Por segurança na largada, organizadores adotam largada em fila indiana, mas acidentes durante a prova reduzem o tempo de disputa e prejudicam as disputas.

 

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Largada em fila indiana no Velopark evitou acidentes na primeira curva (Foto Duda Bairros)

A recorrência de acidentes nas largadas no circuito de Nova Santa Rita (RS) desde há muito é conhecida. No último fim de semana isso levou os organizadores do evento e os comissários da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) a adotar um procedimento de largada pouco usual: os carros andando em fila indiana atrás do Safety Car. Oficialmente solicitada pelas equipes da categoria, a atitude em nada contribuiu para consolidar a imagem de principal categoria do automobilismo brasileiro: se o autódromo não oferece segurança mínima, que seja melhorado ou evitado; se o autódromo é aprovado, cabe aos competidores atuar dentro das regras estabelecidas e aceitas.

 

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Galid Osman conseguiu sua primeira vitória na Stock Car (Foto Rafael Gagliano)

Circuito nascido a partir de uma pista de arrancada, o autódromo do Velopark foi inaugurado com pompa, cerimônia e louvor dignos de uma obra que estabeleceria novos padrões de segurança, qualidade e instalações para o público. Infelizmente, o tempo mostrou que a realidade era bem diferente da expectativa por não levar em conta os hábitos dos seus principais clientes —o público gaúcho —, as receitas jamais chegaram aos níveis esperados. Ao proibir a prática do camping e do churrasco à beira da grade, o torcedor gaúcho não se animou a pagar preços mais altos no restaurante local e as receitas minguaram Com isso, o projeto final que inclui a proposta de um traçado com cerca de 4,7 km foi abandonado.

 

Áreas de escape no Velopark possuem obstáculos que danificam os carros (Foto Duda Bairros)  Stock Car: precaução prejudicou disputa no Velopark foto 15238702442 21085 foto

Áreas de escape no Velopark possuem obstáculos que danificam os carros (Foto Duda Bairros)

Pior, de tempos em tempos voltam a circular histórias que dão conta do encerramento das atividades esportivas no local. A primeira vítima desse plano de negócios mal implementado foi o kart: apesar de possuir pistas de altíssimo nível, o que inclui um oval inclinado único no País, a modalidade agora é praticada apenas como diversão do gênero indoor e após alguns anos de banir competições do campeonato gaúcho, os proprietários da pista estudam a possibilidade de rever essa proibição a partir do ano que vem.

Para o automobilismo a situação é pouco diferente: a pista tem áreas de escape inapropriadas em torno da reta de largada, particularmente no final desse trecho, e nesses locais a instalação de obstáculos para reduzir velocidade causou prejuízos sérios à mecânica dos carros, particularmente elementos da suspensão e transmissão. Em outras palavras, cabe rever as instalações e normas do circuito para que o público gaúcho (um dos mais entusiastas do automobilismo nacional), volte a prestigiar eventos nesse local e que as categorias mais importantes possam se apresentar lá sem restrições.

 

Equipes pediram fila indiana

 

Ricardo Maurício venceu pela segunda vez em quatro provas (Foto Duda Bairros)  Stock Car: precaução prejudicou disputa no Velopark 234046 436930 img 7028

Ricardo Maurício venceu pela segunda vez em quatro provas (Foto Duda Bairros)

O movimento para adotar a largada em fila indiana nasceu das equipes e dos pilotos, mas uma anunciada adesão por unanimidade não pode ser comprovada. Pior, a causa principal do movimento, eliminar situações que poderiam causar gastos extras decorrentes de acidentes, acabou se materializando por batidas em diversos outros locais, particularmente na entrada da reta dos boxes. Ali Valdeno Brito e Luciano Burti foram protagonistas de duas batidas que poderiam ter conseqüências mais graves. No caso de Valdeno o prejuízo maior coube a Marcos Gomes, que não conseguiu desviar do Chevrolet n°. 77 do paraibano.

Não se pode concluir que a culpa de tais acidentes é do circuito, mas certamente a idéia de abolir a largada lançada em duas filas poderia ter uma solução mais elaborada. Afinal, quando se recorda que a categoria cadete, destinada a jovens kartistas, pratica largada lançada mesmo sob chuva, a decisão adotada no Velopark arranha a imagem e a habilidade dos pilotos da Stock.

 

Alceu Feldmann voltou à pista com com o tanquinho de reabastecimento (Foto Duda Bairros)  Stock Car: precaução prejudicou disputa no Velopark foto 15215212856 61991 foto

Alceu Feldmann voltou à pista com com o tanquinho de reabastecimento (Foto Duda Bairros)

Falando em pilotos, merece comentário a atitude de Alceu Feldmann. Ao fazer o reabastecimento obrigatório na primeira corrida o piloto voltou à pista com o “tanquinho” (como é chamado o reservatório usado para reabastecer os Stock Car brasileiros) ainda preso no bocal do tanque do seu carro. Ao invés de voltar ao box na volta seguinte e resolver o problema, Feldmann seguiu na pista andando em zigue-zague e até raspando o “tanquinho” na murada do box na esperança de que a peça se soltasse do bocal. Sem dúvida não passou pela cabeça do piloto as conseqüências que ele poderia causar se o reservatório externo se soltasse e atingisse o carro dos seus adversários ou fosse lançado contra o público ou em direção ao pessoal de box.

O resultado das provas vencidas por Galid Osman e Ricardo Maurício e a classificação no campeonato você vê clicando aqui.

 

Mau contato entre Prost e Heidfeld dá vitória a Di Grassi na Fórmula E

 

Pequim: largada da primeira corrida de monopostos elétricos (Foto FIA F-E)  Stock Car: precaução prejudicou disputa no Velopark 233983 436668  sbl5713 1

Pequim: largada da primeira corrida de monopostos elétricos (Foto FIA F-E)

A vitória do brasileiro Lucas Di Grassi na corrida inaugural da Fórmula E, categoria de monopostos propulsionados por motores elétricos, aconteceu de forma inesperada: a poucos metros da bandeirada de chegada, o francês Nicholas Prost jogou seu carro contra o do alemão Nick Heidfeld, acidente (clique aqui para ver o vídeo) eliminou ambos da competição disputada na madrugada de sexta para sábado (horário de Brasília), em Pequim. A punição dada ao francês foi considerada branda por muitos: o filho de Alain Prost perderá dez posições no grid de largada da próxima etapa do certame, marcada para o dia em 22 de novembro nas ruas de Putrajaya, na Malásia

Falando após a vitória, Di Grassi lembrou que esteve envolvido no desenvolvimento da Fórmula E desde a criação da categoria e que se aproveitou da experiência adquirida com os carros híbridos da Audi que pilota no Campeonato Mundial de Endurance, o WEC:

 

Di Grassi vencedor: o primeiro pódio da F-E (Foto FIA F-E)  Stock Car: precaução prejudicou disputa no Velopark 233983 436670 a50a9026

Di Grassi vencedor: o primeiro pódio da F-E (Foto FIA F-E)

“Embora eu esteja familiar com o conceito por guiar o Audi R18 e-tron quattro do regulamento deste ano do Mundial de Endurance, isso tem um significado ainda maior na Fórmula E. Corremos em circuitos de rua no meio das cidades e nossos treinos livres, classificação e corrida se realizam em questão de algumas horas. Isso exige um trabalho de equipe perfeito e a eficiência na pilotagem e na condução de todas estas tarefas, e eu gosto disso.”

Além de Lucas, outros dois brasileiros participam da nova categoria: Nelsinho Piquet e Bruno Senna. O resultado final do GPe de Pequim foi o seguinte:

1) Lucas di Grassi (BRA), Audi-Sport Abt, 25 voltas
2) Franck Montagny (FRA), Andretti, a 2”867
3) Sam Bird (ING), Virgin, a 6”559
4) Charles Pic (FRA), Andretti, a 19”301
5) Karun Chandhok (IND), Mahindra, a 23”952
6) Jérôme D’Ambrosio (BEL), Dragon, a 31”664
7) Oriol Servià (ESP), Dragon, a 41”968
8) Stéphane Sarrazin (FRA), Venturi, a 43”896
9) Nelson A. Piquet (BRA), China, a 43”975
10) Daniel Abt (ALE), Audi-Sport Abt, a 1’2”507

 

WG

A coluna “Conversa de pista” é de total responsabilidade do seu autor e não reflete necessariamente a opinião do AUTOentusiastas.

Sobre o Autor

Wagner Gonzalez
Coluna: Conversa de Pista

Jornalista especializado em automobilismo de competição, acompanhou mais de 300 grandes prêmios de F-1 em quase duas décadas vivendo na Europa. Lá, trabalhou para a BBC World Service, O Estado de S. Paulo, Sport Nippon, Telefe TV, Zero Hora, além de ter atuado na Comissão de Imprensa da FIA. É a mais recente adição ao quadro de colunistas do AUTOentusiastas.

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  • Eduardo

    Essa stock car é uma tremenda enganação. Eles fazem de conta que estão numa corrida de automóveis e quem assiste faz de conta que está vendo uma corrida.
    Domingo fui ver a stock car (pela TV), porém havia visto antes a DTM, então nem precisa dizer o tamanho da decepção.
    Sei que a DTM está num outro patamar, sobretudo financeiro, mas ali ainda se ver umas migalhas de espírito de “corrida de automóvel”. Existe algumas diferênças nos carros (poucas) e a principal delas: motor, a essência de um automóvel. Não gosto de competições com carros iguais, pois gosto de carros, gosto da evolução técnica egendrada numa competição entre equipamentos diferentes. Pilotos são meros detalhes, o bom é que eles se divirtam.

    • francisco greche junior

      Faço tuas palavras falarem por mim, se me permites. Que competição é essa?

  • Perneta

    O traçado da pista é muito trancado e pequeno. O Velopark em si me decepcionou bastante. Para alguém com a grana que tem o Klaus Gerdau Johannpeter ele só pode ter sido muito mal aconselhado.

    Já o Velo Città é um exemplo à ser seguido.

  • Robertom

    Apesar dos problemas decorrentes da “pasteurização” da Stock, neste caso o maior complicador foi a “pista”, um circuito curto demais, com um traçado muito ruinzinho e zebras super altas e inadequadas.
    Colocar ali trinta e poucos JL V8 com sua conhecida fragilidade, quase todos virando tempos muitos próximos e se esfregando o tempo todo só poderia dar errado.
    Não seria a ridícula e inaceitável largada em fila indiana que resolveria a “segurança” da prova.
    A VICAR segue trabalhando arduamente para enfraquecer categoria, escolhendo uma pista sem condições de recebê-la, e depois tentando remendar o erro com um erro ainda maior (a largada fajuta) e que obviamente não surtiu o efeito desejado.

  • RoadV8Runner

    Ao que parece, os organizadores do Velopark decidiram enfiar “goela abaixo” as suas vontades e agora estão sentindo na pele que a estratégia deu errado…. É a única explicação que me vem à mente para justificar esse monte de presepadas, só pode.
    Gosto de corridas de automóveis e, mesmo a Stock Car brasileira não sendo o tipo de organização que mais me agrade, ao menos ainda se vê boas disputas na pista. Mas o que realmente me incomoda são os carros, completamente fora de qualquer padrão ao exigir que o piloto sente em uma posição demasiadamente recuada, além de se usar “bolhas” diferentes, como se cada modelo fosse um carro distinto. Já que todos os carros são iguais, qual o problema de se usar uma mesma “bolha” para todos? Essa sanha à busca de patrocínio tem que ter limites…

  • Lucas dos Santos

    O problema, na minha opinião, não é os carros serem iguais, mas sim o fato deles serem iguais mas parecerem diferentes.

    É o único detalhe que me afasta da categoria.