Woman driv huffingtonpost.com  Chove chuva, chove sem parar Woman driv huffingtonpost

Vocês, caros Autoentusiastas, já devem ter percebido que sou uma pessoa bastante curiosa. Como jornalista tenho o terrível vício do questionamento. Estou sempre atenta a tudo e quero saber sempre mais. Acho até que minha primeira frase quando comecei a falar – e foi meio tarde, diga-se de passagem, mas até hoje estou recuperando o tempo perdido – deve ter sido “por quê?”. E sou persistente até achar a resposta. No entanto, tem coisas que nem eu consigo entender. Uma delas é: o que leva os motoristas a mudarem de comportamento quando chove?

E não me refiro a aumentar a distância do carro da frente para evitar uma colisão em caso de uma escorregada ou mesmo uma aquaplanagem, pois isso seria bom senso e respeito às normas de trânsito. Não, refiro-me a coisas estapafúrdias, como ligar o pisca-alerta ao primeiro sinal de chuva. Suspeito até de uma ligação secreta entre o limpador de pára-brisa e o pisca-alerta. Procurei nos vários carros que tive e nunca achei nenhum cabo que ligasse um a outro. Mas devo estar procurando nos modelos errados, pois tenho certeza de que alguns veículos mantêm uma conexão entre os dois itens. Se não for isso, qual a explicação para que um carro em movimento ande com o dito-cujo ligado ao menor sinal de manifestação hídrica de São Pedro? Sim, porque há pouquíssimas exceções. No geral, quando me questionam digo que não se deve usar o pisca-alerta com o carro em movimento, só parado. É mais fácil do que dizer que em alguns casos ele pode ser usado, sim. Por exemplo, brevemente para sinalizar ao veículo que vem atrás que você vai parar. Mas ligar o pisca-alerta com chuva e andar quilômetros a fio? Acho, sim, que tem um cabinho misterioso. Eu é que não o achei ainda.

 

Rain 1  Chove chuva, chove sem parar Rain 1

Também não entendo por que as pessoas deixam que todos os vidros do carro embacem quando chove. Logo eu que enxugo o espelho do banheiro depois do banho! Podem me chamar de enxerida, mas tenho horror de deixar de ver algo. Como as coisas podem acontecer sem que eu fique sabendo? Janela de carro embaçado me dá ataques de asma. E se o carro tiver Insulfilm, então, vade retro! Não enxergar o exterior do carro já é um absurdo, com chuva, então, é impensável. Neste caso, sim, deveria ter um cabinho secreto que acionasse o ar-condicionado quando se liga o limpador de pára-brisa. Pronto, problema resolvido. Não sei por que as fábricas não me contratam para dar palpite nos carros…

Focinho – Acho até que tem motorista que desconhece que tem desembaçador traseiro. Vá lá que é opcional, mas já é tão comum que é quase item de série mesmo nos modelos mais simples. E num país tropical como o Brasil deveria ser obrigatório. Melhor do que pedir para os passageiros se esticarem para passar um paninho, tipo anos 70. E por falar nessa época, para quem não quer ligar o ar-condicionado quando chove, ainda dá para encontrar aquelas calhas nas janelas que permitem a abertura dos vidros sem que entre água no carro.

E aqui vale um parágrafo à parte: “limpador de pára-brisa, esse desconhecido”. Sim, porque também não entendo por que acionar o item na velocidade máxima quando chove apenas um pouco, ou, ao contrário, limpa, e dois quilômetros e 18 litros de água depois, limpa de novo. Como disse um Autoentusiasta num post aqui mesmo, o limpador de pára-brisa deve ter o poder de hipnotizar as pessoas e deixá-las meio, digamos, bobinhas. Só pode ser isso. Está certo que os carros mais modernos têm várias velocidades, temporizador, acionamento automático, mas também não estamos falando do painel de controle de uma nave espacial ou de um Fórmula 1. Nada que uns cinco minutinhos de teste não resolvam. E, por favor, manutenção nas palhetas! Aquele “croinc, croinc” de borracha gasta, que marca o vidro e não escorre a água, não dá!

Ainda dentro do rol de esquisitices gostaria de saber também porque as motoristas (sim, porque essa é uma característica bem feminina) se inclinam para frente quando chove. Me divirto vendo os outros carros, com as pessoas perigosamente colando o nariz no pára-brisa, como se isso permitisse uma melhor visão do trânsito com chuva. E não, não funciona. O que melhora a visão é manter os vidros limpos e desembaçados, o limpador de pára-brisa acionado corretamente, e, claro, redobrar a atenção. Mas colocar o focinho no vidro? Isso só provoca dor ao ralar as costelas no volante. Se alguém souber as respostas para todas estas minhas dúvidas, e-mails para a redação, por favor.

Mudando de assunto: Ainda no ramo das esquisitices do trânsito brasileiro. Alguém poderia me explicar por que a sinalização das ruas é interrompida quando se chega numa praça? A gente vem pela Avenida X e ao chegar à Praça Y somem as placas com o nome das ruas em volta e aparecem as da Praça Y. Para depois serem retomadas mais à frente. Nada contra valorizar o nome das praças, mas não daria para manter a coerência? E ainda por cima tem praça, como a da República, em São Paulo, onde a numeração dá a volta em torno da praça. Deve ser como a jabuticaba — coisa que só tem no Brasil.

NG

Fotos: hunffingtonpost.com, walesonline.co.uk
A coluna “Visão feminina” é de total responsabilidade de sua autora e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Nora Gonzalez
Coluna: Visão Feminina

Nora Gonzalez é jornalista, foi repórter (inclusive de indústria automobilística) e editora da Gazeta Mercantil e de O Estado de S. Paulo durante muitos anos. É fã de carros desde pequena, especialmente de Fórmula 1.

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  • Paulo Roberto de Miguel

    Não sei se está certo, mas em reduções de velocidade bruscas na estrada eu dou uma ligada no pisca-alerta (uns 2 ou 3 segundos) para avisar o carro de trás e evitar uma colisão. Apenas em reduções fortes e inesperadas. Acho que alguns modelos estrangeiros já têm um sistema parecido… se não me engano é a própria luz de freio que pisca.

    • Nora Gonzalez

      Paulo, perfeita sua atitude. O problema é andar com o pisca-alerta ligado. O Artigo 40 do Código de Trânsito Brasileiro diz que o pisca-alerta deve ser utilizado em imobilizações (toda vez que o carro parar por defeito) ou situações de emergência (o carro morreu) e quando o trânsito estiver lento por causa de um acidente, para avisar aos motoristas de trás. Abraços

    • CorsarioViajante

      Sim, nestes casos eu tbm faço isso, mas assim que o carro de trás percebe eu já desligo.

  • Davi Reis

    Andava pensando nessa questão do uso dos limpadores exatamente ontem. Nesse tempo de chuva o que mais se vê são pessoas usando o limpador no máximo quando a chuva já é só uma garoa leve, e quase parando. Se um pessoa dessas não sabe usar nem o limpador, imagino como ela usa o carro, como um todo. E depois ainda reclamam que o carro não dura nada, como se fosse culpa do produto…

  • Lucas dos Santos

    Nora,

    Uma das hipóteses para explicar o pisca-alerta ligado durante a chuva, deve ser para imitar os carros de F1, que ficam com aquela luzinha piscando lá atrás quando correm no molhado. O mesmo vale para os que ligam a luz traseira de neblina mesmo quando as condições de visibilidade não foram afetadas pela chuva.

    Quanto ao “poder hipnótico” dos limpadores de para-brisa para algumas pessoas, talvez você esteja certa. Conheci um cidadão que dizia que o movimento das palhetas lhe causava sonolência!

    Ri demais do “focinho no vidro”. Nunca tinha reparado nesse curioso comportamento.

    Quanto às praças, não basta a rua “herdar” o nome dela e nem a numeração dar a volta nela. Pior é o endereço dos imóveis que a circundam, ficar “Praça tal, número tal”. Acho que jamais compreenderei isso.

  • Roberto Neves

    Mais um saboroso artigo! Observo é que nós, humanos, somos animais que aprendem por imitação (acho que todos os nossos companheiros animais são assim). Já me peguei repetindo o procedimento irracional de ligar o pisca-alerta na chuva, por imitar os demais motoristas. Penso que o objetivo disso, embora não previsto pela legislação, é alertar os demais motoristas que as condições de trânsito e de visibilidade são precárias, portanto cuidado comigo! Estou aqui, veja-me, não colida comigo! Abraço e grato pela rica leitura.

    • CorsarioViajante

      O problema é que quando todo mundo acende o pisca-alerta na chuva fica muito mais difícil de se localizar, pois apenas se vê um mar de luzes piscandos, refletindo na água… É como ligar farol alto na neblina.

  • Evandro

    Eu acho mais curioso o modo como o trânsito deixa de fluir, em geral, pois as pessoas parecem ter um medo extremo de qualquer gota d’água que cai do céu, mas no fim das contas, ficam distraídas com n coisas ao seu redor que acabam causando acidentes.

    Eu já odeio quem não mantém distância segura do veículo à frente, mas quem faz isso na chuva merece uma sessão especial de “tapoterapia”..

    Ah, outra para sua lista de incoerências. Muitas pessoas andam com os faróis de neblina acesos à noite ou pior, constantemente, poucas pessoas acendem os faróis do carro quando chove.
    Quase morri numa dessas quando uma caminhonete preta trafegava somente com luzes de posição em meio a um temporal e eu estava atrás de uma carreta de 3 eixos. =/

    • Nora Gonzalez

      Boa sugestão a do uso errado da luz de neblina, Evandro e Rafael. Vou abordar esse assunto em breve. Valeu.

    • CorsarioViajante

      Ou em túneis! É incrível o desleixo das pessoas.

  • Rafael Aun

    Também tenho uma dúvida. Por que acendem aquela maldita luz traseira de neblina que mais incomoda do que ajuda? Precisaria cair um dilúvio para ela ter alguma função.

    • CorsarioViajante

      Acendem “pur ke fika style”… Ou porque não fazem idéia de que atrapalha. Ou acendem sem querer quando vão acender os faróis de neblina ou, como costumam dizer, “os milha”.

    • Lucas

      Pois é…. e daí quando cai o tal dilúvio ou quando baixa a neblina, não acendem……

  • CCN-1410

    Tem mais,
    brasileiro se acha o máximo na chuva e em vez de reduzir a velocidade, ela ainda a aumenta para parecer “o bom”.
    Talvez porque querem copiar Senna, “o rei da pista molhada”.

  • CorsarioViajante

    Assino embaixo 100%!
    – não suporto a turminha do pisca-alerta na chuva
    – não suporto a turminha do limpador na velocidade máxima
    – não suporto as placas que “adotam” o nome da praça.

  • Rogério Ferreira

    É, minha amiga Nora, bendito o ar condicionado, que só agora vem se tornando item quase obrigatório, inclusive nos carros de entrada… Porque com um paninho, e a ventilação forçada, não tem como vencer o vidro embaçado, quando a chuva aumenta. E se o paninho, não estiver muito limpinho é embaçado e ensebado. Quem como eu já teve vários Unos de primeira geração, sem ar-condicionado, e que são péssimos em ventilação interna, esteja certa, sabe que é só começar a chover, que a briga com o para-brisa estava feita. Melhor se tivesse um passageiro ao lado, para fazer o trabalho ingrato, de passar um pano, a umas 1000 rpm, para tentar vencer a névoa grudada no vidro. Papel Higênico também funcionava, mas era necessário um rolo por temporal. Se for durante à noite então, sabemos que os farois do Fiat Uno até 2004, não podem ser classificados como tal, e sim como velas, e logo situação exigia extrema concentração. Depois que experimentei um carro com ar-condicionado na chuva, nunca que se tratava de um surpéfluo. Dispenso tudo, vidro elétrico, direção hidráulica, travas elétricas, regulagem de altura do volante, som, mas o ar-condicionado funcionando, tem que existir, principalmente no Uno.

    • Diogo

      Outro modelo que me veio à memória foi um Escort sapão 93 que tive. Bastavam duas gotas de chuva para embaçar todos os vidros e dar a sensação de estar dirigindo um aquário. O ventilador do painel, mesmo na maior das três velocidades, nunca dava conta de desembaçar o parabrisas. Embora o ar condicionado ligado já evite o embaçamento, veículos com controle automático do ar normalmente têm um botão específico para desembaçamento, que quando acionado liga o compressor, esquenta a temperatura do ar, coloca o ventilador no máximo e direciona tudo para o parabrisas.

    • Renato Mendes Afonso

      Tenho uma Parati G2 sem ar-condicionado e o que mais faz falta não é nem esse opcional, mas sim uma saída de ventilação para a janela do carona. A ventilação funciona muito bem no vidro do motorista e no pára-brisa, apenas deixando a desejar na janela do carona devido falta de duto de ventilação para a mesma.

      Acho que o mais importante é ter visibilidade nas áreas indispensáveis a dirigibilidade (pára-brisa + vidros dianteiros), é um bom sistema de ventilação + desembaçador traseiro satisfaz muito bem essa necessidade.

  • Lucas dos Santos

    Quanto ao trânsito deixar de fluir, é verdade. Dá impressão que, quando chove, o número de carros nas ruas dobra, de tão ruim que fica trafegar.

  • Antonio Canhota Jr

    Isso de usar o farol de neblina acho que só vai piorar daqui pra frente com a popularização das luzes diurnas (DRLs). Vai ter gente achando que aquilo em si é o farol baixo ou de nebilna (milha para os mais desinformados ainda). E outro mistério: o comando de mudar da lanterna para farol baixo é tão difícil assim de usar que as pessoas param na posição de lanterna? E aqueles que tem sensor crespuscular e desativam? Devem se achar mais “espertos” que o sensor, não é possível.

    • Lucas dos Santos

      O comando de mudar da lanterna para farol baixo é tão difícil assim de usar que as pessoas param na posição de lanterna?

      Um ex-colega de trabalho meu, certa vez, disse-me que não utiliza o farol baixo à noite na cidade, pois “tem a impressão que isso incomoda os demais motoristas”. Ao invés disso, ele prefere acender apenas as luzes de posição e os faróis de neblina. Talvez seja essa uma das explicações para tal “mistério”.

      • Fat Jack

        Confesso minha mania…, estou em processo “de cura”, mas ainda faço isso. E pelas pessoas que eu conheço, a explicação para essa atitude é praticamente unânime…

      • Roberto

        Já ouvi isso também. Uma dessas pessoas me falou até que cada vez que ligava o farol baixo os outros motoristas que vinham em sentido contrário davam luz alta. Respondi dizendo que o problema era que o farol estava desregulado e que era simples e barato de resolver. A propósito, é incrível a quantidade de gente que anda com farol desregulado ou senão com as lanternas e luzes de freio queimadas.

        • Lucas dos Santos

          Pois é. No caso desse meu colega, não sei se alguém já chegou a reclamar (acabei não perguntando), pois ele disse que “tinha a impressão” de que incomodava os outros. Não ficou claro se de fato incomodava ou se era só uma suposição dele.

  • Antonio Canhota Jr

    Outro motivo que pode levar a pessoa a lerdar em dias de chuva: descobrir que seu pneu está velho (e esquecer disso assim que a chuva passa)

  • Roberto

    Eu acho que em parte isto é explicado por muita gente não conhecer nem metade das funções que o carro que possuem tem. É só ver a quantidade de gente que mesmo tendo um carro cheio de recursos como bluetooth e chamadas por voz, trafega com o carro segurando o celular com uma das mãos. Aí eu me pergunto: qual a razão de ter um carro cheio de recursos se muita gente não sabe usar (o que seria resolvido lendo o manual). Pior que por conta disto, muitos tomam multas e se envolvem em acidentes que são totalmente evitáveis com a simples utilizam destes recursos.

  • Lucas dos Santos

    Sem dúvidas. Pode ter certeza que, nesses tempos em que tudo é objeto de “ostentaçaum” (putz, me “doeu” escrever assim!), muitos acendem só para mostrar aos que seu carro possui esse item.

    Uma outra grande parcela a acende pelo simples fato de querer acender todas as luzes do carro. “Afinal, se a luz está lá, é para ser acesa”, devem pensar.

  • Fat Jack

    Nora, tenho basicamente as mesmas dúvidas… outra é a adorável mania de se reduzir a velocidade até (quando não abaixo dele) o limite mínimo permito… como você mesma mencionou, basta manter uma distância superior para o carro da frente e (claro) prestar bastante atenção ao trânsito ao redor (o que deveria acontecer sempre, mas sabemos que parte dos motoristas prefere “focar” no celular…)

  • Fat Jack

    Interessante, não tive nenhum desta geração, mas dos anteriores, e sempre os tive como referência, bastava liga-lo na velocidade média ao início da chuva e esquecer o problema (já um Chevette que eu tive, só por Deus, tentei de tudo, e não havia maneira de ter paz com ele quando chovia…).

  • Roberto Neves

    Sim, correto, é como o uso abusivo de maiúsculas que domina a redação (oficial e extraoficial) atualmente. Quando tudo é destaque, nada é destaque; quando tudo é alerta, nada é alerta.

  • Roberto Neves

    O maior mistério de todos para mim, comparável ao destino da consciência após a morte, ao da vida algures neste cosmos imenso, é o que faz um vivente trafegar à noite (com ou sem chuva) com as luzes de seu veículo apagadas. A moda existe e aumenta, creiam!

  • Rogério Ferreira

    Eu tive um Logus sem ar, que até desembaçava legal, vai que tinha um problema na ventilação do seu carro, ou e era o tal que tinha aquecimento, e mesmo na posição frio, continuava jogando ar morno…(e o embaçamento é provocado pela diferença de temperatura entre o ambiente interno e externo)