23 maio

(foto: veja.abril.com.br)

Há exatos três anos publicamos a matéria Não pode bater, não pode enguiçar, na qual mostro que trânsito engarrafado, congestionado, tem causa outra que não o famigerado “excesso de veículos”.  Dei um exemplo de como me desloquei com a maior facilidade, sem nenhum tipo de congestionamento, o que seria normal naquele horário.

Volto ao assunto por ter vivenciado experiência semelhante ontem ao sair do Expo Center Norte, onde se realiza o 23º Congresso SAE Brasil e Mostra Tecnológica, que vai até amanhã.

Um parêntese: espero que o leitor de outra cidade ou estado me desculpe por falar de assunto local, mas ele é aplicável para qualquer cidade brasileira grande ou média.

Saí as 17h15 já esperando o pior, uma vez  que nesse horário o volume de tráfego já normalmente grande. Primeira surpresa, a marginal do Tietê estava livre, que para nós é cheia porém tudo andando. Fiz o famigerado acesso “Pegadinha da CET”, pegar a Ponte das Bandeiras, sem problema de acúmulo de carros (pode-se fazê-lo depois das 15 horas). Na quase sempre complicada Av. Tiradentes, tudo normal, andando, parei só num dos dois sinais. O chamado eixo Norte-Sul, formado pelas avenidas 23 de Maio, Ruben Berta e Moreira Guimarães, que levam ao Aeroporto de Congonhas, cheia, mas andando no limite de 70 km/h.

O fato: fazia tempo que eu não parava neste eixo e depois de 20 minutos estava entrando na garagem do meu prédio. Foi aí que pensei na matéria de três anos antes.

O “caos” do trânsito fartamente alardeado pelos meios de comunicação como sendo resultado da gigantesca frota paulistana, não existe. O que existe é falta de controle eficiente do trânsito pelo órgão responsável, a Companhia de Engenharia de Tráfego — “engenharia” só no nome, frise-se — cuja maior preocupação é reforçar o caixa de Prefeitura. Não é preciso ter dotes de visão excepcionais para constatar a quantidade impressionante de “pardais” e câmeras por toda parte.

 

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(foto: onacional.com.br

O que existe, outrossim, é uma freqüência inadmissível de acidentes e veículos enguiçados (“quebrados”, como se costuma dizer em São Paulo), verdadeiros trombos no sistema viário. Mas mesmo com a alta freqüência desses eventos, uma pronta ação da CET minimizaria consideravelmente os efeitos.

Mas ultimamente há uma variante desses “trombos”, nova: as manifestações que bloqueiam ruas e avenidas. Muitos, a maioria, até os governos dos três níveis, entendem que por a Constituição Federal garantir o direito à manifestação, vale ocupar vias públicas. Pronto, meia dúzia resolve protestar, fecha uma via importante e está feita a caca. Pára tudo.

Pois não vale coisa nenhuma, não está escrito em nenhum lugar da Carta Magna. Ninguém tem o direito, a que pretexto for, de prejudicar a livre circulação, isso constitui incontestável perturbação da ordem pública. Que se usem espaços fora das ruas para isso, sambódromo, estádios de futebol, praças, enfim, qualquer lugar menos as vias de circulação de veículos.

 

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Até índios fecham rodovias (foto globo.gi.com)

 

E não só nas vias urbanas, não: essas manifestações — até por índios! — fecham rodovias, tornam-se cada vez mais comuns.

Está faltando determinação do poder executivo no sentido de coibir essas perturbações escoradas numa interpretação errada da Constituição. É sua obrigação, não favor.

Assim, não venham dizer que a solução para a mobilidade urbana, notadamente a de São Paulo, está nas bicicletas — de longe o transporte mais individual de todos — e nas faixas/corredores de ônibus.

A solução está em e-n-g-e-n-h-a-r-i-a e controle de tráfego. O resto é poesia e cicloativismo irresponsável.

O título desta matéria deveria ser “Não pode bater, não pode enguiçar, não pode manifestar”.

BS

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