UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14

Foto1  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto1

O Arco do Triunfo: trânsito fluido apesar da aparente desorganização (Foto do autor)

Há alguns anos passei uma semana na capital francesa, minha primeira viagem internacional. Autoentusiasta de carteirinha, evidentemente não poderia deixar de incluir alguma atividade ligada a automobilismo no passeio.

Fiquei sabendo então, através desse nosso querido espaço, da exposição dos principais carros da coleção do estilista Ralph Lauren no museu de artes decorativas anexo ao Museu do Louvre. Automaticamente essa se tornou a principal atração de minha viagem. Não vou me estender muito na descrição desse passeio fantástico, já que não era permitido fotografar de perto a coleção. Mas vocês não podem imaginar a minha felicidade ao me incluir entre aqueles que já puderam ver de perto um Ferrari 250 GTO e outro carro ainda mais raro, para mim o mais bonito entre todos já idealizados: o Bugatti type 57 SC Atlantic.

 

Foto2  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto2

Bugatti type 57 SC Atlantic (foto Wikipedia)

Digna de nota a presença de um McLaren F1, único carro da era moderna em exposição. Uma sala da exposição tinha um sistema de áudio muito bem planejado, com o som dos motores de cada um dos carros em exposição. Nada como ouvir ao vivo, mas ainda assim de causar arrepios. Dentro do museu apenas dois cliques foram possíveis: um na chegada, do interior desse Bugatti fantástico e único, claramente inspirado nos aviões contemporâneos ao modelo, e outro dos três Ferraris, vistos de cima, quando eu passava por outra área do museu.

 

Foto3  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto3

Interior do Bugatti, com acabamento em madeira e cromados impecáveis (Foto do autor)

 

Foto4  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto4

Três dos Ferraris em exibição, com o 250 GTO em cima à direita. O estado de conservação dos carros é indescritível (Foto do autor)

Evidentemente, minha vivência automobilística não se resumiu a essa visita. Os olhos e ouvidos estavam sempre atentos nas ruas aos veículos, suas semelhanças e diferenças em relação aos nossos, além de observar a dinâmica do trânsito e dos meios de transporte de uma maneira geral.

 

Foto5  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto5

Ferrari 458 Italia branco na Avenue des Champs-Élysées; Ficou um carro muito interessante nesta cor; em segundo plano um raro SUV e um Twingo velho conhecido nosso (Foto do autor)

 

Foto6  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto6

Aston Martin na porta de um hotel de luxo (Foto do autor)

O que mais me chamou a atenção foi a quantidade absurda de veículos a diesel nas ruas de Paris: acredito que entre os modelos mais novos  chegue a 50% o número de veículos com esse tipo de motorização, provavelmente em razão do menor custo por quilômetro rodado. Mas por mais que se diga que esses motores estão evoluídos, em marcha-lenta chega a incomodar o nível de ruído e vibração, além do estranhamento que esses veículos causam a um brasileiro: às vezes em ruas estreitas ficava com medo de alguma van tipo Sprinter me atropelar, e me assustava ao me virar e me deparar com um prosaico Peugeot 206, ou Mini Cooper. Levei dias para me acostumar! Além disso, acho que um ruído de caminhão tiraria boa parte do prazer de andar de carro. Nunca teria um desses.

Outro ponto interessante é a quantidade de carros pequenos e motos nas ruas, já que Paris é uma cidade muito antiga, com a maioria das ruas e imóveis construídas antes da invenção do automóvel. O número de residências com garagem é pequeno, e as ruas são estreitas demais. E a ausência dessas barcas chamadas SUV dá uma certa leveza ao trânsito que há muito não se vê por aqui. A grande maioria dos carros têm arranhões e amassados, provavelmente por estarem sempre na rua. Pára-choques estão sempre arranhados, por causa das vagas apertadas. Os parisienses não parecem se incomodar muito com esses pequenos defeitos em seus carros. Versões especiais e esportivas de alguns modelos conhecidos nossos são mais abundantes em variedade e número. Esportivos puros também dão as caras mais facilmente. E toda essa diversidade convive muito bem nas ruas, sem a violência do trânsito brasileiro. O pedestre é respeitado, apesar da pouca fiscalização de autoridades de trânsito, mostrando um perfil de motorista mais consciente.

 

Foto7  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto7

Trânsito em alguns pontos de Paris (Foto do autor)

Entre as motos, chama atenção a preferência por scooters, presentes em grande número e variedade, muito adequados a um ambiente urbano, pois a maioria os usa apenas nos limites da cidade. Um desses scooters tem a estranha configuração de duas rodas na frente e uma atrás, com um engenhoso sistema de suspensão dianteira permitindo a inclinação do veículo mantendo as duas rodas em contato com o solo. Com o benefício ainda de dispensar o descanso.

 

Foto9  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto9

O tal scooter de 2 rodas na frente (Foto http://www.motodesign.org)

Com relação ao trânsito, fica a impressão de fluidez. Acredito que o metrô exemplar e bem integrado ao restante do transporte público seja o grande responsável, levando o indivíduo a preferir deixar o carro em casa (ou em frente de casa, para os que não têm garagem). São 300 estações apenas na região central, sem contar o sistema de trens suburbanos. A distância média entre estações é de 500 metros, o que significa que dificilmente o usuário andará mais de 300 metros a pé até o metrô. O trânsito de Belo Horizonte, onde moro, cidade muito menos populosa, por exemplo, é infinitamente mais carregado.

 

Foto10  UM AUTOENTUSIASTA EM PARIS – POR MARCOS ALVARENGA – 23/10/14 Foto10

Carros nas ruas em uma área residencial da cidade, foto feita um domingo à tarde. A maioria é das pessoas que moram nesses edifícios antigos e sem garagem (Foto do autor)

Obviamente porque praticamente TODAS as pessoas que precisam se deslocar precisam ocupar as ruas, seja de ônibus, carro ou moto, já que a cidade conta com apenas uma linha de metrô que apenas tangencia a região central da cidade. Me perguntei quando teremos um trânsito assim. Acredito que não vou viver para ver isso acontecer, principalmente quando descobri que a primeira linha do metrô de lá foi inaugurada em 1900. Fica então para a nossa e as próximas gerações reverter nosso incompreensível sistema de transporte baseado em estradas em um país de dimensões continentais, com sucateamento do sistema ferroviário já implantado até a década de 1960… como diria um velho professor de História, abaixo da linha do equador as coisas acontecem ao avesso.

Abraço a todos.

Sobre o Autor

AUTOentusiastas

Guiado por valores como paixão, qualidade, credibilidade, seriedade, diversidade e respeito aos leitores, o AUTOentusiastas desde 2008 tem a missão de evoluir e se consolidar como um dos melhores sites sobre carros do Brasil. Seja bem-vindo!

Publicações Relacionadas

  • Lucas dos Santos

    Que bela viagem, Marcos.

    Obrigado por compartilhar esse momento conosco!

    • Marcos Alvarenga

      Obrigado a vocês. Prazer enorme poder escrever nesse espaço que tanto admiro.

      Vou escrever mais.

  • Mr. Car

    Coincidentemente meu melhor amigo está em Paris agora, he, he! Mas ao contrário de mim e do autor deste relato, duvido que vá atrás de ver os carros do Ralph Lauren, ou prestar atenção aos que circulam pelas ruas.

    • Marcos Alvarenga

      Pra dizer a verdade cheguei a mudar a data de nossa viagem só pra ver essa exposição. Abraço,

  • Rogério Ferreira

    Cidade maravilhosa, carros interessantíssimos..O Bugatti type 57 SC Alantic, é sem dúvida o carro mais bonito que foi produzido até hoje, autêntica obra de arte sobre rodas. Mas eu queria ter um carro pequeno a diesel… Não tem problema os ruídos em marcha lenta, um 208 fazendo mais de 25 km/l com esse combustível, e com pronta resposta ao acelerador, característica típica desse tipo de motor, me agradaria muito. Aliás, indecente é a legislação brasileira, em não nos permitir esse tipo de veículo. Vou para Europa em breve, mas me limitarei à Península Ibérica. É claro que lá, vou procurar tudo que é relacionado a automóvel que puder encontrar. E faço questão de alugar um “coche” e buscar o Mediterrâneo, através de uma “Autopista” espanhola. Espero poder compartilhar a experiência aqui no Autoentusiastas.

    • Marcos Alvarenga

      O Bugatti Atlantic é lindo mesmo. E de perto é ainda mais impressionante. Só ele já valeu a viagem. Abraço,

  • Roberto Neves

    Ótimo texto, fotos excelentes! Parabéns!

    • Marcos Alvarenga

      Obrigado. Também sou FOTOentusiasta, como o PK. Mas tenho muito ainda a aprender.

  • João Guilherme Tuhu

    Lembrei imediatamente de George Gershwin, ‘Um Americano em Paris’. Ótima matéria, especialmente para mim, que não conheço a cidade-luz.

    • Bob Sharp

      Tuhu
      Pensei a mesma coisa quando recebi a história!

    • Marcos Alvarenga

      Obrigado!

  • Lucas

    Muito bom! Tive o verdadeiro prazer de andar num Peugeot 207 a diesel, chileno. Que delícia de carro. Torcudão, câmbio longo na medida certa, as marchas vão casando certinho, parecendo que você já conhece o carro há séculos… E quando você abre o capô dá de cara com a turbina e sua válvula, quase que implorando para socar mais pressão. Gostei muito.

    Abraço!

    • Marcos Alvarenga

      Obrigado!