CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE

sensores naturais  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE sensores naturais

 

Esta matéria vai continuar abordando os ruídos, vibrações e asperezas geradas pelo funcionamento do veiculo e sua interação com o meio ambiente.

Recomendo ao leitor que leia a primeira parte da matéria Caixa de Pregos, introdutória a esta segunda parte que começamos a escrever.

Os ruídos que conseguimos ouvir em freqüência, nível e qualidade sonora estão na faixa entre 20 Hz e 20.000 Hz.

 

human hearing  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE human hearing

As vibrações sentidas no corpo são movimentos entre 0,5 e 60 Hz, caracterizados em freqüência, nível e direção.

As asperezas são sensações de ruído com vibrações associadas.

É o NVH, noise, vibration and harshness que continuaremos como tema desta matéria.

Normalmente, quando a freqüência de excitação de um corpo coincide com sua freqüência natural,  ocorre a ressonância, que nada mais é do que um pico de  aumento de amplitude com  muita energia associada.

A freqüência natural de nossa cabeça varia em torno de 20 Hz em seu modo axial.  Quando a frequência de excitação proveniente do movimento da carroceria  se igualar com 20 Hz, a cabeça pode entrar em ressonância causando desconforto. E assim vale para todos os órgãos do  nosso corpo, com reações de cansaço físico , sonolência, dores de cabeça, enjôos etc.

É por isso que o ajuste das  suspensões em frequência e amortecimento, somados à  rigidez da carroceria e conforto dos bancos, fazem parte do processo de evitar que o fenômeno ressonante chegue aos ocupantes do veículo.

 

ressonancia corpo humano 2  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE ressonancia corpo humano 2

Freqüências naturais do corpo humano

Continuando…

ROAD  NVH

É o NVH em  rodagem. Ruídos, vibrações e asperezas que chegam aos ocupantes do veículo dependendo do tipo de piso, dos pneus, da isolação do chassis, suspensões e carroceria, incluindo os bancos.

O mais difícil em um projeto é estabelecer qual o NVH aceitável para cada situação de rodagem, asfalto/concreto liso, asfalto/concreto rugoso, piso seco e molhado, piso de terra e cascalho, buracos, valetas, passagem em  cruzamento de via férrea, lombadas etc.

Soluções para NVH normalmente envolvem custos que são ponderados no projeto, considerando sempre a categoria do veículo. O que pode ser aceitável para um modelo de entrada pode não ser para um modelo de luxo. Este balanço realmente é muito difícil de ser conseguido pelo time de engenharia. O processo de desenvolvimento envolve também avaliações comparativas com  veículos concorrentes para se obter um julgamento de aceitabilidade.

Creio que o leitor se lembra do Fiesta (BE91) em sua quarta geração. O modelo ficou marcado como um dos melhores conjuntos feitos no Brasil. Tinha estabilidade invejável, freios potentes e excelente isolação de suspensão e carroceria, passando a sensação de um veículo de classe superior. Veículo excelente porém desbalanceado em custos. Era muito caro para ser produzido em sua classe, diminuindo os objetivos de lucro da empresa.

Sempre falo em meus posts que o compromisso de ser bom, bonito e barato é fundamental para o consumidor e para a empresa. Nunca pode ser desvinculado de um lado ou para o outro.

 

fiesta  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE fiesta1

Vale a observação que as reclamações de NVH  por parte do consumidor geralmente são associadas ao não esperado. Por exemplo, ao se trafegar em um estrada com pavimento liso espera-se que o veículo seja silencioso em rodagem. Se  não for, provavelmente vai gerar reclamações de campo.

Eu viajo muito entre Tatuí e São Paulo pela rodovia Castello Branco e encontro trechos de asfalto muito rugoso que induz um ruído de rodagem muito alto, incluindo forte aspereza que muito me incomoda. Já avaliei veículos de várias marcas nestes trechos  e todos apresentam o mesmo comportamento, sem exceção. Não tem jeito,  é uma característica de piso mal feito e não um defeito do veículo e que o consumidor certamente vai entender.

Os pneus, dependendo de seu desenho, são mais ou menos ruidosos em diversas situações.

Pneus que no asfalto liso e seco fazem um ruído como se o piso estivesse molhado (“shhhhhhhh”).

Alguns pneus são mais ruidosos em curvas que outros dependendo de seu desenho, composto e estrutura. É o fenômeno de cantar pneu (tire squeal).

Independentemente de mais ou menos ruidosos, os pneus têm relação direta com a estabilidade, conforto, limites de aderência e com o comportamento direcional do veículo. Todas estas características devem ser ponderadas na escolha de uma marca específica.

Alguns pneus se desgastam irregularmente com a quilometragem induzindo vibrações para a carroceria e volante de direção.  E não adianta tentar balancear as rodas que o problema persiste. É o chamado pneu quadrado.

Os ruídos provenientes do sistema de suspensão e direção são sempre relevante,s pois podem transparecer  um problema mecânico e/ou que alguma coisa vai quebrar.  Um exemplo típico é a chamada queda de roda que nada mais é do que um forte ruído de impacto no final de curso de extensão dos amortecedores, normalmente sentido em passagem por lombadas. A solução para este problema é a adoção de um batente hidráulico para amortecer o seu final de curso.

Outro ruído que incomoda é o de impacto no contacto do pinhão e da cremalheira da caixa de direção, sentido em pavimento irregular com pequenos buracos. É o chamado knocking noise.  A solução para este problema é a sintonização do amortecimento da caixa de direção no contacto do pinhão com a cremalheira (carga de mola, acabamento dos dentes e mancais de escora). Os sistemas de direção com assistência hidráulica são menos susceptíveis a ruídos de impacto pelo amortecimento do próprio fluido.

SQUEAKS & RATTLES – Rangidos e Chocalhos

Os rangidos e chocalhos são espúrios e não esperados.  São causados por peças soltas, interferência dinâmica entre componentes, folgas críticas, incompatibilidade de materiais e também, o mais comum, causado por objetos pessoais no porta-luvas e console.   S&R são os abomináveis ‘nhec nhec’, ‘toc toc’, ‘tic tic’ que tanto incomodam os ocupantes do veículo e que geram o maior numero de reclamações por parte do consumidor.

Os S&R devem ser tratados e evitados no início do desenvolvimento veicular, com um projeto robusto que leve em consideração a compatibilidade de materiais, as dimensões e as folgas críticas entre componentes.  Depois que o veículo estiver em produção, corrigir os rangidos e chocalhos se torna um trabalho muito complicado, tanto na identificação quanto na solução do problema.

Outro ponto importante para ser tratado logo no início do projeto é a eficiência da isolação da suspensão, motor, transmissão e carroceria.  Quanto mais eficiente for a isolação, tanto menor a probabilidade de ocorrência de S&R.

Os sistemas mais susceptíveis a S&R são o painel dos instrumentos, o acabamento das portas, o mecanismo de levantamento/ abaixamento dos vidros, as fechaduras das portas e tampa traseira/ porta-malas, o porta-pacotes, o porta-luvas, o console central, o forro do teto, os chicotes elétricos e as chapas de proteção térmica entre o escapamento e a carroceria.

O painel de instrumentos, por exemplo, deve ser bem estruturado e bem apoiado na viga transversal da carroceria, a car cross beam, sendo capaz de absorver os movimentos da carroceria, principalmente a sua torção. Os chicotes elétricos devem ser positivamente fixados a ele evitando chocalhos.

As fechaduras das portas e tampa traseira são  muito críticas em  geração de ruído e seus projetos devem contemplar uma boa isolação entre os  componentes internos e também com o pino de ancoragem.  Me lembro muito bem, aliás nunca vou esquecer, do  sistema de fechadura do swing gate do antigo EcoSport.  Foi um dos itens mais problemáticos em termos de S&R que conheci.  Gerou inúmeras reclamações de campo que não pudemos solucionar  nem a curto e nem a médio prazo, sendo somente resolvido na segunda geração do EcoSport, felizmente.

Equipamentos específicos são utilizados no desenvolvimento veicular para ajudar na detecção e solução dos S&R. Um deles é o 4posters  que nada mais é que um vibrador gigante que excita o veículo através dos 4 apoios das rodas. Pode-se programar qualquer tipo de evento e/ou varredura de freqüências para que sejam reproduzidos no 4posters ajudando a detectar a origem dos S&R.

Normalmente os 4posters são instalados em câmaras isoladas e com pouca reflexão sonora para facilitar a precisão das medições e analise dos resultados.

four posters  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE four posters

Outro equipamento muito interessante é o Noise Vision,que é uma esfera com  arranjo de microfones e microcâmeras que identifica o som em sua origem e intensidade através de um sonograma 360-graus. O software que controla o sistema é propriedade da Ford Motor Company.

 

Ford Noise Vision Technology  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE ford noise vision scan find eliminate interior noises 12334 1

noise vision  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE noise vision  noise vision 1  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE noise vision 1

 

Sonograma  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE Sonograma

Sonograma 360-graus gerado pelo Noise Vision mostrando a região e a intensidade sonora em cores

Pistas especiais com vários perfis e eventos  dentro dos campos de provas também são utilizadas para a detecção de ruídos e vibrações, facilitando identificar o modo e a condição de S&R de um determinado veiculo.

 

pista de S&R  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE pista de SR

Esquema de pista para analise e detecção de S&R Esquema de pista para analise e detecção de S&R

WIND NOISE – RUÍDO DE VENTO

É o ruído gerado pelo fluxo de ar ao redor do veículo em movimento. Quanto melhor o perfil aerodinâmico do veiculo, tanto menor o ruído de vento.

Ruídos provenientes de vazamentos, furos e  vedação deficiente  da carroceria, normalmente são caracterizados por assovios.

Ruídos de vento com os vidros semi-abertos são considerados problema quando houver batimento do ar junto ao ouvido gerando muita pressão sonora.

Os espelhos retrovisores externos são normalmente uma fonte de ruído de vento.  Os de um só corpo são melhores do que os formados por varias peças encaixadas.

espelhos  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE espelhos

Fica aqui o elogio ao Chevrolet Vectra de 2ª geração, o de 1996. Com design arrojado para a época, foi o grande sonho de consumo da classe média. Tinha uma aerodinâmica super-eficiente, Cx=0,29, com destaque ao desenho streamlined dos retrovisores externos.  Um ícone certamente.

 

vectra quatro rodas  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE vectra quatro rodas

Equipamentos detectores de vazamentos da carroceria são muito importantes para a identificação da origem do ruído de vento tipo assovio.

O “cheirômetro”, como é carinhosamente chamado pela engenharia, é um emissor e um receptor de alta freqüência capaz de identificar até pequenos furos não perceptíveis visualmente.

 

ultrasonic detector  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE ultrasonic detector

 

Ultrasonic Detection  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE Ultrasonic Detection

 

Final Presentation of Ultrasonic Detection 43992  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE Final Presentation of Ultrasonic Detection 43992

O transmissor do “cheirômetro” pode ser colocado tanto dentro quanto fora do veículo, como também o detector de HF

OUTROS RUÍDOS

 – Ruído de movimentação do combustível dentro do tanque, slosh noise.

Comportas instaladas  dentro do tanque de combustível normalmente resolvem o problema, minimizando  o impacto do líquido nas paredes do tanque.

– Ruídos externos proveniente do meio ambiente, tráfego, por exemplo.

Uma boa vedação da cabine, borrachas das portas e canaleta dos vidros principalmente, minimizam o ruído externo.

– Ruídos da chuva impactando o teto da cabine.

Normalmente a adição de manta isoladora e/ou  placas de material termofundente entre a carroceria e o forro do teto minimizam o ruído do impacto da chuva.

– Ruído de impacto de pedrisco nas caixas de roda

Adição de cobertura isoladora no interior dos pára-lamas minimizam o problema

– Ruído em piso molhado com a água impactando o assoalho e os pára-lamas.

Placas de material termofundente no assoalho e mantas isoladoras resolvem o problema.

– Ruído de funcionamento das palhetas do limpador do pára-brisa e vidro traseiro

Depende do ângulo da palheta, da força contra o vidro e do composto da borracha.

– Ruídos durante a frenagem, contacto pastilha disco e/ou lona tambor.

O compromisso  de frenagem com ausência de ruído é um trabalho árduo para os engenheiros de desenvolvimento de freios. O coeficiente de atrito dos materiais e seus compostos influenciam diretamente no ruído e na eficiência de frenagem, dificultando o trabalho. Obviamente  a eficiência de frenagem é o fator mandatório para o compromisso (trade off).

– Ruídos de alerta

São os sons necessários para alertar portas e janelas abertas, luzes acesas, seta do pisca, cinto de segurança etc.

Estes sons normalmente se situam na faixa de freqüência de 1.000 Hz, que é a freqüência média natural do tímpano do ouvido.  Sua freqüência e intensidade são a garantia  para que o motorista seja sempre alertado em todas as situações.

– Legislação

Além de agradar o consumidor, o veículo deverá agradar também os órgãos governamentais, pois existe legislação rigorosa para o limite de ruído de passagem (pass-by noise), aquele percebido por quem presencia um carro em movimento.

O teste legislatório nada mais é que o veículo passar acelerando em pista homologada  com microfones registrando o ruído externo emitido.

 

pass by noise  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE pass by noise

pass by noise 1  CAIXA DE PREGOS – 2ª PARTE pass by noise 1

Enfim, o desenvolvimento de um pacote acústico que seja leve, eficiente e barato é o grande desafio dos engenheiros para que o veículo seja eficiente, leve e barato.

CM

Material ilustrativo: acervo pessoal do autor, revista Quatro Rodas.

 

 

Sobre o Autor

Carlos Meccia

Engenheiro mecânico formado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) em 1970, trabalhou 40 anos na Ford brasileira até se aposentar. Trabalhou no campo de provas em Tatuí, SP e por último na fábrica em São Bernardo do Campo. Dono de amplo conhecimento de automóveis, se dispôs a se juntar ao time de editores do AUTOentusiastas após sugestão do editor Roberto Nasser.

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  • Pirata Zoroastro

    Eu tinha pneus 165/70-13 em meu veículo. Por uma questão de frenagem adotei 195/60-14, de uma marca barata. Mas melhoraram substancialmente as respostas. Porém, com desgaste de 50%, passaram a gerar incômodo sonoro a partir dos 60 km/h, ficando insuportável a partir dos 100 km/h. Adotei os Kumho, nas mesmas medidas 195/60-14. Já passei dos 50%, o ruído está ainda imperceptível, mas o agarre tanto no seco quanto molhado aumentaram. Isso comprova que o barato muitas vezes sai caro.

  • Rogerio

    Muito bom,parabéns pelos post,acho esse assunto muito interessante e venho acompanhando desde a primeira parte.

  • Lorenzo Frigerio

    Belo artigo, Meccia, parabéns.
    O Corcel II tinha dois pontos em que a Ford vacilou: um assobio do spoiler dianteiro a partir dos 100 km/h e o barulho de água de chuva impactando as caixas sob as soleiras (“rocker panels”).
    Já o Galaxie/Landau era um carro muito bem construído… quando aluguei um Town Car nos EUA em 2006 constatei que o mesmo era incrivelmente suscetível a barulho de vento, coisa que o Galaxie, de projeto décadas mais antigo, não apresentava.
    Existe uma empresa em São Paulo, talvez a única do tipo, chamada “No Cricket”, que resolve esses problemas irritantes de barulhos de carroceria. Imagino que o dono tenha trabalhado nessa área de NVH.

    • Marcelo Dutra

      O assobio, apesar de ser uma demonstração de falha de harmonia aerodinâmica, é um charme no automóvel, principalmente nos veículos da década de 80, pois remetem a algo turbinado-aeronáutico como o som do Pontiac TransAM de “A Super Máquina”!
      Assim eu tivesse um carro hoje com esse assovio!

    • Luiz Nogueira

      Lincoln Town Car é a evolução do Galaxie/LTD/Landau, portanto é muito melhor! Também já andei em um…

    • Ilbirs

      Não pude deixar de lembrar de uma cena do vídeo The Good, The Bad, The Ugly, do Jeremy Clarkson, em que pegam um Town Car e um Jaguar XJ, ambos modelo 1989 e bem baleados, e jogam água em seus interiores. O Town Car deixava sair um monte de água, enquanto o XJ mostrava ter vedações bem superiores e só saía um pouquinho de água.

  • Trabalho com tratamento anti-ruído em automóveis há cerca de 25 anos. Foi o melhor artigo que já li. A quem interessar:https://www.facebook.com/pages/TAR-Florio/222823261245074?sk=photos_stream

    • Romero,
      Obrigado pelo elogio…AUTOentusiastas agradece!

  • Mr. Car

    Um dos barulhos que mais me irritam (no caso, um “pass-by noise”), e que não tem nenhuma ligação com a qualidade de projeto ou montagem do carro, mas sim com o retardo mental de quem o conduz, é o volume do som. E o pior é que aquelas coisas amplificadas ao extremo não podem nem ser chamadas de música, são sempre lixos da pior qualidade, raps, funks, e assemelhados. Nunca ouvi o “Va, pensiero” saindo dos falantes dos carros destes infelizes.

    • R.

      Mr. Car
      Isso chama-se bom gosto musical …
      Você tem classe!
      Abraços

    • Claudio Abreu

      Nos melhores equipamentos, as piores músicas, se diz por aqui. E tem sido. Depois dizem que é preconceito, mas raríssimas vezes presenciei alguém ouvindo música ‘boa’ em alto volume. Acho que tem a ver com ‘respeito’, de uso bem raro hoje em dia. Mais que ‘aparecer’, essa cambada quer ofender, eu presumo. Ofender e violentar, na base da folga; entrar, sem qualquer respeito, onde não é convidado, nos ouvidos, nas casas da gente. Sim, amigos, violência acústica existe! Não consigo explicar de outro jeito a maneira violenta com que se faz barulho, seja acelerando, seja bombando no porta-malas. Antes de partidarizar e classificar, digo que observo bem: vem de tudo que é classe, tudo que é carro. E, engraçado, deve ser hormonal – nunca vi única mulher ‘violentando acusticamente’ – no trânsito, diga-se muito bem observado.
      Apologia da discurso; ditadura da expressão. Sim, mas precisa? Tanto barulho pra nada? Muda alguma coisa?
      Como antídoto (ou antítese), sugiro o documentário “Pixo”. Vida louca, sim, inconseqüência, irresponsabilidade, concordo. Mas também atitude, revelia, afirmação, arte (sim), coragem, espírito de grupo. E tudo isso num quase absoluto.. silêncio. É lindo demais.

  • Evandro

    Bacana esta série de artigos !

    Este ponto do ruído é uma das coisas que mais levo em conta ao considerar a compra de um carro. Exatamente por ser muito silencioso, o 208 que comprei acaba sendo incômodo quando alguma coisa está errada. Mas, ainda bem que isso se resolve, nem que seja na justiça.

    Minha dúvida é se o uso de materiais fonoabsorventes pela carroceria é algo muito custoso, pois o serviço feito por conta própria, não é muito custoso em termos de matéria prima, e tem muitos carros que tem um isolamento acústico extremamente pobre em nosso mercado.

    • F A

      Pois eu tive um 206 logo que lançaram em 99 e foi o carro mais barulhento que já vi na vida. E pelos barulhos e pelo atendimento na rede de concessionárias, nunca mais entro numa concessionária Peugeot.

  • lightness RS

    Mais um belo texto, obrigado!

  • Daniel Shimomoto

    Esse texto me trouxe algumas lembranças:

    1-) A Saveiro quadrada que tive tinha um assobio crônico de vazamento de ar junto ao quebra vento. Nunca entrou agua, mas assobiava e tinha relação com o sistema de fechamento.

    2-) A Marajó que tive quando se subia uma calçada ou atravessava uma dessas valetas em diagonal que existem por ai, no momento da torção, ela “estalava”. E se o borracheiro erguesse um dos lados para a troca de um pneu e a porta permanecesse aberta, ela não se fehcava pois a torção do carro desencaixava a porta.

    • Ilbirs

      Uma coisa que notei bastante ao comparar e dirigir carros com projetos datados dos anos 1960 a 1980 e aqueles dos anos 1990 em diante é o quão mais rígido é o assoalho, mesmo que o resto da carroceria não seja assim tão forte. É bem óbvio que é uma manha de engenharia para resistir à torção no ponto em que ela mais se manifesta, mas não deixa de ser interessante notar.

      • Claudio Abreu

        Ilbiris, é uma lição que aprendemos com a linha BX – já viste quantos ‘racharam na base’, literalmente?

  • Douglas

    Qual a marca dos ruidosos?

  • Douglas

    O meu carro tem um ruído bem peculiar, quando a carroceria torce, as borrachas de vedação da porta fazem barulho de uma friccionando a outra.
    É bem perceptível ao subir com apenas uma roda sobre a calçada por exemplo, situação em que há bastante torção da carroceria.

    • Carlos Eduardo

      Ajuda muito lubrificar as borrachas com grafite em pó

  • Eduardo-PE

    O carro mais silencioso que tive até hoje foi um Fiat Mille 2006. Comprei zero-km e foi vendido com 106.000km, em menos de três anos. Apesar do material barato do acabamento, não havia sequer um ruído no seu interior, tudo era bem ajustado e não incomodava os ouvidos.
    Nesse aspecto, o velhinho Mille deixou saudades.

    • Thales Sobral

      Aquela simplicidade no acabamento do Mille tinha essa grande vantagem: Não tinha muito plástico pra ficar “roçando” uns nos outros. Era um bom veículo, minha grande crítica fica somente ao banco, com aquele trilho estranho que altera a inclinação do banco à medida que você afasta/avança ele em relação ao volante.

  • RoadV8Runner

    Excelentes os dois textos sobre ruídos e vibrações. E agora que abomino de vez a mania atual de alterar suspensões e rodas sem critério algum. Além de destruir o comportamento dinâmico do veículo, ainda termina por alterar drasticamente toda a dinâmica de ruídos e vibrações do projeto original.

  • Diogo

    Obrigado por compartilhar esse alto nível de informação. Os carros hoje, mesmo os “populares”, atingiram um grau de sofisticação tão alto em termo de redução de NVH que esquecemos como é complexo elaborar um projeto e combinar todos os milhares de componentes do veículo. Aí o cliente ouve um ruído mínimo, um rangido quase imperceptível, e diz que o carro ou a marca é um lixo.
    Quanto ao Fiesta mencionado, concordo plenamente. Possuí um Fiesta Rocam 99, um Fiesta Sedan mexicano 2003 e uma Courier 2008. Todos eles passavam uma sensação incrível de solidez ao rodar. O Sedan chegava à sofisticação de ter mantas acarpetadas dentro das caixas de roda, para diminuir o ruído da água e pedriscos.

  • Viajante das orbitais

    O Fiesta dessa geração realmente impressiona. Qualidade muito boa e isolamento acústico que fazia o carrinho popular parecer carro de luxo.
    Depois que andei em um comecei a ver ele com outros olhos.

  • Thiago Teixeira

    Um carro (ou tipo de carroceria) que emite uma ressonância insuportável é o Fox 4 portas. Experimente abrir pela metade os vidros traseiros acima de 60km/h e tente suportar. Acho que o Clio 4p também faz.

    • Rogério Ferreira

      Novo Palio, também faz… Não é possível andar com vidros traseiros abertos em determinada velocidade. Se bem que vidro aberto em velocidade, é condenável, em qualquer carro, sob o ponto de vista aerodinâmico.

      • Claudio Abreu

        Palio G1 4p também faz, e muito! Engraçado que o 2p não faz…

  • Rodolfo

    O Vectra 2.2 – 8V – Expression – Ano 2002 do meu pai, faz um ruído muito chato atrás do banco do passageiro a toda hora, parece que tem a haver com irregularidade de piso.

    O mecânico já olhou a suspensão traseira e não encontrou nada de anormal. O que será que é isso?

    • Breno Fredrich

      O meu 2.0 faz também, e principalmente quando alguém senta la atras! É o banco mesmo rangendo!! Desde quando compramos, em 2009, está assim!!

      Empurre e puxe ele para o lado, se ranger…

      • Rodolfo

        Breno,

        Muito obrigado!

        Saudações,

        Rodolfo

  • Rogério Ferreira

    Post mais oportuno para comentar sobre meu carro atual, o Palio, da recente geração. É um carro simples, popular, e confesso que faço concessões à simplicidade, em pese ele ser o topo da gama. O carro é muito bom, em termos de motor, que é potente e econômico (E-torq 1.6), Já me adaptei ao estranho escalonamento do câmbio, e creio que a aerodinâmica é bem trabalhada, pois simulando o efeito roda livre, ele consegue manter, ou até ganhar velocidade acima 100 Km/h, mesmo em suaves descidas! Estaria muito satisfeito se não fosse a suspensão! O que é aquilo! está quase me motivando a vendê-lo. Nas duas revisões obrigatórias que fiz, reclamei, desmontaram tudo, e não acharam nada de errado. Faz um barulho insuportável, quando trafego em pistas com alguma rugosidade. Parece que está totalmente detonada, com todos seus componentes estourados. Só que não tem nada de errado, eu mesmo conferi, Não há problemas! Tive que aceitar o fato de que realmente é característica do projeto… É daquele jeito, e não tem como fazer nada. Mas não tem como praguejar a Fiat… Se o projeto é assim, a culpa é do consumidor, da mesma forma, que é do eleitor a culpa de termos os políticos que temos. O carro, deveria ter uma altura normal, mas os consumidores pedem que ele seja “levantado”. As vezes, a altura normal, era mais que suficiente, só que por paranóia e até modismo, os clientes, querem que um simples hatch se torne “quase-um-SUV”. Com a maior altura, elevação do centro de massa e de gravidade, a carroceria tende a ter um efeito de rolagem maior, e com prejuízos à estabilidade. Para anular efeito, a engenharia se vê obrigada a ultilizar amortecedores de carga elevada e molas bem duras. Numa tentativa de suavizar a rodagem, batentes hidráulicos! Ainda coloca-se um pneu de baixo atrito, com silica, duro feito rocha. Essa é a suspensão do Novo Palio, não tem como ser silenciosa! Copia todas as irregularidades do pavimento, e transmite as com força para cabine, pois os batentes, de curso limitadíssimo, não suficientes para filtrar oscilações maiores. Pedrinhas, no caminho, se tornam pequenas pancadas.. Presumo que o barulho desconfortante, vem da caixa de direção, braços oscilantes e de outros componentes, dissipando a energia do impacto, que deveria ser absorvido por amortecedores e molas. No Fox, é exatamente igual. Em ambos os casos tente fazer a suspensão articular, forçando o carro para baixo? Mexerá minimamente. Ambos os carros, Novo Palio e Fox, tem problemas sérios de durabilidade de alguns componentes da suspensão. Só agora, que descobri isso, pesquisei na internet, não deu outra. Novo Palio e Grand Siena são campeões de reclamações no quesito: “ruídos anormais na suspensão”. Saiu até uma reportagem na 4 rodas sobre o assunto. Quanta diferença do Palio antigo, especialmente do de 2001 a 2006, que possuía a suspensão macia, confortável, silenciosa e que praticamente durava tanto quanto o carro. Outra questão da suspensão calibrada assim, é que os grilos são inevitáveis, pois não há painel e revestimento, que aguente firme tanta pancadaria.

    • Mr MR8

      E o novo Uno não dá esse problema, vai entender…

  • CorsarioViajante

    Esse trilho é mal de vários carros da Fiat, nunca entendi qual a lógica dessa coisa maluca.

    • Domingos

      Preço.

  • Lorenzo Frigerio

    Escapamento. Talvez um coxim que segura o cano, laceado.

    • Rodolfo

      Mas ele já trocou o escapamento e o barulho persiste.

  • megatron turbo

    Não é porque não há como descer os vidros traseiros? rs

  • Eurico Junior

    Tive dois Fiesta Street, carros excelentes. Qualidade construtiva e engenharia notáveis!

    • Domingos

      Mas todo mundo achava “feio”. Mais bonito que Celta, era.
      E assim acabou o último hatch bem acabado e com interior bem projetado do Brasil. Hoje existem, mas lá pelos 50 mil e ainda assim com as pragas atuais (painel ruim de ler, por exemplo).

  • Paulo César

    Tenho um Gran Siena Essence 1.6 16v 2013/14 que tem um problema crônico que é o seguinte: Quando estou trafegando entre 70km/h e 100km/h surge um ruído horrível e desconfortável vindo da caixa de transmissão. Levei o referido veículo na concessionária e foi me dito que era erro de projeto e que a emissão do referido ruído estava dentro dos limites estabelecidos pelo CONAMA. Jamais vi um proprietário de Gran Siena Essence 1.6 16v satisfeito com relação a acústica.