Acho que essa pergunta muitos, talvez a maioria, que pensam em comprar um carro, novo ou usado, se fazem: manual ou automático? Afinal, é notório que o número de ofertas de carros com câmbio automático vem aumentando significativamente nos últimos cinco anos. Alguns, como o Focus sedã, nem manual tem.

Para complicar, no bom sentido, os automáticos se apresentam sob a forma do automático tradicional, variação contínua (CVT) e robotizado, este do tipo de uma embreagem ou duas. Todos funcionam muito bem.

Claro, quem pensa em automático considera o fato de não precisar ficar passando marchas, o que significa um carro sem pedal de embreagem. Não só evitar um trabalho em si ao dirigir, como, e principalmente, gozar de maior comodidade no tráfego denso que se torna a cada dia mais comum nas grandes cidades brasileiras e até em algumas médias.

Também. aqueles que por um motivo ou outro não dominam, ou nunca dominaram, a arte de dirigir imaginam, com razão, que não ser necessário ficar trocando marchas manualmente lhes será de grande valia.

E não é só o trocar marchas em si, há a questão de entender o funcionamento do motor diante das trocas de marchas.

Tudo isso é atrativo e se justifica no câmbio que “muda de marchas sozinho”, basta colocar a alavanca seletora em D (drive) e acelerar.

Há outros atrativos, um objetivo e outro subjetivo. O objetivo é um fato que se vem observando, os carros manuais se desvalorizarem mais diante de modelo igual porém automático; já o subjetivo é o automático representar status, tipo “carro manual ser carro de frota”.

Claro, como nada que se vende é grátis, a comodidade do câmbio automático, qualquer que seja o tipo, tem preço, que vai hoje de 2.500 reais para um robotizado de uma embreagem a 5 mil reais para um automático tradicional ou robotizado de duas embreagens.

Há também a questão normalmente esquecida quando o carro é novo, que é o custo de manutenção e reparos dos automáticos ser maior — às vezes bem maior — do que os manuais. É como com os carros híbridos de tomada e elétricos, abstrai-se do fato de que o preço da bateria de íons de lítio pode chegar a um-terço do valor do carro e que baterias têm vida útil em termos de ciclos de descarga/carga. Enquanto novo, tudo bem.

Por seu lado, tudo o que se aprendeu dos câmbios manuais pode ser esquecido.  Funcionam admiravelmente bem por centenas de milhares de quilômetros, não dão defeito como arranhar marchas e, principalmente, o engate de marchas é surpreendentemente leve e preciso, graças em grande parte ao comando a cabo. Usam-se os dedos para trocar marchas, não mais a mão.

Ao uso muito fácil do câmbio junta-se o que há, ou havia, de mais trabalhoso nos câmbio manuais, que é o uso da embreagem, hoje facilitado por “peso” de pedal incrivelmente baixo. Apertar aquele pedal, mesmo no trânsito anda-e-pára, não cansa mais.

Uma grande dificuldade para muitos, arrancar numa subida, o terror de quem está aprendendo a dirigir, com um mínimo de entendimento e treino é dominado totalmente.

Portanto, decidir por manual ou automático é mesmo difícil. Muitas vezes a decisão pode ser feita pelo velho método do cara ou coroa. Felizmente a época da ficha telefônica — lembra-se dela? — passou à história faz tempo e hoje o Brasil tem moedas.

BS

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