Coluna 4614 12.nov.2014 rnasser@autoentusiastas.com.br   

 

Inequivocamente um bom automóvel médio. Soma competências: projeto coreano, motor 2,0 japonês Nissan, câmbio CVT — de polias variáveis — também japonês Aisin, agrupado na Argentina, vendido no Brasil. Coisas da globalização: a Renault comprou a Samsung de automóveis aliou-se à Nissan, usou do talento local para modificar a frente do veículo com a nova assinatura da marca para iniciar segundo ciclo do produto, ora em meia-idade. A mudança, carimbando o rótulo de Novo, é para assumir superior postura mercadológica, sem comparar-se com Peugeot 408, Citroën C4 Lounge, Ford Focus, Chevrolet Cruze, disputando os mesmos clientes. Agora mira nos líderes do segmento, Toyota Corolla e Honda Civic.

Muito entusiasmo. Para fazer o Fluence competir com tais nipônicos deve multiplicar por 10 as atuais 400 unidades mensais.

Enfeixou medidas para contrapor argumentos para afinar o foco: qualidade, sinônimo de resistência, traduzindo confiabilidade, gerando conceito e valor de revenda. Isto a Renault vem plantando como projeto de vida e de futuro, e no Brasil é mensurável no Logan, Sandero, Duster, gerando clientela fiel e liquidez à hora da venda. São conceitos de mercado pobre, onde o automóvel não é visto como bem de consumo durável, porém desgastável, mas investimento.

Diz Bruno Hohmann, diretor comercial, para minguar o queixume sobre queda de valor de revenda na comparação com os japoneses, na troca do Fluence anterior pelo modelo novo a Renault bancará a diferença do percentual de preços indicados na tabela Fipe. Outro ponto importante é do tipo mais por menos, seus conteúdos não há nos nipônicos na mesma faixa de preços.

Como é

É o conhecido Fluence, agora modificado na parte frontal, com os novos traços da assinatura da marca. Retocou positivamente o interior, introduziu o câmbio CVT, câmbio automático sem consumir energia do motor para tocar as rodas. No exterior algumas licenças poéticas como a cor preta que se torna violeta berinjela, mas na verdade é esta que se transforma naquela.

Mantém intocadas as características de rodagem, a compatibilidade de motor/câmbio, suspensão/direção/freios. O motor Nissan com mágicas de usinagem, ágil e girador — o grupo moto propulsor é o utilizado no Nissan Sentra. Anunciado como gerador de 143 cv e 20,3 m·kgf de torque, e 140 cv e 19 m·kgf respectivamente com álcool e gasálcool.

Bom isolamento termoacústico. Usuários se sentem bem acolhidos e com os sentidos de tato, visual, audição são confortáveis.

Inclui pacote de confortos de som, tela com 7”, funções operadas por toque, o atestado de modernidade do momento, a desnecessidade da chave para ligar e desligar e, no caso, ainda oferece um plus: com a chave no bolso, quando o motorista se afasta e interrompe o sinal, o automóvel se tranca. E amplo pacote de eletrônica de segurança diferenciando-se dos focados concorrentes.

Inicialmente apenas versões Dynamique e Privilége. GT e Turbo em alguns meses. Preços de R$ 66.890 a R$ 82.490.

 

Foto Legenda 01 coluna 4614 - Novo Renault Fluence  Em briga pelo mercado Renault atira para cima Foto Legenda 01 coluna 4614 Novo Renault Fluence

Novo Fluence quer disputar com os japoneses

Mono, inglês, racional, sob medida

Tens sob o terno o animus competitio, o vírus da velocidade, és dos prazeres solitários? Chegou seu carro, o Mono, pela inglesa BAC.

Pelo menos é o imaginado pelo publicitário paulista Alexandre Gama, importador de uma unidade obvia e publicitariamente estacionada durante o GP de Fórmula 1 para medir interesse e possível clientela. Calça o esforço de apresentação com distribuição de noticiário.

A mágica do automóvel com rendimento por motor pequeno é coisa antiga. Vem da fórmula criada pelos franceses nos anos 1920, aviada pela inglesa Morris Garage em seus modelos T no pré-guerra, viabilizada pelo britânico Colin Chapman em seu Lotus 7 nos anos 1960. Coisa milenarmente conhecida: quanto menor o peso carregado por um cavalo, mais longe e rápido irá. Em engenheirês é a relação peso-potência e ela quanto menor, mais rendimento.

Engenheiros, os irmãos Neill e Ian Briggs somaram experiências na Ford, Mercedes e Porsche, criaram sua empresa, a Briggs Automotive Company, construíram um carro de Fórmula 3. Depois resolveram ampliar a aplicação do produto: em vez de circuitos, ruas e estradas. Nélson Piquet, pai, na edição 2002 da 1.000 km de Brasília fez coisa assemelhada: transformou um monoposto Dallara de Fórmula 3 em carro de corridas aplicando-lhe para lamas e faróis.

A morfologia do Fórmula exige e concede peculiaridades. Primeira, ser sob medida. Nele o banco é personalizado, medido e moldado em função da arquitetura do piloto – altura, cintura, tamanho de pernas e braços. Feito, é fixado, sem conceder regulagens. No Mono — o nome sintetiza a origem de monoposto e o fato de transportar apenas uma pessoa —, carro de corrida com roupagem tentativamente extra-pista, carroceria em compósito de fibra de carbono feita em torno do usuário, e a medida do charme da exclusividade inclui o cockpit, o banco, volante e regulagem nos pedais. Há uma célula de segurança na treliça tubular em aço, com reforços laterais. Permite, para andar nas ruas e estradas, personalizada calibragem da suspensão e escolha de rodas, pneus e freios. O volante contém todas as funções para condução, incluindo acionamento dos faróis e ao centro, uma tela conta do motor e da performance.

Com apenas 540 kg, o motor Ford Duratec 2,3 desenvolvido pela Cosworth faz 284 cv a 7.700 rpm, torque de aproximados 28 m·kgf a 6.000 rpm, e o escalonamento das 6 marchas no câmbio seqüencial exibem ser pró-performance. Para bom rendimento do motor, radiador em compósito de fibra de carbono, e sistema de escapamento em aço inox e titânio. Na prática acelera de 0 a 100 km/h em asfixiantes 2,8 s e crava 274 km/h em velocidade final.

Para vitoriar em sua pretensão, o importador enfrentará alguns óbices, como para licenciá-lo serem exigidos pára-brisa, entre outros itens, limpador, inexistentes no veículo; para circular difícil imaginá-lo com altura livre do solo para não ancorar nos irregulares quebra-molas brasileiros. Não há informação sobre as bolsas de ar e o ABS.

Outro item, custa, na Inglaterra, 100 mil libras, uns R$ 350 mil. Para chegar aqui seu preço arranharia o R$ 1M.

 

Foto Legenda 02 coluna 4614 - Mono  Em briga pelo mercado Renault atira para cima Foto Legenda 02 coluna 4614 Mono

Mono: será difícil vê-lo nas ruas

RODA-A-RODA

Paralelo – Ao lado do início da montagem do Mitsubishi Lancer em Catalão, Go, marca iniciou distribuir a versão Evolution X, sua décima edição. É personalizado em acertos para o Brasil pelo preparador inglês James Easton, ex-diretor da Rallyart quando o Evolution foi tetracampeão mundial de rali.

Aplicação – O Evolution X é sedã construído sobre plataforma dos carros de rali, motor 2,0 turbo com 340 cv e 37,3 m·kgf de torque, câmbio de dupla embreagem, 6 marchas, tração integral e volumoso pacote de tecnologia voltada à segurança. Carro e preço de homem: R$ 219.900.

 

Foto Legenda 03coluna 4614 - Lancer Evolution X  Em briga pelo mercado Renault atira para cima Foto Legenda 03coluna 4614 Lancer Evolution X

Lancer Evolution X

De ré  – Nissan importou ferramental antigo para produzir versão anterior do March — antes importada do México e substituída pela atual feita aqui em Resende. Quer ter produto mais barato, de entrada no mercado, veículo de frota e serviços.

Como – Chama-o Active, 1,0, 74 cv, e não é acintosamente pelado como costumam ser os do primeiro degrau da tabela. Há mimos como direção com assistência elétrica, ar-condicionado, vidros das janelas dianteiras com acionamento elétrico um-toque, banco do motorista com ajuste de altura. Fora, maçanetas e retrovisores pintados na cor do carro. Custa R$ 30.990. Próximo degrau, quase 10% acima.

Conjuntura – Itaipu Binacional iniciou montar 32 unidades do compacto Renault Twizy, obviamente 100% elétrico. Exercício não é apenas o simplório agregar partes, mas identificar autopeças nacionais existentes e aplicáveis. É segunda fase da operação, iniciada com Fiat Palio Adventure, então movidos por gasolina. No caso, o Twizy, elétrico desde o projeto, facilita o processo.

E, – Uso institucional, dentro da usina. Novidades avultam com novo governo.

Fim – Acabou o Citroën C4 hatch, e a marca não produzirá tal versão sobre a plataforma do C 4 Lounge. Calcula para importação, assistência e preço final.

Atração – Bridgestone oferece desconto na compra de pneus novos para automóveis ou camionetes a quem entrega os usados como parte do pagamento. Recebe-os a R$ 35 os de aro 15”; R$ 50 os 16”. Em aro de 17” e 18”, R$ 70 e R$ 75. Até o final do ano. Para saber mais: www.compreeganhebridgestone.com.br

Escola – Castrol criou o hot site Escola de Proteção, canal com conselhos e dicas sobre manutenção e proteção de automóveis e motores. Coisas cotidianas, informações com base técnica e parte para testar e ensinar os interessados. Está em www.castrolmagnatec.com.br.

Caminho – Em Belo Horizonte BMW re inaugurou loja do grupo Euroville, após reformulação: boutique com itens ligados a automóvel, acessórios e equipamentos para BMW automóveis e motos, e marca MINI. Na oficina, em endereço próximo, sinal dos tempos: 14 boxes para serviços em automóveis a gasolina, e dois para BMW elétricos e híbridos.

Duas Rodas – No Expo Renault Barigui, em Curitiba, PR, dentro do parque com o mesmo nome, exposição de motos novas, antigas, peças, acessórios, serviços, o Brasil Motorcycle Show – www.brasilmotorcycleshow.com.br. Entre os dias 21 e 23. Oficina de customização Phoenix apóia.

Tecnologia – Carros da Mercedes na Fórmula 1 foram pintados com tintas criadas pela AkzoNobel, e resultados geraram contrato para estender aos automóveis da marca. Tintas não tem VOC, sigla em inglês de componentes orgânicos voláteis, não agridem o meio ambiente; agilizam o processo de pintura secando na metade do tempo; reduzem o peso do carro. Na Fórmula 1 baixaram em 1 kg. Na prática ganho de 1/10 de segundo/volta.

Futuro – Ferraris no GP de Interlagos utilizaram novo óleo Shell, o Helix Ultra PurePlus. Novidadoso, não é feito a partir do petróleo bruto, mas do gás natural, sem eventuais impurezas contidas no óleo. Diz a Shell, garante melhores limpeza e proteção do motor.

Na rua – 40 anos de pesquisa, e é o caminho para o futuro. O óleo básico é produzido pela Pearl GTL, joint-venture entre a Shell e a Qatar Petroleum. A BMW ajustou com a Shell ser o lubrificante oficial da marca.

Mallea Negri, transferido. oooo Da Argentina, experiente, para assumir posição na fábrica BMW em SC, chefe da MINI, aqui será feito o Countryman.oooo.

 

O símbolo do Automóvel

Idéias, projetos, tentativas esparsas para fazer um veículo auto-propelido marcaram o final dos anos 1800. Soprava um vento progressista, e inventores diversos, sem se conhecer, traduziam suas idéias em porcas e parafusos. Entretanto, quem deu forma e função ao negócio foi Carl Benz, engenheiro alemão, inventor e construtor de motores estacionários movidos por gás. Benz construiu engenho monocilíndrico, com bloco e cabeçote em ferro, aplicou-o sobre a modificada estrutura de charrete — à frente trocou os varais onde se prendia o cavalo, por uma roda central. O motor, de 4 tempos — empregava válvulas em seu ciclo operacional —, deslocava 954 cm³ e produzia 2/3 de cavalo-vapor. Não tinha câmbio, e a ligação entre o motor e rodas traseiras era por polia e cinta de couro. No total, a charrete e motor pesavam 300 kg. Mais dois ocupantes, na prática significava colocar um motor atual 1,0 para deslocar um ônibus!

Sequer havia um nome para definir a invenção, e as autoridades da Alemanha ao emitir o certificado de propriedade industrial aos 29.jan.1886, chamaram-no Patent Motor Wagen — veículo patenteado a motor.

Divulgação, prova de confiabilidade, resistência e facilidade de manutenção foram feitos por sua mulher, Bertha e dois filhos Eugen, 15 e Richard, 13. Viajaram mais de 100 km, cruzaram a Floresta Negra em viagem de Manheim, onde moravam, a Pforzeim, a 120 km de distância. Aventura serviu de teste; permitiu melhorar o arrefecimento; pequenos inconvenientes sanados por Bertha; um sapateiro num dos burgos do caminho trocou o elemento frenante; e Lidoin, produto de limpeza usado como combustível, teve nome mudado para benzina. E mostrou não ser uma tralha ensandecida, mas um transporte perfeitamente conduzível por uma senhora.

É o símbolo do automóvel e, para saudá-lo, a hoje Mercedes-Benz volta e meia o reproduz em contadas unidades.

 

Foto Legenda 04coluna 4614 Benz  Em briga pelo mercado Renault atira para cima Foto Legenda 04coluna 4614 Benz

Edições recentes. Esta, do mineiro Rigotto Gouveia

 

RN

 A coluna “De carro por aí” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Roberto Nasser
Coluna: De carro por aí

Um dos mais antigos jornalistas de veículos brasileiros, dono de uma perspicácia incomum para enveredar pelos bastidores da indústria automobilística, além de ser advogado. Uma de suas realizações mais importantes é o Museu Nacional do Automóvel, em Brasília, verdadeiro centro de cultura automobilística.

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  • Eurico Junior

    Nasser, apenas uma correção oportuna: o câmbio CVT do Fluence é fabricado pela JATCO, subsidiária da Nissan. É líder mundial nesse tipo de transmissão e a fornecedora de várias marcas. Vejam o site da empresa:

    http://www.jatco.co.jp/ENGLISH/products/

  • RoadV8Runner

    Esse Mono inglês é praticamente um carro de corrida, pois o desempenho obsceno deixa isso bem claro. Pena que o valor chegue a cifras também obscenas…

  • Fabio Vicente

    Eu estava entusiasmado com o Mono, até ver o seu preço…
    Acho o Renault Fluence o melhor custo-benefício da categoria. Mas vejo que o nome Renault ainda enfrenta uma certa rejeição no Brasil, infelizmente.

  • CCN-1410

    Dizem que depois dessa viagem Bertha nunca mais dirigiu. Isso em respeito ao seu marido, porque naquela época poderia parecer autoritarismo por parte dela.

  • CCN-1410

    Quanto ao March, vale o comentário do leitor Ozirlei sobre a Fiat no Brasil, no post do PK sobre o Uno Way 1-Litro.

  • Jean Tiepo

    Em relação ao Fluence,certamente é o melhor custo-benefício, sem dúvida, porém, o que me desagradou no carro em um curto período que rodei com ele foi o consumo (5.9 km/l gasolina,ar ligado 100% e trânsito 100% urbano) registrado em computador de bordo. Era um carro de uso de funcionários da fábrica da Renault, já tinha 24 mil km rodados e tinha um estranho estalo na suspensão dianteira, como se fosse lata com lata batendo, uma trinca de solda,uma bucha de balança rompida.Esses detalhes me deixaram com um pé atrás, tipo mulher bonita com mau hálito rsrsrs… Mas talvez deve ter sido por estes mesmos motivos que foi usado como carro para uso de funcionário…

  • Marconi Henrique

    Já que a Renault pretende valorizar Fluences antigos na troca por um novo, o que ela prevê para quem ainda tem Mégane e sempre teve vontade de trocar num Fluence, mas muda de idéia quando as concessionárias mal avaliam (R$ 10 mil abaixo da tabela Fipe) o carro a ser oferecido na troca?