DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES

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Nascido quase espontaneamente em 1941, sem um criador específico, a partir de uma encomenda do exército americano de um veículo leve com capacidade fora-de-estrada, tendo em vista a escalada da guerra iniciada em setembro de 1939 na Europa, o Jeep transcendeu para se tornar um gênero de carro. Inicialmente criado para ser uma mula mecânica no transporte de cargas e pessoas no front, foi extremamente bem-sucedido, considerado por muitos um dos pilares que levaram à vitória aliada no conflito. Muitos, como o editor-chefe do Ae, o Bob, o consideram o Carro do Século 20.

Mas foi no pós-guerra, produzido e comercializado pela Willys-Overland, depois de registrar o nome Jeep, que a particular e original forma de um pequeno carro aberto e sem portas, com tração nas quatro rodas, que o Jeep se mostrou realmente imortal. De fazendeiros a bombeiros, passando por surfistas a jovens de todas as idades, o Jeep em sua versão civil se tornou um clássico imortal.

 

jeep-61-anun-2  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES jeep 61 anun 2Mas não foi a única fórmula para este tipo de veículo. O Kübelwagen alemão, criado pelo Prof. Ferdinand Porsche durante a guerra, criou um jipe com outro conceito: baseado em seu Kdf-Wagen (o primeiro nome do Fusca), o jipinho alemão era levíssimo, e tinha uma capacidade de tração superior graças ao motor boxer arrefecido a ar bem pertinho do eixo traseiro. Mas ágil e divertido que o Jeep americano, apenas em situações-limite perdia para este e sua tração total. Mas, como a Alemanha perdeu a guerra, sua versão civil demorou a aparecer: apenas em 1968 aparecia o Tipo 181, conhecido nos EUA como “VW Thing”. De qualquer forma, nunca chegou a ser tão adorado quanto o agradável e jovem de espírito Jeep, muito pela sua aparência tosca.

O curioso é que Jeep virou jipe, passando a ser sinônimo — não oficial — de veículo utilitário de tração nas quatro rodas, quase sempre trazendo uma relação de marcha alta no câmbio, chamada de reduzida.

 

DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES front

Um VW Kübelwagen no front, em algum ponto da II Guerra Mundial (wikipedia)

Aqui no Brasil sempre nutrimos um profundo caso de amor com o gênero. Não bastasse o Jeep Willys civil e suas variações picape e perua, temos aqui também desde 1958 o Toyota Land Cruiser FJ40, o hoje clássico jipe japonês que aqui se chamou Bandeirante, e por muito tempo, décadas, usou motor Diesel Mercedes-Benz de fabricação nacional, OM-324. E teve o jipe DKW-Vemag, o DKW Munga produzido aqui de 1958 a 1962.E além deles, desde os anos 1970 temos vários carros desenvolvidos e produzidos aqui, uma tendência que nunca esfriou e até hoje sobrevive nos Troller e Stark. Se a Inglaterra é o país do carro esporte de pequena série, nós somos o país do jipe.

E os 10 melhores, segundo o MAO, são os seguintes:

Gurgel Xavante / X12 (1973)

 

semcapota  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES semcapota

O Gurgel X12 de 1981 (Motor3)

O pioneiro Xavante era baseado no bugue Ipanema, de base VW arrefecido a ar, uma base que, como sabemos também é muito boa para jipes, mesmo sem tração total. Ajuda aqui o Seletraction desenvolvido pela Gurgel, um sistema bem simples para frear a roda que patina quando atolado, já que o carro tem diferencial “aberto” (sem bloqueio): duas alavancas acionavam individualmente os freios de estacionamento das rodas traseiras.

Com esse simples recurso, o jipe Gurgel, que mesmo sem ele já seria ótimo no fora de estrada, quase torna a tração total um supérfluo, a não ser em situações bem pesadas no off-road. Ajuda também o chassi de aço revestido de resina com fibra de vidro (Plasteel), quase totalmente imune a corrosão em uma época que isto ainda era um problema. Foi um carro de vida longa e grande sucesso, praticamente sustentando a empresa por quase toda sua existência.

A título de informação, o Kübelwagen tinha diferencial autobloqueante ZF.

 

Jeg (1977)

dacunha_jeg_bw_1982  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES dacunha jeg bw 1982

O Jipe Jeg, da Dacunha, ao contrário da maioria das criações em cima do chassi ou mecânica VW arrefecida a ar, não tinha carroceria em compósito de fibra de vidro, e sim em aço galvanizado. Utilizando chapas planas ou dobradas, e uma estrutura de tubos quadrados, era bem mais pesado que um Gurgel, por exemplo, chegando a pesar mais de uma tonelada em alguns casos.

O carro era muito parecido com um protótipo de jipe militar da VW apresentado no são do automóvel de 1976. Criado com o intuito de ser vendido às forças armadas brasileiras, contava com freio de estacionamento seletivo traseiro, sistema similar aos Gurgel. Mas como o exército exigia tração nas quatro rodas, a Dacunha desenvolveu uma versão assim equipada, com um sistema próprio. Somando as vantagens da mecânica VW com a tração total, e o bloqueio seletivo das rodas traseiras, o Jeg 4×4 tem a fama de ser incrivelmente eficiente em trilhas. Devido à sua raridade, é quase lendário hoje.

 

jeg80  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES jeg80

Infelizmente também não foi adotado pelo nosso Exército, por ter motor traseiro (norma militar inexplicável tecnicamente), e poucas unidades foram fabricadas.

 

Bugre FC15 (1983)

 

bugre5  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES bugre5

Uma fábrica carioca famosa por seus bugues, a Bugre também fez jipes. Ciente do sucesso dos Gurgel, resolveu também entrar no mercado dos jipes com mecânica VW. O resultado, chamado FC15, tinha como grande argumento de vendas o baixo preço e a possibilidade de ser comprado em kit. A Bugre existe até hoje produzindo bugues.

 

Gurgel Carajás (1984)

 

carajas-amarelo  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES carajas amarelo

O esquisito jipão da Gurgel lançado em 1984 era cheio de soluções diferentes e originais. Usava motor 1,8-L dos VW Passat/Santana, mas era um carro de motor dianteiro e tração traseira. Como isto é possível? Simples, criando-se uma ligação entre o motor dianteiro e o transeixo de Fusca instalado na traseira. Essa ligação era um comprido tubo rígido — um tubo de torque — por dentro do qual passava uma árvore sobre mancais, levando a força do motor até o transeixo. Havia um problema: como a embreagem ficava junto do motor e não no transeixo, a exemplo do Alfa Romeo Alfetta, a inércia da árvore de transmissão cobrava seu preço sobre os sincronizadores, que se desgastavam rapidamente. Pelo menos a suspensão era independente nas quatro rodas e sem semieixo oscilante atrás. O chassi próprio em aço revertido de plástico (Plasteel) e o Seletraction permaneciam como tradição da marca.

 

Engesa 4 (1986)

 

Engesa  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES Engesa

O Engesa é um verdadeiro puro-sangue do fora-de-estrada. Nascido em uma indústria de material bélico para ser uma ferramenta militar como o Jeep, ainda hoje tem um desempenho em trilhas difícil de ser equiparado.

A carroceria era em chapa dobrada, o chassi, próprio, contava com dois eixos rígidos de alta articulação, por meio de engenhosa suspensão com longos braços posteriores e molas helicoidais que mantinha todos os componentes para dentro do entre-eixos. Assim, os ângulos de ataque e saída eram excelentes.

 

E4-2  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES E4 2

Como se não bastasse, o carro, mesmo usando motor ciclo Otto (de Opala 2,5-litros), era capaz de andar debaixo de um metro d’água. Foram fabricadas aproximadamente 1.500 unidades antes da empresa falir no início dos anos 90, mas recentemente foi revivido como veículo militar pela Agrale, que o batizou de Marruá. O fato de seu desempenho nas mãos dos militares ainda ser ótimo em 2014, mostra como este é, provavelmente, o nosso melhor jipe no fora-de-estrada pesado.

Nem ele nem o Marruá contam com reduzida. No lugar, um câmbio de cinco marchas com primeira de força (crawler). O veículo em uso no asfalto arranca em segunda, na verdade uma primeira marcha normal.

 

CBT Javali (1989)

 

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(Quatro Rodas)

CBT é sigla de Companhia Brasileira de Tratores. Como não poderia deixar de ser, o jipe Javali da marca exibia qualidades e defeitos bem característicos de uma máquina agrícola: era extremamente barulhento e vibrador, e espartano além dos limites imagináveis, mas por outro lado era robusto, simples e extremamente parrudo.

Era bastante lento também, equipado que era com motores Diesel próprios, de três ou quatro cilindros  (a empresa era extremamente verticalizada, produzindo até a bomba injetora em casa, e até aeroporto tinha, num prédio que hoje abriga a sede do Museu da TAM). A carroceria era de chapa dobrada como o Engesa, mas com resultados bem menos felizes, e a suspensão era por feixes de mola.

E tem uma participação inusitada de nosso colega Juvenal Jorge em seu projeto: foi ele que sugeriu a troca dos retrovisores minúsculos dos primeiros carros pelos originais da VW Kombi, em uma conversa com um engenheiro da empresa num Salão do Automóvel.

 

JPX Montez (1992)

 

jpx-a2  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES jpx a2

Eike Batista, aquele X-maníaco que nomeia os filhos como deuses nórdicos, numa prova de humildade elevada a menos 1 também já se meteu no mundo dos jipes. Com certeza de olho em contratos estatais que sempre foram seu ganha-brioche, trouxe o jipe militar francês Auverland para o Brasil, produzindo-o sob licença em sua empresa JPX em Pouso Alegre, MG.

O carro era muito interessante, porém, se um pouco lerdo e barulhento demais com seus motores Diesel Peugeot.

 

Troller T4 (1995)

 

Troller  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES Troller

(Foto rogeriofarias.com)

Como vocês devem ter percebido nessa série de posts, certos personagens se repetem na nossa história dos carros genuinamente nacionais. Um deles é o criador do bugue Fyber (veja próximo post desta série), Rogério Farias, de Fortaleza, no Ceará.

No início dos anos 90, Rogério começa, em suas palavras, “…a sonhar com o desenvolvimento de um veículo 4×4 com chassi tubular de alta resistência que suportasse o alto índice de salinidade das praias do Nordeste e ao mesmo tempo fosse capaz de superar grandes obstáculos como os encontrados no off-road.”

 

Troller-T4-2013-01  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES Troller T4 2013 01Nascia o Troller, com motor VW AP 2-litros, carroceria de compósito de fibra de vidro, chassi tubular em aço e uma suspensão moderna com molas helicoidais, e tração total. O carro, aperfeiçoado em competição, evoluiu sobremaneira e teve vida longa, impulsionada primeiro pela sociedade com o empresário Mário Araripe em 1997, e depois com a compra da empresa pela Ford, em 2007. Inúmeras melhorias e mecânicas foram usadas no carro (culminando em um moderno e potente 3-litros turbodiesel), que é uma das criações brasileiras de maior sucesso, e um motivo de orgulho para todos nós.

 

Stark (2009)

 

IMG_8362_0  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES IMG 8362 0

O jipe catarinense Stark é muito bem projetado: suspensão independente por triângulos superpostos  nos quatro cantos, dois amortecedores por roda, e freios a disco. O câmbio é cinco marchas com reduzida. O chassi é um monobloco tubular, onde são montadas as peças de carroceria em plástico reforçado com fibra de vidro. O motor é Fiat/FPT turbodiesel com intercooler, moderno e bem adequado em potência e economia de combustível.

 

suspencao  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES suspencao

Criada  por uma iniciativa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a TAC (Tecnologia Automobilística Catarinense), fabricante do Stark, não conseguiu decolar. A empresa, antes sediada em Joinville, agora procura inaugurar nova fase com uma fábrica em Sobral, no Ceará.

 

Troller T4 (2014)

09  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES 09

Apesar do nome idêntico, o novo jipe da marca cearense é totalmente novo. Com o poderio financeiro e técnico da Ford Motor Company Brasil por trás, é um produto profissional e extremamente atual, como nenhuma outra marca brasileira conseguiu fazer.

 

20  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE III: JIPES 20

E o melhor: continua como um produto independente, ainda feito na mesma fábrica (bem modernizada), e com desenho e projeto cearense. A Ford, num raríssimo exemplo de gigante que não engole rapidamente a empresa que comprou, mas sim a ajuda, mantém a Troller razoavelmente independente e criativa. E que continue assim!

MAO

Sobre o Autor

Marco Antônio Oliveira

Engenheiro mecânico automobilístico de formação e poeta de nascimento, tem uma visão muito romântica do mundo, sem perder a praticidade, e nos conta a história do automóvel e seus criadores de maneira apaixonante. Também escreve sobre carros atuais sempre abordando aspectos técnicos e emocionais.

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  • João Carlos

    Eike Batista depois dessa experiência com o jipe francês, disse que seu erro foi ter feito a parceria com a nacionalidade errada. Ninguém estava interessado em resolver os problemas de pós-venda ou melhorar o produto para nossas condições. Mais ou menos o que acontecia com o grupo PSA até pouco tempo, e agora melhorou um pouco.

    • Rafael Aun

      Eu trabalhei em uma oficina especializada (?) em JPX, coisa de 15 anos atrás. Lembro que eram jipinhos valentes, mas com uma dificuldade de manutenção estrondosa. Haviam um que só que ficava estacionado e ia sendo canibalizado aos poucos. Os que apareciam geralmente apresentavam problemas de refrigeração e folgas em um sistema esférico na ponta do eixo dianteiro.

  • Rodrigo Costa

    Excelente lista!
    Só uma correção: JPX era montado em Pouso Alegre, MG, às margens da Rodovia Fernão Dias.

    Na época minha mãe cursava administração de empresas em Santa Rita do Sapucaí, cidade vizinha, e a faculdade organizou uma visita guiada à fábrica. O interessante é que, apesar de ser uma excursão de alunos, puderam levar a família.

    Eu, então com cerca de 9 anos, pude fazer uma passeio sensacional! Com direito a uma volta de demonstração das capacidades off-road do jipe em uma pista que ficava no terreno na fábrica.

    • Lucas Vieira

      Verdade, eram feitos em Pouso Alegre, MG, Sul de MInas, Montes Claros fica no norte do estado.

      Carrinho bem ruim esse, difícil ver um em operação.

    • Bob Sharp

      Rodrigo
      Corrigido, obrigado.

  • rodrigo

    É impossível que os catarinenses do Stark não tenham percebido que ele não vende porque não é tão bonito e é caro.

    • Cristiano Reis

      Por fotos nem tanto, mas pessoalmente é bem bonito sim…

    • Douglas Formaio

      Tive contato com o Stark logo que lançado, em um “salão do automóvel” que aconteceu em Florianópolis, muitas peças Volkswagen no interior, mas bem acabado. O problema realmente é esse, ele é um tanto estranho, lembrando um anfíbio muito conhecido… haha

    • braulio

      Principalmente, caro. Coberto de lama, todo jipe fica bonito!

    • Wagner Bonfim

      Pra você ver que é questão de gosto, acho o Stark bonito, em empate técnico com o T4 anterior … Caros todos são, infelizmente!

  • Daniel S. de Araujo

    MAO;

    Gostei da seleção!

    Uma cultura inutil é que o sistema 4×4 do JEG foi adaptado a uma Kombi pela QT Engenharia que acabou fazendo a “Kombi 4×4”, um veiculo que teria sido legal pra caramba, mas lançado em uma época que 4×4 era visto como frescura de motorista de asfalto (hoje é impensável uma caminhonete 4×2, enquanto tempos atrás, caminhonete 4×4 era coisa de fresco)

    http://www.classificados4x4.com/images/2011/02/08/40/kombi-4x4_3.jpg

    • Fabio Vicente

      Cultura inútil nada!! Isso é informação útil.
      Tenho certeza que frequentadores deste site donos de Kombi irão procurar por esse sistema e não duvido que alguém equipe a perua com este sistema.

    • RoadV8Runner

      Caramba, não sabia que houve Kombi 4×4, ainda que protótipo apenas! Aí sim que o utilitário teria tido usos ainda mais abrangentes. E concordo com o Fábio, isso não tem nada de cultura inútil.

      • Eduardo Cabral

        Na verdade o alemão que criou a Kombi trabalhou por uns 30 anos no desenvolvimento da família T na VW. Ele mesmo meteu a T2 no deserto do Saara e mandou fazer a versão 4×4. Tinha vídeo do tiozinho contando essa história no Youtube.

      • Eduardo Cabral

        Esse vídeo está na minha lista dos 10 mais legais do Youtube, Gustav Mayer apresenta a Kombi: https://www.youtube.com/watch?v=B77t0RWVLuE

    • Antônio do Sul

      Pena foi a Volks não ter feito uma parceria com essa empresa. Poderiam ter atendido às necessidades de mineradoras e empresas distribuidoras de energia elétrica (manutenção em linhas de transmissão), além de terem um concorrente para a picape Bandeirante.

    • AlexandreZamariolli

      Quando vi a presença do Jeg na lista, a primeira coisa que me veio à lembrança foi essa Kombi.

    • guest

      4 x 4 em Kombi? Bobagem inútil!
      Conheço bem uma história sobre isso, mas prefiro que o seu protagonista, Roberto Nasser, colunista do Ae, a conte. Adianto que têm passagens até mesmo cômicas…

  • CorsarioViajante

    Ainda sou apaixonado pelo X-12, especialmente o TL!
    Vejo o carajás e fico pensando que oGurgel antecipou um monte de modas atuais, como SUVs ou carros urbanos compactos, seja de luxo como o Chef ou despojados como o SuperMini. Pena que, por vários motivos, não deu certo.
    Os demais são muito legais, com destaque para a Troller.

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Ótima continuação da série de posts. Tive minha “fase off road”, tendo possuído um Jeep Ford 1976 e um Suzuki Grand Vitara, até cerca de 10 anos atrás. Não consigo me lembrar de nenhum projeto nacional que tenha ficado fora da lista. Se houve, qual seria?

  • Cristiano Reis

    MAO, a TAC Motors aqui em Sobral já fechou, é uma pena…

  • Fórmula Finesse

    Rsrsrsr – eu não conseguiria listar 10 Jipes nacionais; não lembraria mais de cinco ou seis…mas um Candango quase foi meu primeiro carro!!

  • Juvenal Jorge

    MAO,
    show esse post, demais de bacana juntar todos esses lameiros num só lugar !
    Meu preferido desses aí é o Engesa 4, um monstro de competência fora-de-estrada. Um colega teve um com motor Ford 302 V-8. Era animalesco, mas só fazia trilha curta, pois o tanque de gasolina não dava conta de alimentar o motor por muito tempo.
    O Troller ficou ótimo de se olhar, precisamos avaliar um aqui no Ae para saber se é bom de verdade onde deve.
    E sobre o Stark, andei nele apenas no asfalto, e gostei demais do conforto das suspensões e funcionamento do motor. Merece ter sua fatia de mercado, vamos torcer.

  • Lorenzo Frigerio

    Seria o DKW Candango ou o VW Thing onde nasceu o sistema Quattro posteriormente usado em automóveis?

    • Antônio do Sul

      Senti falta do Candango nesta lista. Tração integral e suspensão independente nas quatro rodas…Não sei como era o comportamento na lama, mas esse conjunto de transmissão e suspensão em um carro ficaria muito bom. Provavelmente, o sistema Quattro deve ter vindo daí.

      • gaboola

        Verdade- o sistema Quattro foi baseado no desenvolvimento da VW para o Iltis, bem mais sofisticado que o usado no Munga; este, comparativamente mais rústico, mas muito robusto.
        O sistema QT me pareceu muito semelhante ao usado pela Steyr no fabuloso jipinho Haflinger

        • Antônio do Sul

          Obrigado, Gaboola.

    • gaboola

      Nenhumm dos dois.
      O sistema Quattro foi baseado na solução desenvolvida pela VW para o seu jipe Iltis.Até onde sei, nem o Kübelwagen nem o Thing tiveram tração integral

      Em tempo: Achei o sistema QT muito semelhante ao usado pela Steyr no fabuloso jipinho Haflinger

      • Antonio

        Pelo que sei o sistema Quattro foi desenvolvido pela Audi, tendo como principal característica o diferencial multi-viscoso central. O sistema do do Kübelwagen é a evolução do sistema utilizado no Kafer Typ 87, até onde eu sei tinha apenas dois diferenciais (dianteiro e traseiro) e sua principal caracteristica era a reduzida no cubo da roda.

    • 911 Turbo

      Não foi…foi no VW Iltis.

  • NICKS31

    Senti falta de um que talvez se enquadrasse na categoria esportivo, mas realmente não entre os dez mais, o Topazzio, que até hoje acho muito interessante em termos de design.

    • Leo-RJ

      Caro Nicks 31,

      Comentei exatamente isso em outro post, sobre os fora-de-série. Eu sempre achei o Topázio, projeto de Anísio Campos tendo por base o Ford Pampa, muito interessante, e o acho até hoje.

      Abç!

      Leo-RJ

  • Daniel S. de Araujo

    Concordo! O carro é muito mais bonito ao vivo do que em fotos!

  • Dieki

    Esse Rogério Farias é um midas. Investiu um pouco mais de 10 milhões na criação da Troller e recebeu pelo menos 20 vezes esse valor ao vendê-la um pouco mais de uma década depois.

  • Cristiano

    O Engesa 4 foi produzido como Envesa 4 em Londrina-PR, com peças arrematadas da falência da Engesa, usando motor Maxion S4, antes da produção do Marruá.

    • Antonio

      Bem lembrado, era inclusive o modelo chamado de FII, mais longo, tinha um corte reto na parte inferior da porta, dava pra instalar vidro que descia pra dentro da porta. Outro dia vi um rodando em Curitiba todo original em perfeito estado, com capote rígida, verdadeira Mosca Branca.

  • Daniel S. de Araujo

    Sobre o CBT Javali…

    Ele tinha duas opções de motor: Um 4 cilindros, 3,922L (exatamente igual ao MWM D-229/4 ou podia vir com um motor 3 cilindros turboalimentado, 2,94L (!)

    Esse 3 cilindros turbo, em funcionamento, faz um ruido idêntico ao Perkinho (como é chamado o Perkins A3.152 dos Massey Ferguson 235), um dos barulhos de motor mais feios que eu já escutei.

    • Antônio do Sul

      Daniel, esse motor de 3 cilindros do Javali não era o mesmo MWM usado nos primeiros caminhões feitos pela Agrale?

    • Angelito

      Esse 4 cilindros nunca saiu de fábrica num Javali, só foi instalado em algumas concessionárias.

  • RoadV8Runner

    Lista bem bacana, nunca tinha parado para contar todos os jipes desenvolvidos aqui no Brasil por fabricantes independentes. E o texto sobre o JPX ficou divertidíssimo!

  • Davi Reis

    MAO, dei boas risadas com o “X-maníaco” do Eike Batista viu!? Ótima a lista, é realmente bom ver que pelo menos o Troller T4 deu muito certo e ainda continua escrevendo sua história de sucesso no nosso mercado. É a prova de que, se quisermos, podemos também fazer bons carros.

  • Wagner Bonfim

    Interessante saber que a CBT fabricava motores próprios. Até então acreditava que o único motor nacional era o do Gurgel BR-800

    • Angelito

      Um 3 cil turbo diesel de 3 litros, meu tio possui um. É um jipe MUITO resistente, mas como tinha muita tecnologia própria dificultava a manutenção, com muitos proprietários passando a usar o Q20B.

    • lightness RS

      Ih cara, tem outros motores BR

      A Agrale, que faz caminhões, ônibus e tal, produz alguns de seus motores para os tratores pequenos vendidos geralmente para a agricultura familiar ou as vinícolas!

  • Angelito

    Vale notar que o Troller com o AP 2.0 nunca foi sucesso no meio. O Troller só surgiu com verdadeiro potencial após a adoção do 2.8 MWM, que garantiu autonomia e força para o carro. Aí a adoção do 3.0 facilitou a vida de quem preparava o motor, com casos de 100 cv só no chip (claro, a durabilidade era mínima nesses casos), e depois o 3.2 que cortava aceleração pois a tomada de ar foi calculada de forma errada, sendo insuficiente pro motor e que exigiu Recall

  • Leo-RJ

    Boa lista MAO! Apenas senti falta do Toyota Bandeirantes.

    Tive um, carroceria longa, com o qual viajei à Bahia, e Natal. Também fui com ele à Argentina e Uruguai. Uma beleza, claro, dentro dos limites aos quais aquele jipe foi proposto. Com o tempo coloquei bancos dianteiros da D-20, quebra-matos e guincho (necessários, pois realmente fazia trilha com ele), além da suspensão Rancho 9000, com regulagens.

    Depois de vendê-lo, passei um tempo sem jipe e então comprei um JPX usado. Tinha seus problemas de aquecimento, mas eu adorava aquele carro! Para que tinha como referencial a Toyota, o JPX era bem mais confortável e com melhor direção. Bancos excelente e volante de tamanho e “pega” ideais. A direção também era ótima! Fiz a famosa troca das molas (colocando as molas do modelo militar) para acabar com aquela “traseira caída”. Aguantava a trilha bem e era confortável no asfalto. Pessoalmente o acho muito bonito. Se não fosse o problema crônico de aquecimento eu estaria com ele até hoje.

    Leo-RJ

  • Joveline Canary

    Quer saber se um carro é bom? Ponha na mão da Policia Militar, ele será usado nas mais diversas situações em 24/7 um carro de 1 ano para a PM é o mesmo que um de 4 anos de uso normal, são quatro turnos nos 7 dias da semana andando a 20 30 40 e a 100 Km por hora.
    Falei tudo isso pois tive a experencia de andar no MARRUA da Agrale em uma operação conjunta com as forças armadas, coisa robusta suspensão otima, barulhento e conforto zero mas pelo o que me parece indestrutivel, chapa de 2,5 mm motor turbo diesel mercedes, eu acho. Me parece que a agrale supriu a necessidade das Forças armadas, bem que podia suprir a dos Policiais Militares. Demanda tem o consumo de viaturas é grande, muito grande. O post podia ter falado um pouco mais dele, o Marrua, veiculo que me chama muito a atenção.

  • Rogério Ferreira

    Bom, confesso que não sou muito entusiasmado por jipes, mas a indústria brasileira, sempre mostrou competência, e a prova disso, atende pelo nome de Troller, agora, em mãos americanas, mas sem perder a identidade nacional. Nunca entendi por que o Carajás não teve uma versão à diesel, mais coerente com a proposta. Talvez o próprio MD à diesel usado na Saveiro e na Kombi da mesma época poderia ser uma boa opção, mas é claro, com a devida superalimentação. Aliás, para efeito de curiosidade sei que o “AP” a diesel, foi fabricado até recentemente, aqui no Brasil, para atender o mercado argentino, mas em versão evoluída, 1.9 turbo, Lá equipa qualquer carro VW, inclusive o nosso extinto Gol “G4”! Achei o jipe catarinense muito interessante, em termos de visual, com o para-brisa inclinado e um “quê” de Suzuki. Pena não existir mais o Stark. Quanto ao JPX, parece que grande parte dos problemas vieram do motor à diesel de origem PSA, que não foi problemático só nele, mas também na Tracker, no Vitara, e na Sportage, que também o usava. Aliás se não me engano, esse motor derivava daquele que foi usado na picape, 504, importada da Argentina, em meados da década de 90. Eis o retrato de uma época em que realmente, os franceses se preocupavam muito mais com a imagem do que com qualidade. Hoje, felizmente. fizeram uma brilhante “correção de rota” ainda não reconhecida pelo mercado. Curiosamente, o 504 é conhecido na Europa e principalmente no Norte da África, como “Leão do Deserto” pela enorme resistência de seu motor, e capacidade de suportar as adversidades do Saara, muitos ainda rodam, com mais de 20 anos de uso, e milhares de km rodados, em países como Marrocos, Líbia, Egito, Argélia,

  • Lucas Vieira

    Como assim a Toyota Bandeirante não está entre os 10 melhores jipes, se não for o melhor na opinião de muitos.

  • Leonardo Mendes

    Me admira numa lista de Dez Melhores aparecer o Gurgel Carajás, é indevido.

    Falo com conhecimento de causa, pois minha família foi concessionária Gurgel, o único produto que realmente prestava era o X-12/Tocantins (nome adotado a partir de 88)… o resto, não.
    Não vou nem falar sobre os BR-800/Supermini, que tinham muitos problemas, carro que já nasceu condenado por defeitos bobos e teimosia do Gurgel não querer corrigi-los.

    • Antônio do Sul

      Leonardo, compartilhe a sua bagagem conosco no HISTÓRIAS DOS LEITORES. Com certeza, seria muito interessante conhecer a história da Gurgel sob o ponto de vista de quem foi um concessionário da marca.

      • Leonardo Mendes

        Sabe que nunca pensei nisso?

        Vou elaborar um e mando.

  • Rodrigo Barreto

    Olá, MAO!

    Ótimo texto! Parabéns pela pesquisa!
    A CBT chegou a fabricar réplicas de biplanos Bücker. Tenho em algum lugar em casa uma revista Auto Esporte com uma matéria à respeito.

    Abs,

    RB

  • Gaboola
    Na verdade o esquema de tração 4×4 do Iltis em relação ao Candango/Munga foi passar de 4 para 5 marchas, eliminar a reduzida e no lugar desta a primeira passou a ser uma marcha de força, bem como a ré. O Iltis em uso normal arrancava em segunda. Outra alteração foi tornar a tração traseira desengatável, ao contrário do Candango, que era permanente.

  • Leonardo Mendes

    Me espanta ver numa lista de “10 Mais” a Tranqueira Suprema da Gurgel… Carajás jamais pode ser considerado um bom jipe.

    A rigor – e falo isso com isenção pois a concessionária da família foi Gurgel de 89 até meados de 93 – o único produto realmente bom da Gurgel era o X-12/Tocantins (denominação essa adotada a partir de 88)… saudades do Golias, um capota de lona 91 que tive por sete divertidíssimos meses, até hoje me arrependo de tê-lo vendido para comprar outro carro.

    Sobre o tão incensado, cantado em verso e prosa BR-800/Supermini eu prefiro nem falar… como dizia um ex-cliente e ex-dono de um, “foi o maior caso de estelionato automotivo já feito neste país.”

  • Daniel S. de Araujo

    Angelo, o recall do Maxxforce 3,2H não é so tomada de ar. O motor tem problemas no sistema de controle de emissões, mais precisamente na regeneração do catalizador.

  • Daniel S. de Araujo

    Marrua usava motor MWM Sprint 4.07 TCA e TCE. Depois veio o Cummins ISF

  • Antonio

    Sei que muita gente considera o Agrale Maruá apenas uma evolução do Engesa 4 (pra mim o melhor de todos), mas na verdade ele se tornou um novo projeto, inclusive com versões de 1/2 t. Seu desenvolvimento só pode ser comparado ao do Troller (que se destina a outra função), num país carente de infraestrutura como o nosso, talvez hoje o Maruá seja a melhor opção para quem procura confiabilidade.

  • Eduardo Cabral

    Também vale lembrar que quem desenhou o Engesa foi o Brar Soler. Mais um Soler num Top 10.

  • Antonio

    Marruá Bernardão

  • Fabriciano Madeira

    Pelo fato de não ser brasileiro (ou fruto de uma fábrica nacional, ainda que sob licença, como o JPX), foi esse o critério usado pelo MAO para elaborar a(s) lista(s). Também o considero um excelente veículo – vejo muitos rodando com carga ainda em estado razoavelmente bom. Para mim, merece muito bem o nome que recebeu por aqui.

  • David Marques

    O novo Troller é na verdade criação do estúdio da Ford na fábrica de Camaçari (BA), mas a produção continua sendo no Ceará. Mas faltam ao veículo airbags e controle de estabilidade.

  • Bob Sharp

    Lucas
    Corrigido, obrigado.

  • Aldon

    Tenho um jipe Javali original e não é nada lento. Extremamente barulhento e vibrador? Só se estava quebrado. Ele vibra como qualquer veículo diesel dos anos 90. O Javali não tem o retrovisor da Kombi, é só olhar a foto. Nosso orgulho deveria ser o Javali. Somente quatro empresas no mundo produziam turbo naquela época e a CBT (MPLM) foi uma delas, com tecnologia nacional.
    O ÚNICO JIPE com motor, câmbio e turbo REALMENTE nacionais é o Javali. Além de todas as outras partes específicas que fazem a gente quebrar a cabeça na hora da manutenção mas que compensam por ser um veículo fantástico.

    • Guilherme Nunes

      Quem escreve sobre o Javali nunca andou em um. É f***! Gente ignorante que só sabe detonar a história do Javali.