MEU SEGUNDO FIAT 147 www

(foto fiatpress.com.br)

O Passat azul era do meu pai. Na época eu morava na fazenda e vendera meu Super Fuscão que usava para andar na roça para levantar a grana para comprar o Passat, que, claro, me fora vendido por preço de Fusca. Intrinsecamente ele estava ótimo, mas precisava de um tratinho cá e acolá, já que meu pai não dava a mínima pra automóvel. Ele gostou dos carros dele tanto quanto gostei das geladeiras que tivemos em casa; apreciando sua utilidade e mais nada; na base do “se está funcionando, está bom”. Então, ao deixar o Passatão na oficina do Zé Luís, lá em Pirassununga, onde ele ficaria recebendo um trato por uma semana ou mais, e sair para ir embora pra fazenda, vi um Fiat 147 tímido e baleado logo ali estacionado. Ele estava caidinho, tinha lá uns poucos furos de ferrugem, as portas não fechavam nada bem, os bancos, forrados de plástico, estavam meio ondulados e uma ou outra mola parece que saía para tomar um ar; cada pneu era de uma marca, e por aí vai. Tímido, um coitado só esperando ordens e nenhum carinho. E era branco, ou melhor, tinha sido branco, e além de encardido estava como que tatuado com marcas de mãos sujas de graxa, porém, ora, era um 147 e eu gosto do 147 e boa.

Não deu outra. Meu cérebro funcionou rapidamente e no tempo em que a nossa genial presidentA leva para somar um mais um eu já voltara pra dentro da oficina e me agachara para falar com o Zé Luís, que estava debaixo de um carro:

— Zé! Caramba! Agora é que me toquei. Estou a pé. Minha mulher usa a Belina pra fazer as coisas dela com as crianças e eu preciso de um carro pra trabalhar. Vi esse 147 aí fora com as digitais de todos os teus mecânicos. Me vende esse carro.

— Tudo bem, o Zé Luís respondeu. Ele está à venda mesmo. Está feio, mas a mecânica está boazinha. Meia-vida, mas está boa. Dá pra rodar. Tô pedindo mil e cem reais.

— Mil está bom?, perguntei.

— Está. Vá embora com o carro que depois a gente acerta. A chave está no contato, ele disse. O marcador de combustível não funciona, mas tem uma garrafa de Coca família com gasolina no porta-malas. Com esses três litros você chega onde tiver que chegar. As portas não trancam, mas não esquente que ninguém tem ânimo para roubá-lo.

— Beleza! Amanhã eu trago a grana, eu disse me despedindo.

E foi assim que comprei o segundo 147 que tive. O primeiro foi um vermelho, zerinho, logo no lançamento, em 1976, e esse fazia mais sucesso na rua que hoje faz um Ferrari, mas essa é outra história, é uma história de potência, de vigor, de motor preparado pelo Silvano Pozzi, uma história de carburadores Weber gorgolejando legal e esta aqui é uma história de um mirrado em apuros.

Do Zé Luís igualmente comprei um Corcel I anos depois, do mesmo jeitinho, deixando lá um carro para ele cuidar e ao sair e me vendo a pé desamparado sem carro no meio da rua, mas essa também é outra história.

Pois não é que quando o Passat azul ficou pronto o meti no barracão e segui fazendo minhas coisas com o 147 branquinho? Gostei dele, gosto de carro pequeno e simples. E como era valente aquele carrinho! Ia bem na lama, ia bem na roça. Bom carrinho. Só na estrada de asfalto que ele não andava muito bem, não. Ou melhor, ele não andava nada, pois o motor de um litro, na verdade 1,05-litro, estava de meia-vida, mesmo, na base da meia-potência, mas isso foi fácil e baratamente resolvido numa papelaria da cidade, onde comprei um adesivo, desses de colocar em porta de vidro, escrito EMPURRE, e o colei no vidro traseiro. Quem não estivesse satisfeito que o empurrasse. O único inconveniente é que na estrada de asfalto, pista simples, que passa pela fazenda e vai para a cidade, volta e meia tinha caminhoneiro que levava a sério a indicação posta e colava aquele monte de ferros na traseira da minha bamboleante caixinha de fósforos. Quando eu digo colava é porque colava mesmo. Esses Volvo e Scania da cara chata não precisam estar muito longe para que nos encham todos os retrovisores do carro.

 

É tudo o que se via no retrovisor (foto: commons.wikimedia.org)  MEU SEGUNDO FIAT 147 commons

É tudo o que se via no retrovisor (foto: commons.wikimedia.org)

Nos casos que bravamente enfrentei com esse 147 os caras colavam tanto que dava pra ler direitinho a marca do caminhão que decidira colaborar com o meu deslocamento: “AINACS”, “OVLOV”, esses eram os mais colaborativos. Guiando o tremelicante e desconjuntado Fiatzinho parecia que o sujeito tinha enfiado o motor do caminhão no porta-malas do carrinho, tal a barulheira de motor diesel turbo que ecoava. E assim a coisa ia, eu pé no talo e mesmo assim o drama só crescendo, até que acontecia alguma coisa com o ar. Parecia que eu entrava no vácuo, e não era só porque eu estava com o pé atolado no acelerador que o Fiatzinho nesse momento passava a deslanchar legal com o ponteiro do velocímetro deitando para a direita até ficar agonizando na horizontal. Aquela velocidade toda não era só às custas do pobre e esforçado milzinho ali na frente, não, que eu sei que não era e já sabia. Fazem isso nas corridas, principalmente nas corridas nos ovais da Nascar, onde o de trás, de tão colado, acaba por “empurrar” o da frente. E isso é situação de carro pau a pau, tamanho igual, e mesmo assim funciona, tanto que formam aquele trem de carros colados, com o da frente puxando e o de trás empurrando.

Bom, se esse tal de vácuo funciona na Nascar funciona em Pirassununga também, uai! E lá íamos nós, o 147 “puxando” o caminhão e o caminhão empurrando o 147, naquela situação delicada. Pensava lá eu: “Será que o sacana está gargalhando? Será que ele está urrando e com a boca espumando? Madonna mia!”. O importante nessas horas é não frear. É óbvio. Não frear. Eu sei. Também sei que você, caro leitor, também sabe. Mas quero enfatizar que naqueles casos citados era não frear em hipótese alguma, houvesse o que houvesse, uma vaca atravessando a pista, um trator, um meteoro caindo na frente, tanto faz. Não frear pra nada. Aquela manha de dar um toque no freio, aqueles toque fraquinho só para acender a luz de freio para o cara de trás entender que é para manter distância, também nem pensar, ainda mais depois que eu colei aquele raio daquele adesivo de EMPURRE lá atrás. Seria uma contradição. E tem gente que fica fulo da vida com gente que se contradiz, e vai saber se o caminhoneiro é um desses que se enraivecem com contradições. Então o jeito era agüentar a mão e, se possível, achar um espaço nos pensamentos e ir tratando de encomendar a alma. Bom, sobrevivi, imagino que graças à calma que nos consola e ajuda a agir quando estamos diante do inevitável.

 

Gosto de carro pequeno e simples (foto: www.estadao.com.br)  MEU SEGUNDO FIAT 147 www

Gosto de carro pequeno e simples. E não admito preconceitos (foto: www.estadao.com.br)

Mas isso aconteceu poucas vezes, umas quatro ou cinco nos dois anos que acabei ficando com o 147 encardidinho. Fora esses dramas passageiros, o resto foram só alegrias, principalmente para os outros. Minha mulher até hoje se lembra do quanto uns bebedores de cerveja riram alegres às suas custas por causa daquele 147. Acontece que minha mulher não andava de jeito nenhum naquele 147. Acho feio isso, esse negócio de preconceito, seja lá qual for, e minha mulher tinha um preconceito danado com o coitado do meu 147. Então ela, preconceituosa, não entrava no carro. Guiá-lo, muito menos. Ou era porque ia sujar sua roupa, ou era porque ela tossia quando subia aquele pó lascado de um ou outro buraco do assoalho, ou era porque quando chovia entrava borrifos d’água pelo vão entre o teto e a porta, ou era porque uma ponta de mola lhe prendia nas calças jeans e não a deixava sair do carro, essas coisas. Tudo preconceito, como o leitor pode ver.

Mas acontece que uma vez tive que viajar a trabalho e, não me lembro por que, o Passat não estava lá, o emprestei para alguém, não lembro, então tive que ir com a Belina da minha mulher. Viagem meio longe pra comprar vaca, coisa de um ou dois dias, e nessas minha mulher teve que ir para a cidade com o Fiat, já que não havia outro meio. Imagino que tenha ido resmungando um monte, costume próprio das mulheres quando contrariadas. E assim, ela, toda arrumadinha, como sempre, parou perto de uma farmácia para comprar alguma coisa, só que a vaga achada era bem em frente a um bar daqueles que colocam mesas de plástico e cadeiras de plástico e os cavalheiros bebem cerveja até escorrer pelo pescoço.  

E ao sair da farmácia veio o susto. Os cavalheiros, decerto para se divertirem, resolveram empurrar o 147 dali. As portas do bichinho, lembre-se caro leitor, não trancavam, e isso algum deles sacou por ver que minha mulher não passou a chave na porta. E enquanto uns três ou quatro bêbados empurravam o 147 e com ele dobravam a esquina, outros tantos se esborrachavam de rir com a cena e os gritos de fúria de minha esposa: “— Parem aí, seus vagabundos! Esse carro é meu! Parem! Parem! Vou chamar a polícia!”. E toca ela a correr atrás do carro, e toca os caras deixarem o coitadinho do 147 atravessado no meio da rua e eles se mandarem correndo e rindo a ponto de rachar as panças cervejeiras.

Bom…, não preciso descrever ao caro leitor — principalmente se você for casado e também experiente montanhista — como foi a bronca que ao chegar em casa levei por causa do ocorrido com esses solícitos cavalheiros. Digo casado porque só depois de casado é que um homem descobre a grandeza da fúria que uma doce mulher abriga em seu doce íntimo. As namoradas, modestamente, nos escondem coisas de que são capazes, dentre elas sua potência de fúria. E também digo montanhista porque só um experiente montanhista teve a oportunidade de vivenciar uma avalanche, um dos poucos fenômenos naturais comparáveis a essa fúria citada.

Coincidentemente, vendi o 147 por mil e cem reais na manhã seguinte. Rodei dois anos com ele, poupei meu Passatão bacana dos trancos e do pó da roça, e ainda ganhei cem reais nas costas do pobre 147. Mas foi por uma causa justa: era ele ou eu.

AK

Sobre o Autor

Arnaldo Keller
Editor de Testes

Arnaldo Keller: por anos colaborador da Quatro Rodas Clássicos e Car and Driver Brasil, sempre testando clássicos esportivos, sua cultura automobilística, tanto teórica quanto prática, é difícil de ser igualada. Seu interesse pela boa literatura o embasou a ter uma boa escrita, e com ela descreve as sensações de dirigir ou pilotar de maneira envolvente e emocionante, o que faz o leitor sentir-se dirigindo o carro avaliado. Também é o autor do livro “Um Corvette na noite e outros contos potentes” (Editora Alaúde).

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  • Guilherme Jun

    Bela história, Arnaldo! Para rir litros.

  • Luciano Gonzalez

    É, esse é um carro que nunca gostei. Já tive oportunidade de guiar um Europa 1300, acho que era o GLS. Já o meu mecânico o adora!

  • Rafael

    Texto impagável! Também tenho gosto por carros pequenos e simples. Tenho um importado na garagem, mas adoro meu Fusca 1300-L. Minha mulher não…

  • RoadV8Runner

    Arnaldo,
    Acredito que esse foi um dos textos mais divertidos que você escreveu! A frase “Ele gostou dos carros dele tanto quanto gostei das geladeiras que tivemos em casa” ficou genial, boa sacada.
    Minha noiva também tem um preconceito danado pelo meu SS 1980 que aguarda reforma, pelos mesmos motivos (e mais alguns, ora veja…) de seu 147.
    E conte aí os outros causos de compra dos outros carros de seu mecânico e, principalmente, do 147 preparado pelo Silvano Pozzi (sempre babo quando vejo um 147 nervoso!). Com certeza sairá história boa.
    Abraço!

  • francisco greche junior

    Que história legal!!!!!

  • Mr. Car

    Só aqui mesmo, he, he! É por isto, o nome “Autoentusiastas”: Em qualquer outro lugar, se se falar em 147, vai ser um festival de “lixo”, “porcaria”, “carroça” etc, ainda mais se o carro que originou o papo for especificamente um exemplar meio “caidinho”. Delícia de “causo”, he, he!

  • Quando conseguir parar de rir, eu comento!!!kkkk

  • Angelo_Jr

    Só não vende o carro por pedido da mulher quem não é casado!! (rsrsrs)

  • cerberosph

    Isso me lembrou quando eu tinha uns
    17 anos vivíamos pregando peças e um dia, quase em frente ao colégio, uma
    mulher estacionou um 147, era uma rua relativamente estreita e o estacionamento
    era paralelo ao meio fio, chamei quatro colegas que faziam academia e cada um
    pegou num para lama e viramos o 147 180 graus, logico que um montão de alunos
    matou o resto da aula naquela manha só para esperar a mulher voltar para pegar
    o carro. Foi hilário a cara que ela fez, juntou gente e ninguém entendia como
    ela estacionou o carro ao contrário. Depois de uns dez minutos de risadas e ela
    tentando manobrar na rua fomos lá e viramos o carro para o lado certo com ela
    dentro e tudo. Acho que ela nunca mais estacionou o carro perto de um colégio. Antes
    que digam que era coisa de marginal etc isso foi no meio da década de 80 a vida
    era mais simples e as brincadeiras visavam não prejudicavam ninguém ou destruir
    o patrimônio alheio e antes que falem sim, os carros naquela época eram mais
    resistentes e era comum levanta o carro na mão para calça-lo e trocar o pneu
    pois os macacos eram uma merda.

    • lightness RS

      Você fez me lembrar quando fizemos isso com meu avô!! Isso já fazem uns 15 anos, saudades haha

      Nosso avô tinha prometido nos levar na cidade nesse dia, mas na hora mudou de ideia e deixou nós (e nossos planos de encontrar as meninas) na mão, pois bem, fomos no fusca, levantamos a frente, o giramos 90 graus e deixamos atravessado na garagem, era totalmente impossível retirar o carro dirigindo, só levantando a frente novamente!

      Imagine a raiva dele no outro dia de manhã quando foi sair para trabalhar!

      • hahaha!, Lightness! Fazer isso com o avô?! Aposto que ele caiu na risada.

  • Júlio Neves

    Arnaldo,

    Meu amigo, voce sempre se superando… Esse “causo” é ótimo!!!

    ” O importante nessas horas é não frear…. Não frear…
    não frear em hipótese alguma, houvesse o que houvesse, uma vaca atravessando a pista, um trator, um meteoro caindo na frente, tanto faz. Não frear pra nada…”

    ” …Digo casado porque só depois de casado é que um homem descobre a grandeza da fúria que uma doce mulher abriga em seu doce íntimo. As namoradas, modestamente, nos escondem coisas de que são capazes, dentre elas sua potência de fúria”.

    Deliciosas tiradas..

    Aguardamos voce para nos brindar com esse e outros ” causos” aqui em Viçosa..

    Forte abraço

    Júlio Neves

    • Fala, Júlio!
      Ainda bem que fui obrigado a vender o 147, senão, cabeçudo como sou, iria praí com ele, e imagine quantas encostadas de Scania na traseira eu levaria…
      Não vejo a hora de começar essa nova fase na fazenda e uma das primeiras coisas é ir para aí aprender com vocês. Não vejo a hora. Obrigado.
      abraço,

  • BlueGopher

    ÓÓÓtimo causo!
    Valeu!

  • Rodrigo Mendes

    Arnaldo, com certeza já ouviu essa né?

    Um senhor estava viajando em seu FIAT 147 quando, em meio ao nada, seu
    carro quebrou. Estacionou no acostamento da estrada e começou a pedir
    ajuda.

    A estrada era pouco movimentada, mas todos que passavam nem olhavam para o coitado.

    Até que, depois de umas 5 horas no sol quente, ele avista um ponto vermelho ao longe e começa a implorar por carona!

    O carro passa, mas para muito à frente e logo dá ré!

    E para o espanto de senhor era uma FERRARI. Logo ele começa a falar:

    – Moço, muito obrigado por ter parado! Você pode me ajudar?

    Meu carrinho é muito velho e quebrou e estou precisando chegar à cidade. Pode me dar uma carona?

    E o rapaz da FERRARI respondeu:

    – Vou fazer melhor, vamos puxar o seu carro com o meu. Eu tenho uma corda em meu porta-malas.

    Então o velhinho muito satisfeito aceita, mas faz um pedido:

    – Meu filho só queria te fazer um pequeno pedido, meu carrinho é muito
    velho e não aguenta correr se passar dos 80KM/h ele começa a bater toda a
    lataria.

    E o rapaz de pronto responde:

    – Então faremos o seguinte: Toda vez que eu começar a correr demais, o
    senhor me avisa com um sinal de luz, então saberei que estou correndo e
    vou reduzir.

    Então o velhinho concordou e se foram.

    Uns 10 Km dalí, o rapaz se esqueceu do velhinho e começou a correr,
    então desesperado o velhinho começou a dar sinal de luz e o rapaz logo
    reduziu.

    Uns 20 Km dalí, o rapaz se esqueceu novamente do velhinho e começou a
    correr, então desesperado o velhinho começou a dar sinal de luz e o
    rapaz logo reduziu.

    Uns 5 Km dali, apareceu um MITSUBICH ECLIPSE que emparelho com a FERRARI e deu duas buzinadas.

    Aí então os dois começaram a tirar um racha alucinante pela estrada.

    Então o velhinho desesperado à 200Km/h dando sinal de luz e o carrinho
    battendo a lataria toda e os dois tirando o racha e o velhinho dando
    sinal de luz e o carro batendo lata, quando passaram à 300km/h pelo
    posto da Polícia Rodoviária Federal.

    Então o guarda do Posto passou rádio:

    – Aqui é do Posto 1 para o Posto 2: acabaram de passar aqui dois carros
    tirando racha, um MITSUBICHY ECLIPSE e uma FERRARI e por incrível que
    pareça tinha um FIAT 147 atrás desses dois dando sinal de luz querendo
    passar!
    Piadas: http://www.piadas.com.br/

  • Lipe

    Excelente texto.
    Agora conta a verdade… Não foi coincidência. Ela que te mandou vender!
    hahaha

  • Mr. Car

    Off-topic: há 25 anos, caía o muro de Berlim. Um brinde!

  • César

    É isso aí!
    “É velho + tá pago”, dizem os adesivos de hoje em dia.

  • lightness RS

    Pare de tortura, AK, conte sobre esse 147 vermelho!!!

    Grande abraço, mestre!

    • Lightness, dá um tempo. Logo mais escrevo. O legal desses 147 era fazer curva em 3 rodas. Nas curvas para a direita, meu primo ficava pendurado na janela para ver a roda sair do chão. Como a gente era idiota. hahaha!.

      • vstrabello .

        Escreve esta história do seu 1º 147 que irei fazer o veneno no meu Europinha 85, “C” de “cimples” hehehe Me identifiquei com o texto e com minha mulher haha

  • André Andrews

    Meu pai teve um 79 comprado zero e vendeu por volta de 92. Andou uns 300 mil km, pois lembro quando “virou o velocímetro” pela terceira vez. Só comecei a guiar em 95. Tenho vontade de um dia guiar um 147 para poder ter a mesma sensação do meu finado pai. Na venda do carro, não deixei meu pai entregar o manual do carro, o qual tenho aqui até hoje.

    Lembro das quebras ou escapadas de correia dentada, que agora sei que era falta de técnica dos mecânicos d virar o motor no sentido contrário para tensionar: eu li isso do Bob, naquela época da polêmica da troca de tensores obrigatória. Outra coisa era o superaquecimento, também por descuido ao deixar ar no sistema.

    Lembro também que disse a ele uma vez que todos falavam que ele era ruim de engate de marchas. Ele meio que irritado passou a trocar marchas no tempo, inclusive reduzindo até à temível primeira marcha. E dizendo: “olha aí, é tão ruim de engate que nem embreagem é preciso usar, esses caras não sabem o que falam”. Só depois me esclareceu que uma coisa não tinha a ver com a outra, era só uma brincadeira, claro.

    Bom, me desculpe pelo saudosismo e minhas memórias.

    Espero sua outra história com o 147, e as do Bob também!

    • André, é bom ter saudosismo. Ruim é não ter coisas boas a rememorar.

    • Lorenzo Frigerio

      O sistema de arrefecimento do 147 tinha reservatório de expansão, mas a água não circulava por ele, havia só uma mangueira fina conectando-o ao bocal do radiador. Se o sistema perdesse água pela bomba defeituosa ou radiador furado, a pessoa sem saber completava o nível do reservatório, mas devido à pressão e à inexistência de circulação, a água não descia. Você saía com o carro achando que havia completado o nível e estava tudo bem, mas o sistema continuava sem água e a junta de cabeçote podia queimar. Às vezes você via o vapor borbulhando pelo reservatório de expansão e não entendia nada. O manual dizia que só se devia completar o nível pelo reservatório. Demorei a cair a ficha do que acontecia, e que em caso de sintomas de falta de água era necessário completar no próprio radiador. Se bem me lembro, a tampa não tinha os dois estágios dos carros tradicionais, o que era um perigo de se abrir com motor superaquecido.
      A mesma coisa da correia com o tensor do lado errado; uma engenharia completamente anti-intuitiva para o usuário.
      Foi por causa da má qualidade do carro que tenho bode de Fiat até hoje.

  • Comentarista

    Em casa já tivemos 2 147. Um 78 comprado em 1985, que era uma tristeza, rsrs e outro 77 comprado em 1995. Foi nele que tirei carteira de motorista. Na época podia ir em carro particular. Meu pai retificou o 1050, trocou sincronizadores, garfos e mesmo assim só eu é ele conseguíamos passar marcha sem arranhar. Reformou tbm a lataria, pintura, enfim deixou ele zerado. Na época meu pai ficou doente e fazia tratamento em Brasília, no hospital de base. Morávamos em Patos de Minas, distante 434 km da capital do Brasil. Eu levava meu pai semana sim, semana não para Brasília fazer o tratamento durante 2 anos. Nunca nos deixou na mão, nem uma única rateada deu na estrada. E ele andava bem na rodovia, onde a 040 tem um trecho reto e plano de 20 km dava 150 km/h no velocímetro. Na época os carros mil estavam em alta e na rodovia viam se vários. Acho que eles não acreditavam que estavam sendo passados por um velho 147. Lembro em específico de um gol 1000, onde o traspassei a 130 km/h. Acho que o motorista pensou que estava sonhando kkkk. No posto policial fomos parados e o guarda disse que queria ver o velho 147 pois não via um a vários anos tão bem conservado. Foi nele tbm que fiz muitas farras nos fins de semana. Bom, meu pai o vendeu depois de fazer um transplante de rim e comprou uma Belina L 89 unico dono. Até hj eu e meu primo comentamos das farras que fizemos com o Fitão! Rsrs

    • Comentarista, conheço esse trecho plano num chapadão da 040. Quando por lá passei fiquei encantado.Reta sem fim.

    • Daniel Shimomoto

      Aqui onde moro existe um 147 cor de café com leite, 100% restaurado…coisa de louco!

      O carro é uma verdadeira lenda do trecho Garça-Marília da SP-294, pois já foi visto a mais de 160 km/h. Eu mesmo certa vez fui ultrapassado por ele, em uma subida. Eu de Saveiro, a 140 km/h, indo para a pós-graduação e o 147 me ultrapassou com a maior serenidade do mundo!

      Um conhecido meu que diz conhecer o carro alega que tem mecânica de Fiat Tipo. Seja como for, é uma lenda!

    • Rogério Ferreira

      BR-040? Trecho plano entre Cristalina e Paracatu? Faz parte do meu local de trabalho!

      • Comentarista

        Na verdade esse trecho de 20 km reto e plano que citei fica na BR-354 entre Patos e o entroncamento com a BR-040. Mas a Br-040 realmente tem belas retas.

      • André K

        Multigrain? Kinross?

  • Viajante das orbitais

    Essa história valeu a semana! Morri de ri. Desejo ver em algum futuro as aventuras do caixote vermelho também.
    Ah, a Fiat e seus caixotes apaixonantes!

  • Daniel S. de Araujo

    Arnaldo, essa história de morar na fazenda e ter carro guardado me faz lembrar uma pessoa: eu!

    Quando morei na fazenda, eu tinha um Fusca 83 100% reformado e uma Saveiro Supersurf, devidamente calçada para andar na Fazenda (pneus 195/65R15 no lugar dos 195/50R15 originais – tudo para proteger as belas rodas de liga). Contudo, tinha meu “Fiat 147” que na realidade era um Gol 92 CHT a álcool, com mais de 300 mil km e apenas 4 marchas (1, 2, 4 e 5 marcha – a terceira não engrenava).

  • Daniel Shimomoto

    Cada casa, um problema especifico.

    Meu problema não é meu Fusca 83…é a F-1000 que minha mulher tem pavor!

    • Gustavo França

      Em casa é o meu Impreza 95,,,

    • Rafael Malheiros Ribeiro

      Já tive 03 F-1000. Realmente elas não gostam mesmo. Já eu…

  • Antônio do Sul

    Que causo interessante! Como a bebida e um monte de amigos companheiros de bebedeira potencializam a criatividade….Arnaldo, eu rachei de rir ao ler o parágrafo em que você descreve a cena em que sua esposa flagra os borrachos empurrando o 147! Faltou pouco para você apanhar da patroa…

  • Lucas dos Santos

    Arnaldo estava muito inspirado quando escreveu esse texto. Ri muito aqui!

  • Marcos Alvarenga

    Agora precisamos de um post do outro 147, o tal com o Weber.

  • Rogério Ferreira

    Arnaldo, sensacional, estou rindo muito dessa história, e cara, faça-nos um favor, escreva um livro com esses e muitos outros casos…Rapaz, você é bom nisso! De imediato, lembrei-me o meu primeiro carro, um Chevette SL 1985, creio que se fosse tentar acompanhar seu 147, não conseguiria. Era um desejo pessoal ter um Chevette, igualzinho aquele, já que o meu pai, anos antes, tentou comprar um e não conseguiu, acabou se contentado com um Gol BX. Imaginava o motor 1.6 de 73cv, seria muito melhor que qualquer coisa movida pelo motor boxer da VW! Só que não! A primeira viagem que fiz no carrinho, foi só canseira:.Urrava, urrava, fazia um barulhão dando, e quando pensava, que estava andando muito, vinha um Corsa Wind EFI de 50cv, e me passava numa tranqüilidade… Pisava até o fundo, para encarar a rampa, perdia a cinética, voltava para 4ª. caia mais pouco, 3ª, estabilizava, em 60 km/h, Vinha um Uno Mille de 49 cv e me passava… olhava para o retrovisor e constatava que estava provocando meu pequeno engarrafamento. Que vexame! O jeito era ir para o acostamento, e permitir a passagem do fluxo retido… Naquele ano de 1995, a frota já estava bem mais rápida, repleta de importados, Gtis, GSIs, até turbos… também tinha o mesmo problema com as carretas Volvo, Scania, e as MB 1935. O mesmo se passava com os ônibus rodovíários, que hipoteticamente não passavam de 90 km/h, velocidade essa, que era demais para o Chevette. Ladeira abaixo, até que conseguia passar de 100, mas sabemos que não é o suficiente para evitar a pressão dos brutos. Ultrapassagem possíveis, era só os Mercedes 1113, carregados, Kombis, Fuscas surrados, ou então outro Chevette, mas a manobra era questão de coragem e fé… Demorava tanto, que muitas vezes a faixa tracejada, acabava, e eu precisava ser ajudado. Mas o Chevettinho tinha uma vantagem: sempre me levou para onde eu quis… Demora, demorava muito, mas sempre chegava lá, nunca me deixou na mão.

    • Adriano Rech

      Trabalhei numa firma de informática durante 10 anos e viajei muito numa Marajó 1.4 de 4 marchas. Acredite se quiser, tocava mais de 170 km/h na coitada nas descidas, 150, 160 era fichinha, quase virava o ponteiro. nas retas era normal andar a 130, 140 km por hora. mandamos uma vez verificar o velocímetro e estava marcando certo.

      Cansei de dar canseira em carros considerados mais rápidos, era bonito de ver.

      O único porém era a gritaria que a danada fazia por conta de só ter a 4ª marcha, nossa senhora, parecia que ia rachar o motor, mas o bicho nunca apresentou problemas, aquilo foi muito bem amaciado.

      Até que um dia capotei a fera, que virou ferro velho.

  • Eduardo Silva

    Meu primeiro carro foi um desses, azul “calcinha” novo, que quando vendi já estava desbotado.

    Um dia fui tentar abrir o radiador com o carro quente segurando só do ladinho porque sabia que a tampa ia dar um pulinho mas… acredito que ela entrou em órbita, nunca mais achei.

  • Eduardo Silva

    Lembrei de um amigo, o Berbéu, tinha um bege, mas já era o Spazio. Ele (o Berbéu) bebia muito. Uma noite, nessas ruas em que as pessoas ficavam andando pra baixo e pra cima antigamente, ele estacionou o carro e saiu para beber. Só que esse trancava. Pegamos o carro “no muque” e invertemos ele (rua de mão única) e ficamos só esperando ele voltar e ficar, com a chave na mão, olhando para o carro e para a rua, para o carro e para a rua, tentando entender por que a porta do motorista estava do “uoutro” lado.

  • ccn1410

    “Gosto de carro pequeno e simples”.

    Como é difícil encontrar alguém que pense assim como eu. Certamente somos exceções.
    O primeiro 147 que eu vi, era cinza e pertencia a um viajante. Ainda lembro de seu volante de madeira ou imitação.
    Mas meu amigo Diomar foi o primeiro a comprar um na cidade onde morávamos. Era branquinho e lindo de morrer. Como o viajante foi o primeiro a dirigir um 147 na cidade, o amigo foi o segundo e eu o terceiro. Nossa! como as menininhas davam bola. Bons tempos!

  • CorsarioViajante

    Hahaha AK vc é impagável!!! Essa do “EMPURRE” é demais… Ainda vou colar um desses em algum carro meu. Ri sozinho aqui…

  • braulioygor

    Nunca ri tanto de um texto! Kkkkkk Parabéns, AK!

  • Ótimo texto, leitura muito prazerosa.

  • ronaldo eduardo

    Esse 147 preparado pelo Silvino pozzi devia ser o bicho! Aguardamos postagens dele. Arnaldo cono sempre com maestria nas postagens.

  • Marco de Yparraguirre

    Genial, Arnaldo.

  • Ozirlei

    Isso me lembrou de uma vez que eu fui a um cliente com a secretária (acho que era 2003 ou 2004), estávamos com o carro da empresa, ela já conhecia o cliente e foi dirigindo… Entramos na Anhangüera e veio um caminhão babando atrás, era uma descidinha boa (acho que estávamos a uns 100 e o caminhão devia estar nos seus 120)… Ela disse: Olha esse caminhão aí atrás, está com pressa, passa por cima!… (E vi que ela freou)
    Na hora eu fiquei desesperado… Eu gritei: Acelera essa m****!!! Acelera!!!… ACELERAAAAAAAAAA!!!!!
    Quando vi que o perigo se foi, perguntei “Você é louca?” Caminhão não tem freio!!! Ele vai passar por cima de verdade!! Você acha que o freio vai parar as mais de 40 toneladas que estão ali???
    Ela não gostou… E para mim pouco importa, porque éramos pior que agua e óleo.
    Ela, filha de policial, e eu filho de carreteiro… Altas tretas, por vários motivos… foi a pior pessoa que já convivi no mesmo espaço, graças a Deus mais ou menos 1 ano depois saiu do serviço, e desde então, nunca mais vi.

  • Leonardo

    Cara, Chevette nunca foi nenhum expoente em desempenho (apesar dos 1.6/S álcool serem bem razoáveis), mas acho que não é para tanto, andei algumas vezes num 78 do meu primo, era original 1.4 mas com câmbio 5-marchas e dava para andar na estrada sem passar grandes sufocos. Esse seu Chevette tinha algum problema grave para ser fraco assim….
    Abs

    • Roberto Neves

      Também tive um Chevette a álcool 85 que andava direitinho. Cheguei a andar a 140 km/h com ele na Rio-Bahia, apesar de tremores na direção que me assustavam.

    • João Guilherme Tuhu

      O 1.6/S andava bem. Os demais eram fraquinhos.

  • Douglas Formaio

    “Tudo preconceito, como o leitor pode ver.”

    Quase morri de rir com essa frase ai.. hahahah

  • Mateus Gr

    Muito legal AK .. ri muito também… Qual era a Belina? Meu pai teve muitas, perdi as contas, de vários anos-modelos … Grandes recordações!

    • Mateus, tive uma meia dúzia delas. Não me lembro qual delas era, mas acho que era uma cinza a álcool, ano 85, por aí. Boa perua. Fazia 11 km/l de álcool na estrada a 120 km/h, e na base do carburador, aerodinâmica de tijolo, etc. Mais uma prova de que esses flex não aproveitam direito o álcool.

      • Isso é bem verdade.Eu tinha um Monza 89 2.0, com rodas 15″ e pneus 195 ele fazia 9,5 na estrada.

        Hoje tenho um amigo que comemora quando o Classic dele faz 12…

      • Mateus Gr

        verdade!
        Teve algum Ghia com motor VW 1,8?
        Aquilo era uma NAVE!! Abraços!

  • Roberto Neves

    Mais uma delícia de texto, Arnaldo! Gratíssimo!

  • Adriano Rech

    lendo esse texto genial me lembrei que tb já tive um 147

  • Danilo Grespan

    Arnando, como sempre, material excelente! Meu primeiro carro foi um Fiat Uno 92, 1.5R, vermelho, obviamente já bem “melhorado” com relação aos 147, mas foi um dos meus melhores carros, não deu dor de cabeça, e era muito bonito. Tinha o velho problema de ser duro, “mostrar o valor da moeda” quando passavamos em cima de uma, etc, mas sinceramente, os carros hoje, com modernos pneus de “Caloi 10”, estão igualmente duros!

  • Rogério Ferreira

    É pessoal, acho que o meu estava bem cansado, não havia subida, por mais leve que seja, que não tinha que voltar marcha e afundar o pé… Eu mesmo fazia a manutenção dele: limpava o carburador, regulava a marcha lenta, deixava o funcionamento redondo, troquei velas, cabos, rotor, coloquei o ponto de ignição um pouco mais adiantado, para ver se melhorava. A compressão não estava 100% (apenas um pouco abaixo do normal) mas não escapava para o cárter e nem queimava óleo, então suspeitei de válvulas presas, regulei, mas nada adiantou. O motor tinha aquele barulho de diesel, que quase todo Chevette possui, mas o escape era limpinho, queimava combustível sem excesso de oléo, as velas, obviamente, não sujavam. Gostava dele, até pensava em trocar o motor, a ideia do Chepala me fascinava, só que não compensava, tinha que trocar o câmbio também, pois o original era muito curto. Vendi o Chevette e passei para um Escort L 87, um MK4 com um CHT quase a mesma potência (76 cv) levei um baita susto: andava muito mais! Desde então nunca mais desprezei alguns detalhes técnicos como o peso, torque, e eficiência aerodinâmica. Mas ainda tenho vontade de dirigir um Chevette que ande bem, e de preferência com o motor original.

  • Rogério Ferreira

    Meu sogro tem uma pick up 147, ano 1987, derivada do Spazio há 16 anos. Foi comprada no estado em que se encontra até hoje, precisando de uma geral. O mais impressionante é o que ele fez, e ainda faz com ela. Já carregou lenha, areia, tijolo, ração, boi abatido, mudança, tudo quanto é tipo de tranqueira. E ela está lá, do mesmo jeito. O motor já é cansado, queima um pouco de óleo, mas sempre foi assim. De vez em quando, falha, porque uma vela apaga, com excesso de lubrificante acumulado. mas é só isso. Nesse tempo todo, só foi o freio que precisou de trocar o cilindro-mestre, velas e cabos, e algumas regulagens no carburador. Vai para a roça direto, encara alguns caminhos bem difíceis. Tenho vontade de mandar reformar ela, lanternagem, pintura e retífica do motor. mas se for para continuar com a utilização severa, melhor esperar. Pensa num carrinho valente!

  • João Guilherme Tuhu

    Pândega matéria….o “EMPURRE” é bem melhor do que ‘Foi Deus que me deu’ que, nesse caso, poderia ser trocado por ‘Depois que o demo o rejeitou’….

  • Eduardo Zanetti

    Meu avô trabalhava com a F100 e na garagem sempre tinha alguma coisa para vovó rodar com os três filhos. Meu avô já tinha deixado a DKW para ela rodar, só que mulher é assim mesmo e não gosta de ter que sugir giro. Trocou por Fusca, ficou uns tempos, mas meu avô enfiou o Fusquinha no negócio de uma Kombi que também era usada na oficina e loja de máquinas. Acho que foi a segunda vez que minha mãe chorou por um carro, o bendito 66 1200. O primeiro foi uma Simca verde abacate e branca, o terceiro foi essa F100 da época, branca e rosa. Menos de um mês depois meu avô apareceu com um 147 zero KM, primeiro ano do carrinho, novidade lá no sul de minas, até com lacinho no espelho central, daquele jeito cheio de amor que só os velhos sabiam como é.
    Durou três meses. Vovó não engatava primeira no carrinho, não gostou do câmbio e falava que a primeira só engrenava lá perto no motor. Virou um Maverick que ela também não guiava porque era grande e, por conta disso, uma Belina I vermelha, que teve uma história trágica. Ela conta e ri que a única coisa que ela guarda do Fiat não é desgosto, mas o lacinho.

  • Takaro

    Não retiro uma palavra. Belíssimo!

  • Deus me livre de precisar frear na frente de uma carreta!!!