DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE II: RÉPLICAS

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A primeira coisa que temos que esclarecer aqui é o significado da palavra “replica” para quem estuda o mundo do automóvel. O uso da palavra, com o tempo, perdeu seu significado original, que era: Uma cópia do veículo original, feito pelo fabricante original.

Normalmente era usada para indicar cópia de um modelo especial de competição que depois era vendido ao público. Um exemplo famoso: Frazer-Nash TT Replica. O TT Replica era uma cópia do carro que vencera a competição do Tourist Trophy (TT), vendida ao público. Mais tarde, depois da Segunda Guerra Mundial, apareceria também o Le Mans Replica, usando a mesma lógica. Mas não apenas carros de competição foram replicados: os seis modelos T zero-km construídos pela Ford por ocasião de seu centenário certamente caem dentro da definição clássica de “réplica”.

Mas, com o tempo, o termo foi tomando um significado, digamos assim, mais abrangente. Qualquer cópia, por mais que fosse uma mera sugestão de algum modelo qualquer, é chamado de réplica hoje em dia, quer gostemos ou não. Existem hoje vários tipos de réplicas, que costumo dividir em quatro tipos básicos:

1 – Réplica vaga: se lembra em alguma coisa o carro original, está valendo; a mecânica nem precisa ser próxima. Vale tudo aqui. O maior exemplo que lembro desse tipo de réplica é o Gringo, do Rio de Janeiro, um bugue VW que lembra em algo o Citroën Traction de 1934.

 

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O Gringo: lembra vagamente um Citroën 1934. Ou pelo menos assim dizia seu fabricante…

2 – Réplica de aparência fiel: o carro tem que parecer o original de verdade, tem que existir pelo menos uma vontade forte de se conseguir a experiência visual do carro replicado. Mas a mecânica pode ser completamente diferente e mais barata. Exemplo clássico: MP Lafer

3 – Réplica fiel: além da aparência, a mecânica tem que tentar reproduzir o máximo possível o carro original. Se o carro tinha motor dianteiro de 4 cilindros e tração traseira, a réplica deve ser assim também, e nunca baseada em Fusca, para ser fiel. E o motor tem que ser o mais próximo possível, em configuração, potência e personalidade. Não precisa ser o mesmo motor, claro, mas o mais próximo que se pode chegar com as ferramentas disponíveis. Exemplo: Envemo Super 90.

4 – Réplica fidelíssima: Aqui nada ou muito pouco o distingue do original. O carro deve ser exatamente igual ao original, salvo uma ou outra concessão pequena. O exemplo clássico são os Bugatti tipo 35 criados pelo argentino Jorge Anadon e sua empresa, a Pur Sang. Localizada em um sítio no interior da Argentina, a Pur Sang faz Bugattis inteiros sem comprar peça alguma, fazendo tudo em casa, como 90 anos atrás fazia Ettore Bugatti na Alsácia. Como dizia L.J.K. Setright, “o que foi feito a mão sempre pode ser reproduzido novamente. E o que foi feito à mão, pode ser consertado à mão”. Aqui tem um caso engraçado, pois alguns fabricantes pequenos ingleses certa vez começaram, usando motores Bristol, a recriar os Frazer-Nash Le Mans Replica quase que exatamente, réplicas fidelíssimas. São chamadas hoje de “Frazer-Nash Le Mans Replica Replica”.

 

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Bugattis sendo replicados exatamente na Pur Sang no interior da Argentina (divulgação Pur Sang)

Muita gente torce o nariz para réplicas; eu as amo de paixão. São uma maneira de gente comum chegar mais perto de coisas que, verdade seja dita, nunca vão conseguir comprar nem que vivam 200 anos. E na maioria das vezes são obras de amor por um modelo qualquer, uma verdadeira ode apaixonada (e, sim, as vezes cheia de liberdades poéticas) ao carro original. Se feitas na sua garagem ou fabricadas aos milhares, não importa: uma réplica sempre é feita para divertir. Afinal, ninguém nunca fará uma réplica de um Toyota Corolla, um Honda Civic ou um Chevrolet Cruze. Aqui, emoção fala mais que razão. Como não amá-las?

Já fomos pródigos em réplicas; impedidos de importar qualquer coisa sobre rodas por décadas, não nos fizemos de rogados e criamos cópias nacionais de tudo que nos pareceu importante. Como foi o caso com a indústria de carros esporte que contei aqui, quando no início dos anos 90 as portas da importação novamente se abriram para o nosso país, essa indústria quase que acabou completamente, permanecendo apenas em esforços heróicos isolados como o da Americar, de Santo André (SP).

Acredito que é hora de lembrar de nossos replicadores: foram durante muito tempo um oásis de diversão e alegria num deserto de novidades automobilísticas. E até hoje colocam um sorriso na cara de quem tem uma sensibilidade apurada para o bicho automóvel.

Em ordem cronológica:

 

MP Lafer (1974)

 

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O dono da famosa fábrica de móveis, Percival Lafer, criou a primeira réplica nacional de sucesso, de maneira totalmente improvável: criou uma réplica de aparência fiel ao MG TD 1952, construída com qualidade. Mas incrivelmente, o montou sobre um chassi de VW Fusca, com motor traseiro e tudo.

O resultante MP Lafer chegava a beirinha do ridículo: aquele capozão imenso lá na frente, completamente vazio, e dois ocupantes lá atrás perto do eixo traseiro, e quase em cima do motor. O MG original era tão lento quanto o MP, mas pelo menos era muito equilibrado em curvas, daí vindo toda sua fama e diversão. O Lafer, com sua distribuição de massas esdrúxula, conseguia ser pior que um Fusca ou Brasília.

 

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Motor traseiro num MG TD. Assim é o MP Lafer.

Mas o timing foi perfeito: a partir de 1976, com as importações proibidas, o MP Lafer foi grande sucesso de vendas. O carrinho era bonito, bem acabado, e ninguém pareceu se importar com seu paradoxo mecânico. E abriu caminho para todos os outros replicadores subseqüentes.

 

MG Avalone (1977)

 

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O Avallone era fiel: motor dianteiro e tração traseira. (L’art de L’automobile)

Vendo o sucesso do MP Lafer, o piloto e construtor Antônio Carlos Avallone acreditou que podia fazer melhor, e o fez: criou um chassi próprio para sua réplica do MG TF, e colocou nele a mecânica completa do Chevette. Desta forma, a sua réplica do MG foi totalmente fiel: motor de 4 cilindros em linha dianteiro e tração traseira. O carro herdava todo o equilíbrio e diversão de um Chevette em curvas, e a linda carroceria de um roadster inglês famoso. Mais adiante Avalone ofereceria desempenho de gente grande: motores de Monza 1.8 e 2.0, e até Opala 4-cilindros, turbo.

Mas o alto preço e aparência similar ao MP Lafer fizeram que apenas 200 unidades fossem produzidas. O MP Lafer vendeu 4.300 cópias.

 

Envemo Super 90 (1980)

 

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(foto: Renato Bellote, www.garagemdobellote.com.br)

O Super 90 é talvez a melhor réplica feita no Brasil, e com certeza a melhor do Porsche 356 SC Super 90 em todo o mundo. Luís Fernando Gonçalves, da Envemo, a famosa firma fundada por seu pai, Ângelo Mário Gonçalves, sacrificou seu próprio carro para que a réplica pudesse nascer: o seu 356 original foi desmontado completamente para que moldes diversos pudessem ser feitos. Não só a carroceria é idêntica à original, mas também maçanetas, borrachas, frisos, instrumentos, retrovisores e todo o resto. O carro era baseado num chassi de VW Brasília, solução diferente do 356, que era monobloco, mas neste caso algo muito parecido com o Porsche original, que em layout básico era idêntico ao Fusca, mas diferente em detalhes.

Apenas 202 foram feitos de 1980 a 1983, incluídos aí alguns conversíveis, a baixa quantidade motivada principalmente pelo preço, altíssimo.

 

Fera XK 4.1 (1980)

 

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Henrique Erwenne (dono da empresa Bola artefatos metálicos, de São Paulo) também sacrificou seu carro para poder replicá-lo; desta vez na verdade dois Jaguar XK120 que foram desmontados para fazer o Fera. Usando mecânica completa do Opala seis-cilindros, o carro ficou muito parecido com o Jaguar original mecanicamente. Sim, no Jaguar o seis-em-linha deslocava 3,4 litros e DOHC, e o Fera, 4,1 litros e comando no bloco, mas a potência era similar, bem como o farto torque em baixa rotação.

A principal diferença era discreta: o Fera era 10 cm mais largo que o Jaguar (as bitolas do Opala eram maiores), era mais baixo, e usava pneus e rodas mais largos e menores em diâmetro.

 

Dardo F1.3 (1981)

 

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O Fiat X1/9 usava o conjunto mecânico dianteiro dos Fiat 127/128 ( motor de quatro cilindros transversal e transeixo, suspensão McPherson e freios a disco na traseira, fazendo um carro esporte divertidíssimo e memorável, ainda mais com a ajuda de GianPaolo Dallara no projeto.

A Corona, empresa de São Paulo, teve então uma boa idéia: fazer uma réplica do X1/9 aqui, usando a virtualmente idêntica mecânica do Fiat 147, fabricada no Brasil e portanto plenamente disponível. Para ajudar no projeto, foi contratado Toni Bianco, que se tornou algo como o engenheiro-chefe e designer do projeto inteiro. O resultado foi o minúsculo Dardo, um carro esporte divertidíssimo, e quase idêntico ao Fiat original, tanto em aparência quanto em espírito.

 

Glaspac Cobra (1982)

 

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Na propaganda de lançamento, a empresa alardeava resultados de testes

Depois de praticamente iniciar a febre dos Dune Buggies no Brasil trazendo um Meyers Manx fabricado sob licença, os ingleses Donald Pacey e Gerry Cunningham, donos da Glaspac, cansados dos esportivos nacionais com mecânica VW que mal passavam de 120 km/h de final, resolvem fazer no Brasil aquela que é uma das mais populares réplicas do mundo: a do Shelby Cobra.

Usando o V-8 Ford de 302 polegadas cúbicas de cilindrada (dos Galaxie/Landau/Maverick GT), praticamente idêntico ao Ford 289 do Cobra original, o Glaspac replicava a carroceria com pára-lamas alargados do Cobra 427. O chassi era próprio, e usava suspensões e freios de Opala recalibrados, fazendo com que a única diferença conceitual do Cobra original fosse o uso de eixo traseiro rígido, contra a suspensão independente do original. Chegava fácil aos 200 km/h, um prodígio então, e era um balde de diversão para dirigir.

 

Chamonix Spyder (1984)

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A réplica do Porsche 550 Spyder da paulista Chamonix é extremamente popular, e a empresa teve vida extremamente longa, baseada principalmente em exportações. É também bastante fiel ao minimalista carrinho alemão dos anos 50, com motor central e chassi tubular. Com o passar do tempo, contínuo desenvolvimento levou a um motor VW de 2 litros arrefecido a água e suspensão traseira De Dion, fazendo um dos mais viscerais e crus carros esporte já criados no Brasil.

 

Dimo GT (1984)

 

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(blog Autos Classicos)

Uma réplica do (Ferrari) Dino 246 GTB dos anos 70, o Dimo GT reproduzia fielmente sua aparência. Tal qual o Ferrari, o motor ficava em posição central-traseira, mas em vez do V-6 DOHC de 2,4 litros e 180 cv, o Dino brazuca tinha um onipresente VW AP. Fabricado pela Fibrario, do Rio de Janeiro, teve o chassi (espinha dorsal, duplo Y, para usar suspensão dianteira de Passat na frente e atrás) projetado por Paulo Renha, projetista do famoso triciclo que leva seu nome, e do interessante bugue Terral (também produzido pela Fibrario, veja o quarto post desta série). Teve pouquíssimas unidades produzidas, sendo portanto mais raro que o carro original.

 

Phoenix (1986)

 

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Uma réplica de aparência exata do Mercedes-Benz 230/250/280 SL “Pagoda” (W113, 1963-1971), o Phoenix, carioca, era feito se aproveitando toda a plataforma do Opala, inclusive a parede de fogo (curvão) dianteiro e todo o assoalho, bem como, claro, toda sua mecânica, com todas as opções de motorização e câmbio do Chevrolet. Era oferecido, inclusive, o teto rígido removível, igual ao do Mercedes.

Com os preços de hoje praticados para um SL “Pagoda” original, fico pensando se não é hora de reviver esta réplica…

 

Americar GT40

 

3456545947_1eda92d6ed_z  DEZ MELHORES BRASILEIROS, PARTE II: RÉPLICAS 3456545947 1eda92d6ed zO GT40 da Americar está aqui para homenagear a empresa que, em pleno 2014, resiste em meio dificuldade de toda sorte, fazendo carros especiais para o autoentusiasta. Situada em Santo André, no ABC paulista, a pequena empresa é a verdadeira herdeira dessa nossa hoje moribunda tradição replicadora: faz réplicas de Cobra e XK 120, continuando o trabalho da Glaspac e da Bola (Fera XK 4.1).

 

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Mas a melhor réplica da Americar é a do Ford GT40, muito parecido com o original e muito bem feito aparentemente. Usando, como o original, um forte V-8 Ford 302 em posição central-traseira, é um carro certamente divertidíssimo, e uma ótima maneira de manter viva a chama da réplica brasileira, que parece, infelizmente, prestes a se apagar definitivamente.

MAO

 

Sobre o Autor

Marco Antônio Oliveira

Engenheiro mecânico automobilístico de formação e poeta de nascimento, tem uma visão muito romântica do mundo, sem perder a praticidade, e nos conta a história do automóvel e seus criadores de maneira apaixonante. Também escreve sobre carros atuais sempre abordando aspectos técnicos e emocionais.

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  • Victor Gomes

    Eu acho magnífico a simples força de vontade em fazer uma réplica, por mais distante que ela fique do resultado esperado. Afinal, é muito fácil alguém dizer que a réplica ficou horrível. Mas pense na quantidade de coisas que teve que ser feita do zero, tendo como referência somente algumas fotos. Aplaudo de pé todos aqueles que conseguiram algum resultado. Gostaria muito de saber fazer algo do tipo.

    Acrescentaria à lista as réplicas de Porsche 911 964 feitas pela CBP. Olhando de longe, até que enganam bem. Adoraria ter um!

  • CorsarioViajante

    Por favor, post urgente sobre a Chamonix! São incríveis, fecharam mesmo as portas?
    A Americar conhecia fuçando na net, quem nunca desejou uma réplica?

  • Fabio Vicente

    O MG Avalone e o Fera XK eram carros pra chorar de emoção, de tão fiéis que eram aos seus originais.
    Quanto a Americar, ela poderia produzir alguns modelos mais acessíveis para sustentar sua operação. Sei que é fácil de falar e difícil de executar, mas uma empresa que produz veículos de alta qualidade não merece desaparecer.

    • Ilbirs

      Outra opção para a Americar seria produzir peças de reposição para carros antigos. Com certeza haveria um público bom para os carros mais populares (e aqui poderíamos pensar em carros nacionais mais cotados). E isso poderia dar mais segurança financeira para o negócio de réplicas.
      Aquele cara que queria fazer réplicas de Isetta também estava pensando em fornecer chassis completos de reposição para Isettas originais cujo chassi original estivesse em petição de miséria. Haveria aqui a vantagem de ser uma peça com melhor tratamento anticorrosivo, soldas de melhor qualidade e outros detalhes que geram uma melhor qualidade mesmo que seja um chassi rigorosamente dentro dos parâmetros originais.

  • Ilbirs

    Sobre esse mercado de réplicas, há o grande problema de algumas possibilidade de réplica coincidirem em proposta com modelos de série de mesma proposta, o que acaba gerando mais preferência ao produto industrializado. Exemplo simples: uma réplica de Romi-Isetta poderia acabar custando o mesmo ou mais do que um smart fortwo.
    Maior possibilidade para réplicas está naquilo que ficou praticamente abandonado pelos grandes fabricantes. Exemplo simples disso está nas muitas réplicas de Lotus Seven que existem pelo mundo. O carro pode ser um roadster, mas sua proposta é diferente daquela de um Miata. E como o original já era produzido em pequena tiragem, fica entendido que foi pensado desde o começo para não estar em uma grande linha de produção.

    Aliás, há espaço para uma réplica nacional de Lotus Seven, inclusive usando-se peças de prateleira. A forma mais simples de conciliação seria o uso de um conjunto completo de S10 2.4 ou 2.5, mas também dá para pensar em outras combinações igualmente prateleirísticas, apenas pegando as peças em separado:

    1) Transmissão de 6 marchas da Amarok 4X2 mais motor 2.0 TSI;

    2) Conjunto completo da Ranger 4X2 nova de ciclo Otto;

    3) Conjunto completo da L200 2.4;

    4) Conjunto completo da Hilux 2.7;

    5) Transmissão da Ranger 4X2, mas motor 2.0 de EcoSport ou 2.5 de Fusion (ou mesmo o 2.0 EcoBoost).

  • Fernando

    Belo post MAO!

    Também há os Chamonix baseados nos 356 que também acho bem interessantes.

    Apesar de desconhecer bastante sobre ele, o Dardo me agrada bastante, e tendo conjunto mecânico até similar ao original, foi algo muito curioso de ter por aqui no lugar do original em época de embargo, até mesmo com relação com a própria Fiat.

    Os Americar realmente são incríveis, tem vários modelos e são muito bem feitos(o XK é incrível), mas realmente ao andar do lado do GT40 próximo à fábrica deles com essa pintura da Gulf e o soluçante V8 foi muito legal: nas pistas é fenomenal, na rua é inesperado(a altura dele deve ser menor que o pneu de caminhões).

    • Ilbirs

      O caso do Dardo deveu-se à postura da Fiat por aqui em seus primeiros 15 anos, em que se apoiava na monofamília (derivados do 147 até a descontinuação da City em 1988, derivados do Uno até 1991) em uma fábrica enorme (a unidade de Betim, uma das maiores do mundo). Não interessava que houvesse muita variação na linha de montagem, uma vez que várias peças eram produzidas em uma baciada maior do que a convencional de outros fabricantes (afinal, uma linha de montagem monofamília significa que todas as portas são as mesmas, assim como diversas outras estamparias, peças mecânicas e de acabamento).
      Porém, a demanda da rede autorizada sempre foi diferente e refletia aquilo que o público pedia para aqueles tempos. Não interessava à Fiat fazer o X-1/9 por aqui justamente pela postura fabril adotada, mas não era problema fornecer o conjunto motriz para ser usado no Dardo (e também no Farus), uma vez que na época havia alguma pretensão de combater a VW em um campo no qual ela também era forte (fornecimento de mecânica para outros fabricantes). Como a rede queria algo além da monofamília, era razoável usar o Dardo como chamariz de vitrine, uma vez que sua manutenção era basicamente igual à de qualquer 147. E nessa, parte dos anseios da rede autorizada ficava satisfeito, dando tempo para pensar em uma segunda família de série (que se concretizou quando do lançamento do Tempra).

  • Jota

    Excelente tópico Marco Antônio, mas faltou citar, me perdoe se já conheça, a réplica do Kubelwagen, feita pela Penatti, sob encomenda. Pelos menos visivelmente, bem feita. Segue o Link

    http://www.penattiprojetos.com.br/carros.html

  • BlueGopher

    Devemos tirar o chapéu, como diz o ditado, para os dedicados fabricantes destas admiráveis réplicas.
    Quem teve a oportunidade de acompanhar seu trabalho sabe as enormes dificuldades financeiras e técnicas que enfrentavam e superavam.
    O que fizeram foi muito mais por amor aos seus sonhos do que visando lucros.
    Naquela época, tive a oportunidade de acompanhar o trabalho do Antonio Carlos Avallone (era uma figura!) e do Henrique Erwenne (que nos deixou recentemente).
    Saudades destas personalidades tão marcantes, e de seus sonhos, que conseguiram tornar realidade.

  • RoadV8Runner

    O Dimo GT e o MG Avalone são tão raros que eu me lembro de ter visto apenas um de cada “ao vivo e a cores”, quando era criança. Não sabia que a Chamonix havia fechado as portas, pois as réplicas dos Porsche que fazia (550 e 356) eram muito bem executadas.
    Sobre a Americar, o teste que o AUTOentusiastas fez com a réplica do GT40 não deixa dúvidas que trata-se de trabalho de qualidade.

  • Eurico Junior

    Excelente texto do MAO, como sempre! E pensar que essas réplicas e os “fora-de-série” chegavam a custar o preço de um bom apartamento em bairro nobre. Os imóveis eram muito baratos ou esses carros eram muito caros?!?

  • Ilbirs

    Já que em postagem anterior o pessoal brilhou os olhos quando sugeri um Supermini ou BR-800 com motor BMW Motorrad boxer refrigerado a água, outra combinação interessante seria juntar uma carroceria de Dardo (preferencialmente uma que estivesse imprestável para restauração à condição original ou alguma inacabada que tenha sobrado da Corona) a um motor T-Jet, preferencialmente o do Bravo devido à transmissão de seis marchas e à função Overbooster. Daria até para pensar em transplantar a caixa de direção elétrica do hatch em questão para esterçar o eixo dianteiro da réplica do X-1/9.

    • Robertom

      O BMW boxer é uma excelente idéia para remotorização dos Gurgel BR-800 ou Supermini. Já vi um com motor VW boxer e até um vídeo de um “cadeira elétrica” com VW AP.

    • Antônio do Sul

      Ótima idéia. O Dardo ainda é muito estiloso e ficaria com uma mecânica contemporânea e da mesma casa do X -1/9. Só o preço teria que ficar bem abaixo dos importados.

      • Ilbirs

        Se bem que a sugestão aqui é mais em contexto de hot rod do que qualquer coisa, a exemplo do hipotético BR-800 ou Supermini com motor BMW Motorrad. Imagino que seria hot rod dos mais simples de se fazer, uma vez que houve veículos que tiveram tanto bloco Lampredi (Fiasa) quanto Fire (o do T-JET), caso do Uno e do Palio em suas primeiras gerações, significando que há a possibilidade de achar peças de montagem que se encaixem perfeitamente nos pontos previstos que o chassi tubular do Dardo previa para o Fiasa.
        Como esse motor já estaria em posição central-traseira, que favorece o equilíbrio de massas, creio que o ajuste do veículo a um motor bem mais potente seria mais simples do que imaginamos.

  • Dieki

    Como fica a vida dos replicadores com essa nova legislação? Os 356 são um sonho, valem coisa de 80 mil. E como é bem feito esse Avalone!!!

  • Fabio Vicente

    Eu apoio sua ideia, uma réplica nacional do Lotus Seven seria fantástica. Mas acho que conjunto motriz de pickup iria contra a proposta do Seven, que é acima de tudo ter simplicidade e leveza.
    Acho que casaria com este carro o motor Duratec 2.0 da Ford, ou o Motor E-Torq da Fiat, casados aí sim com a transmissão da Ranger, por ser tração traseira – ou mesmo da Eco 4×4, só eliminando a tração integral neste caso. Ou ainda (atirem as pedras) equipa-la com o motor Ap Volkswagen.

    • Ilbirs

      No caso de um conjunto motriz de picape, ficaria resumido a motor e câmbio mesmo, com o diferencial podendo ser outro e a suspensão traseira, independente. Os motores sugeridos são de ciclo Otto, até pela questão legal no país e, como as picapes em questão são médias e possuem disposição clássica de elementos (motor e câmbio na frente, diferencial atrás), isso fica coerente com a proposta do Seven.
      No caso de um conjunto completo de EcoSport 4×4, o problema é ele ser de tração integral derivada de dianteira com motor transversal. Como sabemos, o cofre de um Seven é bem estreito e menor que a largura total do veículo, significando claramente que só podem ser alojados motores na longitudinal mesmo:

      http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/f/f5/LotusSeven.jpg

      http://1.bp.blogspot.com/-KjfAWxLZeDc/UhrByYqPMcI/AAAAAAAAEuk/sUA__kr6Mg0/s1600/sevenm.gif

      Não haveria impedimento de se usar motor AP nessa réplica, desde que conciliado à transmissão de seis marchas da Amarok 4X2, uma vez que lá estaria o encaixe certinho para esse e qualquer outro motor VW arrefecido a água. Porém, uma vantagem de se usar o 2.0 TSI é o fato de ele já existir em produção seriada em Amaroks 4×2, ainda que só em uma versão vendida no Uruguai (por sinal o único país no mundo que dispõe da picape média da VW com opção de ciclo Otto).
      Outra opção seria fazer como naquela réplica argentina de nome Target, em que se usava a transmissão de um Gol ou Santana mandada para o eixo traseiro e ligada ao motor por tubo de torque. Haveria a vantagem de os pesos estarem muito bem distribuídos e haver certa facilidade de se montar suspensão traseira independente.

  • megatron turbo

    Bom, acho maneiro o Interlagos… é basicamente uma réplica de alto nível do Alpine. 🙂

    • Robertom

      O Interlagos não é considerado uma réplica, foi construído sob licença da Alpine-Renault na mesma época da versão original francesa e o volume de sua produção foi considerado para a homologação do modelo A-310 junto a FIA.

  • megatron turbo

    Compensa mais juntar uma grana e pegar um Boxster usado ou um 944 antigo…

    • Victor Gomes

      Uma réplica da CBP ainda custa em média 30 mil reais. O ultimo 944 que vi estava 60 mil, e o Boxster por volta de 90 mil. Sem contar o abismo do custo de manutenção entre a réplica e os Porsche reais.

    • Ilbirs

      O problema é arcar com a manutenção de um legítimo Porsche…

  • Rafael Malheiros Ribeiro

    Difícil escolher o mais desejável dos exemplos escolhidos, cada um mais interessante que o outro, mas para o meu gosto, deixaria o MP Lafer fora da minha “wishlist”. Envemo Super 90 é meu sonho de consumo, e está a cada dia mais caro…

    • Robertom

      Alguns são muuiiito interessantes, mas quanto a escolha para mim é fácil.
      GT-40 , sem dúvida !

      Sou de Santo André e pude examiná-lo detalhadamente, pela pintura deve ser o mesmo carro da foto, e fiquei completamente apaixonado.
      $ó falta um detalhe para fazer a encomenda…

  • guest

    Corsário, veja a Chamonix “new generation”: http://www.chamonixng.com.br/

    • guest

      Aliás, essa Chamonix New Generation seria uma boa pauta para o Ae… e nem fica tão longe da residência de um dos editores.

    • CorsarioViajante

      Conheço o site, mas está “abandonado”, já tentei várias vezes entrar em contato e nada.

    • CorsarioViajante

      Olá! Obrigado pelo link mas faz tempo que visito o site, mas está desatualizado e não respondem o contato.

  • braulio

    Dizendo a verdade, a lista é simplesmente fantástica. Me fez voltar à infância, quando esses carros eram relativamente comuns. Só achei falta deu um não esportivo na lista. Sugiro a replica de Isetta, que até algum tempo tinha site funcionando e foi avaliada por um programa de TV:

    Aliás, essa é uma das coisas difíceis de entender atualmente: Por que tão poucas réplicas? Se é verdade que temos acesso a qualquer carro fabricado no mundo (e isso é, numa perspectiva otimista, uma grande meia-verdade…), a dimensão temporal ainda é um problema bem complicado. Por que ninguém se propôs a “envenenar” um dos três cilindros modernos e embrulhá-lo em fibra de vidro para fazer uma réplica do Malzoni? Botar baterias de lítio num Peugeot VLV (o elétrico mais interessante de todos os tempos, e provavelmente o único interessante o suficiente para merecer uma boa réplica)? Arrancar a carroceria feia do ótimo chassis de uma caminhonete Chevrolet atual e substituí-la por uma réplica das belas picapes dos anos 50-60?
    Certamente não é falta de bons modelos para inspiração, nem de facilidades atuais. Talvez falta de mercado seja um problema sério. Mas também vejo falta de entusiasmo e de capacidade para juntar uma equipe e fazer as coisas acontecerem. Ou, quando acontecem, falta divulgar.
    Atualmente, também tem algumas pessoas fazendo réplicas do Lotus Seven no Brasil. Normalmente, não são, nem pretendem ser empresas, mas simples “civis” com muita paixão, algum tempo livre, bons conhecimentos e muita força de vontade (já que montar o carro é certamente difícil, mas legalizá-lo no Brasil é tarefa que só as lendas vivas encaram). A esses heróis, destemidos e levemente lunáticos, deveria ser dada uma menção honrosa!

  • Ilbirs

    Uma réplica de Isetta seria bem legal, ainda que aqui esbarrasse no problema de por alguns mil reais a mais se poder comprar um smart fortwo básico (imaginando-se que a nova geração vá manter o preço da atual). Algo que acharia interessante e menos propenso a ser comparado a um carro de série seria uma réplica do BMW 600:

    http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/72/BMW_600,_p2.jpg

    http://files.conceptcarz.com/img/BMW/59_BMW_600-Isetta-DV-11-GC_05.jpg

    Além de duas fileiras de bancos, há o fato de a bitola traseira ser mais larga. E é bom dar uma olhada no chassi da “Romi-Isetta obesa”:

    http://bringatrailer.com/wp-content/plugins/PostviaEmail/images/BMW_600_NOS_Chassis_and_Drivetrain_For_Sale_resize.jpg

    http://i598.photobucket.com/albums/tt69/booboo759/bmw600chassis002.jpg

    http://4.bp.blogspot.com/-uAgr1cfiBmE/VBNChczGTaI/AAAAAAAAOeg/nScGEkBLoDs/s1600/20140901_144753.jpg

    Sim, imagino que tenham notado uma série de possibilidades, a começar pela bitola traseira e o entre-eixos maiores, que acabam permitindo mais ousadias que as possíveis para uma réplica de Isetta (vide o tom de temor do criador da réplica de Isetta ao falar de gente que pensou em montar motor de Hayabusa).
    Também há uma boa facilidade em se achar peças do mercado amplamente disponíveis e de bom preço. Suspensão traseira de braço arrastado? Basta transplantar a da Kombi que a questão está fechada. Suspensão dianteira imagino eu também que dê para fazer algo usando peças de prateleira, ainda que vá demandar mais trabalho para termos a torre baixinha. Também dá para imaginar o transplante de uma caixa de direção de algum carro pequeno (podendo aqui inclusive ser elétrica).

    Em relação a motores, uma dica que o próprio carro dá é um boxer bicilíndrico, podendo aqui ser das próprias motos BMW e aproveitando-se até mesmo a transmissão que venha incorporada à carcaça do propulsor, conciliando-a a uma bola de diferencial acoplada a semieixos que permitam a subida e a descida da suspensão (talvez as homocinéticas da Kombi sirvam).
    O chassi não precisaria ter obrigatoriamente o mesmo perfil do 600 e consigo vislumbrar uma seção traseira de desenho próprio, que permitisse a montagem central-traseira do motor, facilitando aí a adaptação da tal unidade da BMW Motorrad. Com isso, a parte após o eixo traseiro acabaria ficando mais livre, permitindo que se passasse o estepe de um lugar melhor que o original do 600:

    http://cdn.geardiary.com/wp-content/uploads/2008/04/isetta5.jpg

    Além disso, esse espaço traseiro mais livre também facilitaria a montagem do radiador, caso a unidade motriz escolhida fosse a boxer refrigerada a água:

    http://bmwmcmag.com/wp-content/uploads/2012/10/R1200GS-2013-Draw-10-570×402.jpg

    Aliás, consigo imaginar sossegadamente um radiador de Gol BX ou Passat no lugar desse pequenino, inclusive podendo aproveitar o fato de o mercado de preparação ter unidades feitas de alumínio com colmeias maiores. Com isso, ficaria garantida uma capacidade de refrigeração fenomenal para tal motorzinho. E nesse ponto, o tal espaço mais livre na traseira liberado por uma montagem central-traseira do motor acabaria deixando um salão para se montar esse radiador, que já estaria beneficiado pelo projeto original prever um bom fluxo de ar devido à refrigeração a ar.
    Já o interior livre do estepe na porta acabaria permitindo a montagem de umas boas benesses, como um sistema de som, que poderia ser inclusive daqueles Secretaudio da vida:

    http://www.casmfg.com/images/SST_Images/SRMS_COMPLETE%20w%20text.jpg

    Também dentro de possíveis adaptações, a leveza do carrinho permitiria que freios de carros pequenos de série dessem conta muito bem da bronca, evitando assim rodas muito grandes e que gerem problemas na montagem.

  • nelson taniguchi

    Como sempre, excelente matéria. Para mim, o carro mais bonito do mundo, e meu sonho de consumo é o Shelby Cobra 427 sc 1964 azul com faixa branca… Como não tenho bala, comprei uma miniatura… Se eu ganhar na loteria, eu compro uma réplica. Se não ganhar na loteria e se não conseguir realizar esse sonho, serei feliz do mesmo jeito.

  • Gabriel Gomes

    Dessa lista tenho experiência com dois, a Chamonix e o MP. E nossa… Como eu tenho lembranças boas da 550, que carro legal e divertido, minimalista em todos os detalhes. O MP Lafer não era muito confiável em curvas, mas era legal de andar.