2D8A7031Fotos Divulgação/Caio Mattos

Ao contrário do Honda Fit, todo remodelado, o Civic teve apenas mudanças sutis em seu modelo 2015. Não chega a ser um face-lift, está mais para personalização. Mudou apenas a grade dianteira, o sedà ganhou frisos cromados em comandos do painel, que agora têm novas cores contrastantes. E as rodas passaram de 16 para 17 polegadas. Estas são as principais diferenças do sedã para 2015, que não ficou tão novo assim.

Continuando em sua nona geração, lançada em 2012, o destaque para a discreta reestilização para 2015 ficou para o LXR, versão intermediária e mais vendida. A pesada asa cromada da grade dianteira até 2014 foi trocada por um friso em “U”, mais harmonioso. Faróis auxiliares passaram do oval para o circular.

2D8A6752           Grade diferente e rodas de aro 17″ estão apenas no Civic LXR 2015

Também a tomada de ar inferior na dianteira ganhou um friso cromado, assim como o contorno de elementos do interior do sedã, como botões de comando no volante e painel. Cores contrastantes de painel — preto na parte superior e cinza na inferior — trazem a sensação de maior espaço interno.

2D8A8876b               O interior ganhou aros cromados em comandos e painel bicolor

Complementando a discreta redecoração, quase uma personalização, o Civic LXR ganhou rodas de aro de 17 polegadas, com pneus de perfil mais baixo (série 50), a única mudança que altera a sensação ao dirigir. Com estes pneus, as respostas ao volante (com assistência elétrica) ficam mais rápidas e o sedã feito em Sumaré (SP) tem um comportamento um pouco mais ágil e esportivo em desvios de trajetória. Claro, a desvantagem aparece em locais esburacados, pois pneus baixos não combinam com pisos sem qualidade.

2D8A9062b O motor é o mesmo 2,0 i-VTEC, com câmbio de apenas cinco marchas 

A mecânica do LXR continua a mesma, com o competente motor 2,0 i-VTEC de 155/150 cv (álcool e gasolina), sempre equipado com câmbio automático de cinco marchas. O que não chega a ser um destaque, já que boa parte dos carros luxuosos hoje conta com caixas de seis ou mais marchas. Em compensação, o Civic automático conta com paddle shifts, borboletas atrás do volante para troca manual de marchas para quem gosta de brincar de piloto.

O preço do Civic LXR aumentou cerca de R$ 500 por conta das novas rodas, indo para R$ 74.990. O concorrente Corolla XEI sai por R$ 79.990.

Civic de entrada

Já a versão de entrada, a LXS, continua com o mesmo visual, nem a grade dianteira foi substituída. As rodas permanecem com aro 16. Porém, finalmente se livrou do famigerado “tanquinho de partida a frio”, recebendo também o sistema FlexOne da Honda. Seu motor 1,8 conta com o sistema i-VTEC de comando variável e rende 140/139 cv. Agora conta com bicos aquecedores de combustível, que atuam abaixo de 18 °C com o carro abastecido com álcool. Basta destravar as portas que, se necessário, o combustível começa a ser aquecido para partidas mais rápidas. O FlexOne já existia no motor 2.0 do Civic LXR.

O preço da versão de entrada LXS foi mantido em R$ 65.890 (câmbio manual) e R$ 68.890 (automático). O Corolla GLi sai por R$ 66.570 e R$ 69.900.

Falta ainda o EXR 2015, topo de linha, que certamente terá mudanças mais significativas, prometidas para o Salão do Automóvel ou mais para o final do ano. O Civic feito no Brasil parece ganhar vida própria em relação às versões vendidas no restante do mundo.

Porém, na Europa, que ainda influencia mais o Honda nacionalizado, o Civic já mudou, inclusive com a versão esportiva Si ganhando motor 2,4. Este aumento de cilindrada não pretende melhor desempenho, mas atender a limites de emissão de CO2, uma tarefa cada vez mais difícil principalmente na Europa. O jeito pode ser aumentar a cilindrada para manter o rendimento, tendo uma queima mais completa de combustível principalmente em acelerações.

2D8A0878bcCom poucas mudanças, complica a concorrência do Civic com o Corolla

Enquanto isso, por aqui a tradicional disputa de mercado do Civic com o Toyota Corolla parece ficar mais complicada para a Honda.

Mas as tímidas mudanças do Civic para 2015 parecem ter razões mais industriais que mercadológicas. Tanto que a liderança do Civic está sendo ameaçada pelo renovado Corolla, que vendeu 5.741 unidades em maio, contra 4.702 do Civic.

A Honda enfrenta vários fatores mercadológicos ao mesmo tempo. Porém, são “problemas agradáveis” em tempos de quedas de vendas para a maioria dos fabricantes.

 Sucesso do novo Fit faz a Honda ter limitações industriais de produção

Primeiro, o novo Fit foi um sucesso além do esperado: há um excesso de procura pelo recém-lançado Fit, que utiliza a mesma fábrica do Civic em Sumaré (SP). E a produção da Honda só vai crescer no final do ano com a inauguração da nova fábrica em Itirapina (SP), que vai absorver a produção do Fit. Não por acaso, deve coincidir com o lançamento do Civic EXR 2015.

Além disso, a Honda também prepara uma reformulação visual do City, que pede renovação. E tem mais: está no forno o novo SUV (ou crossover) da Honda, o Vezel ou HR-V, ou qualquer outro nome que receba por aqui na Terra dos 7×1. Ou seja, enquanto outros fabricantes pisam no freio, a Honda acelera industrialmente.

E aí não dá para cuidar de todos ao mesmo tempo. E com isto o Civic recebe menos atenção. Tem sua lógica: com tantos projetos, uma nova fábrica em construção e o Fit com fila de espera, não há o que reclamar da vida. Nem motivos para reclamar se o Corolla vender mais que o Civic. É tudo uma questão de estratégia e prioridades mercadológicas e industriais.

Velhos tempos

Enquanto isso, o Civic está muito melhor de dirigir, exibindo uma maturidade de construção e montagem invejável. Explico: se alguém me perguntar qual carro comprar (qualquer carro) a resposta padrão é “compre o último a ser produzido”.

Historinha do Tio para ilustrar: perdoem-me os Fiatzeiros, mas nunca fui com os cornos do Tempra. Achava um carro meio atrapalhado, ainda mais para se andar rápido. A versão Turbo, então, dava a sensação que o motor ia embora e o carro tentava acompanhar, chacoalhando como príncipe inglês sambando numa favela carioca.

Pois bem, quando o Tempra saiu de linha, acho que em 1999, resolvemos fazer uma matéria sobre o “último Tempra” na revista Oficina Mecânica. Era outro carro em relação aos primeiros que tinha dirigido. O Tempra estava maduro, gostoso de dirigir e, pior, pouca coisa tinha mudado tecnicamente.

O mesmo ocorre com o Civic (e qualquer carro). Desde o início da produção em 2012, pequenos ajustes de montagem, mudanças sutis em alguns componentes… tudo fruto dos “resultados de campo” (leia-se reclamações de consumidores, via revendedores). O Civic está mais gostoso de dirigir, tudo mais ajustado, mais maduro.

Mesmo o LXS, com seu motor 1,8, parece render mais. O LXR então, com seu motor 2,0, parece que ficou mais rápido e, ao mesmo tempo, mais silencioso e com o motor mais “liso” de funcionamento. Nada de importante mudou tecnicamente, mas o carro está diferente, melhor.

Quem não acredita, se dê ao trabalho de assistir duas vezes a mesma peça de teatro, com uma larga janela de tempo. Isto ocorreu comigo, na “matriz”. Vi o “Fantasma da Ópera” logo depois da estréia em Nova York. Anos depois, voltei a assistir o mesmo musical, no mesmo teatro e poucos artistas tinham sido substituídos. Na primeira vez achei “legal”. Na segunda, achei espetacular, do grande K.

Nada como fazer a mesma coisa por anos seguidos. Se a perfeição não existe, o caminho para persegui-la certamente é a repetição.

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JS

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