em dia.

  • AlexandreZamariolli

    Algum tempo atrás, o FlatOut soltou um post em que se perguntava qual seria o primeiro carro ideal para um gearhead. Hoje há muitas opções, mas, quando comecei a dirigir, em meados dos anos 1980, era difícil pensar em algo melhor que o Chevette. É certo que o desempenho não empolgava, mas a visibilidade, a leveza dos controles, o comportamento dinâmico, a suavidade do motorzinho, tudo conspirava para formar um motorista macio, justamente o que nosso bom e velho “catecismo” (a Motor 3) preconizava como a melhor forma de dirigir.

  • André K

    “nem para encerar o carro eu tenho saco…”

    [2]

  • Daniel Shimomoto

    Uma lembrança que tive é que o Chevette nunca teve um lugar decente para colocar um alto-falante.

    • Comentarista

      O de 84 que tivemos em casa minha mãe mandou colocar um som. Um toca fitas Tojo com amplificador de LEDs Tojo também fixado abaixo do porta-luvas. Os alto-falantes traseiros tinham que ser colocados em uma tampa de madeira acarpetada e encaixada atrás do banco traseiro. Eu ficava encantado com aquele tanto de luzinhas piscando a cada batida da música!

    • Fernando

      Soluções melhores eram “pézinhos” no assoalho e o tampão atrás do banco traseiro como o Comentarista disse, o meu Chevette tem só os 2 coaxiais nesse tampão mesmo.

    • Daniel S. de Araujo

      O meu era Marajó…mandei colocar alto-falante nas portas mas o revestimento não conseguia se manter preso pelos grampos…batia tudo. Desastre

  • César

    Grande texto, Juvenal! Ainda compro um 4 portas (sim!) com as rodas iguais às da terceira foto, com os “copos” pretos.

  • João Guilherme Tuhu

    Prezado Juvenal, tive 6 Chevettes: 1.4 gasolina 1982; 1.6 álcool 1983, 1985 e 1987 “SE”; 1.6/S gasolina 1989 e 1990. O melhor de todos, para mim, foi o primeiro, com um câmbio que era uma manteiga. O mal comum a todos era o vazamento da bomba d’água. Parabéns pela matéria!

  • Comentarista

    Em casa tivemos dois Chevettes e uma Marajó. O primeiro branco 81 comprado zero, o segundo 84 comprado zero e a Marajó 81 comprada usada com uns 7 anos.
    Tirando os dois zeros, a Marajó e todos os outros carros usados que passaram em casa, meu pai tiveram que retificar os motores. Essa Marajó passou por uma retifica de cabeçote e ficou bem amarrada e silenciosa. Só com o tempo e uso ela foi se soltando e voltando ao barulho normal, rsrs
    Não sei se era porque eu era criança, mas os carros usados da década de 80/90 eram mais bem acabados dos que os de hoje. Hoje um carro usado de uns 5-6-7 anos parece mais novo, menos acabado, parece que duram mais. Por exemplo, meu pai teve uma Brasilia 81 comprada em 85, quatro anos e o motor fundiu, tendo que ser retificado.

    Voltando ao Chevette lembro como hoje, eu, meu pai, minha mãe e irmão na concessionária pegando o Chevette 84. Eu tinha 6 anos e foi uma emoção enorme. Era um Chevette SL/E a álcool azul escuro metálico.

    • Ilbirs

      Naqueles tempos, os carros acabavam tendo defeitos que as pessoas relevavam, acostumadas que estavam com épocas anteriores em que um carro novo tinha sua primeira revisão aos 2.500 km rodados.
      No caso específico dos motores VW a ar, sempre me lembro de um dono de carro de som que tinha um 147. Surpreendido, perguntei a ele o por quê de ele não usar um Fusca ou Brasília para a mesma tarefa e ele me respondeu que o problema para o tipo de uso que ele fazia (velocidade e marcha baixas) os veículos refrigerados a ar abriam o bico mais rapidamente que um refrigerado a água. Acabei me lembrando de algo óbvio: o motor VW a ar fica bem refrigerado quando está em velocidade constante, de maneira a permitir que a ventoinha funcione em boa rotação.

      Eu diria que não apenas carros de 5 a 7 anos parecem durar mais, mas mesmo carros mais velhos que isso. O de casa tem 13 anos de uso, dois donos, encaminha-se para 100 mil km e me serve à perfeição sem freqüentar muito a oficina. No trânsito vejo outros carros com mais de dez anos de uso que estão em muito bom estado e com cara de que se não saíram ontem da linha de montagem, saíram anteontem ou no máximo há uma semana. Méritos aí para peças com menor tolerância nas margens, plataformas mais rígidas, sistemas de arrefecimento aperfeiçoadas, tratamentos anticorrosão de boa qualidade, encaixes reforçados que a produção brasileira obriga que os projetos do exterior tenham para que não se tornem escolas de samba com poucas dezenas de milhares de quilômetros, pneus sem câmara e talões de aço que suportam sem problema pequenos furos que o dono só vai reparar que lá estão quando um deles perde mais pressão que os outros na hora de calibrar e outros tantos detalhes.

    • Malaman

      Verdade, naquela época carro com quase dez anos de uso era carro velho. Hoje, a não ser que o cara seja cupim de ferro, com 10 anos o carro ainda está em bom estado.

    • Marconi Henrique

      Grande parte se deve ao tratamento dado às chapas de aço de hoje em dia. Antes a ferrugem se dava muito mais cedo, dando uma péssima aparência aos carros acima de cinco anos de uso.

  • Adriano Rech

    Chevette foi meu 3º e 4º carros.

    1ª Doginho 77 vinho
    2º Doginho 78 azul metálico
    3º Chevette 80 branco
    4º Chevette 88 prata
    5º Corcel 77 ldo branco super mega inteiro!
    6º Passat 84 motor mexido andava pra burro!
    7º Opala Diplomata 90 4 portas branco
    Opala 6 “caneco” 3800 77 4 portas vermelho
    Fusca 1500 azul metálico 75
    (vendi tudo pra comprar a casa própria)
    8º Opala 82
    9º Uno 95 4 portas vinho metálico
    10º Tipo 1.6 95 chumbo metálico
    11º Gol 1.6 87 branco
    12º Passat 1.6 village 86 champanhe metálico
    13º Golf GLX 95 vinho metálico
    14º Festa 00 GL class 4 porta prata (ainda tenho, esposa usa)
    15º Polo 1.6 hatch 2005 prata carro atual
    Fusca 74 roda 5-parafusos em processo de restauro
    Fusca 66 roda 5-parafusos em processo de restauro

    Tenho 46 anos e não tive nem 20 carros.

    • Anonimous

      Eu tenho 37 e até hoje só tive 5, sempre com carro desde os 18.

      • Eduardo Cabral

        Em casa foram:
        1 – 86 o primeiro carro zero do meu pai.
        2 – Um 80 metálico
        3 – Um Junior 91 ou 92, praticamente zero.
        4 – Uma Chevy 84, para mim o melhor de todos
        5 – Um 89 1.6 s
        6 – Uma Chevy 88, que meu pai comprou só para fazer a mudança, vendeu em um mês e ainda ganhou 500 reais no preço do carro!

  • RoadV8Runner

    O Chevette foi meu segundo carro e está na família até hoje, passados já 17 anos da compra. O mais interessante é que só comprei o carro por causa do valor mais baixo dentre os concorrente na época (Passat, Voyage, Escort etc.) e estar em estado absolutamente impecável, inclusive com o Manual do Proprietário, algo meio raro de se achar em modelos usados (ao menos antigamente). Mas foi paixão à primeira guiada! Como já é dos modelos 1.6/S (ano 1989, a álcool), o desempenho é bem bacana, mesmo sem ser empolgante de fato. Até hoje, é o carro que menos dor de cabeça me deu em termos de manutenção, o que me faz pensar de onde veio a fama do Chevette ser um carro frágil. Já passou por poucas e boas, mas continua firme e forte. Sempre bem cuidado, no momento em que foi necessário efetuar a retífica do motor (quase 200 mil km após a compra…), não havia nenhuma trinca no cabeçote, problema razoavelmente comum nos Chevette. Ouvia-se pequena “rajada” nos primeiros minutos após funcionar o motor quando frio, mas queimava quase nada de óleo, embora a compressão dos cilindros era apenas uma lembrança do que havia sido quando deixou a linha de montagem na fábrica…

  • marcus lahoz

    Tive uma Chevy 1.6; nunca tive tanta dor de cabeça com um carro (tirando a Kombi). Mas já comprei ela em estado de calamidade pública.

    Sobre os Aquatred, eram bons mesmo, muito bons, de chuva então nem se fala. Mas gastavam rápido demais, o Tempra comeu os quatro em 20 mil km.

  • Leonardo Mendes

    Desculpe a indiscrição, mas que carro é o seu?

    • Ilbirs

      Um Civic de sétima geração com câmbio manual.

  • Leonardo Mendes

    Meu primeiro carro não foi um Chevette e sim um buggy… mas, no fim das contas, o princípio é o mesmo: primeiro carro, primeira diversão, primeira sensação de liberdade, de “com licença, eu vou a luta.” (alguém ainda lembra desse livro?)

    Num dos cursos da Peugeot, em 99, conheci um rapaz que tinha comprado um Gol zero km… com 5 meses de uso roubaram o Gol mediante arma na cabeça e o deixaram na Raposo Tavares de madrugada.
    Acabou comprando um Chevette L 1.6 do mesmo ano e cor do seu, colocou as rodas de liga originais e se pôs a rodar com o carro… segundo ele, surpreendente.

  • Eduardo Copelo

    Eu sou dessa mesma opinião, @juvenal_jorge:disqus, todo mundo que queira ser um motorista de verdade deve ter sua “iniciação” com um carro velho, bem catiço mesmo. Graças ao meu, eu aprendi um cadinho de mecânica, mas principalmente, aprendi que um bom carro nem sempre é o super ultra top, e sim aquele carrinho honesto que te arranca sorrisos numa tocada mais forte, ou que seja seu companheiro. Fora que carro velho tem alma, quem nunca se pegou conversando(ou xingando…) com o seu velhinho?

  • Fernando

    O meu avô tinha oportunidade de comprar os carros da frota da empresa quando eles a renovavam(com 2 anos) e dizia que ninguém entendia dele comprar carro velho.

    E olhe que eles eram bem cuidados lá, não era nada mantido por cupins de ferro. Mas o tratamento de chapas, qualidade de produtos e precisão na manufatura fazem diferença.

    Tenho um Renault Clio 2000 que mesmo os ex-donos sendo meio relaxados e não sendo dos carros que cuido mais, a pintura original está ótima, sem diferenças na tonalidade e nem verniz queimado, para um carro vermelho isso mostra um bom lado dos carros mais novos, a ausência de ferrugem idem.

  • Eduardo Mrack

    Até tomei um susto quando vi o Chevettinho na capa de uma das postagens do AE ! Antes de mais nada, parabéns pelo excelente gosto musical Juvenal, é triste ver que a maioria dos donos de Chevette atualmente ouvem “Funk” ( sim a versão brasileira do gênero , se é que dá para chamar de versão) , além de terem outros hábitos que mancham e muito a imagem do pequeno Chevrolet.

    Sou muito suspeito para falar de Chevette… foram pesadelos e alegrias com o pequeno GM. Foi o meu primeiro carro e continua sendo o meu número 1. Na verdade foi por TRÊS VEZES o meu primeiro carro…

    Começou com um 1978, isso tem mais de 10 anos. Meu pai comprou por preço de banana e com algumas multas e documento atrasado para pagar. Iniciei o processo de desmontagem dele, e bem, está nesta fase até hoje, abandonado… Alguns anos depois apareceu um 1975 com ignição eletrônica, câmbio de 5 marchas e diferencial 3.900/1, aparentemente em razoável estado, documentos em dia. Após muito negociar, juntei minhas economias e troquei meu dinheiro pelo carro.

    Nascido em oficina, eventualmente eu trabalhava com mecânica, funilaria e pintura, o 75 precisava de alguns reparos e “retoques” na estética. Andei por 3 dias com o carro só para ter o gostinho, antes de começar com a desmontagem para realização dos devidos reparos. Os retoques… bem, os retoques, enfim, só me dei por convencido quando terminei de retirar o último parafuso do carro, bem como o último grama de tinta velha e massa plástica. Passou um ano, passaram dois, passaram três… o carro que aparentemente precisava de somente alguns cuidados acabou se transformando em um monobloco todo escovado repousando dobre 4 barris de chopp.

    Neste meio tempo, eu, que a vida toda andara a pé ou de ônibus, precisava de um carro para o dia-a-dia. Bem, o mercado fez a escolha para mim. Outro Chevette… desta vez um 1990, com motor 1,6/S a gasolina. Pois bem, é o pau para toda obra, meu carro de uso diário, precisa só colocar gasolina no tanque e óleo no motor. Em dois anos, só me exigiu R$ 300,00 em manutenção e continua íntegro, com fôlego e gostoso de guiar. Este é o que me trouxe alegrias. O dos pesadelos é este aí de baixo, que hoje está em fase final de montagem, eu trouxe o motor da retífica hoje mesmo.

    • juvenal jorge

      Eduardo Mrack,
      cara, 3 vezes !!!!
      Muito legal. Termine eles, o resultado vale a pena.
      Abraço.

  • KzR

    Ah, o Chevette… pena que só fui gostar dele um tanto tarde. Não foi meu primeiro carro e aposto que nem será. Dirigi dois, divertidos de brincar no campinho, mas não os conheci em suas melhores formas, logo só os via como “carros velhos”. Ainda me apareceu um belo 80 numa bela cor, belas rodas e um preço bem razoável. Vontade de ter não faltou, faltou aprovação de $$$ pelos pais.

    Sem dúvida, um ótimo primeiro carro e um ótimo carro para aprender a dirigir de verdade – tração traseira e eixo rígido (com panhard).
    Parabéns pelo texto. Senti-me como se estivesse nessa época e conhecesse ao menos um pouco de cada experiência.

  • KzR

    As quicadas são ótimos indicadores de rebeldia do eixo.

  • Ilbirs

    No caso do Aquatred, tenho impressão de que o tal ruído de rodagem possa se dever à banda em V:

    http://www.superkola.cz/files/obrazky/katalog/produkt_20568.jpg

    Falo isso por experiência própria, pois já houve vez em que usei pneu com banda em V (não era Aquatred, mas Barum Bravuris) e você ouvia um ruído diferente daquele das bandas convencionais. Porém, era algo com que se acostumava com o tempo, pois dependendo do piso ficava até mais silencioso.
    Esse conceito de pneu que melhora com o desgaste foi recentemente retomado no exterior pela Michelin com o Premier A/S:

    http://www.wired.com/wp-content/uploads/2014/08/Premier-Close-up-2-660×671.jpg

    Em vez de “cerdas”, o pneu tem sulcos escondidos que vão aparecendo conforme o desgaste:

    http://www.wired.com/wp-content/uploads/2014/08/michelin.gif

    Irei me perguntar sobre quando teremos esse pneu maravilha por aqui, pois sei que tem medida para o meu carro e caso um dia precise trocá-los, seria legal saber disso.

  • Leonardo Mendes

    Civic fazendo valer a fama de indestrutível… 13 anos e ainda na ponta dos cascos.
    Muito carro não chega a essa idade.

  • Cleiton Almeida

    O meu primeiro carro foi um Chevette JÚnior, o carro era uma tristeza. Eu morava na Brasilândia (SP) na época, uma região cheia de subidas fortes. O Chevette sofria e muito quando com quatro pessoas dentro. Havia uma subida perto de casa que eu evitava sempre, porque o bicho não subia de jeito nenhum sem embalo. Viagens era coisa de louco, nas descidas eu conseguia embalar 120 km/h, as vezes 130 km/h com o motor berrando de dar dó, nas subidas a velocidade ia caindo ao mesmo tempo em que eu ia baixando marcha, 110 quarta, 100, terceira 90, 80. Pior, se tivesse caminhão na frente era segunda 60, e você ficava lá atrás do caminhão vendo outros automóveis deslanchando na sua frente. Depois vendi esse Chevette e comprei um Corcel II 1983 com motor Renault 1.6 a gasolina e câmbio de 5 marchas muito novo (era de um senhor), a diferença era enorme, velocidades de cruzeiro de 130 km/h com meio acelerador, torque abundante em baixas e médias rotações (subidas eram feitas tranqüilamente em terceira e quarta). Bom, o Chevette não deixou nenhuma saudade, mas foi o meu primeiro carro, e admito que acho os primeiros modelos lindos. Adorei o relato, Juvenal Jorge, pois acabei voltando ao tempo em que eu era jovem.

    Abraço!

    • Juvenal jorge

      Cleiton Almeida,
      esse motor 1-litro no Chevette foi um daqueles erros de planejamento tão comuns ainda hoje nas fábricas. Lembre que a Ford fez EcoSport 1 litro, e que o Agile teve transmissão automatizada por um pequeno período. E a Fiat com os Siena 6 marchas? E um BMW série 4, tem razão de existir?
      Todo mundo erra.

  • gumendess

    Sou apaixonado por Chevette! Tenho meus 20 anos e tive, como primeiro carro, um Chevette DL 92, branco.
    Ganhei do meu pai, na metade dos meus 17 anos e ainda estou com ele.
    Sem dúvida, o melhor presente que meu melhor amigo poderia me dar!

  • vinicius

    Por acaso achei essa página hoje e li essa história..Já tivemos Chevette na família, mas os relatos de como você tratava e cuidava do carro me fez lembrar do meu tão querido Monza SL/E 89 que vendi há poucos dias com muita dor no coração, pois foi herdado do meu finado pai, que cuidava e tratava do carro como um filho. Mas por motivos pessoais tive que vendê-lo, para adquirir algo que eu acredito ser melhor. Penso em algum ponto na minha vida, mais no futuro, ter carro igual por puro luxo e saudosismo.Tenho que dizer que gostei muito dessa história, parabéns!

  • Luciano Gonzalez

    Chevette sempre foi um carro bacana, cheio de qualidades tais quais a suspensão dianteira muito bem acertada, bom câmbio e o principal, a tração traseira, mas seu calcanhar de Aquiles era o desempenho pífio. Ah, se a dona GM tivesse colocado o FII 1.6 mesmo nele….
    Hoje, aprecio muito esses carrinhos com o FII 2 litros, devem ser um tesão de guiar……..

  • Bruno

    Eu tenho uma ligação muito grande com o Chevette, vai ver porque o primeiro carro da minha família foi justamente um modelo igual ao seu vinho, só que o nosso era SL, azul danubio (uma das cores mais bonitas já lançadas na indústria automobilista). Já era velhinho, na época chegou para nós com 11 anos de estrada e recuperado por um primo meu, funileiro; mas para uma família de poucos recursos, era o que tinha. Até que em 1994 meu pai trocou o cansado Chevette por um Passat, um carro excelente. Mas até hoje tenho saudades do Chevette que, como os carrinhos de brinquedo, me fez gostar de carros desde a primeira infância. Hoje, com quase 25 anos, desejo muito ter um Chevette 1978 (como já comentei trocentas vezes aqui no AE), melhor ainda se fosse azul danúbio…

    • Juvenal jorge

      Bruno,
      então fique de olho e compre o quanto antes, pois os preços desses carros estão subindo aos poucos.
      Ou torça pela falência do País petista, aí ele vai ficar mais barato.

  • Braz Portari

    Meu primeiro carro foi um VW TL 1972, um luxo, azul-clarinho, mas também tive um Chevette 78 marrom metálico com um acabamento interno de luxo na cor caramelo muito chique. Fiz ate viagem longa com ele, 1.300 km com a família. Mas o que ficou na lembrança deste Chevette, ou um fenômeno que ocorria na momento da dar a partida,a cada 10 ligadas uma falhava e não havia jeito de resolver o problema. Só pegava empurrado. Sempre acontecia nas piores situações, tipo estacionado na rua com um carro na frente e outro atrás, sem espaço para dar o empurrão.Aí tinha que esperar os carros irem embora para empurrar e o carro pegar. Vendi-o e não descobri a causa.

  • megatron turbo

    Rush! 🙂

    • Juvenal jorge

      Megatron turbo,
      RUSH !!!!!!

  • Juvenal jorge

    Braz Portari,
    era então um carro 90% confiável !

  • Juvenal jorge

    Vinicius,
    obrigado pelo elogio, e não se penalize por ter vendido o Monza. Apesar de gostarmos muito dessas máquinas, não podemos nos apegar a elas a ponto de atrapalharem a vida.

  • Juvenal jorge

    gumendes,
    poxa, um branquinho 92 é bem raro. Cuide bem dele, que tenho certeza que você será muito feliz.

  • Pedro Bachir

    Tenho um jipe para as trilhas, um carro para o dia-a-dia e o Chevette 91 DL 1.6s com cabeçote do 1.4l para divertir no asfalto, para 2015 vem um GM FII!

  • marcelocb13

    Meu primeiro carro em 1994 foi um chevette 1978 dourado (faróis com lente amarela) que pertenceu a uma mesma família desde que tirado da concessionária. O carro estava perfeito no acabamento e só apresentava problemas no motor e na suspensão traseira (eixo estava podre). Alguns anos depois o troquei por um passat iraquiano 87 que pertenceu a uma prima e foi outro grande carro que trago na lembrança.