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Marchionne (esq.) entrou em choque com Montezemolo (centro) sobre o futuro da Ferrari. Os dois executivos estão junto do presidente da Fiat, John Elkann (dir.), após a apresentação do LaFerrari híbrido no Salão de Genebra de 2013 (foto Reuters)

Luca di Montezemolo deixará a presidência da Ferrari em 13 de outubro e o cargo será ocupado pelo executivo-chefe da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, disse a Fiat hoje. A saída de Montezemolo, de 67 anos, já era esperada após os desentendimentos cada vez maiores entre os dois sobre a estratégia e o papel da Ferrari no Grupo Fiat.

A Ferrari é um elemento-chave nos planos de Marchionne para expansão da linha de carros de luxo para concorrer melhor com a Volkswagen, dona da Lamborghini entre outras marcas de carros de prestígio.

Montezemolo queria manter a Ferrari autônoma e limitar as vendas a 7.000 carros por ano para preservar a auréola de exclusividade da marca, o que colidiu com o objetivo de Marchionne.de usar a Ferrari para aumentar a presença da Fiat no segmento de luxo como parte da fusão com o Grupo Chrysler.

A data da saída coincide com o dia em que a Fiat planeja a entrada da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) na Bolsa de Nova York uma vez terminada a fusão com sua operação americana e selando a mudança da grupo italiano para fora de seu pais, onde esteve por 115 anos.

“A Ferrari terá um importante papel dentro do Grupo FCA na iminente presença em Wall Street. Isso abrirá uma nova e diferente fase, a qual penso ser comandada pelo presidente executivo do Grupo,” declarou separadamente Montezemolo.

Marchionne disse que ele e Montezemolo conversaram bastante sobre o futuro da Ferrari e que “nosso desejo mútuo de ver a Ferrari atingir seu verdadeiro potencial na Fórmula 1 levou ao desentendimento que se tornou claramente visível no fim de semana passado.” Disse Marchionne no domingo que os recentes insucessos da equipe Ferrai de F-1 eram “inaceitáveis” e que era “absolutamente inegociável” o fato de a Ferrari precisar vencer corridas.

Sob a gestão de Montezemolo, a Ferrari foi para o topo na F-1, aumentou o faturamento e triplicou as vendas com a entrada da família italiana numa das marcas mais poderosas do mundo.

Sabe-se que Montezemolo não estava satisfeito em ter a Ferrari integrada à Fiat Chrysler. “A Ferrari agora é americana”, o que representa “o fim de uma era,” disse Montezemolo a pessoas do seu círculo no último fim de semana, escreveu o jornal Il Corriere della Sera no dia 8 passado. Os jornais italianos, incluindo o Il Messagero, vinham dizendo nas últimas semanas que Montezemolo deverá presidir a Alitalia.

Montezemolo ficou 23 anos na Ferrari, na qual a Fiat tem 90% de participação. Ele foi também presidente do conselho do Grupo Fiat de 2004 a 2010 e não foi indicado para a diretoria da Fiat Chrysler Automobiles. (Automotive News Europe/Bloomberg)

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